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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

29
Set17

Blogs do Ano: vamos lá pôr a boca no trombone

Carolina

Confesso que esperei ansiosamente pelas nomeações dos blogs do ano. E porquê, perguntais vós? Para me rir um bocadinho! Porque, avaliando pela edição do ano passado, quase punha o mindinho no fogo apostando que nesta edição ia virar o disco e tocar o mesmo. E não é que não me enganei?! O "best of" da blogosfera está todo lá... pena é esse mesmo "best of" não ter modificado de um ano para o outro. Pelo meio há ainda umas boas pérolas, quase para disfarçar que este é um concurso decente. Ora vejamos.

Precisamos primeiro de esmiuçar o conceito de blog. Um blog é uma página de facebook? Um blog é um sítio virtual com um domínio próprio - e bem estabelecido, que nunca teve como sufixo "sapo" ou "blogspot" à partida - e com não sei quantas pessoas envolvidas por detrás, incluindo programadores e gestores de conteúdo para fazer a coisa acontecer? O conceito é de facto abrangente mas, para mim, um blog é (era?) um sinónimo de autenticidade - um espaço para quem não tem espaço na opinião pública mas que, ainda assim, se quer fazer ouvir ou mostrar algo sobre assuntos do seu interesse. Para mim é impensável que alguém que não o próprio dono do blog lá escreva ou o gira; para mim, um blog é algo com uma estrutura relativamente simples, sem grandes floreados e ramificações, porque - lá está - parte de alguém sem grandes condições para fazer tudo isso e que só quer carimbar o seu nome em algo. A meu ver, há diferenças entre um blog e um site - um sendo muito mais complexo que o anterior. E nem vale a pena mencionar o facebook - acho que já sabem o que eu acho.

É por isso necessário perguntarmo-nos o quê que a Bumba na Fofinha está a fazer na categoria de "Entretenimento" quando, na verdade, ela não tem um blog: tem uma página no facebook, onde publica vídeos - bem engraçados, mas isso já não é para aqui chamado - que por acaso também estão no YouTube. (Engraçado, ia jurar que há uma categoria precisamente sobre vídeos de entretenimento... mas devo ter visto mal). 

Depois chamam-se ao caso todos os "blogs" de figuras públicas. Cláudio Ramos, Júlia Pinheiro (a sério que o "Júlia" é o um blog? ah ah ah), Ana Rita Clara, Leonor Poeiras, Pedro Teixeira, Raquel Strada ou Jéssica Athayde são alguns dos nomes que me surgem. Penso que já aqui escrevi sobre esta questão, sobre a necessidade de todas as figuras públicas agora terem um espaço e chamarem-lhe de "blog" e como acho isso ridículo - e estou pacientemente à espera que tal passe de moda. Isto para mim não são blogs por várias razões, muitas das quais já enumerei acima: primeiro porque são assinados por alguém que já tem exposição e espaço na opinião pública; segundo porque são raros (existentes?) aqueles que são genuínos, totalmente geridos pelos supostos autores; terceiro porque já têm todo um trabalho de agência envolvido, tanto na parte de produção de conteúdos, como de gestão de redes sociais, que têm só um propósito: vender, fazer publicidade e parcerias. A parte do "genuíno" e da "partilha de ideias" é posta num saco e mandada ao fundo do rio com pedregulhos bem grandes. Quase tudo o que fazem é vender-nos coisas: se não são produtos, são muitas vezes estilos de vida que não podemos alcançar. Ou seja: há toda uma máquina por detrás de todos estes "blogs" que, para mim, lhes tira logo esse estatuto. E ainda podemos ir mais longe: muitos destes sites são "apadrinhados" pela TVI - entidade que, coincidentemente, promove o concurso...

Depois há um par de questões que me apoquentam. A primeira chama-se "Nêspera no cu". Até gosto do conteúdo, mas primeiro o facto de estar inserido na categoria "Vlog Entretenimento" (ah, afinal sempre existe!) irrita-me um bocadinho, tendo em conta que aquilo não é bem um vlog - é só um podcast com umas figurinhas dos intervenientes a mexerem a boca de forma muito pouco natural. Para além disso, tendo em conta que o concurso é anual, parece-me lógico que se nomeiem (e premeiem) canais/blogs que estiveram ativos nesse mesmo período - o que não é o caso da Nêspera. Dei-me ao trabalho de ir ver e o último vídeo publicado neste canal foi no dia 25 de Maio do ano passado. Ou seja, temo que exista aqui um erro e os senhores do júri se tenham confundido um pouco, trazendo do ano passado um candidato esquecido. Uma chatice. A segunda questão também se insere no capítulo "porquê que este site está nesta categoria?", onde temos a La Dolce Rita - uma das minhas favoritas, toda a gente sabe - que está incluída nos "Vlogs de Lifestyle". Ora bem, se for um "lifestyle" para pessoas como eu, lontras, que gostam é de comer, de fazer bolos e aprender sobre como fazer doçaria conventual... até concordo. Fora isso, acho só um bocadinho descabido. Mas enfim, eu percebo: não há dinheiro para tudo, e não se pode criar uma categoria para culinária, porque o troféu ainda fica caro e a vida está difícil.

