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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

13
Out17

Quando ter o cabelo longo é um ato de rebeldia

Carolina

Eu sinto que sempre tive o cabelo curto. Não é verdade. Quando criei este blog ainda o tinha todo despenteado e rebelde quase até meio das costas - mas, quando algures no final de 2011, o decidi cortar, senti que de alguma forma tinha controlo sobre a minha vida. Tal como milhões de mulheres, também eu detestava a ideia de ir cortar o cabelo - sempre "só para aparar as pontas" - com o eterno medo da perspetiva de sair de lá com menos três dedos de crina. Mas no momento em que eu pedi à cabeleireira para cortar não dois dedos mas sim dois palmos de cabelo, foi uma sensação de liberdade, independência e rebeldia incríveis. Essa mudança mudou-me - e eu gostei tanto, tanto que repeti-a vezes sem conta.

Hoje olho para trás e percebo que de todas as vezes que cortei o cabelo tinha a esperança secreta de me sentir como me senti naquele dia de 2011, altura em que passava uma das piores fase da minha vida até agora. Mas nunca foi igual: acabou-se o efeito surpresa, acabou-se o choque das pessoas por todo o lado onde passava, acabou-se a novidade - que deu lugar ao hábito. De tal forma que as pessoas, quando me vêem com o cabelo comprido conforme estou atualmente, ficam a olhar para mim, espantadas: "estás com o cabelo enorme!", dizem. 

Para mim, eu só passei a ser mesmo "eu" quando tive cabelo curto - porque falei tanto sobre o assunto, gostei tanto da mudança, que acabou por fazer parte de mim. É um estado de espírito, quase uma forma de estar na vida (que, curiosamente, acaba por não ter muito que ver com a vida que levo, mas enfim), uma imagem de marca. 

Mas a verdade é que nos últimos anos cortei tantas vezes o cabelo - de todas as vezes curto, mas quase sempre de formas diferentes - que me cansei um bocadinho: e, confesso, chegava a um ponto em que não gostava de me ver. E isto é estúpido, mas eu sentia uma espécie de batalha interior: eu queria gostar daquele cabelo, achava que era o que combinava comigo, mas quando olhava para o espelho achava que não estava bem, que tornava a minha cara mais redonda e gorda e, nesses momentos, pensava para comigo "tão cedo não volto a corta-lo". Depois acabava por ceder, até porque deixei de ter paciência para cuidar e secar cabelos cumpridos. Mas o bichinho estava lá.

E se há coisa que eu tenho é boa memória. Eu não me esqueço. E durante este ano, de todas as vezes em que o cabelo me fazia comichão nas costas ou me ia para a frente dos olhos e eu, por instinto, pensava "tenho de ir ao cabeleireiro", o meu outro lado tentava apaziguar essas ganas de ir à tesoura e lembrar-me de tudo aquilo que tinha sentido pouco depois de cortar o cabelo das últimas vezes. E os meses foram passando. E passou um ano desde a última vez que cortei o cabelo. Abaixo, na foto, podem ver as diferenças: do lado esquerdo, o estado da minha "crina" no dia 13 de Outubro de 2016; à direita, o seu estado nos dias de hoje (e sim, a repetição do cenário e da roupa foi propositado).

 

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É natural que, um ano depois, as pontas já estejam todas espigadas e o cabelo menos saudável. Tenho feito o meu melhor, mas a vantagem dos cabelos curtos também é essa: parecem sempre mais saudáveis, mais cuidados (ou, pelo menos, na maioria dos casos). E está a acontecer algo que já há muitos anos não me acontecia: estou com o cabelo enorme e a precisar verdadeiramente de ser cortado. A questão é: quanto é que corto? 

