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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

19
Fev18

O parafutebol (ou como o Bruno de Carvalho contribui para a degradação do futebol português)

Carolina

Tinha os meus nove anos e era louquinha pelo FCPorto. Nem digo por "futebol", porque eu estava-me pouco borrifando para os outros clubes. Eu era do Porto. Ponto. Via os jogos, punha o cachecol com o símbolo ao peito e fazia de tudo para ir ao estádio. Era - e sou - orgulhosamente sócia, mas também era miúda e fazia coisas que eram de miúdos. Detestava Lisboa, dizia mal do Benfica a todo e qualquer benfiquista que se aproximasse mais de dois metros de mim e gozava pelos campeonatos que, na altura, eles perdiam consecutivamente.

E depois cresci. Fui ficando com menos tempo para ver futebol e portanto aquela febre clubística que eu tinha foi desaparecendo. Isto coincidiu também com uma fase menos boa do FCPorto e, tudo junto, fez com que tivesse mais juízo, racionalidade e imparcialidade no que ao futebol diz respeito. Mas também fui ficando mais crescida e percebi que aquilo que eu fazia era típico de uma idade e que estava na altura de deixar isso para trás. Deixei de irritar os outros - e até de demonstrar grandes clubismos em público, a menos que esteja num local próprio para isso. Por um lado porque deixou de me dar prazer, por outro porque percebi que um dia são eles, no outro sou eu, e aquilo que eu um dia digo pode cair-me em cima no outro a seguir (estás a ler isto, Sousa Tavares?). E com isto tiro também a capacidade dos outros me irritarem - algo que acontecia sempre que diziam mal do meu Portinho - pelo menos quando falamos de atitudes dentro do limite do razoável. 

Continuo a adorar de paixão o meu clube. Agora que sou maior de idade já posso ir ao estádio sem um pendura e estou numa fase em que acabo por falar bastante de futebol, por só trabalhar com homens um tanto ao quanto fanáticos. O Porto está a recuperar e por isso eu tinha tudo para revitalizar esta minha alma de dragão - já sem os histerismos de antigamente - mas agora há toda uma outra razão para não me entusiasmar. Não se trata do futebol em si - é, aliás, tudo o que se passa à volta dele. Hoje em dia o futebol é muito mais aquilo que se joga fora de campo do que dentro dele.

São os comentadores de bancada que ocupam todas as noites os canais informativos, com ataques pessoais e comentando os ataques dos outros, e cada vez menos os lances, os jogos e os jogadores; são os próprios clubes que enchem as redes sociais de queixumes e porcaria; são os diretores de comunicação que se põem a mandar postas de pescadas e revelações, qual wikileaks; é arguidos para um lado, suspeitos por outro. É tudo um nojo. Ah! E depois temos o Bruno de Carvalho, que cai em toda uma outra categoria ("asco", talvez?).

Não sou fã do senhor, mas penso que isso é uma coisa natural. O que não me parece natural é quem gosta dele - e, caros sportinguistas, escusam de me dizer que ele fez muito pelo clube, que vestiu a camisola e que é um leão às direitas. De direita, só parece ter o ar ditatorial com que diz que os sócios devem deixar de ver televisão e comprar jornais, e que "todos, mas todos os comentadores afetos ao Sporting" devem abandonar de imediato os programas. Todos temos a nossa vertente pessoal e profissional. Ele pode ser um óptimo presidente (até custa a escrever...) mas uma pessoa que afirma que ajudou um treinador a ser despedido de outro clube - e o faz com orgulho, a alto e bom som -, para mim, é lixo. E depois, se ouvirmos tudo o que ele diz e comenta sobre todos os assuntos em geral - e já tendo em conta o pedido de boicote aos media - só lhe resta mesmo algum estatuto abaixo de lixo.

Eu acho que não estou a ofender ninguém com este texto. Qualquer sportinguista com o mínimo de imparcialidade e racionalidade percebe tudo isto. O pior são mesmo os outros. Mais preocupante do que ter uma pessoa destas a falar nos media, é ter quem os ouça. E quando eu ouvi os urros e as palmas vindas da plateia de cada vez que Bruno de Carvalho dizia uma das suas baboseiras, um bocadinho da minha esperança na humanidade ia pelo cano. E muito mais se foi quando percebi que, depois do apelo do Sr. Presidente, os adeptos não têm mais nada senão tentar bater em jornalistas. É de arrepiar, não só pelo ato em si, mas por percebermos que pessoas deste calibre têm tanto impacto em pessoas "normais". Se passarmos isto a outra escala, percebemos como é que o Holocausto existiu, percebemos a existência de um Hitler, percebemos aquelas paradas, aquelas lágrimas, aquele patriotismo. Percebemos que as pessoas ficam cegas, surdas e burras quando há algo "maior" que as controla. E isso é puramente assustador. E é este capítulo sujo e paralelo do futebol (chamei-lhe "parafutebol", estou numa de neologismos) que me faz afastar cada vez mais deste desporto.

Não importam os 5-0, as chicotadas psicológicas ou as "tacitas" mais pequenas. Passou a ser um desporto de guerrilha. Mais vale, um dia destes, irmos buscar as espadas. Depois é só esperar até ver jorrar o sangue. Afinal de contas, desde os tempos medievais que é disso que o povo gosta.

