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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

30
Abr17

Dramas de quem tem uma mente "velha" num corpo novo

Carolina

Eu costumo dizer que tenho um espírito velho a morar num corpo de miúda nova, mas a verdade é que muitas das coisas que na generalidade se associam aos "velhos" são muitas vezes valores morais, éticos e costumes mais antigos, que deixaram de se aplicar e que eu - ao contrário da maioria - ainda dou valor. Acho que isto advém muito por eu ter pais mais velhos do que a maioria das pessoas da minha geração e por sempre me ter rodeado por pessoas com bastante mais idade que eu.

Eu percebo que as coisas mudem - e ainda bem, senão as mulheres ainda não votavam, os pretos e os brancos ainda iam em lugares diferentes no autocarro, a televisão ainda só tinha um canal e coisas que tais - mas há certas coisas que, para mim, tinham razão de ser e se deviam manter. Toda a gente tem uma série de valores que acha essenciais e pelos quais guia a sua vida e eu acho que me guio por coisas "antigas" (mas que, na minhas perspectiva, não deixam de ser valiosas e atuais).

Em relação a isto, um exemplo que posso dar tem que ver com a hora a que se telefona às pessoas. Eu sempre cresci a ouvir dizer que não se ligava a ninguém a partir das 22h - é lógico que não é algo matemático, pode ser um bocadinho antes, um bocadinho depois - mas é uma referência e tem sentido, porque é a hora em que a maioria das pessoas arruma as botas, já está com o pijama vestido e com a manta por cima a ver televisão ou a ler um livro na cama. 

Tira-me do sério, por exemplo, que me peçam para fazer um telefonema de trabalho durante o fim-de-semana - não por eu ter de trabalhar nos meus dias de "folga" (porque trabalho sem problemas, é algo que faço com frequência), mas por ter de incomodar as pessoas naquilo que, de uma forma geral, é o seu horário de descanso. Da mesma forma que evito fazer chamadas de trabalho depois das 18h - acho que é a hora do "senso comum" de final de trabalho e, do meu ponto de vista, todos temos o direito de descansar sem sermos permanentemente incomodados por pessoas com horários de trabalho antagónicos aos nossos.

Aqui em casa este assunto passa a vida a ser discutido, porque a minha mãe - para me ajudar a fazer bem o meu trabalho - pressiona-me para eu ligar às pessoas que tenho de chatear ou entrevistar. E como eu detesto falar ao telemóvel e isso me causa um stress tremendo, ela acha que eu digo que "não são horas de ligar às pessoas" para me esquivar do ato de telefonar. Mas não é. Cresci com o meu pai a mandar bugiar as pessoas que lhe ligavam à hora de almoço, uma hora que aqui em casa sempre foi sagrada, e apenas levo esses ensinamentos para a vida. E sim, fico preocupada quando recebo uma chamada às 23h de alguém que só quer saber se há uma aula no dia seguinte ou algum assunto frívolo semelhante.

Eu sei perfeitamente que, com os telemóveis, as pessoas acham que podem ligar a tudo e a todos a qualquer hora do dia, com a desculpa de que "quem não quer ser incomodado desliga o telemóvel". Eu acho que as coisas não funcionam assim. Acho que a sociedade está a perder os seus valores de referência, que só as vontades individuais importam e que só nos focamos cada vez mais no nosso umbigo e que esse respeito tácito pelo espaço dos outros, que antes se sentia e vivia, se perde cada vez mais. E eu tenho pena de ser rotulada como uma mente "velha" só por causa disto.

19
Abr17

Review da semana #19

Carolina

Suporte para telemóvel ou #CoisasSupostamenteInúteisQueComproNoEbay, parte 1

 

Há uns meses decidi encomendar um suporte para telemóvel, daqueles para pôr em cima da secretária. Há quem tenha a mania de andar a circular por aquele corredor terrível do Lidl à procura de coisas um tanto ao quanto inúteis para comprar (sim, mãe, estou a olhar para ti - e sim, também sei que estou a ser injusta, porque até há lá coisas fixes e tu até nem tens comprado muita coisa, mas isso fica para as nossas discussões domésticas); eu tenho a mania de andar a percorrer o ebay à procura de coisas giras, baratas e com utilidades duvidosas. Mas depois surpreendo-me e essa é a melhor parte de todas (e, já agora, o facto de receber coisas pelo correio - adoro receber encomendas!).

