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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

08
Mai17

Os ajustes da vida, as dificuldades e um pedido de desculpa

Carolina

Se por um lado é verdade que quem corre por gosto não cansa, por outro é inevitável que qualquer alma - em algum momento, mesmo que faça aquilo que ama - fique cansada. Chego à conclusão que a resposta "um conjunto de factores" é sempre a correta para qualquer tipo de questão, e aqui não foge da regra: o meu cansaço deve-se a muitas coisas, todas elas tendo que ver com desgastes de alma, que me tiram o sono, devolvem-me lágrimas, me agitam os dias e me apertam o estômago. Nada de grave - é ao estilo dos cortes de papel: são cortes pequenos na imensidão do nosso corpo, mas doem como se todas as nossas células estivessem lá depositadas.

Eu não tenho escrito tanto porque durmo; porque em vez de estar sozinha a escrever no quarto, prefiro estar na sala na companhia dos meus pais; porque quero aproveitar esta fase bebé do meu cão e pegar nele ao colo tanto quanto possível; e, ultimamente, porque os olhos me doem ao fim de muitas horas em frente ao computador (a idade não perdoa, meus amigos). Mas escrever menos não quer dizer que tenha deixado de gostar de o fazer ou que a paixão tenha diminuído - é simplesmente uma consequência (momentânea) das circunstâncias da vida.

Até porque, além do mais, agora escrever é aquilo que eu faço na vida. É estranho escrever isto, sabem? Há dias em que acordo e não acredito que o meu dia é passado a escrever textos - porque a miúda de nono ano que disse que não precisava dos testes psicotécnicos porque sabia que o seu futuro era a informática ainda está muito presente e eu ainda não percebi muito bem como consegui fintar esse destino, escolher outro pelo caminho e - o mais notável de tudo - concretiza-lo. 

O meu dia é passado entre a página branca do word, entre as paginas dos outros (entre revisões e sugestões para textos que não são meus) e, acima de tudo, entre as centenas de textos mentais que tenho na cabeça, já delineados e pensados, a maioria para escrever aqui. E eu adoro escrever, mas isto cansa. Porque para além de eu, neste momento, viver basicamente para o trabalho, a minha cabeça está sempre a trabalhar (que é como quem diz, escrever). É um processo irracional e muito enraizado em mim: os textos que aqui vêem são fruto do meu dia-a-dia, das peripécias, das minhas dores, das minhas alegrias e conquistas. E mal eu sinto que há um tópico, começo a explora-lo - tanto em termos de escrita "mental" como em explorações pelo meu próprio ser. Por outras palavras, penso muito. Passo a vida a auto-analisar-me, a auto-descobrir-me e isso cansa - embora eu não saiba ser de outra forma (nem queira).

Já há muitos meses que tenho deixado emails por responder e que a minha interação tem sido menor - e eu peço desculpa por isso. Fui-me um bocado abaixo das canetas. Houve uma altura em que o trabalho estava de tal forma intenso que eu escrevia desalmadamente para o blog durante o fim-de-semana - o que, de segunda a segunda, dava um total de dezenas (sem exagero) de textos escritos. Aceitar a diferença custa e eu penso muitas vezes "porquê que na altura conseguia manter este ritmo e agora não? Porquê que estou a falhar?". As circunstâncias mudam e, lá está, "por um conjunto de fatores". 

O que vale é que os cães ladram e a caravana passa e eu sei que tudo isto tende a ir ao sítio. Eu, pelo menos, estou a esforçar-me para que assim seja. Até lá, desculpem a ausência, a falta de respostas e, por vezes, a falta de retribuição. Acreditem que não faço por mal.

12
Abr17

Sobre os vampiros de meia tigela da blogosfera

Carolina

Se há coisa constante neste blog é a minha sinceridade. Sempre. A questão é que escolho criteriosamente o que digo. E hoje apetece-me dizer uma verdade (que eu já conheço há muito) e que acredito que seja partilhada por muitos dos meus vizinhos do aqui do charco: para mim, estar nos destaques, é esperar que pequenos haters me invadam a casa.

