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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Jul17

À atenção de todos os que não sabem o que fazer da vida, aos que querem escrever e aos que querem ser jornalistas ou assessores #2

Carolina

Chega a esta altura do ano e começo a receber emails, mensagens e comentários relativamente ao curso que tirei (na verdade, recebo-os durante todo o ano, mas nesta época de candidaturas é naturalmente mais intenso). Há uns anos escrevi um post onde falava sobre tudo o que achei pertinente sobre a licenciatura de Ciências de Comunicação da Universidade do Porto e sei que muita gente vem cá parar graças a isso. É notória a falta de informação que há sobre os cursos e as pessoas querem, logicamente, saber experiências e ter o feedback de quem lá andou para saber o que lhes pode cair na rifa. Mas na altura tinha acabado de completar o primeiro ano, algumas das minhas opiniões mudaram e agora que já trabalho e tenho algum distanciamento penso que consigo ser mais justa e realista em tudo o que vou escrever. Para além de que já posso falar de todo o curso, porque já o acabei (yeyyy!).

As perguntas rondam sempre o mesmo: que vertente tirei, se gostei, se tenho trabalho, o que acho do curso e etc. Tentei sempre responder a todos os que, descontextualizados com a minha vida e caídos aqui de paraquedas, me fizeram perguntas - mas acho que está na altura de escrever um post com tudo, para que possa dar resposta de forma mais rápida e completa a todos as que a procuram. Para quem é leitor habitual, vou fazer uma revisão daqueles três anos (um bocadinho penosos) da minha vida, pelo que é mais do mesmo. Aos outros: sintam-se livres de fazer questões sobre aquilo que eu não mencionar - estou disponível para ajudar. Sei que aqueles dias em que temos de pôr, por ordem de preferência, os cursos que em princípio definirão o futuro da nossa vida, são sempre difíceis.

 

Antes de mais, gostava de começar falando sobre esta referência que fiz no final do último parágrafo. Quando queremos escolher um curso pensamos que tem de ser algo para a vida e que vai obrigatoriamente definir o nosso caminho. A verdade é que é uma decisão pesada e que queremos que seja a melhor possível, mas que 1) podem sempre mudar de curso e 2) a vida dá muitas voltas e não é linear, pelo que podem até tirar o curso numa área e arranjar trabalho noutra (ou até querer tirar outro curso, por exemplo). Acho importante ter isto em mente porque às vezes pomos tanto peso em cima dos nossos ombros e desta decisão que, quando corre mal, desabamos e perdemos o norte. Isto não quer dizer que não devamos ter capacidade de resiliência, paciência e ir à luta - desistir à primeira dificuldade é o maior erro que podemos fazer quando vamos para a faculdade. Eu pensei muitas vezes - mesmo muitas! - em mudar de curso, porque, em particular no primeiro ano, não fui nada feliz. Mas continuei e hoje em dia não me arrependo dessa decisão.

Para quem não me conhece é importante saberem um facto sobre esta minha passagem universitária: eu não gostei de andar na faculdade, não vivi aquele espírito universitário de que tanto se fala e não participei em quaisquer atividades relacionadas com o curso ou a própria o universidade (incluindo praxes, uma vez que sou anti-praxe já desde a altura do secundário). É importante também saberem que este ano letivo (a começar em 2017) o curso vai sofrer alterações, nomeadamente nas suas instalações, e eu não estou totalmente inteirada sobre o assunto. Mas já lá vamos.

 

Os ramos e a escolha de assessoria

Eu comecei a tirar o meu curso em 2013 e acabei-o três anos depois, com uma média de 16 valores. Este curso tem a particularidade de, no terceiro ano, se escolher uma vertente: jornalismo, assessoria ou multimédia (os dois primeiros anos são comuns para todas as vertentes). Eu escolhi assessoria - que, para quem não sabe, é a comunicação por parte das empresas ou entidades; pode ser, em alguns casos, comparado com o jornalismo - a diferença é que a comunicação é feita para o proveito de uma entidade e não do bem público, algo que define sempre (ou devia) o jornalismo. A assessoria envolve muitas coisas, entre elas a gestão das redes sociais, gestão de crise (quando algo corre mal), a conversa com jornalistas, o planeamento de atividades... enfim, depende muito do ramo onde trabalhamos e do nosso empregador. E porquê que escolhi assessoria? Porque, na altura, me pareceu muito mais dinâmico do que o jornalismo.

Nos dois primeiros anos comuns damos um bocadinho de tudo: cadeiras práticas de jornalismo (rádio, televisão, imprensa), outras de multimédia (onde se inclui fotografia, vídeo, programação de html e javascript) e também de assessoria (relações públicas, marketing e etc.). Para além disso há também disciplinas transversais, opcionais ou não, que são tidas como essenciais para uma base de cultura geral que qualquer profissional de comunicação devia ter - como história, economia, metodologias de investigação ou ética. E é aqui que temos de começar a perceber aquilo que gostamos mais ou menos para, no terceiro ano, fazer uma escolha minimamente consciente.

