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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

09
Jul17

Precisamos de falar sobre as novas bóias que invadiram o país

Carolina

Quero aproveitar este dia em que o verão está meio descaracterizado, o sol escondido e uma humidade de pôr, literalmente, os cabelos em pé (as raparigas sabem do que eu estou a falar) para falar de um assunto que me tem deixado apoquentada durante os últimos meses.

Não sei se se lembram de eu ter feito, há um ano atrás, um post em que falava da falta de diversidade das bóias neste país. Na altura até deixei algumas sugestões de possíveis novos designs que pudessem aumentar a “fauna boial” do mar português, tais como “um polvo, um robalo, uma sardinha tão tipicamente portuguesa? Ou uma gaivota, um linguado ou uma amêijoa, se queremos pensar fora da caixa.”

Passou-se um ano e puff, do nada apareceram bóias de tudo e mais alguma coisa. Eles são ananases, melâncias, flamingos, unicórnios, dónuts meios trincados, cisnes brancos, cisnes negros… toda uma panóplia de novos insufláveis, que custam os olhos da cara mas que, ainda assim, invadiram os instastories de todo o verdadeiro português.

A minha questão é: e eu? Eu, que alertei para este problema gravíssimo que estava a deflagrar na nossa costa. Eu, que dei sugestões para mais e melhores bóias, inclusivamente com símbolos tipicamente portugueses. Eu, que divulguei a causa, cheia de compaixão por esses mares sem diversificação. Nem um royalty, nem um obrigado, nem um raio de uma bóia de graça. É triste esta vida, não é?

Embora na altura em que escrevi o post – e que causei todo este movimento “pró-bóia” – estivesse na praia, de papo para o ar, sem fazer nenhum e a ter ideias graças ao demasiado tempo livre que tinha, por estes dias, ainda que muito atarefados, tenho tido tantas outras ideias passíveis de serem usurpadas por marcas sem coração, que nem uma agradecimento fazem a esta pobre alma. Posto isto, vou só ali ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial registar as minhas ideias – claramente valiosas - e depois falamos, ok? (É que nem uma bóia!)

 

Flamingo-Brinquedo-Piscina-Piscina-Flutuante-Infl-

06
Jul16

Ainda sobre as bóias...

Carolina

Depois do meu post sobre a falta de diversidade que temos de bóias, fiz uma pesquisa aprofundada e apercebi-me que, provavelmente lá para os lados da China, as coisas são muito mais divertidas. 

Encontrei donuts, pretzels, flamingos, gaivotas, ananáses, melâncias e, a melhor de todas, unicórnios. Eu diria que isto é ver para crer, e só por isso deixei uma galeria cheia de ideias aqui em baixo. Empreendedores portugueses: depois não digam que eu não dou ideias!

 

(passem o rato por cima da imagem e cliquem nas setas para ver as fotos)

 

01
Jul16

E das bóias, ninguém se lembra?

Carolina

Aqui no Algarve tenho muito tempo para pensar. Penso muito na vida, nas pessoas, nas coisas, na evolução das espécies... Eu sei lá! A praia dá-me para isto.
E enquanto miro o mar e todos os bifes que para lá nadam, com todas aquelas pranchas de esferovite e fatos até às orelhas, penso nas bóias que trazem consigo e que todos já vimos. E aí reside a questão principal deste post: todos já vimos aqueles golfinhos cinzentos demais, aqueles crocodilos e orcas onde temos de fazer equilibrismo para nos pormos em cima deles, aquelas bóias estilo donut que imitam os desenhos de um pneu e as outras onde nos podemos deitar, transparentes e com umas riscas com várias cores no meio, ainda com direito a um buraquinho para pormos um copo que nunca existe. Todos já as vimos porque desde há 15 anos para cá que não se mudam o raio das bóias.
É ultrajante, não é? Quer dizer, neste período de tempo descobriu-se a cura para milhares de doenças, passamos dos telemóveis com teclas para os touch, das pens de 200Mb para 120Gb, o Algarve já foi "Allgarve" e já voltou ao nome inicial, já por cá passou a Troika, o Sócrates foi preso e o Miguel Relvas perdeu a licenciatura... Enfim, tantas coisas marcantes neste nosso mundo, tantas evoluções difíceis e que exigiram tanta pesquisa, tanta investigação (e, no caso do Sócrates, tantos tomates) e ninguém é capaz de inventar uma bóia nova? Um polvo, um robalo, uma sardinha tão tipicamente portuguesa? Ou uma gaivota, um linguado ou uma amêijoa, se queremos pensar fora da caixa. Qualquer coisa! Em desespero de causa até já só peço para mudarem aqueles desenhos manhosos: utilizam-se os mesmos moldes, as mesmas bóias, mas ao menos com um styling diferente. As pessoas continuarão a mandar chapas monumentais em quedas espalhafatosas proporcionadas por aqueles insufláveis, mas ao menos será em bom.
Dito isto, e feito o meu apelo em prol de um mar português com uma "fauna bóial" mais diversificada, deixo-vos com a deixa daquele gajo chato que dita moralidades na RFM: "Vale a pena pensar nisto".