Tenho-o deixado crescer por objetivos vários: primeiro porque queria fazer tranças no verão (não fiz), segundo porque queria te-lo longo para poder fazer uns penteados em algumas festas que sabia que ia ter agora no final do ano (também não fiz) e, finalmente, porque tenho gostado da sensação de o ter longo. É estranho já não ser a única rapariga de cabelo curto na sala, é estranho não ter um corte definido, é estranho já não estar a pensar o próximo, é estranho este "desleixe" que tenho vindo a criticar nos últimos anos mas que me tem sabido bem. Acho que o vou deixar assim até me voltar a apetecer "ser eu" outra vez. No fundo, ter o cabelo cumprido é uma ação tão radical como aquela que eu fiz em 2011. E, às vezes, radical é bom.

 

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25
Set17

Sim, os meus cães são mais famosos que eu nas redes sociais

Carolina

Eu tenho mais fotos dos meus cães do que aquilo que seria considerado "normal". Passo muito tempo com eles e acaba por ser uma boa desculpa para treinar a fotografia, dar uso às objetivas e dar uns disparos. Mas acabo por ter centenas e centenas de fotos deles que depois não sei muito bem que fim dar ou como organizar. Não as vou imprimir - embora os adore, acho que não faz sentido ter o quarto cheio de molduras com fotografias deles -, não as vou mandar para ninguém e também não tenho grandes descrições para os arquivos como "Molly no cruzeiro ao Adriático", "Calvin no Natal de 2016" ou "Cães nas férias de verão". No fundo, não tenho grande hipótese senão dividir isto por meses e enfiar para lá as fotos que tenho (mais as milhares que tenho desorganizadas no telemóvel...).

E há uns meses, enquanto divagava pelo instagram, encontrei uma página que era uma espécie de best of de fotografias que outros utilizadores postavam dos seus bracos (raça da Molly e do Calvin). Comecei a embrenhar-me nesse mundo, a pôr likes em tudo quanto era cão fofo e, a certa altura, o meu feed tinha mais cães que pessoas. Confesso que não me importo muito, mas achei aquilo um bocado confuso e dada a quantidade absurda de fotos que tenho dos meus cães, perguntei-me: "porque não?". E assim nasceu o instagram da Molly e do Calvin.

É lógico que não coloco lá todaaas as fotos que tenho deles, mas sempre ajuda a dar alguma utilidade às fotos, em vez de ficarem somente guardadas no meu computador, a apanhar pó e sem ver a luz do dia. Na verdade – e sei que estou a puxar a brasa à minha sardinha em todos os sentidos – há fotos bem giras, fofas e de-vez-em-quando-meio-artísticas que acho que vale a pena partilhar.

Por isso, se gostarem de cães, já sabem – sigam-nos em @mollyandcalvin. Se não gostam e acham ridículo o facto dos meus cães terem um instagram em nome próprio (onde inclusivamente falam na primeira pessoa), os meus parabéns: são pessoas realmente sãs e com juízo. Felizmente que não é o meu caso :p

 

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13
Jul17

Uma visita ao Terminal de Cruzeiros de Leixões

Carolina

Já conheço alguns terminais de cruzeiros pela Europa – principalmente no norte e, brevemente, ali no Mediterrâneo e na zona do Adriático – mas ainda não conhecia bem o nosso novo terminal em Leixões. É uma coisa comum, não é? Conhecermos e explorarmos coisas fora das nossas cidades, quais turistas de categoria, mas ver aquilo que é nosso… nicles.

Já lá tinha ido no Portugal Fashion, ver os desfiles do Luís Buchinho e da Katty Xiomara, e gostei muito do edifício e da vista. Mas quem já foi a estas coisas sabe que aquilo é tudo caótico, gente para todos os lados, uma pessoa não sabe onde se sentar e quanto mais para onde ir, por isso não dá para ver bem o que quer que seja. Para além disso, na altura, só se podia ver a entrada e o terceiro piso, onde decorreram os desfiles, por isso não deu para grandes explorações.

Mas num destes fins-de-semana aconteceu aqui no Porto um evento chamado Open House, que consiste em várias visitas guiadas a muitos sítios ilustres no Porto e em Gaia (aliás, muitos deles até sem visitas – basicamente os espaços estão abertos para quem os quiser ver, de forma gratuita). Dos muitos locais que havia para escolher, optamos por ir conhecer melhor o terminal e a visita valeu muito a pena!

