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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Fev17

A minha loucura por camas elásticas (ou o meu plano na próxima ida a Lisboa)

Carolina

Há cerca de dois anos escrevi aqui um texto, na rúbrica "Miúda de 95", que não vos dizia nada em particular mas que para mim guardava uma memória especial. Foi este, em que falava das "camas pinchonas" do Algarve, que não passavam de um conjunto de camas elásticas que existiam na rua da Oura, em Albufeira, e que eu frequentava todos os anos, quando era mais nova. Na altura não havia nada parecido, a não ser nos complexos de ginástica, e ter um espaço onde eu pudesse saltar livremente durante dez minutos era assim a melhor coisa do mundo para mim. 

Entretanto esse complexo de diversões acabou mas a coisa das "camas pinchonas" ficou para sempre no meu imaginário. Já não salto numa cama elástica há uns 14 anos, mas sempre que olho para elas teletransporto-me para esses momentos de pura felicidade e liberdade de quando era pequena. E quero sempre voltar a saltar, mas muitas vezes a altura não é certa e a entrada é só para crianças. A verdade é que, para além do ginásio onde andei em pequena, nunca mais voltei a ver camas como aquelas do Algarve - existem aqueles círculos elásticos, com rede à volta, mas não é a mesma coisa.

Até que há uns dias vi um artigo qualquer que falava de um espaço chamado Bounce, em Lisboa que é... um complexo de camas elásticas. Fui à loucura. A minha mãe estava ao lado e olhava-me como se eu fosse uma autêntica criança que descobriu uma taça cheia de guloseimas. No fundo, é tal e qual aquilo que havia no Algarve mas em ponto ainda maior; na Oura havia tipo dez camas, lá parece-me haver dezenas - e com obstáculos para saltar, cestos para "afundar" bolas, camas de diferentes tamanhos para fazer diferentes brincadeiras, um sítio especial para jogar ao "mata" e umas camas para saltar para o "vazio". Enfim, o paraíso.

Estive a fazer uma pesquisa e o preço de entrada, por uma hora, são 12€ (mais uma meias que é obrigatório comprar, que custam dois euros, mas que são reutilizáveis) - o que, comparado com o que pagava no Algarve, é uma autêntica pechincha (acho que pagava o mesmo por vinte minutos). Mas a verdade é esta: até podia ser mais, porque eu ia na mesma. Até tremo só de pensar na possibilidade de ir. Isto é tão parvo... mas é algo que queria há tanto, tanto tempo que achava que nunca mais ia sair do meu imaginário e da minha memória. É quase como aquela história dos bolos das avós: é quase impossível voltarmos a sentir aquele sabor, aquela sensação especial - mas há sempre aquela réstia de esperança.

Na minha próxima ida a Lisboa, o Bounce vai ter de fazer parte do itinerário. Acho que à partida vou ter medo, mas também não duvido que depois de acordada a criança que há em mim... ninguém me para. (Podemos ir já amanhã?!)

 

 

27
Mai16

Sobre a passagem do tempo

Carolina

Hoje - o meu primeiro dia de férias daquelas que serão, provavelmente, as minhas últimas férias grandes - fui fazer uns recados, incluindo uma ida ao correio, que fica mesmo ao lado da minha escola secundária. Como de costume estava meio mundo dentro dos CCT - uma pessoa perde uma vida de cada vez que lá vai. Tinha vinte pessoas à minha frente e o que me sobrou foi tempo para ver o que me rodeava.

Pouco depois de eu ter entrado, entrou também um grupo de amigas que tinham claramente aproveitado o intervalo da escola para enviar qualquer coisa. Ficaram ali perto de mim e eu estive a reparar nelas, de calções curtinhos ou super skinny jeans, mochila pousada só num ombro mas, ainda assim, com o caderno de fora para mandar alguma pinta e uma maquilhagem mais perfeita do que eu alguma vez consegui fazer a mim mesma. Nos aspetos físicos eram diferentes de mim, mas as conversas delas fizeram-me retroceder no tempo. Falaram dos professores, das aulas, dos testes, dos dramas do tão afamado concurso de dança que sempre houve lá na escola - e, por fim, inventaram uma desculpa conjunta por chegarem atrasadas às aulas seguintes por estarem nos correios com meio mundo à frente delas (tal como eu estava). E nisso eram iguaizinhas a mim. No fundo, iguais a todos os estudantes do secundário.

