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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

06
Fev17

O álcool e a sua micro cultura do demónio

Carolina

Penso muitas vezes em como é engraçado algumas ruas terem quase uma cultura própria. Por exemplo, na minha cidade há uma mini avenida onde se tornou hábito toda a gente estacionar em segunda fila; mal passa um carro pelo meio, mas quase ninguém reclama, porque já faz parte. Aliás, chega ao ponto de muitos já nem estacionarem nos lugares assinalados mas sim em segunda fila, porque sabem que mais cedo ou mais tarde vai ficar entalados por outros iguais a eles. E podia dar este como outros exemplos, porque isto acontece em todo o lado: há hábitos que se criam por repetição e que ficam, mesmo que saiam da norma e toda a gente veja que está errado.
Isto é a prova de que tudo tem uma cultura própria, mesmo as coisas mais insignificantes. E uma das coisas que mais me irrita na cultura portuguesa é a do álcool: porque se tu não bebes álcool, não és adulta. E eu estou a sentir isso tanto na pele, agora que preciso - e tenho - de me integrar em grupos com pessoas mais velhas... quando almoçamos em qualquer lado, o vinho é um habitué. E, para mim...: água, por favor. E a resposta é sempre um olhar julgador, a maior parte das vezes acompanhados por comentários desnecessários - porque, para umas coisas, temos de ter tento na língua, noutras não. Um dos clássicos é a do "ah, ainda és miúda, isso passa-te!".
Desculpem-me, mas fodasse! Porquê que eu estou a ser julgada e muitas vezes menosprezada por não ter um hábito que comprovadamente faz mal, engorda, nos tira capacidades e nos coloca num estado fora do natural? Porquê que não é aceite que uma pessoa "crescida" não queira tocar em álcool, independentemente das suas razões?
E sim, eu tenho-as, mas não sou obrigada a partilha-las com o mundo. Na verdade são muitas, um conjunto de racionais com emocionais, mas as pessoas esquecem-se inclusivamente que o álcool pode ser uma doença, tratada com extremo tabu, e que pode haver traumas e razões associadas que nos levam a tomar certas posições. Há uma série de coisas que nunca se perguntam, que nunca se põem em causa, principalmente em assuntos relacionados com morte, doenças, sexo, sei lá... mas em relação ao álcool, tenho sempre que frisar nos meus primeiros encontros que não bebo. "Mas prefere branco a tinto?"; "uma cervejinha então?"; "e só vai beber mesmo água?!". Lá está, são estas micro-culturas que vivem dentro de nós sem sequer darmos conta.
Porque eu não bebo álcool, independentemente do tipo ou da ocasião. Nunca bebo, não gosto de ver os outros beber - e sim, vinho inclui-se - e ponho praticamente as minhas mãos no fogo em como não vou consumir álcool até ao fim da minha vida. Até porque acho que estou a ir no sentido contrário ao normal: em vez de amenizar a minha posição em relação a este tipo de tópicos, estou a tender a piorar. Por isso, a única coisa que peço é respeito. Porque se até as ruas têm as suas próprias manhas e culturas, nós temos muito mais - e não há que buzinar só por alguém fazer diferente e gostar de estar sempre na total posse das suas capacidades.

20
Jun14

Sabes que não consomes ou compras álcool e que não estás a dar pelo passar dos anos quando:

Carolina

A tua mãe te pede para ires ao supermercado para comprar (entre outras coisas) vinho de tempero, tu vais à zona da garrafeira, pegas no vinho e depois perguntas a ti própria: "mas eu já posso comprar vinho?".

 

Moral da história: não bebo álcool, não compro álcool, não sei que tenho 19 anos e a prova disso são os meus pensamentos inocentes quando adquiri a minha primeira bebida alcóolica num supermercado. 

 

11
Out13

Vira o disco e toca o mesmo

Carolina

Às vezes pareço um disco riscado, mas não consigo evitar. Há certas coisas que mexem tanto comigo que é mais forte que eu conseguir guarda-las para mim e manter tudo cá dentro. Portanto, aqui vamos nós:

O culto da bebedeira e da "cegueira" faz-me espécie. Porque que fazem questão de tirar fotos quando estão bêbados e depois, quando estão sóbrios, de as postar nas redes sociais? Porquê que fazem questão de dizer que estão de ressaca, como se isso fosse motivo de orgulho? Porque que fazem questão de dizer que não lembram da noite de anterior e de não a conseguirem sequer descrever? Porquê que fazem questão de pedir desculpa por terem feito algo, utilizando o escape de "não estarem muito bem" naquela noite? Porquê? Porquê?

É assim tão fixe beber até cair para o lado? É assim tão fixe mostrarmos que o álcool forra bem o nosso estômago e que a ganza nos tolda suficientemente bem o pensamento? É assim tão fixe esse conceito de diversão que é estar no extremo de tudo o que é - para mim - mau?

