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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

04
Fev17

Eu e as bolas, uma relação pouco feliz

Carolina

Há uns dias fui buscar os meus sobrinhos ao colégio. A Clara estava no ginásio, onde tinha tido uma aula, e eu fui busca-la à ponta oposta do salão - tive por isso que passar, ainda que bem rente à parede, por todas aquelas bolas em pleno vôo na eminência de embaterem contra mim. Sim, porque é isso que as bolas fazem e sempre fizeram durante toda a minha vida - porque se acham que a gravidade puxa tudo e todos na direção do chão, estão enganados. Tal como todas as regras, esta também têm uma excepção: quando eu estou por perto, a força gravitacional das bolas não é em direção à terra mas sim à minha pessoa o que, como devem imaginar, é um bocadinho chato.

Desde que me lembro de existir que sofro com este drama. Aliás, educação física sempre foi O real drama da minha vida - aqueles 45 minutos ou hora e meia, duas vezes por semana, assemelhavam-se ao inferno na terra. Não sei contar a quantidade de vezes que caí, que falhei, que escorreguei, que apanhei com uma bola nas trombas: mas acreditem quando vos digo que foram mesmo muitas. Lembro-me de, no primeiro dia de aulas do sétimo ano - com professores novos, turma nova, numa escola nova - me esforcei tanto para me sair bem na corrida de estafetas que comecei a avançar com o corpo gradualmente para a frente, na esperança vã de correr mais rápido, até que me espetei contra o chão. Fui literalmente de cabeça, ao ponto de ficar com um olho negro. E isto foi só no primeiro dia do sétimo ano, por isso imaginem os anos mágicos que se seguiram.

Mas enfim, já passou. Lembro-me que mal saí daquela escola pela última vez, apesar de estar triste e das saudades durarem até hoje, o meu primeiro pensamento positivo foi "nunca mais na vida vou ter educação física!". E a verdade é que saí há quatro anos do secundário e sinto que no último ano a minha vida mudou totalmente - e eu obrigatoriamente com ela. Às vezes a vida dá tantas voltas que, de tão "ourados" que ficamos, nos esquecemos dos pequenos detalhes em que tudo está igual.

Naquele dia em que fui buscar a minha sobrinha ao ginásio da escola, entrei e cheirou-me logo a borracha; ouvi aquele som familiar das sapatilhas a escorregarem pelo chão e as quedas dos saltos mais aparatosos. E, claro, ouvi e vi as bolas a embaterem contra o chão, as paredes e as tabelas. E, caraças, naqueles segundos em que todo aquele ambiente me refrescou a memória e me lembrou dos velhos tempos, percebi que por muito que cresça... vou continuar sempre a ter medo de bolas.

24
Set13

Tenho de começar a mexer-me

Carolina

A coisinha mais maravilhosa em ter acabado o secundário é o facto de já não ter educação física. Se me pedissem, eu voltava já para a minha escolinha, com os professores que tanto adoro, naquelas divisões onde criei raízes e com as pessoas que adoro... mas ia custar-me os olhos da cara ter de ir correr à volta do campo ou fingir que sei jogar futebol. Voltar àqueles balneários teria a sua piada (a quantidade de discussões e guerras que ali se deram é perfeitamente memorável), mas fazer a aula era uma tortura. Acho foi das primeiras coisas que celebrei mal acabei o 12º: acabou aquela tortura!

Mas a verdade é que, se não quiser ficar uma bola, vou ter de tirar o rabinho da cadeira e fazer qualquer coisa pela vida - nem sequer tenho a desculpa do horário, que me concede um dia livre mais duas tardes para fazer o que bem quiser da vida. Por isso tenho de pensar bem no que vou fazer. Não sei se volte para a natação ou experimente outra coisa qualquer. Fazer surf continua a ser algo que me apetece, mas acho que não tenho força de vontade e à vontade para ir para uma escola aprender; para além disso, no inverno o mar é gelado e é algo que se pode considerar minimamente perigoso, portanto acho que ainda não vai ser desta. Alguém tem sugestões porreiras para alguém que não gosta particularmente de fazer desporto nem tenha muito jeito? Vocês não levantam o bufunfo das cadeiras ou fazem alguma coisa gira para se manter em forma?

07
Fev13

Triplo salto

Carolina

Eu, que apesar de odiar o desporto em geral, gosto de bastante de o ver na televisão, aprendi na última terça feira uma coisa terrível: no triplo salto, quando damos os três saltos, não é pé direito-esquerdo-direito/esquerdo-direiro-esquerdo mas sim um movimento "pé-coxiniano" do tipo direito-direito-esquerdo/esquerdo-esquerdo-direito. Suponho eu que os atletas façam aquilo tão rápido que uma pessoa nem nota.

