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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

21
Mai17

Pensamentos dispersos na charcutaria de um supermercado

Carolina

Eu gosto muito de ir ao supermercado - eu sei que isto é estranho, a maioria das pessoas detesta, mas é coisa para me relaxar; gosto de ver produtos novos, as informações nutricionais e, por isso, não gosto de ir à pressa (até porque nesses dias é quando apanhamos mais filas).

Mas é precisamente de filas que eu quero falar: não são as das caixas que mais me incomodam, mas sim a da charcutaria. Por aqui se vê o quanto os portugueses comem queijos, fiambres, chourições, salpicões e mortadelas - com e sem azeitona - aos molhos. Para além de serem muitas vezes quantidades alucinantes (meio quilo de queijo, por amor de Deus!), parece que muitas vezes têm um gosto particular em levar todo o tipo de produtos existentes nesta secção do supermercado. É que nem precisam de sair daqui para irem com o cesto cheio, carregado com coisas suficientes para fazer francesinhas para um batalhão!

Eu, que já sei que para ir à charcutaria é preciso uma vida, já tenho as minhas técnicas: mal chego ao super vou logo tirar senha e vou deitando um olho, de quando em vez, à tabuleta com os números para não perder a lugar - o que, no fundo, são esperanças infundadas porque eu posso praticamente correr a meia maratona por entre os corredores da loja e, quando acabar, ainda faltam três senhas para me atenderem. Mas enfim, uma pessoa pode sonhar.

Como sou organizada, faço um plano de ataque ao supermercado antes de começar a fazer as compras, de forma a demorar o menos tempo possível e não passar vinte vezes no mesmo corredor - e isto faz com que seja sempre (sempre!) mais rápida nas minhas compras (mesmo que sejam muitas) do que a velocidade com que se despacham senhas na charcutaria. Tudo isto piora quando há clientes que exigem que as máquinas sejam limpas porque antes do fiambre de peru que exigiram estava um de porco que pode ter contaminado a dita máquina com carne vermelha; ou que pedem uma fatia para entreter o filho, enquanto encomendam quase um quilo de queijo para a família inteira.

E sim, eu sei disto tudo porque depois de ter o carro cheio, de ter verificado a lista mais de uma dúzia de vezes e de ter pensado em qualquer coisa que me falte na dispensa ou no frigorífico, não tenho outra hipótese senão ficar pacífica e pacientemente à espera que gritem "quarenta-e-dois!", enquanto olho para uma variedade espantosa de enchidos, queijos e coisas que tais é penso na quantidade infindável deste tipo de coisas que invadem diariamente (ou horariamente?) os estômagos dos portugueses. 

Entretanto já está no 41 (yupiiiiiii!). Vou parar de escrever e esperar que gritem por mim. Obrigada pela companhia.


[escrito no supermercado, à espera de 250 gramas de fiambre]

27
Abr17

Os irmãos não se medem às metades

Carolina

Apesar de eu me achar uma pessoa minimamente interessante, com gostos bastante diversos e com alguma cultura geral, não tenho muita facilidade em falar com os outros num primeiro contacto. Aliás, púnhamos isto em pratos limpos: eu acho que não tenho jeito para lidar com pessoas o que, numa profissão como a minha, pode ser um bocado complicado. Mas normalmente há uma série de tópicos em que eu me sinto extremamente à vontade, que são aqueles que eu ataco quando preciso de encetar uma conversa com alguém ou que preciso de usar quando há um silêncio constrangedor. Falo de viagens, de animais, de fotografia e, acima de tudo, da família. Às vezes pode ser um tópico sensível, mas normalmente é algo que as pessoas falam com alguma tranquilidade.

Eu falo logo dos meus irmãos, porque a nossa diferença de idades é sempre um tópico engraçado, que as pessoas gostam de saber mais e onde acaba por fluir o diálogo. E o fluxo natural da conversa é a outra pessoa contar-me se também tem irmãos. E muitas vezes dizem-me "eu também tenho dois meios irmãos". E eu aí apanho um safanão, acordo para a vida e respondo "ah, pois, os meus irmãos também são meios irmãos...".

Porque a verdade é que eu nunca me lembro disso a não ser que esteja a falar especificamente no assunto ou, como acontece recorrentemente neste tipo de casos, me lembrem que essa coisa dos "meios irmãos" existe. Porque, sinceramente, eu tenho uma teoria: toda a gente que enfatiza que tem "meios irmãos" é porque não os sente realmente como irmãos. Há mesmo quem diferencie os "100% irmãos" e os outros e eu acho isso terrível. Acima de tudo porque não percebo como é que isso é possível. Nenhum dos meus irmãos é "totalmente meu irmão" e eu nunca os senti menos irmãos por não termos ADN's mais semelhantes. 