Não me interpretem mal, eu adoro o Sapo, adoro a ideia dos destaques e vou todos os dias lá ver o que se passa de novo - e claro que gosto que alguém ache que aquilo que eu escrevo é bom o suficiente para ser destacado e ser mostrado ao mundo - mas sempre que me apercebo que estou nos destaques vou ler o dito post 30 vezes para corrigir eventuais erros e ver se aquilo não ofende a religião, terra, clube ou crença de ninguém. Mas, ainda assim, o pessoal consegue sempre cair-me em cima. Não sei se o resto das pessoas sente a mesma coisa mas, para mim, sempre que recebo um e-mail a dizer que tenho um comentário é um momento feliz: os comentários são a melhor interação que se pode ter ao nível dos blogs e eu adoro quando os recebo. Mas nestes dias de destaques, sempre que recebo um e-mail (que normalmente começa por "Anónimo deixou um comentário ao post...." - quase sempre anónimos, porque será?!), já estou de pé atrás e sobrolho levantado à espera do pior. Pode ser a coisa mais insignificante de sempre, mas as pessoas não perdem a oportunidade de apontar o dedo; pode ser claramente a falha de uma letra ou um erro de semântica que se entenda perfeitamente, mas tudo é razão para deixar um comentário. Mas não é um comentário qualquer: é dos bons, maldosos como se quer, com aquela pinta de malícia típica de quem é incapaz de dar a cara. Corrigir não está mal, explicar porque está mal também não me apoquenta: tiram-me é do sério pessoas más!

Estou neste mundo há demasiado tempo para ainda não me ter resignado a este fenómeno, eu sei. Mas não me consigo habituar. Eu sei que existem pessoas más, mas penso sempre que aquele estilo que aparece nas novelas é um tanto ao quanto exagerado (planos, aliados, facadas nas costas dos aliados, veneno não sei onde - esse tipo de coisas). Se calhar existem mesmo, mas também não importam, porque estes pequenos atos também contam. É aquele gostinho "bom" de meter veneno numa caixa de comentários e esperar a resposta irada e magoada de quem naquele blog escreve, em busca de mais sangue e mais dentadinhas saborosas, qual vampiro sedento de mais uma vida - ou, pelo menos, de estragar o dia de mais uma vida alheia.

Como continuo a ser sincera, aqui vai disto: só dez por cento dos comentários é que me atingem tal como o seu criador queria. Diria que dentro desses dez, 99,9% são apagados e não têm resposta, porque daqui não levam nada (eu mal respondo a quem gosta de mim e merece o meu tempo, quanto mais a vampirinhos de meia tigela!).

Eu não estou a escrever um livro, um jornal ou uma revista - escrevo num blog, que pretende ser uma coisa descontraída, nos meus tempos livres. No entanto a vida evoluiu desde que o criei, o tempo livre não é tanto, a vontade de estar no computador fora das horas de expediente é cada vez menor e eu cá continuo. Porquê? Primeiro porque adoro este espaço e (apesar de tudo) continuo a adorar a blogosfera; segundo porque tenho gente que me segue e eu não consigo não corresponder às expectativas (e porque me sinto feliz e honrada e "gostada" por ter alguém que perde tempo ao ler os meus desabafos); e terceiro porque adoro escrever, é aquilo que me faz feliz. Mas há fases - esta é uma delas - em que eu tenho de me contrariar para escrever; que quero dormir e, ao invés disso, volto para a frente do computador - onde passei todo o dia - só para "matar o bicho" e não deixar os meus seguidores pendurados.

Eu não escrevo para ser famosa, para ter publicidade, para ganhar dinheiro. Escrevo por tudo menos por isso. Os meus posts raramente tocam em assuntos polémicos (agora, por exemplo, ando cheia de vontade de falar sobre isto das viagens de finalistas e em como tudo isto me deixa cheia de vergonha da minha própria geração, mas até isso evito), não têm click-baits, não representam uma vida cor-de-rosa e cheia de flores e coisas lindas. Ou seja: eu não estou aqui para vender nada a ninguém. Simplesmente escrevo, porque gosto, quero e há quem goste de me ler.

