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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

30
Jun17

Chávena de letras "O Falcão de Malta"

Carolina

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Sinopse aqui

 

Este é um policial clássico, com tudo o que tem direito: um detetive privado que acha que sabe tudo e que tira ilacões incríveis, mulherengo e galã, imprevisível, um filho da mãe mas também respeitador de uma moral que rege as suas ações e forma de atuar; uma cliente mentirosa e enganadora mas ao mesmo tempo coquete e irresistível; os polícias lerdos que nunca conseguem levar a deles avante; os rufias, um como sempre bonacheirão, e toda a envolvência deste tipo de obras dos inícios do século XX, onde não faltavam os cigarros em todos os sítios, o whiskey, a penumbra e etc.

Para quem gosta de policiais, esta é sem dúvida uma boa forma de passar um par de dias entretido e sem ter vontade de pousar o livro.
Nota para esta edição de bolso da Livros do Brasil, versão da Porto Editora, que é pequena, leve mas com uma letra boa para se ler, fazendo destas edições os livros perfeitos para se andar de um lado para o outro sempre com companhia sem estar a carregar um autêntico pedregulho na carteira.

29
Jun17

Desmistificar a ideia de um cruzeiro

Carolina

Estava a passear pelo facebook e dei de caras com um post de um humorista que disse que fez férias à velho: foi viajar num cruzeiro. Nos comentários diziam-se coisas horríveis tipo "cruzeiros nunca, jamais!" e onde, lendo o post na diagonal (já tenho pouco tempo recreativo, não me apetecia gasta-lo a ler bacoradas), só se viam coisas do género "é só velhos e gordos a comer durante o dia todo". E até podem desvalorizar este meu post por eu ter uma alma velha, alegando que penso tal e qual as pessoas que frequentam este tipo de viagens, mas acreditem que eu adoro viajar e o faço de todas as formas e feitios, sem problemas de criticar o bom e o mau de cada sítio e de cada meio para lá chegar.

Uma coisa é absolutamente indiscutível: fazer um cruzeiro é a forma mais cómoda de viajar. Queixam-se dos velhos, queixam-se dos gordos, queixam-se das crianças - mas passar dez horas enfiados num avião em classe económica, com uma pessoa obesa a ocupar metade do vosso lugar, um velho com ar bafiento a adormecer em cima do vosso ombro e uma criança a testar o limite dos vossos tímpanos no lugar da frente é muito bom, não é? Vou contar-vos um segredo: no barco, podem quase correr uma meia-maratona lá dentro. Se não quiserem estar parados, não estão. E se quiserem dormir, têm um quarto e uma cama só vossos, sem barulhos, pessoas ou crianças aos guinchos. É uma opção vossa se querem socializar ou querem estar sozinhos, assim como se querem sair ou ficar dentro do barco.

Esquecem-se que a idade traz sabedoria; os mais velhos escolhem este meio porque já experimentaram todos os outros e sabem qual é o melhor. E vocês dizem: "não é nada, é porque andar de barco não cansa!". Ai não? Haviam de se ter levantado às cinco da manhã para estar no autocarro às sete, tal como eu fiz na Rússia, para ver se não chegavam à noite com soninho. Em média, na semana que fiz no Báltico, andei dez quilómetros por dia. E se isso não cansa, não sei o que fazem nas vossas viagens. É claro que podem ficar no barco, não fazer nenhum e comer cachorros e cheeseburgers o dia inteiro - mas, mais uma vez, a opção é vossa.

Outra coisa espetacular: não pagam para comer, não pagam para ir a espetáculos, não pagam para ir ao cinema, não pagam jogar nos trivia, não pagam para ir ao ginásio, não pagam para ir à piscina. E sabem aqueles momentos em que temos de nos meter num avião, para viajar de um sítio para o outro, e lá estamos à espera do check-in, depois à espera que o avião levante, e as horas de viagem sufocantes em que só nos podemos mexer cerca de trinta e sete centímetros e saímos com formigueiros nas pernas e costas suadas e coisas que tais? No barco não existe. Fazem o que querem, vivem a vida, fazem as atividades que mais gostam, dormem confortavelmente - e, sem dar por isso, já estão no sítio seguinte. E se gostarem de ver as vistas, aviso já que em pleno mar se vêem coisas incríveis e pores do sol de cortar a respiração.

