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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

18
Nov14

Muito marketing, pouco tato

Carolina

A companhia de seguros Fidelidade lançou há dias uma campanha publicitária, no mínimo, chocante.

“Como imagina o seu funeral?” é a pergunta que dá o mote inicial deste anúncio, a que as pessoas correspondem com alguma naturalidade. Uns querem que as pessoas vão vestidas de branco, outros pretendem uma zumba party em pleno ato fúnebre, mas também há quem queira o funeral tradicional (não vão as igrejas virar só salões de festa). Gostos à parte, de branco ou de preto, numa capela ou à beira do mar, a pergunta já era aborrecida o suficiente. Mas o melhor (ou deverei dizer pior?) estava para vir com a questão seguinte.

Ei-la: “Como imagina o funeral dos seus pais?”.  Aí já não há risos, sorrisos ou respostas leves. Há silêncios e nós na garganta – tudo indicativos de que foram longe demais. A única resposta que alguns conseguiram balbuciar por entre o choque foi “não quero pensar nisso”. Porque ninguém quer pensar naquilo que seria a vida sem quem nos deu vida, que (normalmente) nos ama, nos cuida, nos atura, nos ajuda. Enquanto filhos tendemos a esquecer-nos disso mas, como sempre, quando algo nos falta, todos esses sentimentos vêm ao de cima. No cidadão comum os pais são tudo, e a sua morte implica o fim de um ciclo demasiado doloroso para sequer pensar.

Mas a Fidelidade acertou na técnica de marketing que escolheu: o choque. Nisso todos temos de lhe tirar o chapéu! Mas também acertou na falta de tato, respeito e ética. A companhia de seguros conseguiu tocar num dos pontos mais fracos dos indivíduos e da sociedade em geral: os pais. Quantas discussões já não começaram à custa de termos tocado no nome do pai de alguém? “Podes insultar-me a mim, mas no nome do meu pai não tocas!”. Por outras palavras, foi este o princípio que a Fidelidade quebrou. Tocou nos nossos pais, esse assunto que nunca se toca. A morte de um pai – para quem ainda os tem ou já perdeu – é sempre um acontecimento traumático. E este anúncio é como pôr álcool numa ferida, mesmo que ela ainda não esteja aberta. E dói. Muito.

Porque ninguém quer pensar nisso. Mas no fim deste anúncio todos ficamos.

 

[crónica para trabalho universitário]

17
Nov14

Manhã de escrita

Carolina

What goes around, comes around. Um ano depois tenho, mais uma vez, que entregar uma crónica e ando aqui consumida. Isto é parvo: alguém que escreve todos os santos dias vê-se grega para escrever uma - UMA - crónica sobre um assunto da atualidade. 

Ao longo da última semana fui juntando temas e dediquei esta manhã para escrever várias crónicas sobre eles. E a conclusão que chego - outra vez! - é que sempre que me "encomendam" textos tenho de os puxar a ferros. Nem parece meu, que escrevo sobre coisas que me acontecem no dia a dia com uma rapidez que até eu estranho. Acho que o facto de ter consciência que alguém que os vai ler e avaliar acaba por constituir um obstáculo e a minha cabeça fica presa ali, não me deixa escrever com a naturalidade que me caracteriza. 

Estou feita ao bife.

22
Mai14

As crónicas do Alfaiate

Carolina

Sigo muitos blogs, alguns deles famosos. Leio um bocadinho de tudo, mas confesso que acho que há uma relação de proporção entre a fama e a progressiva falta de genuinidade. Há blogs que passam a ser só publicidade, deixam de ser eles próprios, passam a ser demasiado feitos, fictícios, artificiais e sem piada. O crescimento de cada um é muito bonito de ser ver, e podemos até ficar felizes pelo sucesso que as pessoas atingem, mas a verdade é que, em muitos casos, a ferramenta do trabalho delas perde qualidade.

Mas enfim, esta introdução foi para vos falar de um autor de um blog que sigo há uns anos (e que não perde a essência)e que toda a gente conhece: o Alfaiate Lisboeta. Sou uma grande adepta de fotografia, também adoro moda, por isso aquele blog tem tudo para resultar comigo (por acaso nem resulta muito, pelas mais diversas razões, mas isso é assunto para outro post). A questão é que José Cabral faz outra coisa (quase) ainda melhor que fotografar: escrever. Ele escreve crónicas semanais para o jornal "Metro" e eu fico quase sempre deliciada da vida com o que ele escreve. Esta história começou quando li uma crónica dele sobre uma rapariga que vira na farmácia... desde aí que vou acompanhando e aconselho vivamente a que façam o mesmo, porque é merecido.