Mas enfim, o que eles fazem pouco me interessa; já aquilo que eu faço é uma história bem diferente. Naquela aula de educação-física estava extremamente indisposta pelo que fiquei no banquinho, mas não creio que isso aconteça nas restantes. Ter que fazer aquela proeza não está bem nos meus desejos - encaixa-se até na categoria dos afazeres de que tenho "medo". Eu sou péssima em quase tudo o que envolva exercício físico, mas a perspectiva de ter de fazer um pé coxinho bem depois de correr não me agrada nada. Mesmo, mesmo nada. Principalmente tendo em conta que o pé que iria fazer um esforço extra (e que não é pouco) será o que já está magoado.

É, provavelmente, a primeira vez que, desde que tenho o pé neste estado, vou considerar ficar no banquinho e ver os outros "jogar" - não é nada que me agrade, porque apesar de odiar educação física não gosto de ficar a ver os outros a suar as estopinhas e eu no bem bom. Mas, apesar de resignada com o problema que tenho, recuso-me a pô-lo ainda pior do que ele está actualmente.

20
Jan13

A valsa está a dar-me trabalho

Carolina

Eu devo estar a pagar por ter dito que a valsa era "fácil" - porque, meus amigos, a valsa cansa! Eu não consigo estar dois minutos a dançar direita, a rodar o meu par, a manter os braços erguidos e muito menos tenho folgo para, em 90 minutos, planear uma coreografia.

O ano passado não houve coreografia nenhuma - fazíamos o que uma colega mandava e pronto, perfeito, sempre a andar. Este ano temos de ter uma ao som do Danúbio Azul e esta tem de ter no mínimo dois minutos - e sobra-nos apenas uma aula antes da avaliação e a sequência nem vê-la. Vou ter de ficar na escola com o meu par a treinar e a construir um plano de dança, visto que ambas precisamos de ter uma óptima nota - tendo em conta que somos zeros à esquerda no andebol.

Entretanto, tenho-me inspirado no youtube; ando a descobrir novos passos e a ver como a dança se desenrola para tentar fazer a melhor figura possível daqui a uma semana. Tenham medo, muito medo.

 

08
Jan13

Subestimei a valsa

Carolina

Dancei com uma rapariga e fiz de homem, como já era meu costume (os rapazes, super crescidinhos, ficaram quase todos muito doentinhos no banco - óptimo timing!).

O passo base é muito simples e toda a dança em si também, mas e a postura? Dois minutos a dançar e já não podia dos braços, de os ter esticados e erguidos. E o pulso, de a estar a agarrar na omoplata, guiando-a e puxando-a na minha direcção? Ai. Tinha de fazer umas pausas entre treinos para descansar os músculos, que eu cá não estou habituada a estas coisas. Aquilo que eu pensava que ia ser canja ainda me vai valer algum trabalho e alguma dor. Estou feita ao bife.

04
Jan13

E voltamos à dança

Carolina

Acho piada em ver os contrastes entre a minha turma actual e a antiga, principalmente quando são colocadas perante a mesmíssima situação. E agora perguntam: qual situação? Garanto que vale todo o entusiasmo: chama-se dança, mais especificamente valsa, e começa a ser treinada na segunda-feira.

Quando, o ano passado, se aproximou a época do cha-cha-cha, o balneário virou lota e nós peixeiras: era uma guerra aberta sobre quem ficava com o rapaz x ou y. "E porque eu disse primeiro!", "e ele quer dançar comigo", "de mim ninguém mo tira!". Uma festa autêntica - e o mais giro de tudo é que os ditos estavam completamente a leste. Mas no meio daquilo tudo acabei por me safar e ficar com um rapaz (que, sinceramente, prefiro - dancei três anos seguidos com raparigas, acho que mereço uma recompensa).

Este ano está tudo calmo e sereno (como a valsa, olha que bem)- a professora já disse que quer os pares feitos mal cheguemos à aula, mas ninguém se pronunciou sequer sobre o assunto. Estava eu á espera de batalha, mas qual quê? Tudo calmíssimo. Como tal, não sei qual será o meu destino nem sequer tenho perspectivas - há raparigas que não terão par masculino, não sei é serei uma delas. Esperemos para ver - eu prometo depois contar, que estas aulas merecem sempre uma atençãozinha especial da minha parte. E logo com valsa (é fácil, mas nunca aprendi) - vamos já todos preparados para o baile de finalistas, olha que bom!

13
Nov12

Nem tudo é mau 2#

Carolina

Se havia coisa com que me preocupava no início do ano, e que até falei aqui, eram as aulas de educação física. Do à vontade que não teria, das próprias aulas em si.

