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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

06
Out17

O meu jardim zoológico de sonho já é quase uma realidade

Carolina

Passo a vida a dizer aos meus pais, em tom de brincadeira, que um dia (“quando for grande”) vou ter um burro, uma cabra, um porco e uma alpaca. De vez em quando lembro-me de juntar um outro animal à lista – acho que a girafa já fez parte, assim como uma vaca – mas este é o núcleo duro do meu “futuro” grupo animal.

Que dizer…? Tenho uma panca. Gosto muito de animais e como sempre achei que ia viver sozinha quando fosse mais velha, sem marido e sem filhos, começou-se a afigurar uma boa ideia ter uns animais de companhia para além dos cães e dos gatos (sim, porque para além daqueles bichos ainda quero um daqueles gatos sem pêlo que toda a gente detesta e eu adoro).

Tudo começou com o porquinho: há anos que adoro aqueles porquinhos-anões, que dormem em casa e que agem quase como cães domésticos (lembram-se deste instagram que um dia mostrei aqui?). Depois foi o burrinho – adoro burros, são dos meus animais preferidos e sinto-me sempre mal por se chamarem “burros” quando, na verdade, disso têm pouco. Sempre adorei cabras e o facto de serem todas espevitadas e irreverentes; já a alpaca… nem me lembro bem como surgiu, mas foi uma paixão à primeira vista.

Os meus pais passam a vida a revirar os olhos, dizendo que vou tornar esta casa num jardim zoológico. Eu rio-me com a perspectiva, embora saiba que não se vai tornar realidade (ok, talvez o burro...) – tenho pouco tempo para cuidar dos animais e conviver com eles, eles dão trabalho e encargos e eu sei que se um dia tivesse uma cabra ou um porco, nunca mais comeria este tipo de carnes, o que não é algo que (para já) esteja nos meus planos.

Mas, apesar de tudo, esta é uma conversa recorrente aqui em casa. Basta ver um burro na televisão para ficar toda derretida, quase que a pedir um burrinho como prenda de Natal, e isto tem originado uma série de prendas curiosas por parte da minha família. A primeira foi um “porco”, precisamente na quadra natalícia. “É uma coisa que queres muito!”, diziam-me. Abro, curiosa, o presente disforme e sai-me de lá um porco de peluche. “Não passas a vida a dizer que queres um porco como prenda?!”, responderam perante o meu olhar confuso.

Depois, como se um porco não fosse suficiente, ainda me deram outro. E, por fim, como não podia deixar de ser… um burro. Ou seja: o meu zoológico está quase a tornar-se realidade, mas em versão peluche. Por isso, se um dia virem algures no meu quarto animais fofos e peludos, não se assustem: primeiro porque não são reais, segundo porque eu sei que já não tenho idade para brincar com estas coisas. Percebam que é só o começo da minha quintinha, patrocinado pela minha família, sempre atenta aos meus pedidos-animais.

25
Set17

Sim, os meus cães são mais famosos que eu nas redes sociais

Carolina

Eu tenho mais fotos dos meus cães do que aquilo que seria considerado "normal". Passo muito tempo com eles e acaba por ser uma boa desculpa para treinar a fotografia, dar uso às objetivas e dar uns disparos. Mas acabo por ter centenas e centenas de fotos deles que depois não sei muito bem que fim dar ou como organizar. Não as vou imprimir - embora os adore, acho que não faz sentido ter o quarto cheio de molduras com fotografias deles -, não as vou mandar para ninguém e também não tenho grandes descrições para os arquivos como "Molly no cruzeiro ao Adriático", "Calvin no Natal de 2016" ou "Cães nas férias de verão". No fundo, não tenho grande hipótese senão dividir isto por meses e enfiar para lá as fotos que tenho (mais as milhares que tenho desorganizadas no telemóvel...).

E há uns meses, enquanto divagava pelo instagram, encontrei uma página que era uma espécie de best of de fotografias que outros utilizadores postavam dos seus bracos (raça da Molly e do Calvin). Comecei a embrenhar-me nesse mundo, a pôr likes em tudo quanto era cão fofo e, a certa altura, o meu feed tinha mais cães que pessoas. Confesso que não me importo muito, mas achei aquilo um bocado confuso e dada a quantidade absurda de fotos que tenho dos meus cães, perguntei-me: "porque não?". E assim nasceu o instagram da Molly e do Calvin.