Enfim. Hoje, estou feliz por ter aquela veia anti-social de que vos falei ontem. Ao menos não estou no meio deste rebanho de pessoas que, para mim, têm uma série de princípios e prioridades deslocados. Tenho uma certa vergonha do que vejo à minha volta e fico feliz por não me identificar. Isso vai-me sempre custar amigos, conhecidos, pessoas e o rótulo de chata, "mãe", de alguém com "pensamento à antiga", uma "velha" no corpo de uma nova. Mas ao menos sou original. Tenho dito.

29
Jun12

Sou uma "desintegrada"

Carolina

Na noite se S.João fui a única que não fui para a baixa. Apesar de várias pessoas terem exame na segunda-feira seguinte (sendo que o São joão foi num sábado), ninguém se fez de acanhado e foram todos para o meio da multidão e dos martelos.

Eu não me sentia preparada para o exame de geografia e sabia que um dia de estudo podia fazer toda a diferença, pelo que não iria arriscar andar o dia inteiro tipo zombie só por uma noite de (suposta) diversão. E apesar de toda a gente me ter "empurrado" para ir sair, a minha decisão estava mais do que tomada - e não foi difícil de tomar, apesar de ter ficado sozinha só com pessoal à volta dos 50 anos.

A verdade é que eu não gosto mesmo de sair. Chego a sentir-me mal por isto ser uma realidade, porque enquanto jovem sou quase arrastada e empurrada por toda a gente para a baixa, para "me divertir" e "beber um copo". A mãe de uma amiga minha, naquela noite, disse-me mesmo: "eles vêem-se sempre gregos para ires sair com eles".

Chego a lamentar não me divertir naquele tipo de ambientes e a não gostar de álcool. Estar numa enchente de gente, no exterior ou no interior, não me traz prazer. Quando estou na rua, encontro-me rodeada de pessoas, a levar encontrões por todos os lados e, com algum azar, a apanhar com uma bebida de um bêbado em cima; se estou num bar, a conversa torna-se impossível e respirar também, visto que a quantidade de gente é absolutamente inacreditável. Dançar? Não gosto. Álcool para desinibir? Não bebo, porque também não gosto - e ainda há uns tempos tive uma conversa com uma pessoa mais velha, a quem chamaria "desencaminhador". Este defendia que beber álcool faz parte de um culto e de uma convivência; que chegava a parecer mal não beber um copito quando estamos reunidos num grupo de amigos. Que é um factor de integração. A questão é que eu não vou beber algo por ser um factor de integração, de forma a este ou aquele gostarem mais de mim e pensarem que sou uma fixolas. E eu nem sequer preciso de entrar em questão complexas como a do mal que o álcool faz ou coisas parecidas: eu não gosto. E tal como não bebo sumo de laranja, porque não gosto, mesmo sabendo que este faz muito bem porque tem imensa vitamina C, também não bebo álcool, porque não gosto, mesmo sabendo que este é um "factor de integração".

"Aprendes a gostar". Para quê que eu vou aprender a gostar de coisas que, provavelmente, só me farão mal? Porquê que vou fazer o mesmo que todos os outros, se muito do que eles fazem acho errado? Para mim, ver uma pessoa a rir como uma perdida e a não responder a nenhuma das minhas questões convenientemente não tem piada; para mim ver uma pessoa vomitar tem pouco de bonito. Não quero precisar de álcool para me divertir - divirto-me muito sem ele. E portanto não vou aprender a gostar de algo que não preciso.

Não sou fixolas, não gosto de álcool, não gosto de ir para a baixa ou para um bar algures, não gosto da música a altos berros e dispenso lidar com pessoas bêbadas. As vezes que saio, saio pela companhia - e, infelizmente, são raras as vezes que consigo usufruir dela. Porque, das duas, uma: ou estou num bar em que não as ouço ou porque elas estão demasiado empenhadas em "integrar-se", bebendo, tornando impossível uma conversa decente.

 

05
Fev12

"Eu tenho 16 anos e bebo vodka! P.S.: E também sou adolescente"

Carolina

Continuo a dizer que se muitos pais tivessem facebook ficariam muito chocados com as criaturas que tinham em casa. Lá se pode ver, realmente, o verdadeiro espírito adolescente.

Vêem-se vídeos dos meninos (ou meninas) a misturar vodka com coca-cola e quase a virarem-se para a câmara a dizer "põe mais, põe mais" como quem diz "sim, eu bebo vodka, porque já tenho mais de 16 anos". Depois vem a confirmação, quando põem a foto do talão onde compraram a dita 

cuja, só mesmo para não deixar dúvidas: "Vêem, vêem? Os meus 16 anos estão tão bem feitos que eu até já posso comprar vodka no continente mais próximo!".

Eu tinha vergonha.

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