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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

02
Dez15

Inspiração e força de vontade precisam-se!

Carolina

Esta época é sempre um aperto. Sempreee. Já levo três anos disto e é sempre um sufoco, sempre a sentir a corda a roçar no pescoço. Eu bem tento, no início do ano, avançar com as coisas: mas por uma razão ou por outra tal nunca acontece. Vamos adiando por isto, adiando por aquilo e a certa altura damos por nós e faltam duas semanas para entregar o trabalho e a folha do word está em branco ou, pior ainda, a parte dos outros está feita e a nossa está a anos-luz de estar completa.

A parte boa é que também sei que as coisas ficam sempre feitas - e bem feitas, de uma forma geral. Sei que a altura em que trabalho melhor é aquela em que estou sobre pressão, em que mal consigo dormir a pensar nas coisas e em que passo de trabalho em trabalho sem piscar os olhos - mas até começar a trabalhar, meter a primeira e só parar quando as coisas chegam ao fim é um problema dos diabos. Estou nesse momento nessa fase, nesse limbo desesperante em que sei que tenho de trabalhar mas que não me apetece por nada deste mundo e vou protelando o improtelável. Depois chego ao fim do dia chateadíssima comigo mesma porque não fiz nada de útil e isto transforma-se numa bola de neve de frustração. Como se já não bastasse, nesta altura do ano há todo um outro mundo de coisas para fazer que se vão sobrepondo às mais chatas, o que também não ajuda à festa (nestes dias, por exemplo, tive o meu irmão por cá, que me alterou o "sistema" todo). A verdade é que neste último fim-de-semana não tive tempo para fazer fosse o que fosse, entre preparar doces para a festa do meu sobrinho, ir jantar com os meus irmãos (coisa rara no ano) ou ir para a aula de fim-de-semana do curso de fotografia. 

Mas enfim, hoje é oficialmente dia de pôr as mãos à obra e deixar a procrastinação para o dia 18 de Dezembro, quando as aulas acabarem. A verdade é que isto passou num abrir e piscar de olhos. Parece que ainda há pouco era Setembro e eu estava desejosa que as aulas começassem e agora já estou a três semanas do fim, sem mais aulas à vista - só o monstro do estágio que cresce a cada dia que passa. Isto agora é uma maratona até ao fim: dói mas acaba por passar rápido. E quando chegar ao fim, para além de respirar de alívio, vou sorrir (e chorar?) de orgulho e - já - saudade. Bora lá.

 

 

 

07
Jun15

Pronta para mais uma semana louca

Carolina

De volta do Primavera Sound, já um bocadinho revigorada, depois de uma noite de sono. Foram três dias giros, diferentes e que acho que me vão marcar positivamente - mas sobre isso escrevo depois.

Agora tenho pela frente mais uma semana em modo non-stop - já tenho três exames esta semana e sexta-feira é o prazo de entrega de quase todos os trabalhos (alguns ainda por fazer). Entretanto, segunda e terça tenho os dias quase preenchidos na totalidade - como o Fora da Caixa correu tão bem, fomos convidados para fazer a cobertura em livestream de uma conferência que vai acontecer na FEUP, dia 9. Apesar das datas serem péssimas, não tínhamos como recusar.

Posto isto, não há tempo para sol, piscina, cafés ou amigos. A questão vai mesmo ser encontrar tempo para dormir. Mandem-me cafés virtuais, por favor!

25
Mai15

Fora da caixa - como foi

Carolina

Por um lado tenho uma torrente de palavras prontas a sair sobre o que aconteceu quinta-feira - muitas mesmo! Por outro, estou apertadíssima (e isto é um eufemismo) para entregar um trabalho até segunda, o que me está a dificultar muito a vida - tanto em termos de escrita, como de capacidade de resposta para conseguir deitar mãos a todas as pessoas que falaram (ou me adereçaram) durante estes três dias. E a verdade é que ainda estou nas nuvens e não consegui pousar o pé no chão também por isso - ainda não tive tempo de processar a informação, de chorar de saudade e porque aconteceu, de olhar para trás e perceber o que esteve bem e menos bem, de agradecer a toda a gente. Acho que só segunda é que me vai cair a ficha. 