É lógico que não coloco lá todaaas as fotos que tenho deles, mas sempre ajuda a dar alguma utilidade às fotos, em vez de ficarem somente guardadas no meu computador, a apanhar pó e sem ver a luz do dia. Na verdade – e sei que estou a puxar a brasa à minha sardinha em todos os sentidos – há fotos bem giras, fofas e de-vez-em-quando-meio-artísticas que acho que vale a pena partilhar.

Por isso, se gostarem de cães, já sabem – sigam-nos em @mollyandcalvin. Se não gostam e acham ridículo o facto dos meus cães terem um instagram em nome próprio (onde inclusivamente falam na primeira pessoa), os meus parabéns: são pessoas realmente sãs e com juízo. Felizmente que não é o meu caso :p

 

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13
Jun17

Livros e animais: por uma causa solidária

Carolina

Já há algum tempo que deixei totalmente de seguir no facebook páginas relacionadas com instituições animais, veterinários, associações de salvamento, acolhimento e etc. Isto porque me sinto perfeitamente incapaz de ajudar - não posso adotar mais bichos e sinto-me pessimamente em ajudar umas instituições e não ajudar outras (embora, nas recolhas de comida nos hipermercados e assim dê sempre alguma coisa). Depois vejo aqueles vídeos de salvamento, fotos de animais completamente maltratados, mal nutridos, vítimas de agressão e, em alguns casos, cheguei a ficar com o dia estragado, a chorar baba e ranho por causa daquilo. Por isso decidi não ver mais nada dessas coisas, salvaguardando-me, e tentando sempre ajudar como posso.

Proporcionarei a todos os animais que viverem comigo a melhor vida que lhes puder dar - e sei que são todos muito felizes aqui em casa - mas fora da minha zona de ação sinto-me um pouco com as mãos atadas. Mas, podendo ajudar, melhor. E chegou-me ao email um leilão solidário, onde vários autores portugueses quiseram contribuir, que reverte a favor da Associação Animais de Rua. Ou seja: ao comprarem (ou, para já, licitarem) um livro que estará autografado, ainda ajudam uma instituição ligada à causa animal. É a ligação de dois mundos perfeitos, não é?

No meio da lista de mais de cem livros encontram-se autores como Afonso Cruz, Mário de Carvalho, José Luís Peixoto, Richard Zimler e Miguel Esteves Cardoso. As licitações ainda não estão assim tão altas, muitas delas abaixo do preço de compra dos livros em livrarias, sendo que aqui ainda têm o toque especial do autógrafo! É aproveitar para juntar o útil ao agradável =)

Podem ver todos os livros e licitar aqui, no facebook da Animais de Rua.

22
Abr17

Hoje a família cresceu

Carolina

Este acrescento à família já estava a ser pensado há muito e planeado em concreto há cerca de um mês - mas preferi não falar até o ter em casa, porque havia muitos "mas" e "se's" que precisavam de ser ultrapassados. E, acima de tudo, haviam medos que se relacionavam maioritariamente com a reação do outros cães aos mais recente membro (em particular a Molly, que conviverá mais com ele, e o Tomé, que não gosta de invasões no seu território).

Hoje, depois de quase três horas de carro, já o tínhamos nos braços e ficamos, como sempre, enamorados. Ainda é muito pequenino, dorme muito, mas já se nota o espírito brincalhão e reguila que lhe corre nas veias. A Molly já o acolheu e está sempre preocupada com o estado daquele que deve pensar que é o seu novo rebento - mas está estranha e eu estou preocupada com o facto de ela sentir que a atenção que eu lhe dava passou para ele (que não é verdade, hoje tentei sempre estar ao lado dela, mas nesta fase inicial é praticamente inevitável ter os dois olhos e pelo menos uma mão em cima do outro). A minha relação com esta cadela é qualquer coisa de especial e um dos meus medos era precisamente que a minha relação com ela mudasse pela introdução de um novo elemento: mas enfim, vamos indo e vamos vendo. Acho que, neste momento, ela está numa relação de amor-ódio com o cão (sim, é menino): por um lado, trata dele como se fosse sua mãe e já o protege dos outros cães; por outro, nota-se o ciúme e tem medo que ele ocupe o seu lugar (por exemplo com a comida, que hoje ia valendo uma mordidela ao pequenote).

O bebé ainda não tem um nome 100% definido (deve ser Charlie) e neste momento é o alvo de todos os olhares e preocupações aqui em casa. A introdução com os outros cães está a ser feita aos pouquinhos e assim terá de ser no futuro próximo, acima de tudo com muita paciência. Todas as outras "lutas territoriais" vão sendo ajustadas ao longo do tempo, esperemos que sem danos para nenhuma das partes. Nesta fase uma pessoa fica sempre com o coração nas mãos e todos os cuidados são poucos.

