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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

28
Fev17

Ora então... bom Carnaval!

Carolina

Que me perdoem os foliões, mas eu não gosto nada do Carnaval. Acho que mesmo quando era pequena não era algo com que vibrasse muito. Tive um Carnaval que me marcou muitíssimo, passado com a minha família, mas não passa disso. Acho que a última vez que me fantasiei foi há uns oito anos, para uma festa onde uma amiga minha me levou de arrasto: fui de gato, esquecendo-me (na minha inocência) de que este animal fofinho tem uma conotação meio sexual, e passei a noite a ouvir "miaus" e coisas do género. Já não me bastava ter de estar numa festa e ainda levei com aquilo. Jurei que, enquanto me lembrasse, não me metia noutra (e, como se vê, ainda me lembro muito bem, portanto o retorno não está para breve).

Mas a verdade é que mesmo não participando no Carnaval há já muitos anos, em Maio do ano passado tive os meus 10 minutos carnavalescos, patrocinados obrigados pela minha mãe. Quando em Londres, numa visita a Camden, andávamos lá às voltas até que a minha mãe encontrou uma espécie de estúdio de fotografia, onde as pessoas se mascaravam para fazer sessões fotográficas temáticas; sei que havia três temas possíveis, mas só me lembro das damas antigas e da máfia. No fundo, é um souvenir personalizado (e caro) de uma visita a Londres.

A minha mãe delirou com aquilo, adorou a ideia, mas eu disse logo que nem pensar, não me ia vestir coisíssima nenhuma. Mas o dia não nos estava a correr bem, estávamos com o estado de espírito pelas ruas da amargura e, numa segunda passagem, a minha mãe voltou a folhear as fotos que havia à entrada e quis fazer uma coisa daquelas. E, pronto, uma pessoa pelas mães faz tudo. Lá escolhemos o tema, as roupas e os acessórios (eram postos por cima das nossas roupas), as raparigas puseram-nos um bocado de maquilhagem e lá fizemos a sessão fotográfica. Foi uma coisa de partir o coco a rir, eu achava que estava alucinar e nem me acreditava que me tinha metido naquilo. O fotógrafo dizia-nos como segurar no livro, para levantar o queixo, para olhar para o canto, para fazer isto e aquilo... e eu estava sempre à beira de um ataque de riso.

Ataque de riso esse que aconteceu mal nos sentamos no sofá e começamos a ver as fotos. Nem sequer consigo explicar bem, mas sei que estavam já outras pessoas a ser fotografadas (aquilo era um open-space, só com umas cortinas, o cenário era todo o mesmo para os diferentes temas mas tinha "cantos" específicos para cada um) e eu e a minha mãe começamos a rir-nos estéricamente daquilo que estava a passar no ecrã. Eu chorava, chorava, chorava de rir... acho que mal respirava. De cada vez que a rapariga mostrava uma nova, eu ia morrendo. Foi uma risota pegada e um drama para conseguirmos escolher três para imprimirmos e trazermos para casa (no início, só pensávamos trazer duas... mas as pérolas eram tantas que não deu para evitar).

Lá escolhemos, pagamos e mais tarde passamos para as levantar. Quando as vimos, voltamos a rir-nos à gargalhada. De facto, a experiência teve muita graça, mas aquilo é algo tão fora de mim que só mostrei as fotos a um par de pessoas (já a minha mãe, mesmo contra todos os meus pedidos, esparramou aquilo no facebook...). Ainda hoje, quando passo pela foto que a minha mãe emoldurou (!!!), me encolho de vergonha. Sim, teve graça, mas ainda não me acredito que posei como Dama Antiga, com um fotógrafo a dizer-me o que fazer e o diabo a quatro. 

Há uns dias, enquanto pensava no Carnaval e nos posts aqui no blog, lembrei-me disto. É uma pérola que tenho escondida há quase um ano - aliás, quando tive as fotos na mão, achei que as ia guardar para a vida. Mas a verdade é que há coisas demasiado boas para estarem escondidas - e embora esta seja uma faceta que, no meu caso, é pouco comum e que, sinceramente, eu tenho muita dificuldade em mostrar, ela há-de existir algures em mim. Por isso, meus amigos, bom Carnaval.

 

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19
Fev17

O meu jeito de fotografar

Carolina

Há cerca de um ano escrevi aqui um texto - que nunca cheguei a publicar - sobre a forma como gostava de fotografar e os meus problemas enquanto tirava fotos. Tinha acabado o curso de fotografia e aproveitei para, nesse mesmo post, fazer também um balanço de como é que aquilo tinha sido e portanto, como eu não o publiquei, acabou por ficar datado e esquecido nos meus rascunhos.

Lembrei-me dele antes das minhas viagens, quando disse aqui que uma das coisas que mais me chateava em viajar sozinha era não ter quem me fotografasse. Depois fiquei a pensar no assunto e achei que podia ter soado um bocado fútil, como quem diz "olha-me esta, só precisa de alguém para fazer de fotografo ambulante para escarrapachar as fotos no instagram!" - e isso não é de todo verdade. A fotografia é, para mim, uma parte essencial de qualquer viagem - e ao contrário de muita gente, eu depois vejo, revejo, escolho, trato e arquivo as imagens de forma hiper cuidada, para depois passar a vida a ir lá cuscar. Quem me conhece sabe que sou menina para passar a vida a ir ao baú, em busca de recordações, memórias e detalhes. Não diria que vou todos os dias à minha pasta de fotos - mas umas três vezes por semana é mais que possível. Porque para além de gostar de tirar fotos, gosto de as ver e reviver os momentos bons da minha vida. 

É muito mais que um simples capricho de facebook ou de "toma lá que a minha viagem foi melhor que a tua". Gosto de ter fotos nos sítios que gostei e onde fui feliz - e, por isso, essa continua a ser uma das coisas que me chateia em viajar sozinha. Porque, tal como calculei, acabei por tirar muito poucas fotos - as que tirei a mim mesma foram selfies, com o telemóvel, e as outras são paisagens, acabando por morrer um pouco e por não terem uma âncora que nos fixe àquela fotografia (é claro que isto é um ponto de vista pessoal, eu adoro foto de paisagem, mas têm de ser extremamente bem tiradas, o que não é a minha especialidade).

