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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Mar17

Chávena de letras - "The sun is also a star"

Carolina

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Este é o segundo livro que leio da Nicola Yoon. Li o primeiro pela mesma razão que li este: estavam por entre os melhores do género YA do Goodreads, o preço era simpático e a capa muito bonita.

As virtudes que o outro livro tinha, este também tem: lê-se bem, a escrita é fluída, as personagens são fáceis de simpatizar. Este livro em particular tinha algo que não gostei e que, curiosamente, era sempre onde fazia as minhas pausas: tem capítulos (ainda que pequenos) sobre coisas aleatórias, que pouco mais fazem do que ocupar espaço e ditar uma série de frases bonitas. Exemplo: fala-se de uma personagem secundária num capítulo; o capítulo a seguir é "uma breve história da personagem X". O mesmo acontecia com coisas imateriais, como "uma breve história do tempo" e etc. Estes devaneios, para mim, foram uma barreira na leitura.

De qualquer das formas, em relação ao primeiro livro, este ganha ao nível da profundidade das personagens e da narrativa. Acaba por ser uma obra bonita, pelo contraste de mentalidades que existe entre as duas personagens, as suas crenças e a forma como ambos se "equilibram", passando um ao outro aquilo em que acreditam e abdicando um pouco daquilo que antes acreditavam.

Apesar dos narradores serem as personagens principais (de forma intercalada), há de certa forma um ponto de vista exterior e realista sobre a relação dos dois que, para mim, foi interessante de ler.

Pontos extra, mais uma vez, pela capa magnífica.

 

O primeiro livro que li desta autora foi o Everything, Everything, cuja review podem ler aqui. Descobri há dias de que vai haver um filme baseado na obra e fiquei com a sensação que vai fazer parte daqueles casos raros em que o filme é melhor que o livro. Trailer aqui.

26
Mar17

Livros, livros everywhere

Carolina

Sabem aquele jogo das diferenças? Pronto, hoje é dia disso. Olhem à vossa volta a percebam o que mudou. (...) Se não viram nada, tenho-vos a dizer que são um bocadinho ceguetas, mas eu perdoo de qualquer das formas. Foram-se as flores, vieram os livros; foi-se o azul do meu coração e veio a minha cor favorita dos últimos anos: o amarelo.

A raiz do blog mantém-se a mesma, mas arejei-o um pouco, que era algo de que já estava a precisar. Eu sou um bocado paranoica e há uns meses meti na cabeça que já estava cansada daquelas flores estilo papel, que estavam lá no topo. Passei várias noites e vários fins-de-semana a trabalhar nisso, gravei centenas de imagens inúteis neste computador, mas nada parecia resultar - o que só agravou a situação, porque estava a ficar impaciente e chateada por não conseguir fazer com que nada funcionasse visualmente. Aliás, nem sequer tinha ideias, um conceito que quisesse seguir. Estava a levar-me à loucura.

Acho que o facto de não andar a frequentar blogs também não ajuda: antes via muita coisa, algumas giras, outras horríveis; mas sempre ia vendo, tirando ideias daqui e acolá. Agora a fonte quase que secou e eu estava a entrar em desespero. Hoje tornei a pegar nesta mini-empreitada, voltei a dar a volta a meia internet e agradou-me a ideia de "biblioteca". A verdade é que o visual das flores foi, dos muitos templates que já tive, aquele que mais adorei: para além de achar que ficou visualmente muito bonito e leve, coincidiu com uma fase muito boa da minha vida e tudo aquilo fazia sentido para mim.

Mas passaram dois anos, as coisas mudaram e eu já estava a ficar cansada daquilo. Como em todas as fases más que passo, deu-me uma necessidade louca de fazer uma limpeza geral, uma mudança drástica. E pronto, cá está: não foi drástica, foi moderada, mas ao menos os ares ficam renovados. E com livros, o que é sempre uma coisa boa! Na verdade tenho lido muito pouco, mas tenho sentido a necessidade de ler muito - acho que nos momentos em que a vida não está tão "florida", eu procuro as flores noutros canteiros e os livros são, sem dúvida, o meu refúgio de sempre. Nos últimos tempos tenho voltado os momentos de "má solidão" - porque a boa, convivo com ela todos os dias (e bem) - e sinto falta de ter a companhia de um livro para me "dar a mão" nos momentos mais agrestes. Na mesinha de cabeceira está "On Writing", de Stephen King, que é um livro incrível mas que por ser de memórias espaçadas não é propriamente um companheiro - portanto planeio acaba-lo rapidamente para conseguir ler um romance qualquer que me aqueça a alma. 

