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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

27
Abr17

Os irmãos não se medem às metades

Carolina

Apesar de eu me achar uma pessoa minimamente interessante, com gostos bastante diversos e com alguma cultura geral, não tenho muita facilidade em falar com os outros num primeiro contacto. Aliás, púnhamos isto em pratos limpos: eu acho que não tenho jeito para lidar com pessoas o que, numa profissão como a minha, pode ser um bocado complicado. Mas normalmente há uma série de tópicos em que eu me sinto extremamente à vontade, que são aqueles que eu ataco quando preciso de encetar uma conversa com alguém ou que preciso de usar quando há um silêncio constrangedor. Falo de viagens, de animais, de fotografia e, acima de tudo, da família. Às vezes pode ser um tópico sensível, mas normalmente é algo que as pessoas falam com alguma tranquilidade.

Eu falo logo dos meus irmãos, porque a nossa diferença de idades é sempre um tópico engraçado, que as pessoas gostam de saber mais e onde acaba por fluir o diálogo. E o fluxo natural da conversa é a outra pessoa contar-me se também tem irmãos. E muitas vezes dizem-me "eu também tenho dois meios irmãos". E eu aí apanho um safanão, acordo para a vida e respondo "ah, pois, os meus irmãos também são meios irmãos...".

Porque a verdade é que eu nunca me lembro disso a não ser que esteja a falar especificamente no assunto ou, como acontece recorrentemente neste tipo de casos, me lembrem que essa coisa dos "meios irmãos" existe. Porque, sinceramente, eu tenho uma teoria: toda a gente que enfatiza que tem "meios irmãos" é porque não os sente realmente como irmãos. Há mesmo quem diferencie os "100% irmãos" e os outros e eu acho isso terrível. Acima de tudo porque não percebo como é que isso é possível. Nenhum dos meus irmãos é "totalmente meu irmão" e eu nunca os senti menos irmãos por não termos ADN's mais semelhantes. 

Eles são, para mim, as melhores prendas da minha vida, os meus segundos pais, a minha inspiração, a minha companhia. Não concordo sempre com eles, às vezes chateio-me, mas acima de tudo, hoje em dia, tenho saudades de os ter sempre por perto e do mimo e do colo que me davam há uns anos atrás. Tenho a sorte de ter uns irmãos incríveis, que são também eles pessoas incríveis - e acredito que, como tudo nesta vida, existem maus irmãos e pessoas não tão boas. Mas a verdade é que isso depende de muita coisa (da educação, do ambiente, da personalidade), mas pouco da carga genética que carregam nas veias.

Da mesma forma que há boas e más pessoas, deve haver bons e maus irmãos - se calhar há irmãos que até podemos querer esquecer (embora eu tenha dificuldade em sequer pensar nisso). Mas esses não contam. Porque a palavra irmão, tal como a palavra "mãe" e "pai", representa muitooo mais do que aquilo que vai no dicionário. Naquelas cinco letras cabe o mundo - mas não cabem metades. Porque os irmãos medem-se por inteiro. 

 

AnivJoaoM-8.jpg

 

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