Eles são, para mim, as melhores prendas da minha vida, os meus segundos pais, a minha inspiração, a minha companhia. Não concordo sempre com eles, às vezes chateio-me, mas acima de tudo, hoje em dia, tenho saudades de os ter sempre por perto e do mimo e do colo que me davam há uns anos atrás. Tenho a sorte de ter uns irmãos incríveis, que são também eles pessoas incríveis - e acredito que, como tudo nesta vida, existem maus irmãos e pessoas não tão boas. Mas a verdade é que isso depende de muita coisa (da educação, do ambiente, da personalidade), mas pouco da carga genética que carregam nas veias.

Da mesma forma que há boas e más pessoas, deve haver bons e maus irmãos - se calhar há irmãos que até podemos querer esquecer (embora eu tenha dificuldade em sequer pensar nisso). Mas esses não contam. Porque a palavra irmão, tal como a palavra "mãe" e "pai", representa muitooo mais do que aquilo que vai no dicionário. Naquelas cinco letras cabe o mundo - mas não cabem metades. Porque os irmãos medem-se por inteiro. 

 

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15
Abr17

"Só faz falta quem cá está"

Carolina

Mentimos todos os dias. Não quer dizer que sejam mentiras grandes ou que seja por mal. Às vezes é simplesmente mais prático. O clássico é a resposta "está tudo bem". A verdade é que quem nos conhece não precisa de perguntar esse tipo de coisas: simplesmente sabe. Quem nos pergunta, no meio da rua, "'tá tudo?" são pessoas que nós já não vemos há uma série de anos, colegas de trabalho com quem só almoçamos na mesma mesa enquanto se esvazia a marmita ou, no geral... o resto das pessoas. E ninguém diz "não, não estou bem": porque não há tempo, porque não há abertura ou proximidade para isso. Eu acho que o "está tudo bem" já quase se tornou numa expressão idiomática, de tanto ser dita e tão pouco verdadeira.

Mas não é a única. Eu adoro expressões, ditados e esse tipo de coisas e todos os valores subliminares que têm por detrás. Ainda há pouco lia um comentário que dizia "deixa lá, só importa quem cá está!" e só consegui pensar que aquilo soava a uma gigante mentira, por um lado com um tom motivacional e por outro com um toque profundamente magoado e chateado. Refleti seriamente nas vezes em que ouvi isto - e aquelas em que eu própria o disse - e percebi que é uma daquelas expressões que só sai quando há uma ferida por sarar. 

Se "só importa quem cá está" não haveria desgostos de amor profundos, não haveria lutos que duram uma vida, não haveria as dores de alma que existem devido a zangas, desencontros e mal entendidos. Nós somos feitos de todos os contactos que fazemos ao longo da vida - porque, como diz um dos meus filmes favoritos de sempre, "our fingertips don't fade from the life we touch". E há pouco, quando li o tal "só importa quem cá está", quase que ouvi uma vozinha irritada a dizer "somos melhores sem eles, não precisamos deles para nada, não fazem cá falta, eles que vão, que continuem as vidinhas miseráveis deles enquanto nós aqui continuamos a sambar na cara das inimigas - magoadas, doídas, doridas, mas sempre em cima, que mostrar que eles fazem falta só por cima do nosso cadáver!".

Mas a verdade é esta: as pessoas fazem-nos falta. E se dizemos que "só importa quem cá está", é porque ainda mais falta fazem. É porque ainda dói, é porque a ferida ainda não sarou. E normalmente só é uma expressão que usamos quando as pessoas saem pelo próprio pé, quando há um "abandono", quando existe um fim causado por alguém - o que, na verdade, ainda pode custar mais do que uma perda involuntária (como a morte).

Acho que já toda a gente esteve nesta situação - em que perdeu alguém de quem gostava mas, para não dar mais importância ao assunto, disse para si mesmo que "só importa quem cá está". Eu já o fiz, tantas e tantas vezes. Aliás, diria que vivo quase sobre essa máxima: há várias pessoas que considerava valiosas e que saíram da minha vida tão rápido como entraram, às vezes sem um acenar de adeus. E dói. Eu, nesse aspeto, sou uma pessoa muito dorida (e pouco disponível para aceitar mais pessoas só pensando na eventualidade delas depois irem embora). Mas o "mais engraçado" no meio disto tudo é que, no caso em específico em que surgiu este comentário, eu faço parte dos que já lá não estão. Estou do outro lado da barricada. Ou seja, pondo-me no meu devido lugar, a interpretação correta e literal é "já não fazes falta". Mas a mim, quem lá está, faz-me falta. Eu tenho saudades. "Saí" por questões práticas da vida, porque o meu dia-a-dia assim o ditou, mas não quer dizer que tenha deixado de gostar das pessoas lá envolvidas.

