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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

06
Jun17

Que mundo estranho este [sobre os pseudo-famosos desta vida]

Carolina

Há dois fins-de-semana deu-me na realgana ir ao Summer Market Stylista, que acontecia no Estoril. Já tinha pensado ir, não por uma questão de compras, mas para conhecer novas lojas - algo que me é útil também por questões de trabalho. Mas entre o vai-não-vai, o fim-de-semana que passa a correr e dá tanto jeito para se fazer tudo o que não se fez ao longo da semana e uma preguiça do demónio que se apodera sobre nós... no sábado acabei por andar a arrumar umas tralhas e dar metade do roupeiro e no domingo tencionava jiboiar por aí (mais especificamente no meu sofá, sejamos sinceros). 

Mas mudei de ideias, levantei o rabo e já era quase domingo quando comprei os bilhetes de comboio para baixo - e lá fui eu, às nove da matina, no intercidades para Lisboa. Estive com o pessoal do costume e, à tarde, lá fomos à feirinha. Tivemos algum azar, porque a chuva decidiu dar de si e em alguns momentos foi mais do que uma "molha tolos" - aliás, no final, foi mais "molha todos", porque saí de lá encharcadinha. Não esperava que a feira fosse tão grande, que tivesse tantas marcas e espaço (embora achasse as barracas em si um bocado apertadas). Não comprei nada, fui só ver e fazer "sourcing", para depois espreitar as marcas que posso potencialmente "atacar" no futuro.

Mas não era sobre isso que vinha falar aqui. Como alguns de vós devem saber, aquele evento é organizado por uma blogger conhecida da praça e, naturalmente, há muitos outros que por lá andam - ora a expor, ora a visitar. Eu vi muitos e, talvez porque sou do Porto e não estou habituada a ver famosos (ou, neste caso, pseudo-famosos - não sei bem qual é a linha que separa uma coisa de outra), fez-me pensar muito sobre o assunto. Vi bloggers e vloggers e, naquele voyerismo um bocado estúpido mas praticamente impossível de evitar, pus-me a ver as diferenças entre as fotos e a realidade e a partilhar as minhas conclusões. E depois pensei: eu sei o nome dos filhos desta, o nome dos cães daquela, lembro-me de quando esta casou, "olha esta teve uma filha há pouco tempo, está em óptima forma", "ah, mas não sabia que o namorado dela fumava", "será que o marido dela veio para ajudar?". No fundo, estava dentro daquelas vidas sem estar, na realidade, dentro delas. E isso foi estranho.

Nós estamos habituados a estar a par da vida dos famosos - que são, normalmente, pessoas da televisão, do cinema ou da música, que se expõem devido a uma profissão artística (em alguns casos) que escolheram. Mas estas pessoas - lá está, "pseudo-famosas" - escolheram expor-se, estar naquela situação. E talvez a mim me faça mais confusão porque eu acho que deve ser horrível ser famoso, ter os media em cima de nós e ter toda a gente a exigir-nos simpatia constante - mas por outro lado também percebo que faz parte de algumas profissões, que umas coisas não são independentes de outras e que temos de as aceitar se queremos levar avante certos projetos. Tenho pensado muito nisso até por causa do Salvador Sobral - a minha crush do momento, não sei se já deu para entender. Percebe-se que ele quer fazer música, que quer sucesso - mas que lida muito mal com todas as suas implicações, selfies e explorações dos media.

E transito isso para mim própria, porque acho que seria igual. O meu derradeiro sonho é escrever - e embora um escritor não tenha de ter metade da exposição de um ator ou de um cantor, nos dias de hoje tem de se saber mostrar para a máquina funcionar (porque ser só o menino dos olhos da crítica não basta - e, a meu ver, até vale pouco). E isso assusta-me - assim como me assusta este blog, que apesar de eu gostar que seja lido, comentado e partilhado, também gosto que seja tímido, sem grandes alvoroços. Assusta-me a fama, que hoje em dia aparece tão depressa como desaparece, por razões que às vezes nem sequer controlamos.  

Enquanto via ali alguns dos blogger e vloggers que sigo, pensei nisto tudo. Pensei que, tal como eu sabia o nome dos cães de uma rapariga que por lá passava, vocês também podem saber o nome dos meus - assim como quantos irmãos eu tenho, as cidades que visito e o tipo de trabalho que faço. Simplesmente, como não sou conhecida, não tenho de me confrontar com esse tipo de situações. Ainda assim, na viagem para casa, vim sempre a divagar em como estou e não estou dentro da vida daquelas pessoas, que gosto mas não sei quem são, que sinto que conheço mas nunca vi. No fundo, em como este mundo que vivemos é estranho.

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