E eu sinto que aquela realidade me é super próxima. Sempre que passo em frente à escola sinto que continua a ser a minha escola; espreito sempre para ver se estão professores à porta e sinto que aquele ainda não deixou de ser um mundo meu. Não sei porquê, mas a minha cabeça dá o salto automático desde o secundário para a fase em que estou agora, pré-mercado de trabalho, sem dar grande conta dos três anos da faculdade. De tal forma que, quando me perguntam que idade tenho, disparo automaticamente "18". E isto não aconteceu uma ou duas vezes: acontece sempre. O meu cérebro parou ali e acho que também por isso continuo a achar que só saí da escola o ano passado e que tudo continua igual a sempre.

É difícil acreditar como as coisas passam tão rápido. Como há decisões que custam tanto a tomar, como nos dói e como sofremos e, depois de tomadas, a vida avança como se nada fosse até à próxima etapa, cheia de novas e difíceis decisões pelo caminho. Sinto que foi há um par de dias que saí de lá com a mala no ombro, sem carta de condução e à espera da boleia do meu pai para me levar a casa; e agora estou a uma cadeira de terminar a faculdade e com um posto de trabalho à minha espera em Setembro. É assustador.

 

 

21
Mai16

366 dias depois... (ou uma viagem no tempo até ao Fora da Caixa)

Carolina

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Há cerca de um mês atrás tinha planeado escrever um post a propósito de fazer um ano desde que filmamos a primeira reportagem para o Fora da Caixa. Quem acompanha o blog diariamente deve ter-se apercebido que esse post não foi para o ar - porque nunca o consegui acabar de escrever. Há experiências tão complexas e indescritíveis na nossa vida que se torna difícil falar sobre elas - pelo menos de uma forma justa; é difícil dar a entender aos outros aquilo que essas experiências foram para nós, porque por serem tão "grandes" e terem tomado determinadas dimensões na nossa vida parece que, por mais que digamos e escrevamos, tudo fica aquém da realidade.

Isto serve para o bem e para o mau - há coisas indescritivelmente felizes e outras indescritivelmente tristes. Já tive das duas e todas me marcaram de tal forma que sinto que chegaram mesmo a mudar o rumo da minha vida. O Fora da Caixa foi a última experiência desse género que tive - e pode não ter mudado a minha vida completamente, mas foi definitivamente um ponto de viragem, tanto a nível pessoal como universitário.

Faz hoje um ano em que o programa foi para o ar, o culminar de vários meses de trabalho e de vivências intensas que não consigo esquecer. E por muito que não faça jus a tudo isto, hoje não podia deixar de escrever sobre o programa que marcou a minha vida, o meu "bebé". Faço, por isso, um post um bocadinho diferente do normal - quase que como uma "viagem", entre texto e fotografias, algumas que ainda não tinha mostrado a quase ninguém.

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Porque eu posso, de facto, escrever os quilómetros que quiser sobre esta experiência - mas nunca vou deixar de sentir que não estou a transmitir de forma digna e fidedigna o suficiente aquela experiência, de forma a explicar o efeito colossal que aqueles três meses de stress, pressão e trabalho brutais surtiram na minha vida. Talvez só as pessoas mais próximas consigam entender, até por verem o "antes do Fora da Caixa" e o "depois do Fora da Caixa" da Carolina. Acho que a minha família e amigos mais próximos nunca duvidaram das minhas capacidades, e todo o orgulho que sentiram em mim foi para além daquilo que foi para o ar e do trabalho que fiz - foi por perceberem que os outros também perceberam um bocadinho de quem eu era, algo que em todos os anos de escola e faculdade eu nunca tinha sido capaz de fazer.

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 A frase que mais ouvi depois do programa é que quem tinha saído fora da caixa tinha sido eu - e não posso nega-lo. A minha relação com a universidade mudou assim como a minha relação com os meus colegas - que deixaram de ser só caras e passaram a ser pessoas, a ter qualidades e defeitos, para além de estigmas e rótulos que atribuímos inevitavelmente às pessoas antes de as conhecermos devidamente. Fiz amigos e criei conexões, que foi algo que nunca tinha feito - e que a vida, no fundo, me obrigou a aprender. E tive experiências que não esperava - não esperava nunca sair em reportagem, falar com as pessoas, interagir com elas. Não esperava ter de idealizar um cenário, ter o stresse de não ter quase um convidado em estúdio. Na verdade, nem sequer esperava ter sido tão feliz como fui, uma vez que os relatos dos anos anteriores eram de zangas, brigas e chatices, mais do que outra coisa qualquer. Mas, pelo contrário, o Fora da Caixa deu-me tudo o que era previsto e muito, muito, muito mais.