Mas enfim, isto tudo são "pormenores", que apenas distraem da questão global de tudo isto. Para mim, era lógico e expectável que os concorrentes iriam ser em todo semelhantes aos do ano passado. Porquê? Porque estamos em Portugal, uma país pequeno, onde não emergem propriamente blogs populares todas as semanas. Aqueles que eram líderes o ano passado, continuam a sê-lo agora. E por isso, a continuar neste formato, os mesmos blogs e as mesmas pessoas vão continuar a arrumar troféus nas suas prateleiras - ainda por cima quando o voto final é feito pelo público, o que vai fazer com que os mais lidos sejam também os mais votados. A continuar assim, mais vale fazerem o concurso de cinco em cinco anos, na esperança de que algo mude no panorama da blogosfera nacional. 

Eu sei que a maioria das pessoas acha que existe uma correlação entre o sucesso de um blog e a sua qualidade - ou seja, se um blog é bem sucedido é porque é bom naquilo que faz. Mas eu não concordo, ainda para mais com a quantidade de sites de figuras públicas aqui envolvidos, com autênticas máquinas de publicidade por detrás deles. Aliás, desconfio até que a maioria das coisas lá escritas tenham sequer um dedo dos supostos envolvidos, mas enfim, essa é toda uma outra luta. Hoje em dia, o sucesso de um blog depende muito da gestão das redes sociais, da publicidade, do passa a palavra - e pouco da informação que realmente lá é veiculada. Mas neste sentido, o que eu acho que era bom - eventualmente até se mantendo este formato de "líderes dos blogs" (porque é isso que este concurso é) - era mostrar ao mundo blogs mais pequenos, com muito menos exposição, muito menos contaminação por marcas/publicidade/mentiras, muito mais genuínos e reais (e não, não estou a puxar a brasa à minha sardinha, porque não quero nem preciso de ter milhares de pessoas a lerem-me, a criticarem-me e a mandarem-me postas de pescada de cada vez que troco um "a" por um "o"). Mas enfim, como isso não vende, arruma-se a ideia para debaixo do tapete e organiza-se, ao invés, uma gala de arromba com pseudo-figuras-públicas - algo que dá pano para mangas nas revistas, sites e redes sociais, rendendo mais cliques, dando mais dinheiro de publicidade e, no fim de toda esta cadeia, enchendo os cofres de alguém. Nada a que já não estejamos habituados, portanto.

Como nota final, resta-me contar-vos que a minha mãe me perguntou porquê que não me inscrevi neste concurso. A resposta é simples e divida em três partes: a primeira é porque não tenho exposição mediática para ganhar o que quer que seja deste género. A segunda é porque escrevo posts destes, porque ponho a boca no trombone, porque digo as verdades que ninguém quer dizer e isso não é propriamente bem-vindo nestes meios. E a terceira é porque eu, de facto, tenho um blog: genuíno, pobrezinho às vezes, nem sempre com conteúdo e muito menos com conteúdo interessante - e, claramente, não é de blogs que trata este concurso.

06
Jun17

Que mundo estranho este [sobre os pseudo-famosos desta vida]

Carolina

Há dois fins-de-semana deu-me na realgana ir ao Summer Market Stylista, que acontecia no Estoril. Já tinha pensado ir, não por uma questão de compras, mas para conhecer novas lojas - algo que me é útil também por questões de trabalho. Mas entre o vai-não-vai, o fim-de-semana que passa a correr e dá tanto jeito para se fazer tudo o que não se fez ao longo da semana e uma preguiça do demónio que se apodera sobre nós... no sábado acabei por andar a arrumar umas tralhas e dar metade do roupeiro e no domingo tencionava jiboiar por aí (mais especificamente no meu sofá, sejamos sinceros). 

Mas mudei de ideias, levantei o rabo e já era quase domingo quando comprei os bilhetes de comboio para baixo - e lá fui eu, às nove da matina, no intercidades para Lisboa. Estive com o pessoal do costume e, à tarde, lá fomos à feirinha. Tivemos algum azar, porque a chuva decidiu dar de si e em alguns momentos foi mais do que uma "molha tolos" - aliás, no final, foi mais "molha todos", porque saí de lá encharcadinha. Não esperava que a feira fosse tão grande, que tivesse tantas marcas e espaço (embora achasse as barracas em si um bocado apertadas). Não comprei nada, fui só ver e fazer "sourcing", para depois espreitar as marcas que posso potencialmente "atacar" no futuro.

