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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

17
Abr15

O meu lado triste

Carolina

Sou uma pessoa naturalmente negativa e triste. Vou-me abaixo com facilidade, entro em espirais depressivas de um dia para o outro e sem razão aparente. E principalmente no auge da minha adolescência (que não foi difícil, tirando por isto) passei um bocadinho mal devido a essa minha característica; havia momentos em que havia demasiada coisa a passar-se à minha volta com que eu não conseguia lidar nem digerir e fechei-me ainda mais na minha redoma. 

Enfim, mas a questão aqui é que tenho feito um esforço enorme para melhorar. Tento ver o lado positivo das coisas e levantar-me mal me sinto a cair. E a verdade é que, principalmente desde que a minha avó adoeceu (há quase um ano, meu deus!), que senti que estava um bocadinho diferente - para melhor. Enfrentei as coisas como elas eram, sempre, até ao culminar daqueles meses todos, com a morte dela. Penso que mesmo exteriormente é algo que se nota e que as pessoas se apercebem - o semblante anda um bocadinho menos carregado e a forma de reagir é outra. Arrisco até em dizer que os leitores assíduos e mais antigos do meu blog notaram essa mudança, uma vez que algures nos arquivos desta casa virtual estão textos em que o meu estado de espírito era abaixo de zero e onde o sofrimento era latente.

Mas é claro que continuo a ter os meus momentos - principalmente quando estou mais cansada da faculdade (o que me fragiliza) ou em momentos-chave que têm mais impacto em mim. Um desses momentos foi há três noites atrás, quando escrevi o texto "Há dias", que passou a ser uma das publicações mais "favoritadas" deste blog e com muitos mais comentários do que o normal, todos com elogios que tão bem me souberam.

O curioso disto tudo é que apesar dos imensos posts que aqui faço, são quase sempre esses que sobressaem. Os mais tristes, os mais profundos, os mais sentidos, onde a minha dor está latente (seja em que forma for - naquele dia era o pesar de ser "diferente" e de ter de lutar todos os dias por isso). Acho que apesar de tentar atenuar essa minha característica (nomeadamente a nível de conteúdo de posts, que tento o mais possível que sejam positivos e divertidos), essa minha faceta nunca mais se vai desvanecer. E quando sou impelida a deixa-la vir ao de cima, saem coisas daquelas - aparentemente mais bonitas, mas sempre as mais dolorosas.

A verdade é esta. Nunca deixamos de ser quem somos, por mais que tentemos. 

22
Jul14

Uma personalidade forte

Carolina

Acho que uma personalidade forte é tida como uma qualidade - e, com muito orgulho, é das coisas que tenho certamente no meu "curriculum". De todas as coisas boas que posso ter (e que podem não ser consensuais) esta é, sem dúvida, a que gosto mais. Posso escrever bem, posso ser determinada, posso ser simpática e educada, mas a coisa que gosto mesmo mais em mim é a minha personalidade forte: e por isso incentivo-me, trabalho nela.

Achei curioso que, ainda há uns tempos, comentaram isso no meu facebook, que se lembravam de mim bem pequenina mas já com uma personalidade bem definida. Começou desde cedo, sempre fui assim, nunca consegui ser uma "Maria-vai-com-todas", nunca consegui não dar o remate final numa conversa, nunca consegui deixar de ver o outro lado da questão, nunca consegui ser flexível em alguns aspectos da minha vida ou em algumas opiniões mais vincadas.

Mas compreendo que essa mesma personalidade que é tida como uma qualidade, também afasta os outros a longo prazo - no início é muito giro, uma mulher com garra, que não se deixa deter pelos outros ou por opiniões fortes, vozes mais grossas, grupos ruidosos; mas por outro lado é chato quando calha a essas mesmas pessoas a sorte de não terem a mesma opinião que eu. Formam-se roturas, criam-se colisões às vezes definitivas.

