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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

25
Mar17

Uma vida no meio dos trapos

Carolina

Quando era miúda havia duas coisas que queria muito fazer: a primeira era ir a um casino, a segunda era ver um desfile de moda. Quanto ao casino, tinha de ter idade para lá entrar; acabei por nunca entrar num tradicional, mas o mini casino no cruzeiro que fiz já me matou a curiosidade que tinha. Já relativamente ao desfile de moda, fartava-me de chatear o meu pai para me levar, e ele nada.

Na minha cabeça, o têxtil - onde a minha família sempre trabalhou e onde eu cresci - era uma coisa intimamente ligada à moda. Dos panos passava-se para a roupa e pronto, estava feito; vim mais tarde a perceber que embora as coisas sejam mais ao menos assim na realidade, muitas vezes estamos tão habituados a ver as coisas de um ponto de vista fechado de que nem nos lembramos do produto final. Um rolo de pano é um rolo de pano - e, acreditem, já dá muitos problemas por si só. Não interessa se vai para camisolas ou casacos; para a Zara ou para a Gucci; para o estudante de moda ou para um estilista de renome. É pano, já dá problemas que chegue, há outros que vêm a seguir e a vida segue neste nicho. Eu compreendo que isto seja assim, mas sempre vi mais além.

Quando roubava as amostras de tecidos das fábricas, imaginava o que dali iria sair. Houve uma fase em cosia as minhas próprias carteiras com aquilo, vestia algumas bonecas e empilhava pano para futuras ocasiões (que nunca viram a luz do dia). E por isso a têxtil, que apesar de tudo é a minha "casa mãe", sempre foi um meio para atingir um fim de que também sempre gostei muito: a moda. Daí a minha curiosidade eterna em ver um desfile, em perceber aquela dinâmica.

Hoje também entendo o ponto de vista do meu pai, que nunca me levou a estas coisas: um desfile de moda não é só um desfile de moda, da mesma forma que um rolo de pano não é só um rolo de pano. A moda é um circo de vaidades. É a fome de aparecer, um mundo de egos exacerbados, de uma competitividade fora de série, de invejas e mesquinhices terríveis. E eu sempre fui educada no sentido exatamente oposto: acima de tudo, no recato. Sempre fui perita em não mostrar, nunca me quis enaltecer por bens materiais mas sim por aquilo que era.

Mas, para o bem e para o mal, só mostramos aquilo que somos quando nos damos a conhecer (e todos sabemos que essa não é a minha especialidade). É muito mais fácil mostrar a roupa nova, o corpo de revista, a casa grande. E, no fundo, nos desfiles, está meio mundo desejoso de ter um fotografo qualquer a perguntar se pode fotografar o seu look, a perguntar que marcas tem vestidas; tudo tira fotos aos seus passes gold, muito bem conseguidos por cunhas travessas, tudo quer ter uma foto na passarela com os seus melhores trapinhos. E embora isso não seja eu, não faça parte de mim, não consigo deixar de me sentir um bocadinho em casa: porque aquelas roupas que desfilam, serão sempre os trapos que eu vi naqueles rolos quando era criança; são, ainda que melhor executadas, as ideias que tinha quando me punha a mexer na minha mini máquina de costura.

Há um ano realizei um sonho: vi um desfile. Na altura fiz aqui um post, que nunca chegou a ir para o ar, que demonstrava o quão feliz estava por ter feito um "check" em mais um sonho da lista mas, ao mesmo tempo, o quão deslocada me sentia num mundo que era o meu, que sempre foi meu, mas que não tinha nada que ver comigo. No fundo, como em quase tudo nesta minha vida. A parte boa é que me vou habituando. E, pelo caminho, vou desfrutando da sorte que tenho.

A verdade é que não tenho posto muitos posts positivos por aqui, mas cá vai: os sonhos realizam-se, mesmo estes, que parecem pequeninos mas que não deixam de nos alimentar a alma. Hoje fui a mais um Portugal Fashion, sozinha mas sempre bem acompanhada, ao desfile que mais queria, com um badge no peito que dizia "press", algo pelo qual lutei mas nunca esperei. Porque para além dos sonhos, a vida também tem disto: surpresas. E algumas, como esta, são muito boas. Fica a foto para a posteridade. 

