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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Jul17

À atenção de todos os que não sabem o que fazer da vida, aos que querem escrever e aos que querem ser jornalistas ou assessores #2

Carolina

Chega a esta altura do ano e começo a receber emails, mensagens e comentários relativamente ao curso que tirei (na verdade, recebo-os durante todo o ano, mas nesta época de candidaturas é naturalmente mais intenso). Há uns anos escrevi um post onde falava sobre tudo o que achei pertinente sobre a licenciatura de Ciências de Comunicação da Universidade do Porto e sei que muita gente vem cá parar graças a isso. É notória a falta de informação que há sobre os cursos e as pessoas querem, logicamente, saber experiências e ter o feedback de quem lá andou para saber o que lhes pode cair na rifa. Mas na altura tinha acabado de completar o primeiro ano, algumas das minhas opiniões mudaram e agora que já trabalho e tenho algum distanciamento penso que consigo ser mais justa e realista em tudo o que vou escrever. Para além de que já posso falar de todo o curso, porque já o acabei (yeyyy!).

As perguntas rondam sempre o mesmo: que vertente tirei, se gostei, se tenho trabalho, o que acho do curso e etc. Tentei sempre responder a todos os que, descontextualizados com a minha vida e caídos aqui de paraquedas, me fizeram perguntas - mas acho que está na altura de escrever um post com tudo, para que possa dar resposta de forma mais rápida e completa a todos as que a procuram. Para quem é leitor habitual, vou fazer uma revisão daqueles três anos (um bocadinho penosos) da minha vida, pelo que é mais do mesmo. Aos outros: sintam-se livres de fazer questões sobre aquilo que eu não mencionar - estou disponível para ajudar. Sei que aqueles dias em que temos de pôr, por ordem de preferência, os cursos que em princípio definirão o futuro da nossa vida, são sempre difíceis.

 

Antes de mais, gostava de começar falando sobre esta referência que fiz no final do último parágrafo. Quando queremos escolher um curso pensamos que tem de ser algo para a vida e que vai obrigatoriamente definir o nosso caminho. A verdade é que é uma decisão pesada e que queremos que seja a melhor possível, mas que 1) podem sempre mudar de curso e 2) a vida dá muitas voltas e não é linear, pelo que podem até tirar o curso numa área e arranjar trabalho noutra (ou até querer tirar outro curso, por exemplo). Acho importante ter isto em mente porque às vezes pomos tanto peso em cima dos nossos ombros e desta decisão que, quando corre mal, desabamos e perdemos o norte. Isto não quer dizer que não devamos ter capacidade de resiliência, paciência e ir à luta - desistir à primeira dificuldade é o maior erro que podemos fazer quando vamos para a faculdade. Eu pensei muitas vezes - mesmo muitas! - em mudar de curso, porque, em particular no primeiro ano, não fui nada feliz. Mas continuei e hoje em dia não me arrependo dessa decisão.

Para quem não me conhece é importante saberem um facto sobre esta minha passagem universitária: eu não gostei de andar na faculdade, não vivi aquele espírito universitário de que tanto se fala e não participei em quaisquer atividades relacionadas com o curso ou a própria o universidade (incluindo praxes, uma vez que sou anti-praxe já desde a altura do secundário). É importante também saberem que este ano letivo (a começar em 2017) o curso vai sofrer alterações, nomeadamente nas suas instalações, e eu não estou totalmente inteirada sobre o assunto. Mas já lá vamos.

 

Os ramos e a escolha de assessoria

Eu comecei a tirar o meu curso em 2013 e acabei-o três anos depois, com uma média de 16 valores. Este curso tem a particularidade de, no terceiro ano, se escolher uma vertente: jornalismo, assessoria ou multimédia (os dois primeiros anos são comuns para todas as vertentes). Eu escolhi assessoria - que, para quem não sabe, é a comunicação por parte das empresas ou entidades; pode ser, em alguns casos, comparado com o jornalismo - a diferença é que a comunicação é feita para o proveito de uma entidade e não do bem público, algo que define sempre (ou devia) o jornalismo. A assessoria envolve muitas coisas, entre elas a gestão das redes sociais, gestão de crise (quando algo corre mal), a conversa com jornalistas, o planeamento de atividades... enfim, depende muito do ramo onde trabalhamos e do nosso empregador. E porquê que escolhi assessoria? Porque, na altura, me pareceu muito mais dinâmico do que o jornalismo.