E ao ler aquilo pensei em todas as vezes que me senti abandonada por pessoas. E em como elas também podem ter razões práticas da vida para terem feito o que fizeram, para terem saído da minha vida conforme saíram. Mas a verdade é, que no fim de contas, as nossas dores são sempre as que doem mais: mesmo relativizando, mesmo quando nos colocamos nos calcanhares alheios. E um adeus é sempre um adeus. E toda a gente sabe como as despedidas são uma valente merda.

30
Mar17

Um balde a transbordar de água

Carolina

Estava a tentar escrever um post sobre a minha vida (como está, porque está e essas coisas do costume) e apercebi-me de que aquilo que saiu é precisamente um espelho do meu estado: escrevi um texto que mais parecia uma mixórdia, com mais de oito mil carateres (traduzindo: três páginas de word), onde falava sobre a mesma coisa sensivelmente trinta vezes e que nunca, mas nunca mais conseguia terminar. Ideias isoladas, pescadinhas-sem-rabo-na-boca, raciocínios pouco lógicos que tentava tornar lógicos quando eram à partida ilógicos. Em resumo: uma tragédia. 

Sabem quando enchem um balde de água tão até cima que ele começa a transbordar? E que ele nunca vai parar de transbordar enquanto a torneira não se desligar? Portanto, das duas uma: ou esvaziam o balde ou desligam a torneira. O ato de esvaziar o balde, para mim, é a escrita; o de desligar a torneira é morrer (e isso, só quando for velhinha). Como não tenho escrito, estou a transbordar por tudo quanto é lado - e desconfio que a pressão é tanta que já estou a fazer furos no balde.

É muito raro eu ter dificuldade em escrever, organizar as ideias para um texto, saber aquilo que devo utilizar e aquilo que devo deitar fora. Mas ali, naquele texto, pus tudo - e ainda faltava tanta coisa! Ando simplesmente cansada, com preguiça de pôr as coisas "no papel" - precisamente por ter tanto para dizer. Há tanta coisa dentro daquele balde que até eu, perita em auto-analisar-me, estou com dificuldades em desembaraçar tudo, analisar e arrumar nos devidos sítios.

Sabem uma coisa? Há dias em que apetece trocar de balde. Dava jeito ter um Continente para este tipo de coisas. [Quero tanto voltar ao normal. Estou tão cansada desta fase de merda que só quero um choque bom para acordar para a vida.]

 

23
Fev17

O rídicúlo dos diretos (ou coisas que não percebo nas redes sociais 1#)

Carolina

Gosto muito do instagram mas não achei grande graça quando quis imitar aquelas funções do snapchat (que, por sua vez, não acho piada) criando o instastories. Mas enfim, como tudo na vida, primeiro estranha-se e depois entranha-se e eu agora até vou fazendo uns vídeos - nomeadamente quando estou entretida a cozinhar - para essa nova função do instagram. O que nunca fiz foi um direto, tanto no instagram como no facebook; não é algo que me parece que vá fazer tão cedo, porque não me apetece falar para o boneco, mas ainda assim é disto que quero falar.

De vez em quando, enquanto estou a passear pelas redes sociais a ver as horas passar e me aparece uma notificação de que alguém que eu sigo está a começar um direto, vou lá espreitar. Normalmente são sempre figuras públicas, não há muita gente anónima a fazer os chamados lives, e acho que quem utiliza mais estas ferramentas é malta mais jovem (e muitas vezes com um target ainda mais jovem), o que também afeta aquilo de que vou falar. Nestes casos, refiro-me por exemplo aos diretos da Maria Vaidora e da SofiaBBeauty - que, para quem não sabem, são duas vloggers de moda, beleza e lifestyle, de quem eu por acaso gosto muito e acompanho nas várias redes sociais.

Mas voltando à vaca fria: eu presumia que, quando se fazia um direto, é porque se tinha algo interessante para dizer ou mostrar; algo que está a acontecer no momento ou que tenha valor por ser transmitido, ali e agora. Mas não. Em primeiro lugar, muitos lives são marcados com antecedência - tudo bem, têm um pressuposto diferente, não é para transmitir nada de especial mas para marcar um "encontro vrtual" com os seus seguidores. Até aqui até é aceitável. O pior são os eventos em si, em que 95% são os protagonistas a mandar beijinhos, dizer "parabéns" a alguém que faz anos daqui a dois dias ou a tentar ver os comentários que pedem para mandar beijinhos mas já estão escondidos pela própria plataforma. Os restantes 5% são divididos entre os momentos iniciais (2%), em que os bloggers/vloggers/famosos tentam perceber se aquilo está de facto a funcionar, e a dizer qualquer coisa de novo, útil ou minimamente interessante (3%).