Também escrevo enquanto profissão: e aí sim, tenho total atenção aos erros e gralhas, por pequenos que sejam. Mas aqui - e embora faça tudo o melhor possível, dentro do tempo e vontade que tenho - sempre me permito descontrair mais. Não sinto a necessidade nem a responsabilidade de ter tudo perfeito, porque embora escrever seja uma das coisas que mais gosto nesta vida, também erro (e tenho muito, muito para aprender) - e sei que quem quer perceber, percebe. E sei que quem acha que um erro é grave, avisa, de forma educada. Porque todos erramos.

Isto para dizer que não tenho pachorra para vampirinhos da treta e que embora eu leve este espaço muito a sério, não vão ser meia dúzia de chatos (e nazis da gramática, gente má e de mal com a vida) que me vai tirar o prazer ou descontração de escrever aqui. Porque xe eu dexidir escrever tudo kom "x" e "k", também posso. Porquê? Porque o blog continua a ser meu. Com a minha sinceridade, os meus erros, as minhas manias, o meu estilo próprio. Ou seja: meu.

E, já agora, porque eu sempre preferi aqueles vampirinhos vegetarianos. Sangue não é a minha cena.

26
Mar17

Livros, livros everywhere

Carolina

Sabem aquele jogo das diferenças? Pronto, hoje é dia disso. Olhem à vossa volta a percebam o que mudou. (...) Se não viram nada, tenho-vos a dizer que são um bocadinho ceguetas, mas eu perdoo de qualquer das formas. Foram-se as flores, vieram os livros; foi-se o azul do meu coração e veio a minha cor favorita dos últimos anos: o amarelo.

A raiz do blog mantém-se a mesma, mas arejei-o um pouco, que era algo de que já estava a precisar. Eu sou um bocado paranoica e há uns meses meti na cabeça que já estava cansada daquelas flores estilo papel, que estavam lá no topo. Passei várias noites e vários fins-de-semana a trabalhar nisso, gravei centenas de imagens inúteis neste computador, mas nada parecia resultar - o que só agravou a situação, porque estava a ficar impaciente e chateada por não conseguir fazer com que nada funcionasse visualmente. Aliás, nem sequer tinha ideias, um conceito que quisesse seguir. Estava a levar-me à loucura.

Acho que o facto de não andar a frequentar blogs também não ajuda: antes via muita coisa, algumas giras, outras horríveis; mas sempre ia vendo, tirando ideias daqui e acolá. Agora a fonte quase que secou e eu estava a entrar em desespero. Hoje tornei a pegar nesta mini-empreitada, voltei a dar a volta a meia internet e agradou-me a ideia de "biblioteca". A verdade é que o visual das flores foi, dos muitos templates que já tive, aquele que mais adorei: para além de achar que ficou visualmente muito bonito e leve, coincidiu com uma fase muito boa da minha vida e tudo aquilo fazia sentido para mim.

Mas passaram dois anos, as coisas mudaram e eu já estava a ficar cansada daquilo. Como em todas as fases más que passo, deu-me uma necessidade louca de fazer uma limpeza geral, uma mudança drástica. E pronto, cá está: não foi drástica, foi moderada, mas ao menos os ares ficam renovados. E com livros, o que é sempre uma coisa boa! Na verdade tenho lido muito pouco, mas tenho sentido a necessidade de ler muito - acho que nos momentos em que a vida não está tão "florida", eu procuro as flores noutros canteiros e os livros são, sem dúvida, o meu refúgio de sempre. Nos últimos tempos tenho voltado os momentos de "má solidão" - porque a boa, convivo com ela todos os dias (e bem) - e sinto falta de ter a companhia de um livro para me "dar a mão" nos momentos mais agrestes. Na mesinha de cabeceira está "On Writing", de Stephen King, que é um livro incrível mas que por ser de memórias espaçadas não é propriamente um companheiro - portanto planeio acaba-lo rapidamente para conseguir ler um romance qualquer que me aqueça a alma. 

Mas bom: os livros invadiram, por isso, este blog por tempo indeterminado. Ainda sou capaz de ir fazendo algumas alterações aqui e ali ao longo dos próximos dias mas é bom que se vão habituando a este "cheiro" a biblioteca. Para mim, que tenho um olfato hiper apurado e que sou uma esquisita com cheiros, este é definitivamente um dos melhores odores do mundo. E é um bom reminder de que continuo a trabalhar para um dia ter o meu nome numa daquelas lombadas.