Entretanto, e porque estou em abstinência de escrita há demasiado tempo, decidi ir compondo este post (que, muito provavelmente, vai sair gigante) à medida que faço intervalos do livro que tenho de ler para o trabalho - que são um tanto ao quanto frequentes uma vez que as letras pequeninas cansam-me, o inglês exige-me mais concentração que o normal e o sono começa a invadir-me sem pedir licença.

Sei que os leitores normais não gostam de publicações grandes, mas esta vai valer a pena. Acho importante começar a contar tudo, tim-tim por tim-tim, não desde quinta-feira mas sim desde quarta. Ora então.

 

QUARTA-FEIRA

Fim da montagem do cenário e ensaio geral

No dia anterior o cenário já tinha sido montado de acordo com aquilo que tínhamos imaginado - para isso, quase toda a turma veio carregada de caixas e fita-cola, no meio de comboios, metro e autocarro. Da primeira vez que entrei no estúdio e estava tudo a montar, desfazer e colar caixas, ia-me dando um colapso tal o nível excessivamente elevado de desarrumação, lixo e desorganização em que aquilo se encontrava. Achei que, mal um professor olhasse para aquilo, nos iam expulsar dali. Mas não. Na quarta ainda foram precisas mais algumas caixas (o que perfez uma conta total de 117 caixas) para que tudo ficasse como desejávamos e essa parte ficou rapidamente concluída - a ideia era formar uma parede de caixas, algumas abertas com coisas em tons de vermelho dentro. Funcionou bem.

O passo seguinte era o ensaio geral. Falei com os apresentadores para perceber o guião que tinham preparado, falei com os operadores de câmara para lhes dar a entender aquilo que eu queria que eles fizessem e aquilo que lhes poderia pedir desde a regie. E o ensaio foi... um desastre. Acho que saímos todos de cabeça baixa, a tentar desvalorizar o que se tinha passado e dizendo uns aos outros que "não tinha sido assim tão mau". Mas foi. Não mau, mas péssimo! A comunicação entre a regie e o estúdio estava a ser uma desgraça, a comunicação entre a minha assistente de realização com os apresentadores também, a gestão das câmaras também estava longe de ser brilhante. Depois de nos porem fora do estúdio, as pessoas nucleares juntaram-se numa reunião que durou até às 20h de modo a prevenir algumas das coisas que tinham acontecido nessa tarde. 

Posso dizer-vos, hoje, que a reunião deus os seus frutos e que, sem essa ela, as coisas tinham corrido muito mal. Mas isso não fez com que a memória daquele ensaio suavizasse. 

 

QUINTA-FEIRA

Mais um ensaio e dia do programa

A minha quinta-feira não começou quando acordei de manhã, estremunhada pelo despertador. Começou mesmo à meia-noite, quando comecei a sentir náuseas depois de ter comido qualquer coisinha. Estava a trabalhar, a ler o guião dos apresentadores e a correlacionar com o meu alinhamento quando me comecei a sentir assim - era exponencial, à medida que os minutos passavam eu ia ficando pior. Achei que era o cansaço extremo, fui-me deitar. 

Quando fechei os olhos senti-os estilo globo, em roda livre, girando livremente. Eu estava a enjoar mesmo de olhos fechados, sentia que tudo rodava à minha volta. Respirei fundo, deixei-me ficar até não aguentar mais. Tive de me levantar, com imensa dificuldade - mal me sentava (e, quando o fazia, estava provavelmente muito torta) e andar era só de lado. Só consegui parar na sanita e vomitar tudo o que tinha comido desde há umas horas atrás. 