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Digo-o, sem pudores, que foram dos 3 meses mais felizes da minha vida - também por terem sido vividos depois de um meio ano particularmente difícil para mim e para a minha família. Eu tenho muitos defeitos na minha lista para apontar - e sei que o meu constante estado pessimista, de não aproveitar tudo o que a vida me dá e a sorte que tenho é um deles. Mas, por outro lado, tenho a capacidade de perceber os momentos em que estou feliz e de os aproveitar ao máximo; de lhes tirar todo o sumo, até à última gota, até só ficar mesmo a casquinha. E foi isso que fiz. Dei tudo de mim, até à última gota de suor, a última lágrima, o último grito de irritação ou de vitória e o máximo dos minutos do meu dia, até cair todos os dias redonda de cansaço na cama.

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Não sei se foi isso que fez deste um dos melhores programas que CC já viu (e não, não vou ser modesta em algo que tenho a certeza), mas tenho a consciência tranquila relativamente ao meu trabalho. Ainda hoje há quem me fale do programa, que me dê os parabéns. Fiquei espantada quando há uns tempos, numa reunião pré-estágio, um professor veio ter comigo e me perguntou o que estava ali a fazer. Eu olhei para ele de soslaio, como quem diz "queria que estivesse onde?!" e ele, percebendo o meu olhar confuso, disse: "achei que estivesse em multimédia". Eu achei aquilo estranho, porque tinha a certeza que nunca tinha partilhado com nenhum professor a minha antiga ideia de ir para engenharia informática - só daí é poderia vir a ideia que enveredaria por um ramo que não assessoria. Perguntei porquê e ele respondeu, para meu espanto, que achava que a minha posição de realizadora no Fora da Caixa me tivesse feito perceber que tinha um dom. E sim, ele disse a palavra "dom". E eu fiquei abanada, sem sequer conseguir ouvir bem a conversa que se seguiu, sobre o facto de se precisarem de pessoas no cinema em Portugal e etc. Fiquei orgulhosa, não posso esconder.

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Agora restam-me as saudades - e, acreditem, tenho muitas. Agora que a faculdade está definitivamente a ficar para trás das costas, esta é a única altura de que sinto saudades e que sei que voltava atrás mal me dessem essa oportunidade. Só tenho pena que uma faculdade destas não promova mais atividades deste género e que não incentive (ou permita) os alunos a continuarem este tipo de coisas, como era a nossa vontade. Por mim ainda hoje ali estava, a fazer um programinha uma vez por mês e a alimentar o bichinho que nasceu em mim no que diz respeito à realização. Acreditem que nunca mais vi programas de televisão da mesma forma.

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Hoje, quando assisto aos novos programas de CC dos novos alunos de segundo ano, quase que consigo sentir a adrenalina deles. E, claro, o que mais sinto é saudade. Vivia tudo de novo. As alegrias, as tristezas, os fracassos, as zangas, as amizades, as conquistas, os dramas, a descoberta, o stress, a pressão, o trabalho. Tudo. 

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Mas o tempo não volta atrás e restam-me as memórias. As fotografias que partilho em cima (e muitas outras que tenho guardadas algures nos arquivos do computador) e os vídeos, do programa e do making of. Termino apenas com uma confissão: mesmo passado um ano, nunca vi o programa na íntegra. De cada vez que ligo o vídeo, a minha mente avança para as milhares de memórias que tenho em relação a isto. Lembro-me do que se estava a passar na régie, do que dizia, do stresse - e quando olho outra vez para o ecrã, os minutos tornaram a passar sem eu dar conta e sem eu ouvir - de novo! - o que estava a ser dito.

É demasiado para um coração que, mesmo passado um ano, ainda não aguenta tanta emoção. Há experiências maiores que nós próprios e esta é uma delas. 

 

 

28
Mar16

Cemitérios de posts nos meus favoritos

Carolina

Houve tempos em que eu, neste mundo da internet, era uma miúda organizada. Tinha centenas (sim, centenas) de links metidos dentro de pastas, que por sinal estavam dentro de pastas (que estavam dentro de outras pastas) na área dos favoritos e achava que assim tinha tudo à mão de semear. Na verdade, nem precisava de ser um site que usasse regularmente: se me lembrasse de um site que um dia me pudesse dar jeito, punha-o logo nos favoritos e era mais um para a coleção. Enfim, maluqueiras!