07
Mar16

O mar que não quero ter como garantido

Carolina

Há uns anos para cá a baixa era, para mim, um dos meus sítios favoritos da cidade. Adorava ir para Santa Catarina fazer compras, apanhar ar por aquelas ruas mais típicas. Fiquei muito feliz quando percebi que ia tirar a licenciatura por aquelas bandas, porque achei que ia tirar partido de tudo aquilo que adorava - mas enganei-me.

A baixa passou a ser a minha segunda casa, para onde ia todos os dias - muitas vezes contrariada, com sono, sem vontade de ter aulas, onde me embrenhava obrigatoriamente no trânsito, passava horas à procura de lugar para estacionar e tinha de dar sempre moedinha ao arrumador. A baixa continuava a ser maravilhosa, mas já não era o sítio que escolhia para espairecer - era precisamente o contrário: era o sítio de onde queria fugir! Fiquei triste quando me apercebi disso. Era um local que antes me dizia tanto e que, pelo desgaste da rotina, quase se esvaziou de valor para mim. 

Agora saí dali (e, agora sim, o meu "amor" pela baixa, a par da saudade, já começa a voltar) e passei para um edifício em frente ao mar. Tenho tirado a barriga de misérias, recarregado forças (não físicas, que continuo super cansada, mas espirituais) e dado uns passeios antes de vir para casa, nem que seja para respirar o ar da maresia. Mas a verdade é que estou cheia de medo que isto se torne mais uma coisa normal na minha vida. Muito mais que a baixa, o mar tem para mim um significado e uma energia muito especial, que eu não quero que se percam.

Estou, por isso, a fazer um trabalho diário de auto-apreciação. A ver as coisas em vez de só passar por elas; a espreitar pela janela do escritório de vez em quando, só para me lembrar da sorte que tenho; cheirar a maresia, e não me limitar a respirar. Não quero que esta seja mais uma coisa do dia-a-dia, em que vou acrescentando coisas negativas e deixando passar. Não quero que o mar deixe de ser o mar, com todas aquelas características milagrosas que só o mar sabe ter. E quero aproveitar a sorte de o ter mesmo ali, a meia dúzia de passos de mim, como nunca tive.

26
Jan16

Bom dia!

Carolina

Acordar com as galinhas, vestir a camisola mais quente que tenho no armário, pôr um bocado de cor nas bochechas para fintar o ar de morta-viva, dar um jeito no cabelo, pegar na mochila com a máquina fotográfica e seguir para a lota para comprar o melhor peixe que há, logo com a praia ali ao lado.

Foi assim que comecei um longo dia de estudo, com o ar gélido a entrar por mim adentro e o cheiro a maresia a entranhar-se em mim. Tem tudo para correr bem.

 

DSC_0303.JPG

 

29
Set14

Já não há gaivotas no mar

Carolina

Uma das coisas que reparei quando estive no Algarve no início do mês é que já não há gaivotas - aqueles barquinhos a pedais, muitas vezes com escorregas incorporados - no mar. Em Maio já não havia, mais pensei que fosse por as concessões ainda não estarem abertas - agora, pelos vistos, extinguiram-se.

