Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

22
Out17

Relembrar o gosto da leitura

Carolina

Há dias estava a pensar na evolução que fiz enquanto apreciadora de letras – de escrita, de livros, de leitura – e de como isso me mudou enquanto pessoa e, acima de tudo, em como alterou o rumo da minha vida. E cheguei à conclusão de que sou uma “leitora auto-construída”.

Eu nunca na minha vida pensei seguir um caminho que envolvesse letras. Nunca. Passei os meus primeiros anos de escola a odiar português – não tanto como educação física, mas quase. Não gostava de descodificar textos, não gostava de escrever, não gostava de ler, odiava fazer ditados (devido à quantidade absurda de erros ortográficos que dava), não percebia nada de gramática e tinha um ódio de estimação por trabalhos de casa longos, que obrigassem a grandes dissertações. Tinha notas miseráveis, nunca passava de um 3 medíocre na pauta e era uma das disciplinas que estava sempre condenada à desgraça.

Até ao dia em que comecei a ler, por impulso da minha irmã – devia ter os meus 13 anos. Não era a primeira vez que tentava, já tinha pegado no Harry Potter e nos livros de Uma Aventura, mas nunca tinha resultado – desistia sempre. E lembro-me de gostar do primeiro livro que li de uma ponta à outra, mas de nunca ter sido uma coisa natural: a mão não ia buscar o livro à mesinha de cabeceira de forma instintiva, não era algo que eu desejasse por antecipação. Era quase como ir ao mar quando a água está fria: custa muito lá entrar, mas só quando lá estamos é que percebemos o quão bom aquilo é. E quando saímos o ciclo volta a ser o mesmo: está frio, dá vontade de não entrar, esquecemo-nos do bom que é estar lá dentro e por isso estamos em constante negociação connosco próprios.

Hoje sei que a leitura é, acima de tudo, um hábito. São rotinas que se criam, a que depois de sucedem ciclos viciosos. E depois há incentivos que cada um vai criando para si próprio: para mim, há poucas coisas que me sabem tão bem como gastar dinheiro em livros, por exemplo; o prazer de deambular por uma livraria e trazer os escolhidos para casa é enorme; escrever críticas sobre o que acabei de ler é outra coisa que me dá gozo, assim como trocar impressões sobre escritores com outras pessoas que também gostam de ler. Tudo isso me dá prazer. Mas tudo isso se esquece com facilidade.

É engraçado como mudei o rumo da minha vida à custa das letras, por algo que inicialmente odiava. Hoje, escrever é uma parte essencial do meu trabalho, e é curioso ver como isso aconteceu por uma série de escolhas. Neste caso, não posso dizer que as letras me escolheram a mim: porque fui eu que as escolhi a elas. Foi por elas que bati o pé a ciências e a quase todos os que me rodeavam. E começou em nada, num pequenino ódio de estimação, inicialmente contrariado pelo meus familiares, e depois por mim, de forma sucessiva.

A minha relação com as letras – e nomeadamente com a leitura – é parecida com aquilo que devem ser as relações dos casais. Segundo ouço, o segredo é irem-se apaixonando uma e outra vez – mas, pelo meio, há sempre períodos de desamor, em que é preciso ter paciência e lentamente saber reaprender a amar, talvez até por razões diferentes.

Apesar de ter continuado a escrever (ainda que menos..), já há algum tempo que os meus hábitos de leitura deixaram de ser o que eram. Nunca li trinta livros num ano, nunca fui um bicho-papão, mas já há uns anos para cá que gostava de manter uma média razoável de leituras que, nos últimos dois anos, caíram a pique. E eu fiquei desgostosa. Perdi o hábito da leitura, em todas aquelas situações que me auto-ensinei a ler. E quando lia era por obrigação, numa tentativa de retomar o hábito e não por gostar daquilo que se estava a passar enquanto folheava as páginas – e depois de várias tentativas falhadas, desistia, escondia o livro como quem se esconde de vergonha, e tentava esquecer.

Mentia se dissesse que essa fase já passou. Estou a fazer por voltar a ler – a comprar livros que me intriguem, a voltar a pôr um livro na mesinha de cabeceira, a deixar de pensar que tenho demasiado sono e negociar comigo mesma uma leitura de um capítulo - mas não é fácil voltar a hábitos que não nos são inatos. E eu detesto dizer isto! Detesto dizer que a leitura - algo tão importante para mim e tão relacionado com a escrita - não é uma coisa que vive em mim permanentemente. Mas, de facto, não é. E, de tempos a tempos, temos de nos voltar a reconquistar. E cá estamos nós para ir à luta.

