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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

17
Nov14

Miúda de 95 25#

Carolina

"Vais à drogaria?"

 

Quando era miúda fazia-me muita impressão que as pessoas dissessem que iam à drogaria. Eu, ainda por cima, vivi esta confusão em duas vertentes: a normal, nas drogarias do dia a dia, e nas fábricas onde cresci, onde se dizia comummente "vai às drogas buscar isto".

Sim, porque desde cedo que eu tenho uma aversão às drogas (descansem que não é de agora, como vêem) - e fazia-me imensa confusão saber que existiam drogarias quando também sabia que vender drogas era ilegal! Que raio de sentido é que isso fazia? 

Só mais tarde é que percebi que na drogaria não se vendiam as drogas que eu estava a pensar e que na fábrica, quando se ia "às drogas", era para se ir buscar corantes ou outros produtos utilizados nos tecidos. Mas isto marcou-me de tal forma que, de cada vez que vejo uma drogaria (infelizmente já são poucas), lembro-me sempre da minha confusão em criança - que, a bem dizer, era legítima. Por um lado a dizerem-me que as drogas faziam mal, por outro a ir comprar coisas à drogaria. Só nos confundiam a cabeça, pá!

22
Jun14

Praga

Carolina

Há algumas coisas que me tiram do sério neste mundo. Mas acho que quase nenhuma chega ao tópico das drogas. Falarem-me de drogas (ou porem-se a favor da legalização, por exemplo) é meio caminho andado para eu me passar - isto porque, para além do lado racional que tenho sempre (e bem presente), a verdade é que há uma grande componente emocional envolvida. A minha capacidade para lidar com quem fuma ou consome drogas é reduzida; a minha capacidade para lidar com quem é a favor da legalização das drogas é - quase - ainda mais reduzida. 

Acho INACREDITÁVEL como é que nos dias de hoje ainda há tanta gente nova a fumar tabaco e erva. Não estamos em plena segunda guerra mundial, onde fumar era bom, era saudável e fazia bem aos pulmões; onde a vida era contada ao segundo, as esperanças poucas e por isso qualquer prazer era bem-vindo. Estamos em 2014, onde toda a gente sabe os malefícios do tabaco e de todas as drogas possíveis e imaginárias. E, ainda assim, porque é fixe, porque manda estilo, porque o grupo também o faz, toca a meter para dentro do buxo a merda toda que eles rolinhos têm lá para dentro. E enganam-se a eles mesmos, dizendo que não é vicío algum, que quando quiserem param, que não há estudos dizendo que a erva faz mal, que nenhuma doença tem a ver com o consumo de droga e, oh!, os doentes terminais até fumam droga para acalmar as dores, por isso só pode ser bom (SÃO TERMINAIS).

A questão da droga é as poucas que me faz querer ir para a política, para a polícia, para um parlamento e mudar alguma coisa neste mundo. Sinto que poderia mover mundos e fundos por esta causa, porque é algo que mexe tanto comigo cá por dentro! Só fuma essas merdas quem nunca foi a um hospital psiquiátrico e quem tem a sorte - ou quem não teve o infeliz infortúnio - de ter um esquizofrénico na família ou no grupo de amigos(e não são as drogas pesadas que provocam tais distúrbios).

Irrita-me a leviandade com que hoje se fumam e vendem essas porcarias. É possível estar num café, normal, altamente frequentado por crianças, e estarem pessoas ao lado, com a maior das descontrações, a fumar droga. Pior do que isso, a vender.

Ontem, vi a passarem erva mesmo em cima do meu nariz. Apeteceu-me vomitar de raiva, mover mundos e fundos, gritar com a polícia, entidades competentes, parlamentos e tudo o que me aparecesse à frente. Limitei-me a sair dali, incomodada, e a escrever este texto. As consequências desta praga só agora começaram.

11
Out13

Vira o disco e toca o mesmo

Carolina

Às vezes pareço um disco riscado, mas não consigo evitar. Há certas coisas que mexem tanto comigo que é mais forte que eu conseguir guarda-las para mim e manter tudo cá dentro. Portanto, aqui vamos nós:

O culto da bebedeira e da "cegueira" faz-me espécie. Porque que fazem questão de tirar fotos quando estão bêbados e depois, quando estão sóbrios, de as postar nas redes sociais? Porquê que fazem questão de dizer que estão de ressaca, como se isso fosse motivo de orgulho? Porque que fazem questão de dizer que não lembram da noite de anterior e de não a conseguirem sequer descrever? Porquê que fazem questão de pedir desculpa por terem feito algo, utilizando o escape de "não estarem muito bem" naquela noite? Porquê? Porquê?

É assim tão fixe beber até cair para o lado? É assim tão fixe mostrarmos que o álcool forra bem o nosso estômago e que a ganza nos tolda suficientemente bem o pensamento? É assim tão fixe esse conceito de diversão que é estar no extremo de tudo o que é - para mim - mau?

Enfim. Hoje, estou feliz por ter aquela veia anti-social de que vos falei ontem. Ao menos não estou no meio deste rebanho de pessoas que, para mim, têm uma série de princípios e prioridades deslocados. Tenho uma certa vergonha do que vejo à minha volta e fico feliz por não me identificar. Isso vai-me sempre custar amigos, conhecidos, pessoas e o rótulo de chata, "mãe", de alguém com "pensamento à antiga", uma "velha" no corpo de uma nova. Mas ao menos sou original. Tenho dito.