 

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30
Jan17

Uma colheita de vestidos fabulosa nos SAG Awards

Carolina

Hoje acordei, abri um olho e enquanto acordava e não acordava, fui passeando pelo facebook. Dei de caras com um artigo da Vanity Fair sobre os SAG Awards, que aconteceram ontem, e mesmo acabadinha de acordar e com apenas metade do cérebro a funcionar percebi logo que ia ter de comentar alguns daqueles trapinhos.

Acho que já o ano passado isto aconteceu - deparei-me com tanta tragédia que não consegui ficar calada. Este ano também apareceram por lá algumas coisas com piada e, nestes tempos que se vivem, não podemos desperdiçar nem que seja um singelo sorrisinho. Tenho para mim que a moda está tão louca que, hoje em dia, o que se vestir pior e causar mais choque é quem leva o prémio para casa. Só isto explica as passadeiras dos maiores eventos do mundo no último par de anos. Mas bom, aqui ficam as ventimentas de ontem:

 

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 Emma Stone num Alexander McQueen. A verdade é que este era um vestido vintage da sua avô - algo que se nota nos detalhes e bordados florais. Mas ao longo dos anos a traça acabou por dar cabo do lado esquerdo da peça, ainda que o valor emocional se tenha mantido intacto. Por isso, em tom de homenagem e confronto de gerações, Emma veste uma peça pesadíssima e quente do lado direito e, do lado esquerdo, saiu à rua apenas com um body da Intimissimi para arejar.

 

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 Brie Larson sem qualquer dó e piedade para com as pessoas com transtornos obsessivo-compulsivos. Aposto o que quiserem que a minha mãe, só de olhar para esta fotografia, está com suores frios. Quer dizer, até a mim, que nem sou contra assimetrias. Mas aqui a questão é mais grave: o vestido está TORTO. Tor-to. E faz com que toda ela pareça torta. E isso não é fixe.

 

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 Kerry Washington pediu um vestido da Micaela Oliveira emprestado a Cristina Ferreira. Bem me parecia que já tinha visto isto n'A Tua Cara Não Me É Estranha.

 

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 Sofia Vergara, és tu? Cadê as transparências? Cadê o corte sereia? Cadê os decotes até ao umbigo? Agora deste numa de colegial e passaste de gata-sexy-arrasadora a menina-de-repa-ao-lado-e-vestido-curto-em-ocasião-de-gala?

 

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Não é difícil perceber a inspiração do vestido de Nicole Kidman, pois não? Até os olhinhos de carneirinho mal morto estão lá. Atentar também aos pormenores de cor naqueles ombros, inspirados nos detalhes dos "ombros" do pássaro. Liiiiiiiindooo. #sqn

 

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 Natalie, querida, muito bem que podes não ser uma daquelas grávidas que gosta de ter a roupa justa à barriguinha, mas também não era preciso teres ido ao Museu do Traje buscar mommy-wear do século XIX, não é verdade?

 

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 Eu juro - mas juro mesmo! - que fui pesquisar o nome desta rapariga (que, para também quer saber, se chama Taryn Manning) porque pensei sinceramente que ela era aquela que fazia o iZombie. Achei de facto estranho que continuasse a encarnar a personagem de forma tão evidente numa passadeira, mas depois percebi que era outra senhora e que foi apenas reviver um pouco da sua fase gótica da adolescência.

 

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Pergunta para um milhão de euros: qual foi o livro que Julia Louis-Dreyfus leu durante as férias de Natal?

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Pior que ter um vestido medonho, é ter um vestido medonho com uma espécie de buraco no sovaco e ainda fazer uma pose sexy para mostrar.

 

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 E acabamos assim. O vestido é péssimo, mas não vou por aí. O pior é mesmo o penteado inspirado na última esfregona da Vilada.

13
Ago16

Cadê os biquínis normais?

Carolina

Todos os anos há uma praga qualquer que assola as lojas e que arruína uma peça qualquer de roupa, ao ponto de se ter de andar à lupa à procura de algo usável e decente. O ano passado foram as botas: feias, horríveis, grosseiras. Falei disso aqui.