Nos dois primeiros anos comuns damos um bocadinho de tudo: cadeiras práticas de jornalismo (rádio, televisão, imprensa), outras de multimédia (onde se inclui fotografia, vídeo, programação de html e javascript) e também de assessoria (relações públicas, marketing e etc.). Para além disso há também disciplinas transversais, opcionais ou não, que são tidas como essenciais para uma base de cultura geral que qualquer profissional de comunicação devia ter - como história, economia, metodologias de investigação ou ética. E é aqui que temos de começar a perceber aquilo que gostamos mais ou menos para, no terceiro ano, fazer uma escolha minimamente consciente.

Uma das coisas que disse no post que escrevi há três anos é que é uma falácia ir para jornalismo só porque se gosta de escrever. Pelo menos numa primeira fase, a criatividade que podemos ter é muito curta - e a visão que nos dão desta profissão enquanto andamos na faculdade é muito cinzenta, monótona, cheia de regras... uma autêntica seca, que eu detestei. A nível jornalístico a vossa criatividade só se vai poder soltar se estiverem num meio de comunicação atípico, se mandarem no jornal ou fizerem crónicas e artigos de opinião - o que, para principiantes, me parece altamente improvável. Multimédia, para quem gosta, também pode ser uma hipótese - sempre foi o meu caso mas, na minha opinião, há outros cursos só dirigidos para esta vertente que acabam por estar mais preparados do que nós e ter vantagem competitiva quando se fala em arranjar trabalho. Por isso a minha escolha recaiu sobre assessoria.

 

O local

Como disse anteriormente, o curso vai ser parcialmente movido para a FLUP. Isto causou grande barafunda nos últimos meses, com direito a manifestações e tudo mais, mas penso que a mudança vai mesmo acontecer. A parte teórica do curso vai passar a ser dada no pólo de letras, enquanto que as cadeiras práticas continuarão em Coronel Pacheco (na baixa, por detrás da Faculdade de Direito). Pelo que percebi, os alunos passarão uns dias na FLUP e outros no pólo - e eu não tenho dúvidas de que isto dificultará a vida a quem lá anda. Isto porque é na baixa que estão todos os materiais necessários para a componente prática (que não se faz em aula, mas sim nos tempos livres). Alugar materiais de fotografia, vídeos e gravadores; ir às ilhas de rádio gravar peças; estar no estúdio de televisão. Quem fez esta nova divisão não percebe que os alunos andam sempre cá-e-lá atrás dos materiais, que há momentos de correria e desespero profundo em que há vinte alunos para um só gravador, e por isso não tenho dúvidas de que daqui para a frente vai ser ainda mais confuso.

Não sei se os mini-serviços administrativos continuarão em Coronel Pacheco. De qualquer das formas, tudo o que tem que ver com inscrições em melhorias e assim, sempre foi na FLUP (o que não faz sentido nenhum). 

Esta mudança faz ainda menos sentido porque agora, finalmente, fez-se um bar no pólo! Enquanto lá andei tínhamos sempre de ir aos cafés lá perto caso nos desse a fome e, pelo que sei, agora há um bar (bem giro) para todos. Reprografia, cantina e outros serviços de faculdade a sério continuam a ser tratados ora em Direito, ora na FLUP.

 

 A minha opinião sobre o curso

Há muita coisa que podia dizer sobre o curso mas, lá está, não passa da minha opinião e não é transversal a todos os que o frequentam. Eu acho que o curso tem muitas coisas boas, mas onde assentam também as suas falhas. É um curso prático - a dificuldade dele não está propriamente nas matérias em si mas sim na gestão de tempo que tem de ser (muito) bem feita; vão ter de sair à rua, vão ter de fazer entrevistas, de escrever, de fazer vídeos, de fazer sites de raiz - e eu até fiz um programa de televisão! Mas isso não quer dizer que vos prepare muito bem para o mercado de trabalho: diria que em jornalismo o problema se coloca menos, uma vez que é a área que mais trabalhamos ao longo da licenciatura; mas ao nível da assessoria é tudo muito teórico - quando nos põem os problemas, nós só nos lembramos de princípios teóricos que na prática pouco nos valem.

Outras das coisas preocupantes no curso são os professores. Sempre disse que nós estávamos, naquele pólo, "longe da vista, longe do coração" e os professores, sediados ali, acham-se reis e senhores e fazem aquilo que querem e bem lhes apetece. Vi muitos, muitos exemplos de mau profissionalismo e má educação naquelas aulas. Mas o pior é que a qualidade de ensino de muitos é altamente duvidosa. Para mim, ter ido a algumas cadeiras é, hoje em dia, igual a zero. Acreditam que não me lembro de absolutamente nada? É incrível, mas é verdade. 