Mas bom: os livros invadiram, por isso, este blog por tempo indeterminado. Ainda sou capaz de ir fazendo algumas alterações aqui e ali ao longo dos próximos dias mas é bom que se vão habituando a este "cheiro" a biblioteca. Para mim, que tenho um olfato hiper apurado e que sou uma esquisita com cheiros, este é definitivamente um dos melhores odores do mundo. E é um bom reminder de que continuo a trabalhar para um dia ter o meu nome numa daquelas lombadas.

12
Fev17

Um guia turístico diferente

Carolina

Antes de fazer as viagens, emprestaram-me um molho enorme de guias para eu fazer uma seleção dos sítios onde queria ir. É óbvio que não tinha grande tempo para fazer muita coisa, mas foi uma boa hipótese para fazer ver aquilo que achava ou não que valia a pena visitar.

No meio de tudo isso veio um livro enorme e pesado, chamado "36 hours - Europe", em que o conceito é basicamente "o que fazer num fim-de-semana num destino europeu?". Começa a meio da tarde de sexta feira, passa por sábado e pela manhã de domingo - no fundo, um tipo de viagens muito instituída pelas companhias low-cost, em que se tem de ver tudo em modo Speedy Gonzalez e pensar "é melhor que nada".

Mas bom, a ideia era eu ver o que o livro trazia sobre Madrid e Munique, mas a verdade é que gostei tanto do conceito que dei por mim a folhear o livro por inteiro - principalmente nas cidades que já conhecia, para perceber se os sítios que eles sugeriam iam de encontro aos que eu tinha ido e gostado. E a verdade é que há muitos sítios de que gostei muito, mais ao menos comerciais, e que o livro sugere. No fundo, tem um bocadinho de tudo: primeiro uma breve contextualização da cidade, depois um sítio para passear, outro para jantar, outro para tomar um copo, um museu, uma loja ou outra coisa que os autores acharem relevante. Acho que isto é uma compilação de textos publicados no The New York Times e, para além da edição sobre a Europa, há sobre os USA&Canadá, Nova Iorque, Londres e América Latina.

Para além do formato giro e pouco usual de apresentar as coisas, o livro é lindo, muito bem desenhado, com fotos e ilustrações incríveis, que fazem com que não apeteça parar de se folhear. Encontrei-o no The Book Depository a 23 euros (agora está a 24) e achei uma autêntica pechincha. Os guias turísticos são caríssimos, um só livro sobre uma cidade pode chegar a custar mais do que isto, e pagar pouco mais de vinte euros por um livro com quase 700 páginas, que pode servir até de decoração de centro de mesa (por exemplo) e que tem informação sobre todas as cidades principais da Europa, é quase de borla. Fiquei rendida ao formato e à beleza da obra, por isso não podia deixar de a partilhar convosco. E, se gostam de viajar, este é capaz de ser um bom investimento.

 

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Para terem uma ideia, no Porto aconselham o Restaurante DOP, o Mercado do Bolhão, o Hard Club, o Centro Comercial Bombarda, as Galerias de Paris, a Fundação Serralves, as caves Sandeman, entre outros.

 

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 Em Lisboa aconselham a visita ao LX Factory, à Casa da Comida (não conheço), ao MUDE, ao Museu Nacional de Arte Antiga e ao Le Chat (que também não conheço), entre outros.

 

31
Jan17

Pôr miúdos a ler Valter Hugo Mãe é a anedota da semana

Carolina

Comecem a preparar as pedrinhas, defensores acérrimos da literatura portuguesa, porque vão precisar. Eu, pelo sim pelo não, já fui buscar o escudo, que daqui a dois dias vou de viagem e não me apetece ir de olho negro. Vamos lá a isto.