Nestes momentos o coração cresce e parece ter sempre espaço para mais um, não diminuindo o amor que se tem pelos outros - e essa capacidade que nós temos é mesmo incrível. Deixo as fotos do primeiro dia de "casa" do caçula da família.

 

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27
Jun16

Em dia de São João nem tudo é festa

Carolina

O meu São João não foi feliz nem triste; foi simplesmente normal (e este "normal" inclui sempre o stress e o trabalho de quem organiza este tipo de festas todos os anos). Já lá vai o tempo da festança até altas horas da manhã, das guitarradas, dos saltos para a piscina à meia noite - e sim, estou velha e saudosista.
Mas, honestamente, o meu São João foi marcado por um "evento" ainda antes da festa começar. Tinha ido ao supermercado para fazer umas compras de ultima hora com a minha irmã e a minha sobrinha e, à vinda para casa, a minha irmã grita que estava um cão a ser atropelado no meio da rua. Eu não vi, estava fora do meu ângulo de visão, mas os gritos da dona faziam-se ouvir para todos aqueles que não fossem surdos.
Para que conste, a culpa não foi do condutor do carro, que pelos vistos nem se apercebeu do que tinha feito (só com o estado de choque da dona é que caiu em si): o cão estava sem trela num passeio pequeno e, provavelmente assustado com algo que veio do lado das casas, saltou para o meio da rua e foi atropelado. Independentemente das culpas, estas situações mexem comigo; pedi à minha irmã para parar o carro para ver no que podia ajudar. Fui ter com a dona, uma rapariga mais nova que eu que estava em estado de choque, num pranto sem fim. Tentei acalma-la e percebi que o cão, aterrorizado, fugiu dali (mesmo com a para da frente praticamente ao dependuro). Não me perguntem como nem porquê, mas larguei a dona e fui numa correria desenfreada atrás do cão - a minha irmã ia no carro, num pára arranca e dentro e fora, tentando acompanhar-me e ajudando-me a apanhar o bicho. Corri umas centenas de metros até conseguir apanha-lo, no meio da rua, mas felizmente numa zona menos movimentada. O cão, que não me conhecia e estava cheio de medo, quando viu que o prendi acabou por me morder - mas as forças que lhe restavam não eram muitas, pelo que cedeu, vendo que não o largava.
Entretanto a minha irmã voltou para trás, foi buscar a dona e esperamos pela mãe dela, que espero que tenha levado o bichinho ao veterinário. A pata da frente estava em mau estado, com osso de fora e carne demasiado exposta, mas estou em crer que mesmo amputado o cão vai conseguir ter uma vida feliz (porque, apesar de não estar eximiamente tratado e da falta de sangue frio da dona, via-se que ela gostava dele).
Cheguei a casa com as pernas a tremer como varas verdes (tanto da adrenalina como do sprint que fiz é que não consta das minhas abolisses normais) e os braços ensanguentados, mas com a sensação de dever cumprido e consciência tranquila. Pode não ter sido o melhor São João de todos os tempos, mas não há nada que pague a sensação de dormirmos de consciência limpa.

(E, por favor, não andem com cães na rua sem trela!)

29
Mai16

Acabei de descobrir o meu instagram favorito

Carolina

Quem me conhece sabe que eu adoro porquinhos anões e que gostava imenso de ter um de estimação. As pessoas acham que os porcos são necessariamente animais de quinta e é mentira: conseguem ser limpos, ter uma vida doméstica normal e, para além disso, são super inteligentes. E, claro, já não estou a falar da grande evidência: são só a coisa MAIS FOFA deste mundo e do outro.

À custa disto já tenho dois porquinhos de peluche algures pelo meu quarto. De tanto pedir um porquinho de estimação, a minha mãe e irmã - já por duas vezes! - me presentearam com porcos no Natal. Esqueceram-se do facto de que aqueles que me deram eram de peluche, mas esse é um pormenor que não interessa nada, não é verdade?

Mas bem: hoje, enquanto recuperava da minha gripe e passeava pelo instagram, fui ver o que estava "trending" e dei de caras com o melhor e mais fofo instagram de sempre. Já estão a ver o que é, não já? Passo-vos então a apresentar o instagram do "Paddington, The Pig", um porquinho anão de seis meses que "publica" fotos e vídeos diariamente (para meu delírio).