Fomos cedo, por volta da hora do almoço, e por isso não apanhamos com o mar de gente que invadiu o espaço a meio da tarde. O guia era muito simpático e a visita em si foi muito interessante, até porque o espaço está muito bem concebido e pensado, com imensos símbolos e estruturas relacionadas com o mar, a água e os animais que lá vivem. Pudemos ver todas as partes do terminal, incluindo aquelas por onde passam os passageiros quando atracam os navios, portanto foi uma visita muito completa e que pode ser ainda mais gira para quem não faz ideia de como funciona um terminal de cruzeiros.

Eu, que já passei por vários, não tenho qualquer tipo de dificuldade em afirmar que este é, sem dúvida, o terminal mais bonito onde já pisei os pés – e os vários concursos e prémios que o edifício já ganhou são prova disso. Só aqueles azulejos lindos – são mais de um milhão, todos postos à mão! – fazem valer a visita, pelo sentimento de estrutura e relevo que dão a todo o espaço.

Se forem do Porto, não deixem de aproveitar um domingo (dia em que o terminal está aberto para visitas, da parte da manhã) de sol para visitar o espaço e tirar algumas fotografias. Vale a pena!

 

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04
Jun17

Auto-retratista

Carolina

Sou uma chata em muitas coisas, perfecionista em tantas outras. Um dos casos em que sou ambas é na fotografia. Desde que tirei o curso que muita gente aqui por casa me acha verdadeiramente insuportável no que diz respeito a tirar-me fotografias - porque todas as outras (a pessoas e a lugares) são tiradas por mim, repetidas trinta e duas vezes até saírem como eu quero. Mas eu tenho de fazer pressão para ficar, pelo menos, numa única fotografia no meio de um álbum de centenas delas - porque, enfim, também faço parte da família!

A verdade é que as pessoas não têm de saber tirar fotografias e muito menos ter jeito para a coisa. Quando não tinha o curso, aquilo que eu me limitava a fazer era clicar no botão do disparador e esperar que a luz estivesse bem e que as pessoas não se tivessem mexido - e é aquilo que a maioria faz, porque não sabe, e isso é normal. Mas eu subi os meus standarts e tal como ando à procura da fotografia perfeita dos outros, também quero a minha fotografia o mais perfeita possível. E, dependendo da situação, há todo um enquadramento perfeito da minha pessoa, as coisas que quero ou não quero apanhar na foto assim como a posição em que me encontro. Ponho a máquina nas mãos de alguém, ouço alguns disparos e, quando vou ver, está tudo ao contrário do que idealizei. E a culpa não é das pessoas - é minha, porque imagino tudo aquilo que quero! E mais do que as pessoas não saberem como o fazer, não me conseguem ler a mente. E, convenhamos, não as posso culpar por isso. (E ainda bem, seria chato ter alguém a ler-me os pensamentos).

Isto já causou algumas zaragatas aqui por casa, porque eu fico hiper frustrada. A minha mãe, a minha fotografa oficial nas viagens, recusou-se a tirar-me mais fotografias aquando do cruzeiro - tanto barafustei com ela porque um poste horrível aparecia, ou porque tinha muito céu em cima da cabeça e bla bla bla que ela se passou e me atirou com a máquina para a mão, quase como quem diz "queres fotos, tira selfies"! O meu irmão, no meu último aniversário, também estava a embirrar com a minha objetiva preferida - a 50 mm fixa - e a dizer que não conseguia tirar fotos sem flash; e eu, em pleno "parabéns a você", saí da frente do bolo, pus as definições direitinhas, coloquei-o na posição que queria e disse "agora tira". E sim, soprei várias vezes as velas só para ter uma foto. (É, eu sei, sou verdadeiramente insuportável.)

