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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

05
Jun13

Adeus secundária, adeus décimo segundo

Carolina

Eu ainda me lembro de um dos meus primeiros dias nesta escola, em que me virei para duas primas e disse "Wow, nem me acredito que estamos na escola se cima". Passeávamos por debaixo daqueles toldos todos partidos e velhos, em frente aos antigos "galinheiros", uns pré-fabricados com uns vinte e cinco anos que deviam ter sido utilizados apenas por dois ou três.

6 anos depois a escola está novinha em folha - azul, com azulejos por todo o lado e janelas a servirem de parede em muitos dos sítios. Mas, apesar de tudo, tenho saudades daquelas janelas velhas e verdes que se escancaravam, dos tijolos frios das salas, das maçanetas que já não fechavam direito, da palmeira que havia num dos pavilhões, dos pães com chouriço daquele bufete mal cheiroso, dos grafittis do polivalente e de todos aqueles espaços exteriores. Foram três turmas, vários professores (de quem vou ter tantas, tantas saudades), muitos colegas: a maioria, se calhar, vão cair no esquecimento dentro de anos; outros bem presentes, pelas melhores e piores razões.

As aulas ainda não acabaram oficialmente e já me está a dar um aperto no coração. Talvez, no futuro, diga que foram dos melhores anos da minha vida, mas agora, enquanto os tenho bem presentes na memória, posso dizer-vos que houve momentos bem críticos na minha passagem pela secundária. O balanço, no final, deve ser positivo, mas houve mais momentos negativos do que aquilo que eu desejaria e com os quais demorei muito tempo a conseguir lidar. O meu sétimo ano foi um inferno e o décimo primeiro uma luta constante. Foram meia dúzia de anos que implicaram decisões fortes que eu, claramente, não estava preparada para tomar, e tive mesmo de me obrigar a mudar de rumo a meio do caminho. Tendo em conta o meu futuro, não sei se foi a melhor decisão, mas a curto prazo, foi o melhor que podia ter feito!

Este post, para além de uma despedida do secundário, é uma despedida ao meu décimo segundo, com toda a saudade do mundo. Talvez por ter sido o ano que mais lutei por alcançar da forma que eu queria, mas soube-me pela vida - e passou tão rápido! Olhando para trás, dou graças a deus por ter tido a capacidade de mudar de curso, de lutar contra os meus estereótipos, as minhas opiniões racionais, os meus amigos que me diziam para me deixar estar no meu cantinho infeliz. Pela primeira vez na minha vida arrisquei à grande e a compensação não podia ter sido melhor.

Para além da alegria de estudar aquilo que gosto (e também gostava em ciências, mas uma pessoa tem de fazer escolhas...), encontrei pessoas que nunca pensaria gostar tanto. Recebi-as como nunca tinha feito: abri-lhes a porta de minha casa, dos meus blogs, de alguma da minha intimidade. Dei-lhes um pouco de mim, algo que nunca tinha feito antes, deitando por terra a ideia de uma Carolina misteriosa que tinha construído até então. Custou-me imenso e talvez tenha pago o preço em alguns - poucos - casos, mas valeu o esforço. Acho que posso dizer que, pela primeira vez na vida, colegas de escola tornaram-se meus amigos; deixei de me sentir uma peça suplente de um puzzle, mas sim uma das integrantes. E só eu sei a diferença que isso fez para mim.

Como aluna, talvez tenha deixado de ser aquela que está calada, que estuda, que ouve tudo, que faz mais alguma coisa, que tira grandes notões nos testes - ou seja, o sonho de qualquer professor. Porque se há coisa que eu fiz este ano, foi falar. Falei que me desunhei, mas ao menos ri-me como nunca; chamaram-me uma outra vez à atenção, mas ao menos sorri mais do que antes. E o importante, no meio disto tudo, é encontrar um equilíbrio: se eu antes era um sonho de aluna, estava a muitas léguas de ser um sonho de pessoa, com inúmeras falhas, nomeadamente, na parte da socialização. Hoje, nesse aspeto, sou melhor. Nesse e em tantos outros, que este ano serviu para muito mais do que eu poderia aqui descrever. Sou boa na área das palavras, mas não tão boa para conseguir descrever algo que ainda me transcende.