E isto leva-me ao tema do post que tinha escrito há um ano atrás, em que eu falava das dificuldades que tinha ao fotografar. Um dos exemplos que dava - e que se mantém - é que embora goste de fotografar um bocadinho de tudo, tenho um especial gostinho em fotografar pessoas, principalmente se estas me dizem algo. No entanto, gostava também de fotografar algumas pessoas que vejo na rua - e isto já me dava a alma que procuro nas fotos, de que falava acima, e que de certa forma "me" poderia substituir quando eu estivesse sozinha - mas não tenho nem lata para lhes apontar a objetiva à revelia nem coragem para ir ter com elas e pedir para tirar uma foto; é algo que não faz parte de mim, porque sempre tive muita dificuldade em falar com os outros, principalmente quando sinto que os vou "chatear". Por outro lado, mesmo que tivesse a lata de ir falar com as pessoas, tenho a sensação de que, por cá (os portuenses), são sempre um bocadinho impulsivos, com uma certa tendência para a agressividade espontânea, pelo que tenho - para além de vergonha - medo das potenciais reações que possam ter após lhes pedir para tirar uma fotografia. 

Adoro fotos de rua, muitas vezes a preto e branco, de casais num café, um velhinho a ler um livro num banco ou uma criança num escorrega - mas sou incapaz de ser eu a faze-la e disparar nas alturas devidas. De certa forma, sinto-me a invadir a privacidade das pessoas, e eu não consigo ver-me livre desse sentido "moral" que não me deixa tirar fotos livremente. Na altura, quando acabei o curso, isso mexia muito comigo - o facto de me sentir impedida de tirar um tipo de foto que gosto; hoje em dia, que também já não tenho tanto tempo para fotografar, essa questão já me passa um pouco ao lado e acho que se calhar nem tenho assim tanto jeito para a coisa. Limito-me praticamente a fotografar quem gosto, em ocasiões mais ou menos especiais. Acho que também me safaria em tudo o que é foto de ocasião - casamentos, aniversários e essas coisas assim, com pessoas efetivamente predispostas a serem fotografadas. Porque se, por um lado se perde um pouco de magia e autenticidade, por outro há o gosto de conseguir tirar fotos efetivamente boas. Não sei, talvez um dia.

Por agora, guardo a lente para os meus, para as minhas viagens e para mim - quando estou acompanhada. Para o bem e para o mal, é aquilo que tenho.

 

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(David no escorrega, 19.02.17)

27
Nov16

Índia na minha mira

Carolina

Acho que só este ano, depois do cruzeiro, é que percebi o quão gratificante é que para mim é viajar. 2016 foi um ano de crescimento brutal, em todos os sentidos, e sinto que aqueles oito dias no Báltico fizeram parte desta evolução, tão e simplesmente porque me apercebi de como tudo aquilo me fazia feliz. 2016 foi, de facto, o ano em que aprendi a ser feliz - uma aprendizagem que veio já desde o ano anterior mas que estou segura de que se consolidou até hoje.

Aliado às viagens tenho a fotografia, que ganha um peso cada vez maior na minha vida, ainda que bem devagarinho e sem se dar muito conta. Há dias via as minhas fotos de Istambul, onde fui há quatro anos, e pensei na quantidade de coisas lindas que vi e das "photo opportunities" que desperdicei. As fotografias que tenho dessa altura são tão más, tão más que dá vontade de chorar. E eu não quero, nunca mais!, que tal aconteça. Viajo para conhecer, viajo para ser feliz, mas hoje em dia também viajo para captar - e partilhar - as melhores imagens possíveis. É com muito orgulho que tenho algumas, tiradas no cruzeiro, que adoro de paixão e que considero francamente boas (se calhar, daqui a uns anos, vou detesta-las como detesto as da Turquia - a evolução tem destas coisas).

Neste momento todo o dinheiro que poupo é para viajar. Para acampar ou ficar num hotel de 5 estrelas, para o Gerês ou para a Austrália, para ir de avião ou barco, para andar com roupa chique ou biquini. Viajar com uma câmara na mão é tudo o que quero - e eu sei que tenho muito tempo para o fazer, mas sinto que o mundo é demasiado grande para eu esperar. Há muita coisa que está na minha agenda, algumas bem mais fáceis e acessíveis que outras, todas por razões diferentes. Uma delas, que tem vindo a ganhar cada vez mais dimensão, é ir à Índia. 

Isto é curioso porque, há dois anos para cá, eu não queria pôr um pé naquela terra. Ainda hoje não me atraem todas aquelas razões espirituais e o embate cultural - aliás, é mesmo das coisas que me afugenta - mas não estou a conseguir resistir àquelas cores, àqueles sítios, àquelas pessoas. Nunca iria sozinha e acho que dificilmente faria esta viagem sem um mentor, mas desde que fiz o curso de fotografia e conheci o meu professor, sinto que surgiu a oportunidade perfeita. Ele faz viagens guiadas, com um grande enfoque na fotografia, e isto tem tudo para ser a viagem perfeita. A viagem de uma vida.

Custa-me deixar passar as oportunidades, sempre com medo de confiar na vida e de deixar para o ano seguinte, nunca sabendo se tal vai de facto acontecer. Deixei este ano e, infelizmente, em 2017 também deverá ser uma oportunidade que me vai passar por entre os dedos. Primeiro porque são duas semanas, sendo que agora sou uma adulta e tenho dias de férias contados e segundo porque o pé de meia ainda não está assim tão recheado para me atirar de cabeça à "terra de Vasco da Gama".

Vou contentar-me com projetos mais pequenos e, esperemos, com um bombom no próximo verão. Mas a Índia não está esquecida, até porque a minha máquina fotográfica não me deixa esquecer. Preciso de captar aquela cor. E não demorará assim tanto como isso.