Sentia-me péssima; roguei pragas a tudo, estava preocupadíssima com o facto de durante o dia não fazer aquilo com que me tinha comprometido. Não me conseguia levantar do chão e continuei a vomitar até me sentir melhor. Consegui ir até à cozinha fazer um chá, mas piorei entretanto e, com um medo enorme de desmaiar, chamei a minha mãe para me ajudar. Quando ela me trouxe o chá, bebi quatro colheres e virei o barco outra vez. Com quatro colheres de chá no estômago. Importa dizer que eu sou daquelas pessoas que tem imensa dificuldade em vomitar, que faço tudo ao meu alcance para não o fazer. Ter aqueles impulsos terríveis do estômago e não ter nada para deitar cá para fora só me deixava mais cansada. Ia adormecendo na casa de banho, mas a minha mãe convenceu-me a ir para a cama. Deitei-me de lado (eu nunca, nunca durmo de lado) e com a cabeça alta e, passado algum tempo, consegui dormir. Acordei exatamente na mesma posição, com o corpo estilo gelatina e uma falta de força incrível. Fui comendo aos poucos, para testar o estômago. Não sei como cheguei à faculdade - suponho que estava lívida como um fantasma, sem forças para nada e com umas olheiras até ao chão. Estava com um medo terrível de sucumbir na hora H. 

Felizmente, tudo melhorou ao longo da manhã. Tivemos tempo para mais um ensaio e, muito graças à reunião do dia anterior, tudo correu melhor. Na minha cara iam-se vendo as melhorias do panorama geral. Trazia rebuçados no bolso e uma termos com chá quente, bem doce, para me aguentar - e foi com isto que me alimentei nessa manhã. 

O pessoal estava organizado - eu mandava na régie (cheguei a mandar calar subtilmente os meus professores), a minha assistente de realização mandava no estúdio. Atrás da regie, no green room (com cadeiras, sofás e comida - muita comida!) estavam todas as outras pessoas da equipa, com um nervoso pouco miudinho, a fazer muita força para que tudo corresse bem. Para além do streaming (que queríamos fazer no youtube mas que, por falta de equipamento, não conseguimos - mas ficamos a tentar, literalmente, até ao último segundo) estava tudo pronto. Ah, esperem, não tudo. A um minuto do programa começar... faltava-nos o primeiro convidado.

É claro que já tínhamos notado isto há meia hora atrás. Pânico total, pessoas que achavam que iam desmaiar. Começamos a preparar tudo para termos só dois convidados e fazer uma mudança no alinhamento. De frisar que os apresentadores não tinham teleponto nem auricular, por isso o contacto com eles era feito apenas através da minha assistente de realização. E era 12h. E o programa tinha de ir para o ar. E o primeiro convidado que devia estar em estúdio... nem sequer tinha chegado. 

Temos filmagens da régie e as nossas caras eram de profunda tensão. Era o nosso primeiro programa, éramos (e somos) todos verdes nisto... e estávamos a mudar o alinhamento e a tomar decisões cruciais enquanto o programa decorria (e no tempo das reportagens, que era quando podia tirar os olhos das câmaras). Roguei pragas a tudo o que podia mas nunca perdi o foco - ainda hoje (porque não tive tempo) não sei aquilo que os convidados disseram; também não faço ideia do que se passou fora da régie nessa hora e nem sequer prestei atenção ao que se passava com os meus colegas. Era só eu e o ecrã. Só olhei umas duas vezes pela janela - uma delas foi quando me disseram que o convidado (que devia ter entrado em primeiro e acabou por entrar em último) tinha chegado. Só via pessoas a saltar e a festejar e... foi um alívio. Tudo mudou a partir daí.

Eu adorava tudo naquele programa. O design, o intervalo, os créditos, as reportagens... aquele genérico! Naquela altura não havia nada que me deixasse menos contente, que olhasse e pensasse "podia ter feito melhor" (se calhar, quando agora vir o programa na íntegra, já não vou achar o mesmo). Quando cheguei ao fim nem quis acreditar - por um lado feliz, com uma sensação de missão cumprida como nunca tinha sentido antes e, por outro, triste por perceber que tinha acabado. Saltamos de alegria, na régie e no estúdio. Houve abraços apertados, apertos de mão sentidos e muitos festejos. Todos ficamos felizes com o resultado final.