Este ano a praga foi para os biquínis. Onde andam os biquínis normais, giros, bonitos mas simples? Onde é que se arranja uma roupa de banho sem ter trinta fivelas em sítios estranhos, buracos a meio da barriga, cuecas enormes ou subidas até ao pescoço, ou coisas a fingir que são cuecas, de tão reduzidas que são? Onde está a normalidade, o bom senso, a vontade de ficar sem marcas?

Eu ando há procura de um biquini novo há meses - os meus estão velhos, manchados e eu ando sem vontade de os usar. A culpa não é só deles, claramente - é minha, de não me gostar de ver com eles e provavelmente qualquer outro biquini. Mas enfim - queria um novo e não encontro nada que goste: para além de ser tudo estranhíssimo, os preços são muitas vezes exorbitantes. Percebo esta nova vaga de marcas nacionais que invadiu a praça, com todos esses novos conceitos e um espírito diferente e único. Mas a minha questão é: isto resulta mesmo? Ou a vontade de ser diferente é tanta que anda toda a gente a cair no ridículo para ganhar o troféu de mais diferente? É que até eu, que até sou muito despreocupada com as marcas no corpo (ao contrário da maioria das mulheres que conheço), acho um exagero. E, mais do que isso, acho verdadeiramente feio. Já para não falar de que é preciso um manual de instruções para vestir algumas daquelas peças.

A parte boa disto tudo é que acho que não vai durar muito. Isto é como a Desigual: houve uma febre inicial, toda a gente adorava e dava uma moeda de ouro por aquilo, e depois, sem aviso prévio, todos se fartaram e a marca morreu em Portugal. Acho que daqui a um par de anos todos estes biquinis e espécies-de-fato-de-banho não vão sair da gaveta, porque já ninguém vai gostar deles. Até porque, nessa altura, a praga da moda já invadiu outra peça qualquer e o mar voltará a acalmar no que a roupa de banho diz respeito. Até lá, é continuar a vasculhar nas profundezas da internet à procura de coisas usáveis e giras. Deixo-vos, no entanto, com um best-of das milhentas coisas horríveis/que-não-cabem-na-cabeça-de-ninguém que encontrei nas minhas buscas.  

 

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Da Bohemian Swimwear, ou como dizermos "discretamente" que somos adeptas de bondage

 

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Da Bohemian Swimwear

 

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Da Nyos

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Da Papua 

 

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Da Papua 

 

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Da Paraíba, ou como usar uma coleira em forma de biquini

 

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 Da Nyos

03
Mai16

Um susto de MET Gala - edição 2016

Carolina

Tradição que é tradição é para se manter, não é verdade? Como tal, trouxe-vos mais uma edição de "Um susto de MET Gala", patrocinada por todas as estrelas de Hollywood que escolhem os seus piores outfits para passarem nesta carpete vermelha (é salmão, mas isso agora não interessa nada). A verdade é que havia muito por onde falar, divagar e até rir - mas o tempo e a inspiração não chegam a todo o lado, por isso hoje fiz esta seleção, com muito carinho e amor, só para vós. Preparem os olhinhos e essa mente, porque há coisas aqui capazes de traumatizar uma pessoa!

 

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Alguns chamam-lhe MILF. Aqui no Porto aposto que lhe chamariam outra coisa (e vocês ainda nem viram o rabo!).

 

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 Taylor Swift, querida, és tu? Começo a achar que a teoria desenvolvida na nova temporada do X-Files é mesmo real e que a Taylor-fofa-e-cantora-de-country foi levada por aliens.

 

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 É com algum orgulho que vos digo que este look foi inspirado em mim, enquanto criança. É verdade: eu espetei-me muitas vezes contra canteiros. Como tudo na vida, isto em Hollywood é um pouco romanceado: esta senhora ficou com borboletas presas no cabelo, eu só trazia galhos e um dente partido. Falta de glamour da minha parte.

 

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 Senhoras e senhores: Lupita Nyongo (ou o escovilhão mais alto da história).

 

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 Se eu fosse o Bradley não gostava de ver a minha namorada a sair de casa com uma saída de noite sexy, que ela tinha comprado especialmente para uma noite com ele. Mas isso sou eu, claro!

