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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

14
Mai17

Calvin

Carolina

Chegou há três semanas e já triplicou de peso - se as coisas continuarem neste ritmo... estamos mal. É um bocadinho rebelde, gosta de roer coisas (ai vida...) e de dormir em cima da minha roupa, que arranca com vontade do estendal. Adora adormecer no colo - embora já esteja no limite do tamanho para caber nos meus braços.

Não estou a perceber como é que ele está a crescer tão rápido e tão depressa (se parar de lhe dar ração ele ficará assim pequenino para sempre? Sim? Por favor?!). Ando a aproveitar estes tempos de "pequenino" ao máximo porque sei que não vão durar muito tempo - ele, ao contrário do tamanho do meu colo, cresce de dia para dia. Adormeço-o nos meus braços, deixo-o deitar-se nas minhas pernas enquanto me sento à chinês e, acima de tudo, observo-o muito - assim como a sua relação maravilhosa com a Molly.

Estes dois são a alegria dos meus dias - e o meu instagram anda spammado com tanto cão... mas olhem, é a vida! Deixo em baixo mais algumas fotos dos meus dois meninos - se quiserem a ver as fotos do primeiro dia e comparar o tamanho do monstrinho, estão à vontade.

 

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04
Mai17

Olá fotos com boa qualidade no instagram!

Carolina

Cometi dois erros quando, há cerca de dois anos, comprei uma nova máquina de fotografar: primeiro devia ter comprado uma que tivesse o ecrã móvel, uma vez que tiro muitas auto-fotos e às vezes gosto de ser meia artística; segundo foi o facto de esta não ter wi-fi, o que me obrigava - até agora - a ter de estar num computador para ver e partilhar as fotos que tirava.

Este último pormenor era particularmente chato porque fazia com que, em alguns casos, eu pedisse a quem me tirasse fotos para o fazer com a máquina (para ter qualidade) e com o telemóvel, para poder partilhar e mandar para a família. No cruzeiro, por exemplo, adotei a política "uma foto por dia num país diferente" e eram sempre tiradas com o smartphone; só quando cá cheguei é que consegui ver as fotos boas. Já tinha tentado contornar a situação ao ligar o cartão de memória ao meu tablet, através de uma peça exterior, mas nem por sombras aquilo funcionou. Até que um dia vi, num grupo que tenho de fotografia, que alguém estava a vender um cartão com wi-fi - coisa que eu nem sabia existir.

Fui procurar, vi preços e alternativas, ponderei comprar pela net aquele que me pareceu melhor, mas dado o entusiasmo desta descoberta, corri para a Fnac mais próxima para ver o que tinham. Deste tipo de cartões só tinham um modelo, de 16 Gb: o FlashAir, da Toshiba - custava cerca de 35 euros (o que, dada a capacidade de armazenamento e a tecnologia associada, não me pareceu caro) e eu trouxe-o para casa, para experimentar.

Estava mesmo cheia de esperança, já a imaginar as próximas férias com fotos de alta qualidade e essas coisas e... aquilo não funcionava. No fundo, introduz-se o cartão, liga-se a máquina e ele começa logo a emitir um sinal (estilo router, aparece nos dispositivos móveis na zona do wi-fi); depois instala-se uma aplicação no smartphone ou no tablet, ele associa a conta que criam na altura ao cartão de memória e sempre que a máquina é ligada em simultâneo com a aplicação, as fotos podem ser vistas (e transferidas, se assim entendermos). As instruções são claras e chega-se a bom porto com facilidade. Mas eu encontrava o sinal e ele ia logo abaixo, o que não me dava sequer tempo de ligar a aplicação.