Ou seja, a questão que se coloca é: para quê que eu vou ver um vídeo onde só ouço coisas como "beijinhos Xana, também gosto muito de ti!", ou "parabéns Rita, um dia muito feliz!" e ainda "a Sónia diz "mil beijinhos!"; também para ti, Sónia!". E eu não culpo propriamente quem faz os diretos por isto: está "escrito" que, neste tipo de coisas, é essencial ter interação com o público, para criar o tão falado "engagement" e fazer com que as pessoas se sintam mais próximas de quem admiram. Por outro lado, eu percebo que seja difícil ter alguma interação minimamente interessante quando só te pedem para mandar beijinhos para as amigas e não te fazem qualquer tipo de questão pertinente - não condeno, por isso, os papéis de pessoas que até acho interessantes e inteligentes (como os dois exemplos que dei acima), só acho que é preciso dar a volta ao texto. 

Há que perceber que esta nova moda é completa e totalmente desprovida de conteúdo e que o feitiço se vira contra o feiticeiro: porque se no início uma pessoa até quer ver, no fim já só quer desligar, por se sentir "beijada" até às pontas do cabelo. No fundo, só lá fica quem está na fila de espera para os beijinhos para a tia, para o namorado e para a melhor amiga. Todos os outros, os não beijoqueiros, já se foram embora há muito.

19
Fev17

O meu jeito de fotografar

Carolina

Há cerca de um ano escrevi aqui um texto - que nunca cheguei a publicar - sobre a forma como gostava de fotografar e os meus problemas enquanto tirava fotos. Tinha acabado o curso de fotografia e aproveitei para, nesse mesmo post, fazer também um balanço de como é que aquilo tinha sido e portanto, como eu não o publiquei, acabou por ficar datado e esquecido nos meus rascunhos.

Lembrei-me dele antes das minhas viagens, quando disse aqui que uma das coisas que mais me chateava em viajar sozinha era não ter quem me fotografasse. Depois fiquei a pensar no assunto e achei que podia ter soado um bocado fútil, como quem diz "olha-me esta, só precisa de alguém para fazer de fotografo ambulante para escarrapachar as fotos no instagram!" - e isso não é de todo verdade. A fotografia é, para mim, uma parte essencial de qualquer viagem - e ao contrário de muita gente, eu depois vejo, revejo, escolho, trato e arquivo as imagens de forma hiper cuidada, para depois passar a vida a ir lá cuscar. Quem me conhece sabe que sou menina para passar a vida a ir ao baú, em busca de recordações, memórias e detalhes. Não diria que vou todos os dias à minha pasta de fotos - mas umas três vezes por semana é mais que possível. Porque para além de gostar de tirar fotos, gosto de as ver e reviver os momentos bons da minha vida. 

É muito mais que um simples capricho de facebook ou de "toma lá que a minha viagem foi melhor que a tua". Gosto de ter fotos nos sítios que gostei e onde fui feliz - e, por isso, essa continua a ser uma das coisas que me chateia em viajar sozinha. Porque, tal como calculei, acabei por tirar muito poucas fotos - as que tirei a mim mesma foram selfies, com o telemóvel, e as outras são paisagens, acabando por morrer um pouco e por não terem uma âncora que nos fixe àquela fotografia (é claro que isto é um ponto de vista pessoal, eu adoro foto de paisagem, mas têm de ser extremamente bem tiradas, o que não é a minha especialidade).

E isto leva-me ao tema do post que tinha escrito há um ano atrás, em que eu falava das dificuldades que tinha ao fotografar. Um dos exemplos que dava - e que se mantém - é que embora goste de fotografar um bocadinho de tudo, tenho um especial gostinho em fotografar pessoas, principalmente se estas me dizem algo. No entanto, gostava também de fotografar algumas pessoas que vejo na rua - e isto já me dava a alma que procuro nas fotos, de que falava acima, e que de certa forma "me" poderia substituir quando eu estivesse sozinha - mas não tenho nem lata para lhes apontar a objetiva à revelia nem coragem para ir ter com elas e pedir para tirar uma foto; é algo que não faz parte de mim, porque sempre tive muita dificuldade em falar com os outros, principalmente quando sinto que os vou "chatear". Por outro lado, mesmo que tivesse a lata de ir falar com as pessoas, tenho a sensação de que, por cá (os portuenses), são sempre um bocadinho impulsivos, com uma certa tendência para a agressividade espontânea, pelo que tenho - para além de vergonha - medo das potenciais reações que possam ter após lhes pedir para tirar uma fotografia. 