No meio das minhas expedições "ebayianas" devo ter dado de caras com este suporte para telemóvel e encomendei um para mim, para ter no escritório. E a verdade é que fiquei fã! Quando estou a trabalhar tenho sempre vários jornais abertos à minha volta, mais o bloco de notas, mais a agenda, mais o estojo e as canetas, a par do copo de café e a carteira e... enfim. Resumo: o telemóvel ficava sempre perdido naquele caos todo e sempre que precisava dele quase que tinha de pedir para me ligar.

Agora não. Fica ali em pé, mesmo ao meu ladinho. Para além de agora ter um sítio fixo para o pôr e de já não ter de fazer autênticas expedições na minha própria secretária, vejo com muito mais facilidade todas as notificações que me caem no telemóvel (que, como pessoa pouco popular que sou, se resumem praticamente a coisas o género "Cebolas já estão prontas para ser colhidas", do Star Chef - sim, porque eu continuo a jogar!).

A verdade é que passado pouco tempo encomendei um para o meu chefe e vi-me obrigada a mandar vir mais um para mim, para ter em casa. Dei por mim a trabalhar no meu quarto e a sentir falta de ter um sítio fixo para o telemóvel, mesmo ali à mão de semear. Virei fã. 

Podem mandar vir do ebay aqui. Chega relativamente rápido, vem super bem acondicionado e, no meu caso, tornou-se o meu melhor amigo contra expedições-demoradas-e-inúteis-numa-secretária-inundada-de-papéis.

 

DSC_0205.JPG

01
Mar17

Review da semana 17#

Carolina

Here WeGo

 

Quando estive em Madrid, na altura de jantar, o pessoal que estava comigo decidiu o restaurante onde íamos e ligou o que me pareceu o GPS do telemóvel para saber o caminho certo, desde o hotel ao restaurante. Pelo caminho trocavam bitaites, porque o telemóvel de uns dizia para ir por um lado, o de outros dizia para ir por outro. E só pelo andar da conversa é que percebi que aquilo que eles estavam a utilizar não era o GPS mas sim várias aplicações que utilizavam o GPS, mas não gastavam internet (como eu, mente brilhante, fazia até então).

Perguntei a um deles como se chamava a aplicação: é a Here WeGo. O que aquilo faz é descarregar os mapas do sítio onde o utilizador está (em viagem pode descarregar-se com o wi-fi do hotel, por exempo) e depois pode-se utilizar aquilo em offline, sendo que o telemóvel só necessita da vossa posição geográfica para vos dar direções (utilizando o GPS e não a internet, algo necessário quando se utiliza, por exemplo, o Google Maps).

Quando fui para Munique e andei sozinha, foi o que me safou. Pus um "pin" em cima do meu hotel e depois, sempre que estava noutro qualquer ponto da cidade e queria voltar a pé, era só pedir o caminho de volta. Aquilo, à partida, não é a coisa mais intuitiva do mundo - funciona com "vire a norte" e "vire a oeste" (o que para pessoas normais e meias desgovernadas, pode ser um pouco confuso), mas depois de se perceber a lógica é sempre a virar frangos. Para mim foi particularmente útil porque, a certa altura, já não tinha sequer net para gastar, esqueci-me do papel com as informações do hotel e estava desesperada por voltar (para ir buscar o dinheiro e o passaporte que tinha deixado no cofre), por isso só tenho a agradecer ao meu sentido de orientação e ao Here WeGo por ter chegado a todos os sítios, sã e salva e sem qualquer registo de perdas pelo caminho.

A aplicação é gratuita e está disponível em iOS e Android.

18
Out16

Deixem passar a chef!

Carolina

Acho que a única mesmo certinha que tenho feito desde o primeiro dia em que comecei a trabalhar - para além das necessidades básicas, como é óbvio - é jogar o Star Chef todos os santos dias, assim de forma super religiosa. Não sei como é que descobri aquilo, acho que estava simplesmente desesperada por algo que me entretivesse durante uns minutos para deixar de pensar nas mil e uma coisas para fazer e acabou por sair dali o novo vício do momento.