18
Fev18

Sobre os recomeços (ainda que este não seja um)

Carolina

Mais de uma semana sem publicar. Auch. Que rico pontapé no meu ego esperançoso e no meu lema “quanto mais treinares, melhor escreverás”. Estou a passar uma daquelas fases em que parece que tudo está a acontecer ao mesmo tempo. Aniversários aos fins-de-semana, recitais de piano, tentativa de uma maratona pré-filmes-dos-óscares, entusiasmo máximo (dentro do possível) em relação ao ginásio, almoço num lado, workshop à tarde noutro sítio, aulas de piano, fazer bolos para as festas de aniversário, miúdos de férias aqui em casa. Wow. Isto tudo junto com "aquela semana do mês". E não, não é o que estão a pensar: falo no fecho de mais uma edição do jornal. 

O início de cada mês passou a ser uma altura em que quase me retiro do mundo dos comuns mortais e só me consigo dedicar ao trabalho. Vou poupar-vos os detalhes daquilo que é o processo exaustivo de fechar um jornal, mas deixem-me só dizer que é um processo moroso, trabalhoso e muito contraindicado para os nossos olhos - e eu trato de um mensal, pudera se fosse semanal. Ou diário (credo!). Dezembro foi o primeiro mês em que fiz isto - que coincidiu com o meu projeto natalício e tudo aquilo que envolve esta época - e agora senti que tudo voltou a coincidir no mesmo período temporal. Senti o mundo em cima de mim. A pressão do trabalho em cima de mim. A pressão dos outros em cima de mim. E a pior: a pressão que eu faço sobre mim mesma.

Enfim: o jornal já está impresso. Sobrevivi. Mas daqui a três semanas tenho de ter outro nas mãos, o que resume os poucos dias de "descanso" que terei até lá e todos os alertas que continuam "on" nesta cabeça, a piscar intermitentemente. Quero tantas coisas para mim, quero fazer tanto, tenho tantos objetivos (e quando não os tenho, crio-os) que a tendência, após tempos de mais stress, é cair num pico negativo e emotivo que depois demora algum tempo a sarar (porque não consigo fazer as coisas, porque estou cansada, porque os resultados finais não estão como eu quero ou não aparecem...). Se não escrevi durante uma semana por não ter tido tempo, também não escrevi nos dias seguintes porque não queria vir para aqui destilar as minhas frustrações, que estes dois dias de sol ajudaram a sanar.

Entretanto já recheei a minha lista de tópicos para escrever e, haja tempo e vontade, o blog não terá falta de temas num futuro próximo. Mas isto, por si só, leva-me a um outro assunto: os recomeços. Neste caso, aqui no blog, não se trata de um: esta foi uma paragem rara num blog que, desde há quase sete anos, tem uma média de posts dia-sim-dia-não. Mas se há coisa que me tira do sério são pessoas que estão em eternos recomeços, que não aceitam um fracasso (ou, se não quisermos chamar-lhe assim, talvez um projeto mal conseguido ou uma ideia que não conseguem levar avante, independentemente das razões para tal). Blogs (e vlogs) que têm posts de quatro em quatro meses - mas que dizem querer publicar de quatro em quatro dias -, que passam a vida no "agora é que é!", que mudam de look quase como uma forma de auto-incentivo, que fazem dois posts seguidos e que depois deixam os leitores à espera durante meses. É irritante, principalmente quando temos a noção de que já não escrevemos só para nós - que estamos a "produzir conteúdo" (esta expressão agora está em voga, não está?) também para os outros. Faz-me lembrar o meu eterno dilema com os diários - eu achava sempre que ia escrever lá todos os dias, mas na terceira página já adiava a escrita à ad eternum. Até que aceitei que não fui feita para escrever em diários e me deixei disso.

Essa é só mais uma das razões pela qual gosto de escrever diariamente ou, pelo menos, com uma certa rotina. Não tenho um público suficientemente grande nem exigente ao ponto de vir para aqui saber se eu estou viva, exigir posts ou dizer que está com saudades - mas tal como eu gosto de ir a um restaurante, que sei que está aberto de segunda a sábado, e encontrar as portas abertas, também gosto de ir a um blog e saber que tenho lá algo de novo para ler. É quase um compromisso silencioso, que ninguém assinou ou fechou com um aperto de mãos, e que todos sentimos que está lá. Ninguém gosta de dar com o nariz na porta.

06
Fev18

Um post um tanto ao quanto adulto no Delito de Opinião

Carolina

Comecei a escrever diariamente em 2009, em blogs que hoje em dia já não andam por aí e cujos textos só moram na cabeça de alguns. Acho que ainda sou uma miúda, mas na altura era MESMO miúda - não tinha sequer feito o 9º ano. Não fazia ideia que a escrita ia ser uma parte essencial da minha vida e do que estava para vir; e muito menos esperava que fosse isso a mudar o rumo da minha formação e vida profissional (uma vez que tinha ideias muito fixas relativamente aquilo que queria fazer no futuro).

