Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

18
Jun17

Quando as tragédias batem na porta ao lado

Carolina

Não sei o que distingue os momentos que nos ficam a memória e aqueles que se esvaem como que água por entre os dedos, mas gostava muito de saber. Às vezes penso "quero lembrar-me disto até ao resto dos meus dias" e, no dia seguinte, já nem sei do que se trata; em tantas outra coisas normais, do dia a dia, a memória não pára de trabalhar e lembro-me dos pormenores mais insignificantes que possam existir. E depois há certos momentos que passam e que eu sei imediatamente que, bons ou maus, me vão ficar registados para sempre.

Lembro-me de um dia estar a ir para qualquer lado com o meu pai e passar em frente ao Hospital de São João, onde há um corrupio de ambulâncias constantes, onde o estacionamento é caótico e se vêem pessoas por todo o lado. Na altura, o meu pai disse-me que não gostava de passar ali. Lá íamos nós, na nossa vida, provavelmente a caminho de um restaurante ou simplesmente a passear; e ali, a meia dúzia de metros, estavam pessoas no mais puro dos sofrimentos - quer físico quer emocional, ora por serem elas próprias a estar na cama ou os que desesperam na sala de espera. Quando ele me disse isto eu soube que era uma das coisas que eu, mesmo que quisesse, não ia esquecer. Por ser tão real, tão duro, tão inevitável; por não podermos fazer nada para o alterar. Um dia somos nós, outro dia são os outros. E não podemos deixar de aproveitar os nossos momentos bons por outros, que não conhecemos, estarem a viver momentos maus - porque assim viveríamos numa infelicidade cíclica e viciosa que não tornaria o mundo melhor.

Agora, enquanto estou estendida numa espreguiçadeira a apanhar sol e a escrever isto, sei que está um país de luto e uma cidade devastada pelas chamas e por uma das maiores tragédias que todos já testemunhamos em Portugal. Ainda ontem, enquanto vinha para o Algarve, parei em Leiria para comer algo, mal sabendo que o pior estava por acontecer por aqueles lados. Mais uma vez passamos ao lado do mal, do inferno, do desespero e da infelicidade enquanto caminhávamos para algo de bom - tal e qual no hospital. E hoje, aqui deitada enquanto muitos lutam contra as chamas, outros perderam casas e familiares e 62 (até ao momento) perderam a vida, só me resta esperar o melhor. Vejo posts de lamento e consternação no facebook e penso "mais um", porque para nada servem as palavras quando o sofrimento mora ao lado e nada podemos fazer para o diminuir. Mas tal como todas essas pessoas, também eu sinto necessidade de dedicar uma palavra de pesar; ainda que ninguém leia, ainda que seja só mais um no meio de tantos outros que nem sonham o sofrimento que se deve estar a viver naquela terra. Ainda que sejam só palavras que não devolvem terra, casas ou vida e que, ao contrário do que quem lá está, venham de quem está hoje de bem com a vida.

Porque ela é mesmo assim. Umas vezes toca aos outros, outras vezes toca-nos a nós. E tudo o que podemos fazer - não estando no local, não conhecendo ninguém e estando só a ver de longe, ainda com a preocupação de quem se sente - é esperar o melhor e rezar que a vida seja branda até nas horas mais difíceis.

10
Abr17

Fomos lá para fora... cá dentro 2#

Carolina

No segundo dia da nossa viagem pelo Alentejo começamos por dar uma volta pelo Castelo de Marvão (que mostrei no post anterior) e depois rumamos a Estremoz. Para mim tudo aquilo era novo, nunca tinha andado por aqueles lados e foi bom conhecer aquela paz e calmia. Mesmo nas estradas nacionais, onde andamos o dia todo, mal passava vivalma. Por um lado é triste, porque só mostra o despovoamento que se vive nestas zonas interiores, mas por outro proporciona uma paz que é raro encontrar.

Em Estremoz fomos almoçar à Pousada Rainha Santa Isabel, toda construída em mármore (que abunda por aqueles lados - nunca tinha visto tanta pedreira junta). A comida não foi famosa, mas o serviço era muito bom e o sítio muito bonito (apesar de estarmos totalmente sozinhos no restaurante). O interior da pousada é incrível, cheia de tapeçarias, móveis e objetos antigos que nos transportam para uma outra época.

 

DSC_0572.JPG

DSC_0551-1.jpg

DSC_0555.JPG

 

 A seguir fomos a Vila Viçosa. Adorei Marvão e foi, claro, a minha parte favorita da viagem - mas como momento singular, este foi o meu preferido. Adorei aquela vilinha. Ela já morava no meu subconsciente há muito, não sei onde ouvi falar dela - se em livros ou numa daquelas séries juvenis - mas desde sempre que achei que misturava a calmia com a história, e é mesmo verdade. Primeiro visitamos o palácio, que serviu de local de férias para muitos reis e onde D. Carlos passou a última noite da sua vida, antes do regicídio.