Ontem explodiu uma polémica a propósito de um livro do Valter Hugo Mãe, que contém conteúdos explícitos a nível sexual, por este estar proposto no plano de leitura dos alunos do terceiro ciclo. Foi uma queixa apresentada por pais, o que eu acho muito bem, mas fico parva com tudo o resto: primeiro porque o conteúdo, para além de explícito, é bruto; segundo porque os típicos comentadores de facebook vêm dizer que as criancinhas não são nenhumas santas e que sabem muito bem o que é sexo e blablabla. Pois uma criança de 12 anos saber o que é sexo, principalmente nos dias de hoje, é de facto normal; já saber interpretar e contextualizar uma frase que diz "e a tua tia sabes de que tem cara, de puta, sabes o que é, uma mulher tão porca que fode com todos os homens e mesmo que tenha racha para foder deixa que lhe ponha a pila no cu" (citado) é outra coisa completamente diferente. Nem me vou alongar neste tópico, sou tudo menos experiente no campo da educação sexual, mas sei que dar uma visão destas a um puto é para ele 1) rir histericamente à gargalhada por ver escritos uma série de termos que os pais censuram, 2) não perceber absolutamente nada, 3) ficar com uma visão deturpada sobre aquilo que é o sexo e 4) ainda ter o bónus de saber o que é uma "puta", no pior sentido possível. Só por isto, este livro nunca deveria ser sugerido para alunos com 15 anos no máximo. 

Por outro lado há toda uma outra questão, onde me pretendo focar mais - e aqui até posso incluir os alunos de secundário, a quem supostamente este livro é verdadeiramente destinado (embora eu também não concorde): se o Plano Nacional de Leitura tem também como objetivo fomentar hábitos de leitura, porquê dar um dos autores mais difíceis da literatura portuguesa contemporânea? Principalmente se pensarmos em alunos, por exemplo, do sétimo ano, dá-me uma vontade de rir imensa de tão ridículo que é. 

E podem achar que não falo com conhecimento de causa, mas falo. Primeiro porque saí da escola há quatro anos, ainda me lembro bem dessa realidade; segundo porque aprendi a gostar de ler relativamente tarde e lembro-me bem de como foi esse processo; e terceiro porque lido com miúdos com idades próximas do terceiro ciclo, praticamente todos os dias, e sei aquilo que eles sabem e a maturidade que têm (ou não têm, que é mais este o caso). Muitos deles mal lêem direito, têm graves falhas de vocabulário, não sabem escrever direito, não sabem pontuar sequer razoavelmente, não cumprem regras básicas de ortografia - e é ridículo dar-lhes um livro que não cumpre as regras clássicas de pontuação, que não escreve com maiúsculas e que, como bónus, ainda tem uma linguagem bruta por detrás e uma história pesada que têm de saber digerir. Não cabe na cabeça de ninguém.

E digo que isto também serve, em grande parte, para alunos de secundário porque a verdade é que muitos deles também não gostam de ler - e não é com livros destes que vão chegar lá. Eu fui para um curso de letras e vi textos e trabalhos que davam direito a um ataque de coração, de tão mal escritos (e com erros) que estavam.

Faz falta ler. E irrita-me que as pessoas sejam fundamentalistas e queiram pôr putos a ler com obras que nem sequer muitas pessoas adultas conseguem, que não gostam, com estilos de escrita demasiado carregados e histórias pesadas, só porque são autores com nome na praça. Para mim, pode ser o Harry Potter, o Twilight, o Eragon, o Triângulo Jota, os Uma Aventura - o que quiserem. Todos os livros que façam alguém gostar de ler deviam ter um estatuto de deuses gregos. Porque são esses os responsáveis por todos os livros que vêm a seguir: os clássicos, os light, os young adult, o que for. Mas tudo começa ali. E eu duvido seriamente que alguém comece a gostar de ler com Valter Hugo Mãe. Muito menos aos 14 anos de idade.