Passei a hora seguinte a ver a rever as fotos e os vídeos dele e a não acreditar como é que há coisas tão fofas neste mundo. Ainda por cima a dona veste-o, dá passeios na rua com ele e filma-o a brincar na sua piscina de bolas, a ressonar ou a adormecer enquanto ela lhe faz festinhas na barriga. A sério, isto é demasiado para o meu coração. (e a forma dele andar??? não se aguenta!)

 

 

25
Jan16

Os gatos sem pêlo

Carolina

Lembro-me bem de, há uns bons anos, me terem falado dos "gatos sem pêlo". Fui pesquisar  no Google e, como 95% da população, fiz cara de poucos amigos para aqueles gatos tão pouco convencionais. Passei assim uns bons anos, a torcer o nariz sempre que me falavam desses bichos (que não eram muitas vezes, diga-se).

Entretanto, a Margarida (um beijinho!) adotou um e, lentamente, eu fui mudando a minha opinião. Lembro-me de ela ter feito um post em que dizia que ia adotar um bichano destes e eu até ter dito, muito sinceramente, que não achava a mínima piada. Mas depois, ao ir vendo fotos e mais fotos que ela ia partilhando, acabei por ficar encantada. É caso para dizer: "primeiro estranha-se, depois entranha-se". Parecem ser gatos super dóceis e dados aos donos, brincalhões quando têm de ser; e têm os bebés mais fofos de todo o sempre! Tudo aquilo que via de mau nos gatos, passou a ser bom: já não me parecem ratos sem pêlo, as ruguinhas no focinho já não me fazem impressão, a suposta falta de pêlo também não me aflige. Apaixonei-me mesmo por estes eles - infelizmente o mesmo não se pode dizer da minha família, que contínua com os olhos inadaptados para a beleza destes gatos.

De qualquer das formas, para já, eles não têm com que se preocupar: neste momento não quero ter mais animais e tenho sempre muito medo que os meus cães façam mal aos gatos; mas um dia, mesmo que seja longuínquo e que ainda demore algum tempo a lá chegar, posso garantir que o próximo gato que tiver vai ser um Sphynx. Podem acha-los feios, uns ratos, uns abortos... o que quiserem. Eu cá acho-os lindos e fofos, com a vantagem que não têm tanto pêlo para largar e me fazer alergias. Melhor é impossível.

Um dia há de ser o dia.

 

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17
Jul15

Tobias, o gato livre

Carolina

Depois de ter passado a fase inicial e de estar no quintal durante algum tempo, o Tobias veio viver para dentro de casa. Era ronha, brincadeira, mimo e muito pêlo espalhado por todas as divisões; toda a gente adora o gato, ele é um mimalho que só visto, mas acabei por ser eu - que inicialmente o quis acolher - a ter de o pôr fora de novo.

À medida que os dias passavam, eu ia ficando com cada vez mais comichão nos olhos e vontade de espirrar. Como cereja no topo do bolo, comecei a desenvolver-lhe uma alergia (tal como acontece com a Molly) verdadeiramente fulminante onde, em poucos segundos, a minha pele se transforma em milhares de bolhinhas vermelhas que me dão comichão até aos ossos. A situação era insustentável e lá teve de voltar ele ao seu poiso original.

Depois disso, andou uns tempos desaparecido, embora o visse muitas vezes a apanhar sol, do lado de lá da rede (a sua parte do reino, fora do perigo dos cães). Mas ultimamente invadiu de novo a casa, passando pelos cães com ar de "não tô nem aí"  e esparramando-se na mansarda, uma zona fechada que temos colada à sala, ao ar livre, onde almoçamos e passamos alguns serões sem termos os cães constantemente à nossa volta. Moral da história: estabeleceu-se ali. Tem tudo o que quer: o conforto de almofadas, cadeiras, sofás. Comida e bebida. Sol, paz e refúgio dos cães. E, não menos importante, basta miar para ter alguém a saber o quê que o lorde necessita, uma vez que está sempre gente na sala. 

Tomei a liberdade de o proclamar "Tobias, o gato livre", porque apesar de mimalho e um pouco caseiro, também desaparece de quando em vez, mostrando que é dono do seu próprio nariz e que não precisa nem de humanos, nem de comida de saco para viver a sua vidinha de rei. Gosto dele assim.

 

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(estão a ver uma mancha preta e branca a andar, literalmente, sobre a piscina? é a versão Tobias-o-aventureiro)

 

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29
Jun15

O filho da... Fruta do grilo!

Carolina

Então e como estão a correr as férias? Muito bem, muito obrigada! Tudo corre às mil maravilhas com a excepção das noites, tendo em conta que não tenho conseguido dormir nada de jeito. Ou é o calor, ou a sede, ou as almofadas ou... O grilo.