Pagam-se sete euros por entrada, mas vale muito a pena - o guia que nos acompanhou era uma autêntica peça e conhecia o palácio melhor do que as próprias mãos e satisfazia quaisquer curiosidades que o grupo tivesse (e por acaso tivemos sorte, porque toda a gente era muito interessada e ouvia com atenção). No palácio há imensas pinturas feitas por D. Carlos, que pintava lindamente; os quartos foram as únicas divisões mantidas intactas depois do palácio virar museu e é incrível pensar que ali já dormiram e viveram antigos reis de Portugal. Por fora, o palácio também é bonito e imponente. Não se podiam tirar fotos no interior mas eu tirei um par delas para vos poder mostrar aqui.

Para além dos imensos (e alguns enormes) quadros do nosso antigo Rei, que só por si já terão um grande valor, a visita ao palácio fez-me lembrar um pouco da minha "saga" pelos palácios de São Petersburgo. É claro que o grau de grandeza e riqueza não é o mesmo, mas à nossa escala, eu diria que este é um dos palácios mais bonitos e mais ricos que Portugal tem. Há imensas salas com paredes e tetos a seda, há tapetes de arraiolos gigantes (o maior do país está lá), têm também a maior coleção da Europa de tachos e panelas em cobre, uma enorme coleção de vários tipos de loiças, muitos frescos... enfim, é lindíssimo.

 

DSC_0593.JPG

Frente do Palácio

 

IMG_5138.JPGIMG_5140.JPG

À esquerda o teto da pequena sala onde as mulheres rezavam e à esquerda uma outra sala de que já não me recordo.

 

Depois de Vila Viçosa ainda parámos no Redondo, que não mereceu sequer uma paragem para fotografias. No dia seguinte começamos a viagem de regresso e fizemos a nossa primeira paragem no Castelo de Almourol, que também já andávamos para visitar há muito. O Castelo é todo envolto em água, numa pequena ilha do Rio Tejo, o que o faz parecer um autêntico local de princesas. Nós não o visitamos, por uma questão de tempo, paciência e logística (a água estava muito baixa e o barco que faz a passagem de um lado ao outro estava a parar num sítio que não o normal). Mas mesmo fora do Castelo, a vista é incrível.

 

DSC_0638.JPG

 

DSC_0632.JPG

DSC_0688.JPG

DSC_0685.JPG

 

A nossa última paragem também foi num sítio onde já estávamos para ir há muito e que fomos sempre adiando: Conímbriga. Agora vejo que ainda bem que adiamos: acho que é preciso ter alguma maturidade para visitar este espaço, assim como alguns conhecimentos de história. Senão não passam de pedras iguais às outras. Como há muitas ruínas em mau estado, é preciso ter também alguma capacidade de imaginação para conseguir projetar como é que aquilo seria. Acho que não é fácil e não é para todos. As coisas estão parcamente explicadas e é fácil uma pessoa cansar-se de ver "pedras". 

Ainda assim, gostei bastante. Por vezes é tentador pensar que aquilo foi ali posto por uns construtores de meia tigela e que é impensável que aquilo tenha sido construído - ainda para mais de forma tão evoluída! - ainda antes de Cristo. É assoberbador, porque ainda que saibamos que "sempre" houve mundo antes de nós, nem sempre é fácil tangibiliza-lo: e pensar que houve pessoas que há mais de dois mil anos puseram ali aquelas pedras, construíram aquela muralha e que moraram ali... é esquisito e giro ao mesmo tempo.

O museu, infelizmente, é fraquinho. É pequeno, tem apenas duas salas, que estão recheadas de objetos encontrados nas escavações. Nada de "uau", nada de interativo ou cativante.

 

 

DSC_0698.JPG

Pavimento de uma das "casas"

 

DSC_0719.JPG

DSC_0748.JPG

Os "repuxos", a parte mais gira e mais bem conservada das ruínas.

 

DSC_0712.JPG

DSC_0730.JPG

 

E é isto! Foi só um fim-de-semana, mas soube por muito mais - e sempre serviu para riscar uma série de coisas da bucket list. Que mais venham!