Se passam pouco tempo nos sítios? Passam. Se isso é mau? Nem sempre, há sítios de treta. Para mim, a magia de um cruzeiro é esta: fico a conhecer várias cidades em pouco tempo, passo a ter uma ideia geral do que aquilo é, se faz ou não o meu estilo. E depois, mais tarde - ensardinhada num avião, lá terá de ser - volto para divagar com todo o tempo do mundo na cidade. Dou um exemplo: quero muito voltar à Suécia, voltar a percorrer Estocolmo e não só; já ir à Finlândia, penso que só irei se se proporcionar ir em trabalho ou me oferecerem a viagem, porque simplesmente não ficou o bichinho. Foi fixe, risquei um país da lista, mas não tenciono voltar.

Agora tudo depende do cruzeiro que fazem, da companhia onde vão e do tipo de quarto que escolherem. Há cruzeiros fracos, companhias más e quartos horríveis sem sequer uma janelinha para ver o céu. Entre ir num cruzeiro fraco e bafiento e ir para um só destino, mesmo que seja num low-cost e ficar num hotel com melhores condições... se calhar prefiro a segunda opção. O cruzeiro que fiz no Báltico foi com a Royal Caribbean e agora o próximo é com a Celebrity - vamos ver o que vai sair dali - e fiquei em quartos com varanda. São companhias boas e os quartos também são de nível superior - mas sei que há quartos com janela, sem varanda, que também são perfeitamente aceitáveis (e os quartos sem janela, ainda que um bocado claustrofóbicos, quando inseridos num cruzeiro bom devem valer a pena). É, como em tudo, uma questão de dinheiro. Mas vale a pena fazer as contas: se virem todos os sítios onde param, se incluírem comida e bebida, mais dormidas e se se atreverem a juntar todos os extras ao nível de comodidades (ginásio, piscina, sauna, solário...) e de entretenimento (espetáculos, cinema, jogos, etc.) acho que a questão nem se coloca.

No entanto, é como vos digo: fazer um cruzeiro é como ir ao sushi - se começarem num mau, nunca mais põem lá os pés; se começarem num bom, no início estranham e depois não querem outra coisa. A minha experiência foi tão boa que eu vou repetir - e sou uma miúda de 22 anos! Conheci pessoas muito simpáticas, sítios diferentes, falei línguas, convivi e diverti-me imenso enquanto viajava. Fiz um post grande depois do meu primeiro cruzeiro que podem ler aqui, assim como diários de bordo dos sítios onde parei que podem ver aqui.

E, a sério, tendo possibilidades... deixem-se de preconceitos e experimentem.

 

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28
Jun17

Chávena de letras - "O Livreiro de Paris"

Carolina

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Sinopse e primeiras páginas aqui

 

A maior crítica que posso fazer a este livro é o facto de ser enganador. Quando me falam em Paris e livros já é meio caminho andado para ler o que quer que seja - mas eu espero que o livro seja, de facto, passado em Paris e fale de livros. O que, neste livro, só acontece parcialmente. É aquilo que dá o mote à história, mas não passa disso.
A ideia da farmácia literária é muito boa, mas muito mal explorada - e a autora, apercebendo-se disso, dá um "docinho" ao leitor no final da obra para ver se ele se esquece que, durante o livro, pouco se desenvolve esta ideia, que é sem dúvida a melhor que a obra tem. Há partes que são absolutamente dispensáveis, incluindo o diário de Manon - confesso até que passei alguns trechos à frente. A escrita não é má, mas nada de excepcional - há partes do diálogo em que nem sempre se percebe quem é que fala e há falhas ao nível do descodificar das emoções (e consequentes reações); por vezes, parecia que as coisas aconteciam do nada, um ataque de choro ou de raiva caído do céu, meio descontextualizado.
Para mim, este é um livro sobre perda e sobre reencontro connosco próprios - de um ponto de vista, claro, muito romanceado. Estas três estrelas não são sinónimo do livro ser mau - simplesmente não era o livro que eu queria ler e que eu acreditava ser.

23
Jun17

Chávena de letras - "A educação de Eleanor"

Carolina

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 Sinopse e primeiras páginas aqui.

 

É injusto julgar um livro por um final que nos desiludiu quando, até aí, achamos o livro fenomenal. E, na verdade, eu nem sequer fiquei desiludida com o fim: sabia que era algo que ia ter de acontecer, percebi que a bolha em que vivia Eleanor ia ter de rebentar… mas o início do livro é tão genial que tive pena que acabasse.

