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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

18
Fev18

Sobre os recomeços (ainda que este não seja um)

Carolina

Mais de uma semana sem publicar. Auch. Que rico pontapé no meu ego esperançoso e no meu lema “quanto mais treinares, melhor escreverás”. Estou a passar uma daquelas fases em que parece que tudo está a acontecer ao mesmo tempo. Aniversários aos fins-de-semana, recitais de piano, tentativa de uma maratona pré-filmes-dos-óscares, entusiasmo máximo (dentro do possível) em relação ao ginásio, almoço num lado, workshop à tarde noutro sítio, aulas de piano, fazer bolos para as festas de aniversário, miúdos de férias aqui em casa. Wow. Isto tudo junto com "aquela semana do mês". E não, não é o que estão a pensar: falo no fecho de mais uma edição do jornal. 

O início de cada mês passou a ser uma altura em que quase me retiro do mundo dos comuns mortais e só me consigo dedicar ao trabalho. Vou poupar-vos os detalhes daquilo que é o processo exaustivo de fechar um jornal, mas deixem-me só dizer que é um processo moroso, trabalhoso e muito contraindicado para os nossos olhos - e eu trato de um mensal, pudera se fosse semanal. Ou diário (credo!). Dezembro foi o primeiro mês em que fiz isto - que coincidiu com o meu projeto natalício e tudo aquilo que envolve esta época - e agora senti que tudo voltou a coincidir no mesmo período temporal. Senti o mundo em cima de mim. A pressão do trabalho em cima de mim. A pressão dos outros em cima de mim. E a pior: a pressão que eu faço sobre mim mesma.

Enfim: o jornal já está impresso. Sobrevivi. Mas daqui a três semanas tenho de ter outro nas mãos, o que resume os poucos dias de "descanso" que terei até lá e todos os alertas que continuam "on" nesta cabeça, a piscar intermitentemente. Quero tantas coisas para mim, quero fazer tanto, tenho tantos objetivos (e quando não os tenho, crio-os) que a tendência, após tempos de mais stress, é cair num pico negativo e emotivo que depois demora algum tempo a sarar (porque não consigo fazer as coisas, porque estou cansada, porque os resultados finais não estão como eu quero ou não aparecem...). Se não escrevi durante uma semana por não ter tido tempo, também não escrevi nos dias seguintes porque não queria vir para aqui destilar as minhas frustrações, que estes dois dias de sol ajudaram a sanar.

Entretanto já recheei a minha lista de tópicos para escrever e, haja tempo e vontade, o blog não terá falta de temas num futuro próximo. Mas isto, por si só, leva-me a um outro assunto: os recomeços. Neste caso, aqui no blog, não se trata de um: esta foi uma paragem rara num blog que, desde há quase sete anos, tem uma média de posts dia-sim-dia-não. Mas se há coisa que me tira do sério são pessoas que estão em eternos recomeços, que não aceitam um fracasso (ou, se não quisermos chamar-lhe assim, talvez um projeto mal conseguido ou uma ideia que não conseguem levar avante, independentemente das razões para tal). Blogs (e vlogs) que têm posts de quatro em quatro meses - mas que dizem querer publicar de quatro em quatro dias -, que passam a vida no "agora é que é!", que mudam de look quase como uma forma de auto-incentivo, que fazem dois posts seguidos e que depois deixam os leitores à espera durante meses. É irritante, principalmente quando temos a noção de que já não escrevemos só para nós - que estamos a "produzir conteúdo" (esta expressão agora está em voga, não está?) também para os outros. Faz-me lembrar o meu eterno dilema com os diários - eu achava sempre que ia escrever lá todos os dias, mas na terceira página já adiava a escrita à ad eternum. Até que aceitei que não fui feita para escrever em diários e me deixei disso.

Essa é só mais uma das razões pela qual gosto de escrever diariamente ou, pelo menos, com uma certa rotina. Não tenho um público suficientemente grande nem exigente ao ponto de vir para aqui saber se eu estou viva, exigir posts ou dizer que está com saudades - mas tal como eu gosto de ir a um restaurante, que sei que está aberto de segunda a sábado, e encontrar as portas abertas, também gosto de ir a um blog e saber que tenho lá algo de novo para ler. É quase um compromisso silencioso, que ninguém assinou ou fechou com um aperto de mãos, e que todos sentimos que está lá. Ninguém gosta de dar com o nariz na porta.

