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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

17
Mai15

Diários de uma realizadora wannabe 3#

Carolina

O QUE ESTÁ DENTRO DA TARTARUGA?

A primeira reportagem que fizemos foi em Famalicão - para quem não conhece, posso dizer-vos que fica a cerca de meia hora de carro do Porto, através da auto-estrada. Foi essa a primeira vez que pegámos numa tartaruga - o nome carinhoso que damos à grande mochila onde transportamos o material de filmagem. 

Eu fiquei logo encantada - aliás, tirei uma foto com ela que adoro e que tenho como perfil de várias redes sociais. Mal eu sabia que aquela seria a primeira de muitas vezes que viria a carrega-la às costas. Podia dizer a típica frase de "teve piada da primeira vez, mas depois já nem por isso", mas estaria a mentir com todos os dentinhos que tenho na boca. Porque apesar do peso dá-me um gozo imenso carrega-la, ir filmar e montar os equipamentos todos. 

Como era algo que nunca tinha visto e que gosto tanto, quero partilha-la convosco. Aqui vai disto:

DSC_0817_descricao.JPG

 

Para além destes materiais, também utilizamos o tripé para fixar a câmara (o objeto mais corriqueiro no meio desta panóplia toda) e a perche, que evita que a jornalista tenha de pegar no micro com a mão e, por isso, exista muito mais liberdade de movimentos. Também na tartaruga guardamos o cabo que liga a máquina ao microfone que está na perche, que se pode ver na imagem de baixo.

 

DSC_0704_desc.JPG

 

Tenho a tartaruga aqui comigo, pronta a entregar amanhã. É, provavelmente, a última vez que trago uma para casa. Já tenho saudades. Sempre gostei de tartarugas.

 

tartaruga.JPG

15
Mai15

Diários de uma realizadora wannabe 2#

Carolina

PORQUÊ SER REALIZADORA?

 

Esta coisa dos programas de televisão já tem barbas na história do meu curso. Desde o primeiro ano que ouvimos falar da confusão que é, do stress que causa, da mobilização total por parte dos alunos, do esquecimento das outras cadeiras em detrimento de todo este trabalho. Há um ano atrás eu achava, mesmo!, que isto era impossível; que levantar um programa de raiz era demasiada areia para a nossa camioneta. Mas estava enganada. 

De todas as mil e uma histórias que ouvimos sobre os dramas do ano passado, lembro-me de dizerem que a definição de cargos foi sempre complicada, nunca havia pleno acordo em quem iria exercer o quê. Por isso, e apesar de ter dito desde cedo que gostava de ter um cargo na produção ou realização, decidi desde logo que não me ia chatear muito com isso e muito menos dar luta caso alguém estivesse interessado. Na minha ingenuidade (rara, por acaso) achei sinceramente que toda a gente iria querer esse tipo de cargos.

Até que, no momento da verdade, ninguém levantou a mão. "Quem quer ser da realização?". Ninguém, aparentemente. Até que uma colega levantou o braço. E depois silêncio outra vez. Perante isto, achei que oferecer-me para a equipa era uma boa ideia, por ser aquilo que queria originalmente. Daí até se definir que seria a realizadora foi um instante.

Apesar de ter ficado toda contente - não o nego - a reação à minha volta não foi assim tão unânime. Não sei porquê, mas toda a gente assumiu (e achou) que eu ia para a frente das câmaras, apresentar o programa. Quando deixei cair por terra as expectativas das pessoas e fui desfazendo a ideia de que poderia ser a próxima Judite de Sousa deste país, as pessoas não ficaram contentes. "Mas és tão gira", "falas tão bem", "tens tanto à vontade", "assim não tem piada nenhuma", "não percebo, tens uma dicção e uma aparência óptimas". Para minha surpresa, até colegas de turma punham em cima da mesa a hipótese de ser eu a apresentar - o que, por um lado, me espantou imenso e por outro me deixou feliz (por depositarem em mim tamanha confiança).

Mas enfim, na minha cabeça tal nunca esteve no horizonte. O que eu gosto realmente é de ver as coisas de cima, de ter um papel abrangente, de organizar tudo e fazer crescer as ideias tanto na minha cabeça como na realidade, com o enorme desafio de que estas duas coisas coincidam o mais possível. Acho que tenho jeito para liderar embora, quando quero, seja um osso duro de roer e perca as estribeiras quando percebo que a responsabilidade, o empenho e a dedicação não são aquelas que eu espero. Essa tem sido a gestão mais complicada - lidar com as pessoas, os diferentes feitios e características (onde se incluem, por exemplo, a irresponsabilidade e a preguiça aguda, coisas que me tiram do sério). 

Tem sido um trabalho duro, mas muito gratificante. Quase como uma flor, onde plantamos a semente e depois de regar muito, matar os parasitas e tratar da terra, começamos a ver crescer, linda e vigorosa. Neste momento a estrutura do programa está pronta, assim como a maioria dos conteúdos. Finalmente, a uma semana de tudo acontecer, o programa está a ganhar forma. E é mágico percebermos que tivemos um papel preponderante para isso acontecer.