Mas não era sobre isso que vinha falar aqui. Como alguns de vós devem saber, aquele evento é organizado por uma blogger conhecida da praça e, naturalmente, há muitos outros que por lá andam - ora a expor, ora a visitar. Eu vi muitos e, talvez porque sou do Porto e não estou habituada a ver famosos (ou, neste caso, pseudo-famosos - não sei bem qual é a linha que separa uma coisa de outra), fez-me pensar muito sobre o assunto. Vi bloggers e vloggers e, naquele voyerismo um bocado estúpido mas praticamente impossível de evitar, pus-me a ver as diferenças entre as fotos e a realidade e a partilhar as minhas conclusões. E depois pensei: eu sei o nome dos filhos desta, o nome dos cães daquela, lembro-me de quando esta casou, "olha esta teve uma filha há pouco tempo, está em óptima forma", "ah, mas não sabia que o namorado dela fumava", "será que o marido dela veio para ajudar?". No fundo, estava dentro daquelas vidas sem estar, na realidade, dentro delas. E isso foi estranho.

Nós estamos habituados a estar a par da vida dos famosos - que são, normalmente, pessoas da televisão, do cinema ou da música, que se expõem devido a uma profissão artística (em alguns casos) que escolheram. Mas estas pessoas - lá está, "pseudo-famosas" - escolheram expor-se, estar naquela situação. E talvez a mim me faça mais confusão porque eu acho que deve ser horrível ser famoso, ter os media em cima de nós e ter toda a gente a exigir-nos simpatia constante - mas por outro lado também percebo que faz parte de algumas profissões, que umas coisas não são independentes de outras e que temos de as aceitar se queremos levar avante certos projetos. Tenho pensado muito nisso até por causa do Salvador Sobral - a minha crush do momento, não sei se já deu para entender. Percebe-se que ele quer fazer música, que quer sucesso - mas que lida muito mal com todas as suas implicações, selfies e explorações dos media.

E transito isso para mim própria, porque acho que seria igual. O meu derradeiro sonho é escrever - e embora um escritor não tenha de ter metade da exposição de um ator ou de um cantor, nos dias de hoje tem de se saber mostrar para a máquina funcionar (porque ser só o menino dos olhos da crítica não basta - e, a meu ver, até vale pouco). E isso assusta-me - assim como me assusta este blog, que apesar de eu gostar que seja lido, comentado e partilhado, também gosto que seja tímido, sem grandes alvoroços. Assusta-me a fama, que hoje em dia aparece tão depressa como desaparece, por razões que às vezes nem sequer controlamos.  

Enquanto via ali alguns dos blogger e vloggers que sigo, pensei nisto tudo. Pensei que, tal como eu sabia o nome dos cães de uma rapariga que por lá passava, vocês também podem saber o nome dos meus - assim como quantos irmãos eu tenho, as cidades que visito e o tipo de trabalho que faço. Simplesmente, como não sou conhecida, não tenho de me confrontar com esse tipo de situações. Ainda assim, na viagem para casa, vim sempre a divagar em como estou e não estou dentro da vida daquelas pessoas, que gosto mas não sei quem são, que sinto que conheço mas nunca vi. No fundo, em como este mundo que vivemos é estranho.

07
Jan17

Blogs, os livros da vida real

Carolina

E eis que esta semana caiu uma bomba no mundo blogosférico: a blogger mais badalada do país anunciou, por meias palavras, o divórcio de um casamento que todos acompanhávamos há anos. Quando li a notícia, enquanto passeava descontraidamente no meu feedly e via as horas passar enquanto devia estar a fazer alguma coisa de útil, caiu-me tudo. E, nesse momento, senti pena. Naqueles segundos precisamente a seguir foi como se uma amiga com quem já não falava há muito me tivesse dito que o casamento - que na minha cabeça achava ser perfeito - tinha acabado. E fiquei triste por ela.

Só depois é que me caiu a ficha. Eu não a conheço, não o conheço a ele, não me dizem nada e nem sequer sou particularmente fã de nenhum deles: a única relação que mantemos - e que é unilateral - é a de eu ler as coisas que escrevem há uns sete anos. Nada mais. Mas, de facto, a nossa [dos leitores] perceção é de que estamos "dentro" da vida daquelas pessoas, qual livro aberto, que está a ser escrito em direto enquanto a vida se desenrola. Esquecemo-nos é que, ao contrário de um livro, o narrador não nos conta tudo, não está dentro da cabeça das personagens, não sabe - ainda que secretamente - o fim da história. 