06
Fev18

Um post um tanto ao quanto adulto no Delito de Opinião

Carolina

Comecei a escrever diariamente em 2009, em blogs que hoje em dia já não andam por aí e cujos textos só moram na cabeça de alguns. Acho que ainda sou uma miúda, mas na altura era MESMO miúda - não tinha sequer feito o 9º ano. Não fazia ideia que a escrita ia ser uma parte essencial da minha vida e do que estava para vir; e muito menos esperava que fosse isso a mudar o rumo da minha formação e vida profissional (uma vez que tinha ideias muito fixas relativamente aquilo que queria fazer no futuro).

Lembro-me de ir ver os rankings dos blogs mais visitados do país - numa altura em que o "meu" Twilight Portugal estava nos lugares cimeiros, ao lado d'"A Pipoca Mais Doce" e outros blogs de futebol, se a memória não me falha - e de estar lá o nome do Delito de Opinião. Eu era miúda, não lia esse tipo de blogs. O Delito era (e é) um blog adulto. Tem opiniões de quem já teve uns anos para pensar sobre muitos assuntos e sabe apresentar argumentos de acordo com aquilo que acha, já para não falar do traquejo e da experiência de escrita que a maioria dos autores tem no lombo. Fala sobre política, livros, filmes e coisas do dia a dia - mas, pá, de forma adulta. Com algumas palavras difíceis, com uma aura de quem sabe o que diz - mesmo que não concordemos com o que está lá escrito.

Leio pontualmente alguns posts deste espaço que, para mim, é uma das bandeiras do Sapo - em grande parte por se ter aguentado durante todos estes anos, pela frequência de posts e diversidade - e foi mesmo com enorme espanto que, aqui há dias, recebi um convite para escrever lá um texto. Disse logo que sim, mas depois vi-me grega para saber o que escrever. "O quê que eu vou escrever no Delito? O quê que se escreve para pessoas adultas? O quê que se diz num blog sério?". Pensei durante uns dias e decidi dissertar sobre um tema que, mais tarde ou mais cedo, iria discutir aqui: a série Casa do Cais. Mete youtubers, dinheiro público, adolescentes e comportamentos fora do padrão/cada vez mais no padrão: um mix perfeito para uma boa troca de ideias e para um post completo. Sério. Adulto, talvez.

 

"Foi com enorme surpresa que, aqui há uns tempos, vi um anúncio na RTP a uma série que claramente pretendia chamar a atenção de um público mais jovem: chamava-se Casa do Cais e tinha como “actores” vários youtubers portugueses, com um guião inspirado na história real acerca da vinda de um desses youtubers para Lisboa, após ter saído da sua terra natal, o Entroncamento (detalhe que só vim a descobrir mais tarde)."

 

Hoje convido-vos, por isso, a ler o meu post do costume, mas num estaminé diferente. Hoje escrevi no Delito. Caraças, hoje percebi que cresci. Talvez esteja a ficar adulta como os outros.

 

Casa do Cais: retrato real ou forçado de uma geração?

(clicar para ler)

15
Jan18

Livro não há. E então o blog?

Carolina

Há uns dias falava-se aqui em casa de como os meus sobrinhos (e extrapolando até para a malta mais nova, da geração YouTube) vivem com base na constante aprovação dos outros. Quase todos eles já têm redes sociais e festejam cada novo seguidor como se tivessem ganho a lotaria – ou o Euromilhões... ou talvez o Placard, porque já nem devem saber o que é a lotaria. Tudo o que fazem é com vista a ter mais likes: enviam mensagens a dizer que se pusermos gosto nas coisas deles, eles devolvem o botão mágico em todas as nossas publicações e até põem screenshots censurados nos instastories a dizer “foto nova, vão ver!!!”. No fundo, fazem tal e qual como os influencers que eles tanto admiram.

E isso admira-me porque eu não sou nada assim. Quando um dos meus irmãos disse a um dos filhos que só podia ter como amigos pessoas conhecidas, a criança respondeu: “mas o objetivo disto é ter mais likes, se começar a rejeitar qual é o objetivo?”. E isso é um sinónimo de toda a nossa sociedade atual: tão cheia de likes, tão vazia em tudo o resto. Mas continuemos: estava a dizer que não me revejo por esta luta cega de likes e de aprovação exterior. No meio da conversa, dei comigo a pensar: “caraças, se eu fosse assim já não tinha o blog há muito tempo”.