Fiquei furiosa, todas as minhas expectativas defraudadas, e fui a correr para fóruns de fotografia para ver se alguém tinha tido um problema semelhante. E, claro, eu não era a única neste mundo. Tentei várias soluções dadas pelas pessoas e nada. Até que encontrei um comentário, que passava despercebido e foi ignorado no meio da discussão, que tinha a solução: era preciso ligar o ecrã da máquina para o cartão funcionar. Penso que só acontece nas Nikon (a minha é a D3200), mas o que a máquina faz, para poupar bateria, é cortar o fornecimento de energia ao cartão sempre que não o estamos a utilizar - ou seja, mesmo que a máquina esteja ligada, o wi-fi do cartão não liga porque, na prática, este não está "ligado". O que se tem de fazer é ligar o modo de visualização no ecrã e aí tudo funciona na perfeição.

Nos últimos tempos, com o novo cão, tenho-me fartado de utilizar isto e estou hiper contente com o produto. Já falei com várias pessoas e ninguém sabia da existência destas pequenas maravilhas, por isso não pude deixar de partilhar, embora saiba que apenas um nicho de quem me lê é que poderá interessar-se por isto (embora seja uma tecnologia usável por toda a gente, porque normalmente qualquer pessoa tem uma máquina fotográfica, mesmo que compacta). Deixo também aqui o link do site onde vi a explicação e a diferença de uns cartões para os outros, caso queiram explorar o assunto mais a fundo.

 

27
Abr17

Os irmãos não se medem às metades

Carolina

Apesar de eu me achar uma pessoa minimamente interessante, com gostos bastante diversos e com alguma cultura geral, não tenho muita facilidade em falar com os outros num primeiro contacto. Aliás, púnhamos isto em pratos limpos: eu acho que não tenho jeito para lidar com pessoas o que, numa profissão como a minha, pode ser um bocado complicado. Mas normalmente há uma série de tópicos em que eu me sinto extremamente à vontade, que são aqueles que eu ataco quando preciso de encetar uma conversa com alguém ou que preciso de usar quando há um silêncio constrangedor. Falo de viagens, de animais, de fotografia e, acima de tudo, da família. Às vezes pode ser um tópico sensível, mas normalmente é algo que as pessoas falam com alguma tranquilidade.

Eu falo logo dos meus irmãos, porque a nossa diferença de idades é sempre um tópico engraçado, que as pessoas gostam de saber mais e onde acaba por fluir o diálogo. E o fluxo natural da conversa é a outra pessoa contar-me se também tem irmãos. E muitas vezes dizem-me "eu também tenho dois meios irmãos". E eu aí apanho um safanão, acordo para a vida e respondo "ah, pois, os meus irmãos também são meios irmãos...".

Porque a verdade é que eu nunca me lembro disso a não ser que esteja a falar especificamente no assunto ou, como acontece recorrentemente neste tipo de casos, me lembrem que essa coisa dos "meios irmãos" existe. Porque, sinceramente, eu tenho uma teoria: toda a gente que enfatiza que tem "meios irmãos" é porque não os sente realmente como irmãos. Há mesmo quem diferencie os "100% irmãos" e os outros e eu acho isso terrível. Acima de tudo porque não percebo como é que isso é possível. Nenhum dos meus irmãos é "totalmente meu irmão" e eu nunca os senti menos irmãos por não termos ADN's mais semelhantes. 

Eles são, para mim, as melhores prendas da minha vida, os meus segundos pais, a minha inspiração, a minha companhia. Não concordo sempre com eles, às vezes chateio-me, mas acima de tudo, hoje em dia, tenho saudades de os ter sempre por perto e do mimo e do colo que me davam há uns anos atrás. Tenho a sorte de ter uns irmãos incríveis, que são também eles pessoas incríveis - e acredito que, como tudo nesta vida, existem maus irmãos e pessoas não tão boas. Mas a verdade é que isso depende de muita coisa (da educação, do ambiente, da personalidade), mas pouco da carga genética que carregam nas veias.