16
Jan17

Sobre a complexidade de construir uma história ou uma simplicidade escondida

Carolina

Não é segredo para ninguém que o meu grande sonho é escrever livros. E quando eu digo "escrever livros" não me refiro a compilações de textos soltos, crónicas e coisas desse género - porque aí já podia ter uns cinco! -, mas sim a ficção. Quero um dia, mais do que partilhar os meus sentimentos, ideias e peripécias, conseguir criar uma história de raiz e fazer com que os leitores se embrenhem nela.

Até hoje tal nunca aconteceu. Sei que há muita gente da minha idade que já tem imensa coisa escrita, mas não é o meu caso - e sinceramente é algo que me apoquenta, porque nunca vi em mim a capacidade de construir histórias. Há imensas pessoas que, desde pequenas, inventam personagens, sítios e enredos, mas eu nunca fui assim; adoro perder-me em mundos criados pelos outros, mas não tenho grande capacidade de criar os meus, e temo que isso me impeça de escrever (bem) uma narrativa. No entanto, tenho esperança que a experiência de vida me dê novas ideias, perspetivas e aprendizagens nesse sentido. Ainda assim, tento ler sempre muito sobre o assunto, tanto por parte de quem sabe como de escritores, que são os melhores mentores possíveis.

E uma das coisas que mais me fascina no processo de criação é a construção das personagens e as suas ligações. Acho que um escritor tem de ter uma mente muito vasta para imaginar toda uma árvore em que tudo se liga para um determinado fim, tendo de ser realista e humano enquanto descreve todos aqueles acontecimentos. No entanto sempre me questionei até que ponto é que a profundidade dessas ligações é de facto criada pelos escritores ou se são os leitores, às vezes de forma obsessiva (eu, Carolina, me confesso) que as criam. Para além disso, acho sinceramente que são feitas leituras excessivas de todas e quaisquer frases que são escritas - um "sim" pode querer somente dizer "sim" e não trinta coisas diferentes; acho que às vezes os leitores têm tendência a dar mais significado às coisas do que as próprias pessoas que as escrevem.

Eu explico: peguemos no caso de J. K. Rowling, com os livros do Harry Potter. Há uns meses largos, quando tive a ideia de criar este post (sim, são estes os meus tempos de atraso...), cruzei-me com um post repleto de factos interessantes sobre o HP. Vejamos: "O último livro da saga decorre no ano em que o 1º livro é publicado, e muitos indicam que a frase “I open at the close” tem, realmente, um duplo significado." Outro exemplo: "Se alterarmos a ordem das letras do nome Remus Lupin, podemos escrever “primus lune” que se pode traduzir como “primeira lua”". Eu adoro a J. K., acho-a um génio, mas questiono-me muitas vezes: será que ela pensou, de facto, em tudo isto?! Todos os "potterheads" podem corroborar comigo: há teorias sobre tudo o que envolve o Harry Potter, desde os nomes das personagens, passando pelas suas famílias, feitiços e etc. Mas eu acho humanamente impossível que alguém tenha uma história tão bem construída, que tudo tenha uma razão por detrás, um significado subliminar. Penso, sim, que tal acaba por ser fruto de um trabalho posterior, tentando responder às milhentas perguntas de inúmeros leitores famintos que querem saber de coisas que nem tinham ocorrido ao escritor enquanto escrevia.

Há dias li uma notícia que contava que a autora de um poema que apareceu num manual escolar tinha reclamado devido ao facto de nem ela - que era a autora! - conseguir responder a uma pergunta que era feita sobre o seu texto. Acho que, muitas vezes, temos a tendência de esmiuçar tanto os textos, as frases e as palavras que complicamos tudo e esquecemo-nos de que, como na vida, há coisas que são como são, tão simplesmente. Lembro-me de pensar muito nisto quando dei Camões, altura em que me senti uma completa analfabeta - [supostamente] percebia tudo ao contrário, as minhas interpretações eram completamente díspares daquelas que eram propostas pelos autores e professores. E eu, nessa altura, anuía simplesmente e concordava, mas a verdade é que Camões já não está cá para dizer porquê - e sobre quê - que escreveu determinado soneto, pelo que não há prova dos nove possível para tirar as teimas.