 

DSC_0717.JPG

08
Abr17

Fomos lá para fora... cá dentro 1#

Carolina

A semana passada eu e os meus pais fomos fazer um fim-de-semana cultural. O intuito era ser de descanso - estávamos todos a precisar de arejar a cabeça - mas a verdade é que acabamos por conhecer tantas coisas e andar por tantos sítios que de descanso teve pouco. O ponto de partida foi a Vila de Marvão, que fica junto da fronteira, já na zona do Alentejo. Era um sítio que a minha mãe queria ir já há muitos anos e que, aparentemente, toda a gente conhecia menos nós. Fizemo-nos ao caminho na sexta-feira à tarde e três horas e pouco depois já lá estávamos. 

O meu pai chama aquilo a Massada de Portugal, porque a vila fica a 860 metros de altitude - mas o declive faz-se de forma muito repentina, não é algo gradual. Estamos cá em baixo e de repente olhamos para cima e vemos uma grande "montanha" de rocha e, lá em cima, a muralha e vislumbres da vilinha. Não é difícil chegar lá, apesar de ser estrada nacional - quem é menos experiente ou confiante ao volante pode é ter algumas dificuldades dentro da vila em si, por causa das estradinhas muito apertadas. 

Mas bom, voltando à parte interessante: a vista, tendo em conta a altura da vila e a muralha que a rodeia, é obviamente fabulosa. Mas a própria vila em si é super bonita e bem cuidada. Toda pintada de branco com alguns detalhes de cor e envolta numa muralha também muito bonita, que dá acesso a um castelo com vistas de tirar a respiração.

 

DSC_0364.JPG

Vista do Castelo

DSC_0404.JPG

Vista do Castelo

DSC_0413.JPG

Vista do Castelo

 

Pode andar-se livremente na muralha e há sítios fabulosos para tirar fotos - só não é aconselhável para desajeitados, distraídos e coisas que tais: não há qualquer tipo de proteção e a queda pode ser de uns três metros ou mais. Já dentro do Castelo de Marvão a entrada é paga: dois euros por pessoa. Não sei até que ponto vale a pena: pode subir-se até à torre, onde a vista é ainda melhor mas, para todos os efeitos, não deixa de ser mais um castelo. Acho que este tipo de monumentos é giro quando se vê pela primeira vez, mas a verdade é que acabam por ser um pouco "ocos" se não tivermos alguma capacidade de imaginação e alguns conhecimentos de história. Este, em particular, tem uma cisterna gira de ver (e visitável) e a torre.

Apesar do sol estar quente, fazia muito frio (acima de tudo por culpa do vento cortante), por o sítio ser muito alto. Mas enquanto chovia a potes no Porto, os dias estavam límpidos lá para baixo e um bom casaco fazia com que os passeios já se tornassem mais agradáveis. As fotos abaixo são tiradas na muralha, no dia da chegada, já o sol se tinha posto.

DSC_0272.JPG

DSC_0312.JPG

DSC_0281.JPG

 

Nós ficamos hospedados na Pousada de Santa Maria, uma pousada de Portugal - agora sob a chancela do Grupo Pestana - que fica mesmo no centro da vila. É um edifício antigo e os quartos são também eles antiquados mas não por isso menos cómodos. Faz tudo parte do encanto. Tem uma pequena sala comum, com televisão, onde no dia do clássico se juntaram os hóspedes (eu incluída, claro está) para torcer pelo seu clube - e até isso acabou por ter piada. O restaurante dentro da pousada é aceitável, mas eu confesso que também não sou fã da comida tradicional alentejana; também lá é servido o pequeno-almoço que, para o tamanho da pousada, também é bom. A vista? As imagens falam por si.

 

IMG_5064.JPGIMG_5107.JPG

À esquerda a vista do meu quarto e à direita a vista do pequeno-almoço.

 

DSC_0460.JPG

DSC_0476.JPG

DSC_0478.JPG

DSC_0505.JPG

 

A vila em si vê-se num par de horas. É riquinha, um encanto, uma espécie de casinha de bonecas: bem tratada, com uma aura um bocadinho mágica e uma calmia que nós - gentes das cidades - já não estamos habituados. Acho que só ter aquela vista já ajuda a que a vida se leve com mais facilidade: sempre que me deparo com estes cenários sinto que ganho fôlego, porque me lembro da sorte que tenho em estar viva (coisa que, infelizmente, me esqueço demasiadas vezes). Mas, num fim-de-semana, fica tempo de sobra para visitar outros sítios - e foi o que fizemos. Para o post não ficar demasiado longo, conto o resto amanhã.

 

DSC_0355.JPG

21
Fev17

Quem foi o génio que decidiu pôr uma série dobrada em Portugal?