Uma das coisas que disse no post que escrevi há três anos é que é uma falácia ir para jornalismo só porque se gosta de escrever. Pelo menos numa primeira fase, a criatividade que podemos ter é muito curta - e a visão que nos dão desta profissão enquanto andamos na faculdade é muito cinzenta, monótona, cheia de regras... uma autêntica seca, que eu detestei. A nível jornalístico a vossa criatividade só se vai poder soltar se estiverem num meio de comunicação atípico, se mandarem no jornal ou fizerem crónicas e artigos de opinião - o que, para principiantes, me parece altamente improvável. Multimédia, para quem gosta, também pode ser uma hipótese - sempre foi o meu caso mas, na minha opinião, há outros cursos só dirigidos para esta vertente que acabam por estar mais preparados do que nós e ter vantagem competitiva quando se fala em arranjar trabalho. Por isso a minha escolha recaiu sobre assessoria.

 

O local

Como disse anteriormente, o curso vai ser parcialmente movido para a FLUP. Isto causou grande barafunda nos últimos meses, com direito a manifestações e tudo mais, mas penso que a mudança vai mesmo acontecer. A parte teórica do curso vai passar a ser dada no pólo de letras, enquanto que as cadeiras práticas continuarão em Coronel Pacheco (na baixa, por detrás da Faculdade de Direito). Pelo que percebi, os alunos passarão uns dias na FLUP e outros no pólo - e eu não tenho dúvidas de que isto dificultará a vida a quem lá anda. Isto porque é na baixa que estão todos os materiais necessários para a componente prática (que não se faz em aula, mas sim nos tempos livres). Alugar materiais de fotografia, vídeos e gravadores; ir às ilhas de rádio gravar peças; estar no estúdio de televisão. Quem fez esta nova divisão não percebe que os alunos andam sempre cá-e-lá atrás dos materiais, que há momentos de correria e desespero profundo em que há vinte alunos para um só gravador, e por isso não tenho dúvidas de que daqui para a frente vai ser ainda mais confuso.

Não sei se os mini-serviços administrativos continuarão em Coronel Pacheco. De qualquer das formas, tudo o que tem que ver com inscrições em melhorias e assim, sempre foi na FLUP (o que não faz sentido nenhum). 

Esta mudança faz ainda menos sentido porque agora, finalmente, fez-se um bar no pólo! Enquanto lá andei tínhamos sempre de ir aos cafés lá perto caso nos desse a fome e, pelo que sei, agora há um bar (bem giro) para todos. Reprografia, cantina e outros serviços de faculdade a sério continuam a ser tratados ora em Direito, ora na FLUP.

 

 A minha opinião sobre o curso

Há muita coisa que podia dizer sobre o curso mas, lá está, não passa da minha opinião e não é transversal a todos os que o frequentam. Eu acho que o curso tem muitas coisas boas, mas onde assentam também as suas falhas. É um curso prático - a dificuldade dele não está propriamente nas matérias em si mas sim na gestão de tempo que tem de ser (muito) bem feita; vão ter de sair à rua, vão ter de fazer entrevistas, de escrever, de fazer vídeos, de fazer sites de raiz - e eu até fiz um programa de televisão! Mas isso não quer dizer que vos prepare muito bem para o mercado de trabalho: diria que em jornalismo o problema se coloca menos, uma vez que é a área que mais trabalhamos ao longo da licenciatura; mas ao nível da assessoria é tudo muito teórico - quando nos põem os problemas, nós só nos lembramos de princípios teóricos que na prática pouco nos valem.

Outras das coisas preocupantes no curso são os professores. Sempre disse que nós estávamos, naquele pólo, "longe da vista, longe do coração" e os professores, sediados ali, acham-se reis e senhores e fazem aquilo que querem e bem lhes apetece. Vi muitos, muitos exemplos de mau profissionalismo e má educação naquelas aulas. Mas o pior é que a qualidade de ensino de muitos é altamente duvidosa. Para mim, ter ido a algumas cadeiras é, hoje em dia, igual a zero. Acreditam que não me lembro de absolutamente nada? É incrível, mas é verdade. 

E depois há todo o comodismo à volta do pólo que não nos deixa evoluir, fazer mais, crescer. Dou o exemplo do programa de televisão que fiz no segundo ano: grande parte do grupo queria continuar e fazer mais programas. Mas não foi possível porque tinha de estar sempre um professor presente nos estúdios quando se gravasse alguma coisa e se mexesse no equipamento. Resultado? Milhares e milhares de euros em câmaras, televisões e máquinas, outros tantos em obras, e aquilo só é usado para uma cadeira, uma vez por ano. Cabe na cabeça de alguém? E rádio - faz sentido que um curso destes não tenha uma rádio, quando até a FEUP tem uma? Só nos deixam fazer podcasts (alguns com qualidade), mas sem transmissão em direto. E porquê? Porque dá trabalho, é preciso autorizações e burocracias. As iniciativas dos alunos acabam por ser escassas quando o atrito da "máquina" é enorme... e quem fica a perder somos nós.