Da mesma forma que há boas e más pessoas, deve haver bons e maus irmãos - se calhar há irmãos que até podemos querer esquecer (embora eu tenha dificuldade em sequer pensar nisso). Mas esses não contam. Porque a palavra irmão, tal como a palavra "mãe" e "pai", representa muitooo mais do que aquilo que vai no dicionário. Naquelas cinco letras cabe o mundo - mas não cabem metades. Porque os irmãos medem-se por inteiro. 

 

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22
Abr17

Hoje a família cresceu

Carolina

Este acrescento à família já estava a ser pensado há muito e planeado em concreto há cerca de um mês - mas preferi não falar até o ter em casa, porque havia muitos "mas" e "se's" que precisavam de ser ultrapassados. E, acima de tudo, haviam medos que se relacionavam maioritariamente com a reação do outros cães aos mais recente membro (em particular a Molly, que conviverá mais com ele, e o Tomé, que não gosta de invasões no seu território).

Hoje, depois de quase três horas de carro, já o tínhamos nos braços e ficamos, como sempre, enamorados. Ainda é muito pequenino, dorme muito, mas já se nota o espírito brincalhão e reguila que lhe corre nas veias. A Molly já o acolheu e está sempre preocupada com o estado daquele que deve pensar que é o seu novo rebento - mas está estranha e eu estou preocupada com o facto de ela sentir que a atenção que eu lhe dava passou para ele (que não é verdade, hoje tentei sempre estar ao lado dela, mas nesta fase inicial é praticamente inevitável ter os dois olhos e pelo menos uma mão em cima do outro). A minha relação com esta cadela é qualquer coisa de especial e um dos meus medos era precisamente que a minha relação com ela mudasse pela introdução de um novo elemento: mas enfim, vamos indo e vamos vendo. Acho que, neste momento, ela está numa relação de amor-ódio com o cão (sim, é menino): por um lado, trata dele como se fosse sua mãe e já o protege dos outros cães; por outro, nota-se o ciúme e tem medo que ele ocupe o seu lugar (por exemplo com a comida, que hoje ia valendo uma mordidela ao pequenote).

O bebé ainda não tem um nome 100% definido (deve ser Charlie) e neste momento é o alvo de todos os olhares e preocupações aqui em casa. A introdução com os outros cães está a ser feita aos pouquinhos e assim terá de ser no futuro próximo, acima de tudo com muita paciência. Todas as outras "lutas territoriais" vão sendo ajustadas ao longo do tempo, esperemos que sem danos para nenhuma das partes. Nesta fase uma pessoa fica sempre com o coração nas mãos e todos os cuidados são poucos.

Nestes momentos o coração cresce e parece ter sempre espaço para mais um, não diminuindo o amor que se tem pelos outros - e essa capacidade que nós temos é mesmo incrível. Deixo as fotos do primeiro dia de "casa" do caçula da família.

 

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17
Abr17

Dog Lady

Carolina

Ando outra vez em fase de limpezas no computador e no telemóvel. Já há meses que andava a receber notificações, tanto no telemóvel como no computador, de que tinha a iCloud a arrebentar pelas costuras e decidi começar a gravar tudo, a selecionar, a apagar e a arquivar. Ainda não acabei, mas isso não interessa para o caso. Mas sabem o quê que me ocupa o espaço todo que tenho no telemóvel e que revela bem aquilo que sou? Fotos dos meus cães.

Comigo, sozinhos, em passeio, em casa, deitados, sentados, a fazer palhaçadas ou truques, a dormir ou a correr. Cães, cães everywhere. Principalmente a Molly, que eu apelido (justamente) de minha sombra. Ela de cadela de caça passou para cadela de casa e já não sabe viver sem calor humano - e, desculpem, acho que gosta do meu em particular. <3 

Acho que já aqui disse que as análises às nossas redes sociais (e galerias de imagens) dizem muito sobre nós e as minhas são um raio-x perfeito da minha vida, porque não têm pessoas - a não ser, em casos raros, os meus pais. Tenho fotos minhas, dos meus livros, de paisagens, dos já falados canídeos e até de outros animais que vejo na rua: mas fotografias com outras pessoas não chegam a representar 5% da minha galeria.

