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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

17
Set17

Um regresso maravilhoso

Carolina

O ano ainda não acabou, mas eu quase me arrisco a dizer que a decisão de voltar ao piano foi das melhores que tomei em 2017. Parece ser daquelas raras situações em que uma pessoa tinha saudades mas só nota quando se reencontra com algo. Estas duas semanas foram de um reencontro bonito. O redescobrir de algo que gosto muito e que, acima de tudo, me relaxa e ajuda a focar só na música, deixando os problemas fora do piano (esta era uma vertente que, quando eu tinha dez anos, não conseguia apreciar, mas que agora valorizo imenso).

Dou por mim a sentar-me ao piano mal tenho quinze minutos livres - mesmo com sono, mesmo com dores de cabeça, mesmo com lágrimas a rolarem-me pela cara abaixo. Tem sido o sítio perfeito para canalizar as más energias e transforma-las em algo bonito: o que, nestas semanas, tem sido particularmente útil.

Como já tinha a formação base não comecei mesmo do principio e a professora deu-me uma peça mais avançada do que à partida eu achava conseguir ter pronta até ao fim do mês. Mas à medida que os problemas e as dúvidas foram aparecendo, eu fui perguntando, relembrando coisas que já tinha esquecido há dez anos atrás, e a evolução acabou por ser muito rápida. Em duas semanas consegui ter a peça pronta - e fiquei tão, tão feliz e orgulhosa! É de facto uma sensação especial começar do zero, com uma música e uma pauta que nos são estranhas, e elas depois acabarem por fazer parte de nós, entranharem-se de tal forma que os nossos dedos já as tocam praticamente sozinhos.

Talvez por estar a rever muitas coisas que não me lembrava, sinto que estou a andar muito rápido. É provável que isto abrande nos próximos tempos, até porque nem sempre terei tempo para treinar duas vezes por dia, tal como tenho feito - mas tem-me dado um gozo imenso sentir que melhoro a olhos vistos de cada vez que toco, ver-me a ultrapassar as dificuldades, os "nós" e os erros sistemáticos que às vezes criamos quando estamos a aprender a tocar algo. É motivador perceber que as diferenças são significativas quando o treino é regular e intenso - o que me faz sempre querer tocar mais. Às vezes penso "ok, esta é a última vez e depois vou embora"; mas essa tentativa não correu bem, errei ali e acolá, por isso repito, dizendo para mim mesma "mas é mesmo a última vez!". E depois torno a errar. E a repetir. E a errar. Até aquilo sair bem ou, no mínimo, até me sentir satisfeita com a evolução.

Acho que conspirou a meu favor: o timing que escolhi para voltar - estou numa fase em que preciso urgentemente de algo que me motive e me faça descarregar as más energias -, a escola que encontrei para me reencontrar com o piano, a professora que rege essa escola e os seus métodos de estudo, o facto da minha sobrinha não utilizar o piano dela e poder eu usufruir desse privilégio. Neste aspeto, estas duas semanas foram maravilhosas e mal posso esperar para me sentir mais à vontade para tocar as músicas que gosto, que ouço e que canto a altos berros no carro - e poder presentear os outros com elas.

Para já, e porque é mesmo um orgulho imenso para mim ter conseguido trabalhar uma peça que, ainda que não seja difícil, é desafiante, mostro aquilo que treinei nestes quinze dias. Ainda não está perfeito, há detalhes a polir. Mas já estou feliz com este resultado.

 

 

02
Set17

De volta aos teclados (e não é do computador)

Carolina

Devia ter uns oito anos quando comecei a aprender piano. A minha mãe tinha-se inscrito na escola de música, levou-me por arrasto e eu, por acaso, até tinha jeito para a coisa. Mas, passado relativamente pouco tempo, quis desistir. Não tenho a meu favor a perseverança: não me lembro de nenhuma atividade onde quisesse ficar durante mais do que meia dúzia de meses (também não andei em muitas, só me lembro da ginástica - onde não durei nada, uma vez que era, e sou, uma absoluta desgraça - e da natação, atividade que repeti ao longo dos anos e de que ainda hoje gosto muito). Mas, por outro lado, tenho uma série de desculpas muito convincentes: a melhor de todas é que o meu professor adormecia nas minhas aulas.