Já vi muitas fases da blogosfera e estou pacientemente à espera que esta que vivemos agora passe de moda: estou cansada de todos os blogs de celebridades, sem grande conteúdo; das marcas nos verem simplesmente como portadores de mensagens e produtos, como se não quiséssemos mais nada para além de fama e dinheiro; de todo este conteúdo falso, hipócrita, que passa a ideia de vidas perfeitas, quais revistas de moda. Por tudo isto, neste momento, o mundo dos blogs está completamente descredibilizado para mim: e foi com espanto que olhei para aquele post e senti qualquer coisa. Algo verdadeiro, um sentimento que vai para além do dinheiro, patrocínios e interesses. Algo que sentia no início, quando lia blogs que gostava, de gente genuína e sem agendas. Essa coisa de que falava antes, essa sensação de conhecer a pessoa de algum lado e me doer por ela.

Foi estranho, porque era algo que já não sentia há muito tempo e que só podia ser despoletado por algo de grande dimensão, mas também esperançoso e nostálgico; um abanão da vida, como quem diz "ainda é possível"! Às vezes este tipo de coisas fazem-nos descer um pouco à terra: por vezes recebo mensagens que acho serem estranhas, de pessoas que aparentemente quase "vivem" a minha vida tanto como eu... que me saúdam pelas vitórias, que ficam tristes pelas derrotas, que me querem conhecer. Às vezes há coisas que me comovem, outras que nem sequer sei como reagir, mas em grande parte aquilo que hoje percebo é que normalmente me esqueço do poder que a blogosfera tem; do calor humano que consegue transportar, mesmo sendo meramente virtual.

Nós - bloggers - somos personagens de livros abertos que algumas pessoas gostam de acompanhar; não sei se há quem escreva a nossa história ou o nosso destino, papel dos escritores nas obras comuns, mas o que é certo é que mesmo nos livros em papel não são poucas as vezes em que nos emocionamos em nome das nossas personagens favoritas, choramos ou sorrimos com elas. E acho que, no fundo, aqui se passa precisamente a mesma coisa - as personagens são pessoas da vida real, mas o que queremos é o mesmo: que o final seja feliz. 

03
Dez16

Sobre a publicidade em blogs alheios (e neste em particular)

Carolina

Há dias escrevi um post onde já se vislumbrava um pouquinho sobre os meus pensamentos sobre a publicidade em blogs, mas na altura não era esse o tema principal. Hoje é. É um assunto que eu sinto necessidade de falar, porque sinceramente tenho ideia de que se mente e finge muito por essa blogosfera fora - e se há coisa que eu quero ser é sincera e genuína, tanto para convosco como comigo própria.

A verdade é que eu já não me acredito em nada do que leio em blogs alheios, porque acho sempre que têm o dedo de marcas por detrás. Percebo que as empresas tenham visto nos blogs a oportunidade de promoverem melhor os seus produtos nesta plataforma, mas creio que quem fica a perder no meio disto tudo são muitas vezes os próprios bloggers, que ficam totalmente descredibilizados perante o olhar dos outros (principalmente os que fazem disto vida e cujas despesas são pagas com posts e parcerias comerciais). A culpa é nossa (aka bloggers), que nos deixamos corromper e aliciar por ofertas ou dinheiro em troca da nossa escrita e da confiança que demorou anos a conquistar - mas enfim, o dinheiro tem essa capacidade.

E não me perguntem como, mas eu topo à distância os posts que são patrocinados. Leio as duas primeiras linhas desse tipo de publicações e percebo logo que me estão a tentar impingir qualquer coisa - e acho que quem os escreve não se apercebe disso, tentando escrever exatamente da mesma forma e no mesmo estilo, com todas as graçolas e comparações... mas há algo que ali que foge do seu controlo e que eu deteto, não sei bem como. E é triste ver que os leitores estão a começar a ficar desgastados deste modelo, a afastar-se dos blogs à custa disto: porque a confiança se quebra, porque aquela pessoa que líamos para rir um bocado só nos quer impingir produtos à força e porque aqueles conselhos espetaculares que dava há uns anos agora têm todos notas por detrás. Entro muitas vezes nas caixas de comentários desses posts e vejo coisas como "já não escreves um post como antigamente há semanas", "nos últimos sete dias não publicaste nada que não fosse patrocinado". E sabem que mais? É a triste verdade. Quando, finalmente, essas pessoas escrevem alguma coisa que lhes sai da alma, os comentários também são sempre os mesmos: "ufa, afinal ainda existe aquela pessoa que eu lia há x anos!". 

