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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

14
Set12

A escola está de volta e o meu tratamento também

Carolina

Já lá vão nove meses sem fisioterapia. Faz daqui a dois dias um ano que entrei para um dos melhores centros de fisioterapia do Porto (ou do país), e nada melhor para assinalar a data do que começar os tratamentos de novo - mas, desta vez, em casa.

Já há muito que falávamos em comprar uma máquina de pressoterapia para mim - seria um investimento a longo prazo, visto que não parece existir solução para o problema que tenho no pé e este é o único tratamento que permite que o inchaço diminua gradualmente e a circulação... circule. E hoje foi o dia. Após muito custo, conseguimos descobrir quem vendesse estas máquinas aqui no país e arranjamos uma empresa nos meandros do Porto.

Ao longo destes tempos sem fisioterapia o pé voltou a inchar e, devido ao edema, quando ando durante muito tempo ou faço determinados esforços começa-me a doer. Há demasiado líquido onde não devia existir quase nenhum.

Agora com as tardes livres e um horário bem mais folgado, faço tenções de estar pelo menos trinta minutos do meu dia deitada na cama, a ler, a estudar ou a fazer seja o que for com a máquina a encher e desencher, a ver se o raio do pé não incha tanto como o costume. É esperar para ver.

 

06
Ago12

Da maratona feminina (ou das lembranças da fisioterapia)

Carolina

Ontem, enquanto almoçava algures, a televisão mostrava a maratona feminina nos jogos olímpicos. Tinha lido muito por alto que iam estar lá três portuguesas e foi com satisfação que vi que uma delas ficou em sétimo lugar. Quando a vi na televisão, ao longe, apercebi-me que era ligeiramente loira; quando passou a meta, apareceu o nome dela na tabela: J. Augusto. E aí caiu-me a ficha.

Tive a sorte de andar no que dizem ser uma das melhores clínicas de fisioterapia do país e lembro-me de uma Jessica, que tinha pinta de corredora e que quando ficava na cabina ao lado da minha, tinha a oportunidade de a ouvir falar de competições e provas mundiais. Na altura, recordo-me de pensar que ela devia ser corredora ou coisa do género, mas nem me dei ao trabalho de pesquisar. E, ao olhar para a TV, lembrei-me de onde a conhecia. Há quase um ano, lá estava ela, a fazer doses de gelo e massagens e coisas que tais, enquanto eu passava por um tratamento semelhante (sem gelo - curiosamente, gelo nunca entrou em nenhum dos meus tratamentos).

A par dela, penso que um futebolista também andava por lá - ainda o estou a ver, refastelado no sofá, com os seus dois telemóveis, cabelinho relativamente grande e uns gémeos do tamanho da minha coxa. Parecia-me o Custódio, mas não posso precisar.

Lembro-me muitas vezes do tempo da fisioterapia - simplesmente não falo do assunto. Para além dos tratamentos, recordo as pessoas - ainda sei os nomes delas todas; todos os nomes que apreendi, estão gravados na minha cabeça - algo raro, porque nem tenho assim muito boa memória para nomes. Muitos são os que ficam espantados com o impacto que a fisioterapia teve em mim - penso que ninguém espera que um tratamento a um pé afecte tanto uma pessoa a nível psicológico. Mas afecta. Não sei se era por ser ali, por não ter luz natural, ter demasiada gente ou demasiado tempo de espera. Mas a depressão ia-se espelhando no rosto daquelas pessoas à medida que o tempo passava. E, por experiência própria, sei que não foi só no rosto, mas sim em todo o corpo. Não tenho saudades dessas tardes e dessas noites - e eu sou o cumulo da saudade.

Mas, felizmente, há aqueles mais persistentes - já estão, provavelmente, mais habituados a estas andanças. Não sei o que Jessica Augusto tinha, mas sei que levou a melhor e trouxe uma bela conquista para casa. Parabéns a ela e às outras duas, que também não ficaram nada mal!

29
Fev12

Memórias

Carolina

Ontem o restaurante onde fomos ficava um piso acima do sítio onde fazia fisioterapia. Os elevadores continuam com o mesmo cheiro característico e o edifício o requinte do costume.

Não tenho saudades dos momentos que lá passei e que me deram a conhecer a entrada para o abismo. Mas tenho, por vezes, saudades das pessoas com quem passava horas e me tratavam com todo o carinho e paciência. Dias maus, esses.

24
Fev12

O sorriso é a melhor arma

Carolina

Lembro-me que quando andava na fisioterapia, o Rodolfo - quem me tratava - me chamava "menina sorridente". Mal ele sabia, no entanto, que aquele sítio foi o grande impulsionador para eu ter caído da maneira que caí e de ainda não me ter conseguido levantar devidamente.

Tenho a estranha capacidade de sorrir em momentos díficeis - sendo que, obviamente, o sorriso é tudo menos sincero. Mas é, de certa forma, a melhor arma que podemos ter. Quando esperam ver-nos ceder ou chorar, dar-mos o nosso melhor sorriso - o cínico ou o mais parecido com o sincero - é o melhor que podemos oferecer.

29
Nov11

As minhas novas meias elásticas

Carolina

Com a chegada do inverno e com a pausa na fisioterapia, achei por bem usar uma meia elástica até ao joelho (as que eu usava antes ficam até meio da parte inferior da perna e notava-se perfeitamente que algo em baixo estava a apertar e acima não, ou seja, havia ali uma quebra que nem sequer era saudável e muito pouco estética, principalmente quando se usa leggins).