Lembro-me de ir ver os rankings dos blogs mais visitados do país - numa altura em que o "meu" Twilight Portugal estava nos lugares cimeiros, ao lado d'"A Pipoca Mais Doce" e outros blogs de futebol, se a memória não me falha - e de estar lá o nome do Delito de Opinião. Eu era miúda, não lia esse tipo de blogs. O Delito era (e é) um blog adulto. Tem opiniões de quem já teve uns anos para pensar sobre muitos assuntos e sabe apresentar argumentos de acordo com aquilo que acha, já para não falar do traquejo e da experiência de escrita que a maioria dos autores tem no lombo. Fala sobre política, livros, filmes e coisas do dia a dia - mas, pá, de forma adulta. Com algumas palavras difíceis, com uma aura de quem sabe o que diz - mesmo que não concordemos com o que está lá escrito.

Leio pontualmente alguns posts deste espaço que, para mim, é uma das bandeiras do Sapo - em grande parte por se ter aguentado durante todos estes anos, pela frequência de posts e diversidade - e foi mesmo com enorme espanto que, aqui há dias, recebi um convite para escrever lá um texto. Disse logo que sim, mas depois vi-me grega para saber o que escrever. "O quê que eu vou escrever no Delito? O quê que se escreve para pessoas adultas? O quê que se diz num blog sério?". Pensei durante uns dias e decidi dissertar sobre um tema que, mais tarde ou mais cedo, iria discutir aqui: a série Casa do Cais. Mete youtubers, dinheiro público, adolescentes e comportamentos fora do padrão/cada vez mais no padrão: um mix perfeito para uma boa troca de ideias e para um post completo. Sério. Adulto, talvez.

 

"Foi com enorme surpresa que, aqui há uns tempos, vi um anúncio na RTP a uma série que claramente pretendia chamar a atenção de um público mais jovem: chamava-se Casa do Cais e tinha como “actores” vários youtubers portugueses, com um guião inspirado na história real acerca da vinda de um desses youtubers para Lisboa, após ter saído da sua terra natal, o Entroncamento (detalhe que só vim a descobrir mais tarde)."

 

Hoje convido-vos, por isso, a ler o meu post do costume, mas num estaminé diferente. Hoje escrevi no Delito. Caraças, hoje percebi que cresci. Talvez esteja a ficar adulta como os outros.

 

Casa do Cais: retrato real ou forçado de uma geração?

(clicar para ler)

02
Fev18

Follow Friday 7#

Carolina

Mar de Maio

 

Foi graças a um comentário da Inês aqui no blog que eu cheguei ao seu espaço. Tive curiosidade, cliquei no seu nome e fui parar ao Mar de Maio. E gostei logo. Fez-me lembrar os meus primeiros tempos na blogosfera, em que cada espaço era uma partilha feita de forma despretenciosa, sem interesses ou fins, com um estilo próprio (que cada um pode ou não gostar). 

Só ainda não li o Mar de Maio de uma ponta à outra porque não tive tempo. Não é um blog diário, com conteúdos despejados, pois parece-me ser tudo muito pensado quase ao pormenor. Tem um mix difícil de encontrar: por um lado tem muito de intelectual, de alguém que de facto vê e pensa naquilo que a rodeia (e o quão raro é isso hoje em dia!), mas por outro lado é uma leitura leve, que se lê de fio a pavio. 

A racionalização de temas simples (como uma frase que viu algures ou uma música) e a partilha daquilo que gosta (livros, principalmente) são as coisas que mais me atraem no blog da Inês. Para além disso, a escrita é concisa e simples; e a estética, embora siga uma linha simples, está muito bem consiguida, sempre pintalgada com imagens bonitas e inspiradoras. Só peca por não postar mais frequentemente e nos brindar com mais textos da sua autoria :)

Vale a pena passar no Mar de Maio. Aliás, vale sempre a pena passar pelo mar... em qualquer mês do ano. 

20
Jan18

Quatro coisas que me fazem fugir de blogs alheios

Carolina

Eu não tenho grande tempo para ler blogs – mas a verdade é que também já não tenho interesse em ler muitos. Mas às vezes sinto falta. Naqueles minutinhos preciosos que por vezes temos no sofá ou antes de nos levantarmos da cama, gostava de ver outras coisas para além do meu feed de instagram ou facebook e os blogs sempre foram uma boa alternativa nestes casos. Aliás, até há um ano para cá, o feedly (uma ferramenta que reúne todos os blogs que eu gosto) fazia parte do meu top 3 de aplicações diárias, ao lado das duas redes sociais que falei acima. Mas o meu desinteresse nos blogs intensificou-se de tal forma que agora, se passar lá uma vez por semana, já temos sorte.

E isto não se trata só de tempo: eu podia sacrificar perfeitamente os (demasiados) minutos que passo no facebook a ler coisas com muito mais valor acrescentado. Mas a mim chateia-me a forma como agora tudo é feito e escrito para vender, como nada me soa a genuíno, como as pessoas só criam os blogs para serem ricas, terem a caixa de correio cheia ou só para imitar os outros.