E depois há todo o comodismo à volta do pólo que não nos deixa evoluir, fazer mais, crescer. Dou o exemplo do programa de televisão que fiz no segundo ano: grande parte do grupo queria continuar e fazer mais programas. Mas não foi possível porque tinha de estar sempre um professor presente nos estúdios quando se gravasse alguma coisa e se mexesse no equipamento. Resultado? Milhares e milhares de euros em câmaras, televisões e máquinas, outros tantos em obras, e aquilo só é usado para uma cadeira, uma vez por ano. Cabe na cabeça de alguém? E rádio - faz sentido que um curso destes não tenha uma rádio, quando até a FEUP tem uma? Só nos deixam fazer podcasts (alguns com qualidade), mas sem transmissão em direto. E porquê? Porque dá trabalho, é preciso autorizações e burocracias. As iniciativas dos alunos acabam por ser escassas quando o atrito da "máquina" é enorme... e quem fica a perder somos nós.

 

Os estágios

No final do curso há sempre um estágio curricular que tem de ser feito - e há sempre uma lista, em todas as vertentes, disponível toda a gente escolher. Na vertente de assessoria até costumam sobrar porque há gente - como foi o meu caso - que se auto-propõe para locais fora da lista. Normalmente, entre eles, os alunos decidem e falam entre si para onde vão, para não haver grandes confusões - é claro que é preciso ter alguma noção da posição no "ranking" que ocupam - o aluno com melhor média tem todos os sítios à sua disposição, enquanto que o que está em 20º lugar não. É uma questão de bom senso e de discussão entre todos. Penso que no meu ano não houve grandes confusões e todos ficaram, mais ao menos, nos sítios onde desejavam. 

São 4 meses de estágio com um relatório final, que inclui não só a parte prática mas também a teórica (uma seca). Em jornalismo não funciona assim: passam dois meses no JPN (o jornal universitário) e outros dois meses no exterior, noutro meio de comunicação social. Mais detalhes sobre este ramo e multimédia não vos sei dizer.

 

A minha situação atual

Eu estagiei durante quatro meses num local relacionado com feiras de moda e gostei muito. Não estava à espera de ficar - e não fiquei - mas no seguimento desse estágio surgiu uma proposta de emprego, que eu imediatamente aceitei. E o que era essa proposta? Trabalhar num jornal (na área têxtil e de moda). Ou seja: eu, que andei anos a repudiar o jornalismo, estou há um ano a trabalhar como jornalista. Lembram-se de vos ter dito, em cima, que a vida dá muitas voltas? Era disto que estava a falar. Ou seja, para mim, ainda que de forma um tanto ao quanto retorcida, a coisa correu bem.

E, do que me parece, aos meus colegas também. Conheço muita gente que está empregada - curiosamente as que mais me vêem à memória são jornalistas, algo contrário ao que todos estávamos à espera. Diz-se sempre que jornalismo está às portas da morte e que não há emprego, razão pela qual muita gente foge para assessoria mesmo durante o curso, mas conheço mesmo muitas pessoas que acabaram por ficar ora nos sítios de estágio ou noutros locais. E falo tanto em rádios, como televisões e imprensa. Talvez isto aconteça porque se estão a substituir os da velha guarda, que ganham melhor, por novatos, mão-de-obra barata. Não sei... mas, daquilo que vejo, as coisas não têm corrido mal para os jornalistas da minha fornada - se calhar até melhor do que muitos assessores.

 

O que disse naquele primeiro post em relação à praxe, aos professores, aos acessos, às rádios e jornais universitários... continua tudo igual. De qualquer das formas, se acharem que falta algo neste post, sintam-se livres de perguntar. E boa sorte para essas candidaturas! Que a faculdade seja, para vós, uma aventura melhor que a minha =)

15
Mai17

Se calhar, ter as perguntas certas não é tudo

Carolina

Eu tenho um medo terrível de falhar nas coisas que faço bem - e eu acho que faço pouca coisa bem. O campo "trabalho" sempre foi o meu porto seguro - mesmo quando estudava já era assim: tinha boas notas, os professores gostavam de mim, sentia que correspondia bem às minhas expectativas e às responsabilidades e portanto, mesmo sabendo que era uma treta em tantos outros campos, aquele cantinho da minha vida reconfortava-me. Quando comecei trabalhar tive a mesma sensação - acho que sempre fiz bem o meu trabalho, cumprindo com tudo o que me propus e me propuseram e isso concretizava-me muito, ao mesmo tempo que me descansava: ufa, eu era boa em alguma coisa!