Isto não é uma coisa nova para mim - não sou pessoa de pessoas, apesar de sentir que isto se tem agravado nos últimos meses. Depois de sair do trabalho prefiro fechar-me na minha bolha - também apelidada de casa - e só há dias é que percebi que há meses não punha (por exemplo) os pés num shopping, quando olhei à minha volta e já havia imensas lojas novas, diferentes e renovadas. E aí fiquei preocupada, porque apesar de nunca ter companhia para quase nada, nunca me privei de fazer o que quer que fosse: e agora prefiro ficar em casa. E eu sei que isto é mau, sei que isto faz parte de um buraco que estou a cavar e que depois vou ter dificuldade em sair... mas a questão da solidão continua a ser uma coisa central na minha vida e por muito que eu escreva, pense e repense, não consigo modificar. 

Mas enfim, no meio disto tudo, ainda há os cães, que têm vindo a colmatar a falta de pessoas na minha vida. E isto, lido por alguém hiper social, deve soar ridículo (e a mim, que sempre tive cães, também me é estranho porque só agora está a acontecer): mas eles têm sido uma companhia constante e essencial nos últimos meses. Nos dias maus, antes de qualquer outra coisa, são eles quem me arrancam o meu primeiro sorriso. Aquele amor incondicional e aquela presença constante têm-me enchido o coração de amor nesta fase que, sinceramente, tem doído a passar. É o facto da Molly vir dormir para o chão, ao meu lado, enquanto eu estou deitada no sofá; é pôr a pata por cima da minha mão quando me deito ao seu lado; é colocar o focinho no meio das minhas pernas enquanto tomo o pequeno almoço; é dar-me uma (e só uma) lambidela quando a vou cobrir antes de me ir deitar. É reconfortante e tão importante nos últimos tempos...

Não sei explicar, mas estou em crer que isto só consolida a minha posição enquanto anti-social em crescimento. Há pessoas que, olhando para mim, já me dizem "não me digas que vais ser uma cat lady!". Não, acho que não vou. De qualquer das formas, também já não preciso: ser, com 22 anos, uma dog lady, já me parece mau o suficiente.

 

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14
Abr17

Lembram-se da prensadora de flores?

Carolina

Escrevi há cerca de cinco meses um post sobre uma prensadora de flores que a minha mãe tinha aqui por casa. Eu adoro flores secas e costumava espalha-la pelos meus livros e cadernos, mas aquela ideia conquistou-me de tal forma que ao longo dos últimos tempos tenho vindo a alimentar a prensadora com mais pétalas e flores. Como houve várias pessoas que gostaram, na altura, do post e me pediram para partilhar o resultado final, cá está ele.

Comecei com uma orquídea. Depois percebi que, como tinha deixado o estigma e o estilete (sim, eu fui rever isto aos apontamentos de ciências naturais - que saudades!), que eram "gordos" e tinham muita matéria viva lá dentro, a flor não tinha ficado muito bem prensada e tinha ganho uma espécie de bolor. Tornei a tentar, depois de ter feito uma "mini-operação" à flor de forma a que ela ficasse praticamente só com as pétalas e o pé. O resultado foi muito melhor.

Mais tarde pus lá umas das minhas flores favoritas: frésias. Percebi que têm pétalas extremamente finas e que são muito suculentas, porque me mancharam o papel todo e ficaram todas coladas. E sim: continuam com um cheiro absolutamente divinal, mesmo prensadas. Por fim, experimentei noutra flor que não sei o nome mas cujo resultado ficou muito, muito giro - as pétalas parecem pintadas à mão!