E, mesmo para mim... às vezes custa tanto. Custa tanto mantermo-nos firmes, conforme os nossos princípios; às vezes custa tanto termos só a nossa voz para argumentar, quando temos todas as outras contra nós; o simples ato de nos levantarmos, firmes e sem vacilar, de uma sala, pode custar-nos os olhos da cara. Não sei até que ponto esta personalidade me trouxe mais tristezas do que alegrias, problemas do que felicidade; continuo a achar que vale a pena, que sou eu, que tenho a capacidade de me erguer perante o mundo e não ser igual a ninguém, não me misturar na carneirada que tanto detesto. Mas às vezes somos arrebatados e só me apetece desistir, mandar tudo e todos à merda, deixar toda a gente ir por maus caminhos, seguir modas, continuar a pensar segundo o modelo que lhes foi imposto ou foi ensinado, deixar que aquelas cabeças só sirvam para ter cabelo, que se intrometam na carneirada para, dali a pouco, serem como eles.

Mas depois de uma noite de descanso não consigo desistir, porque isso seria desistir de mim. E a minha personalidade, mais uma vez, volta a falar mais alto e eu torno a ter a necessidade de gritar as minhas verdades ao mundo, mesmo sabendo que cada vez menos pessoas as tencionam ouvir.

10
Mar14

Mudanças

Carolina

Eu acho que devemos tentar sempre dar o melhor de nós e melhorar quando sabemos que algo está mal. E eu podia ser muito despassarada e dizer que não tenho defeitos e que não há nada aqui a mudar, mas não é verdade. Tenho uma lista mental enormeeee de coisas para mudar, mas infelizmente a mudança é uma das coisas mais difíceis para mim - principalmente no que toca a questões de personalidade e princípios. Considero que há uma parte de mim intocável, um cerne em que não quero nem posso mexer, porque é ele que define quem eu sou. Os meus princípios, por exemplo, estão nesse núcleo duro.

Sei que sou chata, egoísta, má em alguns casos - quando dou conta, já o mal está feito e o tempo não volta atrás. Auto-deprimo-me com pensamentos demasiado depreciativos sobre mim própria e o mundo que me rodeia com uma facilidade tremenda, deprimo os outros porque fico deprimida por razões pouco especificáveis e que só eu sei sentir, passo dias a fio enterrada num mundo meu e especialmente mau. Enfim, tanta coisa a apontar e a mudar - e que me chateiam ainda mais especialmente em dias como estes, tendo em conta que sobressaem em mim de uma forma ridícula.

Felizmente tenho conseguido mudar algumas coisas mais concretas da minha vida diária e que me propus ao longo dos tempos. No início do ano prometi que ia começar a ir à "nova" Zumba, de forma regular e... estou a cumprir à risca. Há dias em que dói, custa sair do sofá, mas no fim vale a pena. Também ficou aqui registado que ia tentar fazer o tratamento ao pé com mais frequência - e estou a conseguir: em média, dia sim, dia não lá estou eu com aquela manga insuflável metida na perna. Perante um cenário de leituras insuficientes, desafiei-me também a ler, pelo menos, 15 livros este ano: um terço do objetivo já está cumprido e ainda estamos a meio de Março!

Não podia estar mais orgulhosa. E o próximo passo é também na área da cultura: ando a desleixar-me imenso no que diz respeito ao cinema e, como tal, queria ver um filmezinho por semana. Um. Espero não estar a pedir muito.

Quanto a outras mudanças - mais difíceis, profundas e demoradas - a coisa não se faz com tanta eficácia. Mas vai-se tentando. Nem que seja a curto prazo, que sei tenho sido muito dificil de aturar nos últimos tempos (um óscar para a minha mãe que é quem me atura quase sempre). Vamos com calma e comecemos hoje, porque todos os dias são bons para mudarmos para melhor.

03
Jul13

Reflexões de uma (ex?) anti-social

Carolina

Aqui há dias disseram-me que nós, mulheres, nem a nós próprias nos compreendemos. Eu neguei prontamente, tendo em conta que tinha a certeza do que estava a dizer naquele caso específico, prova que naquele campo eu percebia daquilo que o meu próprio sexo pensava, de uma forma geral. Mas agora, não sei se é por ser mulher ou não, não me percebo...

Racionalmente, aquela parte de mim que está sempre presente em quase tudo o que eu faço (exclui-se aqui a minha reacção aos médicos), eu sei que preciso de pessoas para viver e estar bem. Sei porque tenho termos de comparação - eu passei anos a poder dizer que não tinha um amigo sequer, e sei como os passei: se é verdade que era muitas vezes aquilo que eu queria, por outro lado as minhas crises meias depressivas também tinham de vir de algum sítio. E estes últimos dois anos, os únicos que posso assinalar como aqueles em tive companhia, que fiz amigos e pessoas em quem confiar, foram muito melhores.