Inicialmente, o meu trabalho no jornal tinha uma componente informática muito grande - e eu estava a delirar por estar a trabalhar em informática, a escrever aqui e ali e a lidar com têxtil. Era a receita perfeita para todas as áreas que eu amo. Mas ao longo dos meses acabei por ir escrevendo mais, e mais, e mais. Por um lado é uma coisa boa: é a consagração daquilo que eu acho fazer de melhor, que é escrever; por outro, implica um jornalismo "puro", que eu acho que não faço bem e por isso sinto-me indubitavelmente mais frágil. A quantidade de coisas que tenho aprendido nos últimos meses é imensurável mas uma das coisas que me dá mais gozo é ver como se desenrola uma entrevista ou uma conversa; sempre que ouço ou acompanho os meus colegas numa entrevista, fico quase hipnotizada pela capacidade que eles têm de "arrancar" informações às pessoas, de faze-las dizer certas coisas com perguntas que por vezes não têm nada que ver, de fazer rolar uma conversa normal, descontraída, mas recheada de conteúdo informativo - e ainda assim ser uma troca de diálogos que se ouve com gosto. E também é nesses momentos, em que os vejo fazer essa arte, que percebo (ou acho) que de facto não fui feita para fazer perguntas. Se calhar fui feita para escrever respostas, pensamentos, críticas - mas perguntar não parece ser a minha praia (e isso, confesso, entristece-me).

De qualquer das formas, continuo a tentar - até porque tenho trabalho para fazer e, apesar das perguntas não estarem na ponta da língua, eu esforço-me sempre por fazer o melhor possível. Já percebi que me custa mais falar ao telefone do que pessoalmente, por exemplo; o primeiro contacto com outras pessoas é sempre um drama para mim, mas depois (em muitos casos) acaba por ser gratificante - e tenho passeado por aí, conhecendo fábricas e pessoas que, sinceramente, me acrescentam e me aquecem a alma. Olho para trás e percebo imediatamente que aquilo que vi e ouvi me acrescentou algo, que aprendi alguma coisa e isso é a melhor sensação que se pode ter.

Hoje, por exemplo, fui falar com uma estilista. Como sempre ia um bocadinho apreensiva, mas positiva de que ia correr bem (por aquilo que já conhecia dela). Normalmente, para o artigo que ia lá escrever, despacho uma conversa em quinze minutos, vinte no máximo - e hoje a conversa fluiu tão bem que demorou mais de uma hora. Antes do alinhamento de perguntas que tinha planeado acabei por falar um bocadinho sobre o jornal, os nossos planos para o futuro e até sobre mim. No meio daquilo tudo, e enquanto lhe dizia o que queríamos fazer, os nossos novos projetos e até algumas reportagens que eu tinha curiosidade em fazer, ela diz-me - não em forma de pergunta, mas sim numa afirmação: "nota-se mesmo que gosta do que faz". E eu, nesse momento, respirei de alívio e fiquei tão feliz. Foi a primeira vez que alguém me disse isso - e eu, naquele momento, estava mesmo a adorar o que estava a fazer.

Se calhar, ter língua de perguntador não é tudo. Se calhar, uma pinga de antissociabilidade, a falta de à vontade para falar com pessoas e um não-amor pelo jornalismo conseguem ser ultrapassados por algo maior. Se calhar a paixão que tenho por este mundo basta. 

11
Set16

Eu, os números de telemóvel e a invasão da esfera pessoal de cada um

Carolina

Não sei se é por ter convivido durante toda a minha vida com pessoas bastante mais velhas que eu, mas tenho enraizados em mim alguns hábitos e regras de conduta que me custa muito quebrar. Coisas que na minha cabeça advém simplesmente do que acho ser boa educação, mas que se calhar não passam de velhos hábitos e velhas regras que, nos dias de hoje, não fazem sentido ter.

Não se liga para as pessoas depois das 22 horas. Não se começa a comer sem a pessoa mais velha o fazer. Não se dá o número de telemóvel sem se pedir autorização à pessoa em questão. Diz-se "com licença" ou "bom dia" quando estamos a sair de um elevador com pessoas que não conhecemos. Sei lá - são tantas pequeninas coisas que são tão normais para mim que tenho dificuldade em lembrar-me delas. Na verdade, só quando alguém as quebra é que eu me apercebo que elas existem dentro de mim.

Nos últimos dias tenho sido confrontada com todas as minhas "regras intrínsecas" envolvendo telemóveis. Não sou jornalista, mas como estou a trabalhar num sítio muito pequenino em que é preciso fazer de tudo, ser qualquer coisa parecida com jornalista é uma das atividades que tenho (esta semana foi tudo o que fiz, uma vez que o site onde vou trabalhar a maior parte do tempo ainda não está pronto). Posto isto, muito do que tenho de fazer é ligar para as pessoas - o que, para mim, é uma dor quase semelhante a beliscões consecutivos em todas as partes do meu corpo. Eu sou má a lidar com pessoas no geral, mas sou ainda pior a falar ao telemóvel - e tenho de me preparar psicologicamente antes de fazer cada chamada, respirar três vezes e ganhar coragem de cada vez que clico no botãozinho verde. (E agora vocês perguntam-se: e porque raio escolheste essa profissão? Acreditem, há dias em que me pergunto o mesmo). Mas a verdade é que já me sinto a melhorar e sei que é uma questão de tempo até esse desconforto me passar.