Eleanor é uma verdadeira anti-social em todos os sentidos da palavra. Não se trata só de não se dar com os outros, mas sim de um total desconhecimento das convenções sociais que todos nós já interiorizamos e já nem questionamos. O livro é por ela narrado e por isso temos acesso aos seus pensamentos que são extremamente racionais, o que os torna hilariantes (mesmo não sendo “intenção” de Eleonor – e sendo, obviamente, o objectivo da autora, que o faz de forma exímia). Como ela não percebe as coisas, questiona-as, como uma criança; vê-as de forma simples, sem floreados, e expõem-nas de forma crua, mostrando o ridículo de muitas da convenções que nós próprios criamos.

“Estava num restaurante de fast food pela primeira vez na minha vida adulta (…). Inexplicável e incompreensivelmente, o restaurante estava a rebentar pelas costuras. Custava-me a perceber porque motivo os humanos estariam dispostos a fazer fila em frente de um balcão para comprar comida processada, que depois levavam para a uma mesa que nem sequer estava posta e comiam directamente do papel de embrulho. E a seguir, apesar de terem pagado, os próprios clientes são responsáveis por levantar os restos. Muito estranho.”

Outras situações semelhantes: estranhar o facto de um empregado de bar lhe colocar a garrafa da bebida que pediu e um copo com gelo em cima da mesa, em vez de lhe servir directamente (“esse não é o seu trabalho?”) ou questionar o porquê das pessoas chegarem atrasadas a um festa ou levarem presentes quando o anfitrião anunciou uma hora ou disse expressamente para não levarem nada. É uma visão inocente e hilariante da vida.

Para além disso, há, inicialmente, uma relação explícita de causa-efeito nas acções de Eleanor, ainda mais berrantes pela escolha cuidada das palavras usadas pela autora. Dão à personagem um ar geek e extremamente racional, com imensa graça, mas revelador de muito o que é Eleanor.

“Fiz as minhas abluções e instalei-me com um livro sobre ananases. Era surpreendentemente interessante. Gosto de ler sobre uma ampla variedade de temas por muitas razões, uma das quais é ampliar o meu vocabulário para ajudar a resolver palavras-cruzadas.”

Chamar a este livro um romance é um erro crasso. Ele fala, sim, da auto-descoberta de alguém – nas suas fases mais vivas e mais negras – com o apoio de algo que a personagem principal, até aí, desconhecia: um amigo. É uma viagem pela vida complicada de Eleanor, pelos seus fantasmas, mas que tem pouco de negro pela forma incrível como é contada.

É lógico que, não tendo um décimo da antissociabilidade de Eleanor, me relacionei com esta obra; com a personagem, com o vocabulário dela, com a sua visão “quadrada” de muitas coisas. E é muito giro ver a evolução da personagem, vê-la “arredondar-se”. Confesso que achei o livro um pouco enfadonho nas primeira páginas, mas depressa descobri que tinha uma pequena pérola em mãos. A forma como a história é contada e a escrita de Gail Honeyman merecem estas cinco estrelas, independentemente do fim. Gostei mesmo muito.

17
Mai17

Review da semana #20

Carolina

The Crown

 

Sou uma hiper entusiasta de todas as famílias reais, mas a inglesa tem, sem dúvida alguma, um lugar especial no meu coração. Adoro a rainha (tenho três mini-estátuas dela...), adoro a Kate, o William, o Harry e as pequenas crianças, claro está. Acompanho com alguma atenção os eventos onde eles aparecem, gosto de ver o protocolo, as vestimentas, os casamentos e essas coisas todas - e por isso era óbvio que ia adorar a série "The Crown", produzida pelo Netflix.

Dizer que é uma série magnifica é dizer pouco. Tudo nela é bom: os atores, os cenários, a banda sonora, a realização... já para não mencionar a fotografia, que é para lá de incrível. Mas, acima de tudo, pela riqueza de detalhes (tanto históricos como visuais). Todos nós podemos ter acesso à história, como é que as coisas se passam, mas isso não tira qualquer magia à série, uma vez que ela está tão bem feita que nos faz sentir tudo aquilo que se vivia à época.