11
Nov16

Como evitar as pastas "para arquivar quando tiver tempo" (ou dicas de organização fotográfica 1#)

Carolina

O prometido é devido! Como não houve ninguém a dizer que o facto de eu dar umas dicas sobre organização fotográfica era uma total perda de tempo, cá estou eu, na dificílima missão de vos evangelizar em prol de um arquivo fotográfico organizado.

Pode não parecer muito evidente, mas o primeiro passo para ter um álbum de fotografias - ainda que digital e sem ser todo "bonitinho" - bem organizado começa no vosso cartão de memória. A regra simples e básica para que as coisas corram sempre bem é: ter sempre o dito cujo vazio. Como? Gravando e arquivando sempre as fotos depois de as tirarmos - se as podermos selecionar e tratar imediatamente, melhor, senão grava-las e pô-las numa pasta com nome e data (e não numa que dá pelo nome de "PARA ARQUIVAR QUANDO TIVER TEMPO") já é bom.

Isto porque acumular o que quer que seja - fotos incluídas - faz com que quando decidamos arrumar, a tarefa se torne muito mais chata e morosa. Aliás, por isso é que passamos a vida a adiar esse tipo de coisas. Assim, se formos fazendo a triagem e o arquivo de todas as fotos que tiramos, o trabalho é feito aos pouquinhos, é mais rápido e custa menos.

Isto pode parecer conversa de treta, acho que eu própria pensei isso quando me disseram esta regra "de ouro", mas acreditem que faz a diferença. Confesso que ainda hoje não a cumpro a 100% - neste momento estou "limpa", mas durante as férias andei a acumular fotos nos meus cartões de memória até não conseguir mais e depois arrependi-me amargamente. É mais difícil para arquivar (uma pessoa esquece-se donde esteve), demora mais tempo, as coisas parecem que nunca mais acabam e torna-se numa tarefa que se faz por obrigação em vez de se retirar algum prazer disso.

Experimentem. No próximo post sobre isto digo em que programa é que faço a escolha das fotos e como agilizo todo este processo.

 

 

Dica extra - pode ajudar ter vários cartões de memória: primeiro porque se fizermos vídeo ou tirarmos fotos em RAW é possível que atinjamos a capacidade máxima do cartão; segundo porque estamos a falar de coisas pequeninas que se perdem (e partem!) facilmente; terceiro porque se formos preguiçosos e deixarmos acumular, temos mais espaço para tirar fotos sem ter de pensar em eliminar conteúdo. Eu sempre tive um sítio para guardar os cartões, tanto em casa como na minha mochila, mas arrumar coisas pequeninas em sítios grandes dá sempre mau resultado e apanhei várias vezes sustos por achar que os tinha perdido ou danificado. Socorri-me do ebay (como aliás faço sempre) e encontrei uma mini-bolsa, feia mas super prática, para transportar cartões. Dá para seis, tem argola para porta-chaves - metem-na em qualquer lado para andar sempre convosco - e é uma forma super segura e prática para transportarem todos os vossos SD Cards. Aqui. [Este é como o meu, mas se pesquisarem encontram outros, até maiores e mais baratos - no entanto, para o efeito que eu quero, este serve perfeitamente e até é mais prático].

 

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23
Out16

Mudam-se os tempos, mas as vontades nem por isso

Carolina

Ontem levei o meu sobrinho mais velho ao Estádio do Dragão. Ele nunca tinha ido e estava em pulgas, eufórico com a novidade. Leva-lo ao estádio era algo que já há muito que gostava de fazer com ele; foi um momento marcante para mim, lembro-me do quão encantada fiquei quando pisei aquele sítio pela primeira vez e queria muito poder proporcionar-lhe uma experiência semelhante. Como ele começou há tempos a interessar-se por futebol, jogadores e etc., achei que seria a altura ideal.

E adorou, pois claro. Eu fiz questão de ir ver um jogo mais "fácil" (embora, nos dias de hoje e no estado em que o FCPorto se encontra, todos os jogos são uma incógnita), para termos mais probabilidades de ganhar - e vencemos por três, o que já deu para tirar a barriga de misérias e para ele saltar de emoção vezes suficientes. Para além disso, à saída, ainda apanhamos o Helton, que é um querido e estava a tirar fotos com a malta toda - e tirou uma também com ele, por isso o batismo não podia ter sido melhor. A pior parte foi mesmo no fim, porque como em qualquer batismo... apanhamos com água. Muita água. O rapaz até ficou atarantado de tão encharcado que ficou - eu, tia, mais velha e experiente, já estou mais habituada a estas coisas, mas devo confessar que já não apanhava com uma carga de água tão grande há uns anos largos. 

Mas enfim, o mais giro disto tudo eram as coisas que ele me ia dizendo no decorrer do jogo - que eram exatamente as coisas que eu dizia e pensava quando era mais nova! Primeiro disse-me que gostava de ser um daqueles meninos que estão atrás dos painéis publicitários, a apanhar e mandar bolas (eu também dizia que queria ser menino e ir para as escolinhas só para ir para lá); depois ainda se lembrou dos outros meninos que entram com os jogadores em campo, porque também gostava de ir de mão dada a eles - principalmente com o Herrera e o André Silva, os seus preferidos (eu era igual, mas a minha crush era mais o Vitor Baía, o Derlei ou o Benny McCarthy); durante o intervalo começou a dizer que fixe, fixe era estar nos lugares mais baixos para poder falar com os jogadores - e no fim do jogo, quando saímos para a zona das comidas onde existem televisões, viu o André Silva a entregar a camisola a uma miúda e enfatizou ainda mais este pensamento, acrescentando que o melhor lugar era mesmo ao ladinho do túnel (e eu era tal e qual: pedia encarecidamente ao meu pai para ir para os lugares de baixo para os ver mais de perto, algo que ele sempre me negou por se ver muito pior o jogo).