E eu sinto necessidade de escrever sobre isto porque ando há vários meses a empurrar parcerias de publicidade com a barriga, sem saber o que fazer. Por um lado é bom para mim: é sinónimo de notoriedade, de que as coisas estão no caminho certo, embora eu nunca tenha tido nos planos (nem tenho!) fazer disto vida. Por outro, e sendo também eu leitora e estando farta de publicidade enganosa em tudo quanto é blog, fico de pé atrás. Porque, sinceramente, eu não estou aqui para enganar ninguém e tudo o que eu conquistei nos últimos 7 anos se deveu ao meu esforço, autenticidade e sinceridade para com quem me lê. Falo muitas vezes aqui de produtos mas nunca, em ocasião alguma, foram publicidades encapotadas ou coisas oferecidas pelas marcas; a rubrica "review da semana" seria, por exemplo, ideal para este tipo de coisas, mas tudo o que está lá saiu do meu próprio bolso e experiência, nada mais que isso.

Este blog tem diferentes objetivos: o primeiro é libertar-me dos meus fantasmas, fazer-me ficar mais leve e desabafar quando a alma está pesada; o segundo é treinar a escrita, escrever todos os dias, mesmo naqueles em que a "desinspiração" bate à porta e é preciso contraria-la; o terceiro é conquistar um público, perceber o que gosta e não gosta, para mais tarde - quando escrever um livro - saber o que esperar; o quarto é a interação com as pessoas, que está patente em todos os outros pontos e que se torna essencial a partir do momento em que já temos alguns leitores (hoje em dia é impensável para mim escrever num diário, porque não tenho ninguém a responder-me). E só depois de tudo isto é que vem a publicidade, o dinheiro e os produtos. No fundo, vem no fim de todas as minhas prioridades, porque este blog é muito mais do que qualquer coisa que me possam dar em troca e assume, hoje em dia, uma importância na minha vida difícil de qualificar. Nunca este espaço será mais publicidade que posts vindos do fundo da minha alma, nunca será politicamente correto, nunca dirá só bem. O Entre Parêntesis sou eu. Porque no meio dos meus muitos defeitos e algumas qualidades, destaco a autenticidade: e no dia em que isso acabar, o blog morreu. 

Algumas das marcas que me contactaram têm produtos que eu gosto, que se calhar até já tenho, uso e sobre os quais nunca escrevi. Outras nem por isso. Nenhuma delas teve resposta até agora, porque tenho andado a refletir sobre o assunto, e venho aqui anunciar as minhas conclusões, porque só assim acho justo para convosco (embora mau do ponto de vista comercial mas, como disse, essa é a parte menos importante): posso garantir que, como de costume, tudo o que lerem neste blog é sincero, desde as opiniões positivas às negativas. Este é um espaço meu, onde partilho aquilo que acho que vale a pena ser partilhado (ou criticado), e será sempre assim, até ao último dia - porque no dia em que não for, ficará desvirtuado e é preferível parar. Não quero e não vou viver disto - tenho muitos planos para mim e vários passam pela escrita, mas de livros -, por isso só aceitarei mostrar as coisas que de facto gostar e caberá às marcas terem confiança suficiente nos seus produtos para os colocarem à mercê de alguém que vai ser sincera (ou ficar calada, que também é uma opção). Todos os (poucos) posts feitos neste blog com a parceria de alguma marca serão devidamente identificados, sendo que as mesmas serão sempre avisadas que aquilo que aqui é escrito é sincero, independentemente se isso é bom ou mau para a reputação delas - e sim, isto vai fazer com que os potenciais convites sejam ainda menos do que os que são atualmente, mas só assim consigo dormir descansada com a minha consciência.

Desculpem o post longo, mas este era um esclarecimento que tinha de fazer se queria dar este passo aqui no estaminé. Obrigada pela paciência!

28
Mar16

Cemitérios de posts nos meus favoritos

Carolina

Houve tempos em que eu, neste mundo da internet, era uma miúda organizada. Tinha centenas (sim, centenas) de links metidos dentro de pastas, que por sinal estavam dentro de pastas (que estavam dentro de outras pastas) na área dos favoritos e achava que assim tinha tudo à mão de semear. Na verdade, nem precisava de ser um site que usasse regularmente: se me lembrasse de um site que um dia me pudesse dar jeito, punha-o logo nos favoritos e era mais um para a coleção. Enfim, maluqueiras!