A série tem dez episódios de uma hora e começa no fim do reinado de George VI, passando pela sua morte e consequente início do reinado de Isabel II. Isto envolve, claro está, o casamento de Isabel II com o Duque de Edimburgo, os arrufos com Winston Churchill e os problemas com a Princesa Margaret. No início de cada episódio aparecem alguns flashbacks que, muitas vezes, ajudam a contextualizar o resto do episódio - aparecem as duas princesas ainda pequenas, o não coroado rei Edward VIII (que também entra ativamente na série, sempre em alturas de confronto) entre outros momentos. Para quem não estiver minimamente contextualizado com a história da monarquia inglesa, para além da série ser potencialmente desinteressante, pode ser até um pouco difícil de entender - mas, para os restantes, é um autêntico regalo para os olhos e para a nossa cultura geral. Saber de política mundial (desta época) também pode ajudar a compreender alguns momentos.

Mas o maior elogio que eu posso fazer a esta série é o facto de ela me ter posto a pensar sobre a vida dos reis. Algo que me faça pensar a fundo sobre um assunto merece sempre a minha vénia e, neste caso, fez-me debruçar sobre algo que eu adoro há anos e sobre o qual - agora vejo - não tinha pensado devidamente. Eu, como a grande maioria das pessoas, olha por exemplo para a vida de Kate Middleton como um conto de princesas que se tornou real - nasceu plebeia, conheceu e apaixonou-se por um príncipe, casou-se numa igreja majestosa com um vestido incrivelmente lindo na presença das altas patentes do estado (incluindo a Rainha) e, se tudo correr bem, um dia terá a coroa em cima da cabeça. Parece magnífico, não é? Eu também achava, até ver esta série e perceber que tudo isso deve ser super chato.

Acima de tudo, entendi, primeiro, o quão "ridículo é ser" rainha. Não é fácil explicar isto, mas a série expoe-no demasiado bem: ter empregados para tudo, ter que ostentar uma coroa em cima da cabeça (pensem bem no assunto e imaginem-se a andar com uma coisa pesadíssima na cabeça - e pensar que isso vos dá quase todos os poderes). Em segundo, o quão difícil é executar esse papel - como deve ser difícil ser Papa, por exemplo: é uma responsabilidade demasiado grande, há demasiados deveres quando, na verdade, é só uma pessoa normal que o está executar. Estas pessoas têm de deixar de ser elas próprias para passarem a ser aquele papel; têm de se pôr em segundo lugar (ou muitos mais lugares abaixo), assim como a sua família, para não derrubar nenhum valor das instituições que governam - e na série vê-se muito bem que, por vezes, os valores colidem e há decisões que têm de ser tomadas, por muito que doa a todos os envolvidos.

É difícil explicar algo quando está tão bem feito e demonstra coisas que, de outra forma, é difícil entender. Aqui, pomo-nos nos pés de um rei ou de uma rainha. Percebemos que não é um mar de rosas, que o quem reina passa a ser Rei e deixa praticamente de ser "a Isabel" ou "o Duarte". E as dificuldades que isso traz, tanto a nível pessoal como na relação com os outros - nomeadamente a nossa família. 

A única coisa em que, nesta série, tenho algumas dificuldades é em fazer a ponte da ficção para a realidade - não a nível dos acontecimentos históricos, mas em imaginar (por exemplo) que a Rainha Isabel foi mesmo assim. Acho que nestes episódios, para além de mais bonita, a Rainha é representada de uma forma muito mais simpática e empática do que é na realidade; é lógico que eu nunca a conheci e não era viva nos anos seguintes a ela ser coroada mas, pelo que vejo agora, ela tem um semblante (ainda que ligeiramente simpático) austero e custa-me imagina-la tão querida como ela às vezes é aqui repretratada. Mas enfim, se calhar fiz uma leitura errada da senhora - ou então foram os anos que a tornaram mais amarga o que, tendo em conta tudo aquilo que passou, também não deixa de ser legítimo.

Não posso dizer mais nada. É um must see. Pelo que li, a série foi das mais caras de sempre e terá (felizmente!) uma segunda temporada, que vai dar mais enfoque no Philip do que propriamente na Rainha (o que é uma pena, mas não duvido que será igualmente interessante). Não percam!