Carolina

Este fim-de-semana, enquanto tomava o pequeno-almoço, liguei o AXN só para fazer barulho de fundo enquanto comia - era melhor que os desenhos animados que passavam na RTP2 ou a missa que dava no primeiro canal. Ao menos via um pedaço de uma série qualquer e ficava entretida. Mas quando liguei, e sem qualquer tipo de espanto, passavam anúncios. Estranhei quando ouvi várias vozes portuguesas, naquilo que me pareceram ser cenas de ação ou de diálogo, e olhei para a TV.

Fiquei em choque quando me apercebi que o anúncio estava dobrado para português. Sim, essa coisa horrível, típica de brasileiros e espanhóis, que fazem com que séries e filmes sérios pareçam autênticos desenhos animados, enquanto alguém fala por cima da imagem de outra pessoa que se nota perfeitamente que não está a dizer nada daquilo que ouvimos. É absolutamente medonho. Apressei-me a escrever no facebook e a comentar aqui em casa, mas o assunto morreu.

À noite, quando falava com a minha cunhada, ela comentou comigo que aqui há dias tinha visto uma série no AXN dobrada, que tinha ficado espantada com o que viu - e aí é que me caiu a ficha. Eu achei, na minha ingenuidade, que o AXN tivesse tido um ataque de loucura (ou pelo menos de experimentação) e passado apenas (!) um anúncio dobrado, tal como faz o TLC; o que nunca me passou pela cabeça é que a série fosse, efetivamente, dobrada! No TLC os anúncios passam todos em português mas as séries mantêm o formato original, apenas com legendas. Mas, no caso do Einstein, pelos vistos não acontece o mesmo.

É claro que fui logo a correr ao facebook do canal, já a prever o chorrilho de críticas que por lá havia. Não me enganei. Aliás, o primeiro comentário já era mesmo um esclarecimento do próprio AXN, em que dizem "As séries dobradas não perdem o seu valor original, ganham um novo valor, como se pode comprovar em vários países. No caso de Einstein, os diálogos são tantos e tão rápidos que não era possível legendá-los todos porque se sobrepunham continuamente, e acabávamos por perder muito conteúdo importante e imprescindível para poder entender a história. Como tal, e para benefício do espetador, o AXN decidiu assumir a dobragem da série.". Ri muito. 

Não havia um único comentário positivo relativamente à dobragem. Um! O que não me surpreende, porque em Portugal só se faz dobragens nos filmes de animação - e, mesmo assim, conheço muito boa gente que vê as versões originais (eu me confesso). Não temos essa cultura - e ainda bem! Por só ouvirem as suas línguas é que os brasileiros e os espanhóis não conseguem falar mais nada direito; já nós apuramos os ouvidos desde pequenos e desde sempre que nos habituamos a ler legendas. Para além de que temos uma aversão natural a tudo o que é dobrado, tal como os hispânicos parecem ter ao inglês e línguas estrangeiras. 

Por acaso nunca calhou de ver a série, mas tenho a certeza de que não aguentaria dois minutos a ver algo de ação com as nossas vozes de pasmaceira (mesmo que estejam aos gritos, o português nunca parece fidedigno neste tipo de cenas, desculpem lá). De qualquer das formas, já vi um comentário algures dizendo que o AXN vai também transmitir a versão original, em alemão. Parece-me uma melhor ideia. Porque uma coisa é certa: quem teve a esperteza de dobrar uma série em Portugal, não é de certeza absoluta nenhum Einstein.

20
Out16

O país dos doutores e engenheiros

Carolina

Sempre se disse (e se ouviu) que Portugal é o país dos doutores e dos engenheiros. Toda a gente tem de ter um prefixo qualquer para se sentir de bem com a vida. São doutores os que não médicos ou doutorados (e os praxistas a partir do segundo ano, que é melhor ainda!), são engenheiros os que só têm o bacharelato e, com o estado das coisas, o estagiário no gabinete de arquitetura já é provavelmente senhor arquiteto. Até a mim me chamam doutora, que é assim a coisa mais estranha e anedótica de sempre - mas enfim, é o país onde vivemos.

E eu sempre soube que isto era assim mas só agora é que estou a entender a extensão do problema e as dificuldades que isso nos pode criar no dia-a-dia. Neste momento, e para mal dos meus pecados, passo a vida a falar com pessoas que não conheço - e a menos que saibamos à partida que aquela pessoa é médica, doutorada, advogada, engenheira (ou qualquer outra coisa que tenha um rótulo associado) é um problema quando nos dirigimos a ela. Eu dou por mim a gaguejar e a dar trinta voltas de forma a que todos os "sujeitos" nas minhas frases sejam omissos, para não fazer asneiras e as pessoas não ficarem ofendidíssimas. Sim, porque se chamamos doutor a um engenheiro cai o carmo e a trindade. E se chamamos senhor a um doutor é um drama. E se não chamamos o que quer que seja a alguém que não é nenhuma das coisas supra-mencionadas... também é provável que essa pessoa fique chateada. Ou seja: é uma gestão difícil.