Mas a verdade é que estou de alma aberta para acolher novos blogs, apetece-me ler coisas novas. E ontem, nos momentos que pude, deitei o olho aos espaços destacados no follow friday dos Blogs do Sapo, só para ver se algo me chamava à atenção. E comecei a pensar naquilo que queria encontrar ou naquilo que me faz dar meia volta, clicar no retroceder e sair de um blog tão rápido quanto entrei. Então aqui vai disto - as quatro coisas que me fazem fugir de blogs alheios:

 

Música automática. Eu não tenho nada contra aquelas pessoas que põem na barra lateral a sua playlist pessoal do spotify para quem quiser ouvir. Sou sincera: nunca ouço (e acho que ninguém ouve, mas se calhar estou enganada). Nesses casos, cada um é livre de clicar no play, em explorar as músicas e etc., podendo ler, se assim quiser, a ouvir os grilos a cantar lá fora. Mas aqueles sistemas automáticos, em que passados três segundos de uma pessoa entrar no site já estão a bombar música como se não houvesse amanhã, são coisinha para me tirar do sério e fazer clicar na cruzinha do lado direito do ecrã de forma instintiva. Gostar de um blog, gostar da escrita de uma pessoa ou gostar de alguém que escreve por detrás de um destes espaços não é sinónimo de que gostemos do mesmo tipo de música. Por isso, por favor, não nos obriguem a levar com as vossas músicas preferidas (recordam-se que, provavelmente, não são as nossas).

 

Design ruidoso. Fundos cor-de-rosa choque ou azul eletrizante, padrões minuciosamente florais ou cheios, letras cuja cor não faz contraste com o fundo... tudo o que faça com que o conteúdo do blog seja menosprezado relativamente ao design, para mim, é um não garantido. Até porque me custa “conviver” naquele ambiente, não consigo lidar com tudo o que está a acontecer, é impossível concentrar-me na leitura quando tudo à minha volta pisca, brilha ou chama mais à atenção que os textos em si. Ah! E não me esqueci daquelas borboletas/ flocos de neve/ fantasminhas que às vezes andam atrás do cursor, qual perseguição. Isso é só a pior invenção de todos os tempos, não se metam nisso.

 

Erros de ortografia e de concordância sistemáticos. Eu dou erros, toda a gente dá erros. Quanto mais não seja por culpa dos corretores automáticos, que teimam em não nos deixar escrever as palavras que realmente queremos. Quando releio muitos dos meus textos deteto gralhas aqui e ali (que na altura, por muito que tente, acabo por não encontrar), por isso sou longe de ser perfeita nesse sentido. Mas normalmente são coisas ligeiras: repetições de palavras, trocas de umas letras por outras graças a escrever demasiado rápido ou erros de concordância em frases com 12 orações diferentes que eu sou incapaz de decompor. Outra coisa completamente diferente é trocarem os “há” com os “à”, o coser à mão com o cozer de cozinhar ou de entrarem em estilos de português livre com palavras como “entuição” ou “caxecol”. Há erros e erros. Alguns uma pessoa percebe, outros deixa passar, e depois há aqueles que uma pessoa não consegue tolerar e sai porta fora. E porque tudo o que é demais é erro, todos eles, quando são em demasia, também dão direito a cartão vermelho.

 

Comic-sans. Eu não sei quando é que apanhei este ódio de estimação ao Comic-sans, mas foi uma coisa que aconteceu naturalmente. Quando eu era miúda era a minha fonte favorita – tal como era a fonte de todas as raparigas de 12 anos. Lembro-me perfeitamente de ter este tipo de letra no messenger, em laranja, e adorar. Mas entretanto o comic-sans passou de bestial a besta para o mundo inteiro, e eu não fui excepção. Lembro-me de ter professores de informática e de design que diziam, aquando da entrega dos trabalhos: “o tipo de letra é indiferente. Com excepção de comic-sans! Nem pensem em usar isso!”. E o bichinho ficou. Hoje em dia detesto aquele arrendondado-fofinho do comic-sans e tendo a arrepiar caminho quando vejo um blog com este estilo de fonte nos seus textos. É um preconceito, eu sei – nem toda a gente tem de ter a mesma opinião que eu, nem toda a gente tem o mesmo percurso que eu tive com este tipo de letra e nem toda a gente liga sequer à fonte que usa nos seus textos. Mas a mim lembra-me aquela miúda de 12 anos, que escrevia mal e com erros, e por isso a minha tendência natural é fugir.

12
Jan18

Saí do Sá da Bandeira a cantar “sou uma merda” e não me importei (ou como adorei a "Abenida" Q)

Carolina

Não é com orgulho que confesso que nunca tinha ao Teatro Sá da Bandeira. Mais: é mesmo com vergonha que vos digo que nunca tinha ao teatro sem ser numa visita de estudo. Isto quer dizer que para aí desde 1976 que não via um palco (pronto, está bem, estou a ser exagerada)... ou, pelo menos, há uns seis anos que não via uma peça. Sendo que nunca tinha visto algo “a sério”, feita para um público graúdo e não para miúdos que gostam mais da viagem de autocarro da visita de estudo do que propriamente da parte cultural da coisa. A parte boa no meio disto tudo é que comecei com o pé direito.