Já foi o tempo em que escrevia textos que só eu entendia - diria que agora 90% daquilo que escrevo é claro como a água, sem mensagens subliminares. Mas a verdade é que se me mostrarem um dos textos que cabem nesses 10% que restam, eu provavelmente já não me vou recordar dessa corrente de "porquês/ para quês/ para quem's" que está por detrás daquilo. As coisas que escrevemos no momento fazem sentido naquele contexto, com aquele sentimento - e depois, como tudo o que é visto a longa distância, vão perdendo o sentido e eventualmente o valor. E a verdade é que nunca são perfeitos, porque são genuínos - porque pouco do que sentimos é racional e extremamente pensado. Por isso contem comigo para desconfiar sempre daquelas pessoas que têm narrativas construídas ao milímetro, com personagens desenhadas até ao âmago, com histórias de vida desde o primeiro minuto de idade - porque a verdade é que, na realidade, nós somos um esboço em constante criação, as coisas mudam e nada é perfeito. E se um livro se quer realista... tem de haver imperfeição, incoerência e irracionalidade à mistura - porque na vida também não há explicações para tudo.

08
Jan17

Chávena de letras - "A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num bar"

Carolina

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 O humor é algo que pensamos ser simples, inato e natural, porque provoca em nós (pelo menos quando bem feito) uma reação que é exatamente assim: o riso. Mas a verdade é que há muito que se lhe diga em relação à escrita humorística, quando vista de um ponto de vista racional e pragmático, como algo que não só se tem de nascença, qual dom, mas que também se aprende e se treina. É sobre isto o livro de Ricardo Araújo Pereira.

Que se desengane quem compra este livro para se divertir. A escrita do RAP está lá, mas isto é essencialmente a reflexão de alguém extremamente culto e com experiência sobre essa arte que é fazer as pessoas rir. Confesso que o primeiro capitulo foi um choque, porque parecia estar a ler uma tese cheia de referências bibliográficas: e embora elas continuem ao longo do livro, lêem-se bem e enriquecem-no imenso, nunca chegando a tornar-se chatas.
Há algumas coisas que, a meu ver, não ficaram muito claras e bem explicadas (caso do capítulo "mudar uma coisa de um sítio para o outro"), mas no fundo isto não passa de um manual sobre fazer humor, cheio de exemplos e muitas reflexões interessantes. É inegável a cultura e a inteligência do RAP, que transpiram a cada parágrafo deste livro.
Termino dizendo que uma forma de resumo desta obra é a entrevista do Alta Definição que Ricardo Araújo Pereira deu há alguns meses - muito do que está aqui escrito está lá dito, de forma se calhar menos exaustiva mas obviamente mais engraçada.
Em suma, gostei muito e aconselho a todos aqueles que queiram aprender um pouco mais sobre a escrita humorística, vista pelos olhos daquele que é, para mim, um dos melhores de Portugal.

06
Jan17

Chávena de letras - "Love&Gelato"

Carolina

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 Este livro foi óptimo para arrancar o ano e tem tudo o que se quer para os próximos doze meses: é doce e acaba bem. Para além disso passa-se em Itália, por isso as probabilidades de ser espetacular já eram elevads.

Antes de mais, começar pelo óbvio: a capa do livro é giríssima, super apelativa e, de alguma forma, representa o livro na perfeição. Na edição que comprei, da Simon Pulse, a capa com a imagem dos gelados é amovível, sendo a capa dura muito simples, à moda antiga, simplesmente cor de rosa - o que, só por si, já é muito giro.
Relativamente ao conteúdo não há muito a dizer: a escrita é fluída e "catchy", a história é engraçada embora o início seja triste, ainda que indispensável para a narrativa fazer sentido - só peca, na minha opinião, por ser muito previsível. As personagens são muito doces - talvez demais, aos olhos do mundo real - e muito fáceis de empatizar. Para além do mais proporciona-nos uma viagem por Florença e os seus pontos mais emblemáticos, fazendo com que eu tivesse ficado com ainda mais vontade de visitar Itália de uma ponta à outra.
Vou ficar de olho nesta autora e esperar por mais.