Basicamente, tanta coisa escrita para vos dizer muito pouco: tudo, em seis anos, mudou. Eu, acima de tudo. E que, de todos eles, este deverá ter sido o melhor. Numa perspectiva geral... obrigada pelo melhor ano da minha vida.

11
Mar13

Tudo por causa do molho alfredo

Carolina

Amanhã vou fazer um lanche cá em casa com o pessoal da minha turma, tudo por causa do molho alfredo.

Eu explico: há uns meses a minha professora de sociologia foi aos EUA e, muito querida, trouxe-nos algumas especialidades de lá - entre as quais marshmallows, chocolates (com os quais nós acabamos mesmo na aula) e o dito molho alfredo. Ora, para o comermos era preciso organizarmos um almoço e fazermos massa para acompanhar - e, como era de esperar, tal refeição ficou para o dia de são nunca à tarde.

E o molho lá foi ficando no meu cacifo, a repousar, esperando por ser comido. Até que eu tomei a iniciativa e ofereci a minha casa para um lanche- -almoçarado para provarmos o raio do molho (que eu não vou gostar, quase de certeza) - ainda não percebi se, nesse momento, o meu corpo estava a ser invadido por um outro ser, mas de certeza que algo estranho se passou: fazer uma coisas destas não é nada meu.

Mas o que está feito está feito, portanto agora é esperar que por entre povlovas, brigadeiros, bolos e mais porcarias que tais, tudo corra bem. Será a primeira vez que vou ter mais do que dois colegas aqui em casa, sendo que nunca nenhum deles veio cá a casa - vai ser uma estreia total e absoluta para todos! Promete, hun?

13
Nov12

Nem tudo é mau 2#

Carolina

Se havia coisa com que me preocupava no início do ano, e que até falei aqui, eram as aulas de educação física. Do à vontade que não teria, das próprias aulas em si.

Mas foi das coisas que correram melhor, para dizer a verdade. Por ser nova e ninguém me conhecer, sinto que ninguém tinha expectativas quanto a mim, e por isso me deram espaço para me mostrar, para o bem e para o mal. Puderam ver que me safo no basket e que corro estilo tartaruga - mas a diferença maior é que, na maior parte das vezes, deixam as críticas de lado. Não encestei? Fica para a próxima. Não defendi? Que vá a correr agora proteger o meu cesto. Não vou aguentar 20 minutos de corrida? Passam por mim e dizem que sim, que vou, mas que se não der que se lixe.

Em todas as aulas os jogos têm sido mistos, o que é óptimo. Os rapazes são claramente superiores em quase todos os desportos, e não há como o negar. E, como diz o ditado, "junta-te aos melhores e serás igual a eles; junta-te aos piores e serás pior que eles" - não sou a que jogo melhor, mas sinto que jogo alguma coisa e sinto-me bem por isso. E embora saiba que a nota que vai sair dali não vai ser grande coisa e tal não ajude como incentivo, sei que não vou sair daquelas aulas criticada e rebaixada. Sei que se for preciso arranjo um par na hora, sem que o outro faça cara feia. Sei que não preciso de me sentir mal por não ser a melhor porque, de alguma forma, eles me acolheram assim.

11
Ago12

De A para F

Carolina

Já sei em que turma vou ficar - passei do A para o F (belo prenúncio, valha-me deus).

Talvez o factor "turma" fosse o que mais me fazia tremer aquando da minha tomada de decisão. Deixar a minha turma - que será sempre minha -, que adoro e que foi, sem dúvida, a melhor que tive, era um dos pontos frágeis e que me doía. E dói. Não só porque vou deixar, na totalidade, de ter aulas com eles como também vou passar a ter todas as aulas com os outros (perceberam a problemática da questão?). Todas as aulas - até educação física (esta aqui é a que mais confusão me faz)! Vou deixar de ter o meu ponto de refúgio - embora tenha os meus colegas de ciências nos intervalos, nunca é a mesma coisa. Sei perfeitamente os pontapés no estômago que vou apanhar quando me sentir sozinha, e sei que vou querer desistir e arrancar cabelos pela decisão que tomei. Vou ter saudades dos meus professores, das suas brincadeiras e das suas conversas comigo nos finais de aulas - então o professor de FQ, que ainda hoje sonhei com ele? Enfim, terei de ser superior e me satisfazer com os cruzamentos em plenos corredores e os intervalos meia sozinha/meio acompanhada.