 

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 Sarah Jessica Parker estava um bocadinho farta de ser sempre falada como um dos looks mais exuberantes da MET Gala e blablabla. Vai daí, vestiu os seus corsário de ioga, um tank top que tinha dos seus tempos de miúda e um casaquito e... siga para a evento. Não há como falhar, não é verdade? Se não fosse o cabelo nem tínhamos notado que ela se veio a vestir pelo caminho.

 

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 O Capuchinho Vermelho foi comida pelo Lobo Mau. A Lorde foi comida pelo vestido (aliás, nota-se pelo ar de profunda infelicidade).

 

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Selena Gomez a aproximar-se da realidade das pessoas ditas "normais": havia de chegar o dia em que se ia esquecer de levar os coordenados com ela na viagem e, pimbas, foi ontem - em desespero de causa, teve de ir buscar um vestido a casa da avó. Como achou que era muito simples, foi à sex-shop ali ao virar da esquina e comprou um mini corpete de cabedal, só para dar aquele sex appeal. #nãoresultou

 

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 Que ninguém condene a pequena Solange! Se o clima em NY for parecido com o de cá, é mais do que óbvio que a pequena ficou em estado de choque com este verão horroroso. Como tal, e tendo em conta a instabilidade meteorológica, a Solange decidiu ser o sol das nossas vidas. Até aquelas labaredas que o sol tem estão ali retratadas, com aqueles folhos fora do sítio. Isto é tudo uma questão de perceber o conceito, meus amigos.

 

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 É importante saberem que acordei às 7h da manhã para vos escrever este post. Esta imagem da Gaga foi o que me fez realmente acordar. DE SUSTO. (dica: é uma boa alternativa à cafeína)

 

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 Na na na... Kerry Washington, querida, enganaste-te no festejo: hoje não é dia das bruxas!

 

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 Não sei como é que uma pessoa pode voltar a viver a sua vidinha normal depois de ver isto. Nicky Minaj com as mamas a saltarem-lhe para fora e apenas segura com aqueles cintos ao bom estilo dos fatos de pai-natal... isto tem tudo para virar pornografia em menos de quatro segundos.

 

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 Eu podia inventar qualquer desculpa para pôr a FKA Twigs nas mal vestidas... mas nem me vou dar a esse trabalho.

É a FKA. Namora com o meu Robert. É horrível. E está nas mais feias. Fim de de discussão.

 

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 Não se percebe bem o vestido da Katy Perry, tendo em conta que o tema era qualquer coisa como robots e tecnologia. Mas agora percebo: o outfit é só uma manobra de distração, pois o cerne da questão está todo na cara. A verdade é esta: a Perry trouxe-nos ontem uma tecnologia inovadora. Ela estava a matar pessoas só com o olhar. (A sério, se tivéssemos a foto com infravermelhos via-se perfeitamente).

 

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 Que me conhece sabe que me custa pôr isto aqui, mas a verdade é que tudo é mau - o cabelo em particular. Eu não consigo lidar com aquele loiro com raízes escuras. Fico com náuseas!

 

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Emma Stone: era suposto teres vestido algo inovador e não ires à caixinha de recordações do "Gladiador" para adornares o vestido. 

 

18
Mar16

"Tu, na indústria da moda?"

Carolina

É esta a resposta que muitas vezes levo (ou pelo menos que parecem dizer só com o olhar) quando digo o que estou a fazer da vida. São reações que partem acima de tudo por pessoas que não me conhecem - porque quem me conhece sabe que o mundo da moda e da têxtil cresceram comigo. Os tecidos, os rolos, as tintas, o fumo e o barulho foram, durante anos a fio, o meu ATL - e desde muito pequenina que dizia que, "quando for grande quero trabalhar aqui". E apesar de todas as voltas que a vida dá, de todas as escolhas que fui fazendo e que me distanciaram deste caminho que queria para mim desde tão cedo, vim parar ao mesmo ramo, mesmo estando numa área onde tal não fosse tão previsível. Foi, claro, uma escolha da minha parte - mas eu diria que também teve um dedinho do destino, que me "realinhou as estrelas" e me voltou a lembrar do caminho que quis para mim, desde miúda. 