 

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09
Mai17

Hoje o palco é do Salvador, mas o Salvador é todo nosso

Carolina

As melhores chapadas são aquelas dadas com luva branca. Aquelas que não se vêem, em que não se ouve o “plash”, mas que doem para caraças na cara daqueles que a apanharam. E hoje, independentemente do resultado, Salvador Sobral vai dar um chapada de luva branca a todos aqueles que diziam que a sua música não era “música de festival”. Porquê? Porque conseguiu aquilo que há muitos anos ninguém conseguia em Portugal: pôr os portugueses a ver a Eurovisão, a acreditar que é possível e – acima de tudo – fazer com que não tenhamos vergonha daquilo que levamos lá fora.

Sim, porque “sucessos” como  “Quero ser tua” podem ter sido hits do YouTube, mas toda a gente sabe que não foi por boas causas. Não estou a dizer que a música pimba não tem fãs e que não mereça um respeito generalizado, mas é pimba. E isso nota-se – mesmo para quem não percebe português. Há toda uma aura ali envolta, o timbre daquelas vozes e a própria música “barata” que faz com que o género seja quase internacional – e mau. As pessoas da minha geração não se identificam com aquilo, a menos que seja para gozar, para servir de gifs, memes e gozo eterno – e assim, ao longo dos anos, toda aquela magia da Eurovisão que os nossos pais e os nossos avós viveram e hoje nos contam (o país parava, segundo dizem) perdeu-se. A minha geração já não se identifica e as gerações mais velhas também não, porque aquilo é malta jovem, a maioria a cantar inglês com um estilo um tanto ao quanto alternativo que não agrada nem a gregos nem a troianos – ou, neste caso, nem aos velhos nem aos novos.

Acima de tudo, a sensação de não ter vergonha daquilo que vamos mostrar é a melhor de todas. E depois são todos os “pormaiores” restantes: o facto de sermos os únicos a cantar na nossa língua, num gesto tão simples como poderoso; de ser uma música nua e crua, sem aquele espalhafato que muitos acham ser característica das “músicas de festival” (que, na verdade, é uma característica pimba); e por ser uma boa música, uma letra linda e mostrar aquilo que de bom se faz em Portugal, numa altura em que a música Portuguesa está a renascer pelas mãos de tão bons músicos, que com muito custo conseguiram conquistar o público e deixar para trás aquele terrível estigma sobre a nossa música (também alimentado por este festival).

Por tudo isto e muito mais, eu admito que, pela primeira vez, estou curiosa para ver o que aí vem. Admito que é bem provável que veja a Eurovisão pela primeira vez na minha vida. Admito que vou torcer com muita força para que o Salvador ganhe – e, se não ganhar, não importa. Porque nós já ganhamos. Ganhamos todos. Ganhamos o Salvador e isso já é prémio suficiente.

 

P.S. Caso não queiram ouvir o resto do pessoal a cantar coisas que a, nós, nada nos dizem, podem sempre trocar a Eurovisão por este concerto do Salvador, passado há dias na RTP. Eu já ouvi, re-ouvi e vou voltar a ouvir – quanto mais não seja na Casa da Música, quando ele cá vier atuar.

 

30
Abr17

Dramas de quem tem uma mente "velha" num corpo novo

Carolina

Eu costumo dizer que tenho um espírito velho a morar num corpo de miúda nova, mas a verdade é que muitas das coisas que na generalidade se associam aos "velhos" são muitas vezes valores morais, éticos e costumes mais antigos, que deixaram de se aplicar e que eu - ao contrário da maioria - ainda dou valor. Acho que isto advém muito por eu ter pais mais velhos do que a maioria das pessoas da minha geração e por sempre me ter rodeado por pessoas com bastante mais idade que eu.

Eu percebo que as coisas mudem - e ainda bem, senão as mulheres ainda não votavam, os pretos e os brancos ainda iam em lugares diferentes no autocarro, a televisão ainda só tinha um canal e coisas que tais - mas há certas coisas que, para mim, tinham razão de ser e se deviam manter. Toda a gente tem uma série de valores que acha essenciais e pelos quais guia a sua vida e eu acho que me guio por coisas "antigas" (mas que, na minhas perspectiva, não deixam de ser valiosas e atuais).

Em relação a isto, um exemplo que posso dar tem que ver com a hora a que se telefona às pessoas. Eu sempre cresci a ouvir dizer que não se ligava a ninguém a partir das 22h - é lógico que não é algo matemático, pode ser um bocadinho antes, um bocadinho depois - mas é uma referência e tem sentido, porque é a hora em que a maioria das pessoas arruma as botas, já está com o pijama vestido e com a manta por cima a ver televisão ou a ler um livro na cama. 