Senti-me um bocadinho velha quando o ouvi repetir tudo aquilo que em tempos ia na minha cabeça e, pior, quando achei que fazia sentido responder as mesmas coisas que o meu pai me respondia a mim. Ok, talvez não tão pragmática (não lhe disse "mas para quê que tu queres uma camisola mal-cheirosa de um jogador de futebol de 20 anos!?"), mas disse-lhe que, de facto, ver os jogos nos lugares de baixo era muito pior e outras coisas que tais. A parte boa é que continuo a ser uma criança como ele em certas coisas: continuo a querer ser pequenina e andar nas escolinhas de futebol para ser apanha bolas e, na verdade, também gostava de ter uma camisola de um jogador qualquer. Também ainda não cheguei à fase de preferir ver os jogos em casa do que no estádio mas devo admitir que aquelas correntes de ar não são boas para ninguém (e sim, passei a minha vida a perguntar-lhe "não tens frio?", "aperta lá o casaco"...) e que, quando cheguei ao carro estilo pingo, só queria um sofá onde me esticar e uma mantinha quente sobre o corpo.

Afinal de contas estou velha, mas só um bocadinho.

 

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06
Out16

Um relógio e uma lembrança para a vida

Carolina

Ei-lo! Depois de ter decidido que, com o meu primeiro salário, ia de facto comprar um relógio, foi só uma questão de escolher e ter tempo de o comprar. Já tinha um relógio de uma loja online debaixo de olho há muito tempo - ainda assim, hoje fui dar uma volta rápida ao shopping, só para descargo de consciência, para ver se não havia algo que me agradasse ainda mais.

Acabei por dar de caras com este Michael Kors que, admito, não me caiu logo no goto. Experimentei-o numa loja e deixei-o lá. Depois tornei a vê-lo, noutro sítio, e decidi voltar a experimentar - e aí trouxe-o para casa. Adorei-o na montra, mas inicialmente no pulso não me convencia muito. Mas parece que isto primeiro estranha-se e depois entranha-se. A pulseira é giríssima e tem um toque espetacular, o mostrador é que era um bocadinho alto e pesadão para o meu gosto. Mas acabei por me convencer rápido. Agora estou só apaixonadíssima.

Acho que foi a compra mais cara que fiz até hoje - pelo menos de um bem material. Mas este saiu literalmente do meu suor e esforço, e sei que vai ter um lugar especial no meu coração. E como sabe bem saber que trabalhei para o ter! É óptimo receber prendas, mas é uma sensação única comprar algo que queremos há muito tempo com dinheiro que lutamos para ganhar.

Este não é só mais um relógio. É uma vitória. E é uma lembrança para a vida.

 

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02
Out16

Milhares, milhares e milhares de fotos

Carolina

Se querem culpar alguém pela falta de posts deste fim-de-semana, culpem as fotos. Quer dizer, em casos extremos podem culpar-me a mim, como é óbvio, mas vamos deitar as culpas para cima dos outros que é sempre mais fácil.

Explicando: todos os fins-de-semana tenho feito empreitadas em alguns projetos pessoais. Incluem-se remodelar o quarto (vai por fases: cortinados, cama, secretária, paredes), arrumar armários, arrumar postais, catalogar e distribuir fotos, limpar o email, limpar o ambiente de trabalho, arrumar e limpar pastas do computador. Enfim, são quase todos trabalhosos morosos e às vezes chatos, mas que têm de ser feitos, a menos que queiramos chegar a situações insustentáveis. Os outros fins-de-semana desde que comecei a trabalhar tiveram pouco de descanso, porque estive sempre a trabalhar numa destas coisas. Este sábado e domingo dediquei-me de corpo e alma, de manhã à noite (literalmente!), a arrumar, apagar, selecionar e enviar os milhares de fotos que aqui tenho e que fui tirando durante todo o verão.

O problema aqui é que já não tenho só de gravar, selecionar e enviar as fotos da minha máquina. Do cruzeiro, por exemplo, tenho as fotos da minha máquina, do meu telemóvel, da máquina e do telemóvel do meu pai e ainda do telemóvel da minha mãe. No campismo, também para além da minha máquina e do telemóvel, também tenho fotos da GoPro. Ou seja, se com uma máquina já tiramos fotos a mais, com três é muitoooo pior. No caso do cruzeiro, temos muitas vezes fotos do mesmo sítio, pelo que é preciso selecionar a melhor, para não se estarem a repetir assuntos.

Tirar fotos passou a ser tão barato (aliás, grátis) que tiramos fotos a tudo e a todos sem pensar em questões de armazenamento ou de gestão de tempo quando for para a as ver e/ou organizar. Clicamos trinta vezes no botão, mesmo que o enquandramento só seja diferente em cerca de 3 mílimetros - e eu contra mim falo! Mas a verdade é esta: muitas vezes, nunca mais a vemos o raio das fotos. São tantas e tão chatas, que falta tempo e paciência. Eu sinto isso com o telemóvel: tiro as fotos numa determinada altura e depois nunca mais as abro. Para além disso, são fotos completamente descontextualizadas e incatalogáveis. Por exemplo: hoje em dia, sempre que vejo um livro na Fnac que acho que vou achar piada, tiro foto à capa para chegar a casa, investigar e decidir se compro - esta foto não serve para nada, não tem utilidade como foto, é uma mera "anotação" em forma de imagem. Outro exemplo: acho que estou num dia particularmente bonito e tiro 40 selfies para escolher uma e colocar no instagram. Há, por isso, 39 que não serviram para nada, que não fazem parte de qualquer ocasião especial - e mesmo aquela que publiquei, está publicada e não me serve para mais nada no futuro. Vou pô-la onde? Numa pasta intitulada "selfies de 2016 de dias em que me sentia bonita?". Não faz sentido, nunca mais na vida vou abrir isto. (Nesse aspeto, as redes sociais até fazem um papel de "armazenação" engraçado e útil, neste tipo de situações isoladas).

Agora tenho optado por passar todas as fotos que tiro para o computador - quer seja de máquinas ou telemóveis - e fazer uma seleção. As fotos que tirei com o telemóvel no cruzeiro, por exemplo, vão para a pasta das fotos dessas férias, como as que tirei com a máquina - porque ao menos não caem em total esquecimento ou esperam para serem apagadas, sem dó nem piedade, quando um dia tiver subitamente falta de espaço no telemóvel. Todas as outras (selfie em dia bom, posições esquisitas da Molly, capas de livros potencialmente interessantes, o pequeno-almoço saudável do dia y ou o pôr do sol do último dia de verão) vão diretamente para o lixo. No início custa livrarmo-nos de uma fotografia que representa um momento que nos disse algo (senão não a tínhamos tirado), mas depois de ver literalmente milhares de fotos, tudo o que eu quero é apaga-las a toda a força.