Eu tenho duas técnicas: a primeira é estar atentíssima sempre que me falam de quer que seja, para apanhar os prefixos de toda a gente; mesmo quando se está em conversa com essa pessoa, dá sempre jeito ir vendo como é se deve interagir. A segunda é, como disse acima e em desespero de causa, nunca chamar a pessoa pelo nome, o que às vezes requer bastante imaginação.

Pronto, já disse o que tinha a dizer. Agora a doutora Carolina vai mazé trabalhar, que a vida não é só andar aqui a mandar uns bitaites. Doutora que é doutora faz coisas sérias.

04
Set16

3 dias no Gerês

Carolina

Depois de sair de Penacova e voltar a casa, nem tive grande oportunidade de tirar as coisas das malas. No fundo, fiz só uma "reciclagem" daquilo que precisava de levar no dia seguinte e dormi na minha cama, da qual já estava a morrer de saudades. Combinei, super em cima do joelho, uma ida de três dias ao Gerês com as minhas amigas - eram os únicos dias que tinha livres até começar a trabalhar (depois acabei por não começar na quinta-feira, ficou adiado para a semana) e cheguei várias vezes a pensar em cancelar estes planos: no dia seguinte ao fim de férias ia trabalhar, tinha um trabalho por fazer e coisas para estudar para o meu último exame da faculdade, pelo que seria tudo feito com temporizador e já muito à rasca. Acabei por arriscar e, felizmente, o universo conspirou a meu favor e deu-me mais dois dias de férias para organizar a minha vida.

Decidimos ir para o Parque Cerdeira, em Campo do Gerês. A escolha foi super acertada, adoramos! É um parque de campismo a sério, grande, com imensas infraestruturas (campo de futebol, piscina, várias casas de banho, sala de jogos, mini-mercado, muitas atividades); tem também imensas árvores e muito espaço para tendas, não há forma de nos sentirmos apertados. Para além do mais, a nível geográfico, está perto de tudo, o que é a cereja no topo do bolo.

Mesmo o parque sendo maravilhoso, o que nós queríamos mesmo era explorar o Gerês. No primeiro dia, já a meio da tarde e depois de montarmos a tenda, fomos a uma das praias fluviais que lá há, na barragem de Vilarinho das Furnas. A praia era linda, super calma (estávamos cerca de 10 pessoas) e a água muito limpa e clarinha. O caminho para lá chegar não é difícil - implica uma descida grande, no início em pedras e depois em monte, mas faz-se relativamente bem. Acima de tudo, vale imenso a pena pela paisagem, pela calma e pela água. É uma daquelas visões indescritíveis de tão belas; as palavras não chegam, as fotografias não são fidedignas o suficiente. É de tirar a respiração e uma pessoa só quer poder ficar mais um minuto para poder desfrutar daquelas vistas.

 

unnamed (3).jpg

Baía da barragem de Vilarinho das Furnas

 

DSC_0046.JPG

Baía da barragem de Vilarinho das Furnas

 

GOPR1543.JPG

Baía da barragem de Vilarinho das Furnas

 

O dia seguinte foi dedicado a alguma caminhada e às cascatas. Fomos pelo caminho romano até à Portela do Homem, onde passamos parte da manhã. Descer até à água, para mim, não foi fácil - sou muito naba no que a estas atividades "radicais" diz respeito e imagino-me sempre com menos dois dentes, a cabeça rachada e uma perna partida só de ver aquele amontoado de rochas. Tive medo e fui sempre com mil cuidados, muitas vezes com as duas mãos e pés nos chão, para ter o máximo de equilíbrio possível - ou isso, ou ia mesmo de rabo. 

A Portela do Homem é bonita mas, nesta altura do ano, não é aquela cascata que vemos nas fotografias: por um lado, tem muito menos água; por outro, tem muito mais pessoas. É difícil tirar uma fotografia sem um emplastro atrás. Ainda assim, vale a pena a visita. A água é geladíssima, mas é linda, linda, linda - e faz com que os cabelos fiquem mais macios do que com quilos de amaciador! Na minha opinião, este é um sítio para visitar, tomar um banho, tirar umas fotografias e ir embora - não há muito espaço para circular, há sempre pessoas à volta, tem de se ter sempre mil e um cuidados para dar um passo e o calor das pedras consegue ser infernal. Uma coisa que a mim me perturbou particularmente foram as pessoas a saltar: a lagoa é baixinha e havia pessoas a darem saltos de 4 ou 5 metros, muitas vezes com rochas salientes pelo caminho. Eu não digo nada, mas fico com o coração na boca - e sei que as pessoas que morrem todos os anos nestes sítios devem-no a maluquices mal calculadas deste género.

