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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

08
Jan17

Chávena de letras - "A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num bar"

Carolina

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 O humor é algo que pensamos ser simples, inato e natural, porque provoca em nós (pelo menos quando bem feito) uma reação que é exatamente assim: o riso. Mas a verdade é que há muito que se lhe diga em relação à escrita humorística, quando vista de um ponto de vista racional e pragmático, como algo que não só se tem de nascença, qual dom, mas que também se aprende e se treina. É sobre isto o livro de Ricardo Araújo Pereira.

Que se desengane quem compra este livro para se divertir. A escrita do RAP está lá, mas isto é essencialmente a reflexão de alguém extremamente culto e com experiência sobre essa arte que é fazer as pessoas rir. Confesso que o primeiro capitulo foi um choque, porque parecia estar a ler uma tese cheia de referências bibliográficas: e embora elas continuem ao longo do livro, lêem-se bem e enriquecem-no imenso, nunca chegando a tornar-se chatas.
Há algumas coisas que, a meu ver, não ficaram muito claras e bem explicadas (caso do capítulo "mudar uma coisa de um sítio para o outro"), mas no fundo isto não passa de um manual sobre fazer humor, cheio de exemplos e muitas reflexões interessantes. É inegável a cultura e a inteligência do RAP, que transpiram a cada parágrafo deste livro.
Termino dizendo que uma forma de resumo desta obra é a entrevista do Alta Definição que Ricardo Araújo Pereira deu há alguns meses - muito do que está aqui escrito está lá dito, de forma se calhar menos exaustiva mas obviamente mais engraçada.
Em suma, gostei muito e aconselho a todos aqueles que queiram aprender um pouco mais sobre a escrita humorística, vista pelos olhos daquele que é, para mim, um dos melhores de Portugal.

06
Jan17

Chávena de letras - "Love&Gelato"

Carolina

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 Este livro foi óptimo para arrancar o ano e tem tudo o que se quer para os próximos doze meses: é doce e acaba bem. Para além disso passa-se em Itália, por isso as probabilidades de ser espetacular já eram elevads.

Antes de mais, começar pelo óbvio: a capa do livro é giríssima, super apelativa e, de alguma forma, representa o livro na perfeição. Na edição que comprei, da Simon Pulse, a capa com a imagem dos gelados é amovível, sendo a capa dura muito simples, à moda antiga, simplesmente cor de rosa - o que, só por si, já é muito giro.
Relativamente ao conteúdo não há muito a dizer: a escrita é fluída e "catchy", a história é engraçada embora o início seja triste, ainda que indispensável para a narrativa fazer sentido - só peca, na minha opinião, por ser muito previsível. As personagens são muito doces - talvez demais, aos olhos do mundo real - e muito fáceis de empatizar. Para além do mais proporciona-nos uma viagem por Florença e os seus pontos mais emblemáticos, fazendo com que eu tivesse ficado com ainda mais vontade de visitar Itália de uma ponta à outra.
Vou ficar de olho nesta autora e esperar por mais.

 

(lido em inglês)

12
Dez16

Chávena de letras - "Remember When"

Carolina

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Ler romances Young Adult (YA) é como voltar a casa. Pelo menos nesta fase da minha vida é algo que me dá realmente prazer em ler e que tenho facilidade em devorar. Já tinha esta trilogia pousada na minha estante há algum tempo, depois de a ter comprado após ler umas críticas positivas no Goodreads e achei que era altura de lhe pegar. 

A primeira coisa a assinalar é que a edição é muito fraquinha. Parece um simples documento word impresso com a primeira fonte que apareceu, sem qualquer tipo de desenho, destaque de capítulos ou qualquer outro floreado ao nível da edição que a torne mais rica. A capa também não tem nada que ver com o livro (talvez tenha sido a primeira imagem que apareceu no google?), por isso a obra ganhava muito em ter este aspeto mais trabalhado. Porque de facto merece.

Esta é uma história fácil de ler, com muito humor e algo que é raro encontrar em personagens neste tipo de livros: auto-crítica. Os adolescentes são muitas vezes retratados como simplesmente impulsivos e quase "sem cérebro", regendo-se simplesmente pelas emoções e pelas hormonas. A minha experiência não foi assim e calculo que nem todas assim sejam, pelo que é bom ver que há autores que se aproximem dessa visão mais realista (na minha opinião) daquilo que é ser jovem. A personagem masculina, como de costume, é perto de irresistível, por isso também não há nada que lhe possa apontar.