Porque as poucas dúvidas que eu tenho em relação a este espaço prendem-se precisamente com a divulgação que eu faço – ou não faço, neste caso – dele. A minha posição em relação a este estaminé resume-se à frase "não promovo mas não escondo". Isto quer dizer que nunca me ouviram dizer a alguém desconhecido "sabes que eu tenho um blog onde escrevo todos os dias cenas que não interessam ao menino Jesus?"; mas também é muito pouco provável que alguma vez tenha negado a sua existência, sempre que me confrontam com o assunto. E esta sempre foi a minha abordagem por várias razões: 1) nunca quis ser famosa, nunca quis ser blogger, nunca quis fazer deste espaço uma fonte de rendimento; 2) fazer divulgação de algo tem como objetivo trazer mais pessoas - e mais pessoas quer dizer mais haters, mais gente sem nada que fazer da vida, com o objetivo de estragar o dia dos outros... e eu não tenho grande paciência para isso; 3) sinto que apesar de já ter estabelecido uma linha bastante sólida relativamente aos conteúdos aqui no blog, nomeadamente sobre a partilha de temas e conteúdos mais pessoais, este continua a ser um espaço muito meu, onde continuo a dizer coisas que em voz alta não me são fáceis de pronunciar, e por isso custa-me partilha-lo com todo o mundo, não sabendo em que mãos é que esse conhecimento alheio sobre a minha pessoa vai cair. Aquilo que senti das poucas vezes que fui reconhecida na rua foi uma desigualdade imensa: as pessoas sentiam que me conheciam, que eu lhes era algo, enquanto que para mim elas eram totalmente estranhas. E isso, digam o que disserem, é desconfortável.

Tudo isto para dizer que eu não preciso de um público para escrever, apesar de adorar ter um feedback e utiliza-lo para tentar perceber aquilo que resulta e não resulta ao nível de tópicos e na escrita, quase como um estudo muito adiantado para os livros que um dia quero escrever. A verdade é que há quase sete anos que aqui estou e a minha audiência, embora vá crescendo à velocidade que uma tartaruga sobe uma rampa, é sempre a mesma. Nunca há grandes oscilações para além daqueles dias especiais em que sou destacada pelos blogs do sapo e isso não me incomoda. É óbvio que é reconfortante receber elogios e comentários (que na sua maioria são, na verdade, interações – que é o que eu gosto mais) e é por isso que escrevo aqui em vez de escrever no word ou num diário - e sinto e percebo quando uma publicação não tem tanto feedback e tento perceber os porquês. O que não implica que não volte a escrever algo do género se isso for algo que eu goste ou que faça sentido.

Novembro e Dezembro foram o exemplo perfeito disso: notei uma quebra significativa de interações e fico sempre a pensar se quem está desse lado simplesmente desistiu de ler as minhas parvoíces. Mas por outro lado senti-me orgulhosa de mim mesma por, nestes dois meses tão difíceis para mim ao nível da gestão de tempo, ter conseguido colocar aqui conteúdo, tentando nunca menosprezar a qualidade. E sinto que 2018 vai ser feito disso: de um esforço contínuo para continuar a escrever e num registo low-profile, porque é só assim que sei ser. Se há dias em que por um lado gostava de ver isto mais mexido, há outros em que relembro dias mais agitados e de como isso quase nunca me fez mais feliz. 

2017 foi provavelmente o ano com menos posts aqui no blog, mas foi de certeza o ano em que me esforcei mais para os fazer. Estou a ajustar-me a uma nova vida, e nem sempre é fácil manter o ritmo e o meu objetivo que, como nunca escondi, é escrever todos os dias. Mas, acima de tudo, foi provavelmente o único ano na vida deste blog em que eu não pensei em desistir, em "fechar portas", em dizer adeus a este diário aberto. E isso deveu-se ao facto de ter mais para me preocupar e devido esta calmia que aqui se vive, sem polémicas, pedradas ou berros virtuais. 

Há dias em que quero dar um passo em frente; há outros em que sei que se não aconteceu durante estes quase sete anos, nunca mais vai acontecer; e há outros em que simplesmente não quero que aconteça. 2018 vai ser, para este blog - mais do que aquilo que eu fizer dele - aquilo que eu conseguir fazer com ele. E só no fim é que saberemos o quê que isso é.