Tira-me do sério, por exemplo, que me peçam para fazer um telefonema de trabalho durante o fim-de-semana - não por eu ter de trabalhar nos meus dias de "folga" (porque trabalho sem problemas, é algo que faço com frequência), mas por ter de incomodar as pessoas naquilo que, de uma forma geral, é o seu horário de descanso. Da mesma forma que evito fazer chamadas de trabalho depois das 18h - acho que é a hora do "senso comum" de final de trabalho e, do meu ponto de vista, todos temos o direito de descansar sem sermos permanentemente incomodados por pessoas com horários de trabalho antagónicos aos nossos.

Aqui em casa este assunto passa a vida a ser discutido, porque a minha mãe - para me ajudar a fazer bem o meu trabalho - pressiona-me para eu ligar às pessoas que tenho de chatear ou entrevistar. E como eu detesto falar ao telemóvel e isso me causa um stress tremendo, ela acha que eu digo que "não são horas de ligar às pessoas" para me esquivar do ato de telefonar. Mas não é. Cresci com o meu pai a mandar bugiar as pessoas que lhe ligavam à hora de almoço, uma hora que aqui em casa sempre foi sagrada, e apenas levo esses ensinamentos para a vida. E sim, fico preocupada quando recebo uma chamada às 23h de alguém que só quer saber se há uma aula no dia seguinte ou algum assunto frívolo semelhante.

Eu sei perfeitamente que, com os telemóveis, as pessoas acham que podem ligar a tudo e a todos a qualquer hora do dia, com a desculpa de que "quem não quer ser incomodado desliga o telemóvel". Eu acho que as coisas não funcionam assim. Acho que a sociedade está a perder os seus valores de referência, que só as vontades individuais importam e que só nos focamos cada vez mais no nosso umbigo e que esse respeito tácito pelo espaço dos outros, que antes se sentia e vivia, se perde cada vez mais. E eu tenho pena de ser rotulada como uma mente "velha" só por causa disto.

24
Abr17

Depilação a laser 5#

Carolina

O verão aproxima-se perigosamente e eu estava a deixar arrastar a situação da depilação a laser há demasiado tempo. Não sabia o que havia de fazer nem para onde havia de ir. Um dia destes fartei-me de tanta procrastinação e marquei para a Clínica do Pêlo, que tem um centro perto de minha casa, e no próprio dia fui lá fazer a consulta gratuita.

E, apesar de ter esperado um bocadinho, gostei muito. Da simpatia, da explicação toda que fizeram sobre o sistema que utilizam (mesmo sabendo que eu já tinha feito) e, acima de tudo, da sinceridade - não há nada que eu valorize mais do que isto quanto me estão a prestar um serviço. A técnica, mesmo sabendo que podia perder ali uma potencial cliente, foi sincera e disse-me que o mais certo era que o pêlo que eu tinha, nas zonas em questão, era provável que nunca mais desaparecesse. E se por um lado é chato ouvirmos que um problema de que nos queremos ver livres não tem solução, por outro é óptimo sabermos ao que vamos e não estarmos a insistir sem resultados ou a criar expectativas infundadas.

O ponto da situação é o seguinte: eu queria fazer perna inteira, virilhas e abdómen - tudo isto é para manutenção, já tinha feito laser em todas as zonas (menos as virilhas, onde sempre fiz luz pulsada, mas que resultou muito bem e só faço manutenção uma a duas vezes por ano e preferi agora fazer a laser, para ser tudo no mesmo sítio). Como disse no último post, os resultados na meia-perna foram muito bons; na parte de cima já não se pode dizer a mesma coisa, assim como na barriga. O problema é que, como também já me tinham dito, ambas estas zonas são "hormonais", pelo é muito mais difícil erradicar o pêlo nestas zonas. O meu pêlo já é muito fino, mas como é escuro e em quantidade, ainda se nota bastante (ou, pelo menos para mim, mais do que eu queria).