No fundo aquilo não tem nada que saber: é um jogo de gestão de tempo e de recursos, mas estes são sempre os meus jogos favoritos. Não me apetece estar aqui a explicar o jogo (é grátis, é só descarregar) mas, no fundo, aquilo é um restaurante onde têm de satisfazer os pedidos dos clientes, cozinhando-lhes aquilo que eles pedem; para isso, precisam de comprar os ingredientes ou planta-los (e eventualmente de os preparar previamente antes de cozinhar os pratos finais). Depois há sempre nuances, aqui e ali: uma delas é que podem comprar as refeições já prontas ou até os vegetais/frutas que precisam de ter na hora e não podem esperar que cresçam

Ora, eu estava desesperada por maçãs - que, numa primeira fase, crescem muito devagar. Por isso ia à tal "loja" à procura das maçanitas com melhor preço (é preciso ter em conta que normalmente são bastante caras) e ficava super feliz, porque passava a vida a encontrar autênticas pechinchas. Só para terem ideia, 10 maçãs custam normalmente 800 moedas - e eu comprava por 40! Mas depois ia ao cabaz da fruta e as maçãs compradas... nem vê-las! Foi uma série de dias nisto e eu já com os nervos em franja, porque comprava as maçãs e depois não as podia usar. O meu nível de irritação já era tão elevado que já considerava mandar um email para o help center. Mas depois percebi.

Estava a comprar tomates em vez de maçãs. Nesse dia decidi que me ia deitar mais cedo.

11
Set16

Eu, os números de telemóvel e a invasão da esfera pessoal de cada um

Carolina

Não sei se é por ter convivido durante toda a minha vida com pessoas bastante mais velhas que eu, mas tenho enraizados em mim alguns hábitos e regras de conduta que me custa muito quebrar. Coisas que na minha cabeça advém simplesmente do que acho ser boa educação, mas que se calhar não passam de velhos hábitos e velhas regras que, nos dias de hoje, não fazem sentido ter.

Não se liga para as pessoas depois das 22 horas. Não se começa a comer sem a pessoa mais velha o fazer. Não se dá o número de telemóvel sem se pedir autorização à pessoa em questão. Diz-se "com licença" ou "bom dia" quando estamos a sair de um elevador com pessoas que não conhecemos. Sei lá - são tantas pequeninas coisas que são tão normais para mim que tenho dificuldade em lembrar-me delas. Na verdade, só quando alguém as quebra é que eu me apercebo que elas existem dentro de mim.

Nos últimos dias tenho sido confrontada com todas as minhas "regras intrínsecas" envolvendo telemóveis. Não sou jornalista, mas como estou a trabalhar num sítio muito pequenino em que é preciso fazer de tudo, ser qualquer coisa parecida com jornalista é uma das atividades que tenho (esta semana foi tudo o que fiz, uma vez que o site onde vou trabalhar a maior parte do tempo ainda não está pronto). Posto isto, muito do que tenho de fazer é ligar para as pessoas - o que, para mim, é uma dor quase semelhante a beliscões consecutivos em todas as partes do meu corpo. Eu sou má a lidar com pessoas no geral, mas sou ainda pior a falar ao telemóvel - e tenho de me preparar psicologicamente antes de fazer cada chamada, respirar três vezes e ganhar coragem de cada vez que clico no botãozinho verde. (E agora vocês perguntam-se: e porque raio escolheste essa profissão? Acreditem, há dias em que me pergunto o mesmo). Mas a verdade é que já me sinto a melhorar e sei que é uma questão de tempo até esse desconforto me passar.

Mas enfim, aqui o busílis da questão está mesmo na transmissão despreocupada de números de telemóvel. Talvez eu pense como uma criatura do século passado, mas para mim um número de telemóvel ainda é algo pessoal. Mas, só no meu primeiro dia de trabalho, deram-me meia dezena de números de telefone para quem ligar, onde se incluíam figuras públicas - e eu fiquei um bocadinho atarantada. Talvez sejam muitos traumas juntos: detestar falar ao telemóvel, não gostar de falar com estranhos e achar sempre que sou chata e estou a incomodar as pessoas. Mas a verdade é que eu só pensava como iria abordar a questão e como eventualmente seria despachada a pontapé: "olá, eu sou a Carolina, colaboradora de um jornal ...", "mas como raio é que conseguiu o meu número?!?!?!"