Não sei até que ponto esta questão vos interessa, mas até há um ano atrás o meu computador era uma anarquia a este nível e sinto que tenho melhorado imenso e tirado muito mais potencial das minhas fotos. Sou capaz de ir partilhando umas dicas sobre isto. Se acharem completamente inútil, avisem-me, não estou cá para chatear ninguém ;)

04
Set16

3 dias no Gerês

Carolina

Depois de sair de Penacova e voltar a casa, nem tive grande oportunidade de tirar as coisas das malas. No fundo, fiz só uma "reciclagem" daquilo que precisava de levar no dia seguinte e dormi na minha cama, da qual já estava a morrer de saudades. Combinei, super em cima do joelho, uma ida de três dias ao Gerês com as minhas amigas - eram os únicos dias que tinha livres até começar a trabalhar (depois acabei por não começar na quinta-feira, ficou adiado para a semana) e cheguei várias vezes a pensar em cancelar estes planos: no dia seguinte ao fim de férias ia trabalhar, tinha um trabalho por fazer e coisas para estudar para o meu último exame da faculdade, pelo que seria tudo feito com temporizador e já muito à rasca. Acabei por arriscar e, felizmente, o universo conspirou a meu favor e deu-me mais dois dias de férias para organizar a minha vida.

Decidimos ir para o Parque Cerdeira, em Campo do Gerês. A escolha foi super acertada, adoramos! É um parque de campismo a sério, grande, com imensas infraestruturas (campo de futebol, piscina, várias casas de banho, sala de jogos, mini-mercado, muitas atividades); tem também imensas árvores e muito espaço para tendas, não há forma de nos sentirmos apertados. Para além do mais, a nível geográfico, está perto de tudo, o que é a cereja no topo do bolo.

Mesmo o parque sendo maravilhoso, o que nós queríamos mesmo era explorar o Gerês. No primeiro dia, já a meio da tarde e depois de montarmos a tenda, fomos a uma das praias fluviais que lá há, na barragem de Vilarinho das Furnas. A praia era linda, super calma (estávamos cerca de 10 pessoas) e a água muito limpa e clarinha. O caminho para lá chegar não é difícil - implica uma descida grande, no início em pedras e depois em monte, mas faz-se relativamente bem. Acima de tudo, vale imenso a pena pela paisagem, pela calma e pela água. É uma daquelas visões indescritíveis de tão belas; as palavras não chegam, as fotografias não são fidedignas o suficiente. É de tirar a respiração e uma pessoa só quer poder ficar mais um minuto para poder desfrutar daquelas vistas.

 

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Baía da barragem de Vilarinho das Furnas

 

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Baía da barragem de Vilarinho das Furnas

 

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Baía da barragem de Vilarinho das Furnas

 

O dia seguinte foi dedicado a alguma caminhada e às cascatas. Fomos pelo caminho romano até à Portela do Homem, onde passamos parte da manhã. Descer até à água, para mim, não foi fácil - sou muito naba no que a estas atividades "radicais" diz respeito e imagino-me sempre com menos dois dentes, a cabeça rachada e uma perna partida só de ver aquele amontoado de rochas. Tive medo e fui sempre com mil cuidados, muitas vezes com as duas mãos e pés nos chão, para ter o máximo de equilíbrio possível - ou isso, ou ia mesmo de rabo. 

A Portela do Homem é bonita mas, nesta altura do ano, não é aquela cascata que vemos nas fotografias: por um lado, tem muito menos água; por outro, tem muito mais pessoas. É difícil tirar uma fotografia sem um emplastro atrás. Ainda assim, vale a pena a visita. A água é geladíssima, mas é linda, linda, linda - e faz com que os cabelos fiquem mais macios do que com quilos de amaciador! Na minha opinião, este é um sítio para visitar, tomar um banho, tirar umas fotografias e ir embora - não há muito espaço para circular, há sempre pessoas à volta, tem de se ter sempre mil e um cuidados para dar um passo e o calor das pedras consegue ser infernal. Uma coisa que a mim me perturbou particularmente foram as pessoas a saltar: a lagoa é baixinha e havia pessoas a darem saltos de 4 ou 5 metros, muitas vezes com rochas salientes pelo caminho. Eu não digo nada, mas fico com o coração na boca - e sei que as pessoas que morrem todos os anos nestes sítios devem-no a maluquices mal calculadas deste género.

 

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Portela do Homem

 

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Portela do Homem

 

 

Depois da Portela do Homem fomos até lá cima, à Cascata do Arado. Estava super seca, a cascata limitava-se a um fio de água e esta era muito menos límpida, muito provavelmente por não circular. O caminho até lá foi mais difícil e longo do que para a Portela do Homem, por isso não achei que valesse muito a pena. Em alturas de mais chuva deve ser linda, porque o "caminho" da água é bastante maior, mas nesta altura não se revela nada de especial. Faltou-nos a cascata do Thaiti, mas decidimos não arriscar: segundo dizem, é a mais perigosa de todas e já nenhuma de nós estava virada para mais riscos. Eu confesso que, apesar de ter gostado muito das vistas, respirei de alívio.

 

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Cascata do Arado

 

Nesse dia passamos ainda pela Vila do Gerês e depois voltamos para Campo por um caminho lindíssimo, que repetimos no dia seguinte por termos gostado tanto dele.

O último dia foi um bocadinho diferente: de manhã decidimos fazer uma das atividades do parque, a que chamam "Parque Aventura". No fundo, consiste em algumas atividades que eles lá têm, que incluem arvorismo, slide e escalada. Tudo em ponto pequeno, mas o suficiente para pôr a adrenalina do nosso corpo a circular - em  mim, pelo menos, teve esse efeito! O monitor era incrível, super simpático e engraçado, o que tornou a experiência ainda mais gira. Se forem a esta parque, aconselho muito!