 

unnamed (4).jpg

Portela do Homem

 

GOPR1569.JPG

Portela do Homem

 

 

Depois da Portela do Homem fomos até lá cima, à Cascata do Arado. Estava super seca, a cascata limitava-se a um fio de água e esta era muito menos límpida, muito provavelmente por não circular. O caminho até lá foi mais difícil e longo do que para a Portela do Homem, por isso não achei que valesse muito a pena. Em alturas de mais chuva deve ser linda, porque o "caminho" da água é bastante maior, mas nesta altura não se revela nada de especial. Faltou-nos a cascata do Thaiti, mas decidimos não arriscar: segundo dizem, é a mais perigosa de todas e já nenhuma de nós estava virada para mais riscos. Eu confesso que, apesar de ter gostado muito das vistas, respirei de alívio.

 

DSC_0244.JPG 

Cascata do Arado

 

Nesse dia passamos ainda pela Vila do Gerês e depois voltamos para Campo por um caminho lindíssimo, que repetimos no dia seguinte por termos gostado tanto dele.

O último dia foi um bocadinho diferente: de manhã decidimos fazer uma das atividades do parque, a que chamam "Parque Aventura". No fundo, consiste em algumas atividades que eles lá têm, que incluem arvorismo, slide e escalada. Tudo em ponto pequeno, mas o suficiente para pôr a adrenalina do nosso corpo a circular - em  mim, pelo menos, teve esse efeito! O monitor era incrível, super simpático e engraçado, o que tornou a experiência ainda mais gira. Se forem a esta parque, aconselho muito!

Estas férias foram muito importantes para mim no sentido de superação de barreiras e obstáculos. Sempre fui a menina totó, dos livros, que detestava educação física; aquela que caiu de cara na primeira aula do 7º ano e ficou com um olho negro, a que não consegue fazer a roda, a mais gordinha e menos atlética das amigas. E aqui consegui fazer tudo a que me propus: subi e desci pedras terríveis, andei em cima de fios de uma árvore para a outra, fiz escalada, atirei-me num slide duas vezes (mesmo tendo detestado a primeira!). Limitei-me a não pensar muito e tentar, pelo menos uma vez na vida, e soube tão bem ver que conseguia! Foi óptimo para o meu ego, para a minha confiança e auto-estima.

 Depois das aventuras, desmanchamos a tenda e metemos tudo dentro do carro (outra aventura, portanto) e fomos dar uns passeios de carro, pelos vários miradouros. Ainda tentamos ir ver a vila de Vilarinho das Furnas, que está há muitos anos debaixo de água, mas acabamos por desistir por ainda termos de fazer uns quilómetros a pé. Como já disse, voltamos a fazer a tal estrada lindíssima entre a Vila do Gerês e Campo e parámos várias vezes para tirar fotos e apreciar as vistas. Pelo caminho passamos, claro, por vacas, bois e cabras - algo tão simples como maravilhoso.

A última paragem foi no miradouro da Pedra Bela, com uma vista linda e super completa do Gerês. Há lugar para o carro e sítios próprios para tirar fotos e até para fazer picnics, por isso é óptimo para uma paragem mais prolongada. Depois disso, engolimos as saudades que já apertavam e viemos embora. Eu, pelo menos, vim com a certeza de que quero voltar. O Gerês é aqui tão perto e é das coisas mais incríveis que este país tem.

 

unnamed (1).jpg

Caminho Vila do Gerês - Campo

 

unnamed (2).jpg

 Caminho Vila do Gerês - Campo

 

unnamed (5).jpg

Miradouro da Pedra Bela

 

unnamed (6).jpg

 Miradouro no caminho Vila do Gerês - Campo. Para mim o mais bonito de todos.

 

02
Set16

Segundo campismo de família em Penacova

Carolina

A primeira vez que fiz campismo foi o ano passado, com toda a minha família, numa maluqueira que quis que se tornasse num ritual anual. Fomos para o Lima Escape durante dois dias - apenas uma noite - e a experiência correu super bem. Foi muito cansativo, foi uma logística muito complicada, mas valeu super a pena - soube apenas a pouco, ficamos quase com a sensação de que montamos e desmontamos as tendas ao mesmo tempo.