Por outro lado, como sou uma control freak e tenho muito pouco à vontade com outras pessoas (mesmo com a minha mãe não gosto de lhe estar a pedir para tirar vinte e sete vezes a mesma foto só porque tenho três fios de cabelo que não estão no sítio certo), tenho vindo a especializar-me na arte do auto-retrato. Monto o tripé, ponho a máquina no sítio certo, preparo o comando para tirar as fotos com controlo remoto e pronto, está feito. Não chateio ninguém, tiro as fotos que quiser, a quantidade de vezes que me apetecer e faço as figurinhas tristes que me derem na realgana. Assim, até passo por menos insuportável. E, convenhamos: já faço tanta coisa sozinha que juntar os auto-retratos à lista só dá um toque artistico à coisa.

 

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14
Mai17

Calvin

Carolina

Chegou há três semanas e já triplicou de peso - se as coisas continuarem neste ritmo... estamos mal. É um bocadinho rebelde, gosta de roer coisas (ai vida...) e de dormir em cima da minha roupa, que arranca com vontade do estendal. Adora adormecer no colo - embora já esteja no limite do tamanho para caber nos meus braços.

Não estou a perceber como é que ele está a crescer tão rápido e tão depressa (se parar de lhe dar ração ele ficará assim pequenino para sempre? Sim? Por favor?!). Ando a aproveitar estes tempos de "pequenino" ao máximo porque sei que não vão durar muito tempo - ele, ao contrário do tamanho do meu colo, cresce de dia para dia. Adormeço-o nos meus braços, deixo-o deitar-se nas minhas pernas enquanto me sento à chinês e, acima de tudo, observo-o muito - assim como a sua relação maravilhosa com a Molly.

Estes dois são a alegria dos meus dias - e o meu instagram anda spammado com tanto cão... mas olhem, é a vida! Deixo em baixo mais algumas fotos dos meus dois meninos - se quiserem a ver as fotos do primeiro dia e comparar o tamanho do monstrinho, estão à vontade.

 

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04
Mai17

Olá fotos com boa qualidade no instagram!

Carolina

Cometi dois erros quando, há cerca de dois anos, comprei uma nova máquina de fotografar: primeiro devia ter comprado uma que tivesse o ecrã móvel, uma vez que tiro muitas auto-fotos e às vezes gosto de ser meia artística; segundo foi o facto de esta não ter wi-fi, o que me obrigava - até agora - a ter de estar num computador para ver e partilhar as fotos que tirava.

Este último pormenor era particularmente chato porque fazia com que, em alguns casos, eu pedisse a quem me tirasse fotos para o fazer com a máquina (para ter qualidade) e com o telemóvel, para poder partilhar e mandar para a família. No cruzeiro, por exemplo, adotei a política "uma foto por dia num país diferente" e eram sempre tiradas com o smartphone; só quando cá cheguei é que consegui ver as fotos boas. Já tinha tentado contornar a situação ao ligar o cartão de memória ao meu tablet, através de uma peça exterior, mas nem por sombras aquilo funcionou. Até que um dia vi, num grupo que tenho de fotografia, que alguém estava a vender um cartão com wi-fi - coisa que eu nem sabia existir.

Fui procurar, vi preços e alternativas, ponderei comprar pela net aquele que me pareceu melhor, mas dado o entusiasmo desta descoberta, corri para a Fnac mais próxima para ver o que tinham. Deste tipo de cartões só tinham um modelo, de 16 Gb: o FlashAir, da Toshiba - custava cerca de 35 euros (o que, dada a capacidade de armazenamento e a tecnologia associada, não me pareceu caro) e eu trouxe-o para casa, para experimentar.

Estava mesmo cheia de esperança, já a imaginar as próximas férias com fotos de alta qualidade e essas coisas e... aquilo não funcionava. No fundo, introduz-se o cartão, liga-se a máquina e ele começa logo a emitir um sinal (estilo router, aparece nos dispositivos móveis na zona do wi-fi); depois instala-se uma aplicação no smartphone ou no tablet, ele associa a conta que criam na altura ao cartão de memória e sempre que a máquina é ligada em simultâneo com a aplicação, as fotos podem ser vistas (e transferidas, se assim entendermos). As instruções são claras e chega-se a bom porto com facilidade. Mas eu encontrava o sinal e ele ia logo abaixo, o que não me dava sequer tempo de ligar a aplicação.