08
Mai17

Os ajustes da vida, as dificuldades e um pedido de desculpa

Carolina

Se por um lado é verdade que quem corre por gosto não cansa, por outro é inevitável que qualquer alma - em algum momento, mesmo que faça aquilo que ama - fique cansada. Chego à conclusão que a resposta "um conjunto de factores" é sempre a correta para qualquer tipo de questão, e aqui não foge da regra: o meu cansaço deve-se a muitas coisas, todas elas tendo que ver com desgastes de alma, que me tiram o sono, devolvem-me lágrimas, me agitam os dias e me apertam o estômago. Nada de grave - é ao estilo dos cortes de papel: são cortes pequenos na imensidão do nosso corpo, mas doem como se todas as nossas células estivessem lá depositadas.

Eu não tenho escrito tanto porque durmo; porque em vez de estar sozinha a escrever no quarto, prefiro estar na sala na companhia dos meus pais; porque quero aproveitar esta fase bebé do meu cão e pegar nele ao colo tanto quanto possível; e, ultimamente, porque os olhos me doem ao fim de muitas horas em frente ao computador (a idade não perdoa, meus amigos). Mas escrever menos não quer dizer que tenha deixado de gostar de o fazer ou que a paixão tenha diminuído - é simplesmente uma consequência (momentânea) das circunstâncias da vida.

Até porque, além do mais, agora escrever é aquilo que eu faço na vida. É estranho escrever isto, sabem? Há dias em que acordo e não acredito que o meu dia é passado a escrever textos - porque a miúda de nono ano que disse que não precisava dos testes psicotécnicos porque sabia que o seu futuro era a informática ainda está muito presente e eu ainda não percebi muito bem como consegui fintar esse destino, escolher outro pelo caminho e - o mais notável de tudo - concretiza-lo. 

O meu dia é passado entre a página branca do word, entre as paginas dos outros (entre revisões e sugestões para textos que não são meus) e, acima de tudo, entre as centenas de textos mentais que tenho na cabeça, já delineados e pensados, a maioria para escrever aqui. E eu adoro escrever, mas isto cansa. Porque para além de eu, neste momento, viver basicamente para o trabalho, a minha cabeça está sempre a trabalhar (que é como quem diz, escrever). É um processo irracional e muito enraizado em mim: os textos que aqui vêem são fruto do meu dia-a-dia, das peripécias, das minhas dores, das minhas alegrias e conquistas. E mal eu sinto que há um tópico, começo a explora-lo - tanto em termos de escrita "mental" como em explorações pelo meu próprio ser. Por outras palavras, penso muito. Passo a vida a auto-analisar-me, a auto-descobrir-me e isso cansa - embora eu não saiba ser de outra forma (nem queira).

Já há muitos meses que tenho deixado emails por responder e que a minha interação tem sido menor - e eu peço desculpa por isso. Fui-me um bocado abaixo das canetas. Houve uma altura em que o trabalho estava de tal forma intenso que eu escrevia desalmadamente para o blog durante o fim-de-semana - o que, de segunda a segunda, dava um total de dezenas (sem exagero) de textos escritos. Aceitar a diferença custa e eu penso muitas vezes "porquê que na altura conseguia manter este ritmo e agora não? Porquê que estou a falhar?". As circunstâncias mudam e, lá está, "por um conjunto de fatores". 

O que vale é que os cães ladram e a caravana passa e eu sei que tudo isto tende a ir ao sítio. Eu, pelo menos, estou a esforçar-me para que assim seja. Até lá, desculpem a ausência, a falta de respostas e, por vezes, a falta de retribuição. Acreditem que não faço por mal.

12
Abr17

Sobre os vampiros de meia tigela da blogosfera

Carolina

Se há coisa constante neste blog é a minha sinceridade. Sempre. A questão é que escolho criteriosamente o que digo. E hoje apetece-me dizer uma verdade (que eu já conheço há muito) e que acredito que seja partilhada por muitos dos meus vizinhos do aqui do charco: para mim, estar nos destaques, é esperar que pequenos haters me invadam a casa.