Há muita coisa que é possível desenvolver nos próximos dois livros, por isso já estou no encalço do segundo volume desta história que quebrou com a minha "depressão literária".

28
Out16

Chávena de letras: "Onde estás, Audrey?"

Carolina

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 Nunca tinha lido nada de Sophie Kinsella, mas fiquei surpreendida quando pesquisei o seu nome e vi boas classificações para livros que eram aparentemente leves e divertidos. 

Comprei este, acabadinho de chegar às livrarias, por causa da capa; achei-lhe piada, vi a sinopse, vi as classificações no Goodreads e, estando num bloqueio de leitura, atirei-me de cabeça.
Não posso falar em relação aos outros, mas este está longe de ser um livro extraordinário. É simples, talvez demasiado simples; há uma situação traumática que nunca é bem explicada ou contextualizada, sendo que tudo se desenvolve a partir daí. As personagens podem ter graça, mas são pouco sustentadas e senti alguma falta de background em todas elas.
No entanto, é um livro de leitura extremamente fácil e rápida, que consegue bem-dispor com alguma facilidade apesar do problema grave que é retratado. Considerei este um livro mediano, mas não fiquei fã da autora.

 

P.S.: Se houver interessados, estou a vender o livro - é dos tais que prefiro "passar", porque não quero ter em casa. 

13
Ago16

Chávena de letras - "O Livro dos Baltimore"

Carolina

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Depois de ter devorado "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert" de Joël Dicker e de este ter ido diretamente para o primeiro lugar do meu top de livros de 2016, não pude deixar de ler o mais recente livro do autor. Estava com esperança de que fosse tão bom como o primeiro que li e não podia deixar que uma preciosidade dessas me passasse ao lado.
A verdade é que este "Livro dos Baltimore" não me conquistou como o Caso de Harry Quebert. Achei a história mais massadora e pesada, para além de que o factor mistério estava mais dissimulado e não puxa tanto pelo leitor. Uma das coisas que adorei no primeiro livro que li deste autor suíço foram as passagens exímias que fazia entre flashbacks e o presente e não consegui sentir o mesmo neste livro; por vezes ficava confusa e tinha de voltar para trás para conseguir construir uma timeline mental da história.
Não quer isto dizer que não tenha gostado e que a leitura não tenha valido a pena. Gostei e acho que vale a leitura das suas quase 600 páginas. Ainda assim, ao lado d'"A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert", não se consegue destacar. Continuarei atenta a Joël Dicker e serei certamente uma leitora fiel dos próximo livros que lançar.

09
Ago16

Chávena de letras - "Harry Potter and the Cursed Child"

Carolina

Harry_Potter_and_the_Cursed_Child_Special_Rehearsa

 É difícil escrever uma review a um livro de Harry Potter passado tantos anos; depois de tantas saudades, dos filmes, do fim. 

Penso que a maior crítica que posso fazer - que, no fundo, não é crítica, é uma característica do livro que temos simplesmente de aceitar - é o facto de ser escrito em forma de teatro. Esta não é a forma a que estamos habituados a ler Harry Potter e muita da magia perde-se pelo caminho. Faltam descrições, falta desenvolvimento, faltam os detalhes de toda a história. No fundo, falta a escrita de J. K. Rowling.
A história original podia perfeitamente ser um livro como os outros, mas o facto de ser uma peça retira-lhe muitos dos elementos que eu adorava ler na saga do HP. Acredito que, vendo ao vivo, muitas destas falhas sejam colmatadas, mas o livro fica a saber a pouco.
É um sentimento agridoce: por um lado dá para matar saudades, mas por outro fica a evidência de que nada poderá ser como dantes, por muito que todos nós queiramos reviver a magia de outrora.

02
Jul16

Chávena de letras: "Open road summer"

Carolina

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 Este livro é o sinônimo de leitura de verão. Tem amigos, viagens, amores de verão: tudo a que se tem direito.

Gostei dele por, apesar de ser narrado por uma rapariga de 17, ter alguma complexidade. Não é a típica miúda descrita neste tipo de obras: que é ou certinha, meia geek ou anti-social ou precisamente o oposto. A Reagan é um misto de tudo isso e traz consigo uma "mochila" de problemas interessantes, que fazem com que a narrativa deste livro não passe só pelos típicos ele-é-irresistível-quando-passa-a-mão-pelo-cabelo e outros clichês que tais. Apesar da bagagem dela ser diferente da minha, identifiquei-me com ela, talvez por achar que o problema principal dela se assemelhava ao meu.
Identificações aparte, a história é gira e, do pouco que conheço sobre o mundo dos famosos, pareceu-me bastante realista. Este é o primeiro romance de Emery Lord e parece-me ser um bom início para mais uma autora deste estilo literário.