Eu estava com a Avenida Q debaixo de olho há meses, desde que a peça estreou em Lisboa. Acho que foi a primeira vez na minha vida que quis mesmo muito que um espetáculo destes viesse para o Porto e, mal soube que já havia bilhetes à venda, comprei logo para a data de estreia - se eu já tinha esperado meses a fio, vendo tantas vezes os ensaios e os aquecimentos nos instastories do Rui Maria Pego, a ler críticas do outro mundo e a ouvir promos da peça em Lisboa, não ia esperar nem mais um dia do que o necessário para a ver aqui.

Em resumo (muito resumido) basta dizer que adorei. Eu sempre gostei de musicais (o Mamma Mia tem um lugar especial no meu coração), mas este aqui tem ainda a particularidade de estar ajustado à cultura e realidade do nosso país, tocando em pontos que com um espetáculo generalista nunca seria possível. Mais: até por ser no Porto o espetáculo passou a chamar-se, pertinentemente, "Abenida Q" - o que combina na perfeição com o sotaque da Paula Porca, uma das melhores personagens da peça.

Achei tudo, tudo, tudo bem feito e bem pensado. Desde as personagens até quem lhes dá voz, passando pelos bonecos até às músicas. O meu aplauso sentido a quem fez a adaptação da peça original para a versão portuguesa, porque o fez de forma genial - às vezes pensamos que é mais complicado e trabalhoso criar coisas de raiz, mas adaptar algo que outros fizeram e torna-lo igualmente genial é por vezes uma tarefa mais difícil que a primeira. Adorei o facto de existirem as marionetas (se é que aquilo se chamam marionetas) mas os atores nunca estarem escondidos, fundindo-se na perfeição com os bonecos que interpretam, não causando qualquer tipo de ruído. Adorei os vozeirões que saíam de cada uma daquelas bocas, por vezes de forma surpreendente. Adorei as músicas e as letras - mesmo aquelas mais porquitas, porque as achei pertinentes e muito bem apanhadas. E adorei ver atores que tanto gosto e que remontam à minha infância: o Rodrigo Saraiva, eterno Rafa dos Morangos com Açúcar; o Manuel Moreira, o meu Pedro preferido na Uma Aventura; o Diogo Valsassina, que será sempre o "Tojó" dos Morangos. E mais recentemente o Rui Maria Pêgo, que para mim é uma das personagens jovens mais interessantes do panorama nacional, que me fez trocar a Comercial pela MegaHits e me fez pensar "eu gostava de ter este gajo como amigo".

Fiquei admirada por ver tanta gente "mais velha" na plateia, quando o espétaculo se apresenta com uma imagem tão jovem e um elenco com pessoas que (tal como a mim) dizem algo ao pessoal da minha geração. Até porque, para mim, a peça tem duas grandes vertentes: a inclusão da diferença e a perseguição do sonho - que é algo com que as pessoas mais novas se deviam rever (ou acho eu...). E isto, se fosse uma tese, era de certeza uma seca pegada. Mas aqui não é, porque é tudo apresentado de uma forma tão divertida e descomplexada que não há forma de se tornar entediante. Aliás, quem diz que esses são os dois temas-chave da peça sou eu, já depois de pensar sobre o assunto: porque, no fundo, aquelas duas horas no Sá da Bandeira foram de relaxamento e diversão, não houve tempo para meditações. 

Penso que no fundo aquilo é uma sátira da nova geração: achamos que somos todos muito abertos, que temos liberdade para tudo, mas no fundo continuamos a não respeitar a diferença. Por outro lado, impingem-nos a ideia de que as nossas vidas têm de ser guiadas por um sonho, quando na verdade podemos apenas ir vivendo - ora porque não temos sonhos (nem precisamos), ora porque temos mas não os conseguimos concretizar e ficamos frustrados, ora porque já o tivemos, eles já passaram e não sabemos o que fazer à vida. Pelo meio há de tudo um pouco: piadas geniais, partes com linguagem puxada mas nunca chocante (pelos menos para mim, que achei sempre um piadão aos termos bem empregues e à forma como tudo era cantado) e picos altos e baixos de emoção - porque apesar de esta ser uma comédia no seu fundo, tem partes que satirizam acontecimentos mas que não têm necessariamente piada - sempre com músicas que bem-dispõem e que nos fazem querer voltar.

Eu, pelo menos, era menina para ir ver outra vez. Se estiverem no Porto, não deixem de aproveitar. A peça estará em cena até 25 de Fevereiro, de quinta a domingo. Talvez nos encontremos por lá.

 

 

08
Jan18

Os vestidos dos Golden Globes (ou um exercício de má língua)

Carolina

Confesso: este ano eu não ia fazer este post. Já não sei se as pessoas gostam, se ainda acham piada, se já passou de moda... e eu, por outro lado, estou cansada e, pensava eu, desinspirada demais para isto. Amanhã trabalho, nem sequer vou ver a gala em direto e achei que já estava velha para estas andanças. Mas estava a escrever textos aqui para o blog quando me começaram a aparecer imagens no feed com os primeiros looks e acabei por ir escrevendo aquilo que me passava pela cabeça. Cheguei a um ponto em que pensei: "vou deixar estes comentários morrer aqui?". E pronto, cá estão eles.