Às terças, no jornal "Metro", ou às segundas à noite no facebook do jornal diário.

 

 

14
Nov13

A "crónica"

Carolina

E quem é escrita sempre aparece! Custou mas foi. Se é uma crónica ou não, não sei: eu, pelo menos, tentei que fosse. É apenas mais uma daquelas minhas reflexões, um bocadinho mas "romanceada", diria eu. Custou-me entrega-la á professora, porque não a sinto como suficiente, mas era o que tinha e o que saiu no momento. Fica aqui para vossa apreciação:

 

Sempre achei os aeroportos locais interessantes: mais do que qualquer outro sítio, vive-se todo o tipo de sentimentos paradoxais, inversos, intensos, rápidos e dolorosos, tudo isto em áreas bastante seccionadas do mesmo edifício. Tenho a sorte de, desde nova, ter observado esta realidade; as viagens que fiz desde cedo levaram-me a aperceber daquele misto de sentimentos que se vivia e mudava num espaço tão confinado. 

A caminho de cada aeroporto vemos sempre placas informando-nos a zona das "chegadas e das "partidas": a verdade é que estas são as palavras mais simples para descrever aquilo que acontece aos passageiros daquele sítio, mas também as mais desprovidas de significado. Seria mais real que a placa das chegadas dissesse "reencontros calorosos/lágrimas de felicidade/abraços apertados/ sorrisos bem rasgados"; já as partidas, poderiam ser descritas como "apertos na garganta/ lágrimas de tristeza / começo da saudade / passos bem mais pesados".

Para cada canto que se olhe, vemos desde famílias inteiras até ao singular amor de uma vida: todos eles no mesmo espaço, com sentimentos tão iguais a aflorarem-se no peito. Dependendo da base aérea em que estamos, as partidas e as chegadas podem estar mais ou menos longe: umas a meros metros, outros com diferença de andares, outros de quilómetros. Sempre com placas bem descritas de que aquele é o sítio onde vai chegar o nosso mais-que-tudo ou onde vamos ter de o deixar partir. Mas a verdade é que tal não era preciso: um dos programas do momento pergunta algo que já virou cliché; questiona sempre o jornalista no fim da entrevista: "o que dizem os seus olhos?". As respostas são sempre as mais variadas, dispersas, às vezes quase absurdas e metafóricas. Num aeroporto, não, as respostas são bem objectivas e concisas. Um homem que esteja sozinho num destes sítios (mesmo sem letreiros a informar, mesmo sem indicações) só têm duas respostas possíveis nos seus olhos, e são bem visíveis a quem quiser ver: "ela vem" ou "ela foi".

02
Mai12

Miguel Esteves Cardoso

Carolina

No passado domingo, no jornal Público, foi publicada uma crónica que fez doer o coração a muita gente. Miguel Esteves Cardoso, um dos meus escritores de eleição, revelou que a sua Maria João – a sua mulher, de quem ele fala em muitas das suas crónicas – se debatia contra a maldita doença que é o cancro.

A impotência, nas suas palavras, é palpável. Mas também o seu amor. E a esse senhor, eu invejo a capacidade de se declarar em cada palavra que profere. Lembro-me de ficar encantada com a sua escrita, numa das primeiras vezes que li algo seu. E só depois percebi que aquilo era ele: cada texto seu parece uma declaração de amor, mesmo a crónica acima referida. E isso é admirável.

Não sei porquê, mas tendemos, muitas vezes, a esconder sentimentos fantásticos como o amor e a paixão (eu que o diga, bem sei). Sentimentos que supostamente correspondem a dedicação, retribuição, carinho, cuidado e tantas outras coisas boas, são guardados dentro de nós quais segredos de estado. E ele diz tudo. Diz, várias vezes, o quanto ama a sua mulher e o leitor sente isso quando sorve as suas palavras. E essa, para mim, é a melhor característica de MEC.

A ele e à mulher, os votos de que tudo corra pelo melhor e que vençam essa doença maldita.

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