Agora tenho de decidir o que vou fazer com tanta flor seca. A solução mais óbvia é um quadro, mas eu não sou a pessoa mais dada a manualidades desse género. Acho que vou ter de esperar pelas férias para ter tempo (e paciência) para tratar disto.

 

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28
Fev17

Ora então... bom Carnaval!

Carolina

Que me perdoem os foliões, mas eu não gosto nada do Carnaval. Acho que mesmo quando era pequena não era algo com que vibrasse muito. Tive um Carnaval que me marcou muitíssimo, passado com a minha família, mas não passa disso. Acho que a última vez que me fantasiei foi há uns oito anos, para uma festa onde uma amiga minha me levou de arrasto: fui de gato, esquecendo-me (na minha inocência) de que este animal fofinho tem uma conotação meio sexual, e passei a noite a ouvir "miaus" e coisas do género. Já não me bastava ter de estar numa festa e ainda levei com aquilo. Jurei que, enquanto me lembrasse, não me metia noutra (e, como se vê, ainda me lembro muito bem, portanto o retorno não está para breve).

Mas a verdade é que mesmo não participando no Carnaval há já muitos anos, em Maio do ano passado tive os meus 10 minutos carnavalescos, patrocinados obrigados pela minha mãe. Quando em Londres, numa visita a Camden, andávamos lá às voltas até que a minha mãe encontrou uma espécie de estúdio de fotografia, onde as pessoas se mascaravam para fazer sessões fotográficas temáticas; sei que havia três temas possíveis, mas só me lembro das damas antigas e da máfia. No fundo, é um souvenir personalizado (e caro) de uma visita a Londres.

A minha mãe delirou com aquilo, adorou a ideia, mas eu disse logo que nem pensar, não me ia vestir coisíssima nenhuma. Mas o dia não nos estava a correr bem, estávamos com o estado de espírito pelas ruas da amargura e, numa segunda passagem, a minha mãe voltou a folhear as fotos que havia à entrada e quis fazer uma coisa daquelas. E, pronto, uma pessoa pelas mães faz tudo. Lá escolhemos o tema, as roupas e os acessórios (eram postos por cima das nossas roupas), as raparigas puseram-nos um bocado de maquilhagem e lá fizemos a sessão fotográfica. Foi uma coisa de partir o coco a rir, eu achava que estava alucinar e nem me acreditava que me tinha metido naquilo. O fotógrafo dizia-nos como segurar no livro, para levantar o queixo, para olhar para o canto, para fazer isto e aquilo... e eu estava sempre à beira de um ataque de riso.

Ataque de riso esse que aconteceu mal nos sentamos no sofá e começamos a ver as fotos. Nem sequer consigo explicar bem, mas sei que estavam já outras pessoas a ser fotografadas (aquilo era um open-space, só com umas cortinas, o cenário era todo o mesmo para os diferentes temas mas tinha "cantos" específicos para cada um) e eu e a minha mãe começamos a rir-nos estéricamente daquilo que estava a passar no ecrã. Eu chorava, chorava, chorava de rir... acho que mal respirava. De cada vez que a rapariga mostrava uma nova, eu ia morrendo. Foi uma risota pegada e um drama para conseguirmos escolher três para imprimirmos e trazermos para casa (no início, só pensávamos trazer duas... mas as pérolas eram tantas que não deu para evitar).

Lá escolhemos, pagamos e mais tarde passamos para as levantar. Quando as vimos, voltamos a rir-nos à gargalhada. De facto, a experiência teve muita graça, mas aquilo é algo tão fora de mim que só mostrei as fotos a um par de pessoas (já a minha mãe, mesmo contra todos os meus pedidos, esparramou aquilo no facebook...). Ainda hoje, quando passo pela foto que a minha mãe emoldurou (!!!), me encolho de vergonha. Sim, teve graça, mas ainda não me acredito que posei como Dama Antiga, com um fotógrafo a dizer-me o que fazer e o diabo a quatro. 