Hoje em dia já não utilizo os favoritos e, embora para olhos alheios isto possa parecer desorganizado, para mim está tudo nos sítios certos. Mas graças às novas tecnologias e mesmo tendo mudado várias vezes de browser ao longo dos anos, os meus antigos favoritos têm viajado comigo de computador para computador, de browser para browser. E um dia destes, num tempo morto (ou numa altura em que devia certamente estar a fazer algo e não estava), decidi dar uma olhadela naquela secção, mais propriamente na pasta "blogs" (que eram os blogs que seguia na altura, há uns seis anos atrás).

Não foi com surpresa que me deparei com 95% dos blogs que lá estavam (e era muitos) abandonados. Fechados. Com o tão conhecido "Error 404: URL not found." - ou então com a página redirecionada para um site tipo-porno com chinesas estranhas. Alguns que deixei de visitar por minha livre e espontânea vontade, outros que já sabia que tinham deixado de publicar. E não deixa de ser triste. Principalmente para alguém como eu que, naquela altura, vivia a internet literalmente como uma segunda casa e onde todos estes blogs eram quase meus "vizinhos", que me abriam as portas de suas casas e me faziam sentir sua amiga (alguns passaram mesmo a sê-lo, mesmo na vida real - mas muito poucos). 

Hoje, quando olho para aqueles blogs - que se tornaram autênticos cemitérios de posts - foi como se me tivessem fechado a porta. Porque a verdade é que, apesar de mais crescida e desprendida deste mundo, continuo a sentir que morávamos todos no mesmo bairro.

26
Mar16

Miúda 95 46#

Carolina

Os tokings

 

Eu faço parte da geração que iniciou estes novos tarifários "jovens" e pré-pagos, que antes não existiam. Lembro-me muito bem de, no meu 4º ano, ir a uma visita de estudo ver uma peça de teatro no Rivoli e de, no início, dizerem nos altifalantes que no fim todos os alunos iam receber um cartão Yorn. Foi a loucura. Recordo-me até que a minha professora pensou em dar-nos ou não os cartões, por achar que era demasiado cedo para termos telemóvel - no entanto, decidiu deixar essa decisão para os nossos pais. E a verdade é que, para muitos de nós, esse foi mesmo o nosso primeiro número de telefone.

Começou aí toda uma nova fase para nós: mandávamos mensagens uns aos outros, ligávamos a torto e a direito, até porque não pagávamos. Ter essa independência já era uma coisa do outro mundo. E vieram também as brincadeiras típicas de criança: ligar em número anónimo, não dizer quem era e... mandar tokings. Essa era a única que eu fazia - e hoje em dia, admito, tenho vergonha; passo-me se fazem brincadeiras do género comigo, por isso não me orgulho de as ter feito. Mas é assim, é a vida, foi o meu rasgo subtil de rebeldia (porque, na verdade, nunca tive jeito para ser rebelde).

Eu a minha prima juntávamo-nos, marcávamos o código do toking (que, para quem não sabe ou não se lembra, é uma espécie de mensagem/notificação que aparecia automaticamente nos ecrãs dos telemóveis a dizer que "o número x pede para lhe ligar") e púnhamos um número completamente à sorte, a ver se colava. Como era uma coisa recente, muita gente ficava à nora - e era a reação que nós gostávamos de apreciar. Quando ligavam de volta, ficávamos aflitas; mas quando mandavam mensagens confusas, deixávamos dourar a pílula e ver até onde aquilo nos levava (que era sempre a lado nenhum, e acabávamos por inventar uma desculpa cobarde ao estilo "é engano, desculpe!").

Esta vergonha dos tokings estava bem enterrada na minha memória até ao dia que a senhora que trabalhava aqui em casa recebeu um toking. Fiquei admirada pela longevidade da coisa - achei mesmo que tinha ficado preso naquela geração, tal como ficou na minha memória. 

20
Fev16

Miúda de 95 44#

Carolina

"Hoje é dia de tomar flúor!"