28
Dez16

Mãe, estou na revista!

Carolina

Estou de volta, depois do furacão natalício e sua consequente ressaca, que me fez dormir durante uma tarde inteira como já não dormia desde o meu primeiro ano de faculdade, quando parecia ter sido ferrada pela mosca tse-tse. Espero que esse Natal tenha sido bom, que o Pai Natal tenha sido generoso e que as férias (se for o vosso caso) vos estejam a saber pela vida, porque por aqui trabalha-se e eu já tenho uma série de posts programados para sair. Preparem-se para uma avalanche de balanços, reflexões e coisas que tais sobre 2016, porque o meu cérebro já não aguenta conter isto por muito mais tempo.

Mas adiante. Para já, quero contar-vos uma novidade boa! Há uns meses recebi um convite da revista "I Like This" para escrever um artigo de opinião sobre a Finlândia, o país que ia ser alvo da 15ª edição desta revista trimestral. Admito que não a conhecia, mas fui pesquisar e aceitei prontamente o convite - porque se gosto de escrever só por si, escrever sobre viagens é um autêntico bónus. Avisei à partida que não tinha estado muito tempo na Finlândia e que queria ser o mais sincera possível em tudo o que dissesse, porque sempre admiti que este não foi um país que me tenha deixado de queixo caído. Correu tudo bem e tudo o que lá está é a perceção real e verdadeira que tive naquelas poucas horas em solo finlandês.

Escrevi e enviei o artigo e as fotos - e agora voilà, já estão espalhados pelas bancas de todo o país. Não escondo que estou super feliz - o artigo é pequenino, mas é aquilo que há vários anos desejo fazer: escrever para contar e partilhar experiências com os outros. Ver algo meu numa revista tão bonita (que é mesmo, tem capas fantásticas e um design muito apelativo e fácil de ler) aquece-me o coração e faz-me ver que é por aqui o caminho.

Eu já comprei a revista - vou guarda-la com todo o carinho e amor na minha caixa de recordações - e vocês podem fazer o mesmo se tiverem curiosidade sobre a Finlândia. Caso contrário (ou caso simplesmente queiram ler o que lá escrevi) podem clicar aqui.

 

Obrigada à I Like This pelo convite!

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21
Dez16

Como eu blogo (ou como os blogs podem ser importantes na vida de alguém)

Carolina

Não sei se já repararam mas hoje - e pelos próximos dias - a minha fronha está na página dos Blogs do Sapo, com a rúbrica "como eu blogo" (sei que há fronhas melhores, mas foi o que se arranjou...). Foi com muita alegria que recebi o convite da equipa do batráquio para responder àquelas cinco perguntinhas e, como não podia deixar de ser, aceitei de imediato. Trabalho com o Sapo Blogs há quase oito anos e tenho um orgulho imenso por todos os meus blogs estarem alojados numa plataforma portuguesa, que promove os blogs que alberga e trabalha diariamente para melhorar - mesmo com dificuldades, que sei que existem. 

Ainda hoje fico seriamente comovida quando ainda se lembram do nome do meu primeiro blog e das várias fases da minha vida, resumindo-ma em poucas linhas e de diferentes perspetivas. É algo muito pessoal entregarmo-nos por completo a um projeto e partilhar as nossas vidas com desconhecidos; tem coisas más mas, de vez em quando, há uns bombons que compensam tudo o resto. Há qualquer coisa de mágico e ao mesmo tempo estranho em existir alguém que nós nunca vimos na vida mas que conhece a nossa história, o nosso percurso e a nossa forma de ser apenas porque nos lê.

Tenho 21 anos e, por isso, acho que é razoável dizer que um percurso de quase 8 anos no mundo dos blogs é algo significativo: no fundo, é pouco menos de metade da minha vida. Cresci aqui, a ler e a escrever, e percebi muitas coisas essenciais para a minha vida enquanto teclava nesta plataforma. Acima de tudo, percebi que amo escrever e que essa tem de ser uma das linhas condutoras da minha vida - e no momento em que percebi isso, dei uma volta de 180º. O blog assumiu uma importância na minha vida que ultrapassa o hobbie mas que, felizmente, também não chega a ser trabalho: é um limbo, um meio para atingir um fim e, acima de tudo, uma forma de fazer aquilo que mais amo e ter a sorte de ter alguém com a paciência suficiente para me ler.

