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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

16
Jan17

Sobre a complexidade de construir uma história ou uma simplicidade escondida

Carolina

Não é segredo para ninguém que o meu grande sonho é escrever livros. E quando eu digo "escrever livros" não me refiro a compilações de textos soltos, crónicas e coisas desse género - porque aí já podia ter uns cinco! -, mas sim a ficção. Quero um dia, mais do que partilhar os meus sentimentos, ideias e peripécias, conseguir criar uma história de raiz e fazer com que os leitores se embrenhem nela.

Até hoje tal nunca aconteceu. Sei que há muita gente da minha idade que já tem imensa coisa escrita, mas não é o meu caso - e sinceramente é algo que me apoquenta, porque nunca vi em mim a capacidade de construir histórias. Há imensas pessoas que, desde pequenas, inventam personagens, sítios e enredos, mas eu nunca fui assim; adoro perder-me em mundos criados pelos outros, mas não tenho grande capacidade de criar os meus, e temo que isso me impeça de escrever (bem) uma narrativa. No entanto, tenho esperança que a experiência de vida me dê novas ideias, perspetivas e aprendizagens nesse sentido. Ainda assim, tento ler sempre muito sobre o assunto, tanto por parte de quem sabe como de escritores, que são os melhores mentores possíveis.

E uma das coisas que mais me fascina no processo de criação é a construção das personagens e as suas ligações. Acho que um escritor tem de ter uma mente muito vasta para imaginar toda uma árvore em que tudo se liga para um determinado fim, tendo de ser realista e humano enquanto descreve todos aqueles acontecimentos. No entanto sempre me questionei até que ponto é que a profundidade dessas ligações é de facto criada pelos escritores ou se são os leitores, às vezes de forma obsessiva (eu, Carolina, me confesso) que as criam. Para além disso, acho sinceramente que são feitas leituras excessivas de todas e quaisquer frases que são escritas - um "sim" pode querer somente dizer "sim" e não trinta coisas diferentes; acho que às vezes os leitores têm tendência a dar mais significado às coisas do que as próprias pessoas que as escrevem.

Eu explico: peguemos no caso de J. K. Rowling, com os livros do Harry Potter. Há uns meses largos, quando tive a ideia de criar este post (sim, são estes os meus tempos de atraso...), cruzei-me com um post repleto de factos interessantes sobre o HP. Vejamos: "O último livro da saga decorre no ano em que o 1º livro é publicado, e muitos indicam que a frase “I open at the close” tem, realmente, um duplo significado." Outro exemplo: "Se alterarmos a ordem das letras do nome Remus Lupin, podemos escrever “primus lune” que se pode traduzir como “primeira lua”". Eu adoro a J. K., acho-a um génio, mas questiono-me muitas vezes: será que ela pensou, de facto, em tudo isto?! Todos os "potterheads" podem corroborar comigo: há teorias sobre tudo o que envolve o Harry Potter, desde os nomes das personagens, passando pelas suas famílias, feitiços e etc. Mas eu acho humanamente impossível que alguém tenha uma história tão bem construída, que tudo tenha uma razão por detrás, um significado subliminar. Penso, sim, que tal acaba por ser fruto de um trabalho posterior, tentando responder às milhentas perguntas de inúmeros leitores famintos que querem saber de coisas que nem tinham ocorrido ao escritor enquanto escrevia.

Há dias li uma notícia que contava que a autora de um poema que apareceu num manual escolar tinha reclamado devido ao facto de nem ela - que era a autora! - conseguir responder a uma pergunta que era feita sobre o seu texto. Acho que, muitas vezes, temos a tendência de esmiuçar tanto os textos, as frases e as palavras que complicamos tudo e esquecemo-nos de que, como na vida, há coisas que são como são, tão simplesmente. Lembro-me de pensar muito nisto quando dei Camões, altura em que me senti uma completa analfabeta - [supostamente] percebia tudo ao contrário, as minhas interpretações eram completamente díspares daquelas que eram propostas pelos autores e professores. E eu, nessa altura, anuía simplesmente e concordava, mas a verdade é que Camões já não está cá para dizer porquê - e sobre quê - que escreveu determinado soneto, pelo que não há prova dos nove possível para tirar as teimas.