Mas foi das coisas que correram melhor, para dizer a verdade. Por ser nova e ninguém me conhecer, sinto que ninguém tinha expectativas quanto a mim, e por isso me deram espaço para me mostrar, para o bem e para o mal. Puderam ver que me safo no basket e que corro estilo tartaruga - mas a diferença maior é que, na maior parte das vezes, deixam as críticas de lado. Não encestei? Fica para a próxima. Não defendi? Que vá a correr agora proteger o meu cesto. Não vou aguentar 20 minutos de corrida? Passam por mim e dizem que sim, que vou, mas que se não der que se lixe.

Em todas as aulas os jogos têm sido mistos, o que é óptimo. Os rapazes são claramente superiores em quase todos os desportos, e não há como o negar. E, como diz o ditado, "junta-te aos melhores e serás igual a eles; junta-te aos piores e serás pior que eles" - não sou a que jogo melhor, mas sinto que jogo alguma coisa e sinto-me bem por isso. E embora saiba que a nota que vai sair dali não vai ser grande coisa e tal não ajude como incentivo, sei que não vou sair daquelas aulas criticada e rebaixada. Sei que se for preciso arranjo um par na hora, sem que o outro faça cara feia. Sei que não preciso de me sentir mal por não ser a melhor porque, de alguma forma, eles me acolheram assim.

27
Set12

Ponto da situação

Carolina

O que vai acontecer amanhã preocupa-me um pouco. Não falo de mais uma revolta em Madrid nem de um sismo como aconteceu algures em Portugal no início desta semana. Falo do facto de, muito provavelmente, ter de correr um quilómetro.

Seria tolerável se tudo estivesse normal (seria? estou louca) - mas não está. Desde a última aula de educação física que levantar-me de uma cadeira, sentar-me na cama ou andar convenientemente representam tarefas dolorosas (e eu estou a falar a sério - não me lembro de estar assim!) - e as dores nas pernas não têm diminuído. Ou seja, amanhã, eu, que estou aqui que até andar me custa, vou ter de correr um quilómetro no menor tempo possível!

Melhor, melhor, é o facto de depois desta aula ter a entrega do diploma. Acho que o mais prudente será sentar-me na última fila da plateia de modo a não ter de subir ou descer qualquer tipo de escadaria para além daquela que é indispensável. Ou isso, ou torno a cerimónia muita mais divertida, com uma queda monumental protagonizada por mim e pelas minhas perninhas de gelatina.

Mais desenvolvimentos amanhã.

25
Set12

Já começou

Carolina

Hoje tive a minha primeira aula de educação física, assim mais ao menos a sério (e, excluíndo a sessão de abdominais, foram uns 15 minutos de aula). Fiquei que nem podia (nem posso).

Descer as escadas nunca foi tão duro para mim. Agarrava-me aos corrimões como uma perdida, mas os meus ossos pareciam-me gelatina - estava mesmo a ver quando é que caía dali abaixo (não, não ia ser bonito).

Cheguei a casa, almocei, e a minha mãe ainda tentou - em vão, pois está claro - arrancar-me do sofá. Tanto não saí, como lá fiquei nas três horas a seguir, a dormir um sono de beleza que já há muito não me sabia tão bem.

16
Set12

As novas aulas de educação física

Carolina

Durante anos odiei educação física. Aquelas duas aulas por semana eram um sacríficio para mim - só de pensar que tinha de correr, competir com os meus colegas, dava-me suores frios. Odiava sentir que os prejudicava nos jogos de equipa, pois sempre fui um zero à esquerda na maioria dos desportos - correr então, sempre foi um horror. Estafetas era o pior que me podiam fazer, pois sabia que ia levar olhares de ódio porque o meu grupo não ganhava à minha custa. Recebi mesmo um comentário de uma professora (do pior que pode haver), numa avaliação, em que eu era a última a ser avaliada: "aí vem o desastre", disse ela.

Foi assim até entrar para o 10º ano, em que tive um professor cinco estrelas. Super brincalhão, folgado nas notas e super simpático para os alunos. Foi o primeiro professor - homem - que tive a esta disciplina e foi o melhor que podia ter acontecido; a verdade é que o ambiente de balneário, na minha turma, era maravilhoso e as aulas - embora exigentes e cansativas - sempre agradáveis. Nunca amarei educação física, mas posso dizer que ia para lá com um sorriso.

 

Este ano vai tudo voltar ao que era. Para além de estar numa turma diferente (o que me apoquenta, sou honesta, porque não gosto muito de partilhar o balneário com pessoas que não conheço) terei uma professora que - felizmente, até agora - só conheço de vista. Pelo que sei, de branda tem pouco e de mázinha também. Hoje em dia, por causa do problema do meu pé, poderia facilmente arranjar um atestado que me permitia não fazer as aulas - mas fazer exercício é importante e não me quero pôr ainda mais de parte de uma turma que não me agrada à partida. Devo admitir que é um dos assuntos com os quais estou mais ansiosa em relação a este ínicio de aulas.

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