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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

31
Mar14

Noites menos felizes

Carolina

Desde miúda que a morte me aterroriza. Aliás, ia para além da morte: pensava quando o mundo acabasse e na possibilidade de não existir mais vida em lado nenhum e aquilo que ficaria... que era nada. Mas não é "nada" como pensamos vulgarmente: é nada, mesmo nada, nada, zero, nada. Um nada impressionante e demasiado grande para uma miúda daquela idade conseguir digerir, e portanto acabava frequentemente a chorar quando pensava nestas coisas. Porque eu sempre soube que, em principio, quando morrer, tantos outros ficam na Terra - o problema é quando houver uma catástrofe qualquer e tudo desaparecer e... nada. Nada. Tudo nada. 

Confesso que ainda hoje esse pensamento me consome, embora muito menos vezes e sem choro à mistura. Esta última vaga de "pensamentos" surgiu nestes dias, à noite, e tem-me roubado muita paz: não penso propriamente no fim do mundo, mas no fim do meu mundo. Tenho medo de morrer, basicamente - ou que um dos meus morra. Um pensamento parvo, eu sei, que ninguém deve ter em mente - e que eu não tenho, normalmente, mas que à noite me invade, não sei bem porquê (suponho que seja do stress, de tudo o que me anda a moer por dentro e dos livros que ando a ler). Tenho medo de morrer sem ter sido feliz, de não ter feito toda uma série de coisas que acho que marcam uma vida, sem olhar para trás e sorrir, sem deixar uma marquinha - por pequena que seja - no mundo (um livro, um livro bastava). E, acima de tudo - mais do que não saber o que está do lado de lá - tenho medo de ter sido eu a provocar essa minha infelicidade, de me sentir culpada por ela.

Enfim, têm sido noites pouco produtivas, pouco felizes e pouco fáceis de digerir. Espero que passe rápido, tal como os meus pesadelos vão e voltam sem avisar. Que hoje caia redonda na cama e que tudo isto tenha sido de ontem e que fique lá, sem me perturbar novamente.

06
Jul13

Late night swim

Carolina

Há dois dias pus um desabafo meio deprimido no facebook do blog (sim, isto foi uma dica propositada: vão lá fazer um likezinho) - que não actualizo com estados com muita frequência mas que, quando faço, são profundamente sentidos. Basicamente, e para quem está alheado da realidade facebookiana, eu falava na razão pela qual estas noites quentes me entristeciam: porque não tinha ninguém com quem as desfrutar. O meu desejo, tal como lá referi, era poder ter carta, ou um namorado com carta, ou um irmão que ainda cá morasse com carta ou, pelo menos, alguém acordado nesta a casa a horas menos decentes, com quem pudesse ir lá para fora aproveitar aquela noite magnífica. Mas a verdade é que não tinha nada disso e, como tal, enfiei-me na cama para, que com o passar das horas, o meu humor não se deteriorasse ainda mais.

Mas ontem, ao ver que a noite era similar há que eu tinha perdido, combinei um café com o pessoal do costume e trouxe-os cá para casa, para fazer algo que já não fazia há uns poucos anos: ir para a piscina à noite. Era tradição faze-lo na noite de S. João mas, com o passar dos anos e por termos crescido (e ficado mais chatos, consequentemente), acabamos por deixar este hábito de lado e já há muito que eu não punha um pé na piscina depois de anoitecer. A água tem estado um caldo autêntico e passamos perto de duas horas lá metidos, entre conversas e as guerras de água do costume.

Isto, para mim, é que é verão - e eu sabia que este ia ter algo de especial. E é tão bom ter companhia no que, para mim, é o horário nobre. As noites ainda hoje me fascinam.

 

(Desculpa R. por ter roubado a tua foto descaradamente!)

07
Mar13

Vai ser bonito, vai

Carolina

A luz está a ir abaixo de vinte em vinte minutos sem razão aparente - algum aparelho, entre os milhentos de cá de casa, está a causar isto.

Pelos motivos que já expliquei aqui, a continuar assim, espera-me uma noite terrível. Boa noite para vocês também, sim?

09
Dez12

Coisas estranhas acontecem à noite

Carolina

Ontem foi o primeiro dia em várias semanas que me deitei antes da meia-noite (para ver televisão, sabia bem que não ia adormecer) e que acabei por dormir a horas mais-ou-menos decentes. Foram umas 10 horas bem passadas.

Hoje, quando acordo e passo pelo hall do meu quarto, que tem espelhos de uma parede à outra, reparo que algo que está mal: a camisola que tenho vestida não é a do pijama - ou seja, não é a que vesti ontem à noite! Nisto, dá-me um flashback e tenho uma ideia para lá de vaga de pôr um pé fora da cama, tirar a camisola do pijama e chegar ao armário e arrancar outra. A questão é que não me lembro de ter visto a camisola que neste momento tenho vestida em algum lugar. Não a conheço e acho que nunca a vesti. Nunca ouvi falar da marca. E a mãe está tão às escuras quanto eu.

Cá para nós, esta foi uma das camisolas que eu herdei dela, que pus para o armário e raramente uso (visto que é de gola alta e eu não tenho usado gola alta). Mas, pensando por essa ordem de ideias, as camisolas que estavam arrumadas em cima desta estariam desarrumadas e numa bagunça - mas não. Lindinhas e alinhadas que só elas.

Acho que mais vale esquecer o assunto.

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