Esta conversa ainda não aconteceu (a figura de quem falei foi, por acaso, super simpática e atenciosa), mas sei que um dia será o dia. Talvez pense à imagem daquilo que gosto que façam comigo. Vejo o telemóvel como uma coisa privada e não gosto que ande nas bocas do mundo - mas já percebi que, metendo-me neste universo, o meu telemóvel não será diferente do dos outros e fará parte dessas trocas infindáveis sem qualquer aviso prévio ou preocupação. Admito que me faz confusão. Sinto que estou a entrar na esfera privada de alguém e que os outros podem eventualmente entrar na minha - e, por isso, percebo que não gostem e tenham tendência a correr-me a pontapé.

Se calhar sou eu que sou retrógrada, já ninguém pensa assim e estamos de facto num admirável mundo novo. Ou então as pessoas têm simplesmente dinheiro para ter mais do que um telemóvel e o problema fica automaticamente resolvido. Mas, para mim, que me vejo obrigada a ligar a torto e a direito para pessoas que nunca vi à frente (e que eventualmente também vão guardar o meu número na lista delas) não deixa de ser estranho.

03
Ago16

Há vida para além do telemóvel?

Carolina

Mal depois da "aventura" na Lello (que é como quem diz no dia seguinte, quando já conseguia andar e pensar normalmente) meti-me no carro com uns amigos e seguimos para Peso da Régua, onde outra amiga tem uma casa e nos convidou a passar uns dias. Já não é a primeira vez: já há dois anos tinha vindo e decidimos repetir a dose.

As vistas continuam lindas, perfeitas para fotos, e o convívio também é óptimo. Mas aconteceu uma pequenita tragédia - o meu telemóvel, que já grita reforma há demasiado tempo, decidiu pifar. Ele já está a funcionar mal há muito tempo, mas eu tenho ignorado todos os sinais. Está lentíssimo (dêem-lhe uns três minutos só para abrir o facebook), às vezes encrava e não me deixa fazer mais nada durante o dia inteiro e desta vez deixou de carregar. O carregador é novo, por isso quase de certeza que foi a entrada que deixou de funcionar. Já na Rússia tinha dado o berro, achei que era de vez, mas entretanto ressuscitou. Nos dias antes de vir para cá já estava a ameaçar, mas não achei que fosse definitivo. Enganei-me.

Estou há dois dias sem telemóvel e só volto para o Porto no sábado, por isso ainda tenho pelo menos mais três dias em abstinência de comunicações móveis. Admito que já andei aí a bater com a cabeça nas paredes, mas a "febre" já está a acalmar. Estou numas férias pacíficas, onde tudo o que se faz é ler e apanhar sol, por isso a ausência do telemóvel é particularmente sentida - são as férias ideais para uma pessoa andar sempre a fazer pausas, atualizar os emails e o facebook, fazer o upload de uma foto no instagram, ver os posts dos seus blogs favoritos. Ou então coisas tão simples como ver as horas ou ter uma luz para conseguir ligar o ar condicionado a meio da noite. Está a ser duro, portanto.

Apercebi-me que uso o telemóvel por tudo e por nada, nem que seja para me abrirem aqui a porta de casa (porque só temos uma chave para os 6). Coisas simples mas que hoje em dia, em que toda a gente tem telemóvel no bolso, já nem sabemos bem como contornar. Tenho-me limitado a usar os telemóveis alheios para fazer chamadas para os meus pais e a utilização da net fica restrita ao computador (que, graças a deus, trouxe comigo!). Quanto às horas, agora estou atenta aos sinos da igreja e o problema fica resolvido. 

Não está a ser agradável, mas é um "abre olhos" sobre a nossa dependência em relação aos smartphones. Os textos aqui no blog também se ressentem, assim como fotos no instagram e chamadas e SMS's com o mundo, mas é a vida. Há que sobreviver. No sábado já planeio ir à MEO mais próxima comprar um telemóvel e deixar a abstinência para traz. Espero não dar em louca.

 

(devo comprar um iPhone SE de 64gb. opiniões e críticas são bem-vindas!)

26
Mar16

Miúda 95 46#

Carolina

Os tokings

 

Eu faço parte da geração que iniciou estes novos tarifários "jovens" e pré-pagos, que antes não existiam. Lembro-me muito bem de, no meu 4º ano, ir a uma visita de estudo ver uma peça de teatro no Rivoli e de, no início, dizerem nos altifalantes que no fim todos os alunos iam receber um cartão Yorn. Foi a loucura. Recordo-me até que a minha professora pensou em dar-nos ou não os cartões, por achar que era demasiado cedo para termos telemóvel - no entanto, decidiu deixar essa decisão para os nossos pais. E a verdade é que, para muitos de nós, esse foi mesmo o nosso primeiro número de telefone.