Não me interpretem mal, eu adoro o Sapo, adoro a ideia dos destaques e vou todos os dias lá ver o que se passa de novo - e claro que gosto que alguém ache que aquilo que eu escrevo é bom o suficiente para ser destacado e ser mostrado ao mundo - mas sempre que me apercebo que estou nos destaques vou ler o dito post 30 vezes para corrigir eventuais erros e ver se aquilo não ofende a religião, terra, clube ou crença de ninguém. Mas, ainda assim, o pessoal consegue sempre cair-me em cima. Não sei se o resto das pessoas sente a mesma coisa mas, para mim, sempre que recebo um e-mail a dizer que tenho um comentário é um momento feliz: os comentários são a melhor interação que se pode ter ao nível dos blogs e eu adoro quando os recebo. Mas nestes dias de destaques, sempre que recebo um e-mail (que normalmente começa por "Anónimo deixou um comentário ao post...." - quase sempre anónimos, porque será?!), já estou de pé atrás e sobrolho levantado à espera do pior. Pode ser a coisa mais insignificante de sempre, mas as pessoas não perdem a oportunidade de apontar o dedo; pode ser claramente a falha de uma letra ou um erro de semântica que se entenda perfeitamente, mas tudo é razão para deixar um comentário. Mas não é um comentário qualquer: é dos bons, maldosos como se quer, com aquela pinta de malícia típica de quem é incapaz de dar a cara. Corrigir não está mal, explicar porque está mal também não me apoquenta: tiram-me é do sério pessoas más!

Estou neste mundo há demasiado tempo para ainda não me ter resignado a este fenómeno, eu sei. Mas não me consigo habituar. Eu sei que existem pessoas más, mas penso sempre que aquele estilo que aparece nas novelas é um tanto ao quanto exagerado (planos, aliados, facadas nas costas dos aliados, veneno não sei onde - esse tipo de coisas). Se calhar existem mesmo, mas também não importam, porque estes pequenos atos também contam. É aquele gostinho "bom" de meter veneno numa caixa de comentários e esperar a resposta irada e magoada de quem naquele blog escreve, em busca de mais sangue e mais dentadinhas saborosas, qual vampiro sedento de mais uma vida - ou, pelo menos, de estragar o dia de mais uma vida alheia.

Como continuo a ser sincera, aqui vai disto: só dez por cento dos comentários é que me atingem tal como o seu criador queria. Diria que dentro desses dez, 99,9% são apagados e não têm resposta, porque daqui não levam nada (eu mal respondo a quem gosta de mim e merece o meu tempo, quanto mais a vampirinhos de meia tigela!).

Eu não estou a escrever um livro, um jornal ou uma revista - escrevo num blog, que pretende ser uma coisa descontraída, nos meus tempos livres. No entanto a vida evoluiu desde que o criei, o tempo livre não é tanto, a vontade de estar no computador fora das horas de expediente é cada vez menor e eu cá continuo. Porquê? Primeiro porque adoro este espaço e (apesar de tudo) continuo a adorar a blogosfera; segundo porque tenho gente que me segue e eu não consigo não corresponder às expectativas (e porque me sinto feliz e honrada e "gostada" por ter alguém que perde tempo ao ler os meus desabafos); e terceiro porque adoro escrever, é aquilo que me faz feliz. Mas há fases - esta é uma delas - em que eu tenho de me contrariar para escrever; que quero dormir e, ao invés disso, volto para a frente do computador - onde passei todo o dia - só para "matar o bicho" e não deixar os meus seguidores pendurados.

Eu não escrevo para ser famosa, para ter publicidade, para ganhar dinheiro. Escrevo por tudo menos por isso. Os meus posts raramente tocam em assuntos polémicos (agora, por exemplo, ando cheia de vontade de falar sobre isto das viagens de finalistas e em como tudo isto me deixa cheia de vergonha da minha própria geração, mas até isso evito), não têm click-baits, não representam uma vida cor-de-rosa e cheia de flores e coisas lindas. Ou seja: eu não estou aqui para vender nada a ninguém. Simplesmente escrevo, porque gosto, quero e há quem goste de me ler.

Também escrevo enquanto profissão: e aí sim, tenho total atenção aos erros e gralhas, por pequenos que sejam. Mas aqui - e embora faça tudo o melhor possível, dentro do tempo e vontade que tenho - sempre me permito descontrair mais. Não sinto a necessidade nem a responsabilidade de ter tudo perfeito, porque embora escrever seja uma das coisas que mais gosto nesta vida, também erro (e tenho muito, muito para aprender) - e sei que quem quer perceber, percebe. E sei que quem acha que um erro é grave, avisa, de forma educada. Porque todos erramos.