Desde 2009 que faço publicações e escrevo diariamente; já pensei muitas vezes em desistir e mandar isto para as urtigas, já mudei várias vezes de blog e de conceito e sinto que finalmente cheguei a águas calmas e a uma fase em que me sinto feliz e confortável da forma como estou. O Entre Parêntesis tem cinco anos e meio e é um resumo de uma fase de enorme mudança para mim e do caminho para um sonho. Os passos para lá chegar dou-os aqui, todos os dias, com os muitos textos que escrevo - e que espero continuar, porque há um longo caminho a percorrer.

Em resumo, sinto-me lisonjeadíssima e muito feliz pelo convite do Sapo e queria apenas demonstrar que tudo isto que aqui vêem e lêem não é um pormenor na minha vida, mas algo que tem uma dimensão significativa e muito importante para mim. Podem ler a rubrica aqui

 

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Obrigada ao Sapo pelo convite e por todos estes anos de "parceria"!

 

06
Ago16

Parabéns, blog fofinho!

Carolina

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Foi há cinco anos que criei esta nova casa para os meus textos, devaneios, opiniões e coisas parvas. Pode não parecer muito, pode parecer fácil, mas às vezes não é. Manter um blog diário é difícil, exige trabalho, dedicação e tempo - e embora eu nem sempre consiga dedicar-lhe tudo o que quero e que ele merece, tenho dado o meu melhor e estou satisfeita com estes cinco anos de "casa".

Lembro-me que festejei os três anos do Entre Parêntesis quase de luto, por causa da minha avó. Os quatro anos celebraram-se no decorrer de um verão complicado e depois de um período de euforia total na faculdade: a representação de um "arrefecimento" abrupto e de algum desapontamento. Já este aniversário representa mais uma reviravolta que está para chegar na minha vida e um esforço muito grande da minha parte para fazer deste último verão "grande" algo memorável.

Não deixa de ser giro pensar que, quando me "mudei" para aqui, estava ainda no secundário e no vai-não-vai para mudar de curso e no meio de uma crise existencial épica. Agora, quase licenciada, estou a menos de um mês de ir trabalhar e entrar no mundo dos crescidos. É estranho mas tão bom ao mesmo tempo saber que há algo - ao longo destes 1827 dias - que é constante, uma linha condutora entre os tempos e todas as decisões e ações que tive. Essa linha condutora é este blog, porque está tudo aqui: os medos, os pensamentos, as tomadas de decisão, as dores, as alegrias, as tristezas, as vitórias e as derrotas.

Sou a mesma Carolina, só cinco anos mais velha, mais crescida, mais madura, mais experiente e mais certa das suas escolhas. E, espero, que melhor escritora do que era em 2011! E é assim que quero que isto continue a ser: a mesma Carolina, mas em constante evolução. Porque se há algo que aprendi durante estes anos é que podemos mudar, evoluir e crescer, e mesmo assim continuar a sermos fiéis a nós mesmos.

 

Que sejam os primeiros 5 anos de um "vida" longa :)

 

17
Abr16

Tanta coisa para escrever, tão pouco tempo para o fazer

Carolina

Arrisco em dizer que nunca a minha agenda teve tantos títulos de posts acumulados. O trabalho é um terreno fértil para ter ideias de escrita - só não ajuda em ter tempo para as escrever e desenvolver (e não, não consigo escrever em pleno trabalho - mesmo nos dias com menos coisas para fazer, sinto-me sempre observada e sem privacidade para escrever com a paz que preciso). 

Entre acordar, tomar o pequeno-almoço, ir para o trabalho, voltar para almoçar e regressar ao escritório, voltar de novo para casa ao fim da tarde, empacotar as coisas para ir para o ginásio, voltar para jantar e tomar banho... não sobra muito tempo de qualidade em frente ao computador para escrever - e também não sobra vontade, porque estar no computador é o que já faço o dia inteiro. Normalmente só mesmo depois de jantar mas, para além da falta de vontade, a necessidade de dormir decentemente tem falado mais alto e feito com que me deite a horas que fazem envergonhar qualquer jovem de 21 anos. Mas a verdade é que só assim é que consigo enfrentar o dia seguinte com força, energia e boa disposição - caso contrário, chego ao fim da tarde a arrastar-me pelos cantos.