Isto tem graça quando eu conto e até pode ser visto como um elogio ("ui, tocavas tão bem que até o adormecias!") mas era uma situação muito embaraçosa para mim, que acabava a partitura e não sabia o que fazer a seguir. Ir para aquelas aulas significava estar numa posição desconfortável, porque já sabia o que ia acontecer e ficava a pensar "continuo a tocar? páro? acordo-o? saio da sala?". Enfim, era chato. E eu fiquei muito desmotivada com tudo aquilo e quis desistir. Nunca deixei de gostar de tocar, mas não me apetecia continuar com aquilo - e quando temos oito anos não temos maturidade suficiente para perceber que é aquele professor que nos desmotiva, que gostamos mesmo daquela atividade e que queremos dar a volta. Se em adultos já é difícil contornar situações em que estamos assim, em crianças é quase impossível. Por isso, mesmo contra a vontade dos meus pais (o meu pai sempre me disse que quando eu fosse crescida e estivesse na faculdade todos os meus colegas iam adorar ouvir-me ah ah ah), deixei de tocar piano. Tinha algum jeito e aptidão para aquilo, para além do meu amor já existente pela música, que não só se manteve como aumentou com o passar dos anos. Já tocava peças com algum grau de dificuldade e safa-me realmente bem. Mas a partir do momento em que se estagna, que não há ninguém a puxar por nós (mesmo que a dormir...) ou a exigir algo mais, é difícil evoluir. E eu parei de tocar por completo.

Ao longo destes anos voltei a sentar-me algumas vezes em frente do piano, mas nunca durava muito. Deixei de saber ler fluentemente as partituras e o meu piano, mesmo antigo, está todo desafinado e com muitas falhas ao longo do teclado. E sempre teve uma grande desvantagem, que sempre me coibiu de tocar muito: está na sala, no centro da casa, e toda a gente o ouve. Isto é bom quando queremos "dar espetáculo", mas péssimo quando queremos treinar. Como tenho sempre a casa cheia de gente, nunca conseguia tocar sozinha - e é muito chato estarmos a praticar, enganarmo-nos, chatearmo-nos (só quem nunca tocou piano é que não sabe como são aqueles ataquinhos de raiva em que batemos contra todas as teclas de uma só vez) e estar o mundo todo a ouvir. Já o era quando tocava e continuava a ser naquelas poucas vezes em que decidia tentar tocar de novo, tentando interpretar algumas das minhas músicas favoritas do momento. Tinha sempre gente a espreitar, a dizer "uau, afinal ainda dás uns toques!" ou a bater palminhas no final de uma interpretação intragável. E, por isso, desistia sempre.

Mas nos últimos tempos a música tem atingido uma dimensão tal na minha vida e anda-me tanto a apetecer fazer algo diferente (para além de trabalhar) que decidi ir procurar uma escola de música para voltar a aprender. Neste momento já conheço melhor o meu emprego, os meus horários, as pessoas com quem trabalho e a fase da adaptação e de agitação já passou - e eu sinto mesmo que precisava de fazer algo diferente, de conhecer outras pessoas, de ter a cabeça noutro lado, de me motivar de alguma forma. E lembrei-me do piano. 

Fui hoje fazer uma aula experimental, gostei imenso do espaço, da professora e dos métodos e estou muito ansiosa para voltar a tocar. Já há algum tempo que não me apetecia tanto fazer alguma coisa! São incríveis as mudanças que acontecem em dez anos: ainda vi coisas em papel, mas agora aprende-se com tablets, que ajudam a ler as partituras e que dão a música de fundo, podendo ajustar-se o ritmo, treinar só uma mão e tudo mais. Para além disso, como ouro sobre azul, a minha sobrinha tem um piano eletrónico - que não usa -, daqueles que dá para pôr phones e só nós ouvirmos as asneiras que damos ou aquilo que estamos a tocar. Ou seja,o meu problema de ter a casa toda a ouvir os meus treinos tem finalmente um fim à vista! E no futuro, se vir que estou mesmo empenhada, pondero comprar um.