Disclaimer: Para quem é novo por aqui, deixem-me fazer um alerta: se quiserem ver isso desta perspetiva, isto é um alter-ego da minha pessoa. Duas vezes por ano dou-me ao luxo de ser desagradável, gozona, sarcástica e irónica. Não sou assim todos os dias, não sou assim na vida real. É só uma graça que tenho por costume fazer, que as pessoas gostam de ler e que se tornou num exercício anual de má língua. Não levem nada demasiado a peito.

 

P.S. Para quem não sabe, todas (ou quase todas) as estrelas foram de preto, num protesto contra a discriminação e o assédio sexual nos meios de trabalho (e tudo o resto, diria eu). Daí a falta de cor nesta passadeira.

 

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“Cansei de ser gira. Cansei de ser magra. Cansei de ser alta. Cansei destes braços tonificados. Vou usar um vestido que me disfarce isto tudo”, disse a estrela do Outlander, Caitriona Balfe. E conseguiu.

 

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Não, Heidi. O Cisne Negro já estreou há sete anos, foste buscar o vestido errado.

 

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Episódio de terror para qualquer estrela de Hollywood: está no carro à espera para chegar à passadeira, anda a passear pelo instagram e vê que outra pessoa tem um vestido igual ao dela (a Heidi, malvada!). Ativa o plano de emergência: busca os restos do pano usado no vestido e, com uns colchetes, prega-o à cauda, qual vestido de noiva. E voilà. (Fora de brincadeiras… é um Giambattista Valli, tenhamos respeito! Entre este e o da Heidi, a Heidi bem que pode voltar para os campos verdejantes da Alemanha)

 

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Kelly, querida, a gala deste ano é em protesto contra o assédio sexual em Hollywood, não era uma homenagem a todas as pessoas que usam próteses de ouro nos membros superiores.

 

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Não fui ver ao Wikipedia mas, pela cara, a Catherine Zeta-Jones deve estar já com uns 423 anos. Não vou avaliar o vestido: com esta idade, já não se tem discernimento para avaliar o feio e o bonito. De qualquer das formas, o corpinho é nota 20. (Se com 1/5 da idade dela eu estivesse assim… upa upa!)

 

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Sarah Jessica Parker a reciclar um qualquer vestido piroso de Sex and the City, colocando alguns adereços medonhos de um filme do Tim Burton. O princípio é bom, mas não resultou.

 

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Estou solidária com a Alicia: tal como eu, a rapariga está com problemas de fígado e foi um bocadinho enjoadita para os Globos. Ou então está grávida, o que também explica o ar conservador e o cabelo à freira. Depois da festa veste uma jaqueta para esconder as costas mais arrojadas e vai à igreja ali ao lado confessar os pecados que anda a cometer com o Fassbender. (PS1: apesar de tudo, eu gosto do vestido). (PS2: eu também pecava pelo Fassbender).

 

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A ideia é gira… mas naquele passado longínquo em que as estrelas usavam roupas com cor na passadeira, já a Emma Watson vestiu uma coisa parecida. Ainda assim, it’s a win for me. (Alison Brie)

 

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Tal como aconteceu com a Kendal Jenner, também Christina Hendrick se viu num percalço de última hora relativamente ao vestido da Alison Brie e oupa, vai pôr a parte de cima com parte do poncho de veludo da avó, muito na moda nos anos 50.

 

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É fixe saber que a Angelina consegue vestir o papel de rainha da festa sem ter de mostrar o decote ou o pernão. Dá-me esperança para o futuro, percebem? (#lontra) Tudo isto se esquecermos o facto de que aquelas mangas vão ficar todas sujas com a sopa da entrada e as migalhas do pãozinho, mas nada que um aspirador não resolva.

 

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Sarah Paulson e Amanda Peet levaram aquele mantra do “we stand together” demasiado a peito e vieram coladas para os globos.

 

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Achei graça a este macacão da Alexis Bledel, por ter um branquinho que se destaca do negrume desta passadeira. Tirava-lhe aquele pedaço de pano brilhante que ficou ali agarrado à cinta mas, fora isso, tem aqui a aprovação da je.

 

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Quem me segue sabe que eu adoro The Crown e eu esperava ansiosamente pela chegada da Clare Foy. Parece que, de tanto ser rainha, se cansou dos vestidos. Compreendo, até gosto, mas nunca é novidade.

 

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Da edição os-dragões-da-Daenerys-rasgaram-me-o vestido-mas-o-penteado-sobreviveu. (Gwendoline Christie, de Game of Thrones)

 

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E da edição os-dragões-da-Daenerys-tentaram-rasgar-me-o-vestido, mal-conseguiram, mas-o-cabelo-não-aguentou. (Lena Headey, de Game of Thrones)

 

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Não, Halle... vieste para o evento errado. Este não é um casamento de praia em modo gótico da tua melhor amiga.

 

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Se bem se lembram, a Lily James fez de Cinderella. Agora passou claramente para o dark-side e foi engolida pelas trevas.

 

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Sempre igual, mas sempre classy, esta Reese Witherspoon.

 


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Sou só eu que vejo meia clave de fá no vestido da Jessica-inssosa-Biel ou é o piano a afetar-me demais os sentidos?

 

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O vestido não é nada do outro mundo, mas achei que o facto da Octavia Spencer ir bem vestida era digno de nota.