Lá fui eu à farmácia, comprar as meias elásticas da marca que gosto (sim, já somos melhores amigas), quando vou para pagar e me pedem quarenta euros por um par de meias. Esbugalhei os olhos, mas lá dei o dinheiro.

Chegada a casa, 'bora lá experimentar a meia. E vesti-la? E empurrar a meia até ao joelho? E encaixa-la no calcanhar?

Foram mais de dez minutos nisto, com muito esforço, suor e calor da minha parte. Eu já nem preciso de educação física: ao vestir isto todas as manhãs faço logo exercício para o dia todo.

11
Nov11

Adeus fisioterapia!

Carolina

Um cubículo de dois metros e meio por um metro e meio, sensivelmente. Três paredes brancas e uma cortina - do lado de dentro, bege; do lado de fora, azul clarinho. Sete cabines, um gabinete. Todos os funcionários com uma camisola azul e calças pretas. Um sofá do lado de fora da recepção, seis cadeiras ao comprimento da clínica. Uma marquesa em cada uma das cabines - e nada mais. Pacientes. Muitos pacientes.

Acabou hoje a minha primeira jornada da fisioterapia. Para a semana não terei de visitar a Avenida da Boavista. Não irei à Arcádia (sim, a dos chocolates) lanchar a minha torrada enquanto faço tempo. Já não sorrirei para a senhora, que me via todas as segundas, quartas e sextas. Já não suspirarei ao ver a lista de nomes que está à minha frente para entrar para tratamento.

Não sentirei falta das horas e horas de espera; o mesmo se passa com o tratamento. No entanto, e admito, sentirei falta das pessoas. Da Tânia, que hoje me deu um beijinho e me disse "tu estuda-me, rapariga!". Do Luís, que se despediu com um "em Dezembro estaremos cá para te receber". Da professora de biologia que desconheço o nome e que também estava em tratamento, que me fazia companhia e me disse "se não nos virmos mais, as melhoras!". E do Rodolfo e das suas frases repetidas.

Porque são as pessoas que marcam. Mas sei que daqui a um mês há mais, e não o anseio.

Agora, é aproveitar a folga.

27
Out11

A fisioterapia

Carolina

Assustei-me seriamente quando vi quem me iria tratar. O Rodolfo já havia passado pelo FCPorto, Benfica e Sporting; na clínica veste-se sempre de preto, combinando com o seu bigode farfalhudo e o cabelo preto, ligeiramente encaracolado. Tinha cara de mau e só quando o ouvi falar é que respirei de alívio.
De todos os médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e massagistas a que me dirigi, todos ficam a olhar para o meu pé com um ar pensativo - os tratamentos que me aconselhavam baseavam-se no 'talvez resulte...' porque, notoriamente, ninguém sabia bem o que isto era. E ele mostrou-se confiante. Disse que conhecia um caso semelhante e me punha como nova. E eu aceitei de imediato, porque foi a única pessoa nesta jornada que me pareceu confiante naquilo que dizia.
A fisioterapia não se tem revelado fácil. A primeira semana, que tive de ir todos os dias, foi na verdade muito difícil. E os dias em que saí depois das 21h também. Era chegar a casa e ir para a cama, com a cara molhada de lágrimas de cansaço e revolta. Mas assim tem de ser. A espera por vezes é muita - já chegou às 3 horas - e o tratamento, que ronda as 2 horas, desgastam qualquer um. E não é fisicamente - é psicologicamente.
A rotina é sempre igual. Meia hora de electrodos - 'diz quando começares a sentir', 'diz quando estiver bom', que é o único tratamento não indolor que tenho - depois 10 minutos de ultrassons, seguido de 5 minutos de laser - "põe os óculos, não os tires enquanto não acabar". Depois vou para o 'turbilhão' (hidromassagem), recebo uma massagem e por fim 30 minutos de pressoterapia (uma bota que é colocada na perna, que incha e desincha, de modo a fazer drenagem).
A Tânia, o Luís e o Líbano são a minha pouca companhia durante estas horas - são quem ajuda o Rodolfo na clínica e que me permitem uma breve troca de palavras de cada vez que abrem a cortina da minha box, só para espreitar como eu estou. São eles que me fazem os ultrassons e tentam meter conversa comigo, enquanto passam o aparelho no meu pé. A Tânia é a minha preferida. É uma risota pegada. A minha box, apesar de um ser uma pessoa reservada, é a mais animada lá do sítio. Ouvem-se gargalhadas e brincadeiras, vêem-se sorrisos.
Ou seja, está é no fundo, e para já, a minha terceira casa.  

 


 

(pressoterapia e electrodos)

10
Out11

Finding lives

Carolina

Ir ou vir da fisioterapia de metro, para mim, é um regalo. Não pelo metro, mas sim por ter de fazer a Avenida da Boavista a pé.

A cada vez que o faço, cada vez gosto mais. De óculos de sol e phones nos ouvidos, vejo cada uma das pessoas que passa por mim. "tem uns olhos bonitos", "emagrecer não te fazia mal...", "UAU!", "um dia quero ser assim", são algumas das cosias que me passam pela cabeça enquanto ando por aquela comprida avenida.

Pensar que cada uma daquelas pessoas tem uma vida, amores e desamores, problemas, uma casa onde habita, um namorado (quem sabe..). Gosto de tentar adivinhar as suas vidas pela forma como andam e olham os outros - e, acima de tudo, como me olham a mim.

Há alguns resultados interessantes.

 

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