Começou aí toda uma nova fase para nós: mandávamos mensagens uns aos outros, ligávamos a torto e a direito, até porque não pagávamos. Ter essa independência já era uma coisa do outro mundo. E vieram também as brincadeiras típicas de criança: ligar em número anónimo, não dizer quem era e... mandar tokings. Essa era a única que eu fazia - e hoje em dia, admito, tenho vergonha; passo-me se fazem brincadeiras do género comigo, por isso não me orgulho de as ter feito. Mas é assim, é a vida, foi o meu rasgo subtil de rebeldia (porque, na verdade, nunca tive jeito para ser rebelde).

Eu a minha prima juntávamo-nos, marcávamos o código do toking (que, para quem não sabe ou não se lembra, é uma espécie de mensagem/notificação que aparecia automaticamente nos ecrãs dos telemóveis a dizer que "o número x pede para lhe ligar") e púnhamos um número completamente à sorte, a ver se colava. Como era uma coisa recente, muita gente ficava à nora - e era a reação que nós gostávamos de apreciar. Quando ligavam de volta, ficávamos aflitas; mas quando mandavam mensagens confusas, deixávamos dourar a pílula e ver até onde aquilo nos levava (que era sempre a lado nenhum, e acabávamos por inventar uma desculpa cobarde ao estilo "é engano, desculpe!").

Esta vergonha dos tokings estava bem enterrada na minha memória até ao dia que a senhora que trabalhava aqui em casa recebeu um toking. Fiquei admirada pela longevidade da coisa - achei mesmo que tinha ficado preso naquela geração, tal como ficou na minha memória. 

07
Fev16

Adeus Vodafone!

Carolina

A história que contei na quarta-feira acabou em bem - ao contrário do que achava, no dia seguinte enviaram-me a autorização para o desbloqueio e eu respirei de alívio: poupei-me assim a chatear-me, pedir livro de reclamações, ter de argumentar com os colaboradores e todos esses filmes que, aparentemente, toda a gente já passou pelo menos uma vez na vida. 

No dia seguinte dei logo um pulo ao shopping, pedi um cartão WTF e fui logo a correr para a Apple para me explicarem como podia desbloquear o telemóvel. Como tudo o que é desta marca, os problemas demoram o triplo do tempo a serem resolvidos. Mas, enfim, críticas ao sistema operativo e à filosofia da marca à parte, o rapaz da loja explicou-me como devia fazer para desbloquear o iPhone e hoje, dia 7 de Fevereiro de 2016, doze anos depois de ter sido uma fiel cliente da Vodafone e quase cinco anos depois deste iPhone ter sido comprado (sim, 5 anos! E não me queriam desbloquear o raio do telemóvel!), livrei-me disto! Amanhã trato da portabilidade do número e está feito!

Já há muito tempo que os tarifários da Vodafone deixam muito a desejar. Dizem que a nível de serviço de internet e televisão fazem quase parte das sete maravilhas do mundo, mas no que diz respeito a telemóveis, já há muito que perderam a corrida dos melhores tarifários. O pior disto tudo é que uma pessoa deixa protelar estas decisões até atingir um ponto em que a bolha rebenta. Primeiro porque é chato ter de desbloquear telemóveis, ter novos cartões, pedir a portabilidade e etc.; segundo porque, principalmente no que diz respeito à malta mais nova, tudo isto funciona em rede e em tribo, logo se alguém muda de tarifário passa a ser a "ovelha negra" a quem ninguém pode ligar ou mandar mensagens porque passam a ser pagas. Por outro lado, como os pagamentos são feitos "às pinguinhas", a "leveza" na carteira é gradual e não se nota tanto - só quando olhamos para as coisas como um todo é que percebemos o roubo a que estamos a ser submetidos. Somei todos os carregamentos que fiz o ano passado e cheguei a uma conclusão, no mínimo, assustadora: gastei pouco mais de 300 euros só em carregamentos! 300, foda**e! Dá uma média assustadora de 25 euros por mês - mesmo tendo mudado para um tarifário mais em conta a meio do ano.