Mas enfim, aqui o busílis da questão está mesmo na transmissão despreocupada de números de telemóvel. Talvez eu pense como uma criatura do século passado, mas para mim um número de telemóvel ainda é algo pessoal. Mas, só no meu primeiro dia de trabalho, deram-me meia dezena de números de telefone para quem ligar, onde se incluíam figuras públicas - e eu fiquei um bocadinho atarantada. Talvez sejam muitos traumas juntos: detestar falar ao telemóvel, não gostar de falar com estranhos e achar sempre que sou chata e estou a incomodar as pessoas. Mas a verdade é que eu só pensava como iria abordar a questão e como eventualmente seria despachada a pontapé: "olá, eu sou a Carolina, colaboradora de um jornal ...", "mas como raio é que conseguiu o meu número?!?!?!"

Esta conversa ainda não aconteceu (a figura de quem falei foi, por acaso, super simpática e atenciosa), mas sei que um dia será o dia. Talvez pense à imagem daquilo que gosto que façam comigo. Vejo o telemóvel como uma coisa privada e não gosto que ande nas bocas do mundo - mas já percebi que, metendo-me neste universo, o meu telemóvel não será diferente do dos outros e fará parte dessas trocas infindáveis sem qualquer aviso prévio ou preocupação. Admito que me faz confusão. Sinto que estou a entrar na esfera privada de alguém e que os outros podem eventualmente entrar na minha - e, por isso, percebo que não gostem e tenham tendência a correr-me a pontapé.

Se calhar sou eu que sou retrógrada, já ninguém pensa assim e estamos de facto num admirável mundo novo. Ou então as pessoas têm simplesmente dinheiro para ter mais do que um telemóvel e o problema fica automaticamente resolvido. Mas, para mim, que me vejo obrigada a ligar a torto e a direito para pessoas que nunca vi à frente (e que eventualmente também vão guardar o meu número na lista delas) não deixa de ser estranho.

30
Jun15

Questão que me ocorreu (ou como o correio da manhã nos pode dar outras perspectivas)

Carolina

Passo a minha vida a meter textos nos rascunhos. Textos incompletos, posts só com um tema para desenvolver posteriormente, textos que me doem particularmente a escrever e que não consigo fazer de uma só assentada, textos quadrados (já expliquei o que eram algures numa publicação) e etc. Isto faz com que tenha cerca de vinte sete mil posts nos rascunhos (ok, estou a exagerar, mas quando olho para aquela barafunda é o que parece). A verdade é que, quando os mando para lá, é uma espécie de sentença de morte: é raro voltar a pegar lhes. 

Foi precisamente o que aconteceu à amostra de texto abaixo, escrita há mais de meio ano, que ficou nos rascunhos, à espera de desenvolvimento. Leia-se:

 

O quê que estas fashionistas todas, que compram e só parecem usar coisas novinhas em folha desta estação, fazem depois à roupa, quando a moda já passou - que é, diga-se, de seis em seis meses? Compram, usam meia-dúzia de vezes - se tanto - para tirar umas fotografias e depois despacham? Ou isso ou têm um valente monte de roupas arrumadas a um canto a acumular pó.

 

Agora, com todo um novo olhar sobre a questão dado através do Correio da Manhã, chego à conclusão que todo o meu tom acusador presente no texto acima era condenável, porque as fashionistas têm razão. Aliás, a nossa ministra da administração interna devia era aprender com elas! Então a senhora ousou vestir o mesmo blazer seis vezes em dois meses? Mais: obrigaram um pobre jornalista, com critérios jornalísticos super rigorosos em mente, a contar as vezes que a senhora usou o casaco. É ou não é ultrajante? 

Tenho para mim que devíamos fazer todos uma vaquinha para comprar casacos à senhora. Ou então, para equilibrar a coisa, as fashionistas podiam dar um par de casacos cada - daqueles encostados para canto - e acabava-se com mais um problema do mundo. Que tal, hum? 