Fiquei furiosa, todas as minhas expectativas defraudadas, e fui a correr para fóruns de fotografia para ver se alguém tinha tido um problema semelhante. E, claro, eu não era a única neste mundo. Tentei várias soluções dadas pelas pessoas e nada. Até que encontrei um comentário, que passava despercebido e foi ignorado no meio da discussão, que tinha a solução: era preciso ligar o ecrã da máquina para o cartão funcionar. Penso que só acontece nas Nikon (a minha é a D3200), mas o que a máquina faz, para poupar bateria, é cortar o fornecimento de energia ao cartão sempre que não o estamos a utilizar - ou seja, mesmo que a máquina esteja ligada, o wi-fi do cartão não liga porque, na prática, este não está "ligado". O que se tem de fazer é ligar o modo de visualização no ecrã e aí tudo funciona na perfeição.

Nos últimos tempos, com o novo cão, tenho-me fartado de utilizar isto e estou hiper contente com o produto. Já falei com várias pessoas e ninguém sabia da existência destas pequenas maravilhas, por isso não pude deixar de partilhar, embora saiba que apenas um nicho de quem me lê é que poderá interessar-se por isto (embora seja uma tecnologia usável por toda a gente, porque normalmente qualquer pessoa tem uma máquina fotográfica, mesmo que compacta). Deixo também aqui o link do site onde vi a explicação e a diferença de uns cartões para os outros, caso queiram explorar o assunto mais a fundo.

 

27
Abr17

Os irmãos não se medem às metades

Carolina

Apesar de eu me achar uma pessoa minimamente interessante, com gostos bastante diversos e com alguma cultura geral, não tenho muita facilidade em falar com os outros num primeiro contacto. Aliás, púnhamos isto em pratos limpos: eu acho que não tenho jeito para lidar com pessoas o que, numa profissão como a minha, pode ser um bocado complicado. Mas normalmente há uma série de tópicos em que eu me sinto extremamente à vontade, que são aqueles que eu ataco quando preciso de encetar uma conversa com alguém ou que preciso de usar quando há um silêncio constrangedor. Falo de viagens, de animais, de fotografia e, acima de tudo, da família. Às vezes pode ser um tópico sensível, mas normalmente é algo que as pessoas falam com alguma tranquilidade.

Eu falo logo dos meus irmãos, porque a nossa diferença de idades é sempre um tópico engraçado, que as pessoas gostam de saber mais e onde acaba por fluir o diálogo. E o fluxo natural da conversa é a outra pessoa contar-me se também tem irmãos. E muitas vezes dizem-me "eu também tenho dois meios irmãos". E eu aí apanho um safanão, acordo para a vida e respondo "ah, pois, os meus irmãos também são meios irmãos...".

Porque a verdade é que eu nunca me lembro disso a não ser que esteja a falar especificamente no assunto ou, como acontece recorrentemente neste tipo de casos, me lembrem que essa coisa dos "meios irmãos" existe. Porque, sinceramente, eu tenho uma teoria: toda a gente que enfatiza que tem "meios irmãos" é porque não os sente realmente como irmãos. Há mesmo quem diferencie os "100% irmãos" e os outros e eu acho isso terrível. Acima de tudo porque não percebo como é que isso é possível. Nenhum dos meus irmãos é "totalmente meu irmão" e eu nunca os senti menos irmãos por não termos ADN's mais semelhantes. 

Eles são, para mim, as melhores prendas da minha vida, os meus segundos pais, a minha inspiração, a minha companhia. Não concordo sempre com eles, às vezes chateio-me, mas acima de tudo, hoje em dia, tenho saudades de os ter sempre por perto e do mimo e do colo que me davam há uns anos atrás. Tenho a sorte de ter uns irmãos incríveis, que são também eles pessoas incríveis - e acredito que, como tudo nesta vida, existem maus irmãos e pessoas não tão boas. Mas a verdade é que isso depende de muita coisa (da educação, do ambiente, da personalidade), mas pouco da carga genética que carregam nas veias.