Há uns dias, enquanto pensava no Carnaval e nos posts aqui no blog, lembrei-me disto. É uma pérola que tenho escondida há quase um ano - aliás, quando tive as fotos na mão, achei que as ia guardar para a vida. Mas a verdade é que há coisas demasiado boas para estarem escondidas - e embora esta seja uma faceta que, no meu caso, é pouco comum e que, sinceramente, eu tenho muita dificuldade em mostrar, ela há-de existir algures em mim. Por isso, meus amigos, bom Carnaval.

 

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19
Fev17

O meu jeito de fotografar

Carolina

Há cerca de um ano escrevi aqui um texto - que nunca cheguei a publicar - sobre a forma como gostava de fotografar e os meus problemas enquanto tirava fotos. Tinha acabado o curso de fotografia e aproveitei para, nesse mesmo post, fazer também um balanço de como é que aquilo tinha sido e portanto, como eu não o publiquei, acabou por ficar datado e esquecido nos meus rascunhos.

Lembrei-me dele antes das minhas viagens, quando disse aqui que uma das coisas que mais me chateava em viajar sozinha era não ter quem me fotografasse. Depois fiquei a pensar no assunto e achei que podia ter soado um bocado fútil, como quem diz "olha-me esta, só precisa de alguém para fazer de fotografo ambulante para escarrapachar as fotos no instagram!" - e isso não é de todo verdade. A fotografia é, para mim, uma parte essencial de qualquer viagem - e ao contrário de muita gente, eu depois vejo, revejo, escolho, trato e arquivo as imagens de forma hiper cuidada, para depois passar a vida a ir lá cuscar. Quem me conhece sabe que sou menina para passar a vida a ir ao baú, em busca de recordações, memórias e detalhes. Não diria que vou todos os dias à minha pasta de fotos - mas umas três vezes por semana é mais que possível. Porque para além de gostar de tirar fotos, gosto de as ver e reviver os momentos bons da minha vida. 

É muito mais que um simples capricho de facebook ou de "toma lá que a minha viagem foi melhor que a tua". Gosto de ter fotos nos sítios que gostei e onde fui feliz - e, por isso, essa continua a ser uma das coisas que me chateia em viajar sozinha. Porque, tal como calculei, acabei por tirar muito poucas fotos - as que tirei a mim mesma foram selfies, com o telemóvel, e as outras são paisagens, acabando por morrer um pouco e por não terem uma âncora que nos fixe àquela fotografia (é claro que isto é um ponto de vista pessoal, eu adoro foto de paisagem, mas têm de ser extremamente bem tiradas, o que não é a minha especialidade).

E isto leva-me ao tema do post que tinha escrito há um ano atrás, em que eu falava das dificuldades que tinha ao fotografar. Um dos exemplos que dava - e que se mantém - é que embora goste de fotografar um bocadinho de tudo, tenho um especial gostinho em fotografar pessoas, principalmente se estas me dizem algo. No entanto, gostava também de fotografar algumas pessoas que vejo na rua - e isto já me dava a alma que procuro nas fotos, de que falava acima, e que de certa forma "me" poderia substituir quando eu estivesse sozinha - mas não tenho nem lata para lhes apontar a objetiva à revelia nem coragem para ir ter com elas e pedir para tirar uma foto; é algo que não faz parte de mim, porque sempre tive muita dificuldade em falar com os outros, principalmente quando sinto que os vou "chatear". Por outro lado, mesmo que tivesse a lata de ir falar com as pessoas, tenho a sensação de que, por cá (os portuenses), são sempre um bocadinho impulsivos, com uma certa tendência para a agressividade espontânea, pelo que tenho - para além de vergonha - medo das potenciais reações que possam ter após lhes pedir para tirar uma fotografia. 