 

Os estágios

No final do curso há sempre um estágio curricular que tem de ser feito - e há sempre uma lista, em todas as vertentes, disponível toda a gente escolher. Na vertente de assessoria até costumam sobrar porque há gente - como foi o meu caso - que se auto-propõe para locais fora da lista. Normalmente, entre eles, os alunos decidem e falam entre si para onde vão, para não haver grandes confusões - é claro que é preciso ter alguma noção da posição no "ranking" que ocupam - o aluno com melhor média tem todos os sítios à sua disposição, enquanto que o que está em 20º lugar não. É uma questão de bom senso e de discussão entre todos. Penso que no meu ano não houve grandes confusões e todos ficaram, mais ao menos, nos sítios onde desejavam. 

São 4 meses de estágio com um relatório final, que inclui não só a parte prática mas também a teórica (uma seca). Em jornalismo não funciona assim: passam dois meses no JPN (o jornal universitário) e outros dois meses no exterior, noutro meio de comunicação social. Mais detalhes sobre este ramo e multimédia não vos sei dizer.

 

A minha situação atual

Eu estagiei durante quatro meses num local relacionado com feiras de moda e gostei muito. Não estava à espera de ficar - e não fiquei - mas no seguimento desse estágio surgiu uma proposta de emprego, que eu imediatamente aceitei. E o que era essa proposta? Trabalhar num jornal (na área têxtil e de moda). Ou seja: eu, que andei anos a repudiar o jornalismo, estou há um ano a trabalhar como jornalista. Lembram-se de vos ter dito, em cima, que a vida dá muitas voltas? Era disto que estava a falar. Ou seja, para mim, ainda que de forma um tanto ao quanto retorcida, a coisa correu bem.

E, do que me parece, aos meus colegas também. Conheço muita gente que está empregada - curiosamente as que mais me vêem à memória são jornalistas, algo contrário ao que todos estávamos à espera. Diz-se sempre que jornalismo está às portas da morte e que não há emprego, razão pela qual muita gente foge para assessoria mesmo durante o curso, mas conheço mesmo muitas pessoas que acabaram por ficar ora nos sítios de estágio ou noutros locais. E falo tanto em rádios, como televisões e imprensa. Talvez isto aconteça porque se estão a substituir os da velha guarda, que ganham melhor, por novatos, mão-de-obra barata. Não sei... mas, daquilo que vejo, as coisas não têm corrido mal para os jornalistas da minha fornada - se calhar até melhor do que muitos assessores.

 

O que disse naquele primeiro post em relação à praxe, aos professores, aos acessos, às rádios e jornais universitários... continua tudo igual. De qualquer das formas, se acharem que falta algo neste post, sintam-se livres de perguntar. E boa sorte para essas candidaturas! Que a faculdade seja, para vós, uma aventura melhor que a minha =)

11
Mai17

5 dicas para escrever em fitas universitárias (e porquê que é importante escreve-las)

Carolina

Recebi ontem uma fita universitária para escrever e isso trouxe-me - a par das muitas fotos que vi de amigos e colegas meus no cortejo académico do Porto - algumas memórias e pensamentos à tona. Fui buscar a minha pasta, que recheei com as fitas que recebi, e li alguns trechos que me aqueceram o coração. E lembrei-me das várias fitas que escrevi o ano passado - nunca deixei nenhuma por escrever - e de algumas que ficaram por me entregar. E acho que posso dizer que uma fita não é só uma fita.

Só entreguei fitas a quem achava que devia, que era importante para mim ou no meu percurso universitário. Não entreguei muitas, porque toda a gente sabe que pessoas não é coisa que eu tenha muito na minha vida: mas entre família (grande) e amigos, acho que já foi uma quantia simpática. Já no que diz respeito a escrever, é lógico que eu sou suspeita para falar: faço-o com facilidade, tenho traquejo, mas vejo isto como uma oportunidade de dizer coisas boas a pessoas que, para mim, importam (se me entregaram fitas, é porque importam).

Não devia ser assim, mas muitos de nós tem imensa dificuldade em expressar sentimentos no dia-a-dia, cara a cara - eu tenho, e não é pouca! - e, escrevendo, as coisas saem com muito mais facilidade; pensar que não temos de estar lá quando o outros lerem as nossas palavras, as nossas verdades, as coisas que no dia-a-dia ficam por dizer, que às vezes ambos sabem mas que é bom que fiquem registados em momentos especiais como estes. É uma oportunidade para demonstrar afeto, amor, amizade ou o que for. E, acima de tudo, dedicação. Porque já todos nos vimos com uma fita à frente e pensamos "o que raio vou eu escrever?". Ultrapassar essa barreira nem sempre é fácil: não é fácil para quem não escreve com frequência, não é fácil para quem não se sente inspirado, não é fácil para quem não está a habituado a demonstrar aos outros aquilo que sente, não é fácil porque, apesar de tudo, ainda é uma grande responsabilidade estar a escrever na fita de alguém e queremos fazer o melhor possível.