 

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 Gosto da Mandy Moore, gosto da ideia de vestido e do bocadinho de cor... mas acho que está aqui visto que há um mercado sedento de ferros de engomar na América. Rowenta e Philips desta vida, atentem ao que vos digo.

 

05
Jan18

Chávena de letras - "Turtles all the way down"

Carolina

 Comprei este livro mal ele saiu, ansiosa por um livro que me fizesse ultrapassar o cansaço antes de dormir ou a preguiça de pegar num livro quando tinha uns minutos livres. Queria muito acaba-lo antes do fim do ano, mas não fui capaz. Muito porque este foi o livro de John Green que menos gostei... porque não parecia de John Green. Não me consegui relacionar com as personagens como antes e o enredo central é também dos mais fracos que me lembro.

A temática dos comportamentos obsessivo-compulsivos e dos distúrbios de ansiedade, embora importantes (essenciais?) de abordar, transformam muitas vezes o livro em algo menos prazeroso. Real, mas pouco convidativo à leitura: porque apesar de representar quase na perfeição aqueles ataques de pânico (been there, done that), é morosamente exaustivo (vulgo: chato). Os pensamentos circulam a mil à hora, sem pausas ou abrandamentos, e andam sempre à volta do mesmo, sem que consigamos sair daquele ciclo vicioso. E muitos dos caracteres escritos neste livro baseiam-se nisso. Chega até a ter uma página inteira entre a discussão mental entre o “anjo” e o “diabo”, em que quase os conseguimos imaginar em cada ombro da personagem principal, puxando a brasa à sua sardinha. (Tanto que eu decidi saltar a página).
E não sei se é por eu já ter passado por episódios que de alguma forma de relacionam com os da Aza, mas a leitura não me trouxe prazer. Incomodou-me, até - e se calhar é mesmo esse o objetivo, estar na pele de alguém com estes problemas. Só que não é o meu objetivo quando leio um livro.
Para além de tudo mais, achei o final previsível. A questão do título é explicada, tem graça, mas não me parece ter dimensão suficiente no livro para lhe dar o nome. Mas enfim: são escolhas.
Acredito que esta seja uma obra um tanto ao quanto emocional para o autor, mas dá-me ideia que foi escrita à pressa, em cima do joelho. Para mim, deixou muito a desejar.

(Lido em inglês)

16
Dez17

A Maria Vaidosa Magazine é uma lufada de ar fresco

Carolina

Um dos meus posts mais comentados e vistos do ano foi aquele em que falava da casa dos Youtubers. O post não era abonatório mas ao menos tentava pôr água na fervura – coisa que alguns dos comentadores até nem achou muita graça. Mas enfim, a verdade é que há mais youtubers em Portugal do que aqueles que vivem todos juntos e fazem parvoíces – e eu acompanho alguns fielmente.

Uma das pessoas que sigo com atenção e que, diria, me iniciou nisto do Youtube – porque até há uns três anos atrás eu só usava este site para ouvir músicas e nem sabia para que servia o botão “subscrever” – foi a Maria Vaidosa. Consigo dizer exatamente o dia em que a comecei a seguir, porque veio na sequência de um post da Maçã de Eva (que sigo há vários anos), que falava dela como uma promessa nacional.

Confesso: o meu primeiro pensamento quando a vi foi “quem é que ela pensa que é?”. Ela é tão extrovertida, tão apalhaçada (num bom sentido - e era-o mais naquela altura do que agora), tão espalhafatosa - quase como sentíssemos que nos ocupa o quarto e a mente toda - que eu achei aquilo irritante e quase ultrajante. Mas ficou-me o bichinho e a verdade é que, apesar desta primeira impressão, eu voltava sempre ao canal dela para ver mais - ainda que o assunto maquilhagem não me puxe e o lado da moda, embora seja algo de que goste muito, também não me leve a ver vídeos.

Passaram-se uns dois anos e eu sinto que já faço parte da vida dela. (É estranho este sentimento, não é?). Já lhe “conheço” o namorado, os cães, as partes de sua casa - e pelo caminho fui gostando de a conhecer, embora de facto nunca tenha falado com ela na vida. E fiquei mesmo orgulhosa quando ela lançou o seu mais recente projeto, a Maria Vaidosa Magazine, tornando-se assim na única youtuber portuguesa com uma revista homónima, que é quase uma extensão do seu canal para o papel, com conteúdos e estilos muito semelhantes.

Eu nunca fui compradora de revistas de beleza e de moda, por várias razões que vou passar a enumerar: 1) são normalmente caras; 2) têm pouco conteúdo e o que têm é muitas vezes irrelevante; 3) ter pouco conteúdo não quer dizer que tenham poucas páginas - quer dizer, sim, que a maioria da revista se resume a anúncios publicitários; 4) não cai no meu leque de interesses saber qual a cor da moda, o novo rímel da marca X ou ver sessões fotográficas com roupas que eu não tenho dinheiro para comprar. Mas, dado que a revista era dela, decidi experimentar - e a verdade é que saí surpreendida pela positiva.