Mas a verdade é que eu - no meu mais puro estado - continuo aqui. Apesar de saber o que quero, o que preciso, há sempre uma parte de mim que me desliga da parte social. Lembro-me muitas vezes de um filme que adorei, o "Up in the Air", com o George Clooney, em que ele não tinha amigos fixos, uma parceira com quem estar sempre, uma família sempre em contacto - ele vivia no ar, a trabalhar, sem uma morada a que pudesse chamar casa. Recordo-me do facto de essa ideia me atrair e só depois me aperceber que, apesar de poder ser real, a personagem seria tremendamente infeliz.

O meu truque não é difícil de entender: chama-se afastamento progressivo. Para além de não ser difícil, é ridículo. Se me perguntarem se o faço por alguma razão especial, não, não faço. É algo que me é intrínseco - eu gosto das pessoas e não percebo porquê que o faço. Não sei se o excesso de proximidade ajuda ou não - se me canso ou me desaproximo excessivamente delas devido à falta de contacto; não percebo se é medo de ser deixada pendurada, de confiar no mais próximo. Enfim, não tenho razões - sei que, quando me apercebo, já estou num processo de desvinculação e com uma preguiça mais do que enorme para reverter aquilo que foi feito.

Suponho que isso faça de mim uma pessoa ainda pior. Depois de tanto tempo sem ter ninguém, quando tenho, acabo por as desperdiçar; quando, por fim, alguém vê em mim algo que não é algo temporário, em que vale a pena investir... eu, eventualmente, acabo por desistir.

Ao fim e ao cabo, acabo por ter aquilo que mereço. Em bom português: mudarmo-nos a nós mesmos é uma merda do caraças.

04
Jun13

Ainda a questão do toque (isto está a custar)

Carolina

Eu, de facto, devo escrever com muita determinação, dando muitas vezes a ideia errada das coisas. Isso ou as pessoas interpretam aquilo que escrevo de uma forma extrema. Ou talvez se conjuguem as duas e eu transmita uma ideia errada daquilo que quero passar para o exterior.

O texto que escrevi sobre o facto de não gostar que as pessoas me toquem foi um daqueles que teve mais impacto à minha volta - não sei se por uma questão de espanto ou de gozo, mas subitamente toda a gente sabe, fala e tenta corrigir a forma como interage comigo. E, valha-me deus, não é caso para tanto!

O que eu queria dizer é que não sou uma pessoa de toques, de expressar aquilo que sinto de forma física. Ou seja, eu não dou beijos ou abraços à toa; não passo a minha vida sobre as pessoas, encostada a elas, a fazer-lhes festinhas. E também não gosto que o façam comigo, de forma quase "gratuíta". Mas isso não quer dizer que seja uma maníaca e não toque em ninguém! Eu cumprimento as pessoas, eu abraço-as quando acho que é a altura certa para isso, dou-lhes um beijo quando penso ser oportuno - mas, de facto, é muito menos frequente do que se vê normalmente. Eu não me importo que me toquem para me chamarem, que me abracem quando precisem, que me dêem um beijo quando acharem que eu - por alguma razão - mereço. Só não acho que isso deva ser a toda a hora nem que seja toda a gente a faze-lo. Não quero que a caminho de um abraço e me digam "ah, não, espera, lembrei-me que não gostas que te toquem". Não exagerem.

Tal como todos, tenho sentimentos, preciso de carinho, sou afetiva. Posso não o demonstrar e posso não me sentir confortável quando o fazem em demasia, quando o contacto corporal é demasiado. Mas, normalmente, eu torno esse meu desconforto bem claro - voluntária ou involtuntáriamente. Tudo tem o seu peso e medida. E eu compreendo que possa não ser "normal" neste aspeto, que não me agarre às pessoas como as pessoas "normais" costumam fazer - mas sei que, inconscientemente, as pessoas que me rodeiam já sabem disso. Isso faz parte de nós e, mesmo sem percebermos, aprendemos qual o espaço pessoal dos que nos rodeiam. Não façam disto um bicho de sete cabeças. Posso parecer, but I'm not a freak of nature. Ou talvez só um bocadinho.