Por tudo isto, demora tempo - e tempo é coisa que muitas vezes não temos (ou, para estas coisas, não queremos ter) -, requer paciência e alguma perseverança. E, acima de tudo, respeito pelo outro a quem estamos a escrever. Se nos mandaram a fita, foi por alguma razão. E não a escrever, a meu ver, é tão mau como desmarcar consecutivamente um jantar, um encontro ou um café; como não atender as chamadas quando vemos quem é do outro lado da linha. É uma desconsideração por alguém que, à partida, gosta de nós o suficiente para querer partilhar um momento importante da sua vida connosco.

Por isso, pensem duas vezes antes de deixar essas fitas em cima da secretária - e depois dentro da gaveta, para onde as atiram para não serem corroídos pelos remorsos. Pensem e escrevam. Em vez de um episódio de uma série que só vêem para queimar tempo, em vez de fazerem scroll infinito no facebook, em vez de pintarem as unhas: escrevam e proporcionem a alguém que gostam um momento feliz. Para os que estão em apuros, com o tempo a queimar-lhes os dedos, ou para quem está em remorsos profundos depois do que aqui escrevi, deixo cinco dicas que poderão ajudar-vos nesta tarefa hercúlea que é escrever numa fitinha. Ora vamos lá:

 

  1. Tudo tem um princípio, meio e fim - e as fitas e as relações não são excepção (embora neste caso, vamos esquecer a parte do "fim" nas relações, não vale a pena pensar nisso). Comecem pelo princípio - como é que começou a relação com essa pessoa? Simpatizaram logo ou foi precisamente o contrário? Quando se conheceram? São amigos recentes e que esperam um futuro brilhante ou já se conhecem há uma vida e já perdem a contagem dos anos? Comecem a vossa fita tal como a vossa relação - pelo início.

  2. Contem uma história engraçada, é sempre uma boa forma de fazer com que a leitura seja ligeira e que na cabeça de quem escreve e de quem lê se repitam bons momentos. Façam referência a ocasiões que passaram juntos, de peripécias que na altura foram dramáticas e que agora têm imensa piada. Se a pessoa fitada se começar a rir ou a sorrir para a fita, é porque fizeram um bom trabalho. E nisto, já escreveram metade.

  3. Elogiem. Como disse, esta é uma óptima forma (e desculpa) para dizer às pessoas de que gostamos delas sem ser demasiado constrangedor ou lamechas. As fitas servem exatamente para celebrar uma pessoa, por isso celebrem as suas qualidades - quanto aos defeitos, podem até brincar com eles, mas não sejam demasiado chatos nem dêem demasiada ênfase ao assunto. 

  4. Dêem os parabéns ao fitado pelos feitos conquistados (tirar um curso, apesar de tudo, é cansativo) e façam votos para o futuro (de preferência em que os dois intervenientes façam parte). Lembrem as dificuldades, as pedras no caminho mas, acima de tudo, enfatizem o facto de todas as barreiras terem sido ultrapassadas. Desejem coisas (uma casa cheia de filhos? um casamento milionário? uma viagem para dar a volta ao mundo? voluntariado em África?), brinquem um pouco, mas também não exagerem - afinal de contas, isto é uma coisa para a vida.

  5. Se escrever não é mesmo a vossa cena, ao menos desenhem e assinem. Tenham só em conta que desenhar em fitas ainda é capaz de ser mais difícil que escrever, por isso pensem bem no assunto. Quem vos avisa, vossa amiga é. 

(E agora estão à espera de quê?)

 

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24
Fev15

As pechinchas da internet (ou como andei a fugir dos livros universitários até agora)

Carolina

Passei mais de um ano e meio, num curso de letras, sem ler uma única obra para a faculdade. No início do semestre os professores passam sempre os olhos pela bibliografia obrigatória mas o máximo que fiz foi ir à biblioteca, ler meia dúzia de páginas e pousar. Ler artigos já é outra história, já li umas dezenas, mas nada que me ocupasse demasiado tempo ou que me angustiasse em cima da mesinha de cabeceira.

Ano e meio já foi uma vitória. Admito que era o meu objetivo "preguiçoso" da faculdade - quase toda a gente tenta acabar o curso a ir a menos aulas possíveis, com notas que garantam a passagem da cadeira e nada mais. Eu vou a quase todas as aulas sem faltar, chego sempre meia hora mais cedo à faculdade, sou uma chata com as notas e sou capaz de ir levantar um 15 a recurso só por embirração. Posto isto, tinha de ter um objetivo "preguiçoso" e defini-o bem no início do curso: ler o menos obras possíveis, já que em cursos de letras há pessoas que têm (ou o fazem simplesmente, não sei) de ler um número demasiado grande de livros chatos e grandes.

Mas agora não me safo: tenho um trabalho que me obriga a ler um livro e estou decidida em faze-lo, que quero ter uma nota decente à cadeira. Podia ir requisita-lo à biblioteca, mas preferi procurar primeiro outras possibilidades, porque em livros e artigos académicos gosto sempre de riscar, apontar algumas notas e etc. Descobri que o livro em questão, novinho em folha, custa à volta dos quarenta euros. Depois de perder dez minutos entre o ebay e a amazon, comprei-o por cinco, usado mas em bom estado (e o conteúdo é o mesmo). Para quem não é bom a matemática, eu elucido-vos: poupei, nada mais nada menos, do que 35 euros!

