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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

01
Jul14

Não sou fã do nosso Nobel

Carolina

Sei que este post não vai ser consensual, sei que não sou ninguém para criticar, sei que isto vai ser tudo "inveja alheia" porque "nunca na vida vou ganhar um Nobel", sei que há fãs acérrimos do Saramago que não vão gostar mas... eu vou escrever na mesma. Nunca deixei de escrever algo porque a minha opinião é diferente da da generalidade das pessoas (praxe, casamento e adopção homossexual, ditaduras vs. democracias) e não vai ser, mais uma vez, este o caso.

Pois bem: eu não gosto da escrita de Saramago. Também não gosto particularmente da pessoa que ele mostrava ser, mas isso já é outro campeonato que não é para aqui chamado. Não gosto que ele não perceba a função dos pontos finais e os confunda com vírgulas, não gosto de parágrafos gigantes, não gosto que não saiba o que são aspas, não gosto que não saiba o que são travessões. E escusam de me vir com tretas: "ah e tal, por ele saber mais do que bem o que era isso tudo, é que se dava ao luxo de escrever de forma diferente!". Tretas. Admito que possa cair no goto de muitas pessoas mas não cai no meu e escusam de me vir dizer que aquela é a forma certa de escrever, porque a forma certa - e que toda a gente com conhecimentos mínimos consegue ler e perceber - é aquela que nos ensinaram na escolinha.

Eu vejo isto desta forma: distinguem Saramago pela diferença - nada contra. A questão é que eu não acho que essa diferença é justa num "campeonato" como o Nobel, por exemplo. É como pôr, numa corrida, 9 atletas normais a correr e outro - o 10º - com pernas de fibra de carbono, que implica que tenha menos fadiga, que não sinta dores nas pernas, seja mais leve e trinta por uma linha. Ou seja, vejo-o como concorrência desleal, que não têm todos as mesmas características para correr no mesmo campeonato. Para mim, os bons escritores distinguem-se por serem melhores que os outros na mesma modalidade - porque, mesmo com pontos finais, parágrafos, travessões e vírgulas usadas na altura devida, conseguem prender-nos, conseguem ter uma escrita rica, conseguem distinguir-se dos outros. E isso sim, é de valor.

Saramago era provavelmente um homem inteligente, com uma escrita que denota isso mesmo, por todos aqueles trocadilhos e histórias bem imaginadas, mas não acho que tenha ganho o Nobel por causa disso mas sim porque "reinventou" algo que não precisa de ser reinventado - até porque o fez, na minha opinião, para pior. 

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