No momento da consulta tive que decidir o que ia fazer. Já tinha a informação de que isto pode nunca desaparecer, mas custava-me muito estar a retroceder anos de trabalho (e muito dinheiro e dor) e voltar à gilete e à cera - e a ter de me preocupar constantemente com depilações, de fazer as contas para quando ia de férias e todos esses dramas que a grande maioria das mulheres conhecem. Tinha medo de voltar à estaca zero e, sinceramente, já nem me lembro de viver nesses termos. Por isso decidi fazer na mesma o laser - os efeitos, mesmo que não sejam para sempre, são muito mais duradouros do que qualquer outro método e eu prefiro passar três ou quatro meses sem pensar no assunto e pagar mais do que ter de ir de quinze em quinze dias à depilação, conforme tinha de ir há uns anos atrás.

Para minha surpresa fiz o tratamento logo a seguir à consulta, mal dei o meu OK, e foi super rápido. Não posso falar de resultados, porque foi há poucos dias, mas não é essa a questão central deste post: acho que a sinceridade, aqui, foi o suficiente para me conquistarem (a par dos preços que praticam que, ainda que mais caros que a depilação tradicional, são muito mais amigos da bolsa do que noutros locais). Fiquei fã da Clínica do Pêlo e não tenho dúvidas de que vou voltar (para o bem e para o mal...). 

Obrigada a todas que, nos últimos posts sobre o assunto e por email me deram sugestões e dicas sobre este assunto! Eu prometo continuar a partilhar a experiência.

27
Mar17

Chávena de letras - "The sun is also a star"

Carolina

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Este é o segundo livro que leio da Nicola Yoon. Li o primeiro pela mesma razão que li este: estavam por entre os melhores do género YA do Goodreads, o preço era simpático e a capa muito bonita.

As virtudes que o outro livro tinha, este também tem: lê-se bem, a escrita é fluída, as personagens são fáceis de simpatizar. Este livro em particular tinha algo que não gostei e que, curiosamente, era sempre onde fazia as minhas pausas: tem capítulos (ainda que pequenos) sobre coisas aleatórias, que pouco mais fazem do que ocupar espaço e ditar uma série de frases bonitas. Exemplo: fala-se de uma personagem secundária num capítulo; o capítulo a seguir é "uma breve história da personagem X". O mesmo acontecia com coisas imateriais, como "uma breve história do tempo" e etc. Estes devaneios, para mim, foram uma barreira na leitura.

De qualquer das formas, em relação ao primeiro livro, este ganha ao nível da profundidade das personagens e da narrativa. Acaba por ser uma obra bonita, pelo contraste de mentalidades que existe entre as duas personagens, as suas crenças e a forma como ambos se "equilibram", passando um ao outro aquilo em que acreditam e abdicando um pouco daquilo que antes acreditavam.

Apesar dos narradores serem as personagens principais (de forma intercalada), há de certa forma um ponto de vista exterior e realista sobre a relação dos dois que, para mim, foi interessante de ler.

Pontos extra, mais uma vez, pela capa magnífica.

 

O primeiro livro que li desta autora foi o Everything, Everything, cuja review podem ler aqui. Descobri há dias de que vai haver um filme baseado na obra e fiquei com a sensação que vai fazer parte daqueles casos raros em que o filme é melhor que o livro. Trailer aqui.

22
Mar17

Review da semana #18

Carolina

Produtos de beleza da Body Shop

 

Andava em pulgas para contar esta história, porque é raro ficar tão encantada com alguma coisa como fiquei com estes produtos.

Aqui há dias saí do trabalho tardíssimo e tinha um jantar de aniversário ainda mais tarde - e faltava-me comprar a prenda! Já contava sair tarde por isso levei uma camisola para trocar e, já que o trânsito estava caótico, aproveitei para ir comprar o presente a um shopping que tenho perto do escritório. Andei para trás e para a frente, não sabia o que comprar, e acabei por entrar na Body Shop, já em desespero de causa - a minha máxima é "se não sabes o que oferecer a uma mulher, compra produtos de cosmética - usam-se sempre!". É só essa a razão que, até aqui, me levou a entrar nesta loja - tem uns pacotinhos muitos giros e em conta para esta espécie de presentes relâmpago e a qualidade sempre me pareceu boa.

Lá entrei, escolhi o que queria e ainda aproveitei para comprar umas coisas para mim. Mas, na verdade, tinha outro plano paralelo em mente: depois de um dia inteiro concentrada a olhar para o computador, eu parecia um morcego, de tão horrível e cansada. E, apesar de ter pensado em trazer uma muda de roupa, nunca me passou pela cabeça trazer maquilhagem atrás - até porque nunca a uso! Mas, apesar de tudo, ia para um jantar e não queria ir estilo morta-viva, pelo que pensei "vou-me pôr aqui a experimentar estes produtos, fingir-me muito interessada, e nos entretantos já tenho alguma base na cara para disfarçar o meu estado de zombie".