Ler o livro não vai ser bom (sobre política, credo!), mas pode-se dizer que comecei com o pé direito. Como não adorar a internet?

04
Dez14

Fui à FLUP e caiu-me a ficha

Carolina

Como sabem, e embora o meu curso seja oficialmente da FLUP, o pessoal de ciências de comunicação são os excluídos lá do sítio - como tal, estudamos na baixa, perto de Cedofeita, longe de tudo e de todos, num pólo sem qualquer tipo de condições.

Eu digo isto todos os dias, mas a verdade é que não tenho termos de comparação, nunca estudei numa faculdade "a sério" - e, apesar do curso ser uma parceria entre quatro faculdades, nunca pomos o pé em nenhuma delas, por isso estamos longe de qualquer realidade (se calhar é um bocadinho como a China ou a Coreia do Norte - sabem que a liberdade existe (ou se calhar não), mas é uma realidade intangível). 

Mas hoje tive de ir à FLUP tratar de uns assuntos, coisa que faço duas ou três vezes ao ano. Era um dia normal como todos os outros, longe daquelas confusões das inscrições e dos dias mais anormais, e por isso caiu-me a ficha. Meu deus, eles têm um bar" Têm MONTES de comida. Têm um anfiteatro com aquecimento e bancos almofadados. Têm pátios com sol. Têm mesas para se sentarem a comer. Têm uma livraria e uma biblioteca de 6 andares. Têm estacionamento! Enfim. É triste, mas é verdade: tudo isto me parece incrível porque lá no pólo nem um raio de um bar temos.

Se é fixe estudar na baixa? É. Se preferia ir para FLUP, ou para a FEUP, ou para outra faculdade qualquer? Sem dúvida. E logo eu, que adoro a baixa. Acho incrível pagar as mesmas propinas e não ter nem 1/5 dos serviços que todos os outros têm. E não são só os serviços: é o conforto, a acessibilidade - tudo o que os outros parecem ter menos nós. É revoltante mas, honestamente, não sei de nada que possa fazer para mudar isso. 

29
Mai14

À atenção de todos os que não sabem o que fazer da vida, aos que querem escrever e aos que querem ser jornalistas

Carolina

(nota: fiz um post mais recente sobre o curso, após o ter terminado, que pode ser lido aqui. A leitura desse post não invalida a leitura deste, uma vez que se complementam.)

 

Ultimamente tenho recebido muitos emails e comentários a perguntarem-me sobre o meu curso, como é, como não é, onde é, se estou a gostar e todo esse tipo de coisas. Estava a pensar fazer esta publicação mais daqui a uns tempos, mas tendo em conta que estão a surgir muitas questões, mais vale despachar já a coisa. Percebo que, nesta altura do campeonato, muita gente que está a acabar o secundário ou o primeiro (ou segundo, nunca sabemos) ano de faculdade e não está a gostar do curso, esteja tipo barata-tonta sem saber o que fazer. Foi mais ao menos o meu caso e percebo perfeitamente o desespero que é estar perante uma decisão dessas. Vou abordar todo o tipo de questões aqui, e mais para diante vou repetir o foco em algumas delas, para reavivar a memória de quem vai - e conseguiu - entrar em CC. Sintam-se à vontade para fazer questões sobre aquilo que eu deixei escapar ou expliquei menos bem. Por fim, deixem-me dizer que eu não sou a pessoa acertada para vos dar uma visão apaixonada e fantástica sobre este curso: esta será a minha visão, como aluna que não quer - nem pode ver à frente - jornalismo, que não pretende trabalhar na área da comunicação no futuro e cuja vida universitária se revelou uma profunda desilusão.

 

  • ONDE ESTOU Antes de mais, importa dizer que eu estou no curso de Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria e Multimédia, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Este é um curso lecionado por 4 faculdades: letras, economia, belas artes e engenharia, o que o torna único no país. As aulas são todas dadas num pólo à parte, que se localiza na baixa da cidade. No terceiro ano, todos os alunos têm de escolher uma vertente: jornalismo, assessoria (que é, mais ao menos, relações públicas, que trata da parte das comunicações de empresas e etc.) ou multimédia.

 

  • O CURSO Na sequência do que disse acima, é importante referir que o facto de ter 4 faculdades é uma grande mais valia. Torna o curso abrangente, falam um bocadinho de tudo e têm professores especializados nas áreas: desde economia a design, direito e programação, entre tantas outras coisas. Mas desenganem-se: este curso é totalmente focado no jornalismo e quem não tiver esta área em vista ainda vai sofrer um bom bocado. Não há como escapar às disciplinas de rádio, imprensa, TV ou online, que podem ser horríveis para quem não está para ali virado, e deixam sempre a sensação de que não nos vão servir de nada.