Da mesma forma que há boas e más pessoas, deve haver bons e maus irmãos - se calhar há irmãos que até podemos querer esquecer (embora eu tenha dificuldade em sequer pensar nisso). Mas esses não contam. Porque a palavra irmão, tal como a palavra "mãe" e "pai", representa muitooo mais do que aquilo que vai no dicionário. Naquelas cinco letras cabe o mundo - mas não cabem metades. Porque os irmãos medem-se por inteiro. 

 

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22
Abr17

Hoje a família cresceu

Carolina

Este acrescento à família já estava a ser pensado há muito e planeado em concreto há cerca de um mês - mas preferi não falar até o ter em casa, porque havia muitos "mas" e "se's" que precisavam de ser ultrapassados. E, acima de tudo, haviam medos que se relacionavam maioritariamente com a reação do outros cães aos mais recente membro (em particular a Molly, que conviverá mais com ele, e o Tomé, que não gosta de invasões no seu território).

Hoje, depois de quase três horas de carro, já o tínhamos nos braços e ficamos, como sempre, enamorados. Ainda é muito pequenino, dorme muito, mas já se nota o espírito brincalhão e reguila que lhe corre nas veias. A Molly já o acolheu e está sempre preocupada com o estado daquele que deve pensar que é o seu novo rebento - mas está estranha e eu estou preocupada com o facto de ela sentir que a atenção que eu lhe dava passou para ele (que não é verdade, hoje tentei sempre estar ao lado dela, mas nesta fase inicial é praticamente inevitável ter os dois olhos e pelo menos uma mão em cima do outro). A minha relação com esta cadela é qualquer coisa de especial e um dos meus medos era precisamente que a minha relação com ela mudasse pela introdução de um novo elemento: mas enfim, vamos indo e vamos vendo. Acho que, neste momento, ela está numa relação de amor-ódio com o cão (sim, é menino): por um lado, trata dele como se fosse sua mãe e já o protege dos outros cães; por outro, nota-se o ciúme e tem medo que ele ocupe o seu lugar (por exemplo com a comida, que hoje ia valendo uma mordidela ao pequenote).

O bebé ainda não tem um nome 100% definido (deve ser Charlie) e neste momento é o alvo de todos os olhares e preocupações aqui em casa. A introdução com os outros cães está a ser feita aos pouquinhos e assim terá de ser no futuro próximo, acima de tudo com muita paciência. Todas as outras "lutas territoriais" vão sendo ajustadas ao longo do tempo, esperemos que sem danos para nenhuma das partes. Nesta fase uma pessoa fica sempre com o coração nas mãos e todos os cuidados são poucos.

Nestes momentos o coração cresce e parece ter sempre espaço para mais um, não diminuindo o amor que se tem pelos outros - e essa capacidade que nós temos é mesmo incrível. Deixo as fotos do primeiro dia de "casa" do caçula da família.

 

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17
Abr17

Dog Lady

Carolina

Ando outra vez em fase de limpezas no computador e no telemóvel. Já há meses que andava a receber notificações, tanto no telemóvel como no computador, de que tinha a iCloud a arrebentar pelas costuras e decidi começar a gravar tudo, a selecionar, a apagar e a arquivar. Ainda não acabei, mas isso não interessa para o caso. Mas sabem o quê que me ocupa o espaço todo que tenho no telemóvel e que revela bem aquilo que sou? Fotos dos meus cães.

Comigo, sozinhos, em passeio, em casa, deitados, sentados, a fazer palhaçadas ou truques, a dormir ou a correr. Cães, cães everywhere. Principalmente a Molly, que eu apelido (justamente) de minha sombra. Ela de cadela de caça passou para cadela de casa e já não sabe viver sem calor humano - e, desculpem, acho que gosta do meu em particular. <3 

Acho que já aqui disse que as análises às nossas redes sociais (e galerias de imagens) dizem muito sobre nós e as minhas são um raio-x perfeito da minha vida, porque não têm pessoas - a não ser, em casos raros, os meus pais. Tenho fotos minhas, dos meus livros, de paisagens, dos já falados canídeos e até de outros animais que vejo na rua: mas fotografias com outras pessoas não chegam a representar 5% da minha galeria.