Adoro fotos de rua, muitas vezes a preto e branco, de casais num café, um velhinho a ler um livro num banco ou uma criança num escorrega - mas sou incapaz de ser eu a faze-la e disparar nas alturas devidas. De certa forma, sinto-me a invadir a privacidade das pessoas, e eu não consigo ver-me livre desse sentido "moral" que não me deixa tirar fotos livremente. Na altura, quando acabei o curso, isso mexia muito comigo - o facto de me sentir impedida de tirar um tipo de foto que gosto; hoje em dia, que também já não tenho tanto tempo para fotografar, essa questão já me passa um pouco ao lado e acho que se calhar nem tenho assim tanto jeito para a coisa. Limito-me praticamente a fotografar quem gosto, em ocasiões mais ou menos especiais. Acho que também me safaria em tudo o que é foto de ocasião - casamentos, aniversários e essas coisas assim, com pessoas efetivamente predispostas a serem fotografadas. Porque se, por um lado se perde um pouco de magia e autenticidade, por outro há o gosto de conseguir tirar fotos efetivamente boas. Não sei, talvez um dia.

Por agora, guardo a lente para os meus, para as minhas viagens e para mim - quando estou acompanhada. Para o bem e para o mal, é aquilo que tenho.

 

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(David no escorrega, 19.02.17)

18
Fev17

A fórmula da felicidade pode ter dor pelo meio

Carolina

Não acho que tenha sido uma adolescente difícil, com aqueles dramas todos do costume. Simplesmente não fui uma adolescente feliz. Não que não tivesse condições para isso, mas simplesmente não me conseguia ver livre dos meus fantasmas, que tomavam conta de mim de forma permanente. De qualquer das formas, acho que esta é das épocas da vida em que é difícil ser-se feliz, a menos que se seja muito parvo e ninguém tenha uma rédea sobre nós. Eu estava a passar por aquilo, sabia os "sintomas", mas não me identificava com eles: via os meus colegas a passarem por todas as fases a que tinham direito, a fazerem asneiras sem olho em qualquer consequência, e eu abanava a cabeça, num "não" constante.

Foi só mais uma fase em que não me integrei com nada nem ninguém e que embora não andasse enrolada com 3 gajos na mesma semana, a fumar um cigarro na parte de trás da escola e já de olho no dealer de erva ou a mentir aos meus pais, vivia com os meus próprios dramas e cocktail de sentimentos que não sabia gerir. E acho que isso só resultou num isolamento total e numa tristeza que morou em mim até, provavelmente, ao 11º ano - ano em que me senti mais no fundo do poço e já com anti-depressivos na carteira mas onde também decidi tomar as rédeas da minha vida e deixar-me de merdas.

Por outro lado também culpo a genética. Acho que tenho propensão para estar triste, ver o copo meio vazio, estar de olho no lado negro da vida, optar pelo ponto de vista negativo em detrimento do positivo. Esta é a minha forma natural de estar, mas também é aquela em que não quero viver - por isso todos os dias faço o exercício de gostar das coisas, sorrir para as pessoas, fazer listas de coisas boas se assim for necessário, ser simpática e esperar que o universo retribua com positivismo. E quem está a ler isto e não me conhece deve estar a pensar que eu sou o Gustavo Santos em modo feminino, a tentar inspirar o mundo para uma auto-ajuda generalizada, mas não é verdade: primeiro porque não acho que seja exemplo para ninguém e, segundo, acima de tudo, porque o que eu estou a dizer é a mais pura das verdades, no meu caso em particular. A mudança foi radical e sei que no exterior também se notou: sou hoje uma pessoa mais feliz e muito mais fácil de conviver e privar. Porque a verdade é que viver ou estar com alguém que está sempre triste, deprimida e chateada com a vida é um castigo: castigo esse que eu não queria dar nem aos que amo - porque são quem me atura diariamente - nem a mim própria. Eu já não me aguentava, estava farta de mim. E isso era uma bola de neve que ia piorando gradualmente porque não conseguia sair deste ciclo. 

Esta mudança aconteceu porque cresci mas, acima de tudo, porque quis. Ai de quem me tire os louros nisto e os ponha em cima dos anos que passaram por mim. Porque embora eu duvide seriamente que conseguisse voltar ao que era - a não ser que um acontecimento avassalador tomasse conta da minha vida e eu perdesse totalmente o controlo -, não tenho dúvidas que aquela Carolina ainda continua ali. E ela aparece todos os dias e eu não consigo deixar de ser eu. Costumo dizer "deram-me os 5 minutos, mas já passou"; ou então, já antevendo a coisa: "estou prestes a ter os 5 minutos, mas já passa". Esses cinco minutos são de choro compulsivo e música deprimente; são fonte de inspiração para escrita, são dores de alma. Mas são só cinco minutos - e depois pára. Porque eu não sufoco aquilo que sou, mas preciso de ser outra coisa. Estabeleço-me limites para gozar e viver as tristezas, as deprimências, as ânsias e os sofrimentos - podem não ser cinco minutos, podem ser dez, um dia, uma semana. Depende do que for, depende dos quê's da questão, de uma previsão para eu ver a coisa resolvida. Mas tem de terminar ali.