Até lá, é ir experimentando. Sinto que a partir do momento em que a escrita passou de hobbie a trabalho, "perdi" o maior entretenimento da minha vida - e desde que o trabalho começou a entrar nos eixos e que eu tenho tempo livre que me sinto muito perdida e cada vez mais desmotivada com tudo à minha volta. Estava mesmo a precisar de algo que me desse vontade de sair de casa e fazer algo diferente. Estou muito esperançosa e muito feliz por ter decidido arriscar! Espero que valha o esforço!

 

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19
Jan13

Uma chance ao piano

Carolina

Depois do episódio do piano passado na última festa de anos a que fui - e que acabei por não fazer jus, porque não vos disse que um dos rapazes que estava a tocar era giro que só ele -, decidi dedicar-me um bocadinho a esta arte. Estou perra, desajeitada, envergonhada e com muitíssima falta de treino, mas enfim.

A questão é que tocar piano não é um mar de rosas e a fase inicial não tem nada de belo para os ouvidos - uma pessoa engana-se, irrita-se, vira-se contra o piano, cansa-se, repete os erros. E tocar para os outros é fantástico quando a música sai dos nossos dedos fluidamente - mas quando nos ouvem tocar fragmentos de música repetidamente e desconexadamente, toda a beldade vai pelo cano. E eu, para evitar isso, tento tocar o mais sozinha possível - o que, nesta casa sempre cheia de gente, se torna impossível. Resultado? Mesmo quando tenho vontade, não vou para o piano. Para além disso, há uma relação estranha com o piano por estes lados: todos podem não pousar lá as mãos durante séculos, mas quando eu ou alguém está lá, vai tudo atrás, com vontade de tocar, experimentar e tudo mais.

Estou a tentar atinar com a música que está aí baixo, que é sem dúvida das minhas favoritas. Eu queria mesmo muito conseguir tocar mas, tendo em conta as experiências anteriores, a desistência é o mais o acontecimento mais provável nos próximos dias.

12
Jan13

As palavras sábias que nos ficam

Carolina

Embora muita gente não saiba e a maioria não se lembre, eu aprendi a tocar piano há uns 10 anos. Entretanto a desmotivação foi suficientemente grande para deixar de ir às aulas e, por fim, de deixar de tocar. Nestes últimos anos dão-me assim umas vontades esporádicas de tocar, vou buscar umas pautas, mas pouco depois o insucesso e a falta de prática acabam por deitar abaixo a minha vontade.

No entanto, quando desisti, houve um grande opositor à minha decisão: o meu pai. Dizia-me que daqui a uns anos, quando andasse na faculdade, me ia arrepender de ter deixado de aprender e de tocar piano; que ia fazer sucesso, que ia entreter os meus colegas e toda a gente ia gostar. Nunca disse que não, mas a desmotivação tinha mais peso para mim, naquela altura.

Ontem o jantar foi num hotel conceituado aqui no Porto. Apesar de não haver muita poupa e circunstância e de não ser de uma beleza e um requinte por aí além, havia um piano de cauda branco bem no centro do lobby. Depois do jantar foi tudo para lá e dizem-nos (a mim e mais algumas pessoas que ficaram no restaurante), pouco depois, que tínhamos perdido um show fantástico de um dos amigos do aniversariante. Lá fomos nós para a entrada do hotel, na esperança que ele tocasse mais. E tocou. Ele e mais outro, sendo que tocavam os dois para lá de lindamente - um deles mesmo com pinta de profissional. E enquanto me debruçava sobre aquele piano, deliciando-me com o que ouvia, ouvia as palavras do meu pai, repetidamente, na minha cabeça. E soube que ele tinha razão.

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