Em grande parte, a "culpa" disto (para além de ser minha, como é óbvio), é de agora haver muito mais diversidade de redes no mesmo núcleo de famílias e amigos. Tenho a sensação de que há uns anos para cá as famílias tinham todas a mesma rede, assim como os grupos de amigos; aliás, notava-se uma homogeneidade de redes - no norte era muito mais Vodafone, no sul era TMN. Mas agora não: os meus pais têm MEO (antes tinham NOS), os meus irmãos têm Vodafone, eu agora vou passar a ser WTF (NOS) e assim acontece nas outras famílias. Portanto todos estes tarifários em que não se paga nada para pessoas com o mesmo tarifário ou rede e se paga um balúrdio para as outras redes, na minha opinião, já não funcionam. E dão resultados catastróficos como o que aconteceu comigo, em que empobrecia a cada semana e não dava grande conta disso.

Serve a minha experiência como alerta: olhem bem para os vossos tarifários, façam contas e percebam o que é correto para vós. A WTF está neste momento com uma promoção em que oferece 10 vezes mais net que o previsto e ainda me deram um bónus de praticamente 25 euros de saldo. É de aproveitar!

03
Fev16

Estou com uma neura...

Carolina

Eu considero-me uma pessoa minimamente tolerante. A paciência não é, de facto, o meu forte - mas em situações que tiram muita gente do sério eu consigo ser exemplarmente educada e até simpática. Mas há algumas coisas nesta vida que me põem forem de mim - uma delas é a sensação de ser enganada, as espertalhices tão típicas de Portugal que fazem com que um "não" passe a "nim" numa fração de segundo, que "um" passe a "dois" e cenas que tais.

Hoje estou furiosa. Quero mudar o meu tarifário para WTF, porque sinto que no Yorn da Vodafone estou a ser roubada e a concordar com isso. Pago uma fortuna todos os meses mas, como é "às pinguinhas", uma pessoa nem nota e assim se vão dezenas de euros por mês. O meu único problema é que o iPhone que uso - que era da minha irmã, foi ela que me ofereceu depois de ter comprado outro - está bloqueado para Vodafone. Quis desbloquea-lo mal ela mo ofereceu, fui à loja e disseram-me que precisava da fatura de compra para avançar com o processo. Tudo bem - na altura ainda não estava a sentir-me roubada e deixei a situação ir. Hoje, e porque os "bolsos" começam a doer-me, lá fui eu - com a fatura! - para desbloquear o telemóvel.

De frisar que o telemóvel foi comprado em 2011 por uma pessoa individual, às prestações e com um contrato de fidelização de dois anos. Ou seja: passado este período, já devia poder desbloquear o telemóvel gratuitamente. Mas, aparentemente, não. Primeiro demorou uma eternidade a encontrar a fatura em questão e perceber o suposto desconto que o telemóvel sofreu no ato de compra (segundo a minha irmã, não era desconto nenhum, mas um plano/tarifário qualquer); depois perguntou-me o número de telemóvel associado - quando lho disse, afirmou que este estava associado a uma empresa e que, como tal, a questão do desbloqueio gratuito não se aplicava. Ficava por 25% do valor do telemóvel na altura: ou seja, 150€ (isto chega a ter piada, é verdade - com este valor compra um novo....)! Como o telemóvel não era meu e não acompanhei o processo de perto, não podia argumentar - mas já estava a ir aos arames! Tinha a certeza, absolutíssima, que a compra - naquela altura - tinha sido em nome de pessoa individual - e vim a confirmar, depois com a minha irmã, que de facto tinha razão; o tal número só passou para nome da empresa mais tarde, passado os dois anos.

Enfim. Sei que passei lá uns bons minutos, com o funcionário a escrever, escrever e escrever e eu sem perceber peva do que se estava a passar. Aliás, uma coisa já estava a detetar: não me iam desbloquear o telemóvel. E assim foi: mandaram o processo para não sei onde, para ser analisado, e depois contactam-me. Parece que já estou a adivinhar a resposta. E, nesse caso, se me apanharem num dia como o de hoje, vou direta à loja pedir o livro de reclamações (eu sei que não serve de nada, mas é mais uma para o livro de recordações). 

Estou farta desta escravatura das empresas de telecomunicações, destas mentiras todas metidas nas entrelinhas e nas letrinhas pequenas de panfletos cheios de supostas vantagens. Farta de ser aldrabada. Tenho para mim que, se não me desbloqueiam o telemóvel, o desbloquei-o - e parto - na cabeça de alguém.