O filho da mãe do grilo anda por estas bandas desde o primeiro dia que cá cheguei. Só dá sinais de vida à noite mas nunca, nunca, nunca se cala até ao sol começar a nascer. É suposto os quartos serem insonorizados (que são, não ouço nada de uns quartos para os outros), mas a porta que dá para o corredor é sempre uma questão sensível, ouve-se sempre qualquer coisita. Mas as pessoas, as crianças e os passos bem que se aguentam... Mas sobre um grilo que canta ininterruptamente durante oito horas a fio, já não se pode dizer o mesmo.

Há duas noites acordei cheia de calor e, quando me apercebi da barulheira tremenda, não consegui adormecer. Eram cinco da manhã, eu estava super moída da praia que tinha feito no dia anterior, mas sem conseguir pregar olho à custa do bicho! Só às sete horas, quando o sol nasceu, é que se calou - e a essa hora já estava eu pronta para fazer uma caça ao grilo e mata-lo à dentada. Por o hotel ter muito azulejo o som ecoa e, embora ele esteja algures no corredor (a minha mãe comprovou, que ontem ficou irritada de tal forma que foi à procura dele, em pijama, a meio da noite), parece que está mesmo junto aos nossos ouvidos. Calculo que isto fosse usado nos tempos medievais, estilo tortura, porque é tão alto e tão ritmado que nenhuma alma consegue adormecer com aquilo!

Agora o truque é ligar o ar condicionado (barulhento) e tentar adormecer o mais rápido possível, antes que comece a sinfonia. Ninguém merece!

01
Mai15

Um ano de Molly

Carolina

Parece que foi ontem que vi aqueles ratinhos em forma de cães em volta da Luna, a mãe. Eram tão pequeninos que até metia impressão pegar-lhes. Eram todos demasiado fofos - tão fofos que só apetecia comer e estrafegar com beijos e mimos bons. Mal eu sabia, nessa altura, que um daqueles cãezinhos iria ser meu.

Parece até que foi hoje que vi a Molly entrar aqui em casa, dentro de um saco de papel e um lacinho vermelho ao pescoço, em forma de prenda de anos da minha mãe. Mal toda a gente sabia que aquela tinha sido a melhor prenda do mundo, não para a aniversariante, mas sim para mim.

Ainda me lembro da primeira noite que passei com ela, quase metida na minha cama; do drama que foi introduzi-la na matilha, uma vez que o Tomé tinha uma vontade louca de a comer de um só trago; da diferença de tamanho grotesca entre ela, com dois meses, e os outros cães; da primeira noite em que dormiu aqui dentro de casa, completamente enroscada em duas mantas onde a embrulhei para parar de tremer de frio. Foi o primeiro cão que conquistou lugar aqui dentro de casa, mas desde o início que conquistou os nossos corações. Tenho uma relação com ela que não tenho, nem nunca tive, com mais nenhum cão - talvez porque ache que tudo aquilo que sinto por ela é recíproco. Ela mima-me quando eu preciso, eu faço-lhe o mesmo; ela é chata quando quer alguma coisa, mas eu também sou chata quando quero que ele faça o que quer que seja; ela tem a mania que manda, e eu mostro-lhe que quem manda sou eu. Mas, dentro das nossas grandes diferenças, completamo-nos. Acho que somos quase feitas uma para a outra. 

Como prenda de anos antecipada, a semana passada esqueci os trabalhos, o programa, os computadores, as internets e os telemóveis e levei-a à praia pela primeira vez. Todos aqueles passeios e treinos tinham esse grande objetivo: começar a leva-la de carro a alguns sítios para nos passearmos uma à outra. Para primeira experiência correu bem. Fomos para uma praia com pouca gente e ficamos lá meia hora. Não estranhou a areia nem tentou meter-se na água; no passeio portou-se lindamente, com excepção dos momentos em que via outros cães ou mirava os pássaros para caçar (o que é um problema porque eu não reparo neles e não estou à espera do puxão que ela me dá). Nunca a soltei da trela, com medo que ela fugisse ou se metesse com outros cães, mas estamos num bom caminho. Acho que foi a melhor prenda de aniversário que ela podia ter tido.

Em suma, há um ano tinha acabado de nascer uma das minhas melhores amigas. Parabéns Guacamolly*!

 

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*um nome fofinho que eu lhe chamo, num trocadilho entre o prato "guacamole" e o seu nome, Molly

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