Isto para dizer que não tenho pachorra para vampirinhos da treta e que embora eu leve este espaço muito a sério, não vão ser meia dúzia de chatos (e nazis da gramática, gente má e de mal com a vida) que me vai tirar o prazer ou descontração de escrever aqui. Porque xe eu dexidir escrever tudo kom "x" e "k", também posso. Porquê? Porque o blog continua a ser meu. Com a minha sinceridade, os meus erros, as minhas manias, o meu estilo próprio. Ou seja: meu.

E, já agora, porque eu sempre preferi aqueles vampirinhos vegetarianos. Sangue não é a minha cena.

26
Mar17

Livros, livros everywhere

Carolina

Sabem aquele jogo das diferenças? Pronto, hoje é dia disso. Olhem à vossa volta a percebam o que mudou. (...) Se não viram nada, tenho-vos a dizer que são um bocadinho ceguetas, mas eu perdoo de qualquer das formas. Foram-se as flores, vieram os livros; foi-se o azul do meu coração e veio a minha cor favorita dos últimos anos: o amarelo.

A raiz do blog mantém-se a mesma, mas arejei-o um pouco, que era algo de que já estava a precisar. Eu sou um bocado paranoica e há uns meses meti na cabeça que já estava cansada daquelas flores estilo papel, que estavam lá no topo. Passei várias noites e vários fins-de-semana a trabalhar nisso, gravei centenas de imagens inúteis neste computador, mas nada parecia resultar - o que só agravou a situação, porque estava a ficar impaciente e chateada por não conseguir fazer com que nada funcionasse visualmente. Aliás, nem sequer tinha ideias, um conceito que quisesse seguir. Estava a levar-me à loucura.

Acho que o facto de não andar a frequentar blogs também não ajuda: antes via muita coisa, algumas giras, outras horríveis; mas sempre ia vendo, tirando ideias daqui e acolá. Agora a fonte quase que secou e eu estava a entrar em desespero. Hoje tornei a pegar nesta mini-empreitada, voltei a dar a volta a meia internet e agradou-me a ideia de "biblioteca". A verdade é que o visual das flores foi, dos muitos templates que já tive, aquele que mais adorei: para além de achar que ficou visualmente muito bonito e leve, coincidiu com uma fase muito boa da minha vida e tudo aquilo fazia sentido para mim.

Mas passaram dois anos, as coisas mudaram e eu já estava a ficar cansada daquilo. Como em todas as fases más que passo, deu-me uma necessidade louca de fazer uma limpeza geral, uma mudança drástica. E pronto, cá está: não foi drástica, foi moderada, mas ao menos os ares ficam renovados. E com livros, o que é sempre uma coisa boa! Na verdade tenho lido muito pouco, mas tenho sentido a necessidade de ler muito - acho que nos momentos em que a vida não está tão "florida", eu procuro as flores noutros canteiros e os livros são, sem dúvida, o meu refúgio de sempre. Nos últimos tempos tenho voltado os momentos de "má solidão" - porque a boa, convivo com ela todos os dias (e bem) - e sinto falta de ter a companhia de um livro para me "dar a mão" nos momentos mais agrestes. Na mesinha de cabeceira está "On Writing", de Stephen King, que é um livro incrível mas que por ser de memórias espaçadas não é propriamente um companheiro - portanto planeio acaba-lo rapidamente para conseguir ler um romance qualquer que me aqueça a alma. 

Mas bom: os livros invadiram, por isso, este blog por tempo indeterminado. Ainda sou capaz de ir fazendo algumas alterações aqui e ali ao longo dos próximos dias mas é bom que se vão habituando a este "cheiro" a biblioteca. Para mim, que tenho um olfato hiper apurado e que sou uma esquisita com cheiros, este é definitivamente um dos melhores odores do mundo. E é um bom reminder de que continuo a trabalhar para um dia ter o meu nome numa daquelas lombadas.

28
Dez16

Mãe, estou na revista!

Carolina

Estou de volta, depois do furacão natalício e sua consequente ressaca, que me fez dormir durante uma tarde inteira como já não dormia desde o meu primeiro ano de faculdade, quando parecia ter sido ferrada pela mosca tse-tse. Espero que esse Natal tenha sido bom, que o Pai Natal tenha sido generoso e que as férias (se for o vosso caso) vos estejam a saber pela vida, porque por aqui trabalha-se e eu já tenho uma série de posts programados para sair. Preparem-se para uma avalanche de balanços, reflexões e coisas que tais sobre 2016, porque o meu cérebro já não aguenta conter isto por muito mais tempo.