Por isso, este ano, decidi propor um alargamento dos dias do campismo de família - em vez de dois dias, ficaríamos três, e tínhamos um dia inteiro para desfrutar da companhia uns dos outros. Era algo que já estava a ser estudado há vários meses, pensamos em vários lugares, e acabamos por optar ir para o Parque de Campismo Municipal de Penacova. Primeiro porque era a pouco mais de um hora de carro e segundo porque tinha uma praia fluvial a um quilómetro; foi um golpe arriscado, porque não há praticamente informação nenhuma no Google sobre este parque. Pior: o Google só dá a informação de um parque quando, na verdade, há dois - ou seja, as fotos e os comentários de utilizadores centram-se só num parque (o da Federação e não o Municipal), pelo que nunca se sabe bem de que parque estamos a ver fotos ou reviews.

A ideia era ir sem expectativas e esperar ter sorte. Quando lá chegamos deparamo-nos com um parque muito pequenino e vazio e a reação não foi a melhor. Este não é um parque de campismo como o Lima Escape, cheio de vegetação e que transpira "natura". No entanto, acabou por se revelar óptimo para nós - pudemos ocupar o espaço que quisemos, fazer barulho à noite (tenho músicos na família, é inevitável haver baile e concertos pela noite dentro) e, a parte melhor, tínhamos um salão (que devia ser um antigo café) com cozinha, onde pudemos comer todos juntos, sentados e fazer toda a comida com maior conforto. Era uma das nossas maiores preocupações: levamos campingaz suficientes para tudo, mas não ia ser tarefa fácil fazer comida para trinta pessoas em pequenas bocas de gás e tachos gigantes. O facto de ter cozinha, frigorífico e arca congeladora (algo que não costuma haver em parques de campismo) foi uma ajuda incrível.

Os tempos livres e fora das refeições foram passados na praia do Reconquinho, como todos queríamos. Apesar de ter uma areia pedras terrível, fazia um calor abrasador e os serviços disponibilizados na praia eram de fazer cair o queixo. Aliás, foi assim que todos ficamos quando percebemos que todas as atividades que lá tinham eram grátis. Podia-se atravessar o rio por um slide, andar de kayak, utilizar uma série de bóias e insufláveis que estavam sobre a água, usar guarda-sóis e cadeiras de sol: tudo completamente grátis! Até uma papelaria/livraria tinha, para se "alugar" o jornal do dia. Ficamos incrédulos e quase que desconfiados. Passamos a vida a dizer que "ninguém dá nada a ninguém" e a verdade é que já nem estamos habituados a não pagar por um bem ou serviço, por mais simples que seja. Podia ir-se a banhos, mas a água do Mondego é absolutamente gelada. Eu, que já fui de certeza peixe noutra vida, fui na mesma e a temperatura não impediu que eu passasse a vida a atirar-me à água, de uma ponte que lá havia. O choque térmico era tão grande que o corpo parava e os pulmões ardiam e gritavam por ar - mas depois a sensação era avassaladora. Nadar no rio é maravilhoso.

De resto, o convívio foi incrível. Não é fácil juntar uma família de mais de 30 pessoas e faze-las estar em consonância; não é fácil juntar 13 tendas num sítio, alinhavar jantares e multas, meter toda a gente dentro de carros e arranjar boleias, conseguir meter todas as tralhas dentro das bagagens sem nos esquecermos de nada. É preciso organização, é preciso ser muito chata, é preciso as pessoas quererem e alinharem. Aliás, sinto que depois disto já tenho uma espécie de pós-graduação em gestão de eventos! Mas com uma carga valente de paciência e boa vontade tudo se faz - e acho que ter uma família unida compensa todo o trabalho. Conheço muito poucas famílias como a minha, em que os laços vão para além da grande diversidade de opiniões e estilos de vida que existem entre nós. Já há muitos anos que alguns velhos do restelo vêm dizendo que estes encontros vão eventualmente acabar, que com o aumento da família começa a tornar-se insustentável. Talvez sim. Mas não será antes de eu me cansar de tentar. 

 

GOPR1505.JPG

Rio Mondego (a ponte atrás)

 

GOPR1517.JPG

 

DSC_2262.JPG

Algumas das bóias que havia na praia. [Foto da minha prima]

 

DSC_0280.JPG

A minha sobrinha a fazer bolas de sabão. A minha foto preferida. 

 

DSC_0389.JPG 

Não tenho por hábito partilhar aqui fotos com outras pessoas, mas penso que neste caso faz todo o sentido e acho que a minha família não se importa. Aqui, somos 32 - faltam 7 para a família estar completa mas que, por vários motivos, não puderam vir. Acreditem ou não, olho para esta foto e penso "não somos assim tantos...".

Por também ser a fotografa de serviço, esta é a única foto que tenho no campismo em si. 

 

11
Jul16

Espera... não foi um sonho?