02
Jun13

Adenda ao último post

Carolina

Só para que conste que, quando me tocam, e apesar da reacção não ser a melhor logo à primeira, eu não fujo a sete pés ou desato à estalada. Sou estranha, mas não a esse ponto. Apercebo-me que a diferença entre "não gostar" e "ficar desconfortável" não ficou bem clara: eu sei lidar com essas situações, mais ou menos intensas, quando elas acontecem. Eu também sei dançar agarrada e retribuir um (ou dois, ou três) beijos a alguém. Não reflete quem eu sou, não gosto (em casos normais), mas sei lidar com o assunto, como qualquer pessoa normal que, embora não goste, faz as coisas. É como metermos à boca uma comida que odiamos mas termos de fazer boa figura - o estômago até pode puxar a comida para cima, mas nós aguentamos, e fazemos aquilo que devemos. É simples.

E, por fim, cada caso é um caso. Isto acontece com 90% das pessoas, onde não se incluí família próxima, por exemplo, entre outras - poucas - pessoas com quem tenho relações mais próximas. Só para não acharem que não toco em ninguém, ok?

02
Jun13

Keep distance

Carolina

Este ano fiz um amigo alemão que um dia me disse que uma das maiores diferenças que sentia em relação ao seu país de origem é que lá as pessoas se tocavam muito menos. Ou seja, nós aqui tocamo-nos imenso, estamos sempre uns em cima dos outros, com as mãos em cima da perna de alguém, com o joelho a tocar no da outra pessoa, com a mão à volta da anca do outro ou com o braço em cima dos ombros de um amigo. Ou a abraçar,  ou a dar beijos, ou a aproximarmo-nos demasiado.

Enfim, só eu sei como o entendi. Se há coisa que me faz aflição é as pessoas tocarem-me - e isto soa estranho, mas é verdade. Para mim não é natural pegarem-me na mão, agarrarem-me para me cumprimentarem, porem-me o braço à volta dos ombros, deitarem-se mesmo ao meu lado. Nem agarrarem-se a mim para me abraçarem por mais do que o tempo que tenho estipulado como "normal" na minha cabeça ou darem-me beijos sem razão aparente. Deixa-me incomodada e altamente desconfortável, sei lá. Mas sei que as pessoas não fazem por mal.

Sempre que me tocam e eu não vejo quem é, apesar de olhar primeiro, a minha mão já está a meio caminho de uma galheta (só naquela de ser um atrevido qualquer, que é o que penso sempre, apesar de 99,9% das vezes estar errada). É inevitável. Ou então quando se põem a brincar comigo e me tocam, e mexem no cabelo, e se põem a dar pancadinhas nos ombros tentando culpar outra pessoa que, coitada, está atrás de mim - por muito que tente, mesmo que perceba que é a brincar, a minha reacção automática é virar-me para trás com cara de poucos amigos para ver quem é que ousou infringir o meu espaço.

Mas se eu tenho um espaço pessoal de quilómetros, há pessoas que nem o têm - entre amigos, têm frequentemente uma "aproximação corporal" como se fossem namorados, e roçam-se e aproximam-se sem fins sexuais, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Para eles é. Mas para mim, que devo parecer a pessoa mais pudica, estranha e anacrónica do mundo, não é. Já deviam saber que estão no blog de uma pessoa estranha...

23
Mai13

A pergunta do costume

Carolina

Eu falo muito, se calhar escrevo ainda mais, mas a ideia de que tenho a resposta sempre pronta e sei de tudo é totalmente errada. Eu passo boa parte do meu tempo a formular respostas para questões que me coloco todos os dias - eu revejo conversas que tive umas trinta mil vezes, irrito-me por me ter comprometido aqui e acolá, por ter sido ligeiramente incoerente numa certa afirmação. Discuto comigo mesma todos os dias, interiormente, e talvez seja por isso que muitas das minhas respostas parecem ser pensadas - e é também isso que me dá um certo conforto em certas conversas que tenho, nas quais, se fosse doutra forma, não saberia o que dizer.

A viagem para Mafra foi interessante nesse ponto de vista - até porque não podia fugir para fora do autocarro para me desviar da conversa, o que me obrigou a responder de alguma forma àquilo que me perguntavam. O assunto era dos poucos em que a minha resposta nunca está preparada e eu plisso sem fim: a minha vida amorosa. Podem-me pôr a falar de política, de religião, dos processadores dos computadores (assunto sobre a qual eu não sei nada, mas nem me importo de inventar) ou até do sexo dos anjos. Mas da minha vida, não, por favor! E a explicação é bastante simples: primeiro porque não sou pessoa de grande partilhas. Confesso algumas coisas a meia dúzia de pessoas em que confio em grande escala e fica por aí. Por outro lado, por muito que me perguntem, eu nunca sei responder - acredito que achem improvável, mas as questões que vocês próprios se colocam sobre mim, também eu faço.