Hoje em dia já não utilizo os favoritos e, embora para olhos alheios isto possa parecer desorganizado, para mim está tudo nos sítios certos. Mas graças às novas tecnologias e mesmo tendo mudado várias vezes de browser ao longo dos anos, os meus antigos favoritos têm viajado comigo de computador para computador, de browser para browser. E um dia destes, num tempo morto (ou numa altura em que devia certamente estar a fazer algo e não estava), decidi dar uma olhadela naquela secção, mais propriamente na pasta "blogs" (que eram os blogs que seguia na altura, há uns seis anos atrás).

Não foi com surpresa que me deparei com 95% dos blogs que lá estavam (e era muitos) abandonados. Fechados. Com o tão conhecido "Error 404: URL not found." - ou então com a página redirecionada para um site tipo-porno com chinesas estranhas. Alguns que deixei de visitar por minha livre e espontânea vontade, outros que já sabia que tinham deixado de publicar. E não deixa de ser triste. Principalmente para alguém como eu que, naquela altura, vivia a internet literalmente como uma segunda casa e onde todos estes blogs eram quase meus "vizinhos", que me abriam as portas de suas casas e me faziam sentir sua amiga (alguns passaram mesmo a sê-lo, mesmo na vida real - mas muito poucos). 

Hoje, quando olho para aqueles blogs - que se tornaram autênticos cemitérios de posts - foi como se me tivessem fechado a porta. Porque a verdade é que, apesar de mais crescida e desprendida deste mundo, continuo a sentir que morávamos todos no mesmo bairro.

17
Mar16

Querem receber os meus posts no vosso email?

Carolina

Este é mais um post que devia ter saído a semana passada. Eu sei, sou uma vergonha. Mas cá vai disto.

Mais uma vez, a equipa do SAPO inovou e trouxe para os blogs mais uma funcionalidade absolutamente espetacular, que pode dar jeito - principalmente - para os mais esquecidos. Agora podem receber nos vossos emails uma espécie de "newsletter" do blog, onde podem ler os posts que publico. Recebem, no máximo, um email por dia; no mínimo recebem zero, nos dias em que não escrevo. Não é uma newsletter comum, cheia de floreados, publicidade e coisas que tais - tem uma parte dos posts que foram escritos e pouco mais, só mesmo como "reminder" de que há posts aqui há espera da vossa leitura. 

Esta funcionalidade é óptima para quem lê os blogs nos blogs (ou seja: não usa o facebook, o feedly ou outro mecanismo qualquer para ler blogs ou para ser "lembrado" de que eles existem), porque muitas vezes há alguns que ficam esquecidos na nossa "ronda" diária. Por outro lado, para blogs que não publicam com frequência (que não é o meu caso, mas pode ser o de outros), é uma forma de não passarem a vida a visita-los sem novos conteúdos, ficando sempre alerta para quando um post novo é publicado. É ou não é óptimo?

É por estas e por outras que toda eu sou SAPO, que visto a camisola a 100%, que torço tanto por esta equipa e por esta plataforma e que as defendo com unhas e dentes. Já não sou entendida em matéria de outras plataformas blogosféricas, porque há muitos anos que não trabalho fora do SAPO - ainda assim, acho que é nosso dever apoiar o que é português, ainda para mais quando tudo é tão bem feito, com tanto empenho, dedicação e abertura para fazer sempre mais, muito mais. Não há outra plataforma que ofereça um serviço de ajuda tão rápido, simpático e eficaz como este, apenas com um simples comentário num dos blogs da equipa; não há outra equipa que esteja sempre atenta aos blogs da sua "rede", que comente nos momentos chave, que dê apoio quando é preciso, que promova a ligação entre os seus usuários. Se pudesse, dava os meus parabéns e obrigado todos os dias a quem faz isto acontecer. Porque são de facto incríveis.

E agora já sabem - é só escrever o email ali no espacinho da barra lateral! Não se preocupem que os vossos emails não são visíveis por ninguém - nem sequer por mim, que fico aqui a morrer de curiosidade! Espero que gostem e desfrutem!

05
Mar16

Hoje é tudo "aparentemente"

Carolina

Acordei às 5.30h da manhã, estremunhada com um pesadelo. Num dia normal, voltaria a dormir; mas, como ontem me deitei logo depois do jantar, o sono não voltou a pegar. Icei a mão para o telemóvel, como é meu costume, para ver se tinha notificações. Dou de caras com uma mensagem que dizia que o Nuno Markl e a Ana Galvão se iam separar. Como se já não tivesse suficientemente acordada, fui a correr para o facebook ler a mensagem que - calculei - tivessem deixado aos seus seguidores. E fiquei sinceramente de coração partido.