Quando o estágio acabar vou querer fazer uma desintoxicação de computador, porque só agora é que percebo o quão mal é que isto me faz (e estou muito agradecida por, há uns ano atrás, ter mudado de ideias quanto a ir para engenharia informática - acho que, com o cansaço que o computador me provoca, não me ia safar muito bem nessa profissão). Ainda assim, e porque sinto que a minha cabeça é um autêntico viveiro de textos que "falam" uns por cima dos outros de forma incessante, vou tentar, nos próximos dias, riscar uns quantos temas pendentes que estão à espera de serem escritos há demasiado tempo. 

29
Mar16

Os meus textos grandes

Carolina

Não gosto muito de misturar o mundo real com o virtual, por isso evito falar do que aqui escrevo ou estabelecer comparações. É por isso raríssimo perguntar a alguém se leu determinado texto do meu blog - mas em alguns casos, principalmente com pessoais mais próximas, normalmente com textos ou temas que lhes dizem respeito, por vezes pergunto se leram esta ou aquela publicação. E a resposta é muitas vezes (neste e noutros casos): "ainda não li, é muito grande, não tive tempo". E aquele "é muito grande" fica ali no meu ouvido, a remoer e a remoer até eventualmente me passar a neura que esta afirmação acaba por me provocar. Porque eu fico fula quando me dizem que tenho textos grandes.

Eu escrevo. "Escrevo". Num blog; escrevo textos, escrevo opiniões, escrevo críticas, escrevo pensamentos. Eu não "tweeto", eu não faço estados no facebook, eu não faço vídeos e vlogs, não comunico através de fotos - eu escrevo. E a única forma de escrever... é escrevendo. Há que fundamentar, contextualizar e argumentar: e, para o bem e para o mal, isso exige que as palavras rolem sobre a tela, porque não há outra forma de fazer com que as coisas se expliquem. 

Eu sei que vivemos na era dos tweets que não ultrapassam os 140 caracteres; no tempo dos soundbites, dos estados do facebook onde a brevidade das palavras é quase obrigatória caso queiramos que alguém leia o que escrevemos. Vivemos no tempo dos pitchs de três minutos e das infografias (porque preferimos ver imagens, como os meninos pequeninos, do que ler o que quer que seja e perceber as coisas a fundo). Vivemos no tempo dos vídeos de 15 segundos do instagram e nas micro-receitas deliciosas em páginas giras do facebook. Vivemos no tempo em que os insights nos dizem que as imagens e os vídeos resultam melhor do que textos ou atualização de estados - e por isso prolongamos isto, esta desconcentração e falta de interesse crescente em tudo o que é mais profundo. O superficial é bom. O superficial basta.

Mas eu, como escrevo, contrario isso. A superfície não me chega - assim como não me chegam os estados no facebook, os vídeos, as imagens, os pitchs ou as infografias. Eu quero a superfície e a profundidade; quero ler, pensar e escrever. E, claro, gostava que o fizessem comigo - mas aceito o facto de o meu público ser cada vez mais pequeno: porque não há paciência, não há tempo e, acima de tudo, não há vontade. Os meus textos são grandes.

Desculpem se acho que ainda há ideias e pensamentos que não se transmitem apenas com um tweet.

17
Mar16

Querem receber os meus posts no vosso email?

Carolina

Este é mais um post que devia ter saído a semana passada. Eu sei, sou uma vergonha. Mas cá vai disto.

Mais uma vez, a equipa do SAPO inovou e trouxe para os blogs mais uma funcionalidade absolutamente espetacular, que pode dar jeito - principalmente - para os mais esquecidos. Agora podem receber nos vossos emails uma espécie de "newsletter" do blog, onde podem ler os posts que publico. Recebem, no máximo, um email por dia; no mínimo recebem zero, nos dias em que não escrevo. Não é uma newsletter comum, cheia de floreados, publicidade e coisas que tais - tem uma parte dos posts que foram escritos e pouco mais, só mesmo como "reminder" de que há posts aqui há espera da vossa leitura. 