 

(lido em inglês)

01
Jan17

Os livros de 2016 e as expectativas para 2017

Carolina

2016 foi um ano estupendo mas, como não há nada perfeito nesta vida, temos mesmo de falar de um assunto sensível: os livros. No meu "reading challenge" tinha colocado uma meta de 20 livros e falhei por 3, algo que já não acontecia há alguns anos. Isto não tem nada que ver com "corridas" ou algo parecido, mas este tipo de metas ajudam-me a ler quando não estou tão incentivada; por outro lado, e apesar de não o fazer por obrigação, ler é quase um trabalho de casa - só lendo é que consigo escrever melhor, aprender mais.

Para além de ter falhado em termos de números, confesso que a qualidade do que li também não foi por aí além. Dos 17 livros que li, 11 foram em inglês - foi uma estreia, até aqui nunca tinha lido livros inteiros numa língua estrangeira e, como se percebe, virei fã; no entanto, confesso que o português me fez falta. Por outro lado a grande maioria deles foram livros Young Adult (YA) que, como também já se percebeu, é o meu guilty pleasure. De alguma forma sinto que a minha adolescência foi tão pacífica que adoro viver na pele dos outros sem ter todas aquelas consequências e ideias parvas que não tive na altura - nem queria ter, prefiro mesmo ler. É também uma forma de escape: é assumidamente literatura ligeira e eu posso arcar perfeitamente com esse "fardo", porque a leio precisamente para relaxar e me distanciar um pouco da minha nova vida de adulta. 

Acho que essa é mesmo a razão de não ter conseguido ler muito: em 2016 passou-se demasiada coisa na minha vida e eu estava concentrada em absorver tudo e a tentar desfrutar ao máximo. Foram muitas mudanças de rotina, entre exames - estágio - férias - trabalho e muitas coisas ficaram pelo caminho, porque eventualmente temos de definir as nossas prioridades. Ler é uma prioridade para mim, mas no meio de livros que não me cativaram e tanto mundo para explorar, a leitura ficou um pouco para trás - e é algo que quero muito reatar neste novo ano. Sem dúvida que os livros YA vão continuar a fazer parte da ementa, porque também me ajudam a ter vontade de ler, mas vou ver se consigo enveredar algumas vezes por obras mais sérias, de que também já sinto falta. Para não ficar à quem das expectativas, pus 15 livros como o objetivo deste ano - mas secretamente gostava obviamente de ler mais; de qualquer das formas, assim é mais seguro.

Sobre 2016 deixo aquela infografia giríssima que o Goodreads faz anualmente, acrescentando que o meu livro favorito do ano passado foi "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert". Os prémios de maior desilusão vão para a J. K. Rowling com o "Fantastic Beast and Where to Find Them" e o guião do "Harry Potter and the Cursed Child", o pior livro que li vai para o português Tiago Rebelo com "Romance em Amesterdão" e, terminando numa nota positiva, a descoberta do ano vai para Natasha Boyd, de quem gostei muito dentro do estilo YA.

Que 2017 traga muitos livros, muitas letras e muitas surpresas!

 

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12
Dez16

Chávena de letras - "Remember When"

Carolina

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Ler romances Young Adult (YA) é como voltar a casa. Pelo menos nesta fase da minha vida é algo que me dá realmente prazer em ler e que tenho facilidade em devorar. Já tinha esta trilogia pousada na minha estante há algum tempo, depois de a ter comprado após ler umas críticas positivas no Goodreads e achei que era altura de lhe pegar. 

A primeira coisa a assinalar é que a edição é muito fraquinha. Parece um simples documento word impresso com a primeira fonte que apareceu, sem qualquer tipo de desenho, destaque de capítulos ou qualquer outro floreado ao nível da edição que a torne mais rica. A capa também não tem nada que ver com o livro (talvez tenha sido a primeira imagem que apareceu no google?), por isso a obra ganhava muito em ter este aspeto mais trabalhado. Porque de facto merece.