A revista é trimestral e só por isso é que lhe “perdoo” o preço: quase cinco euros. Mas diria que esta é das poucas desvantagens. Acima de tudo, aquilo que tenho de realçar é que quase todas as páginas são de conteúdo e não de publicidade - e só isso é um fator altamente diferenciador para todas as revistas do mercado. Depois, gostei da proximidade com que ela escreve, dirigindo-se diretamente ao leitor, de forma descontraída e despreocupada, tal como faz nos vídeos. A seleção de conteúdo também é interessante - não tem aqueles testes tipo “saiba se o seu namorado a está a trair com a sua melhor amiga” ou páginas de teor sexual tipo “os casais contam-nos as suas experiências em casas de swing”, porque felizmente também não é esse o target da publicação - e inclui entrevistas, tutoriais e pequenos destaques tipo produtos a comprar, livros ou filmes para ver. Há ainda mais dois pormenores, para mim, interessantes: naquelas seleções tipo “o amarelo é que está a dar”, onde se apresentam não sei quantos artigos daquele estilo, a maioria deles é de lojas comuns e a preços acessíveis, o que me parece importante; sinto que a revista vive muito de pessoas, de fotos bonitas (e realistas, não tanto daquelas sessões conceptuais) e de histórias de pessoas que, na perspetiva da Mafalda, valem a pena conhecer.

Acima de tudo, aquilo que mais gosto aqui é a ideia de que os sonhos e os projetos em grande podem ser uma realidade. Mais do que gostar da revista em si, gosto da força de vontade da Mafalda, que espero que inspire os mais novos a trabalhar e a lutar por aquilo que realmente gostam – em vez de acharem que se ganha dinheiro a atirar canetas de varandas ou a comprar cobras gigantes para ter em casa. A, mim, pelo menos, inspira-me muito - ao ponto de ter ficado um bocadinho “invejosa” por este seu feito. Um dia espero poder fazer um igual - não em forma de revista mas, esperemos, em forma de livro.

 

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11
Dez17

Sou uma fã controlada de Game of Thrones

Carolina

Detesto ser uma info-excluída. E, como tal, há coisa de um ano comecei a ver Game of Thrones. Isto porque sempre que passa uma nova temporada o meu facebook tem, post-sim-post-não, algo relacionado com a série; nos ajuntamentos de família a malta da minha idade só fala da Daenerys, da Sansa e do John Snow - e o mesmo acontece com os poucos amigos que tenho. E eu detestava não perceber nada daquilo, não conhecer os nomes nem a história, por isso só tive uma solução: começar a ver a série.

Há um ano vi duas temporadas de uma só assentada mas entretanto parei. Já antes disso tinha comprado os dois primeiros livros da saga e disseram-me que se eu começasse a ver a série nunca mais ia pegar neles, pelo que esperei que uma vontade divina de ler me assolasse a alma... mas não aconteceu. Os livros continuam ali, intocáveis, até porque não tenho lido praticamente nada e não tinha qualquer força de vontade de ler algo "mastigado". 

O ano foi passando, sem grandes notícias da série, mas quando chegou o verão... boom. Eram spoilers por todo o lado, a mesma quantidade incrível de entrevistas e artigos no meu mural do facebook, conversa entre-cruzadas de pessoas sobre as personagens e as ocorrências dos últimos episódios e eu ali parada na segunda temporada, sob as perguntas impressionadas das pessoas: "mas ainda só vais aí?".

E pronto, fiz-me ao caminho. Vi a série toda. E sim, gostei, mas não consigo sentir aquela maluqueira toda que as pessoas parecem transparecer. Um amigo meu dizia e eu acho que tem razão: o facto de eu ver a série de uma assentada, de ter os episódios ali à minha mercê, de os poder ver quando quiser e nas quantidades que bem me apetecer, tira um bocado a piada, a essência e a magia daquilo. Porque, na verdade, muito do que é Game of Thrones faz-se pela espera, pelo suspense, pelas expectativas - principalmente tendo em conta que as temporadas são curtas e o tempo de espera entre elas é longuíssimo. 

Durante todos estes anos em que não vi a série também fui "recolhendo" spoilers (algo que, confesso, não me afeta muito...), pelo que já sabia quem sobreviveria à matança submetida pelo George R. R. Martin, apesar de não saber porquês nem o decorrer da história. Talvez por isso nunca me afeiçoei a nenhuma personagem que tivesse sido morta nem nunca fui arrebatada pela violência de um episódio. Simplesmente era aquilo e eu aceitava-o, sem grandes revoltas ou espantos - o que pode ser normal em qualquer outra série, mas nesta é no mínimo estranho.

Isto pode querer dizer que não vivi a série da melhor forma - ou, pelo menos, da forma clássica - mas foi o que foi. Acho-a fenomenal e aconselho-a a quem goste do género, embora a ache pesada em muitos aspetos. Vi sempre os episódios antes de dormir e por vezes dava por mim a pensar "se calhar não devia ter visto isto, ainda vou ter pesadelos". Nunca aconteceu. Pelo meio desenvolvi uma paixoneta pelo John Snow (devia ter juízo, não é?) e agora espero ansiosamente, tal como os comuns mortais, pela última temporada. Acho que só aí é que vou poder viver isto com a intensidade com que todos os outros viveram até agora. Ou então não... talvez eu simplesmente já não me surpreenda com nada do que vem daquela mente terrífica do George R. R. Martin. A ver vamos. 

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