Continuo a entender todos os familiares e amigos que ficaram desiludidos por não estar à frente da câmara, mas acho mesmo que esse não seria o meu papel. Para os consolar, digo-lhes sempre para pensarem e verem para além do óbvio: no dia 21, não vejam só os apresentadores e os convidados, mas atentem também aos pormenores mais técnicos. De cada vez que uma câmara mudar, pensem: "foi a Carolina que decidiu mudar". Vão perceber que estou muito mais perto de tudo aquilo que se passa no ecrã do que antes pensavam. 

22
Abr15

Diários de uma realizadora wannabe 1#

Carolina

Falta um mês (menos um dia) para o Fora da Caixa ir para o ar (se ainda não sabem o que é, leiam o post aqui). As coisas estão a andar, vão-se fazendo coisas, mas olhando para o panorama geral tenha a sensação de que ainda falta... tudo. Já não durmo direito, não largo o telemóvel, passo horas e horas no planeamento das coisas e outras tantas com a agenda de um lado, bloco do outro e o computador com trinta coisas abertas ao mesmo tempo. Marco reuniões gerais, saio em filmagens, vejo-as a todas (só ontem vi para cima de 120 vídeos), chateio-me à séria, visito a régie e quase me dão ataques de pânico. Têm sido semanas animadas.

Por tudo isto, e porque o programa tomou conta da minha vida - e vai continuar nas próximas quatro semanas - decidi partilhar convosco um bocadinho desta minha experiência. Apesar de tudo - e do cansaço, do trabalho e das chatices - tenho-me divertido muito. Nenhum de nós tem experiência nisto, quase nenhum de nós trabalhou sequer com estas câmaras semi-profissionais, nenhum de nós tinha saído em reportagem. O acompanhamento dos professores é quase nulo (a todos os níveis), por isso pode classificar-se tudo isto como desenrascanço puro e duro. E, claro, um mundo novo para todos, onde (quase) todos os erros dão para chorar de rir. Como acho que tudo isto é um mundo desconhecido para a maioria das pessoas, decidi criar esta rubrica e mostrar um bocadinho do que andamos a fazer. Espero mesmo que gostem.

 

AS REPORTAGENS  

 

Saí em reportagens com as "jornalistas" duas vezes - ainda devo ir mais três, pelo menos. Não seria propriamente essa a minha função, andar aí a vadiar, mas é importante definir planos e algumas questões de forma a dar coerência ao programa: a jornalista aparece ou não aparece?; aparecem as caras, meio corpo ou corpo inteiro?, fazem-se entradas e saídas ou é tudo com offs (jornalista a falar em fundo)?. Como também sou uma control freak, gosto sempre de ir vendo como correm as coisas, por isso fui de boa vontade - embora estivesse de pé atrás com o facto de ter de estar com pessoas, falar com elas e todas essas coisas estranhas para mim.

Da primeira vez fui para Famalicão filmar com a primeira vencedora do Masterchef, com mais três raparigas - primeira reportagem, primeiro contacto com o material fora de aulas. Resultado? Quase vinte minutos só para montar o tripé, a pershe e a câmara. E depois ver se a câmara estava a filmar no formato que queríamos, se o som se ouvia bem, se o tripé estava nivelado com o chão. Ou seja, mais outra catrefada de minutos.

A segunda reportagem já correu melhor, embora a nível logístico fosse mais complicado, pois tínhamos de "perseguir" desde carro um Side Car, o alvo da nossa reportagem. As câmaras são muito leves, as ruas do Porto têm imenso paralelo e eu muito pouca experiência a filmar - ver aquelas filmagens quase que enjoa de tanto tremor! Mas foi, sem dúvida, a reportagem mais divertida - andamos por ruas estreitas, "mal frequentadas", mas onde toda a gente sorria para nós. As senhoras diziam todas "boas fotografias!" e "ai que lindas!!!" e os senhores elogiavam sempre a mota e pediam boleia - não sei se da mota ou de quem andava nela. O resto das pessoas e os turistas sorriam, pediam para tirar fotografias, acenavam e, em cima da mota, elas faziam um mesmo, deixando um rasto de boa disposição pela cidade.

Tivemos uma sorte incrível com as entrevistadas - nunca pensei que as pessoas aderissem tão bem e que fossem tão simpáticas e com tanta vontade de colaborar. Nós somos super verdes nisto mas em nenhuma das ocasiões se mostraram impacientes ou irritadas - chegaram a repetir respostas uma e duas vezes e a rir connosco, o que também nos ajudou a destressar e dar o nosso melhor. 

Tudo isto está a contribuir para que a vivência neste curso seja incomparavelmente melhor - tanto pelas experiências que não devo esquecer tão cedo, mas também por conviver (ainda) mais com algumas pessoas, que estou a gostar muito de conhecer melhor. Longe de mim querer ser jornalista - isto veio confirmar ainda mais as minhas certezas - mas todo este trabalho de backstage, com tantas asneiras e gargalhadas à mistura (descansem, que vai tudo para bloopers) está a dar-me um gozo inacreditável. 

 

Na "perseguição" do side car, a rir-me a bandeiras despregadas (embora não se note):

filmagens2.jpg

 

 

Podem ver mais fotos e descobrir os novos conteúdos que vamos produzindo na página de facebook do programa. Quem ainda não tiver posto like é um ovo podre escalfado (se fosse só podre não era Fora da Caixa, percebem a ideia?).

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