E isto pode parecer estranho e irreal porque, de facto, as dores e os desgostos não têm prazo de validade; só o tempo é que os cura. A questão é que, a menos que sejam autênticos elefantes na sala que não consigamos controlar - que acontecem -, podemos prioriza-las. O truque é deixar de lhes dar prioridade. Primeiro há uma vida para viver, passeios para dar, viagens, trabalho, pessoas - e depois podemos resolver tudo isso. Mas a verdade é que, bem vivida, a vida é demasiado cheia de coisas (boas e más) para termos muito tempo para estarmos ocupados a resolver coisas antigas e a carpir como se não houvesse amanhã.

Às vezes dizem-me, ferverosamente, para parar de racionalizar. Deixar de pensar em hipóteses, de parar de descodificar aquilo que sinto, que os outros sentem. O que essas pessoas não sabem é que o ato de racionalizar, tanto me mata, como me salva diariamente. É como as enzimas dentro do nosso corpo, que partem partículas maiores noutras mais pequenas, de forma a serem digeridas: pode doer à primeira, mas é a única forma de elas serem absorvidas e serem uma parte integrante de nós. E eu preciso de desconstruir tudo, ordenar as ideias, dar-me tempos para arrumar tudo direito e seguir em frente. É assim que consigo ser feliz. (Literalmente) Estranhamente feliz.

06
Fev17

O álcool e a sua micro cultura do demónio

Carolina

Penso muitas vezes em como é engraçado algumas ruas terem quase uma cultura própria. Por exemplo, na minha cidade há uma mini avenida onde se tornou hábito toda a gente estacionar em segunda fila; mal passa um carro pelo meio, mas quase ninguém reclama, porque já faz parte. Aliás, chega ao ponto de muitos já nem estacionarem nos lugares assinalados mas sim em segunda fila, porque sabem que mais cedo ou mais tarde vai ficar entalados por outros iguais a eles. E podia dar este como outros exemplos, porque isto acontece em todo o lado: há hábitos que se criam por repetição e que ficam, mesmo que saiam da norma e toda a gente veja que está errado.
Isto é a prova de que tudo tem uma cultura própria, mesmo as coisas mais insignificantes. E uma das coisas que mais me irrita na cultura portuguesa é a do álcool: porque se tu não bebes álcool, não és adulta. E eu estou a sentir isso tanto na pele, agora que preciso - e tenho - de me integrar em grupos com pessoas mais velhas... quando almoçamos em qualquer lado, o vinho é um habitué. E, para mim...: água, por favor. E a resposta é sempre um olhar julgador, a maior parte das vezes acompanhados por comentários desnecessários - porque, para umas coisas, temos de ter tento na língua, noutras não. Um dos clássicos é a do "ah, ainda és miúda, isso passa-te!".
Desculpem-me, mas fodasse! Porquê que eu estou a ser julgada e muitas vezes menosprezada por não ter um hábito que comprovadamente faz mal, engorda, nos tira capacidades e nos coloca num estado fora do natural? Porquê que não é aceite que uma pessoa "crescida" não queira tocar em álcool, independentemente das suas razões?
E sim, eu tenho-as, mas não sou obrigada a partilha-las com o mundo. Na verdade são muitas, um conjunto de racionais com emocionais, mas as pessoas esquecem-se inclusivamente que o álcool pode ser uma doença, tratada com extremo tabu, e que pode haver traumas e razões associadas que nos levam a tomar certas posições. Há uma série de coisas que nunca se perguntam, que nunca se põem em causa, principalmente em assuntos relacionados com morte, doenças, sexo, sei lá... mas em relação ao álcool, tenho sempre que frisar nos meus primeiros encontros que não bebo. "Mas prefere branco a tinto?"; "uma cervejinha então?"; "e só vai beber mesmo água?!". Lá está, são estas micro-culturas que vivem dentro de nós sem sequer darmos conta.
Porque eu não bebo álcool, independentemente do tipo ou da ocasião. Nunca bebo, não gosto de ver os outros beber - e sim, vinho inclui-se - e ponho praticamente as minhas mãos no fogo em como não vou consumir álcool até ao fim da minha vida. Até porque acho que estou a ir no sentido contrário ao normal: em vez de amenizar a minha posição em relação a este tipo de tópicos, estou a tender a piorar. Por isso, a única coisa que peço é respeito. Porque se até as ruas têm as suas próprias manhas e culturas, nós temos muito mais - e não há que buzinar só por alguém fazer diferente e gostar de estar sempre na total posse das suas capacidades.