Em forma de comemoração, fizemos um lanche almoçarado, com direito a bolo feito pela minha tia e decorado por mim (que, diga-se, ficou lindinho e para lá de delicioso!) e muita comida que toda a gente trouxe de casa. Foi um bom convívio, óptimo para encher o meu estômago que estava demasiado vazio e reduzido a uma ervilha há horas demais. Seguiu-se a destruição do cenário, com as nossas 117 caixas a seguirem para uma instituição - acho que um bocadinho de nós morreu quando desfizemos aquilo que nos tinha dado tanto trabalho. Foi a plena sensação de fim... que tinha mesmo acabado.

À noite fomos (quase) todos jantar e descontrair e no dia seguinte estávamos tão lamechas que ninguém nos podia aturar. Quero partilhar isso aqui, mas num outro post, com o devido destaque. Foi um par de dias de uma alegria imensa, não cabia em mim de tão contente que estava. Quero deixar essa sensação registada aqui, para a vida, de forma a lembrar-me de que estas coisas e estes momentos inesperados acontecem mesmo. Ainda estou a ressacar de felicidade.

 

Para já, fiquem com o programa e deixem o vosso feedback!

 

 

22
Mai15

O pouco que ainda consigo dizer sobre o que aconteceu

Carolina

Sei que fui chata como um raio; sei que me devem ter chamado nomes, não só nas vossas cabeças, mas também nos corredores daquela faculdade. Mas também sei que valeu a pena.
Deixamos de ser a turma dois. Deixamos os grupos de lado, as diferenças num saco e as embirrações pessoais de fora. Fomos uma equipa onde, melhor ou pior, todos sabíamos bem onde era o nosso lugar. Trabalhei como nunca, passei mais horas naquele pólo do que alguma vez esperaria; irritei-me, gritei pelo meio (desculpem!), stressei quanto baste, mas também me diverti como (quase) nunca. Agora, depois de ter passado aquela hora crítica, olho para trás e percebo que foram os três meses mais felizes desta minha vida académica.
Tenho dito por aí que era um milagre lançarmos este programa para o ar. Perdoem-me a correção, mas não foi um milagre. Foi magia.

Obrigada.

Texto escrito no meu facebook pessoal

[amanhã temos resumo completo - agora é hora de repor as horas de sono em falta]

20
Mai15

Está na hora de saltar da caixa!

Carolina

fdc.jpg

 

Têm sido dias, no mínimo, loucos. Tão loucos que não tenho tempo para vos contar, terá de ficar para depois. O importante aqui é que... é já amanhã (quinta-feira). Este trabalho todo, este drama, este esforço e todo este entusiasmo... vão para o ar amanhã.

Tanto pode correr lindamente como ser um desgraça. Tudo o que posso dizer é que, para todos os efeitos - e tendo em conta o pouquíssimo apoio que tivemos, a todos os níveis - o que vai acontecer amanhã é um milagre. Um daqueles que faz com que fique com a alma e o orgulho cheios, por pior que tudo aquilo corra.

Torçam por mim, vou precisar.

 

VEJAM AQUI, AO 12H!

17
Mai15

Diários de uma realizadora wannabe 3#

Carolina

O QUE ESTÁ DENTRO DA TARTARUGA?

A primeira reportagem que fizemos foi em Famalicão - para quem não conhece, posso dizer-vos que fica a cerca de meia hora de carro do Porto, através da auto-estrada. Foi essa a primeira vez que pegámos numa tartaruga - o nome carinhoso que damos à grande mochila onde transportamos o material de filmagem. 

Eu fiquei logo encantada - aliás, tirei uma foto com ela que adoro e que tenho como perfil de várias redes sociais. Mal eu sabia que aquela seria a primeira de muitas vezes que viria a carrega-la às costas. Podia dizer a típica frase de "teve piada da primeira vez, mas depois já nem por isso", mas estaria a mentir com todos os dentinhos que tenho na boca. Porque apesar do peso dá-me um gozo imenso carrega-la, ir filmar e montar os equipamentos todos. 