 

  • O PÓLO, AS PESSOAS O facto de se estar num pólo à parte não ajuda. O pólo é pobre - como já referi aqui, não tem café, cantina, reprografia, papelaria ou qualquer outro serviço. Se quiserem esse tipo de serviços, têm de se dirigir à faculdade de Direito. Tem casas de banho e podem dar-se por contentes. É relativamente pequeno, não tem "recreio" e o único sítio onde se pode estar e/ou fumar quando está chuva é à entrada, num espaço com três metros quadrados. Isto faz com que não conheçamos pessoal de outros cursos ou malta de outras faculdades, embora Direito seja mesmo ali ao lado. Somos nós e só nós. Não é bom para quem gosta de conhecer mais pessoal ou está, eventualmente, atrás de um namorado. É um curso com muitas mulheres, poucos homens, e muitos deles são homossexuais. Há, por isso, muitos grupinhos e, dependendo da sorte, mesquinhice quanto baste.

 

  • QUEM GOSTA DE ESCREVER Quem quer e gosta de escrever, escusa de vir para CC com esperanças de melhorar as suas capacidades. Não há nada neste curso que nos ajude a escrever melhor, a aprender novas técnicas de escrita, a ter mais inspiração ou a adquirir mais vocabulário. A única coisa que se faz neste aspeto é aprender a escrever notícias para os diferentes meios, que passa basicamente por não usar os gerúndios, por usar frases curtas, ser direto e conciso e mais outras coisas que não interessam muito para aqui (se ficaram interessados nisto, força, vão para CC).

 

  • CURSO PRÁTICO Se querem um curso prático e em letras, esta deve ser das poucas opções. Não conheço os outros cursos de comunicação pelo país, mas quase ponho as minhas mãos no fogo como este é o mais prático deles todos, também por ter tantas faculdades à mistura. Por muito mau que seja, a verdade é que logo no primeiro ano têm fotografia, vídeo, informática, design, todos eles com componentes práticas muito vincadas.  Há algumas disciplinas bastante teóricas, mas ao todo há mais trabalho prático para fazer.

 

  • OS TRABALHOS Por falar em trabalhos.... há muitos, em demasia, e às vezes mais difíceis do que seria de esperar. Suponho que agora quase todos os cursos, em todo o lado, tenham esta componente rídicula, que é dar-nos trabalhos a todas as disciplinas até nós não aguentarmos mais. Contem com isso. Uns mais difíceis que outros, uns mais chatos que outros, mas quase todos eles trabalhosos. Às vezes não se vê a luzinha ao fundo do túnel... mas ela aparece.

 

  • PRAXES No que diz respeito à praxe, nunca fui posta de parte. Há mais um grupo no curso que dá alternativa à praxe e onde poderão recorrer se quiserem integrar-se e não fazer aquelas palhaçadas todas, e poderem olhar para os olhos dos "doutores" e essas coisas rídiculas que a praxe tem de base. A parte de humilhação fica de fora, mas são na mesma batizados, têm padrinhos, trajam, vão ao cortejo e tudo mais. Aquilo que a praxe mais fala é da integração, mas a verdade é que os grupos formados lá são sólidos e pouco recetivos; se não entrarem, é provável que a vossa relação com os colegas de praxe seja meramente cordial, mas é uma questão de pensarem se vale mesmo a pena (eu adianto-vos a resposta: não vale). Alerto (e vou alertar mais para a frente) sobre a questão da "apresentação" que nos foi feita mesmo no início do ano, e que era um embuste feito para nos pressionar a ir-mos todos para aquele festim. Podem ler mais sobre isto aqui. Não sei se esta façanha é comum, mas tenham muito cuidado nas matrículas se vos pedirem o número de telefone para "lanches", "apresentações" ou "sessões de esclarecimento" organizadas por alunos. Se são anti-praxe, não tenham medo de assumir a vossa posição e não se deixem levar pela carneirada só porque se encontram numa situação desconfortável.

 

  • PROFESSORES Há professores para todo os gostos: mais teóricos, mais chatos, mais maus, mais divertidos. Não contem com grande ajuda ou simpatia, porque na sua generalidade não abunda por aqueles lados.

 

  • ACESSOS Em termos de acessos aquele sítio é particularmente mau. Para quem tem carro, há um parque de estacionamente à frente, mas que está sempre cheio: arrajar lugar é uma sorte, a menos que seja antes das nove da manhã ou depois das cinco da tarde. De resto, há normalmente lugar na Praça da Républica. Ambos os sítios têm parquímetro, embora eu, em frente à faculdade, nunca coloque papel - durante este ano, só vi duas vezes a polícia a vasculhar. Já na Praça da Républica coloco sempre, tendo em conta que os rebocamentos são mais frequentes - a verdae é que mesmo colocando papel, ultrapasso sempre o limite de horas, tendo em conta que fico sempre mais de duas horas no pólo, mas até agora nada de mal aconteceu. Quem vai de autocarro é quem tem mais sorte, pois há um que passa mesmo em frente ao pólo e vários que param na Praça da Républica. Quem vem de metro, em dias de chuva, vai chegar um tanto ao quanto molhado, tendo em conta que a estação mais próxima é a da Trindade e ainda têm uma bela de uma subida pela frente até chegarem à faculdade. Mas não se acanhem: não serão os únicos.