13
Out17

Quando ter o cabelo longo é um ato de rebeldia

Carolina

Eu sinto que sempre tive o cabelo curto. Não é verdade. Quando criei este blog ainda o tinha todo despenteado e rebelde quase até meio das costas - mas, quando algures no final de 2011, o decidi cortar, senti que de alguma forma tinha controlo sobre a minha vida. Tal como milhões de mulheres, também eu detestava a ideia de ir cortar o cabelo - sempre "só para aparar as pontas" - com o eterno medo da perspetiva de sair de lá com menos três dedos de crina. Mas no momento em que eu pedi à cabeleireira para cortar não dois dedos mas sim dois palmos de cabelo, foi uma sensação de liberdade, independência e rebeldia incríveis. Essa mudança mudou-me - e eu gostei tanto, tanto que repeti-a vezes sem conta.

Hoje olho para trás e percebo que de todas as vezes que cortei o cabelo tinha a esperança secreta de me sentir como me senti naquele dia de 2011, altura em que passava uma das piores fase da minha vida até agora. Mas nunca foi igual: acabou-se o efeito surpresa, acabou-se o choque das pessoas por todo o lado onde passava, acabou-se a novidade - que deu lugar ao hábito. De tal forma que as pessoas, quando me vêem com o cabelo comprido conforme estou atualmente, ficam a olhar para mim, espantadas: "estás com o cabelo enorme!", dizem. 

Para mim, eu só passei a ser mesmo "eu" quando tive cabelo curto - porque falei tanto sobre o assunto, gostei tanto da mudança, que acabou por fazer parte de mim. É um estado de espírito, quase uma forma de estar na vida (que, curiosamente, acaba por não ter muito que ver com a vida que levo, mas enfim), uma imagem de marca. 

Mas a verdade é que nos últimos anos cortei tantas vezes o cabelo - de todas as vezes curto, mas quase sempre de formas diferentes - que me cansei um bocadinho: e, confesso, chegava a um ponto em que não gostava de me ver. E isto é estúpido, mas eu sentia uma espécie de batalha interior: eu queria gostar daquele cabelo, achava que era o que combinava comigo, mas quando olhava para o espelho achava que não estava bem, que tornava a minha cara mais redonda e gorda e, nesses momentos, pensava para comigo "tão cedo não volto a corta-lo". Depois acabava por ceder, até porque deixei de ter paciência para cuidar e secar cabelos cumpridos. Mas o bichinho estava lá.

E se há coisa que eu tenho é boa memória. Eu não me esqueço. E durante este ano, de todas as vezes em que o cabelo me fazia comichão nas costas ou me ia para a frente dos olhos e eu, por instinto, pensava "tenho de ir ao cabeleireiro", o meu outro lado tentava apaziguar essas ganas de ir à tesoura e lembrar-me de tudo aquilo que tinha sentido pouco depois de cortar o cabelo das últimas vezes. E os meses foram passando. E passou um ano desde a última vez que cortei o cabelo. Abaixo, na foto, podem ver as diferenças: do lado esquerdo, o estado da minha "crina" no dia 13 de Outubro de 2016; à direita, o seu estado nos dias de hoje (e sim, a repetição do cenário e da roupa foi propositado).

 

cabelo2.jpg

É natural que, um ano depois, as pontas já estejam todas espigadas e o cabelo menos saudável. Tenho feito o meu melhor, mas a vantagem dos cabelos curtos também é essa: parecem sempre mais saudáveis, mais cuidados (ou, pelo menos, na maioria dos casos). E está a acontecer algo que já há muitos anos não me acontecia: estou com o cabelo enorme e a precisar verdadeiramente de ser cortado. A questão é: quanto é que corto? 

Tenho-o deixado crescer por objetivos vários: primeiro porque queria fazer tranças no verão (não fiz), segundo porque queria te-lo longo para poder fazer uns penteados em algumas festas que sabia que ia ter agora no final do ano (também não fiz) e, finalmente, porque tenho gostado da sensação de o ter longo. É estranho já não ser a única rapariga de cabelo curto na sala, é estranho não ter um corte definido, é estranho já não estar a pensar o próximo, é estranho este "desleixe" que tenho vindo a criticar nos últimos anos mas que me tem sabido bem. Acho que o vou deixar assim até me voltar a apetecer "ser eu" outra vez. No fundo, ter o cabelo cumprido é uma ação tão radical como aquela que eu fiz em 2011. E, às vezes, radical é bom.

 

DSC_0467.JPG

12
Out17

Ir ao ginásio é uma autêntica montanha-russa

Carolina

Eu admiro profundamente quem vai ao ginásio e gosta. Porque ter a força de vontade de ir ao ginásio de forma regular já é algo louvável, mas gostar de lá ir é todo um outro nível. E sim, fala-vos a voz da inveja. Porque embora eu não tenha grande vontade de ir ao ginásio, lá vou aparecendo... mas gostar de lá ir é algo que eu queria mesmo ser capaz. Queria tanto, tanto, tanto sair de lá e dizer "uf, mal posso esperar por cá vir amanhã!". Mas não é isso que acontece.