Adoro fotos de rua, muitas vezes a preto e branco, de casais num café, um velhinho a ler um livro num banco ou uma criança num escorrega - mas sou incapaz de ser eu a faze-la e disparar nas alturas devidas. De certa forma, sinto-me a invadir a privacidade das pessoas, e eu não consigo ver-me livre desse sentido "moral" que não me deixa tirar fotos livremente. Na altura, quando acabei o curso, isso mexia muito comigo - o facto de me sentir impedida de tirar um tipo de foto que gosto; hoje em dia, que também já não tenho tanto tempo para fotografar, essa questão já me passa um pouco ao lado e acho que se calhar nem tenho assim tanto jeito para a coisa. Limito-me praticamente a fotografar quem gosto, em ocasiões mais ou menos especiais. Acho que também me safaria em tudo o que é foto de ocasião - casamentos, aniversários e essas coisas assim, com pessoas efetivamente predispostas a serem fotografadas. Porque se, por um lado se perde um pouco de magia e autenticidade, por outro há o gosto de conseguir tirar fotos efetivamente boas. Não sei, talvez um dia.

Por agora, guardo a lente para os meus, para as minhas viagens e para mim - quando estou acompanhada. Para o bem e para o mal, é aquilo que tenho.

 

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(David no escorrega, 19.02.17)

27
Nov16

Índia na minha mira

Carolina

Acho que só este ano, depois do cruzeiro, é que percebi o quão gratificante é que para mim é viajar. 2016 foi um ano de crescimento brutal, em todos os sentidos, e sinto que aqueles oito dias no Báltico fizeram parte desta evolução, tão e simplesmente porque me apercebi de como tudo aquilo me fazia feliz. 2016 foi, de facto, o ano em que aprendi a ser feliz - uma aprendizagem que veio já desde o ano anterior mas que estou segura de que se consolidou até hoje.

Aliado às viagens tenho a fotografia, que ganha um peso cada vez maior na minha vida, ainda que bem devagarinho e sem se dar muito conta. Há dias via as minhas fotos de Istambul, onde fui há quatro anos, e pensei na quantidade de coisas lindas que vi e das "photo opportunities" que desperdicei. As fotografias que tenho dessa altura são tão más, tão más que dá vontade de chorar. E eu não quero, nunca mais!, que tal aconteça. Viajo para conhecer, viajo para ser feliz, mas hoje em dia também viajo para captar - e partilhar - as melhores imagens possíveis. É com muito orgulho que tenho algumas, tiradas no cruzeiro, que adoro de paixão e que considero francamente boas (se calhar, daqui a uns anos, vou detesta-las como detesto as da Turquia - a evolução tem destas coisas).

Neste momento todo o dinheiro que poupo é para viajar. Para acampar ou ficar num hotel de 5 estrelas, para o Gerês ou para a Austrália, para ir de avião ou barco, para andar com roupa chique ou biquini. Viajar com uma câmara na mão é tudo o que quero - e eu sei que tenho muito tempo para o fazer, mas sinto que o mundo é demasiado grande para eu esperar. Há muita coisa que está na minha agenda, algumas bem mais fáceis e acessíveis que outras, todas por razões diferentes. Uma delas, que tem vindo a ganhar cada vez mais dimensão, é ir à Índia. 

Isto é curioso porque, há dois anos para cá, eu não queria pôr um pé naquela terra. Ainda hoje não me atraem todas aquelas razões espirituais e o embate cultural - aliás, é mesmo das coisas que me afugenta - mas não estou a conseguir resistir àquelas cores, àqueles sítios, àquelas pessoas. Nunca iria sozinha e acho que dificilmente faria esta viagem sem um mentor, mas desde que fiz o curso de fotografia e conheci o meu professor, sinto que surgiu a oportunidade perfeita. Ele faz viagens guiadas, com um grande enfoque na fotografia, e isto tem tudo para ser a viagem perfeita. A viagem de uma vida.