 

  • SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS Temos uma secretaria e uma engenheira que é quem resolve os problemas de tudo e de todos. Mas para marcar recursos tem de se ir ao pólo do Campo Alegre, assim como para resolver assuntos mais graves. Basicamente, há uma secretaria, mas pouco serve para os alunos. Também temos uma biblioteca, provavelmente com um tamanho semelhante à vossa do secundário. É sossegada, espaçosa e ampla, e tem bastantes computadores (que vão abaixo a cada 20 minutos, mas vamos esquecer isso). Há também um espaço onde podem alugar materiais para os vossos trabalhos, como câmaras de filmar, máquinas fotográficas, tripés e tudo mais. A faculdade está equipada com 5 ilhas de rádio, onde podem gravar as vossas coisas e eventuais programas onde queiram participar.

 

  • JORNAIS E RÁDIOS DA CASA Na faculdade funciona o P3 (suplemento do jornal Público), o JPN, o JUP e várias rádios em forma de podcast. Em todos eles os alunos podem participar mas, para mim, alguns só funcionam para o orgulho próprio da faculdade, como quem diz "esta rádio já funciona há 10 anos, que orgulho". Ou seja, algumas destas estruturas têm qualidade, mas a verdade é que ninguém as ouve/lê. Como já disse aqui fiz parte de uma rádio, achei piada à primeira e à segunda vez, mas a verdade é que é trabalho que cai em saco rôto, tendo em conta que ninguém nos presta atenção. Nunca escrevi para um jornal, não sei se a sensação é semelhente, mas creio que sim - à excepção do P3, de quem já sou fã há vários anos e que já tem pessoas mais séniores a trabalhar. Ou seja, se quiserem experiência, podem tê-la; mérito e reconhecimento é que é capaz de não ser proporcional ao trabalho.

 

  • PERTINÊNCIA DAS MATÉRIAS Acho que depende tudo um bocadinho dos gostos de cada um, mas diria que, na sua generalidade, o curso está bem construído, embora demasiado direcionado para a prática do jornalismo quando este não é um curso de jornalismo, mas sim de Ciências da Comunicação. Embora muita gente possa não gostar, economia dá sempre jeito, saber dar uns toques no html e photoshop dá sempre jeito, assim como saber trabalhar num editor de vídeo. Podemos não gostar, mas é uma mais valia. As disciplinas teóricas são as que, na minha opinião, são mais dispensáveis, e algumas em que tudo o que se aprende não serve para rigorosamente nada (e eu já não me lembro de nadinha, tal a "importância" que lhes dei). Mas isso, julgo eu, existe em todos os cursos, pelo que é um mal menor.

 

Alguma questão que queiram fazer, estejam à vontade. Se entretanto me lembrar de alguma coisa, acrescentarei  mais um ponto.

06
Mai14

Sou aquela universitária típica

Carolina

Ou não.

 

Praxe? Super hiper mega anti.

Latada? Não ando com latas atadas aos pés.

Serenata? Nop.

Queima? Aturar bêbados não faz parte dos meus hobbies.

Cortejo? Gritar pela FLUP e pelo meu curso como te tivesse um grande amor à camisola? Pleasssssssse.

Traje? Ficou na loja.

 

Eu cá só passo às cadeiras. E às vezes é com sorte. É essa a minha universidade.

14
Abr14

A questão do traje

Carolina

Nota inicial: três pontos que devem ter em conta ao lerem esta publicação: a) eu sou anti-praxe e assumo-o e já o expliquei mil e uma vezes e esta não vai ser mais uma; b) não estou disposta a ser insultada, mal interpretada ou o que quer que seja à custa deste post o que me leva ao ponto c) este blog não funciona necessariamente como uma democracia: é meu, é a minha opinião, eu justifico-a, posso aceitar e agradecer opiniões opostas à minha mas nunca em proporções desmesuradas como aconteceu com posts deste género num passado próximo - para isso tenho botões como o "eliminar comentário" ou "fechar caixa de comentários" para me prevenir de situações menos agradáveis e que quase me fizeram deixar de escrever por estes lados. Espero, claro, que percebam aquilo que quero dizer e que esta nota seja muito, muito desnecessária. Acrescentar apenas a todos os pró-praxe: este texto, provávelmente, não é para vós.

 

Eu sempre babei para cima de trajados (homens - atentem! - homens! - até porque acho o traje feminino muito mais feio e menos elegante). Admito-o. Sempre que via uma tuna masculina a tocar na baixa só me faltava mesmo a babete, e saía de lá sempre derreada e com as vistas bem saciadas. E talvez por isso - e por ter visto os meus irmãos trajar - sempre quis fazer o mesmo. E essa foi a única questão que, antes de entrar na faculdade (bastante antes, enquanto não tinha pesquisado o suficiente sobre o assunto), me fez questionar sobre ir ou não à praxe - tal era a vontade que eu tinha de usar aquilo! Mas, claro, quando comecei a ler coisas apercebi-me que eu podia trajar sem ir à praxe e todo um peso saiu de cima de mim. E aprendi muito mais coisas como o facto do traje ser dos universitários e não de quem faz a praxe, algo usado para atenuar as diferenças financeiras entre os universitários (como um uniforme, basicamente).

