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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

23
Jun17

Chávena de letras - "A educação de Eleanor"

Carolina

eleanor.jpg

 Sinopse e primeiras páginas aqui.

 

É injusto julgar um livro por um final que nos desiludiu quando, até aí, achamos o livro fenomenal. E, na verdade, eu nem sequer fiquei desiludida com o fim: sabia que era algo que ia ter de acontecer, percebi que a bolha em que vivia Eleanor ia ter de rebentar… mas o início do livro é tão genial que tive pena que acabasse.

Eleanor é uma verdadeira anti-social em todos os sentidos da palavra. Não se trata só de não se dar com os outros, mas sim de um total desconhecimento das convenções sociais que todos nós já interiorizamos e já nem questionamos. O livro é por ela narrado e por isso temos acesso aos seus pensamentos que são extremamente racionais, o que os torna hilariantes (mesmo não sendo “intenção” de Eleonor – e sendo, obviamente, o objectivo da autora, que o faz de forma exímia). Como ela não percebe as coisas, questiona-as, como uma criança; vê-as de forma simples, sem floreados, e expõem-nas de forma crua, mostrando o ridículo de muitas da convenções que nós próprios criamos.

“Estava num restaurante de fast food pela primeira vez na minha vida adulta (…). Inexplicável e incompreensivelmente, o restaurante estava a rebentar pelas costuras. Custava-me a perceber porque motivo os humanos estariam dispostos a fazer fila em frente de um balcão para comprar comida processada, que depois levavam para a uma mesa que nem sequer estava posta e comiam directamente do papel de embrulho. E a seguir, apesar de terem pagado, os próprios clientes são responsáveis por levantar os restos. Muito estranho.”

Outras situações semelhantes: estranhar o facto de um empregado de bar lhe colocar a garrafa da bebida que pediu e um copo com gelo em cima da mesa, em vez de lhe servir directamente (“esse não é o seu trabalho?”) ou questionar o porquê das pessoas chegarem atrasadas a um festa ou levarem presentes quando o anfitrião anunciou uma hora ou disse expressamente para não levarem nada. É uma visão inocente e hilariante da vida.

Para além disso, há, inicialmente, uma relação explícita de causa-efeito nas acções de Eleanor, ainda mais berrantes pela escolha cuidada das palavras usadas pela autora. Dão à personagem um ar geek e extremamente racional, com imensa graça, mas revelador de muito o que é Eleanor.

“Fiz as minhas abluções e instalei-me com um livro sobre ananases. Era surpreendentemente interessante. Gosto de ler sobre uma ampla variedade de temas por muitas razões, uma das quais é ampliar o meu vocabulário para ajudar a resolver palavras-cruzadas.”

Chamar a este livro um romance é um erro crasso. Ele fala, sim, da auto-descoberta de alguém – nas suas fases mais vivas e mais negras – com o apoio de algo que a personagem principal, até aí, desconhecia: um amigo. É uma viagem pela vida complicada de Eleanor, pelos seus fantasmas, mas que tem pouco de negro pela forma incrível como é contada.

É lógico que, não tendo um décimo da antissociabilidade de Eleanor, me relacionei com esta obra; com a personagem, com o vocabulário dela, com a sua visão “quadrada” de muitas coisas. E é muito giro ver a evolução da personagem, vê-la “arredondar-se”. Confesso que achei o livro um pouco enfadonho nas primeira páginas, mas depressa descobri que tinha uma pequena pérola em mãos. A forma como a história é contada e a escrita de Gail Honeyman merecem estas cinco estrelas, independentemente do fim. Gostei mesmo muito.

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