E isto lembra-me uma coisa de que já falei aqui que é o facto de acharmos que conhecemos quem, de facto, não conhecemos. Eu acabei de dizer que fiquei de coração partido e todos achamos isso normal mas, se analisarmos a coisa ao pormenor, será que é mesmo? Eu nunca vi o Nuno Markl e a Ana Galvão na vida; nunca sequer comentei uma publicação dos dois; nunca ouvi a Ana Galvão na rádio (só coisas gravadas); sei que têm um filho, uma casa com cave onde já se deram concertos espetaculares, duas cadelas e uma gata. No fundo, é isto que sei. E se provavelmente dissesse aos meus bisavós (que já faleceram, mas que servem aqui para exemplicar alguém daquela geração, onde tudo era diferente) que estou triste porque um casal (nas condições de pouco "conhecimento" que afirmei acima), se ia separar... eles diriam que eu estava louquinha. Porque a verdade é que, vendo só o pouco que sei, parece que eu ficaria despedaçada de cada vez que um vizinho distante se separasse: sabia o agregado da sua família, o tipo de casa onde vive e os animais que passeia. No fundo, aquilo que sei da família Markl.

Mas a verdade é que não fico. Apesar do pouco que deles conheço, Nuno Markl entra-me pela rádio todos os dias para me fazer rir, faz podcasts brilhantes, leva-me a "passear" com os seus textos e desenhos, tem ideias geniais que partilha no facebook para quem quiser ver. No fundo, e apesar de não o conhecer de parte alguma, faz parte integrante da minha vida (a Ana Galvão só mesmo a parte do facebook e os vídeos que faz, que também gosto de ver - não deixo, no entanto, de simpatizar muito com ela). São este tipo de coisas que as novas tecnologias proporcionam: uma proximidade-não-próxima, uma ilusão daquilo que vemos (e mostramos) e a sensação de que conhecemos muito bem meio mundo, que os "amigos" facebookianos quase são amigos reais, tal a quantidade de informação aparente que temos ao nosso dispor.

Embora haja muito boa gente que se exponha demasiado, há sempre coisas que ficam de fora da equação. Só quem está no convento é que sabe o que vai lá dentro. E eu, às cegas com toda esta ilusão em que todos estamos metidos e com a "proximidade" e simpatia que sentia por este casal, punha quase os meus dedinhos no fogo em como este era um amor a sério, daqueles que duram para vida. E pumba, eis que anunciam a separação. E, no entanto, Nuno Markl estava aparentemente feliz e risonho esta manhã, quando mais um vez me entrou pela rádio adentro e me arrancou sorrisos no caminho para o trabalho.

"Aparentemente", é isto a reter. Nas estrelas da rádio, da televisão, do facebook ou dos blogs - aliás, mesmo que não sejam "estrelas". Na verdade, basta serem pessoas. Esta barreira que agora temos entre nós engana muito. Caímos em ilusões tremendas e só choques como estes nos chamam à realidade. Que nos sirva de lição, para recordamos que há toda uma vida fora deste jogo de aparências em que agora todos temos um peão a jogar.

01
Mar16

Os nossos contextos e os contextos dos outros

Carolina

Acho que todos os meus amigos sabem que uma das melhores formas de me irritar é ler os textos que aqui escrevo em voz alta. É algo que não suporto. Faz-me uma confusão tremenda ouvir aquilo que escrevi (e, no fundo, "ouvi" com a minha própria voz "interior") na boca de outra pessoa, sem todas as paragens e significados que atribuo a cada texto que escrevo. Acho sempre que os meus textos estão horríveis, mal escritos, que a coerência ao nível do som das palavras (se é que isto faz sentido) é terrível, que - dada a forma como são lidos - a pontuação está mal aplicada. Enfim, uma série de tragédias e defeitos sem fim. 

Mas a verdade é que, quem escreve, tem de aceitar isto. A minha mãe sempre me disse que "um livro não é só um livro, são muitos - tantos quantos as pessoas que o lêem" e isso é algo com que o escritor tem que viver; perceber que nem tudo o que escrevemos é interpretado da forma que desejaríamos e intencionávamos, que isso depende do contexto em que cada um vive, do humor com que está no momento em que lê as coisas.

Às vezes irrito-me e fico um pouco magoada com as coisas que dizem nos comentários. Alguns com clara intenção de ofender, outros simplesmente com opiniões contrárias às minhas mas que têm muitas vezes o objetivo de combater algo que eu nem sequer disse. Assumem-se demasiadas coisas, tiram-se conclusões erradas de coisas que digo - e isso, num "bolo total", dá toda uma percepção errada daquilo que queria dizer, da mensagem que queria transmitir. 