Não é possível explicar os meus sentimentos em relação a este espaço de uma forma sucinta. Numa só hora eu passo por uma série de estados emocionais, que não fazem de mim uma bipolar mas sim algo parecido com uma tripolar, quadripolar ou, até talvez, pentapolar. Quando entro, apesar de ter pouca vontade, vou esperançosa; quando começa a aula e eu percebo que até consigo fazer os exercícios e estou cheia de energia, sobe em mim todo um entusiasmo exagerado e durante vinte e dois segundos passam pela minha cabeça coisas utópicas como "é este ano que eu vou ficar em forma!" ou "isto está a correr mesmo muito bem"; depois as minhas pernas começam a tremer como varas verdes e eu começo a vacilar, a sentir que não sou capaz, e na escala emocional eu já estou num seis em dez, algo pouco positivo; entretanto chega aquele exercício que já repetimos quatro vezes, que tem vindo a aumentar de dificuldade, e eu já não consigo mesmo mais e sou obrigada a parar - e eu detesto parar, mostrar parte fraca - e a escala emocional começa a subir por ali acima e eu só quero chorar por não conseguir; a cinco minutos do fim, quando o professor diz "só faltam mais duas séries!", todo entusiasmado enquanto eu já escorro suor pelas orelhas e estou mais vermelha que um tomate maduro, só quero atirar-me para o chão como uma criança birrenta e perguntar "porquê que o tempo não passa? como é que eu me meti nisto? porquê que eu voltei a fazer esta aula?!"; só quando saio do ginásio, ainda com as hormonas e as emoções aos saltos, é que penso "ao menos já posso comer mais um bocadinho" e a coisa ameniza. 

Sei que o que me dá força para continuar é, de facto, a ideia de poder comer e não me sentir balofa - e ter um gym buddy, a minha tia, que me dá força para ir a estas aulas do demónio, que eu só faria uma vez na vida se alguém não me convencesse a voltar. Para além de que eu tenho uma característica que detesto - e que até me assusta - bastante: se me olhar ao espelho depois de ir ao ginásio, acho que a imagem que vejo é muito mais simpática do que num dia que não vá ou, pior, em que tenha feito não sei quantas asneiras alimentares ao longo do dia. E eu sei que isto é psicológico, porque as diferenças não são imediatas, e porque eu sou relativamente estável a todos os níveis: peso (mais do que queria), flacidez (claramente demasiada) e forma física (de uma fora geral: lontra).

Mas enfim, fico sinceramente orgulhosa de mim por, apesar desta autêntica montanha russa de sentimentos, continuar a ir. Acho que ainda não tinha dado a boa nova sobre o meu retorno (ou, pelo menos, tentativa) à vida saudável - que, para além do ginásio, inclui até marmitas ao lanche, a minha maçã cozida, proteínas sem hidratos ao jantar e essas coisas todas -, e estou a empenhar-me seriamente para fazer disto a rotina e não a excepção. Lembro-me perfeitamente de que o ano em que me senti melhor, a todos os níveis (tanto físico como psicológico), foi quando fazia exercício e tinha mão na minha alimentação, por isso estou a fazer um esforço para voltar - tendo em conta que a minha tentativa o ano passado, no ginásio perto do trabalho, foi um flop mais do que gigante (ao ponto de eu até ter vergonha de o mencionar ou sequer de o lembrar...).

Entretanto, ter o bullet journal também tem sido um incentivo: uma das minhas métricas é a contabilidade das idas ao ginásio, por isso é giro (e bom) monitorizar quando lá vou. É fácil perceber quando me baldei (e recriminar-me por isso) ou então ver semanas onde me empenhei (e ficar feliz). Acho que para quem é como eu, é uma boa dica para não faltarem. E pronto, vamos ver até quando dura a boa vontade e a vida de lontra não vem ao de cima. Se isto sobreviver ao Natal, sou uma mulher feliz.

09
Out17

A questão: como acabar com o molenguice durante a tarde?

Carolina

Sou uma pessoa muito mais dinâmica e produtiva de manhã do que de tarde. Juro: a diferença é abismal. De manhã sou capaz de fazer tudo, às vezes nem me lembro de comer, trabalho desde que me sento no escritório até à hora de almoço. À tarde é todo um drama: fico cansada, tenho sono, a minha produtividade cai a pique.

Tenho a sorte de ter um horário muito liberal e por isso, apercebendo-me disto, comecei a ir trabalhar mais cedo, de forma a fazer mais coisas no período da manhã do que de tarde. Mas eu olho para todas as pessoas normais à minha volta e não me parece que sejam todos assim. O que será que eu faço mal para ter tanto sono durante a tarde? Será que é o facto de vir almoçar a casa que me quebra a rotina de trabalho e me faz facilmente arrastar para o sofá e me dar a preguiça? Será que já é mesmo o meu metabolismo que está habituado a descansar à tarde? Só quando estou em pleno stress e a mil a hora é que isto não acontece - caso contrário, se o meu cérebro se aperceber que tem tempo para fazer as tarefas, vai-se arrastando e levando-me com ele.