Pois que esta história me saiu melhor que a encomenda. A loja - tal como o shopping, diga-se de passagem - estava vazia e eu, que tinha tempo para queimar até ao jantar, acabei por me deixar levar pela funcionária que lá estava. Já aqui tinha dito que, apesar de não usar muita maquilhagem, gostava de não ser tão ignorante como sou neste âmbito - mas a verdade é que quando entro, por exemplo, numa Sephora, fico ofuscada com os milhares de produtos expostos e com aquelas empregadas que parecem estar sempre demasiado ocupadas a cochichar. Para além disso, as coisas são todas demasiado caras para se arriscar e todas dizem fazer milagres - e se todas dizem, é porque quase todas mentem, porque já se sabe que milagres há poucos neste mundo.

Mas voltando à Body Shop: eu nem sequer sabia que eles tinham uma linha de maquilhagem. A senhora perguntou-me se eu conhecia, eu respondi a verdade e ainda acrescentei que era uma leiga naquele tópico. Havia uma promoção de 40% no segundo produto de maquilhagem, eu tinha tempo e queria mesmo muito tapar as minhas olheiras e fiquei lá uma hora, com a senhora a fazer-me testes na cara e a experimentar este e outro produto. Na verdade, foi uma hora bem passada, relaxada e esclarecedora: fiquei a saber que a minha pele, afinal, não é oleosa - até é muito normal, mesmo na zona pior - e fiquei a conhecer uma gama de produtos que me rendeu totalmente. Saí de lá com uma saca cheia. E, o melhor, é que os produtos - em comparação com os que vejo nas outras lojas de cosméticos - não são nada caros, e pelo que me apercebi muitos deles são vegan e amigos do ambiente.

Apesar de ter trazido várias coisas e de ter aproveitado a promoção em todo o seu esplendor, destaco três dos produtos que trouxe para casa e com os quais estou absolutamente rendida. A minha mãe, tias, irmã, cunhada e primas são testemunhas em como ando a vender isto a toda a gente. Ora vamos lá:

 

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Este é o creme de dia, que dá para todos os tipos de pele. Eu só punha creme à noite e nunca de manhã e a senhora aconselhou-me vivamente a que mudasse este hábito. Para mim, é essencial que os cremes sequem rápido: não aguento coisas gordurosas na pele. Este creme é super fresco, dá uma sensação de revitalização imediata e tem uma textura espetacular, estilo gel. E seca num ápice! Adoro. Fujo de cremes como o diabo foge da cruz e agora não saio de casa sem pôr isto na cara. E como ele deixa a pele macia?

 

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Este é um creme tipo esfoliante. Nos últimos tempos, graças a uma desregulação hormonal, apareceram-me imensas borbulhinhas pequeninas - e se há coisa que prezo é uma pele minimamente limpa. Este esfoliante não tem grãos, como é costume, mas parece magia: mal o colocam na pele e o esfregam, em movimentos circulares, começa logo a sair a pele morta. No fim já só sobram bolinhas de pele que só estava cá a perturbar. É espetacular, porque notam resultados imediatos e eu fiquei logo rendida.

 

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E, last but not the least, esta base. Experimentei um BBCream e esta base, e esta ganhou de longe: não é gordurosa, seca relativamente rápido, tem uma óptima cobertura e, mais uma vez, é super fresca e deixa a pele hiper macia. Lá está: não sou nenhuma especialista, não tenho grandes referências, mas gostei mesmo muito. Detesto peles onde se notam os quilos de base e coisas pouco naturais; esta deixa a pele uniforme e, quando bem espalhada (comprei um pincel também), mal se nota. Era tudo o que queria.

 

No meio dos outros produtos que trouxe, talvez alguns também merecessem destaque: mas fica para outro post, para não vos maçar mais.

 

Nota: não tenho qualquer relação com a Body Shop e fiquei sinceramente surpreendida com a qualidade dos seus produtos, e ainda para mais com a relação qualidade/preço. Foi tudo aconselhado pela funcionária da loja e pago esta que vos escreve. 

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