Mas adiante. Para já, quero contar-vos uma novidade boa! Há uns meses recebi um convite da revista "I Like This" para escrever um artigo de opinião sobre a Finlândia, o país que ia ser alvo da 15ª edição desta revista trimestral. Admito que não a conhecia, mas fui pesquisar e aceitei prontamente o convite - porque se gosto de escrever só por si, escrever sobre viagens é um autêntico bónus. Avisei à partida que não tinha estado muito tempo na Finlândia e que queria ser o mais sincera possível em tudo o que dissesse, porque sempre admiti que este não foi um país que me tenha deixado de queixo caído. Correu tudo bem e tudo o que lá está é a perceção real e verdadeira que tive naquelas poucas horas em solo finlandês.

Escrevi e enviei o artigo e as fotos - e agora voilà, já estão espalhados pelas bancas de todo o país. Não escondo que estou super feliz - o artigo é pequenino, mas é aquilo que há vários anos desejo fazer: escrever para contar e partilhar experiências com os outros. Ver algo meu numa revista tão bonita (que é mesmo, tem capas fantásticas e um design muito apelativo e fácil de ler) aquece-me o coração e faz-me ver que é por aqui o caminho.

Eu já comprei a revista - vou guarda-la com todo o carinho e amor na minha caixa de recordações - e vocês podem fazer o mesmo se tiverem curiosidade sobre a Finlândia. Caso contrário (ou caso simplesmente queiram ler o que lá escrevi) podem clicar aqui.

 

Obrigada à I Like This pelo convite!

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21
Dez16

Como eu blogo (ou como os blogs podem ser importantes na vida de alguém)

Carolina

Não sei se já repararam mas hoje - e pelos próximos dias - a minha fronha está na página dos Blogs do Sapo, com a rúbrica "como eu blogo" (sei que há fronhas melhores, mas foi o que se arranjou...). Foi com muita alegria que recebi o convite da equipa do batráquio para responder àquelas cinco perguntinhas e, como não podia deixar de ser, aceitei de imediato. Trabalho com o Sapo Blogs há quase oito anos e tenho um orgulho imenso por todos os meus blogs estarem alojados numa plataforma portuguesa, que promove os blogs que alberga e trabalha diariamente para melhorar - mesmo com dificuldades, que sei que existem. 

Ainda hoje fico seriamente comovida quando ainda se lembram do nome do meu primeiro blog e das várias fases da minha vida, resumindo-ma em poucas linhas e de diferentes perspetivas. É algo muito pessoal entregarmo-nos por completo a um projeto e partilhar as nossas vidas com desconhecidos; tem coisas más mas, de vez em quando, há uns bombons que compensam tudo o resto. Há qualquer coisa de mágico e ao mesmo tempo estranho em existir alguém que nós nunca vimos na vida mas que conhece a nossa história, o nosso percurso e a nossa forma de ser apenas porque nos lê.

Tenho 21 anos e, por isso, acho que é razoável dizer que um percurso de quase 8 anos no mundo dos blogs é algo significativo: no fundo, é pouco menos de metade da minha vida. Cresci aqui, a ler e a escrever, e percebi muitas coisas essenciais para a minha vida enquanto teclava nesta plataforma. Acima de tudo, percebi que amo escrever e que essa tem de ser uma das linhas condutoras da minha vida - e no momento em que percebi isso, dei uma volta de 180º. O blog assumiu uma importância na minha vida que ultrapassa o hobbie mas que, felizmente, também não chega a ser trabalho: é um limbo, um meio para atingir um fim e, acima de tudo, uma forma de fazer aquilo que mais amo e ter a sorte de ter alguém com a paciência suficiente para me ler.

Desde 2009 que faço publicações e escrevo diariamente; já pensei muitas vezes em desistir e mandar isto para as urtigas, já mudei várias vezes de blog e de conceito e sinto que finalmente cheguei a águas calmas e a uma fase em que me sinto feliz e confortável da forma como estou. O Entre Parêntesis tem cinco anos e meio e é um resumo de uma fase de enorme mudança para mim e do caminho para um sonho. Os passos para lá chegar dou-os aqui, todos os dias, com os muitos textos que escrevo - e que espero continuar, porque há um longo caminho a percorrer.