 

*texto (e, particularmente, penúltimo parágrafo) escritos ao abrigo de uma linguagem chamada "ironia" 

07
Abr15

Somos o que comemos

Carolina

Sou uma privilegiada. Por ter uma família espetacular, uma casa linda, saúde para mim e para os meus, disponibilidade financeira para ir fazer umas férias de última hora. Mas também por almoçar e jantar sempre com os meus pais, por eles serem (bem) formados e me transmitirem toneladas de conhecimento todos os dias, desde o momento em que pus os pés neste mundo. Ainda por cima complementam-se, em todos os sentidos: um sabe mais de letras, outro de números; um cai para a esquerda na política, outro para a direita; um pensa mais com a cabeça, outro mais com o coração. Tenho sempre os dois lados a puxarem por mim, o que dá um intermédio perfeito e a necessidade de ter a minha própria opinião e personalidade, não caindo sempre (e apenas) para um dos lados.

Isto para dizer que cada vez me apercebo mais da sorte que tenho, em muitos pequenos pormenores. Hoje, por exemplo, vi uma reportagem da SIC que anda aí nas bocas do mundo: "Somos o que comemos". De facto, vale a pena ver e pode ser o impulso para mudanças de vida e um verdadeiro "abre-olhos". Vi muita gente alarmada por esse facebook e blogs fora, dizendo que não imaginavam a porcaria que metiam no corpo e etc. Perante isto, também eu fui a correr ver a reportagem e percebi... que não me deram nenhuma novidade. 

O meu pai bombardeia-nos quase todos os dias - às refeições, lá está - com novidades científicas, passando por todos os campos: saúde, nutrição, astronomia, física, enfim... Considero-o um cientista-não-praticante, escondido por detrás de um computador, mas não há dúvidas de que é uma verdadeira fonte de conhecimento ambulante - muito, em parte, por todos os artigos científicos que lê diariamente. E que, depois, nos transmite, de forma resumida e simplificada - e até dissimulada por entre as conversas corriqueiras do dia-a-dia.

E é por isso que quase tudo o que foi dito naqueles três quartos de hora já não eram nada de novo para mim, nem constituíram grande alerta. Aprendi a mal, há uns dez anos atrás, a ler os rótulos, quando descobrimos que o meu irmão era diabético - ele próprio me esteve a explicar, ainda era eu miúda, as partes que importam daquelas tabelas pequeninas, como ver os açúcares e não me deixar levar por publicidades enganosas. Só isso foi um grande avanço e é raro pegar em iogurtes, cereais ou bolachas e não olhar para esses valores. 

Mas ao longo dos anos também fomos mudando a alimentação cá em casa: acabaram-se os fritos e os sumos, come-se mais peixe, muito mais carnes brancas. Tenho a sorte de ter horta e animais em casa, por isso muitos dos legumes e fruta que comemos são caseiros, sem todas aquelas porcarias que existem naqueles que compramos nos supermercados; o mesmo se passa com as galinhas e os coelhos, que são criados sem rações de engorda e comem o que gostam e bem lhes apetece. Eu, à semana, só bebo água e como sopa sempre duas vezes por dia (aprendi a gostar); como sempre, pelo menos, uma peça de fruta por dia. E, como sabem, há coisa de ano e meio comecei a praticar exercício físico com regularidade. Peco um bocadinho no sal e, quando estou em dias maus, enfio-me na cozinha a cozinhar doces - mas tudo feito por mim, nada processada, e bem consciente daquilo que estou a meter no corpo (nomeadamente nas ancas). Por isso, embora com falhas pontuais, estou orgulhosa!

 

Podem ver a reportagem aqui.

13
Mar15

Toda esta celeuma da pílula

Carolina

Acho que aquilo que a TVI está a fazer com a suposta - e sublinho o suposta - morte de uma jovem provocada pela pílula Yasmin algo absolutamente indecente. Aliás, é de facto aquilo que a TVI sabe fazer de melhor: puxar o lado sensacionalista do jornalismo quando mais lhes convém. A emoção, a irmã a chorar, a enorme resposta nas redes sociais.

Eu não sou jornalista, não quero ser, mas estou há dois anos a ouvir falar da mesma coisa: jornalismo é serviço público, a função do jornalista é informar correta e o mais imparcialmente possível. E aquilo que eu estou a ver não é informar: é provocar o pânico geral. Até já me questionei se a TVI não terá uma rixa privada qualquer com a farmacêutica, porque é o que mais parece.

Alguém minimamente informado sabe que nenhum medicamento só faz bem: por isso é que existe uma bula gigante com todos os efeitos negativos que todos - e sublinho todos - os remédios podem causar. Fazem bem a uma coisa e fazem mal a tantas outras. O nosso problema é que já tomamos medicamentos com semelhante leveza e despreocupação que nem nos lembramos desse senão. 

Eu sempre ouvi dizer que a pílula causava coágulos e outras coisas parecidas e igualmente perigosas. Mas se formos ver a aspirina, tomada aos quilos por algumas pessoas, tem riscos igualmente graves. E o brufen, que a algumas pessoas destrói completamente o estômago? E o primperam, que tomo várias vezes por causa das minhas crises de fígado e vesícula e que há tempos também esteve numa polémica do género de que ninguém falou?