Esta funcionalidade é óptima para quem lê os blogs nos blogs (ou seja: não usa o facebook, o feedly ou outro mecanismo qualquer para ler blogs ou para ser "lembrado" de que eles existem), porque muitas vezes há alguns que ficam esquecidos na nossa "ronda" diária. Por outro lado, para blogs que não publicam com frequência (que não é o meu caso, mas pode ser o de outros), é uma forma de não passarem a vida a visita-los sem novos conteúdos, ficando sempre alerta para quando um post novo é publicado. É ou não é óptimo?

É por estas e por outras que toda eu sou SAPO, que visto a camisola a 100%, que torço tanto por esta equipa e por esta plataforma e que as defendo com unhas e dentes. Já não sou entendida em matéria de outras plataformas blogosféricas, porque há muitos anos que não trabalho fora do SAPO - ainda assim, acho que é nosso dever apoiar o que é português, ainda para mais quando tudo é tão bem feito, com tanto empenho, dedicação e abertura para fazer sempre mais, muito mais. Não há outra plataforma que ofereça um serviço de ajuda tão rápido, simpático e eficaz como este, apenas com um simples comentário num dos blogs da equipa; não há outra equipa que esteja sempre atenta aos blogs da sua "rede", que comente nos momentos chave, que dê apoio quando é preciso, que promova a ligação entre os seus usuários. Se pudesse, dava os meus parabéns e obrigado todos os dias a quem faz isto acontecer. Porque são de facto incríveis.

E agora já sabem - é só escrever o email ali no espacinho da barra lateral! Não se preocupem que os vossos emails não são visíveis por ninguém - nem sequer por mim, que fico aqui a morrer de curiosidade! Espero que gostem e desfrutem!

01
Mar16

Os nossos contextos e os contextos dos outros

Carolina

Acho que todos os meus amigos sabem que uma das melhores formas de me irritar é ler os textos que aqui escrevo em voz alta. É algo que não suporto. Faz-me uma confusão tremenda ouvir aquilo que escrevi (e, no fundo, "ouvi" com a minha própria voz "interior") na boca de outra pessoa, sem todas as paragens e significados que atribuo a cada texto que escrevo. Acho sempre que os meus textos estão horríveis, mal escritos, que a coerência ao nível do som das palavras (se é que isto faz sentido) é terrível, que - dada a forma como são lidos - a pontuação está mal aplicada. Enfim, uma série de tragédias e defeitos sem fim. 

Mas a verdade é que, quem escreve, tem de aceitar isto. A minha mãe sempre me disse que "um livro não é só um livro, são muitos - tantos quantos as pessoas que o lêem" e isso é algo com que o escritor tem que viver; perceber que nem tudo o que escrevemos é interpretado da forma que desejaríamos e intencionávamos, que isso depende do contexto em que cada um vive, do humor com que está no momento em que lê as coisas.

Às vezes irrito-me e fico um pouco magoada com as coisas que dizem nos comentários. Alguns com clara intenção de ofender, outros simplesmente com opiniões contrárias às minhas mas que têm muitas vezes o objetivo de combater algo que eu nem sequer disse. Assumem-se demasiadas coisas, tiram-se conclusões erradas de coisas que digo - e isso, num "bolo total", dá toda uma percepção errada daquilo que queria dizer, da mensagem que queria transmitir. 

A verdade é que também eu escrevo no meu próprio contexto - quando "escrevo" os textos na minha cabeça, antes de os passar para aqui, já estou a tomar como adquiridos muitos factos que já fazem parte de mim mas que o cidadão comum (ou, na verdade, qualquer cidadão) não sabe. Aquilo que me parece mais que óbvio e contextualizado é, muitas vezes, quase um insulto para uma outra pessoa que lê e vê tudo isto de uma outra perspectiva e contexto qualquer.

No fundo, acho que cada um lê o que quer. E não podemos fazer muito para além de aceitar - porque por muito que escrevamos, contextualizemos e expliquemos... cada um continua a ter a sua verdade, a sua vida e os seus próprios contextos. E, esses, nós nunca vamos poder mudar.

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