Como era algo que nunca tinha visto e que gosto tanto, quero partilha-la convosco. Aqui vai disto:

DSC_0817_descricao.JPG

 

Para além destes materiais, também utilizamos o tripé para fixar a câmara (o objeto mais corriqueiro no meio desta panóplia toda) e a perche, que evita que a jornalista tenha de pegar no micro com a mão e, por isso, exista muito mais liberdade de movimentos. Também na tartaruga guardamos o cabo que liga a máquina ao microfone que está na perche, que se pode ver na imagem de baixo.

 

DSC_0704_desc.JPG

 

Tenho a tartaruga aqui comigo, pronta a entregar amanhã. É, provavelmente, a última vez que trago uma para casa. Já tenho saudades. Sempre gostei de tartarugas.

 

tartaruga.JPG

15
Mai15

Diários de uma realizadora wannabe 2#

Carolina

PORQUÊ SER REALIZADORA?

 

Esta coisa dos programas de televisão já tem barbas na história do meu curso. Desde o primeiro ano que ouvimos falar da confusão que é, do stress que causa, da mobilização total por parte dos alunos, do esquecimento das outras cadeiras em detrimento de todo este trabalho. Há um ano atrás eu achava, mesmo!, que isto era impossível; que levantar um programa de raiz era demasiada areia para a nossa camioneta. Mas estava enganada. 

De todas as mil e uma histórias que ouvimos sobre os dramas do ano passado, lembro-me de dizerem que a definição de cargos foi sempre complicada, nunca havia pleno acordo em quem iria exercer o quê. Por isso, e apesar de ter dito desde cedo que gostava de ter um cargo na produção ou realização, decidi desde logo que não me ia chatear muito com isso e muito menos dar luta caso alguém estivesse interessado. Na minha ingenuidade (rara, por acaso) achei sinceramente que toda a gente iria querer esse tipo de cargos.

Até que, no momento da verdade, ninguém levantou a mão. "Quem quer ser da realização?". Ninguém, aparentemente. Até que uma colega levantou o braço. E depois silêncio outra vez. Perante isto, achei que oferecer-me para a equipa era uma boa ideia, por ser aquilo que queria originalmente. Daí até se definir que seria a realizadora foi um instante.

Apesar de ter ficado toda contente - não o nego - a reação à minha volta não foi assim tão unânime. Não sei porquê, mas toda a gente assumiu (e achou) que eu ia para a frente das câmaras, apresentar o programa. Quando deixei cair por terra as expectativas das pessoas e fui desfazendo a ideia de que poderia ser a próxima Judite de Sousa deste país, as pessoas não ficaram contentes. "Mas és tão gira", "falas tão bem", "tens tanto à vontade", "assim não tem piada nenhuma", "não percebo, tens uma dicção e uma aparência óptimas". Para minha surpresa, até colegas de turma punham em cima da mesa a hipótese de ser eu a apresentar - o que, por um lado, me espantou imenso e por outro me deixou feliz (por depositarem em mim tamanha confiança).

Mas enfim, na minha cabeça tal nunca esteve no horizonte. O que eu gosto realmente é de ver as coisas de cima, de ter um papel abrangente, de organizar tudo e fazer crescer as ideias tanto na minha cabeça como na realidade, com o enorme desafio de que estas duas coisas coincidam o mais possível. Acho que tenho jeito para liderar embora, quando quero, seja um osso duro de roer e perca as estribeiras quando percebo que a responsabilidade, o empenho e a dedicação não são aquelas que eu espero. Essa tem sido a gestão mais complicada - lidar com as pessoas, os diferentes feitios e características (onde se incluem, por exemplo, a irresponsabilidade e a preguiça aguda, coisas que me tiram do sério). 

Tem sido um trabalho duro, mas muito gratificante. Quase como uma flor, onde plantamos a semente e depois de regar muito, matar os parasitas e tratar da terra, começamos a ver crescer, linda e vigorosa. Neste momento a estrutura do programa está pronta, assim como a maioria dos conteúdos. Finalmente, a uma semana de tudo acontecer, o programa está a ganhar forma. E é mágico percebermos que tivemos um papel preponderante para isso acontecer.