De qualquer das formas, e tendo em conta aquilo que o mundo da moda espelha para o exterior, percebo um pouco a reação que as pessoas têm. A televisão e os outros meios de comunicação social passam a imagem de que tudo neste mundo é glamoroso e fora do normal - e, na realidade, não é. Pelo menos em grande parte do processo da "moda", desde o fio até à confeção. Existem, claro, pessoas sui generis - como existem em todas as áreas. Se os estilistas e designers têm mais propensão para umas tendências mais amalucadas e diferentes? Têm. Se os grandes consumidores de moda também são parecidos (ou tentam ser)? Também pode ser verdade. Mas eles representam uma pequena parte do processo produtivo que a têxtil exige. Há muito mais para além disso. Há partes que não são nada glamorosas, há partes chatas, há partes iguais a todos os outros negócios (burocracias, contabilidades, trabalhos de escritório) - e embora nós só valorizemos o trabalho final, a verdade é que isso não seria possível sem todo o processo que está por detrás. Esse maioritariamente feito por pessoas mais que "normais".

No blog não dá para ter percepção disso, mas eu tenho dois pólos distintos em relação à minha forma de vestir: na maioria dos dias (aí uns 90%), opto por tudo o que é simples, confortável e - nestes dias de inverno - quente!; nos outros 10% dos dias, normalmente fins-de-semana, decido arranjar-me e produzir-me um pouco mais, normalmente sem razão aparente - só porque, nesse dia, me sinto especialmente bem e bonita e me apetece calçar uns sapatos de salto alto, umas calças amarelas e um casacão diferente. Ainda assim, a grande maioria das pessoas está habituada a ver-me de sapatos rasos ou botas de cano alto, calças de ganga e básicos. SIm, porque palavra chave do meu roupeiro é "básicos". Uso básicos todos o dias, nem que seja debaixo de camisolas mais "bonitas" - e quase todas as minhas peças de roupa têm uma só cor, sem desenhos ou floreados, alterando-se apenas o material e o corte. O que vai dando um toque de diferença aos meus looks, maioritariamente no inverno - no verão, com os vestidos e a vontade de usar um pouco mais de cor, a tendência dos "básicos" atenua-se um pouco - são os cachecóis e os casacos, onde tento caprichar um pouco. De resto, a simplicidade é o meu nome do meio.

Posto isto, e tendo em conta a imagem que temos das pessoas que adoram moda, eu sou precisamente o oposto. Também graças a esta vaga de blogs de moda - que muitas vezes estão completamente a leste de tudo - as pessoas acham que quem gosta deste mundo tem de estar sempre a seguir tendências, usar chapéus para o trabalho, estar maquilhada todos os dias, tirar selfies a olhar para não sei onde... e isso está errado. Para mim, é triste ver que neste mundo que amo desde pequenina, ainda mais do que antes, o que importa é ver e ser visto (como escreveu a Maçã de Eva, num post que vale a pena ler e que subscrevo na íntegra). A Moda Lisboa e o Portugal Fashion (que começou há dois dias), que deviam ser para quem percebe e gosta da coisa de forma genuína, são a prova provada de que quem "gosta de moda", muitas vezes, não percebe peva sobre o assunto, caindo no ridículo em nome de certas "tendências".

Eu uso básicos, não uso chapéus, saltos altos ou maquilhagem on a daily basis;  fui ontem ao meu primeiro desfile de moda, comecei agora a trabalhar no ramo e cresci à volta dos tecidos. Eu gosto de moda, adoro a têxtil e não preciso de ser o centro das atenções para que saibam disso. Há que perceber que a moda não é só feita de quem ser olhado.

 

 

 

(adenda: mesmo sabendo que a "moda" e a "têxtil" são áreas diferentes, para mim, uma não vive sem a outra e muitas vezes quem trabalha uma, trabalha outra; daí junta-las no raciocínio do post)

29
Fev16

Óscares - "fashion advisors precisam-se"! (ou as tragédias da red carpet)

Carolina

E já está, assim se passou, mais uma vez, a maior passadeira vermelha do ano. Não sei se sou eu que estou mais exigente, mas tenho a percepção de que isto vai piorando, de ano para ano. Tal como no último ano, não houve momentos "WOW" e vestidos de fazer cair o queixo; foi tudo fraquinho, até em termos de celebridades - faltou o Brad e a Angelina, a Jennifer Anniston, Kate Hudson, Gwyneth Paltrow, George Clooney, Helen Mirren, entre tantos outros. 