A pergunta mais flagrante e da qual eu já falei aqui é: "mas porquê que tu, não sendo uma aberração da natureza e até tendo alguma graça, sendo inteligente e outras coisas que tais, nunca tens namorado?". Questão interessante, de facto, mas à qual eu não tenho resposta. Passa-me pela cabeça a palavra "predisposição" e o facto de eu ser uma chata do pior. (Chega?)

21
Mai13

Homens só de longe (ou depende, mas pronto, vocês percebem)

Carolina

Infelizmente, já não sou da época dos meus irmãos - nunca brinquei na rua com os meus amigos, nunca fui para casa somente ao cair da noite, nunca andei livremente pela rua aos 7, 8 anos de idade. Eu sou da época das televisões - da Madeleine McCann, da Natacha Kampusch, das três mulheres presas num sótão em Cleveland... Sou da altura das Mentes Criminosas e do CSI, tudo óptimo para dar ideias para quem precisa delas. E isso, quer queiramos quer não, influencia-nos.

Não que antes não houvesse loucos, sádicos e assassinos - simplesmente não havia a projecção que há agora. E isso deve ter criado um medo inconsciente em mim de que só dou conta em algumas situações. Da mesma forma que tenho fobia de médicos sem ter tido um episódio dramático,  tenho uma desconfiança imensa (em alguns casos mesmo medo) nos homens em geral. Eu sou mesmo menina para não entrar numa loja quando vejo que só há um lojista e este é homem; odeio quando entram homens no elevador quando eu estou lá dentro; e sempre me fez aflição pensar em ter um homem como instrutor. Basicamente, estar sozinha com pessoas do sexo masculino em sítios fechados e preferencialmente pequenos deixa-me tudo menos confortável.

O pior é que, estas duas semanas, a minha instrutora vai de férias. E, lamento, há uma verdade quase indiscutível: as mulheres são umas cabras umas para as outras, más como as cobras... mas entre isso e estar num habitáculo com um homem que não conheço de lado nenhum, prefiro estar com as da minha espécie. A questão é que, à falta dela, não tenho escolha e vou mesmo ter meia dúzia de aulas com um instrutor, o que me tem andado a apoquentar, tenho de admitir. No fim, até devo gostar, mas até lá sofro por antecipação, especialidade aqui da casa.

(E sim, já sei, sou uma pessoa estranha... mas que raio querem que eu faça?!).

06
Mai13

Vive uma ditadura dentro de mim

Carolina

Com um aparelho repressivo em termos e uma censura ainda melhor. A minha polícia, em vez de presos, recolhe sentimentos quase que aleatoriamente e ao mínimo desvio que estes façam do padrão habitual: algum demasiado extremo, vai dentro; outro com demasiada carga emocional, vai dentro; aqueloutro sem importância para o resto do mundo, vai dentro. E se os presos vão para as prisões, os meus sentimentos desviantes vão para algum sítio equivalente, que por ser tão longe e bem escondida nem sei bem onde fica - é uma caixa-forte, uma gaveta fechada, com todo o tipo de coisas boas e más lá dentro.

A ditadora sou eu, pois claro. Muitas vezes faço a coisa tão bem que nem dou conta das consequências que a repressão interior tem para a minha vida, qual bom ditador que, ao longo dos anos, começa a perder as estribeiras e o bom senso sobre aquilo que é certo ou errado. Sou cem por cento dona de mim e isso faz com que queira tomar conta de cada parte do meu corpo da forma que quero, o que nem sempre é bom, mas é o que é.

Mas como os ditadores e os revolucionários andam sempre de braço dado (só de uma forma fictícia, pois claro), há quem queira liberdade. A boca liberdade de expressão, o coração o poder de voto e escolha, os sentimentos a oportunidade de andarem à solta sem medo que alguém os meta numa gaveta fechada. Enfim, resta-me dizer-lhes para estarem calados e quietos, pois assim é que estão bem. Até porque eu não gosto cá de revoluções.

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