E a questão é ainda mais grave se acrescentarmos o facto de eu até dormir bastante. É verdade que acordo cedo, mas também me deito cedo: normalmente, antes das 23h já estou na cama. Porque para além de sentir que não sou produtiva à tarde, durante a noite a coisa também não melhora e tenho cada vez mais tendência para me deitar cedo e descansar.

Sinto que, a este nível, já passei por várias fases. Lembro-me que durante o secundário estudava muito bem de noite, deitava-me às tantas da manhã para estudar e no dia seguinte recuperava à tarde, mas sempre de uma forma equilibrada e sempre produtiva o suficiente para ter bons resultados. Já tive outras alturas em que estudar de manhã era missão impossível e que só de tarde é que conseguia mesmo abrir a pestana. E agora é isto.

Consigo ajustar o meu tempo e a minha energia ao trabalho que tenho – ainda que, na prática, faça horários um bocado estranhos – mas chateia-me muito não conseguir ser produtiva durante a tarde, altura em que toda a gente está a trabalhar, responde a emails e torna todo o processo muito mais fácil para também eu trabalhar de forma eficaz. Para os mais preocupados com a saúde: sim, já fiz análises e está tudo nos conformes. Por isso a questão põe-se: como é que se contorna este cansaço do demónio, como é que se regula os nossos tempos com os “normais” e se tem energia o dia todo? Estou aberta a dicas! Obrigada!

 

IMG_8173.JPG

 

05
Set17

Movida, ou travada, a medos

Carolina

Quando era pequena caía muito e, a partir de uma certa idade, passei a precaver-me e a olhar sempre para o chão. Tenho muito cuidado por onde ando e com os caminhos que faço, para tentar ao máximo evitar cair, porque tenho medo de me magoar (como tantas vezes fiz em miúda). E isto aplica-se na vida real mas também metafóricamente. Eu tenho medo, muito medo de tudo e coíbo-me de fazer (precisamente) quase tudo por causa disso. Sou a miúda menos arriscada história: e quando o faço, é de coração nas mãos, sempre com todas (e mais algumas) consequências em mente. E não, nunca são positivas.

Tenho medo de fazer, tenho medo de arriscar, tenho medo de me arrepender, tenho medo de me candidatar, tenho medo de ligar, tenho medo de falar, tenho medo de mandar mensagem, tenho medo de gastar dinheiro indevidamente, tenho medo de me queimar, tenho medo não me integrar, tenho medo de fazer figura de parva, tenho medo de não saber sair das situações, tenho medo de não gostar, tenho medo que não gostem de mim, tenho medo de falhar, tenho medo de desiludir, tenho medo de não ser bem sucedida, tenho medo de não ser lembrada, tenho medo de médicos, tenho medo de ratos, tenho medo que os meus morram, tenho medo de morrer. E só eu sei como cada vez tenho mais medo de não estar a viver.

Só há muito pouco tempo é que me apercebi disto, deste medo generalizado. Sim, há muitos anos que olho para o chão quando ando na rua e sim, desde sempre que me lembro de ser muito ponderada e precavida em todas as decisões que tomo na minha vida. Mas só quando olhei de cima e para o discurso que tinha no meu dia a dia, quando falava de assuntos corriqueiros e as minhas frases começavam sempre por "sim, mas eu tenho medo de..." é que percebi a dimensão do medo na minha vida. 

Eu tenho uma vontade gigante de fazer pelo menos uma coisa boa - e grande - na minha vida. Gostava que as minhas futuras empresas fossem um sucesso ou gostava de escrever um livro bom e que vendesse aqui em Portugal. Sempre achei que a minha vida profissional seria melhor que todas as outras dimensões da minha vida, e pensei que era isso que me movia. Mas apercebo-me que talvez não. Em vez de me mover, talvez eu esteja constantemente a ser travada por algo ainda mais central na minha vida: estes medos encastelados que parecem não ter fim. 

02
Set17

De volta aos teclados (e não é do computador)

Carolina

Devia ter uns oito anos quando comecei a aprender piano. A minha mãe tinha-se inscrito na escola de música, levou-me por arrasto e eu, por acaso, até tinha jeito para a coisa. Mas, passado relativamente pouco tempo, quis desistir. Não tenho a meu favor a perseverança: não me lembro de nenhuma atividade onde quisesse ficar durante mais do que meia dúzia de meses (também não andei em muitas, só me lembro da ginástica - onde não durei nada, uma vez que era, e sou, uma absoluta desgraça - e da natação, atividade que repeti ao longo dos anos e de que ainda hoje gosto muito). Mas, por outro lado, tenho uma série de desculpas muito convincentes: a melhor de todas é que o meu professor adormecia nas minhas aulas.