A questão é que a TVI faz gosto em explorar estas questões até ao tutano. Se uma rapariga morrer, supostamente, por uma das pílulas mais usadas em Portugal: isso é notícia? Na minha opinião, sim. Se fazer reportagens, procurar mais pessoas com problemas do género, pôr familiares a chorar e a dizer quão impecável era a rapariga e a lançar o pânico geral sobre isto é algo que faça sentido ou se possa intitular de "bom jornalismo"? Para mim, nem perto. Se se preocupassem em explicar as coisas como elas são, os riscos iminentes de cada pílula e outros medicamentos e outras coisas do género é que era de valor. A máxima "informar" estaria presente. Assim... é só a TVI e a Ana Leal a fazerem aquilo que sabem melhor (e a conseguirem: basta ver as redes sociais para ver o alvoroço - e o medo, o desconhecimento e a ignorância - que para lá vai).

11
Jul14

7? Afinal não somos assim tão maus

Carolina

A derrota por 7-1 do Brasil foi definitivamente pesada. Não estava a torcer propriamente por ninguém, ficava contente pelos dois: se ganhasse o Brasil era uma vitória em português, se ganhasse a Alemanha uma vitória europeia. Sempre disse, desde o início, que a Alemanha ia ganhar este mundial (sem qualquer tipo de pesar ou tristeza nas palavras, que eu pareço ser das poucas que não tem um ódio enraizado contra a Alemanha), e continuo convicta.

A parte boa de não torcer por ninguém é que não há cá ressentimentos. Cada golo sabe bem, cada bom jogo é um regalo para a vista. Nem por Portugal sofri, quanto mais pelos outros. Mas, devo admitir, que perder por sete é para acabar com qualquer um - deu-me gozo ver, numa meia-final, um bombardeamento desses à baliza: é algo que vai ficar para a história e que tão cedo ninguém se vai esquecer. Mas ver os jogadores todos rotos, já completamente acabados, e no fim a chorar copiosamente... até uma insensível como eu teve pena. Veja-se!, até o David Luiz mexeu comigo - um ex-benfiquista, coisa que não se perdoa a ninguém, que o benfiquismo é um crime punível com um "unlike" eterno -, ao chorar copiosamente e ao dizer que só queria ver o seu povo feliz. Não duvidei das suas palavras, há povos que vibram com aquilo, e os brasileiros são um deles. A verdade é que acho que o Brasil nem sequer devia ter chegado às meias-finais, mas enfim. 

É a vida, e como dizia o meu sobrinho aqui há uns anos: "ganhar ou perder é desporto". Fica para a próxima. Para eles e para nós.

 

Serviu, ao menos, para várias capas geniais por vários jornais desportivos. São raras as ocasiões em que existem goleadas deste género para se poder brincar, mesmo que seja contra a nossa própria seleção, como foi o caso:

21
Jun14

(Bom) Observador

Carolina

O Observador nasceu há pouco mais de um mês. Como estou dentro do meio (os meus primeiros passos, e também os últimos, que é ver-me fugir do jornalismo a cada dia que passa) fui acompanhando este novo jornal online e desde o primeiro dia que sou fã. Do look, da inovação, da desinibição, do contacto direto com os jornalistas, com os esclarecimentos que dão no "explicador". 

Na altura em que abriram o jornal já queria ter falado aqui sobre isso, e sobre uma reportagem de abertura que deu muito que falar onde o protagonista era Mário Machado, intitulada "A história de amor de um skinhead e uma menina de Cascais". Nunca é tarde para ler, é polémico, e ainda hoje me apetece falar sobre isso porque, de alguma forma, também a mim me chocou. Provavelmente, e o com o passar do tempo, talvez já não escreva sobre o assunto, mas aconselho a leitura (e a exploração do jornal) a todos.

O que queria falar é de outro aspeto desta nova "casa". Aqui há dias comecei a receber emails diários, a maioria deles intitulados de "360º". Achei estranho, mas depois percebi: é como que um editorial, uma resumo do dia e a da noite que passou, uma contextualização, feita pelo diretor do jornal. Eu não sou pessoa de ele muitos emails, não tenho grande pachorra: mas a coisa pegou. E, digo-vos, adoro a ideia, a forma como é feita (simples, concisa e de alguma forma cativante, o discurso é tu-cá-tu-lá) e dá-me imenso jeito. Porque às vezes não consigo ver os telejornais, porque há muita coisa que me passa ao lado e, no meio em que estou, dá-me jeito saber um bocadinho de tudo e o que está na ordem do dia. Mas mesmo que assim não fosse, é uma forma de estar atualizado fora de horas, de saber de tudo de forma rápida e saber que, se quisermos mais informações, sabemos onde as encontrar.