23
Jan17

O mundo está contra os rótulos, mas bem devíamos olhar para alguns

Carolina

Se há coisa que eu gosto nesta vida é de ir ao supermercado com todo o tempo do mundo. Hoje em dia andamos sempre acelerados, não temos tempo a perder - e quando o temos, passamo-lo muitas vezes a descansar ou em tarefas que nos deem gozo. Porque se há coisa em que não perdemos tempo é nas idas aos supermercados - estamos sempre com pressa, suspiramos quando vemos o nosso número da charcutaria, vamos indo ao talho para poupar tempo e mesmo assim batemos o pé ao ver o ponteiro dos minutos passar e quando chegamos às caixas analisamos à peça o número de coisas que cada carrinho tem para escolhermos a fila mais rápida. E ainda bufamos enquanto a senhora da frente procura o cartão de crédito no porta-moedas.

Eu não estou a dizer que sou excepção: normalmente também vou ao supermercado num corridinho, não tenho tempo para prospeções, mas a verdade é que gosto quando o tenho. Adoro ver os novos produtos que existem, novas alternativas e, acima de tudo, de olhar para os rótulos. Acho que algumas pessoas me acham maluca porque sempre que pego em alguma coisa vejo logo a tabela nutricional, à procura dos açúcares, hidratos e coisa que tais. E é aqui que está o core deste post: eu acho que é essencial todos nós aprendermos a ler rótulos, porque somos todos sistematicamente enganados por paraverdades presentes nas embalagens. Da mesma forma que nas escolas se dá formação cívica, educação sexual e outras coisas que tais - algumas sem qualquer utilidade prática - acho que isto era algo interessantíssimo e útil para o futuro de cada um de nós.

Não sou de dietas malucas, mas sou um bocado obsessiva com as imperfeições do meu corpo - e como são infinitas, tenho muito com que me entreter. Principalmente ao nível da alimentação, tenho uma relação difícil: eu adoro comer, principalmente coisas que não são particularmente benéficas para a saúde, e acho-me sempre gordíssima. É uma gestão difícil, feita com muito cuidado para não descambar, sobre a qual já falei aqui; passa por fases, mas aquilo que faço é tentar controlar-me nas gordisses, nunca descorando aquilo que me sabe realmente bem. E aquilo que tento fazer é encontrar coisas de que gosto, sempre com a menor qualidade de açúcares (e químicos) possível - daí adorar pegar em todas as novidades do mercado e esmiúça-las.

E juro-vos, sinto-me enganada sempre que decido andar a investigar com mais cuidado os novos produtos. Mais: as coisas estão especialmente desenhadas para enganar pessoas mais ingénuas e desatentas. Pegando, por exemplo, naquela "área viva" do Continente, cheia de produtos aparentemente mais saudáveis - pega-se numa granola superior, rica em fibras e vitaminas de A a Z e nutrientes XPTO, e no entanto tem 30 gramas de açúcar por cada 100g de produto. Isto é mais do que os cereais normais, incluindo alguns daqueles de chocolate de que toda a gente agora foge. Ou, por exemplo, os iogurtes corpos danone, que apelam à aceitação do corpo e são supostamente super saudáveis para nós: um iogurte líquido tem, por exemplo, 8 gramas de açúcar, mais do que um pacote daqueles que pomos no café. E um iogurte grego? 14g - dois pacotes de açúcar. 

Isto tudo para dizer que acho mesmo, mesmo importante olhar-se para os rótulos e percebermos que somos constantemente imbuídos em mentiras nada piedosas. Não é por dietas, é só mesmo para ter consciência daquilo que comemos. E, meus amigos, acreditem: eu adoro açúcar e tudo o que é bom. Mas tenho a consciência do que ingiro - e, pior que isso, a noção de que tudo o que comemos está cheio de adoçantes e que, de tão habituados que estamos a isto, difícil é encontrar (e gostar) de algo que não tenha a "droga do século XXI".

16
Jan17

Sobre a complexidade de construir uma história ou uma simplicidade escondida

Carolina

Não é segredo para ninguém que o meu grande sonho é escrever livros. E quando eu digo "escrever livros" não me refiro a compilações de textos soltos, crónicas e coisas desse género - porque aí já podia ter uns cinco! -, mas sim a ficção. Quero um dia, mais do que partilhar os meus sentimentos, ideias e peripécias, conseguir criar uma história de raiz e fazer com que os leitores se embrenhem nela.