Custa-me deixar passar as oportunidades, sempre com medo de confiar na vida e de deixar para o ano seguinte, nunca sabendo se tal vai de facto acontecer. Deixei este ano e, infelizmente, em 2017 também deverá ser uma oportunidade que me vai passar por entre os dedos. Primeiro porque são duas semanas, sendo que agora sou uma adulta e tenho dias de férias contados e segundo porque o pé de meia ainda não está assim tão recheado para me atirar de cabeça à "terra de Vasco da Gama".

Vou contentar-me com projetos mais pequenos e, esperemos, com um bombom no próximo verão. Mas a Índia não está esquecida, até porque a minha máquina fotográfica não me deixa esquecer. Preciso de captar aquela cor. E não demorará assim tanto como isso.

11
Nov16

Como evitar as pastas "para arquivar quando tiver tempo" (ou dicas de organização fotográfica 1#)

Carolina

O prometido é devido! Como não houve ninguém a dizer que o facto de eu dar umas dicas sobre organização fotográfica era uma total perda de tempo, cá estou eu, na dificílima missão de vos evangelizar em prol de um arquivo fotográfico organizado.

Pode não parecer muito evidente, mas o primeiro passo para ter um álbum de fotografias - ainda que digital e sem ser todo "bonitinho" - bem organizado começa no vosso cartão de memória. A regra simples e básica para que as coisas corram sempre bem é: ter sempre o dito cujo vazio. Como? Gravando e arquivando sempre as fotos depois de as tirarmos - se as podermos selecionar e tratar imediatamente, melhor, senão grava-las e pô-las numa pasta com nome e data (e não numa que dá pelo nome de "PARA ARQUIVAR QUANDO TIVER TEMPO") já é bom.

Isto porque acumular o que quer que seja - fotos incluídas - faz com que quando decidamos arrumar, a tarefa se torne muito mais chata e morosa. Aliás, por isso é que passamos a vida a adiar esse tipo de coisas. Assim, se formos fazendo a triagem e o arquivo de todas as fotos que tiramos, o trabalho é feito aos pouquinhos, é mais rápido e custa menos.

Isto pode parecer conversa de treta, acho que eu própria pensei isso quando me disseram esta regra "de ouro", mas acreditem que faz a diferença. Confesso que ainda hoje não a cumpro a 100% - neste momento estou "limpa", mas durante as férias andei a acumular fotos nos meus cartões de memória até não conseguir mais e depois arrependi-me amargamente. É mais difícil para arquivar (uma pessoa esquece-se donde esteve), demora mais tempo, as coisas parecem que nunca mais acabam e torna-se numa tarefa que se faz por obrigação em vez de se retirar algum prazer disso.

Experimentem. No próximo post sobre isto digo em que programa é que faço a escolha das fotos e como agilizo todo este processo.

 

 

Dica extra - pode ajudar ter vários cartões de memória: primeiro porque se fizermos vídeo ou tirarmos fotos em RAW é possível que atinjamos a capacidade máxima do cartão; segundo porque estamos a falar de coisas pequeninas que se perdem (e partem!) facilmente; terceiro porque se formos preguiçosos e deixarmos acumular, temos mais espaço para tirar fotos sem ter de pensar em eliminar conteúdo. Eu sempre tive um sítio para guardar os cartões, tanto em casa como na minha mochila, mas arrumar coisas pequeninas em sítios grandes dá sempre mau resultado e apanhei várias vezes sustos por achar que os tinha perdido ou danificado. Socorri-me do ebay (como aliás faço sempre) e encontrei uma mini-bolsa, feia mas super prática, para transportar cartões. Dá para seis, tem argola para porta-chaves - metem-na em qualquer lado para andar sempre convosco - e é uma forma super segura e prática para transportarem todos os vossos SD Cards. Aqui. [Este é como o meu, mas se pesquisarem encontram outros, até maiores e mais baratos - no entanto, para o efeito que eu quero, este serve perfeitamente e até é mais prático].

 

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