Tento pensar pelo lado mais positivo da coisa - é só um ano e passa rápido. Depois sigo para a faculdade, ainda mais às escuras sobre aquilo que me espera e sem conhecer ninguém à minha volta (que bom, este visão é mesmo de bradar aos céus).

Enfim, um ano de cada vez.

23
Mai12

Há que poupar

Carolina

Hoje chegamos à escola, todos meio ensonados, mais do que preparados para a aula de educação-física. Esperamos, esperamos... E entretanto soubemos que o professor não tinha vindo no dia anterior. E esperamos mais um bocadinho.

Estava visto que o professor ia fazer gazeta. E como tal, surgiu um problema: praticamente ninguém tinha tomado banho (e algumas das raparigas não tinham lavado o cabelo), a contar que tomássemos depois da aula. E, minutos depois, surgiu a solução: pedir as chaves do balneário e rumar aos chuveiros, mesmo não tendo aula!

Rapazes para um lado, raparigas para o outro e foi uma festa. Tínhamos hora e meia para tomar banho (sendo que em dias normais temos 10 minutos), mas passado meia hora estavamos cá fora à conversa e a jogar à sueca. O mesmo não se pode dizer dos rapazes, que chegaram vinte minutos antes do toque. E ainda falam de nós.

A continuar assim poupamos bastante nas contas da água cá de casa (parecendo que não...).

 

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17
Abr12

Arouca

Carolina

Hoje tive uma visita de estudo a Arouca (o objecto de estudo principal eram as rochas - geologia - portanto fui, basicamente, como infiltrada). Estava nevoeiro cerrado, um frio de rachar e uma geada que, passado uns minutos, acaba por molhar.

Éramos para fazer um percurso de 8 kms, mas devido às condições climatéricas não foi possível - o percurso fazia-se sobre rochas e caminhos perigosos e escorregadios, por isso era meio caminho andado para alguém se magoar -, o que foi uma pena. Acabámos por fazer um caminho mais curto com cerca de 1,5kms, e já deu para ver como a serra era bonita. Vimos as pedras parideiras (como é óbvio!), a cascata de Mizarela (se não me engano) e outras coisas giras.

À tarde, e devido à mudança de planos que, devido ao tempo, ocorreu, fomos metidos dentro do museu minicipal e por lá ficámos - a aprender coisas sobre o linho, a agricultura, o transporte por animais e (um extra) sobre os dois clubes lá da terrinha.

Por fim, e devido a uma intervenção minha (acho que fiquei vista como a gulosa lá do sítio), parámos numa confeitaria de doces conventuais para trazermos lembranças docinhas da santa terrinha.

Foi giro, e fui muito bem acompanhada. Agora vejo o que gosto daquela gente (professores também!).

 

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08
Mar12

Momentos de uma turma

Carolina

Ínicios do 10º ano, em que mal nos conhecíamos uns aos outros. Alguns vinham de turmas diferentes, formando grupos distintos, resguardando-se - naturalmente - na sua zona de conforto; outros eram, pura e simplesmente, peças soltas do puzzle, que não conhecia nada nem ninguém. E outros estavam no o limbo entre uma coisa e outra - talvez já tivessem falado com algumas pessoas, conheciam-se de vista, mas nada mais do que isso.

Talvez seja estranho dizer que foi a música e um par de guitarras que fez de nós uma verdadeira turma. Numa altura em que todos os alunos da minha escola estavam a fazer um reconhecimento do espaço e o polivalente não passava de um vazio espaço gigante, alto e de paredes azuis bebé, juntavamo-nos nos furos e sentavamo-nos junto à parede, formando uma fila de vinte e tal alunos. Algures lá no meio, uma ou duas guitarras, acompanhadas por uma qualquer voz que surgisse lá no meio e que soubesse a música em questão - enfim, uma voz surgia em especial, porque era um dos "rouxinóis" da turma (que, ainda por cima, tinha ido aos Ídolos).

Foram estas horas de música que nos juntaram e nos deram a conhecer - quanto mais não seja, a voz de cada um. Na parede, começamos a não ficar tão afastados e a fila começou a desfazer-se. Já havia aglumerados, aqui e ali, de pessoas que percebiam que as suas vozes cantavam e diziam algo de semelhante. Hoje já há amigos, namorados, colegas e arrufos.

A música foi sem dúvida uma boa bênção.

 

 

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