Até hoje tal nunca aconteceu. Sei que há muita gente da minha idade que já tem imensa coisa escrita, mas não é o meu caso - e sinceramente é algo que me apoquenta, porque nunca vi em mim a capacidade de construir histórias. Há imensas pessoas que, desde pequenas, inventam personagens, sítios e enredos, mas eu nunca fui assim; adoro perder-me em mundos criados pelos outros, mas não tenho grande capacidade de criar os meus, e temo que isso me impeça de escrever (bem) uma narrativa. No entanto, tenho esperança que a experiência de vida me dê novas ideias, perspetivas e aprendizagens nesse sentido. Ainda assim, tento ler sempre muito sobre o assunto, tanto por parte de quem sabe como de escritores, que são os melhores mentores possíveis.

E uma das coisas que mais me fascina no processo de criação é a construção das personagens e as suas ligações. Acho que um escritor tem de ter uma mente muito vasta para imaginar toda uma árvore em que tudo se liga para um determinado fim, tendo de ser realista e humano enquanto descreve todos aqueles acontecimentos. No entanto sempre me questionei até que ponto é que a profundidade dessas ligações é de facto criada pelos escritores ou se são os leitores, às vezes de forma obsessiva (eu, Carolina, me confesso) que as criam. Para além disso, acho sinceramente que são feitas leituras excessivas de todas e quaisquer frases que são escritas - um "sim" pode querer somente dizer "sim" e não trinta coisas diferentes; acho que às vezes os leitores têm tendência a dar mais significado às coisas do que as próprias pessoas que as escrevem.

Eu explico: peguemos no caso de J. K. Rowling, com os livros do Harry Potter. Há uns meses largos, quando tive a ideia de criar este post (sim, são estes os meus tempos de atraso...), cruzei-me com um post repleto de factos interessantes sobre o HP. Vejamos: "O último livro da saga decorre no ano em que o 1º livro é publicado, e muitos indicam que a frase “I open at the close” tem, realmente, um duplo significado." Outro exemplo: "Se alterarmos a ordem das letras do nome Remus Lupin, podemos escrever “primus lune” que se pode traduzir como “primeira lua”". Eu adoro a J. K., acho-a um génio, mas questiono-me muitas vezes: será que ela pensou, de facto, em tudo isto?! Todos os "potterheads" podem corroborar comigo: há teorias sobre tudo o que envolve o Harry Potter, desde os nomes das personagens, passando pelas suas famílias, feitiços e etc. Mas eu acho humanamente impossível que alguém tenha uma história tão bem construída, que tudo tenha uma razão por detrás, um significado subliminar. Penso, sim, que tal acaba por ser fruto de um trabalho posterior, tentando responder às milhentas perguntas de inúmeros leitores famintos que querem saber de coisas que nem tinham ocorrido ao escritor enquanto escrevia.

Há dias li uma notícia que contava que a autora de um poema que apareceu num manual escolar tinha reclamado devido ao facto de nem ela - que era a autora! - conseguir responder a uma pergunta que era feita sobre o seu texto. Acho que, muitas vezes, temos a tendência de esmiuçar tanto os textos, as frases e as palavras que complicamos tudo e esquecemo-nos de que, como na vida, há coisas que são como são, tão simplesmente. Lembro-me de pensar muito nisto quando dei Camões, altura em que me senti uma completa analfabeta - [supostamente] percebia tudo ao contrário, as minhas interpretações eram completamente díspares daquelas que eram propostas pelos autores e professores. E eu, nessa altura, anuía simplesmente e concordava, mas a verdade é que Camões já não está cá para dizer porquê - e sobre quê - que escreveu determinado soneto, pelo que não há prova dos nove possível para tirar as teimas.

Já foi o tempo em que escrevia textos que só eu entendia - diria que agora 90% daquilo que escrevo é claro como a água, sem mensagens subliminares. Mas a verdade é que se me mostrarem um dos textos que cabem nesses 10% que restam, eu provavelmente já não me vou recordar dessa corrente de "porquês/ para quês/ para quem's" que está por detrás daquilo. As coisas que escrevemos no momento fazem sentido naquele contexto, com aquele sentimento - e depois, como tudo o que é visto a longa distância, vão perdendo o sentido e eventualmente o valor. E a verdade é que nunca são perfeitos, porque são genuínos - porque pouco do que sentimos é racional e extremamente pensado. Por isso contem comigo para desconfiar sempre daquelas pessoas que têm narrativas construídas ao milímetro, com personagens desenhadas até ao âmago, com histórias de vida desde o primeiro minuto de idade - porque a verdade é que, na realidade, nós somos um esboço em constante criação, as coisas mudam e nada é perfeito. E se um livro se quer realista... tem de haver imperfeição, incoerência e irracionalidade à mistura - porque na vida também não há explicações para tudo.

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