Pois que não me tem faltado tempo para pensar sobre esta questão. E antevejo já a vossa pergunta: "Então, e já compraste?" Não, meus amigos, não comprei nem o vou fazer. Por muitas razões que vou, pois claro, passar a enumerar. A primeira e a mais forte é, de facto, a relação que hoje em dia o traje tem com a praxe; há um par de anos, quando andei a fazer as minhas pesquisas e fiquei a saber que não tinha "pré-requisitos" para usar traje, fiquei feliz da vida e pensei que seria ainda melhor usar traje pois iria confrontar todas as pessoas que o usavam como um "orgulho de praxe". Seria uma afronta, um "ai-me-deus-que-aquela-não-foi-à-praxe-mas-usa-traje-que-ultraje!". Mas depois refleti - as pessoas não iam saber que o facto de eu usar traje seria um acto de revolta e protesto; olhariam para mim na rua e pensariam "olha, mais uma que anda aí com os caloirinhos como aqueles do Meco", quando eu queria precisamente o oposto. E, a menos que andasse com um cartaz colado nas costas a dizer a minha missão, ela seria mal interpretada, e para isso mais vale não trajar, pois não tenciono que me liguem à "tradição" praxista.  Para além do mais, penso que trajar é um símbolo de orgulho universitário - e, como já puderam perceber, a vida universitária, para mim, tem-se resumido a desilusões, problemas e dores de cabeça, algo que não é muito bom de mostrar ao mundo. Por fim - e não menos importante - aqueles horrendos sapatos! Já mencionei aqui que tenho um problema num pé - que incha cronicamente - e, como tal, se as outras meninas que têm pés de princesa já se queixam horrores por causa deles, a mim seria o inferno em forma de sapato (já para não falar do pormenor que, com aquele modelo, o meu pé provavelmente nem sequer conseguiria "entrar").

Este texto já era para ter sido escrito há algum tempo, mas dado os recentes acontecimentos achei por bem "dar um tempo" ao assunto e às cabeças em geral - incluíndo a minha. Como sempre, não é por um tema ser polémico que vou deixar de escrever sobre ele e por isso é que existe a nota que escrevi acima.

Assim sendo, não vos vou poder presentear com uma foto da minha pessoa dentro de um traje. Foi um sonho defraudado por mim própria, mas que nada me preocupa. Tenho a certeza de que meninas e meninos (uhhh) trajados não hão-de faltar por aí. Eu é que não serei um deles.

20
Jan14

Sobre a tragédia do Meco (ou como puxar a brasa à minha sardinha)

Carolina

Antes de mais, e antes que me interpretem mal, queria deixar bem claro que aquilo que sucedeu no Meco me tocou mais do que o custume. Posso dizer-vos que durante todos aqueles dias em que não se descobriram os corpos, eu pensava naquilo. Mexeu mesmo comigo, não sei porquê: há tantos casos trágicos, todos os anos, nas mais variadas vertentes, e acho que nunca nenhum me chocou tanto. Talvez por os jovens serem da minha idade, por ter sido no mar que eu gosto tanto, não sei...

A verdade é que especulação sobre este caso é coisa que não falta, assim como polémicas. Não percebo nada (e acho que ninguém percebe, tamanha é a salgalhada). Tenho acompanhado o caso e ficado chocada com o silêncio por parte de toda a gente (embora ache e perceba que o único sobrevivente é aquele que pode ficar mais calado, apesar de ser aquele que de certeza mais sabe; ainda assim, o estado de choque deve ser valente). Mas enfim, não é sobre isso que escrevo.

O que queria dizer é que podem haver males (que é como quem diz, tragédias) que vêm por bem. Não sei se é verdade ou não, mas diz-se que tudo aquilo podia fazer parte de uma praxe. E eu só digo: espero bem que sim!!! Desejo que a morte daqueles miúdos seja "vingada", que aquilo tenha sido uma praxe, que venha tudo para praça pública e que as praxes sejam discutidas como deve ser. E, não menos importante, abolidas! Já é altura de tal acontecer - e não duvido que muitos reitores e gente com poder esteja farta destas "brincadeirinhas" nada inocentes. Se queremos um país mais civilizado e evoluído, esse é um dos passos a dar. Há praxes que são autênticas seitas; as praxes promovem as massas, o pensamento igual, tudo aquilo que uma universiade não devia ser; as praxes são um bullying consentido, é autorizar a humilhação e a submissão por parte de pessoas que se acham com mais poder por terem mais "créditos" no lombo. E é "formar" pessoas para uma razão má: porque muitas dos que estão lá a ser humilhados só o fazem porque sabem que uns anos depois poderão ser eles a humilhar. E isso é triste, vergonhoso e só revela aquilo que as pessoas são por dentro, à semelhança das praxes: uma merda. 

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