Carolina

A alegria de quando se ganha algo no futebol é tão grande, tão imensa, explode tanto no peito que às vezes não parece verdade. Uma pessoa deita-se, dorme - se conseguir dormir - e quando acorda quase tem de se beliscar para saber que é verdade.

Eu abri a pestana, vi o cachecol depositado ao calhas em cima da cama depois de ter ido para a rua com ele ao pescoço e percebi que sim, que foi tudo real. 

Lamento sinceramente a todas as pessoas que se acham superiores e intelectuais e se recusam a ver e vibrar com os 22 jogadores atrás de uma bola. Porque, meus amigos, não sabem o que perdem. Creio que hoje Portugal acordou com um ânimo, uma alegria e uma força que não via há muitos anos - e isso não tem preço.

11
Jul16

Nação valente!

Carolina

Muitos se questionam o porquê de se gastar tanto dinheiro no futebol, de tanta gente gostar de ver 22 "cães a um osso". E a resposta está aqui: está na união, na movimentação de massas incrível que eu acho que só o futebol é capaz de mover. E isto serve para quem não gosta de futebol, para quem não sabe o que é um off-side, para quem não gosta o Ronaldo ou não sabia que o José Fontes sequer existia. Porque, quando se fala de uma nação ou uma cidade, há um elo de ligação que supera tudo o resto e que faz todas as célulazinha do nosso corpo vibrar.

Até eu, que desisti da seleção em 2004 (quase como um desgosto de amor épico), vibrei. E, meus amigos, acreditem ou não: até chorei quando o Ronaldo chorou. Porque não há manias ou embirrações que sobrevivam a injustiças e às evidências: foi uma injustiça alguém que se dedicou uma vida inteira ao futebol não poder contribuir para a sua equipa ganhar. Senti que era este ano e depois da fase de grupos achei que era sempre a andar; ainda ontem afirmei e reafirmei aos mais cépticos que íamos ganhar. E ganhamos. E até eu fui para a rua de cachecol ao peito, embebido em mofo, que já há 12 anos que não via a luz do dia!

Não precisamos de jogar bonito (que não jogamos). Também não precisamos de jogar bem (que também não aconteceu). Valeu-nos a garra, a sinceridade e a humildade, que para mim foram sem dúvida os ingredientes desta vitória épica. Não gostei particularmente dos jogos de Portugal em campo, mas adorei o jogo que fizemos no "exterior": não precisamos de bocas para ganhar, de mandar indiretas bem diretas para os nossos oponentes, de jogar sujo fora de campo. Foi limpinho, foi à rasca, mas foi merecido. Esta foi pelo Euro 2004 e por toda a festa que há 12 anos já devia ter sido nossa.

Ganhamos, car*lho! 

 

13592565_1065100156909557_6845762496774340807_n.jp

07
Jul16

Por falar em vitórias...

Carolina

Estamos nas finais! E eu em dupla final: enquanto portuguesa, nas finais do euro; enquanto estudante, na final do curso. E estou mesmo muito feliz pelas duas razões. Sobre Portugal falo depois (respirem fundo, que não vou dizer mal do Ronaldo), mas sobre a final do curso quero falar agora.

A verdade é que ainda me falta um exame, que faltei graças à operação que fiz em Janeiro. Mas é uma cadeira fácil e tudo menos importante, pelo que quase que sinto que a tenho meio feita; fazer e entregar o relatório soube-me ao golpe final destes três anos de licenciatura, o culminar de tudo isto. Se o estágio foi maravilhoso, fazer o relatório foi doloroso. Todas as palavrinhas que lá estão saíram a ferros, num fim-de-semana prolongado que, por um lado, teimava em não passar e, por outro, passava depressa demais para aquilo que eu precisava.

Hoje dou por mim a pensar, de vez em quando: "será que escrevi aquilo no relatório? era importante". Porque a verdade é que o meu cérebro parecia estar a entrar em colapso: já não sei o que fiz, o que disse, o que escrevi ou devia ter escrito. Sei que acabei com um alívio enorme por ter entregue e, ao mesmo, uma irritação colossal por ter deixado aquilo para a última, em algo que era tão importante e que devia espelhar o melhor possível aqueles três meses tão maravilhosos para mim. Senti que devia ter feito mais, que devia estar melhor - e agora, já relaxada, penso nas várias coisas que ficaram por escrever. Talvez por isso, não esperava grande nota - por eu própria ter ficado desiludida comigo mesma.

Mas no início desta semana soube o resultado, naquela que é a cadeira mais importante de todo o curso. 18. Acabo o curso com um 18 e não podia estar mais feliz.

 

yay.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Também estou aqui!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2017 Reading Challenge

Carolina has read 0 books toward her goal of 15 books.
hide

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

o