Enfim, sou uma fã do Observador. Se ainda não conhecem, vão dar uma vista de olhos.

03
Jan14

As pérolas do "1º de Janeiro"

Carolina

Hoje fui fazer um trabalho para a biblioteca municipal do Porto. Para alguém que gosta tanto de livros como eu, entrei muito poucas vezes em bibliotecas para além da minha biblioteca "privada" que tenho aqui por casa. Hoje foi a primeira vez que entrei naquele antigo convento, agora convertido numa espécie de cemitério de livros, à boa moda do Záfon.

O meu trabalho consiste na análise de seis meses de um jornal, de modo a fazer uma base de dados sobre um dado tema. Ou seja, tenho de folhear cerca de 180 jornais à procura de notícias sobre um tema e, de certa forma, cataloga-las. Eu escolhi a chegada do homem à lua, em 1969, e hoje passei uma tarde inteirinha rodeada de pérolas antigas do "1º de Janeiro". Metade do trabalho já está feito, amanhã tenho outra dose, e assim o espero concluir.

Não sei até que ponto é permitido tirar fotos no local ou aos jornais (juro que não tirei com flash, não vá o papel ficar mais estragado do que está), mas não resisti em guardar algumas pérolas que apareceram diante dos meus olhos já cansados. Para pessoas mais antigas é algo normal (como é normal aqueles jornais gigantes, as edições giras de domingo ou a organização diferente que os jornais antigos tinham), mas para mim é algo novo e ainda me valeu algumas gargalhadas contidas.

 

 

 

25
Jul13

Candidatura submetida (e os medos também)

Carolina

Segunda-feira levantei-me com as galinhas para ir buscar à escola a minha ficha ENES. Pensei que estaria uma fila imensa e, afinal, cheguei lá e estava tudo na paz dos deuses. Para quem não sabe, essa é a ficha que os candidatos ao ensino superior precisam de ter para se candidatarem, onde está descriminada a média de final de secundário e todos os exames que fizemos até à data, assim como um código de activação necessário para que consigamos fazer a candidatura pela internet.

Só não fui buscar a dita mais cedo porque, como estamos em Portugal, ela não estava pronta a tempo. Eu queria ter feito tudo logo no primeiro dia de candidaturas, para deixar tudo despachadinho - temos sempre a oportunidade de mudar, caso nos passe algo pela cabeça e mudemos completamente de ideias. No fundo, queria ter tudo pronto para poder respirar e andar ao sabor do vento, sem ter de me preocupar com nada. Se precisar de mudar, mudo; se não, já está tudo direito e prontinho.

O único curso que quero mesmo foi o que pus em primeiro lugar: Ciências da Comunicação: Jornalismo, Assessoria e Multimédia. Os outros, foi um pouco ao calhas - e não, eu não quero entrar num curso de bibliotecária e arquivadora na universidade de Coimbra, apenas coloquei lá porque não tinha mais nada para pôr. Entrar ou não entrar não me preocupa muito, pois a margem que tenho em relação ao último colocado do ano passado é de mais três décimas e penso que este ano as médias ainda vão baixar, deixando assim uma diferença ainda maior. Para além disso, e caso raro, estou positiva! Preocupa-me mais o facto de, quando já lá estiver, não gostar do curso. Não estar motivada, aquilo não ser nada daquilo que penso.

Na verdade, eu nunca na vida quis ser jornalista. Não, eu não quero ir para o meio da multidão quando o FCPorto ganha o campeonato; não, eu não quero ir para um cenário de guerra; não, eu não quero entrevistar um conjunto de pessoas fúteis nas festas mais populares do ano. Não quero. Eu só quero um curso, uma base - e se não for este, não sei qual será! O meu futuro é incerto: porque o que eu quero é escrever. Crónicas, livros, blogs, reportagens...! Escrever, mas não propriamente ser jornalista. Porque não há cursos para escritores. E não tem de ser propriamente a tempo inteiro: eu não me importo de fazer outra coisa qualquer, só quero um tempo para estar a sós com o meu teclado. Com sorte, ainda acabo na têxtil, o ramo da família. Eu não me importo e... quem sabe.

A universidade é só o inicio de um caminho às escuras que eu não faço ideia no que vai dar. Embora o meu sonho não seja exercer jornalismo em si (embora não me importasse nada de executar algumas tarefas neste ramo), quero gostar daquilo que vou estudar e o curso parece-me super atractivo, muito abrangente, que era aquilo que procurava. Agora é esperar para ver no que vai dar. E continuar a escrever. Muito.

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