 

 

01
Fev16

Offline is the new luxury

Carolina

Ando desligada, é a verdade. Tenho mensagens no telemóvel por responder, emails por ver e enviar, conversas no facebook inacabadas, muitos posts por escrever. Por um lado, tenho noção que isto só aumenta o isolamento que sempre senti e de que me auto-critico; mas, por outro, ando tão cansada de tudo, que o que me apetece é desligar a ficha e deixar ficar. Porque só nos últimos meses é que percebi a quantidade de cansaço que toda esta tecnologia que nos envolve me provoca.

Tudo começou em Março ou Abril do ano passado, altura de preparações do Fora da Caixa. Nunca fui tão concorrida na vida e até já tinha vergonha de cada vez que o telemóvel tocava e as pessoas ficavam a olhar para mim. Eram mensagens, telefonemas, emails, whatapps, mensagens no slack (uma aplicação para trabalhar em equipa, vale a pena), conversas no facebook. Não tinha descanso para almoço, jantar ou dormir - o telemóvel tocava. Tocava sempre, até as pessoas me arregalarem os olhos e eu clicar no botão desligar ou o ir pôr a uns metros de distância. Foram dois meses intensos, muito cansativos, mas que passaram - e, com toda a avalanche que aconteceu naquele período de tempo, não tive tempo para analisar o que me estava a deixar arrasada, física e psicologicamente, até porque haviam mais vinte e sete mil coisas para pensar e tratar.

Só agora, neste semestre, é que percebi a mossa que isto estava a criar em mim. Já é um clássico criar grupos no facebook para cada grupo de trabalho da faculdade que se tem; a isso, vêm aliadas também as conversas de grupo. É por essas duas vias que colocamos as nossas partes dos trabalhos, dúvidas, troca de ideias e galhardetes - e as notificações vão caindo, a luz do telemóvel acende-se, o "ping" e a vibração fazem-se ouvir. Isto a juntar àquilo que originalmente já tínhamos: os telefonemas, as mensagens, o resto do facebook, o whatapp e outras coisas que tais. No fundo, não temos descanso - e foi aí que comecei o meu blackout. Ia vendo, mas pouco ia respondendo - estava exausta, farta até às pontas do cabelo de tanta vibração, de tanto "ping", de tanta dependência. Comecei por pôr o telemóvel em silêncio (só vibrava, o que também já me tirava do sério), depois tirei as notificações do facebook e, por fim, acabei por descobrir o botão de "descanso" do iPhone, que me tira todos os sons, vibrações e luz do telemóvel. Escusado será dizer que o utilizava bem mais do que nas alturas em que "descansava" e que aproveitava, melhor que nunca, aquele silêncio quase ensurdecedor que a falta do telemóvel me provocava.

Foi nesse "modo" que passei praticamente toda a recuperação da cirurgia, porque estava farta de acordar às custas da vibração de uma mensagem de uma conversa de grupo no facebook que nem sequer era para mim. Clicava no botãozinho milagroso, dormia e, quando acordava e me apetecia, tratava dos assuntos que apareciam nas notificações do ecrã: respondia às mensagens, devolvia chamadas, falava nos grupos caso fosse caso disso. Ainda assim, dizer que andei parca em palavras, é ser simpático.

Apesar dessa fase pior já ter passado, ainda não voltei à normalidade - e, sinceramente, não quero. Pretendo responder a tudo o que tenho pendente, voltar ao normal com algumas conversas e pessoas, mas, no que diz respeito a tudo o resto, vou pôr um travão. Isto de estar disponível durante vinte e quatro horas por dia é mau. Mesmo mau. Para além de criar dependência (da qual, neste momento, me sinto mais livre), aumenta o stress de forma exponencial. Nunca podemos estar sozinhos connosco próprios - já quase que nem o sabemos fazer. Nunca podemos deixar o telemóvel em casa sem entrar em pânico. Nunca podemos ter paz.

2016 vai ser, por grande vontade minha, um ano em que vou tentar equilibrar as coisas neste sentido. Não vou deixar coisas sem resposta (como tem acontecido), mas também não esperem que ande sempre com o telemóvel na mão. Está na altura de viver (também) fora dos ecrãs, para bem da minha sanidade mental. 

 

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  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

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