Esta é uma história fácil de ler, com muito humor e algo que é raro encontrar em personagens neste tipo de livros: auto-crítica. Os adolescentes são muitas vezes retratados como simplesmente impulsivos e quase "sem cérebro", regendo-se simplesmente pelas emoções e pelas hormonas. A minha experiência não foi assim e calculo que nem todas assim sejam, pelo que é bom ver que há autores que se aproximem dessa visão mais realista (na minha opinião) daquilo que é ser jovem. A personagem masculina, como de costume, é perto de irresistível, por isso também não há nada que lhe possa apontar.

Há muita coisa que é possível desenvolver nos próximos dois livros, por isso já estou no encalço do segundo volume desta história que quebrou com a minha "depressão literária".

20
Nov16

Sim, eu gosto da Cristina Ferreira

Carolina

Não percebo o ódio crónico que muitas pessoas têm pela Cristina Ferreira. Se antes argumentavam dizendo que era "uma peixeira" ou tinha uma "voz esganiçada", hoje ficam aparvalhados com o seu sucesso e isso, só por si, já é uma boa razão para não gostarem dela.

Eu cá digo-vos uma coisa: eu admiro-a profundamente e olho para ela como uma inspiração. Ela é a materialização de um dos valores principais da minha vida: o trabalho. É a prova de que, trabalhando, se consegue atingir tudo, mesmo apanhando pedras pelo caminho - que as há, em qualquer dos trilhos que escolhamos para as nossas vidas. 

E isto não quer dizer que a adore, que veja o Você na TV, que leia o seu blog, que goste dos looks dela, que compre a revista. Pelo contrário: não gosto muitas vezes da roupa que escolhe, a veia histérica dela irrita-me um bocadinho, a revista que gere e dá o nome tem sempre uma componente sexual implícita que não me chama a atenção. Mas isso não quer dizer que não reconheça o trabalho árduo que ela tem e o do percurso magnífico que tem traçado nos últimos anos, como nunca nenhuma figura pública tinha feito em Portugal. 

Acho-a uma mulher inteligente, admirável, verdadeira, genuína e com olho para o negócio. E para além de ter conseguido tudo o que temos visto, há ainda outros pormenores interessantes que não são tão focados mas igualmente importantes. A forma exímia como gere a sua vida privada, por exemplo - nunca lhe vimos a mãe, o pai, o filho, a casa ou o local onde vive. Para alguém que tem os holofotes sempre em cima de si, isto é algo absolutamente heroico e de louvar. E eu percebo. Acho que quem tem sempre pessoas a olhar para si deve mesmo precisar de ter um refúgio onde não pairem olhos desconhecidos.

A gestão que ela tem feito de tudo isto, a forma como vai libertando novidades consecutivas, é por um lado inteligente e por outro arriscado. Cheguei a um ponto em que já não a podia ver à frente, ela era quase omnipresente: nas revistas, nos livros, na televisão, nos anúncios, na rádio, nos blogs, no facebook, no instagram. Achei que esta presença tão forte iria acabar por enjoar o público, tal como me enjoou a mim. Aparentemente, enganei-me. Ela continua aí, de vento em popa, a lançar coisas sempre com o fator "novidade" e "inusitado" associados. E, perante as evidências, só tenho de me render e aplaudir.

Ontem ela lançou o seu livro aqui no Porto, cidade que bem sabe receber. Mais um golpe inteligente. É claro que, tendo em conta todo o secretismo em que ela envolveu a sua vida pessoal, qualquer pessoa que simpatize com ela tem curiosidade (ou cusquice) e esperança de saber um pouco mais das suas raízes e da sua esfera privada. Eu confesso que folheei o livro no dia em que ele foi para as bancas e pareceu-me ser um simples livro de crónicas ou memórias, com uma escrita que aparenta ser mesmo ser dela (comparada com a do seu blog), que não é de todo má.

Eu não fui ao lançamento, que não sou dessas coisas e enchentes é coisa que me aflige, mas fica aqui descrita a minha admiração pública por esta miúda que conquistou Portugal. Não sei se vou ler o livro mas posso garantir que não tenho vergonha se o fizer, pois encaro-o como um conjunto de histórias de alguém que admiro e que é uma inspiração para alcançar sempre mais.

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