Isto não é uma coisa nova para mim - não sou pessoa de pessoas, apesar de sentir que isto se tem agravado nos últimos meses. Depois de sair do trabalho prefiro fechar-me na minha bolha - também apelidada de casa - e só há dias é que percebi que há meses não punha (por exemplo) os pés num shopping, quando olhei à minha volta e já havia imensas lojas novas, diferentes e renovadas. E aí fiquei preocupada, porque apesar de nunca ter companhia para quase nada, nunca me privei de fazer o que quer que fosse: e agora prefiro ficar em casa. E eu sei que isto é mau, sei que isto faz parte de um buraco que estou a cavar e que depois vou ter dificuldade em sair... mas a questão da solidão continua a ser uma coisa central na minha vida e por muito que eu escreva, pense e repense, não consigo modificar. 

Mas enfim, no meio disto tudo, ainda há os cães, que têm vindo a colmatar a falta de pessoas na minha vida. E isto, lido por alguém hiper social, deve soar ridículo (e a mim, que sempre tive cães, também me é estranho porque só agora está a acontecer): mas eles têm sido uma companhia constante e essencial nos últimos meses. Nos dias maus, antes de qualquer outra coisa, são eles quem me arrancam o meu primeiro sorriso. Aquele amor incondicional e aquela presença constante têm-me enchido o coração de amor nesta fase que, sinceramente, tem doído a passar. É o facto da Molly vir dormir para o chão, ao meu lado, enquanto eu estou deitada no sofá; é pôr a pata por cima da minha mão quando me deito ao seu lado; é colocar o focinho no meio das minhas pernas enquanto tomo o pequeno almoço; é dar-me uma (e só uma) lambidela quando a vou cobrir antes de me ir deitar. É reconfortante e tão importante nos últimos tempos...

Não sei explicar, mas estou em crer que isto só consolida a minha posição enquanto anti-social em crescimento. Há pessoas que, olhando para mim, já me dizem "não me digas que vais ser uma cat lady!". Não, acho que não vou. De qualquer das formas, também já não preciso: ser, com 22 anos, uma dog lady, já me parece mau o suficiente.

 

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14
Abr17

Lembram-se da prensadora de flores?

Carolina

Escrevi há cerca de cinco meses um post sobre uma prensadora de flores que a minha mãe tinha aqui por casa. Eu adoro flores secas e costumava espalha-la pelos meus livros e cadernos, mas aquela ideia conquistou-me de tal forma que ao longo dos últimos tempos tenho vindo a alimentar a prensadora com mais pétalas e flores. Como houve várias pessoas que gostaram, na altura, do post e me pediram para partilhar o resultado final, cá está ele.

Comecei com uma orquídea. Depois percebi que, como tinha deixado o estigma e o estilete (sim, eu fui rever isto aos apontamentos de ciências naturais - que saudades!), que eram "gordos" e tinham muita matéria viva lá dentro, a flor não tinha ficado muito bem prensada e tinha ganho uma espécie de bolor. Tornei a tentar, depois de ter feito uma "mini-operação" à flor de forma a que ela ficasse praticamente só com as pétalas e o pé. O resultado foi muito melhor.

Mais tarde pus lá umas das minhas flores favoritas: frésias. Percebi que têm pétalas extremamente finas e que são muito suculentas, porque me mancharam o papel todo e ficaram todas coladas. E sim: continuam com um cheiro absolutamente divinal, mesmo prensadas. Por fim, experimentei noutra flor que não sei o nome mas cujo resultado ficou muito, muito giro - as pétalas parecem pintadas à mão!

Agora tenho de decidir o que vou fazer com tanta flor seca. A solução mais óbvia é um quadro, mas eu não sou a pessoa mais dada a manualidades desse género. Acho que vou ter de esperar pelas férias para ter tempo (e paciência) para tratar disto.

 

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