Para vosso regalo (e meu, admito), o que não faltou foram trapinhos horríveis. Nada de fazer cair as órbitas, é verdade, mas muito mau gosto deambulou por ali. Ficam os comentários, que sempre deram para dar uso à minha má língua (que, admito, hoje até nem está muito afiada).

 

P.S.: Para evitar comentários de pessoas ofendidíssimas com as minhas opiniões, acrescento aqui - como se isso não fosse óbvio! - que isto não passa de uma brincadeira que tem como objetivo divertir ambas as partes enquanto apreciamos os trapinhos que passaram ontem na cerimónia dos Óscares. Nenhum comentário tem como objetivo a ofensa pessoal.

 

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Alerta, alerta, alerta! O guarda-fatos do Manuel Luis Goucha foi assaltado e o Correio da Manhã não noticiou!!!

 

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 Jordyn Blum, na tão conhecida série do fui-roubar-os-cortinados-à-casa-ao-lado. O único pormenor aqui é que a casa ao lado era, na verdade, um bordel. Daqueles à antiga. Há azares assim.

 

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 Acho um bocadinho indecente que, num mundo onde abunda o dinheiro, se poupe em dois palmos de vestido. Bem sei que a aplicação dos detalhes, missangas e lantejoulas é cara mas... Forretas!

 

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 Qualquer semelhança entre o Armani da Naomi Watts e uma Carpa Koi roxa é pura coincidência.

 

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Gosto da coerência deste look: é tudo péssimo!!! A cara, a postura, a perna de fora, as sandálias aparentemente grandes, o tom pálido do vestido e, claro, aquela manga descaída que proporciona aquele que é, provavelmente, o pior decote do século. Mas, como diz o meu querido pai, a coerência é que é importante!

 

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Heidi Klum com um vestido de dama de honor comprado ali na rua 31 de Janeiro, também conhecida como a rua dos piores vestidos de noiva de todo o sempre. É que nem as florinhas com os restos de tecido faltaram!

 

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E o prémio do vestido que mais mal assenta nestes óscares vai para... Sophie Turner!

 

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Kerry Washington, num Gucci, revelando a sua faceta de Dominatrix. Cadê o chicote?

 

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O casalinho eterno é de babar, mas o vestido da Kate Winslet é a prova de que Hollywood está em crise. Um grande saco do lixo com um tratamento de impermeabilidade, Kate? A sério?  

 

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Que belo par de jarras! Quer dizer... beringelas!

 

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Uff, a noite deve ter sido caliente! O vestidinho de noite feito de seda, o rasgão pela perna acima, o desarranjo total na parte de cima e a aparente falta de soutien... só prova que o Stallone ainda está aí para as curvas, qual Paulo Futre! O motor ainda arranca, não é verdade?

29
Fev16

Óscares - vestidos "Comme ci, comme ça"

Carolina

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 Acho a Alicia Vikander linda de morrer e, mesmo adorando amarelo, este vestido não me convenceu muito. Ainda assim, acho que primeiro se estranha e depois se entranha, porque de cada vez que penso nele - e comparando com todas as desgraças que passaram naquela passadeira - vou gostando cada vez mais. Num Louis Vuitton.

 

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Rooney Mara, consistente com o seu estilo de sempre. Pessoalmente adoro o vestido, mas sei perfeitamente que o contraste com a pele dela não é o melhor: tudo demasiado transparente e homogéneo; sei também que o ar dela, sempre com um semblante carregado e maquilhagem mais pesada, não ajuda à equação. Mas eu adoro-a a ela e adoro o vestido, ainda que ache que ficariam melhores em separado. Num Givenchy.

 

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Não se pode dizer que este vestido da Saoirse Ronan seja mau, feio ou uma tragédia, mas também não é bom.  Parece uma sereia, metade mulher, metade baleia... bem, só metade, porque de facto parece muito mais pequena do que acho que é na realidade.

 

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 O vestido da Dorith Mous é, para mim, muito bonito, mas demasiado dramático e negro para a ocasião. Mas, enfim, tendo em conta a falta de negros nesta cerimónia, ela quis ajudar um bocadinho com a cor do seu vestido. Há que compreender. 