 

Estou, neste preciso momento, a comer um rebuçado. Talvez este "pequeno" pormenor ajude a perceber a razão pela qual me lembrei de uma recordação de infância, guardada bem nos recônditos da minha memória. Então e qual é essa memória? Os gloriosos dias em que, no primeiro ciclo e em filinha indiana, íamos todos em direção ao lavatório da nossa sala de aula e bochechávamos flúor.

É engraçado como, com o passar dos anos, olhamos para estas recordações com carinho - porque eu lembro-me muito bem de detestar o dia em que a professora se lembrava de nos dar aquele líquido cor-de-rosa e com mau sabor para nós bochecharmos. Sabia mal, cheirava a produto de dentista e era um martírio saber que tinha mesmo de fazer aquilo. Se bem me recordo, tomávamos o flúor uma vez por mês e todos fazíamos figas para que a professora se esquecesse e deixasse passar uma sessão. (In)Felizmente para nós, acho que era coisa que não acontecia muito.

Não sei se, de facto, essa técnica funcionava ou se tais práticas ainda se mantém, mas gosto de acreditar que pelo menos parte da minha (boa) saúde dentária se deve à minha professora. Avé ao flúor!

30
Dez15

A primeira percepção de 2015 & a realidade

Carolina

Se não pensar muito, acabo este ano com a perceção de que correu mal; na minha mente assombram-me momentos maus, de dor, de preocupação e cansaço profundo. Acho que, como nas casas, há algumas fases na vida de algumas famílias em que parece que tudo avaria; a diferença é que, no caso das casas, podemos mudar-nos ou resolver os problemas com relativa facilidade - o mesmo não acontece com a vida das pessoas. E eu sinto que, um bocadinho por toda a parte, os problemas se disseminaram. E, claro, como as nossas dores são as piores, a memória mais fresca que tenho deste ano foi da minha lancetação e destes últimos dias sem me conseguir sentar - e tudo o que me consigo lembrar sobre o ano que aí vem é que vou ser operada, o que já me estraga todos os prognósticos que possa fazer. Estar a morrer de medo do que aí vem é pouco.

Mas a verdade é que isto é a prova dura e crua de que a memória é extremamente seletiva - e se, a longo prazo, tendemos a lembrar-nos das coisas positivas (eu, pelo menos, sou assim), a curto prazo só nos lembramos de tudo o que de mau aconteceu. E talvez por isso - por as coisas más terem acontecido mais no fim do ano - a minha percepção deste ano que está mesmo a acabar seja muito negativa. Mas a verdade é que não foi.

Enquanto elaborei a lista de coisas que fiz em 2015 percebi que foi um grande ano - pelo menos a primeira metade! Nunca fui a tantos concertos na vida, nunca li tantos livros! Viajei, fui três vezes ao meu paraíso de descanso (o meu Algarve), a minha família aumentou e tive o meu irmão e sobrinhos imenso tempo aqui comigo. E tive experiências super, super, super enriquecedoras! Não vou esquecer o silêncio mágico do rio enquanto andava no caiaque nem nunca mais vou esquecer a loucura que foram os meses de preparação para o Fora da Caixa - esse que foi, sem sombra de dúvidas, o acontecimento mais marcante deste 2015 (acho que todos foram capazes de perceber isso).

O ano não acabou da melhor forma, mas sei que tenho o dever de puxar pela memória e não me deixar levar pelos seus truques manhosos; tenho de me lembrar de tudo de bom que aconteceu e, acima de tudo, agradecer. Pela sorte de ter o que tenho, de poder ter vivido o que vivi e pelas pessoas que me rodeiam (que, embora não sejam muitas, são das boas). Portanto, se me permitem, quero reformular: com excepção de uns meses finais e uns episódios mais duros, este ano foi um ano feliz - incrivelmente feliz.

 

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Quanto a 2016... que seja tão bom ou, se possível, melhor! E, claro, com muitos (e bons) posts à mistura! 

Vemo-nos para o ano, sim? Boas entradas!

13
Dez15

Miúda de 95 43#

Carolina

Os Patinhos

 

Bem, esta é um clássico - nem eu sei como é que não me tinha lembrado disto antes! Acho que todaaaa a gente sabe a música dos patinhos e é incapaz de não relacionar isto com a ida para a cama, todas as noites.