Continuo a entender todos os familiares e amigos que ficaram desiludidos por não estar à frente da câmara, mas acho mesmo que esse não seria o meu papel. Para os consolar, digo-lhes sempre para pensarem e verem para além do óbvio: no dia 21, não vejam só os apresentadores e os convidados, mas atentem também aos pormenores mais técnicos. De cada vez que uma câmara mudar, pensem: "foi a Carolina que decidiu mudar". Vão perceber que estou muito mais perto de tudo aquilo que se passa no ecrã do que antes pensavam. 

09
Mai15

Como assim, já é sábado?

Carolina

Nunca pensei disser isto, mas tenho pena que a semana da queima só dure mesmo uma semana. Outra igual vinha mesmo, mesmo a calhar. Olho para o calendário e não consigo perceber como é que passou uma semana, assim num abrir e piscar de olhos. Tinha tanta coisa para fazer, para tratar, e acho que só fiz metade (será que até chegou a metade?).

O pior disto tudo é que... o programa está a uma semana e meia de acontecer. [gritos, berros e choro quase a acontecer deste lado] Acho que apercebi-me verdadeiramente disso quando ontem, numa festa de família, estava a pregar a toda a gente que dia 21 de Maio, ao 12h, todos tinham de estar com os computadores ligados no YouTube para ver o Fora da Caixa. E depois, quando juntei 1+1, mais todas as coisas que já tenho na minha cabeça agendadas, apercebi-me que isso era já ali ao virar da esquina e nasceram-me 459 borboletas no estômago que, na hora de ir deitar, não me deixavam adormecer. Pior que isso, acho que quase todas elas me gritavam aos ouvidos com tarefas por fazer: "tens de acabar o alinhamento", "tens de falar com o Y para saber como está a edição da reportagem", "tens de ir falar com o professor X para pedir a carta de comprovação de que o programa vai acontecer", "tens de marcar reunião com a restante equipa de realização", "tens de ir buscar as tralhas para o cenário", "tens de falar com o Sr. Z para combinar levar os sofás para o estúdio", "tens de perguntar como é que está a situação dos oráculos e da mosca", "tens de ir buscar pano à fábrica", "tens...", "tens...", "tens...". Em suma, no que deviam ser os minutos mais refastelados do meu dia, foram aqueles em que mais stressei.

Meu deus. Falta pouco mais de uma semana e meia para o programa. Nem me acredito que vou ter de lidar com estas borboletas chatas até lá.

22
Abr15

Diários de uma realizadora wannabe 1#

Carolina

Falta um mês (menos um dia) para o Fora da Caixa ir para o ar (se ainda não sabem o que é, leiam o post aqui). As coisas estão a andar, vão-se fazendo coisas, mas olhando para o panorama geral tenha a sensação de que ainda falta... tudo. Já não durmo direito, não largo o telemóvel, passo horas e horas no planeamento das coisas e outras tantas com a agenda de um lado, bloco do outro e o computador com trinta coisas abertas ao mesmo tempo. Marco reuniões gerais, saio em filmagens, vejo-as a todas (só ontem vi para cima de 120 vídeos), chateio-me à séria, visito a régie e quase me dão ataques de pânico. Têm sido semanas animadas.

Por tudo isto, e porque o programa tomou conta da minha vida - e vai continuar nas próximas quatro semanas - decidi partilhar convosco um bocadinho desta minha experiência. Apesar de tudo - e do cansaço, do trabalho e das chatices - tenho-me divertido muito. Nenhum de nós tem experiência nisto, quase nenhum de nós trabalhou sequer com estas câmaras semi-profissionais, nenhum de nós tinha saído em reportagem. O acompanhamento dos professores é quase nulo (a todos os níveis), por isso pode classificar-se tudo isto como desenrascanço puro e duro. E, claro, um mundo novo para todos, onde (quase) todos os erros dão para chorar de rir. Como acho que tudo isto é um mundo desconhecido para a maioria das pessoas, decidi criar esta rubrica e mostrar um bocadinho do que andamos a fazer. Espero mesmo que gostem.