Estas férias foram muito importantes para mim no sentido de superação de barreiras e obstáculos. Sempre fui a menina totó, dos livros, que detestava educação física; aquela que caiu de cara na primeira aula do 7º ano e ficou com um olho negro, a que não consegue fazer a roda, a mais gordinha e menos atlética das amigas. E aqui consegui fazer tudo a que me propus: subi e desci pedras terríveis, andei em cima de fios de uma árvore para a outra, fiz escalada, atirei-me num slide duas vezes (mesmo tendo detestado a primeira!). Limitei-me a não pensar muito e tentar, pelo menos uma vez na vida, e soube tão bem ver que conseguia! Foi óptimo para o meu ego, para a minha confiança e auto-estima.

 Depois das aventuras, desmanchamos a tenda e metemos tudo dentro do carro (outra aventura, portanto) e fomos dar uns passeios de carro, pelos vários miradouros. Ainda tentamos ir ver a vila de Vilarinho das Furnas, que está há muitos anos debaixo de água, mas acabamos por desistir por ainda termos de fazer uns quilómetros a pé. Como já disse, voltamos a fazer a tal estrada lindíssima entre a Vila do Gerês e Campo e parámos várias vezes para tirar fotos e apreciar as vistas. Pelo caminho passamos, claro, por vacas, bois e cabras - algo tão simples como maravilhoso.

A última paragem foi no miradouro da Pedra Bela, com uma vista linda e super completa do Gerês. Há lugar para o carro e sítios próprios para tirar fotos e até para fazer picnics, por isso é óptimo para uma paragem mais prolongada. Depois disso, engolimos as saudades que já apertavam e viemos embora. Eu, pelo menos, vim com a certeza de que quero voltar. O Gerês é aqui tão perto e é das coisas mais incríveis que este país tem.

 

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Caminho Vila do Gerês - Campo

 

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 Caminho Vila do Gerês - Campo

 

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Miradouro da Pedra Bela

 

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 Miradouro no caminho Vila do Gerês - Campo. Para mim o mais bonito de todos.

 

10
Ago16

A cidade dos palácios mais bonitos do mundo e dos contrastes [São Petersburgo, Rússia]

Carolina

Estou de volta com o meu diário de bordo! Depois de uma pausa para eu e vocês recuperarmos energias, trago-vos o maior texto desta viagem - que, como não poderia deixar de ser, se dedica à Rússia. Este é mais do que um texto sobre os monumentos da cidade, mas também da forma como vi um país que ainda vive (e impinge aos outros) uma grande repressão, o que sem dúvida tornou esta paragem muito mais interessante. O texto é grande por ter todas essas minhas reflexões e por termos estado dois dias na cidade, o que deu para ver e explorar mais São Petersburgo do que qualquer outra das cidades onde parámos.

 

São Petersburgo era, provavelmente, a cidade que mais curiosidade tinha para ver, muito pela mística que a Rússia ainda hoje tem. Acho que quando me perguntam qual foi a minha cidade favorita neste cruzeiro, todos esperam que eu diga que foi esta cidade - e não foi, acima de tudo porque eu gosto de cidades coerentes. São Petersburgo não é coerente - é lindo e riquíssimo de um lado, e horrível e paupérrimo de outro. E não é preciso andar muito para se verem tais contrastes. 

Para além disso, uma cidade também é feita de pessoas. E a visão geral que todos temos dos russos correspondeu (pelo menos para mim) à realidade: são pessoas chateadas com o mundo, mal humoradas, mal encaradas e muito pouco simpáticas. 

 

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 Rio Neva

 

 

Poderia dizer que ainda há pela Rússia muitos resquícios da União Soviética, mas a verdade é que são muito mais que resquícios: é uma presença muito pesada, que vive não só nos edifícios da cidade, como na cultura e nas pessoas de uma forma geral. Os prédios (os que não são palácios e se encontram fora do centro da cidade) são horríveis, estilo bairros sociais sem qualquer tipo de manutenção; são edifícios sem acabamentos ou pinturas, só cimento, pelo que estão literalmente comidos pelo tempo. São todos iguais: do mesmo estilo, com as mesmas janelas, as mesmas portas. As montras não têm cor e são muito pouco trabalhadas, com um chamamento muito rudimentar, penso que por aquela economia ainda não estar habituada a ter um mercado concorrencial em vez de ser tudo planificado. Os passeios, em muitos sítios, são muito maiores do que o normal (acima do padrão aqui em Portugal) e dão a sensação de estarem sempre vazios: as poucas pessoas que lá andam são tão cabisbaixas e tristes, com um semblante sempre tão carregado, que todo este cenário me lembrou os vários textos que já li sobre a Coreia do Norte. Em reflexões posteriores, dei por mim a pensar que praticamente não vi crianças e jovens.

Por outro lado, a segurança continua apertada. Logo ao passar na imigração temos um vislumbre do que era a URSS antes de cair o muro. Entramos num cubículo com espelhos a toda a volta, entregamos o nosso passaporte, cartão do barco e bilhete da excursão e ficamos assim durante um par de minutos, sem qualquer troca de palavras. Os senhores que lá trabalham olham para nós com ar ameaçador, com os olhos entre o nosso passaporte, nós e o computador que têm à frente e, quando se dão por satisfeitos, carimbam-nos o passaporte e atiram-no sem dizer o que quer que seja. É giro ignorar o barulho de fundo e concentrarmo-nos no som dos carimbos a bater nos passaportes, algo que imagino ser super característico nos períodos ditatoriais. E na Rússia o poder do carimbo ainda está vivo e isso sente-se na forma como eles nos tratam, como quem diz "tenho o poder de te deixar entrar na palma das minhas mãos".