29
Jun16

Chávena de letras: "A verdade sobre o caso Harry Quebert"

Carolina

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 É difícil falar de livros de que gostamos tanto como eu gostei deste "A verdade sobre o caso Harry Quebert". Logo no início soube que ia gostar e que me iria marcar e acabei por meditar um pouco sobre o assunto: pensei nos meus livros preferidos e percebi que quase todos eles metem livros e escritores ao barulho, muitas vezes com mistério pelo meio. Esta obra tinha, por isso, à partida, todos os ingredientes necessários para ingressar a minha lista de elite.

E assim foi. Foram quase 700 páginas lidas de fio a pavio e, sempre que eu pensava que o livro não podia melhorar, as páginas seguintes contrariavam-me. Adorei a forma como a história é narrada (e acima de tudo a capacidade do autor de fazer flashbacks em cima de flashbacks e ainda assim ser tudo muito perceptível), adorei a escrita e, acima de tudo, adorei as personagens - Harry então roubou-me o coração, principalmente com as suas dicas de escritor, que vou apontar e guardar religiosamente.
Adoro esta forma "retorcida" de contar histórias, algo não linear e sempre em constante mudança. Imagino que seja preciso ter uma capacidade fora do normal para se construir assim uma história e nunca dar grandes pistas sobre o que vem a seguir, conseguindo deixar sempre o leitor de queixo caído a cada folhear de página.
Por isto (e por muito, muito mais) fiquei fã do Jöel Dicker e outro livro dele já está em fila de espera. Depois desta leitura e recente paixão, acredito que não vá ficar muito tempo à minha espera na estante.

26
Jun16

Chávena de letras - "Romance em Amesterdão"

Carolina

Romance em AmesterdãoRomance em Amesterdão by Tiago Rebelo
My rating: 2 of 5 stars

Não gostei deste livro e as razões são várias:
- Fui atraída pelo título, pensando que se trataria de um romance em Amesterdão (porque será?!) e só tenho 30 páginas de "romance" nesta cidade, sendo o resto da história passada em Lisboa;
- Essa mesma história podia ser descrita em meia-dúzia de páginas, de tão pobre que é em conteúdos verdadeiramente relevantes. Se imaginássemos este livro numa história de bonequinhos escritos num papel, eles limitavam-se a andar para trás e para a frente, numa indecisão constante - que teima em ser descrita - sem andarem um par de centímetro visíveis para a frente.
- Para além do mais, é uma história corriqueira: um amor antigo, uma família construída, uma separação e suas consequências.

Admito que o facto de ter lido este livro numa altura particularmente sensível me possa ter tornado a leitura menos prazerosa (e tornado esta review mais agressiva que o habitual), mas acho que nunca gostaria dele, independentemente do meu estado de espírito. Pode fazer-se uma leitura mais profunda das personagens, do quanto elas transmitem da (in)consciência humana e a verdade que este livro tem... mas não chegou até aqui.
A escrita de Tiago Rebelo, não sendo exímia, lê-se com facilidade, mas creio que tão cedo não volto a ler livros deste autor.

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25
Jun16

Chávena de letras - "Anexos"

Carolina

AnexosAnexos by Rainbow Rowell
My rating: 3 of 5 stars

Depois de ter devorado, amado e adorado (e tudo, e tudo e tudo!) o "Fangirl" desta autora, Rainbow Rowell desilude-me outra vez com este "Anexos".
É um livro que se lê rápido, muito em parte por metade dele ser uma troca de emails, e também porque a escrita desta autora é tudo menos difícil de ler e processar. Contudo, achei a personagem principal sensaborona, sem grandes traços de personalidade (sem ser uma totózice que, a mim, não me atrai). Às outras duas personagens do livro, que trocam emails entre si, também não consegui achar piada.
Para além da minha desconexão com todas as personagens, achei toda a história demasiado irreal - mesmo que as coisas funcionassem assim, penso que nunca teriam este final.
Dos três livros que já li de Rainbow Rowell, foi o que menos gostei.

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