Ainda andei por vários sítios, por curiosidade, e afinei a visão a ver se vislumbrava alguma no mar (e costuma haver muitas) e nada. Nem uma, nem em terra, nem em água. Tenho para mim que aconteceu alguma coisa de mais grave e que acabaram com estas brincadeiras - que, se não forem levadas a sério, podem ter consequências graves (quantas vezes não fugiram de mim e levaram o barco, quando me atirava ao mar, e tive de ir a nado atrás deles? quantas vezes não caí mal na água e dei uma chapa monumental?).

Mas tenho pena, tanta pena. Não tenho fotos para recordar esses momentos (se levasse máquina fotográfica era meio caminho andado para ela ficar molhada ou ir para o fundo do mar, onde já não a conseguiria apanhar por causa da profundidade), mas guardo-os com o maior carinho no meu coração. Era uma das coisas que sempre mais gostei de fazer quando estava de férias: pagar dez euros e passar uma hora com amigos, o mais longe que pudessemos ir enquanto pedalavamos e dávamos à perna, a escorregar e cair naquela água gelada sem fundo à vista, até nos dar aquele arrepio até à espinha. Tão bom. Espero que voltem.

 

(foto daqui)

 

06
Jan14

Tenho saudades

Carolina

Este tempo atira-me vezes sem conta do abismo para baixo. Deprime-me. E eu só peço a todos os santinhos para que este inverno não seja tão rigoroso como o anterior, com chuva a potes e frio a enregelar os ossos; e que, lá para Março, uns raios de sol comecem a surgir, em vez de só aparecerem em Junho, como aconteceu no passado ano.

Parece que foi ontem o dia em que me pus a pé com as galinhas, vesti o meu bikini, tomei o meu pequeno almoço bem rapidinho para me despedir da Minha praia: ainda deserta, com a areia fria, as concessões fechadas e o nadador salvador a fazer "surf" na prancha que é suposto salvar vidas. O silêncio, a brisa, as ondas, a maresia e eu; a minha pele morena e o sal do mar, o meu sorriso e a areia. 

Tenho saudades daquela felicidade tão pura, tão simples, tão natural, que é estar naquela paisagem; ver a água do mar a invadir-nos e sentir aquele frio na espinha. Só espero que o tempo passe rápido para poder lá voltar.

 

 

 

 

15
Ago13

Mar

Carolina

Estes dias têm sido tão bons, tão doces, que eu mal consigo descrever. Têm sido férias, férias mesmo, distantes de tudo um pouco e só ao lado daqueles que estão sempre cá. É acordar, vestir roupa de banho e seguir para a praia, com a maior leveza e descontracção possível.

O mar deve ser das poucas coisas que, só por isso, me acalma e enche de felicidade. Não sei explicar porquê, mas só aquele cheirinho e o barulho característico fazem com que algo aconteça aqui dentro. Sou medricas em relação a tudo e mais alguma coisa, mas o mar é como se fosse a minha terra. Tenho-lhe respeito, sempre, mas sinto-me um peixe dentro de água. Não se contam pelos dedos das mãos as vezes que já enrolei, comi areia e bebi água horrivelmente salgada, mas mar é mar. Houve uma vez, uma só vez, em que me assustei a sério, ainda era eu pequena - num dia de inverno, só em passeio, fomos molhar os pés e, quando damos a volta para voltar ao carro, uma onda engole-nos e nós vamos com ele. Saímos todos ilesos, molhados apenas e com uma história para contar. Mas nem isso fez com que perdesse o meu amor pela água, pelas rochas, pelas algas ou por aquele sal indesejado. É como se ele fosse parte de mim. Um remédio vitalício, quase infinito, pelo qual não tenho de pagar. Tem sido tão bom.

Agora só quero chegar a sul e mergulhar por ele dentro durante horas a fio. Apanhar carrinhos, ver peixinhos, alugar um barco e ir para bem longe - sentir aquele friozinho na espinha que me faz sentir tão viva e feliz. O mar, sozinho, quase que faz o meu verão.

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