Para além disso, a vigia é constante. A nossa guia não nos perdia de vista e passava a vida a contar-nos (eu já quase sabia contar em russo!). Nos palácios, por cada sala que se podia visitar (e, acreditem, eram muitas!), estava uma mulher a olhar para nós e a certificar-se que cumpríamos as regras: normalmente tínhamos sempre de usar "pantufas" nos pés e não podíamos levar kispos e mochilas connosco. Noutros não podíamos mexer nos telemóveis ou tirar fotografias. As regras eram variadas e havia sempre alguém disposto a faze-las cumprir.

Mais uma vez, eu e os meus pais optamos por fazer uma excursão: neste caso não tínhamos mesmo outra hipótese, porque não pedimos visto para andar livremente. Visitar a Rússia em cruzeiros tem essa enorme vantagem: comprando visitas guiadas, não temos de ter visto, pelo que é muito mais fácil entrar no país. Por isso, neste destino, a grande parte dos passageiros do barco saíram em excursões.

A nossa primeira paragem foi o palácio Peterhof, a uma hora de São Petersburgo. É um palácio lindo, gigante, difícil de transpor em palavras. É conhecido pelas suas inúmeras fontes e esguichos de água, usados pelo Peter, The Great para fazer partidas aos seus convidados e vê-los todos molhados sempre que este decidia organizar uma festa ou um banquete. Infelizmente não era possível tirar fotos no interior do palácio, por isso só posso mostrar-vos o exterior. Posso, no entanto, dizer-vos que há ouro por todo o lado e um bom gosto inegável por parte dos czars que lá viviam. Cada cidade tem as suas coisas maravilhosas, mas é difícil não relativizarmos: Serralves, ao lado deste palácio, é um autêntico canteiro. A quantidade de fontes, os jardins, as estátuas talhadas a ouro, para não falar do interior do palácio, com interiores incríveis e cheias de histórias para contar. A Rússia, goste-se ou não, tem uma história interessantíssima, e também por isto ter uma guia (ainda que com um sotaque cerradíssimo) tornou a visita ainda mais valiosa.

 

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Nos jardins do Peterhof

 

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Nos jardins do Peterhof

 

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Peterhof

 

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Peterhof

 

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 Algumas das fontes do Peterhof

 

Depois almoçamos num restaurante enorme, na rua principal de São Petersburgo. A comida não era boa, mas conseguia-se comer (o mesmo não se pode dizer do dia seguinte). Destaque para o vodka e o caviar, servido desde o início da refeição, e para o gelado de baunilha, oferecido no fim. Nos dois dias que lá comemos, foi a única coisa que se aproveitou (não posso confirmar a qualidade do vodka, mas o meu pai disse que era bom).

A parte da tarde do primeiro dia foi, para mim, a pior parte desta visita à Rússia. Visitamos o maior museu do mundo, o Hermitage. Eu não sou fã de museus de arte - dou todo o crédito do mundo a quem faz aquele tipo de obras, dignas de deuses muitas vezes, mas sou incapaz de gostar de passar horas a olhar para telas ou esculturas. O cansaço que já sentia na altura e as milhares de pessoas que estavam lá dentro - e a consequente falta de oxigénio - não ajudaram à festa, pelo que foi a parte que menos desfrutei na Rússia.  Para além disso, este museu é tão grande que na hora e meia que lá estivemos não deu para ver absolutamente nada; foi só mesmo para picar o passe e dizer "eu estive no Hermitage!". Segundo a nossa guia, se parássemos dez minutos para apreciar cada peça, precisávamos de mais de mais de três anos (sem paragens) para visitar o museu. Não é definitivamente para mim. No espólio do museu encontram-se dois quadros de Leonardo DaVinci, uma coleção gigante de Remembrant e os ovos de Febargé, que não vimos.

 

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Da Vinci, no Hermitage

 

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Corredor no Hermitage, uma cópia fiel de um que existe no Vaticano e onde é contada em imagens a história da Bíblia Sagrada

 

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Uma sala do Hermitage

 

O segundo dia começou muito cedo - às 7.15h locais (5.15h de Portugal) já estávamos a arrancar para o Catherine's Palace, onde tem o tão famoso quarto de âmbar. Fomos muito cedo para sermos dos primeiros a entrar no palácio, o que facilitou imenso a visita e a tornou muito mais proveitosa. Estes sítios recebem milhares de pessoas por dia e chega-se a um ponto em que a multidão é tanta que já não conseguimos ver um palmo de espaço livre em frente dos nossos olhos. O palácio é do mais luxuoso que possam imaginar, com ouro por todo o lado e os pormenores mais pequenos e perfeitos que já vi. O quarto de âmbar, no meio de tudo aquilo, nem me deslumbrou muito. Para além do palácio em si, o que adorei mais foram os jardins, não tão luxuosos e trabalhados como o do Peterhof, mas com uma beleza natural e genuína que adorei. Na altura em que os visitamos estavam fechados para visitas a público em geral, pelo que pude tirar fotos à vontade. As histórias envolvendo o Peter, The Great e a Catherine, The Greatest são imensas e a cada canto há uma para contar; a nossa guia sabia imenso, o que tornou tudo muito mais real e fascinante, com direito a algumas gargalhadas pelo meio, dada a excentricidade desses czars.

 

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À entrada do palácio, onde uma banda tocava, cantava e dançava

 

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Fachada do palácio

 

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Dentro do palácio (reparem no ouro e na enorme pintura no teto)

 

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Uma pequeníssima parte dos jardins

 

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Uma casa de chá dentro do palácio, onde ouvimos um mini-concerto à capella

 

 Da parte da tarde andamos pela cidade de autocarro a fazer vários photo-stops, vendo por fora mais locais emblemáticos ou com vistas privilegiadas da cidade. Parámos na Saint Isaac Cathedral, nas margens do rio Neva e, claro, a Church of Resurrection on the Spilled Blood, que para mim é de todos os edifícios, o mais bonito que vi. Fizemos também uma breve visita ao forte da cidade, que tem no seu interior a Peter and Paul's Cathedral, onde estão os túmulos dos mais importantes czars da Rússia.

