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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

12
Abr17

Sobre os vampiros de meia tigela da blogosfera

Carolina

Se há coisa constante neste blog é a minha sinceridade. Sempre. A questão é que escolho criteriosamente o que digo. E hoje apetece-me dizer uma verdade (que eu já conheço há muito) e que acredito que seja partilhada por muitos dos meus vizinhos do aqui do charco: para mim, estar nos destaques, é esperar que pequenos haters me invadam a casa.

Não me interpretem mal, eu adoro o Sapo, adoro a ideia dos destaques e vou todos os dias lá ver o que se passa de novo - e claro que gosto que alguém ache que aquilo que eu escrevo é bom o suficiente para ser destacado e ser mostrado ao mundo - mas sempre que me apercebo que estou nos destaques vou ler o dito post 30 vezes para corrigir eventuais erros e ver se aquilo não ofende a religião, terra, clube ou crença de ninguém. Mas, ainda assim, o pessoal consegue sempre cair-me em cima. Não sei se o resto das pessoas sente a mesma coisa mas, para mim, sempre que recebo um e-mail a dizer que tenho um comentário é um momento feliz: os comentários são a melhor interação que se pode ter ao nível dos blogs e eu adoro quando os recebo. Mas nestes dias de destaques, sempre que recebo um e-mail (que normalmente começa por "Anónimo deixou um comentário ao post...." - quase sempre anónimos, porque será?!), já estou de pé atrás e sobrolho levantado à espera do pior. Pode ser a coisa mais insignificante de sempre, mas as pessoas não perdem a oportunidade de apontar o dedo; pode ser claramente a falha de uma letra ou um erro de semântica que se entenda perfeitamente, mas tudo é razão para deixar um comentário. Mas não é um comentário qualquer: é dos bons, maldosos como se quer, com aquela pinta de malícia típica de quem é incapaz de dar a cara. Corrigir não está mal, explicar porque está mal também não me apoquenta: tiram-me é do sério pessoas más!

Estou neste mundo há demasiado tempo para ainda não me ter resignado a este fenómeno, eu sei. Mas não me consigo habituar. Eu sei que existem pessoas más, mas penso sempre que aquele estilo que aparece nas novelas é um tanto ao quanto exagerado (planos, aliados, facadas nas costas dos aliados, veneno não sei onde - esse tipo de coisas). Se calhar existem mesmo, mas também não importam, porque estes pequenos atos também contam. É aquele gostinho "bom" de meter veneno numa caixa de comentários e esperar a resposta irada e magoada de quem naquele blog escreve, em busca de mais sangue e mais dentadinhas saborosas, qual vampiro sedento de mais uma vida - ou, pelo menos, de estragar o dia de mais uma vida alheia.

Como continuo a ser sincera, aqui vai disto: só dez por cento dos comentários é que me atingem tal como o seu criador queria. Diria que dentro desses dez, 99,9% são apagados e não têm resposta, porque daqui não levam nada (eu mal respondo a quem gosta de mim e merece o meu tempo, quanto mais a vampirinhos de meia tigela!).

Eu não estou a escrever um livro, um jornal ou uma revista - escrevo num blog, que pretende ser uma coisa descontraída, nos meus tempos livres. No entanto a vida evoluiu desde que o criei, o tempo livre não é tanto, a vontade de estar no computador fora das horas de expediente é cada vez menor e eu cá continuo. Porquê? Primeiro porque adoro este espaço e (apesar de tudo) continuo a adorar a blogosfera; segundo porque tenho gente que me segue e eu não consigo não corresponder às expectativas (e porque me sinto feliz e honrada e "gostada" por ter alguém que perde tempo ao ler os meus desabafos); e terceiro porque adoro escrever, é aquilo que me faz feliz. Mas há fases - esta é uma delas - em que eu tenho de me contrariar para escrever; que quero dormir e, ao invés disso, volto para a frente do computador - onde passei todo o dia - só para "matar o bicho" e não deixar os meus seguidores pendurados.

Eu não escrevo para ser famosa, para ter publicidade, para ganhar dinheiro. Escrevo por tudo menos por isso. Os meus posts raramente tocam em assuntos polémicos (agora, por exemplo, ando cheia de vontade de falar sobre isto das viagens de finalistas e em como tudo isto me deixa cheia de vergonha da minha própria geração, mas até isso evito), não têm click-baits, não representam uma vida cor-de-rosa e cheia de flores e coisas lindas. Ou seja: eu não estou aqui para vender nada a ninguém. Simplesmente escrevo, porque gosto, quero e há quem goste de me ler.

Também escrevo enquanto profissão: e aí sim, tenho total atenção aos erros e gralhas, por pequenos que sejam. Mas aqui - e embora faça tudo o melhor possível, dentro do tempo e vontade que tenho - sempre me permito descontrair mais. Não sinto a necessidade nem a responsabilidade de ter tudo perfeito, porque embora escrever seja uma das coisas que mais gosto nesta vida, também erro (e tenho muito, muito para aprender) - e sei que quem quer perceber, percebe. E sei que quem acha que um erro é grave, avisa, de forma educada. Porque todos erramos.

Isto para dizer que não tenho pachorra para vampirinhos da treta e que embora eu leve este espaço muito a sério, não vão ser meia dúzia de chatos (e nazis da gramática, gente má e de mal com a vida) que me vai tirar o prazer ou descontração de escrever aqui. Porque xe eu dexidir escrever tudo kom "x" e "k", também posso. Porquê? Porque o blog continua a ser meu. Com a minha sinceridade, os meus erros, as minhas manias, o meu estilo próprio. Ou seja: meu.

E, já agora, porque eu sempre preferi aqueles vampirinhos vegetarianos. Sangue não é a minha cena.

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