07
Abr13

(Nunca) Ter um cigarro na boca

Carolina

Quem me conhece sabe que eu odeio tudo o que são drogas (ainda há uns dias, dois colegas de turma me diziam que se lembravam de mim, num dos primeiros dias de escola, a passar-me completamente por causa de uma discussão quanto à legalização da marijuana...) - não bebo álcool (só em raras excepções), não fumo - nem nunca o fiz - nem nunca consumi qualquer tipo de droga. Infelizmente tenho imensos exemplos à minha volta que me gritam "NÃO-PONHAS-ESSA-MERDA-À-BOCA-NUNCA-NA-TUA-VIDA!".

E eu, de facto, não ponho, pelas mais variadas razões. Posso começar com a que será mais "leve" - estamos em crise e quem não tem dinheiro não tem vícios; o dinheiro, graças a deus, não me falta, mas sou poupada e acho ridículo gastar dinheiro em tabaco e coisas que tais. Depois, a mais evidente de todas: faz muito mal à saúde (certo, comer doces também faz mal e eu como: mas quanto menos coisas fizer que façam mal à saúde, melhor é, não é verdade?) - isto já nem mencionando a ganza, que pode ter efeitos a longo prazo completamente tenebrosos (e, a sério, poupem-me as vossas desculpas e porcarias, que ainda há duas horas atrás estive com quem estivesse a sofrer a sério à conta dessa ervinha maravilhosa). Por fim, porque tenho quase a certeza que, no dia em que pusesse um cigarro à boca, não largava mais - porque sou humana como os outros e, de uma forma natural, ficava viciada e também porque acho que ia gostar de me ver a fumar. Ou seja, tenho uma imagem de mim - principalmente futura -, de pseudo-escritora ou coisa que o valha, que acompanha bem com a imagem de um cigarro, apesar de ser uma pura estupidez. Porque apesar de toda eu ser contra o acto de fumar, não posso negar que um cigarro fica bem em algumas pessoas. Um James Dean ou um Robert Pattinson com um cigarro... é sexy, pronto, nada a fazer.

E, como tal, a única forma de o evitar é ser completamente irredutível e inabalável quanto a este assunto. Sempre fui e continuarei a ser, custe o que custar. Respeito quem fuma e as suas escolhas (e mesmo assim...), mas drogas é coisa que vou querer sempre longe de mim.

 

20
Jul12

Fumar mata. E dá charme

Carolina

Sou das pessoas que mais apregoa os malefícios do tabaco e das drogas, e gosto de manter tudo isso bem longe de mim, mas não posso deixar de admitir que em alguns casos é tão sexy e fica tão bem. Não drogas ou charros - cigarros, simplesmente. Com boquilhas, para ser mais classy. Ou cachimbo, para dar um ar mais vintage e charmoso.

Acho que há pessoas que ficam bem a fumar; dá-lhes outro ar, sex appeal. Uma delas é Robert Pattinson. Quando soube que deixou de fumar, todo um sentimento de tristeza se espalhou pelo meu corpo (estou a exagerar, é verdade). Por muito que queira o bem do rapaz, um cigarro na boca ficava-lhe tão, tão bem.

Fica uma foto para a posteridade.

 

(Robert Pattinson para a GQ, 2009)

26
Mai12

Das coisas do hospital psiquiátrico 3#

Carolina

Estava o A. no computador e a conversar com a minha mãe, sobre aquilo em que consistia o seu curso e etc.

Mãe: Na sociologia estuda-se a sociedade, as diferentes culturas...

A.: Ah...

Mãe: A cultura oriental, a cultura ocidental...

A.: A cultura de cannabis?

 

Era ver-me a tentar não me rir pelas costuras. Muitíssimo bem visto, pá!

18
Out11

Perguntas que merecem resposta

Carolina

'Foste à festa?', 'porquê que não foste é festa?'.
A resposta é simples: porque não estou para estar em ambientes de merda, onde tudo o que consigo respirar é fumo de ganza e onde vejo pessoas que me são próximas completamente aéreas, revelando a sua parvalheira e inconsciência.
Não percebo como pessoas que sei serem inteligentes se metem neste tipo de coisas - e não falo só de tabaco. Porquê? Porque são idiotas? Porque querem dizer que são gente? Porque querem serem os maiores do grupo?
Aqui há uns tempos falei com uma das pessoas que sabia fumar - disse-me que era assim que se divertia, que se sentia leve, que conseguia relaxar. E eu disse-lhe que não fumava e que ainda assim me divertia e relaxava. E não tive medo de lhe dizer que era parva e que, sabendo os males que isso provoca, nem sequer me parecia inteligente. Em nada deu e já vi que em todos os casos é assim. Só deixam se quiserem - e, como é óbvio,não querem.
Cada vez vejo vais esse mundo próximo de mim. E a minha posição mantém-se inalterada, sendo que um 'não' é a minha resposta para todas as propostas.

17
Out11

Quando a morte é a salvação

Carolina

Ontem revi uma rapariga que mendiga sempre na zona do Campo Alegre, no Porto. Lembro-me de a ver há coisa de um, dois anos. Colocava um lenço na cabeça de uma forma característica e bastante formal e notava-se que se estava a degradar pela droga - a pele já não estava em bom estado, os dentes idem, uns olhos tristes e perdidos. Mas aguentava-se, apesar de um estado inicial de degradação.

Ontem, toda ela era doença. Fridas mal saradas na cara e nos braços, pele mal-tratada, dentes podres e um olhar ainda mais triste. Podre. Aquela mulher está literalmente podre e à espera que a morte lhe toque à porta. Porque a morte, no caso dela, vai ser a sua salvação. Porque aquela mulher com o lenço à cabeça já pouca vida tem e toda ela são doenças, sida e contaminação. São drogas e tudo gira em volta da droga.

Dei comigo a desejar a morte àquela mulher - não para seu mal, mas para seu bem, porque não imagino o sofrimento de um viciado em droga, porque acho que os estado de putrefacção daquela mulher já é demasiado. E tudo o que é demais é erro.

 

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