 

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Lady Gaga mostrando ao mundo como ter três vezes mais ancas do que se tem na realidade. A única razão para não estar nos piorzinhos é porque a ideia original (meio macacão, meio vestido) me agrada imensamente. Já se sabe que os macacões roubam o meu coração.

 

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É difícil pôr a Olivia Wilde no pote dos piores - ou até nos medianos - mas foi entre estas duas categorias que estive indecisa até ao último minuto. O vestido não é feio mas, para mim, também não é bonito. E aquela gargantilha, que mais me lembra um instrumento de tortura qualquer da inquisição, é a cereja estragada no topo do bolo. 

 

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A Charlize é linda, o vestido tem cor, sobressai e é diferente. A parte das alças lembram-me um vestido do ano passado, da Rosamund Pike, que eu detestei; o decote também me parece demasiado grande, tendo em conta que algo mais discreto ficaria - acho eu - ainda mais perfeito. Mas é a Charlize - e a Charlize pode.  

 

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 Margot Robbie tem um corpaço, algo inegável. Este vestido lembra-me um outro qualquer, que neste momento não consigo precisar, mas que gosto. Neste caso, não gosto da textura do vestido e acho que falta algo para cortar com tanto dourado.

 

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A Julianne Moore num Chanel. Mudou de estilo e mudou mal. Não é intragável, mas está longe de ser dos melhores que ela já usou. 

29
Fev16

Óscares - os melhores da noite

Carolina

Encontrar bons vestidos nesta cerimónia foi o derradeiro desafio. A meio da cerimónia já pensava que, pela primeira vez desde que faço este tipo de posts, ia ser incapaz de destacar os melhores vestidos da noite. A verdade é que nenhum se destaca e prezam todos pela simplicidade. Não há nada de fazer babar, nenhum vestido que uma mulher oferecesse um dedinho para vestir, mas é o que temos.  Ora vejamos:

 

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 Olivia Munn num Stella McCartney. Simples, chique e bonito - e com cor, algo que faltou muito nesta passadeira!

 

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Maria Menounos num vestido assinado por Christian Siriano, um dos meus estilistas favoritos. Acho que lhe faz uma silhueta perfeita e a cor acinzentada contrasta quanto baste com a pele. Os detalhes também são muito bonitos.

 

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A Giuliana Rancic não costuma ir mal, mas também nunca vai muito bem (até porque não convém retirar muitas atenções a quem de direito). No entanto, e embora simples, prova-se mais uma vez que less is more. Gosto muito do pormenor na cintura e, acima de tudo, das costas - lindíssimas.

 

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 Rachel McAdams numa cor pouco vista mas que, para mim, lhe assentava como uma luva. O vestido, mais uma vez, era simples (e mesmo ali a pedir um side boob, mas isso são outras histórias) mas nem por isso deixa de ser um vencedor. Um  acessório mais imponente não ficaria mal mas aquele sorriso já é complemente suficiente.

17
Fev16

A desgraça dos Grammy (ou um aquecimento para os Óscares)

Carolina

Os Óscares são daqui a uma semana e meia e, em estilo de aquecimento (e de desforra por não ter conseguido fazer nos Golden Globes), aqui fica uma mini-série de desgraças ao bom estilo dos Grammy. Não se entusiasmem muito, que isto foi só para tirar a ferrugem da minha "má língua", que andava destreinada há uns bons meses.

 

 

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 É triste pensar que, passado tantos anos, ainda há vestidos inspirados no filme "Shark". O que resta do vestido são claramente as sobras de umas dentadinhas de uma qualquer espécie com várias camadas de dentes. A cauda do vestido foi uma rede de pesca que ali ficou agarrada aquando do resgate. Uma história emocionante, eu sei.

 

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Há que louvar o espírito criativo e de empreendorismo desta senhora! Então não se vê logo que ela quer inspirar uma nova série das Winx em versão gótico-fluorescente? 

 

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Vestidos cor de cocó de pássaro fazem sempre as delicias de qualquer passadeira vermelha, não é verdade?

 

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Aposto que os assessores destas figuras públicas já estão fartos de lhe dizer que, em dias de passadeira, não se brinca com gatos. Teimosas como sempre, não os ouvem e dá nisto - rasgões de vestidos quase até ao umbigo. A pobre da rapariga nem pôde levar cuecas para não arruinar ainda mais o look. Coisas chatas desta vida, não é verdade?