Isto tem graça quando eu conto e até pode ser visto como um elogio ("ui, tocavas tão bem que até o adormecias!") mas era uma situação muito embaraçosa para mim, que acabava a partitura e não sabia o que fazer a seguir. Ir para aquelas aulas significava estar numa posição desconfortável, porque já sabia o que ia acontecer e ficava a pensar "continuo a tocar? páro? acordo-o? saio da sala?". Enfim, era chato. E eu fiquei muito desmotivada com tudo aquilo e quis desistir. Nunca deixei de gostar de tocar, mas não me apetecia continuar com aquilo - e quando temos oito anos não temos maturidade suficiente para perceber que é aquele professor que nos desmotiva, que gostamos mesmo daquela atividade e que queremos dar a volta. Se em adultos já é difícil contornar situações em que estamos assim, em crianças é quase impossível. Por isso, mesmo contra a vontade dos meus pais (o meu pai sempre me disse que quando eu fosse crescida e estivesse na faculdade todos os meus colegas iam adorar ouvir-me ah ah ah), deixei de tocar piano. Tinha algum jeito e aptidão para aquilo, para além do meu amor já existente pela música, que não só se manteve como aumentou com o passar dos anos. Já tocava peças com algum grau de dificuldade e safa-me realmente bem. Mas a partir do momento em que se estagna, que não há ninguém a puxar por nós (mesmo que a dormir...) ou a exigir algo mais, é difícil evoluir. E eu parei de tocar por completo.

Ao longo destes anos voltei a sentar-me algumas vezes em frente do piano, mas nunca durava muito. Deixei de saber ler fluentemente as partituras e o meu piano, mesmo antigo, está todo desafinado e com muitas falhas ao longo do teclado. E sempre teve uma grande desvantagem, que sempre me coibiu de tocar muito: está na sala, no centro da casa, e toda a gente o ouve. Isto é bom quando queremos "dar espetáculo", mas péssimo quando queremos treinar. Como tenho sempre a casa cheia de gente, nunca conseguia tocar sozinha - e é muito chato estarmos a praticar, enganarmo-nos, chatearmo-nos (só quem nunca tocou piano é que não sabe como são aqueles ataquinhos de raiva em que batemos contra todas as teclas de uma só vez) e estar o mundo todo a ouvir. Já o era quando tocava e continuava a ser naquelas poucas vezes em que decidia tentar tocar de novo, tentando interpretar algumas das minhas músicas favoritas do momento. Tinha sempre gente a espreitar, a dizer "uau, afinal ainda dás uns toques!" ou a bater palminhas no final de uma interpretação intragável. E, por isso, desistia sempre.

Mas nos últimos tempos a música tem atingido uma dimensão tal na minha vida e anda-me tanto a apetecer fazer algo diferente (para além de trabalhar) que decidi ir procurar uma escola de música para voltar a aprender. Neste momento já conheço melhor o meu emprego, os meus horários, as pessoas com quem trabalho e a fase da adaptação e de agitação já passou - e eu sinto mesmo que precisava de fazer algo diferente, de conhecer outras pessoas, de ter a cabeça noutro lado, de me motivar de alguma forma. E lembrei-me do piano. 

Fui hoje fazer uma aula experimental, gostei imenso do espaço, da professora e dos métodos e estou muito ansiosa para voltar a tocar. Já há algum tempo que não me apetecia tanto fazer alguma coisa! São incríveis as mudanças que acontecem em dez anos: ainda vi coisas em papel, mas agora aprende-se com tablets, que ajudam a ler as partituras e que dão a música de fundo, podendo ajustar-se o ritmo, treinar só uma mão e tudo mais. Para além disso, como ouro sobre azul, a minha sobrinha tem um piano eletrónico - que não usa -, daqueles que dá para pôr phones e só nós ouvirmos as asneiras que damos ou aquilo que estamos a tocar. Ou seja,o meu problema de ter a casa toda a ouvir os meus treinos tem finalmente um fim à vista! E no futuro, se vir que estou mesmo empenhada, pondero comprar um.

Até lá, é ir experimentando. Sinto que a partir do momento em que a escrita passou de hobbie a trabalho, "perdi" o maior entretenimento da minha vida - e desde que o trabalho começou a entrar nos eixos e que eu tenho tempo livre que me sinto muito perdida e cada vez mais desmotivada com tudo à minha volta. Estava mesmo a precisar de algo que me desse vontade de sair de casa e fazer algo diferente. Estou muito esperançosa e muito feliz por ter decidido arriscar! Espero que valha o esforço!