 

AS REPORTAGENS  

 

Saí em reportagens com as "jornalistas" duas vezes - ainda devo ir mais três, pelo menos. Não seria propriamente essa a minha função, andar aí a vadiar, mas é importante definir planos e algumas questões de forma a dar coerência ao programa: a jornalista aparece ou não aparece?; aparecem as caras, meio corpo ou corpo inteiro?, fazem-se entradas e saídas ou é tudo com offs (jornalista a falar em fundo)?. Como também sou uma control freak, gosto sempre de ir vendo como correm as coisas, por isso fui de boa vontade - embora estivesse de pé atrás com o facto de ter de estar com pessoas, falar com elas e todas essas coisas estranhas para mim.

Da primeira vez fui para Famalicão filmar com a primeira vencedora do Masterchef, com mais três raparigas - primeira reportagem, primeiro contacto com o material fora de aulas. Resultado? Quase vinte minutos só para montar o tripé, a pershe e a câmara. E depois ver se a câmara estava a filmar no formato que queríamos, se o som se ouvia bem, se o tripé estava nivelado com o chão. Ou seja, mais outra catrefada de minutos.

A segunda reportagem já correu melhor, embora a nível logístico fosse mais complicado, pois tínhamos de "perseguir" desde carro um Side Car, o alvo da nossa reportagem. As câmaras são muito leves, as ruas do Porto têm imenso paralelo e eu muito pouca experiência a filmar - ver aquelas filmagens quase que enjoa de tanto tremor! Mas foi, sem dúvida, a reportagem mais divertida - andamos por ruas estreitas, "mal frequentadas", mas onde toda a gente sorria para nós. As senhoras diziam todas "boas fotografias!" e "ai que lindas!!!" e os senhores elogiavam sempre a mota e pediam boleia - não sei se da mota ou de quem andava nela. O resto das pessoas e os turistas sorriam, pediam para tirar fotografias, acenavam e, em cima da mota, elas faziam um mesmo, deixando um rasto de boa disposição pela cidade.

Tivemos uma sorte incrível com as entrevistadas - nunca pensei que as pessoas aderissem tão bem e que fossem tão simpáticas e com tanta vontade de colaborar. Nós somos super verdes nisto mas em nenhuma das ocasiões se mostraram impacientes ou irritadas - chegaram a repetir respostas uma e duas vezes e a rir connosco, o que também nos ajudou a destressar e dar o nosso melhor. 

Tudo isto está a contribuir para que a vivência neste curso seja incomparavelmente melhor - tanto pelas experiências que não devo esquecer tão cedo, mas também por conviver (ainda) mais com algumas pessoas, que estou a gostar muito de conhecer melhor. Longe de mim querer ser jornalista - isto veio confirmar ainda mais as minhas certezas - mas todo este trabalho de backstage, com tantas asneiras e gargalhadas à mistura (descansem, que vai tudo para bloopers) está a dar-me um gozo inacreditável. 

 

Na "perseguição" do side car, a rir-me a bandeiras despregadas (embora não se note):

filmagens2.jpg

 

 

Podem ver mais fotos e descobrir os novos conteúdos que vamos produzindo na página de facebook do programa. Quem ainda não tiver posto like é um ovo podre escalfado (se fosse só podre não era Fora da Caixa, percebem a ideia?).

18
Abr15

Um postal do Porto

Carolina

Há muitas coisas na minha faculdade que detesto, há cadeiras que abomino, mas em todas tento dar o meu melhor. Tento ser perfecionista em tudo o que faço, e se não é para fazer bem prefiro nem fazer (embora, no caso de trabalhos, seja sempre melhor entregar alguma coisa do que não entregar nada). Por isso, e embora tenha sido feito em tempo record (gravado em pouco mais de uma hora, editado também em pouco mais do que isso), acho que foi mais uma tarefa que ficou bem gira.

O trabalho era para rádio e o mote era "Um postal do Porto". Conseguem adivinhar onde estive?

 

 

[lembre-se que já fiz outro trabalho com esta temática, que podem ver aqui.]

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