 

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Perdoem esta rapariga que se enganou na passadeira-vermelha. Na realidade ela queria era ir para o festival de danças latinas ali na porta ao lado.

 

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Tove Lo a manter-se coerente com aquilo que canta. Vejamos: "You're gone and I've got to stay high, all the time (...)". Posto isto, há uma explicação para todo este look, que até tem direito a argolinha-à-boi em pleno nariz. Eu bem digo que as mocas constantes fazem mal ao cérebro e aqui se vê o resultado.

 

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 A Janelle Monáe gostou tanto da sua vestimenta de Carnaval, onde se vestiu de hospedeira de bordo, que não resistiu em a incorporar um bocadinho no seu outfit dos Grammy. A parte da saia tem toda uma revelação e, quando necessário, serve de bandeja. Tudo nas estrelas da música é pensado ao pormenor.

20
Out15

Coisas que a vida nos ensina: nunca deitar calças de ganga fora

Carolina

Eu sou, provavelmente, a pior pessoa à face da terra para comprar calças. É todo um drama. Eu detesto as minhas pernas, do início ao fim: coxas demasiado gordinhas para o meu gosto (nada a fazer, é de família), joelhos tortos em X e um tornozelo e pé inchados - é todo um inferno. Acho que, hoje em dia, comprar calças é para mim pior do que comprar calçado (que também é uma tarefa horrível e dolorosa, que acabo muitas vezes com vontade de chorar por não gostar, por as coisas não me servirem ou ficarem simplesmente mal quando se tem um pé cronicamente inchado). 

Admito que tenho gostos esquisitos e constantes, o que não se coaduna com a constante mudança de modas. Para mim, as calças têm de ter a cintura subida (tenho a anca larga e cintura fina, se as calças forem muito descidas fico invariavelmente com um "pneu" desnecessário), ser folgadas nas coxas (aquelas super skynny não funcionam para mim porque simplesmente não passam - ou se passam ficam coladas até ao osso, dando ênfase a uma parte do corpo que detesto) e ter uma parte final, a boca da calça, relativamente larga - não é à boca de sino nem necessariamente com um corte reto, mas mais largas do que as calças skinny têm habitualmente, pois com um tornozelo cronicamente inchado muitas vezes o pé nem sequer consegue passar. Parece fácil, mas não é - há dois anos para cá, quando só se via calças skinny à venda, era literalmente um drama. Agora, com a cintura subida na moda, a vida está melhor, mas a aventura de comprar calças continua a não ser das que mais aprecio.

Mas isto para dizer que estimo muito todas e quaisquer calças que tenha. Se encontro umas que gosto, compro logo nas lavagens todas disponíveis, que é para não ter de me preocupar nos próximos anos - mas como é raríssimo encontrar algo que aprecie, isso raramente acontece. Houve uma fase em que eu deixei as calças de ganga de lado e só usava calças de cor - pretas, castanhas, azuis, coral, etc.; ainda assim, guardei as calças de ganga antigas, todas da H&M (onde comprava quando tinha uns 15 anos).

Hoje em dia não podia estar mais feliz com essa decisão. Há uns dois anos voltei a usar calças de ganga, consegui encontrar uns dois pares que gostava e, certo dia - já passado algum tempo - decidi experimentar aquelas antigas, que tinha ali guardadas há não sei quanto tempo. E agradeci aos deuses tê-lo feito porque hoje, uns cinco anos depois de as ter comprado, são as minhas melhores amigas. Uso e abuso delas, todas as semanas, e elas comportam-se lindamente - mesmo sendo H&M! 

E pronto, com isto aprendi a não deitar calças fora (ou dar, que é o que faço com o resto da roupa); se não uso, pelo menos para já, arrumo noutro armário e espero pela altura delas, em que volte a gostar. Acredito sinceramente que todas as pessoas que usaram, há uns bons anos atrás, calças à boca de sino e que com o passar da moda decidiram desfazer-se delas, que hoje em dia estão profundamente arrependidas. What goes around comes around e as calças de ganga não se estragam e estão sempre na moda. Quem vos avisa vossa amiga é!

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