 

09080006.JPG

 

 

03
Ago17

Às vezes não sabemos bem quem somos

Carolina

No dia do meet&greet do Jamie Cullum éramos uns oito, numa proporção ligeiramente desequilibrada entre homens e mulheres. Quando nos mandaram entrar para o backstage informaram-nos de que ele ainda estava atrasado e íamos ter de esperar. Só havia uma forma de ir matando tempo: conversando.
Não fui eu que lancei a conversa - não tenho grande à vontade para isso. Mas a partir do momento em que a "bola" saltou entre todos, tenho para mim que fui a que mais falou - tinha ido ao concerto anterior, era do Porto, já era o quinto espetáculo que via do Jamie... acabou por ser tópico de conversa. E fluiu tudo tão bem, as pessoas eram (no seu geral) tão simpáticas e eu - apesar de estar prestes a fazer algo que até podia ser potencialmente stressante - estava na boa, como se fizesse aquilo todos os dias. Estive a falar com várias pessoas sobre a minha cidade, a trocar impressões sobre música e foi sinceramente bom.

E depois de sair de lá, de ter falado tão bem com tanta gente diferente, pensei: "como é que eu me tornei nisto, como é que eu vim parar a este ponto?". Acabo por não saber quem é que eu sou realmente - aquela que fala tão bem com toda a gente, de conversa fácil e sorriso ligeiro, ou aquela que não tem ninguém para ir com ela a um concerto ou ao cinema numa noite qualquer. Aquela que, de cada vez que diz que é anti-social, toda a gente revira os olhos por achar que é impossível ou aquela que faz scroll down no facebook e só vê gente cujas relações falharam. Aquela que às vezes sente saudades de companhia ou aquela que já se resignou a ficar sozinha. Aquela que tanta gente diz que é tão simpática no primeiro contacto, de conversa fiada e fácil, ou aquela que é intransigente, que não aceita as diferenças, menina do seu nariz, que acha que tem sempre razão, ocasionalmente rude e demasiadas vezes mal-disposta.

Não sei quem mostro ser, mas na minha cabeça sou quase sempre "aquela" miúda da segunda opção. Quando debato este assunto com quem me é próximo, e tendo em conta a que não se chega a nenhuma conclusão, só uma coisa é certa: ou eu tenho uma ideia muito errada de mim ou os outros não me vêem como realmente sou. Porque não me parece que as duas versões possam ser compatíveis.

Ainda assim, há algo indiscutível: acho que cada vez estou mais sozinha. Sim, conheci mais pessoas desde que fui trabalhar, mas perdi outras tantas de antigos círculos de amigos que tinha. Não creio que o balanço seja positivo. E, para além disso, sinto-me preenchida por uma avalanche de críticas, "dicas" e indiretas que não sei digerir - e não sei se sou eu que, num período mais sensível, tenho mais aptência para as ouvir ou se estão simplesmente a acontecer com cada vez mais frequência. Porque eu mudei ou porque eu tenho de mudar, porque trato mal as pessoas, porque não ligo, porque não respondo, porque não vou, porque não faço, porque não avanço, porque não saio da zona de conforto, porque sou chata, porque sou quadrada, porque sou mentalmente velha, porque quero tratar de tudo, porque sou pouco democrática, porque sou uma control freak.

E, no final do dia, quando tudo mói cá dentro, só há espaço para perguntar: sou assim tão má pessoa?

17
Jul17

Calças, calças everywhere (ou #contraextinçãodasmumjeans)

Carolina

Passo a minha vida a passear-me entre rádios em busca de alguma música que goste, por isso já nem sei bem dizer em qual delas é que ouvi uma das animadoras a dizer que uma fashion advisor fez uma lista com uma série de coisas que todos tínhamos imediatamente de parar de usar. Liguei tanto àquilo que só me lembro de duas delas: a primeira eram leggings, a segunda eram mum jeans.

Não me vou meter na discussão das leggings – muito poderia ser dito aqui sobre esse tópico, mas nem sequer sou grande pessoa para opinar porque só as uso para ir ao ginásio (e como não vou ao ginásio, não as uso…). Mas falar nas mum jeans é tocar-me na ferida! Isto das opiniões relativamente à moda tem muito que se lhe diga e estas listas dos “must-have da estação” ou do “livre já o seu armário destas peças” fazem-me um bocado de espécie.

Primeiro porque só quem tem um poder económico alto e uma paciência de santo é que renova o roupeiro segundo cada estação e segundo porque há milhões de formas de conjugar as coisas e até de fazer com que as peças mais horrendas resultem em coisas visualmente aceitáveis. É tudo uma questão de gostos e estas medidas “restritas”, a mim, tiram-me do sério e não deviam ser levadas a peito só porque é uma fashion advisor que as diz. Se fosse eu, diria para se abulir o roxo de todas as roupa; ou tirar as culotes do mercado. Mas são gostos e tenho de admitir que há quem goste e que até existem pessoas a quem aquilo fique bem.