Em resumo, sinto-me lisonjeadíssima e muito feliz pelo convite do Sapo e queria apenas demonstrar que tudo isto que aqui vêem e lêem não é um pormenor na minha vida, mas algo que tem uma dimensão significativa e muito importante para mim. Podem ler a rubrica aqui

 

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Obrigada ao Sapo pelo convite e por todos estes anos de "parceria"!

 

06
Ago16

Parabéns, blog fofinho!

Carolina

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Foi há cinco anos que criei esta nova casa para os meus textos, devaneios, opiniões e coisas parvas. Pode não parecer muito, pode parecer fácil, mas às vezes não é. Manter um blog diário é difícil, exige trabalho, dedicação e tempo - e embora eu nem sempre consiga dedicar-lhe tudo o que quero e que ele merece, tenho dado o meu melhor e estou satisfeita com estes cinco anos de "casa".

Lembro-me que festejei os três anos do Entre Parêntesis quase de luto, por causa da minha avó. Os quatro anos celebraram-se no decorrer de um verão complicado e depois de um período de euforia total na faculdade: a representação de um "arrefecimento" abrupto e de algum desapontamento. Já este aniversário representa mais uma reviravolta que está para chegar na minha vida e um esforço muito grande da minha parte para fazer deste último verão "grande" algo memorável.

Não deixa de ser giro pensar que, quando me "mudei" para aqui, estava ainda no secundário e no vai-não-vai para mudar de curso e no meio de uma crise existencial épica. Agora, quase licenciada, estou a menos de um mês de ir trabalhar e entrar no mundo dos crescidos. É estranho mas tão bom ao mesmo tempo saber que há algo - ao longo destes 1827 dias - que é constante, uma linha condutora entre os tempos e todas as decisões e ações que tive. Essa linha condutora é este blog, porque está tudo aqui: os medos, os pensamentos, as tomadas de decisão, as dores, as alegrias, as tristezas, as vitórias e as derrotas.

Sou a mesma Carolina, só cinco anos mais velha, mais crescida, mais madura, mais experiente e mais certa das suas escolhas. E, espero, que melhor escritora do que era em 2011! E é assim que quero que isto continue a ser: a mesma Carolina, mas em constante evolução. Porque se há algo que aprendi durante estes anos é que podemos mudar, evoluir e crescer, e mesmo assim continuar a sermos fiéis a nós mesmos.

 

Que sejam os primeiros 5 anos de um "vida" longa :)

 

17
Abr16

Tanta coisa para escrever, tão pouco tempo para o fazer

Carolina

Arrisco em dizer que nunca a minha agenda teve tantos títulos de posts acumulados. O trabalho é um terreno fértil para ter ideias de escrita - só não ajuda em ter tempo para as escrever e desenvolver (e não, não consigo escrever em pleno trabalho - mesmo nos dias com menos coisas para fazer, sinto-me sempre observada e sem privacidade para escrever com a paz que preciso). 

Entre acordar, tomar o pequeno-almoço, ir para o trabalho, voltar para almoçar e regressar ao escritório, voltar de novo para casa ao fim da tarde, empacotar as coisas para ir para o ginásio, voltar para jantar e tomar banho... não sobra muito tempo de qualidade em frente ao computador para escrever - e também não sobra vontade, porque estar no computador é o que já faço o dia inteiro. Normalmente só mesmo depois de jantar mas, para além da falta de vontade, a necessidade de dormir decentemente tem falado mais alto e feito com que me deite a horas que fazem envergonhar qualquer jovem de 21 anos. Mas a verdade é que só assim é que consigo enfrentar o dia seguinte com força, energia e boa disposição - caso contrário, chego ao fim da tarde a arrastar-me pelos cantos.

Quando o estágio acabar vou querer fazer uma desintoxicação de computador, porque só agora é que percebo o quão mal é que isto me faz (e estou muito agradecida por, há uns ano atrás, ter mudado de ideias quanto a ir para engenharia informática - acho que, com o cansaço que o computador me provoca, não me ia safar muito bem nessa profissão). Ainda assim, e porque sinto que a minha cabeça é um autêntico viveiro de textos que "falam" uns por cima dos outros de forma incessante, vou tentar, nos próximos dias, riscar uns quantos temas pendentes que estão à espera de serem escritos há demasiado tempo. 

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