Se bem me lembro, o clipe passava todas as noites na RTP, pelas 21 horas - hora em que, supostamente, os meninos deviam ir lavar os dentes e meter-se na cama. Tenho uma vaga ideia de o ver passar na RTP1 (ou talvez na RTP2, nem sei) mas, acima de tudo, lembro-me de ter o CD dos patinhos! E nem se atrevam a gozar! Havia lá coisa mais estilosa do que aquele baterista com a crista verde que, todas as noites, era puxado por uma bengala para parar de tocar? Era incrível! Aliás, só uma coisa assim espetacular podia estar no ar desde 1998 até 2005 (segundo o wikipédia). Formou-se quase uma lenda! 

Eu sei que isto vai soar a coisa de velha, mas eram giros os tempos em que víamos patinhos antes de adormecer em vez de todas aquelas coisa estranhas que agora passam nos canais infantis sob o nome de "desenhos animados". 

 

 

15
Nov15

Miúda de 95 41#

Carolina

O Hi5

 

Nós quase nos esquecemos, mas já havia vida virtual antes do facebook. Aliás: se calhar não nos esquecemos, mas fazemo-nos simplesmente de esquecidos, porque a grande maioria de nós tem vergonha daquilo que lá tínhamos. Chamava-se Hi5 e teve uma morte repentina quando, de um momento para o outro, apareceu uma coisa estranha chamada "facebook" que passou a ser viral.

Eu lembro-me que resisti à mudança (era mesmo pirosa!) mas depois, a custo, lá fiz a "transferência" para o lado cool - e, claro, depois não quis outra coisa e fiz exatamente o mesmo que todas as pessoas: apaguei a minha conta no hi5. Gostava de ter algum printscreen da altura porque, na verdade, já nem me lembro bem do layout daquilo. Lembro-me que podíamos editar as cores do nosso perfil - as minhas eram verde e laranja (eu disse que era pirosa!); que podíamos alterar a posição dos nossos amigos, mesmo ao bom estilo adolescente, tipo "este é o meu primeiro melhor amigo, este é o meu segundo melhor amigo e este aqui é só amigo"; que era algo mais ao estilo do LinkedIn, onde escrevíamos o nosso próprio perfil e o enchíamos com textos sobre aquilo que quiséssemos e... é basicamente isso. A partir daí, já começo a misturar tudo e já não sei o que é realidade ou ficção (que é como quem diz "começo confundir com o facebook porque já não conheço outra realidade").

O que sei é que o Hi5 chegou a um nível de desespero tal que já deixa que as pessoas se cadastrem através da conta do facebook, o que é algo absolutamente espetacular, tendo em conta que os dois são, no fundo, concorrentes. Independentemente disso, creio que, hoje em dia, é uma rede social tão deserta e vazia de conteúdos como o Google+. E pensar que há apenas uns anos atrás estávamos lá todos - sem likes, sem shares, sem hastags. Esta nova realidade entranhou-se de tal forma nas nossas vidas que até já é difícil imaginar como eram as nossas vidas sem todos estes botões e expressões novas, não é?

 

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01
Nov15

Miúda de 95 39#

Carolina

O dois cavalos

 

Uma das melhores memórias que tenho de infância é de andar no dois cavalos da minha tia. Era uma alegria quando ela nos ia buscar à escola ou quando eu ia para casa dela mas pelo meio tínhamos de fazer alguns recados e passear pela cidade com aquela relíquia. 

Acho que continua a ser, até hoje, o único carro descapotável em que andei - e, num certo aspeto, será para sempre o melhor. Quer dizer, basta olhar para o carro para imaginar o quão fixe era andar ali, em dias de sol e com os cabelos ao vento! Ainda para mais, nos dias em que nos juntávamos aos três e quatro primos de cada vez dentro daquele carro minúsculo (o que não era propriamente legal), a risota era geral - neste momento, considero a minha tia uma heroína por nunca ter batido no meio de toda a galhofa que nós fazíamos. Gritávamos para as pessoas na rua, dizíamos-lhes olá e depois escondiam-nos para que ninguém nos visse e as pessoas ficassem com ar de perdidas a olhar para o ar. Ríamo-nos como uns perdidos, choravamos de tanto rir... e depois repetíamos outra vez.

O carro era vermelho como o da foto abaixo - parecia uma joaninha, só lhe faltavam as pintinhas pretas. Já não se fazem coisas como destas nos dias de hoje =)

 

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P.S.: O carro ainda existe e ainda anda! Só nós é que já não devemos caber todos lá dentro e, certamente, já não dizemos olá a pessoas desconhecidas na rua só para a ver, confusas, a olhar para o ar...

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