Mas voltando às mum jeans: foram as minhas salva-vidas. Já escrevi aqui que detesto comprar calças, é um verdadeiro suplício. Eu sou a receita perfeita para grande parte das calças me ficarem pessimamente: pernas e coxas gordinhas, anca larga e, para ajudar à festa, um tornozelo inchado (o que é importante, principalmente hoje em dia, em que falta um palmo em quase todas as calças existentes no mercado). Por isso, sempre que eu começava a ver que precisava de comprar esta peça de roupa, até tinha suores frios.

Até virem à baila às mum jeans. Para quem não está dentro da nomenclatura, estas são calças de cinta bastante subida e com a perna mais larga, afunilando um bocadinho em baixo (mas não exageradamente, como as skinny jeans). E para mim, esta moda foi a descida do céu à terra. Só eu sei como sofri durante todos aqueles anos em que apenas se vendiam skinny jeans e calças de cintura baixa. Eu posso usa-las (e usei-as, que remédio), mas tenho a perfeita noção de que não me ficavam bem. E uma das coisas que mais me irrita na moda é isto: criar as coisas, massifica-las e esquecerem-se de que a grande maioria das mulheres não têm aquele típico corpo de modelo em que tudo parece assentar na perfeição. Portanto a diversidade que existe hoje nas lojas – e falo ao nível dos jeans – é o que devia existir sempre.

Mas eu sei que na realidade não é assim, que a moda é imprevisível e que daqui a um par de anos ora só se usam calças à boca de sino ou se volta outra vez para as ultra skinny jeans. Por isso, para me precaver, tenho-me abastecido de jeans para os próximos anos. Se encontrar umas que gosto, que vestem bem e com uma lavagem que não tenho, nem sequer penso muito: trago para casa e está o negócio fechado.

O objectivo é funcionar quase como a Arca de Noé: quando, no mundo, já só existirem calças que só me servem nas orelhas ou e ficam para lá de mal, ainda posso contar com o meu baú pessoal de jeans, salvas no tempo em que as havia em bom e em abundância. #contraextinçãodasmumjeans

27
Jun17

O meu primeiro ano sem férias grandes

Carolina

Ir de férias é óptimo. Aquilo que ninguém nos diz é o trabalhão que dá ir laurear a pevide - e não, não falo de escolher destinos, marcar viagens e hotéis; falo de tudo o que se tem de deixar pronto antes de ir passar uns dias longe do trabalho. Ah, e também o que custa voltar: mesmo que a vontade de voltar exista, sentimo-nos a arrastarmo-nos pelos corredores, cheios de sono, com saudades dos nossos livros e dos pés na areia - e trememos só de pensar no trilião de emails que temos por ler. Mas pronto, já passou, já é terça-feira e a rotina está a invadir-me outra vez - até daqui a quinze dias, em que me estrearei em Itália.

Mas continuando: eu estava cheia de medo de não me conseguir desligar do mundo do trabalho enquanto estivesse de férias. Trabalhei durante dez meses seguidos e o trabalho é, em grande parte, a minha vida; são preocupações e stresses que já estão entranhados em mim e que me movem, uma vez que não tenho muitas mais forças motoras na minha vida. Estar sem internet e com pouquíssima rede ajudou a que me desligasse do mundo laboral, mas sempre que ia ao email e não me caía nada quase que ficava desiludida - passo a vida com "pim"'s, com emails sempre a chegar e só agora percebi que também faço disso uma companhia. E sim, confesso uma coisa: é estranho ver as coisas funcionarem sem nós estarmos lá dentro; percebermos que coisas que nós criamos ou ajudamos a criar rolam sem nós, aparentemente sem grandes sobressaltos. No fundo, entendermos que somos substituíveis. Ninguém é igual a ninguém, é um facto, mas as coisas fazem-se: e eu tenho um medo incrível de um dia ir ao mar e perder o lugar. Sou muito pouco confiante em tudo o que faço e acho que devido também a feridas antigas estou sempre à espera que me passem a perna, que me digam "olha, já não podes entrar no nosso grupo, já está cheio..." (oh, como eu ouvi isto tantas vezes). Mas enfim, sosseguei-me - na verdade, não tenho outro remédio.

A verdade é esta (e eu sei que é estranha): cheguei ao fim das férias já com vontade de trabalhar. Adoro sopas e descanso e, como já toda a gente está farta de saber, amo o Algarve. Mas acaba por ser a trabalhar que convivo com as pessoas, que guio os meus dias, que lhes dou algum significado - e numa semana sem nada para fazer já estava a fazer com que perdesse o rumo. Quando falo com amigos que ainda estão na faculdade e entraram agora em época de férias - 3 meses, hoje em dia, parece-me ainda mais tempo! - o primeiro pensamento que tenho é "que sorte!". E depois abano-me, olho para mim mesma e percebo que a única coisa boa no dessas férias grandes é a possibilidade: o ter tempo para tudo, não ter de fazer contas às semanas, ter mais de 90 dias para fazer tudo o que se quiser.