A verdade é que também eu escrevo no meu próprio contexto - quando "escrevo" os textos na minha cabeça, antes de os passar para aqui, já estou a tomar como adquiridos muitos factos que já fazem parte de mim mas que o cidadão comum (ou, na verdade, qualquer cidadão) não sabe. Aquilo que me parece mais que óbvio e contextualizado é, muitas vezes, quase um insulto para uma outra pessoa que lê e vê tudo isto de uma outra perspectiva e contexto qualquer.

No fundo, acho que cada um lê o que quer. E não podemos fazer muito para além de aceitar - porque por muito que escrevamos, contextualizemos e expliquemos... cada um continua a ter a sua verdade, a sua vida e os seus próprios contextos. E, esses, nós nunca vamos poder mudar.

08
Dez15

500 postais depois

Carolina

Estes seis anos de blogs trouxeram-me coisas muito boas. Conheci pessoas incríveis e projetos espetaculares, li textos fantásticos e vi fotos lindas. Tudo isto em blogs pouco ou nada conhecidos, que vamos descobrindo via comentários no nosso blog ou em blogs alheios ou destaques muito pontuais; às vezes penso na leviandade com que eu (e essas pessoas, com toda a certeza) escrevem e mostram certas coisas, sem qualquer noção do impacto que esses pormenores podem ter na vida de cada um.

Foi no blog da Marta (que não conheço, nunca vi e não sei o nome para além do primeiro) que conheci o Jamie Cullum, a minha maior paixão musical. E foi no blog da Laura (que também nunca vi ou conheço e não sei mais que o nome próprio) que conheci o postcrossing, um dos meus maiores hobbies desde há quatro anos. Acho que nenhuma delas ainda anda por estas bandas, mas tenho quase a certeza absoluta que quando puseram a "If I ruled the world" na barra lateral ou escreveram sobre um projeto giro que tinham acabado de conhecer, nunca pensaram que iam fazer com que alguém se apaixonasse pelo objeto que elas estavam a partilhar. A verdade é que embora já não leia ou saiba nada delas há vários anos, ainda hoje me lembro delas, por me terem dado a conhecer coisas de que gosto tanto.

Tanto o Jamie como o postcrossing já foram alvo de muitos posts aqui no blog, mas desta vez há uma razão especial para festejar. Então não é que a semana passada perfiz a maravilhosa quantia de 500 postais recebidos e enviados à conta do postcrossing? Weeeeeee! Que orgulho! A verdade é que, ao todo, com todos os postais que amigos e familiares já me enviaram e trouxeram, já devo ter pelo menos 550 postais recebidos na caixa de correio. Isto fora a coleção que já tinha antes de começar este projeto mais todos aqueles que me deram e que eu comprei ao longo destes anos, entre postais de autor até postais vintage e antiquíssimos em leilões e feiras. Com esses, a conta deve passar dos 800 (e não, não está tudo organizado - tinha de tirar um fim-de-semana só para isso, coisa que ainda não me apeteceu). 

Em quatro anos disto já recebi postais de 50 países diferentes e já enviei para 49. Já escrevi 500 postais para pessoas que nunca vi e que, com 99% de certezas, nunca vou ver. E já há quatro anos que a minha caixa de correio é uma constante incógnita, cheia de imagens lindas, pessoas novas e histórias para contar em pequenos rectângulos de papel.

02
Set15

Dica grátis

Carolina

Tenho andado a vaguear por novos blogs - tenho-me servido dos meus subscritores do Sapo (felizmente tenho tido cada vez mais - obrigada!) para ir encontrado novos cantinhos virtuais. O meu feedly está repleto de sites e blogs mas muito deles já são tão "comercializados" que já há muito que deixaram de ser genuínos. É publicidade encapuzada, são textos encomendados, são textos escritos por outras pessoas... enfim. É triste. A blogosfera cresceu tanto que perdeu a sua essência.

Mas a verdade é que há coisas novas todos os dias, há pessoas a escrever bem e com ideias novas... e eu ando à procura delas. Para me entreter e me lembrar dos "bons velhos tempos". A parte má é que  há coisas que não mudam. Uma delas é um erro crasso, dos grandes, gigantes, terríveis. Meus amigos novos por estas bandas, fica a dica preciosa: por amor da santa não ponham música automática nos vossos blogs! Pior que isto só mesmo aqueles players escondidos que nos obrigam a tirar o som do computador para não ter de apanhar com as músicas que vocês gostam (ou, na pior das hipóteses, sair do blog - que é aquilo que acontece mais vezes).

Querem partilhar os vossos gostos musicais com a malta? Tudo bem; ponham um player do spotify numa barra lateral. Mas deixem-nos escolher a música que queremos ouvir. Lembrem-se que vamos a um blog para ler e ver o que escrevem, não para sermos obrigados a ouvir música que não gostamos.

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