 

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Church of Resurrection on the Spilled Blood

 

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Church of Resurrection on the Spilled Blood

 

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Nas margens do Rio Neva

 

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Nas margens do Rio Neva (e com um vento incrível)

 

 O fim da viagem foi uma paragem para compras. Nas outras tours isso significa ter carta verde para, durante um determinado período de tempo, andarmos sozinhos para comprar souvernirs numa zona da cidade: na Rússia, e como está tudo controlado, deixaram-nos numa loja enorme e disseram "comprem". Não havia muito para além de matrioskas, imitações dos ovos de Fabergé, peças em âmbar, artigos em pele e canecas e t-shirts com a cara do Putin. 

 

Esta foi sem dúvida a paragem mais cansativa de todo o cruzeiro, principalmente porque foram dois dias a andar muito e a acordar muito cedo. No entanto, posso garantir que vale muito a pena, não só pela beleza incrível dos edifícios como pelo choque de culturas - é quase uma viagem na história, ainda dá para sentir o cheiro da União Soviética no ar. Um conselho para futuros visitantes: as visitas guiadas, apesar de terem sempre rédea curta, parecem-me sem dúvida a melhor opção. Primeiro porque podem conhecer um pouco da história dos czars e as suas mil e uma peripécias e segundo porque a cidade é enorme e os principais monumentos estão longe do centro, sendo quase impraticável andar de um lado para o outro sozinho, ainda por cima num país onde as pessoas pouco falam inglês e não se prestam a grandes ajudas.

 

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 Uma série de pormenores captados ao longo dos dois dias na Rússia

28
Jul16

Helsínquia e Porvoo, a simplicidade e as casinhas de madeira [Finlândia]

Carolina

Finlândia foi, de todos os sítios que visitei, o que menos gostei. É sem dúvida aquele que é mais pobre em monumentos e percursos turísticos e, talvez por isso, foi onde parámos menos horas. Foi a primeira paragem do cruzeiro e, tal como em todos os outros destinos, optamos por ir numa excursão. Foi uma opção que fizemos os três, eu e os meus pais, por acharmos que o tempo em cada cidade era demasiado curto para andarmos a deambular e à procura dos sítios a ver em cada capital; assim íamos diretos à questão, de uma forma mais rápida e prática, aprendendo sempre pelo caminho algumas coisas sobre o sítio em que estávamos. Não é a forma que mais gosto de passear, não há uma liberdade tão grande, mas não me arrependo de o ter feito e aconselho a todos os outros que façam o mesmo - não foi o caso da Finlândia, mas outras excursões ocupavam só a parte da manhã, pelo que podíamos ficar nas cidades da parte da tarde para podermos explorar os caminhos que quiséssemos, com os nossos timings e vontades próprias.

 

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A nossa primeira paragem em Helsínquia foi numa igreja luterana, a Temppeliaukio Church. Era bonita, certamente diferente do normal, mas nada que nos fizesse cair o queixo, até porque não tinha um trabalho incrível ou luxuoso como eu acabaria por ver nas cidades que visitamos a seguir.

 

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Temppeliaukio Church

 

A melhor parte começou a seguir, quando seguimos para a pequena cidade de Porvoo, a uma hora da capital finlandesa. Esta é das tais coisas que não se visita se não se for numa excursão e, no caso da Finlândia, posso dizer que salvou a viagem e foi de facto a única coisa que me deixou memórias significativas e boas deste país. 

O almoço foi numa quinta típica onde se serviam almoços a excursões como a nossa, já nos arredores de Porvoo. Era servido num sítio giro, claramente antigo, à luz das velas, mas a comida era péssima: uma espécie de rolo de carne de sabe-se-lá-o-quê, superrrrrr picante. Tivemos o azar de calhar na mesa com duas chinesas (acho), mãe e filha, que não trocaram nem uma palavra connosco - eram completamente fechadas com o mundo, não falavam com mais ninguém para além dos restantes membros da família (o marido e mais um filho, que ficaram noutra mesa), e até o olhar eram incapazes de pousar em nós. A comida já era má, mas o clima do almoço foi o pior que vivemos em todo o cruzeiro.

 

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A quinta onde almoçamos, em Porvoo

 

A parte melhor viria a seguir, com a visita ao centro da vila em si: Porvoo é uma cidade medieval muito pequenina, com casas coloridas em madeiras e lojas super mimosas. É algo muito turístico, mas por ser tão pequenino não deixa de perder a graça e de continuar a parecer algo muito único e típico. É pitoresca e bonita, quase como uma casa de bonecas, com um par de violinistas na praça principal e todas as casas em tons coloridos mas pastel, sempre com pequenos adornos amorosos nas paredes, portas e montras. A decoração das lojas era muito cuidada, os produtos vendidos tinham sempre o seu quê de diferente e tive de resistir à tentação para não trazer uns quantos pratos e almofadas para casa. O pormenor fazia a diferença. Para além disso, a vila tinha um rio onde andavam pessoas de gaivota ou mesmo barquinhos a motor, uma vez que havia casas junto à água com o seu próprio "porto" e existe a possibilidade de chegar a Helsínquia através do leito de água.  

 

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Porvoo

 

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Porvoo

 

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Porvoo

 

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Porvoo

 

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Pormenores de Porvoo

 

De volta a Helsínquia, passamos pela catedral principal e demos uma volta de autocarro nas principais ruas da cidade. Vimos muitas pequenas docas e braços de mar, com as saunas e as pessoas a saltarem alternadamente entre elas e a água, o que foi giro.

 

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Catedral de Helsínquia

 

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Catedral de Helsínquia

 

 

Em suma, Helsínquia até pode ser (de uma forma geral) uma cidade gira, mas sem grandes destaques para ver e sem qualquer "wow factor" que nos faça ficar de queixo caído e ficar com ela marcada para a vida. Penso que, visitando a capital finlandesa, é para aproveitar a cidade e perceber o seu estilo, mais do que fazer um roteiro pelos seus highlights, que na verdade não existem. Calculo também que, como Porvoo, existam tantas outras vilazinhas que valham a pena uma visita - e aí sim, pode residir o verdadeiro interesse na Finlândia.

Cheguei ao fim um bocadinho desgostosa; gostei, mas esperava mais. 

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