Mas isso só importa quando, de facto, aproveitamos os dias: e eu nunca o fiz; a possibilidade ficava sozinha, assim como eu. Ainda no outro dia me cruzei com um post antigo, nos arquivos aqui do blog, onde no fim de Junho me queixava dos meses entediantes e solitários que tinha pela frente; por isso, sempre que penso "que sorte" relativamente aqueles que ainda têm férias grandes... repenso e vejo que gosto muito mais das coisas como elas estão agora. Porque a verdade é que agora conto os dias: mas também os faço valer a pena. Planeio-os com cuidado, anseio por eles, penso e repenso a melhor forma de os aproveitar ao máximo... e não me deambulo por aí, meio deprimida, sem saber o que fazer da vida.

A única coisa que me falta é mesmo o mar de possibilidades. Não ter de chatear os meus amigos porque tenho de marcar férias... ter apenas de ir. Mas de possibilidades, tal como as boas intenções, está o inferno cheio. E eu quero coisas concretas, quero planos, quero dias cheios - porque caso contrário, é a cabeça que se enche de coisas más, como aconteceu em todos os verões antes deste. Por isso, mesmo que Agosto vá ser passado a trabalhar, mesmo que não tenha três meses pela frente, sei que este ano vai ser melhor.

04
Jun17

Auto-retratista

Carolina

Sou uma chata em muitas coisas, perfecionista em tantas outras. Um dos casos em que sou ambas é na fotografia. Desde que tirei o curso que muita gente aqui por casa me acha verdadeiramente insuportável no que diz respeito a tirar-me fotografias - porque todas as outras (a pessoas e a lugares) são tiradas por mim, repetidas trinta e duas vezes até saírem como eu quero. Mas eu tenho de fazer pressão para ficar, pelo menos, numa única fotografia no meio de um álbum de centenas delas - porque, enfim, também faço parte da família!

A verdade é que as pessoas não têm de saber tirar fotografias e muito menos ter jeito para a coisa. Quando não tinha o curso, aquilo que eu me limitava a fazer era clicar no botão do disparador e esperar que a luz estivesse bem e que as pessoas não se tivessem mexido - e é aquilo que a maioria faz, porque não sabe, e isso é normal. Mas eu subi os meus standarts e tal como ando à procura da fotografia perfeita dos outros, também quero a minha fotografia o mais perfeita possível. E, dependendo da situação, há todo um enquadramento perfeito da minha pessoa, as coisas que quero ou não quero apanhar na foto assim como a posição em que me encontro. Ponho a máquina nas mãos de alguém, ouço alguns disparos e, quando vou ver, está tudo ao contrário do que idealizei. E a culpa não é das pessoas - é minha, porque imagino tudo aquilo que quero! E mais do que as pessoas não saberem como o fazer, não me conseguem ler a mente. E, convenhamos, não as posso culpar por isso. (E ainda bem, seria chato ter alguém a ler-me os pensamentos).

Isto já causou algumas zaragatas aqui por casa, porque eu fico hiper frustrada. A minha mãe, a minha fotografa oficial nas viagens, recusou-se a tirar-me mais fotografias aquando do cruzeiro - tanto barafustei com ela porque um poste horrível aparecia, ou porque tinha muito céu em cima da cabeça e bla bla bla que ela se passou e me atirou com a máquina para a mão, quase como quem diz "queres fotos, tira selfies"! O meu irmão, no meu último aniversário, também estava a embirrar com a minha objetiva preferida - a 50 mm fixa - e a dizer que não conseguia tirar fotos sem flash; e eu, em pleno "parabéns a você", saí da frente do bolo, pus as definições direitinhas, coloquei-o na posição que queria e disse "agora tira". E sim, soprei várias vezes as velas só para ter uma foto. (É, eu sei, sou verdadeiramente insuportável.)

Por outro lado, como sou uma control freak e tenho muito pouco à vontade com outras pessoas (mesmo com a minha mãe não gosto de lhe estar a pedir para tirar vinte e sete vezes a mesma foto só porque tenho três fios de cabelo que não estão no sítio certo), tenho vindo a especializar-me na arte do auto-retrato. Monto o tripé, ponho a máquina no sítio certo, preparo o comando para tirar as fotos com controlo remoto e pronto, está feito. Não chateio ninguém, tiro as fotos que quiser, a quantidade de vezes que me apetecer e faço as figurinhas tristes que me derem na realgana. Assim, até passo por menos insuportável. E, convenhamos: já faço tanta coisa sozinha que juntar os auto-retratos à lista só dá um toque artistico à coisa.

 

DSC_0358_2.jpg

DSC_0331_2.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Também estou aqui!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Leituras

A ler:



goodreads.com


2017 Reading Challenge

Carolina has read 0 books toward her goal of 15 books.
hide

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

o