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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

01
Mai12

Coisas que me dão de vez em quando

Carolina

Foi uma grande desilusão para mim aperceber-me que a informática não era, afinal, aquilo que queria, que respirava, que sonhava. Desde pequena que afirmava que os computadores eram o meu mundo, e acreditava tanto nisso que fiz os outros acreditar também. "Gozava" quando via os estudantes a sair da universidade de letras e chamava-lhes "letrinhas"; olhava para a FEUP como um futuro certo; tirava 3's a português e mandava, invariavelmente, a gramática para o raio que 'a parta (ainda mando).

E ao longo dos anos fui-me apercebendo que me faltava paciência para programar; que me faltava curiosidade para ver o "outro lado"; que não me importava minimamente com o funcionamento das coisas dentro do CPU. E, aliado a isso, comecei a escrever, por ter demasiados sentimentos dentro de mim e com os quais não conseguia lidar. Foi uma terrível coincidência.

Tenho saudades de ter certezas sobre o meu futuro, de saber aquilo que realmente quero. Porque hoje, não sei. Digo "jornalismo", porque não vejo mais nada que se adeque a mim. E apesar de estar extremamente orgulhosa por ter tido a coragem de mudar de curso a meio do ano, por ter tido a capacidade de sair da minha zona de conforto, sinto-me tremendamente desapontada comigo mesma; com a minha falta de objectivos, de certezas e - chego ao ponto de pensar - de competências.

Tal magoa-me de tal forma que todas estas palavras estão cobertas de H2O e cloreto de sódio.

 

P.S.: A questão não é curso, não são os papéis (e eu sei que é a ideia que passa, mas eu não o consigo descrever melhor). É o facto de ter sentido necessidade de mudar para uma área que via como fraca, que excluía de todo como possibilidade. De um ponto de vista frio e duro, é vergonha de sentir que faço parte daqueles que antes desprezava.

13
Mar12

O primeiro dia de humanidades

Carolina

O primeiro dia não foi fácil. Eu sabia que não seria, e tentei ver as coisas da melhor forma.

Lembrei-me variadíssimas vezes do primeiro dia de trabalho da minha irmã, num dos seus empregos. Lembrei-me do estado em que chegou a casa, crying her eyes out, como dizem os ingleses.

Sou uma pessoa normal, que se gosta de se sentir inserida no meio em que está - mas costumo ter ainda mais dificuldade em sair da minha zona de conforto do que é costume. Como seria de esperar, depois de me apresentar à professora e ela me dizer "mas não devia, não devia!", após lhe ter dito que estava em ciências e ia fazer os exames de humanidades (mas não devia? se não fossem pessoas como eu, senhoras como a professora, não tinham emprego, apeteceu-me dizer-lhe, como se ela me conhecesse o suficiente para mandar bitaites desse calibre), passaram-me todos os pensamentos negativos pela cabeça: "mas porquê que eu mudei?", "mas porquê que eu não fiquei onde estava?" e muitos, muitos mais.

Tive muitas saudades da minha turma e dos meus professores naqueles minutos. Dei-lhes realmente valor. A turma não me recebeu - de todo! -, mal... mas não era a minha e não é tem o tipo de pessoas a que estou habituada. Já há muito que estou mentalizada que não estou ali para fazer amigos, mas sim para fazer as 3 disciplinas que preciso.

Mas estes primeiros tempos, vão custar. Eu sei que vão.

12
Mar12

Hoje foi um dia, amanhã será outro - ambos importantes

Carolina

Hoje foi um dia agridoce. Em linguagem corrente, "meti os papéis". As disciplinas estão anuladas, e a carta para a direcção já está a meio caminho andado de lá chegar. Mas hoje era o dia das específicas - começamos com biologia, depois matemática e acaba com físico-química.

Para meu espanto, a professora de biologia foi quem mais me custou a despedir - talvez porque fosse a única disciplina de que realmente gostava (a parte da biologia... geologia, já dispensava). Tive a sorte de poucos em apanhar uma professora tão magnífica e vou ter saudades das suas aulas.

A professora de matemática já devia desconfiar daquilo que estava para vir; encarou a minha "ida" com um sorriso, querendo apenas certificar-se de que tinha força para retornar a minha decisão caso chegasse à conclusão de que o realmente gosto é - afinal! - ciências. O professor de físico-química, que já sabia de tudo isto desde o inicio, deu-me o seu melhor sorriso e disse-me adeus - já estávamos conversados desde o teste e no ínicio da aula trocamos algumas palavras em forma de remate.

 

Acabo esta fase satisfeita, sabendo que não foi o fracasso que me levou a esta decisão - recebi hoje a minha última questão-aula de matemática e tirei 17 (ó pra mim, orgulhosa!). Já fui invadida por todos aqueles pensamentos dúvidosos típicos, de quando se toma uma decisão deste calibre, esta noite: "será que fiz bem?", "será que sou capaz?", "será que me vou arrepender?". Acho que tal seria inevitável, mas é tolerável e superável.

Mudar dos "inteligentes" para os que "fogem da matemática" vai custar, e eu admito-o. No entanto, consegui provar a mim mesma que com a matemática posso eu e estou de consciência limpa - e sei que vou ter de trabalhar muito para ter boas notas no exame, mais do que qualquer aluno "normal", e isso compensa todo o estigma que possa vir a ter em relação à minha mudança.

Não vou deixar de ser quem sou por causa desta mudança - o meu objectivo já não é a informática, mas eu transpiro computadores. Eu continuo a gostar de ciência, e não me vou deixar de me cultivar nesta área - não vou a aulas, mas leio revistas, e isso também é importante.

E quanto às aulas e aos professores de quem vou sentir imensas saudades, o meu horário novo está cheio de buracos - e eu tenho a certeza de que, quando não me quiser sentir sozinha na biblioteca, tenho a porta aberta em qualquer uma das aulas, e sento-me cá atrás a estudar aquilo que quiser e bem me apetecer; como sempre, não incomodarei ninguém e sempre ficarei com alguma ciência no ouvido. E vou matando saudades daqueles professores que tão bem me trataram durante este tempo.

Acho que se pode dizer que amanhã começa uma nova fase da minha vida.

 

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09
Jan12

As milésimas opções da vida

Carolina

É um erro pensar que só há duas opções. Em filosofia, é definida como "falácia do falso dilema", cuja definição passo a citar: "Consiste em repartir uma classe em dois pólos incompatíveis que se supõe serem os únicos possíveis, ignorando o facto de poder existir uma alternativa para ambos".

Pior que um erro de premissas, é um erro na vida. Muitas vezes me vi em situações desesperantes, onde as lágrimas me corriam devido ao sufoco de uma escolha, por me dizerem - muitas vezes mais cansados que eu - "ou fazes isto ou aquilo". Estas duas escolhas dividiam-se muitas vezes entre dois pólos radicais, sendo que as duas iriam causar sofrimento. Coisas como "ou esqueces ou assumes" ou "ou desistes ou perguntas". Mas porquê, se há tantas soluções no meio desses dois pólos tão distantes?

É apenas uma questão de alargar horizontes, e ver para além do definido.

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