Já foi o tempo em que escrevia textos que só eu entendia - diria que agora 90% daquilo que escrevo é claro como a água, sem mensagens subliminares. Mas a verdade é que se me mostrarem um dos textos que cabem nesses 10% que restam, eu provavelmente já não me vou recordar dessa corrente de "porquês/ para quês/ para quem's" que está por detrás daquilo. As coisas que escrevemos no momento fazem sentido naquele contexto, com aquele sentimento - e depois, como tudo o que é visto a longa distância, vão perdendo o sentido e eventualmente o valor. E a verdade é que nunca são perfeitos, porque são genuínos - porque pouco do que sentimos é racional e extremamente pensado. Por isso contem comigo para desconfiar sempre daquelas pessoas que têm narrativas construídas ao milímetro, com personagens desenhadas até ao âmago, com histórias de vida desde o primeiro minuto de idade - porque a verdade é que, na realidade, nós somos um esboço em constante criação, as coisas mudam e nada é perfeito. E se um livro se quer realista... tem de haver imperfeição, incoerência e irracionalidade à mistura - porque na vida também não há explicações para tudo.

08
Jan17

Chávena de letras - "A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num bar"

Carolina

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 O humor é algo que pensamos ser simples, inato e natural, porque provoca em nós (pelo menos quando bem feito) uma reação que é exatamente assim: o riso. Mas a verdade é que há muito que se lhe diga em relação à escrita humorística, quando vista de um ponto de vista racional e pragmático, como algo que não só se tem de nascença, qual dom, mas que também se aprende e se treina. É sobre isto o livro de Ricardo Araújo Pereira.

Que se desengane quem compra este livro para se divertir. A escrita do RAP está lá, mas isto é essencialmente a reflexão de alguém extremamente culto e com experiência sobre essa arte que é fazer as pessoas rir. Confesso que o primeiro capitulo foi um choque, porque parecia estar a ler uma tese cheia de referências bibliográficas: e embora elas continuem ao longo do livro, lêem-se bem e enriquecem-no imenso, nunca chegando a tornar-se chatas.
Há algumas coisas que, a meu ver, não ficaram muito claras e bem explicadas (caso do capítulo "mudar uma coisa de um sítio para o outro"), mas no fundo isto não passa de um manual sobre fazer humor, cheio de exemplos e muitas reflexões interessantes. É inegável a cultura e a inteligência do RAP, que transpiram a cada parágrafo deste livro.
Termino dizendo que uma forma de resumo desta obra é a entrevista do Alta Definição que Ricardo Araújo Pereira deu há alguns meses - muito do que está aqui escrito está lá dito, de forma se calhar menos exaustiva mas obviamente mais engraçada.
Em suma, gostei muito e aconselho a todos aqueles que queiram aprender um pouco mais sobre a escrita humorística, vista pelos olhos daquele que é, para mim, um dos melhores de Portugal.

06
Jan17

Chávena de letras - "Love&Gelato"

Carolina

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 Este livro foi óptimo para arrancar o ano e tem tudo o que se quer para os próximos doze meses: é doce e acaba bem. Para além disso passa-se em Itália, por isso as probabilidades de ser espetacular já eram elevads.

Antes de mais, começar pelo óbvio: a capa do livro é giríssima, super apelativa e, de alguma forma, representa o livro na perfeição. Na edição que comprei, da Simon Pulse, a capa com a imagem dos gelados é amovível, sendo a capa dura muito simples, à moda antiga, simplesmente cor de rosa - o que, só por si, já é muito giro.
Relativamente ao conteúdo não há muito a dizer: a escrita é fluída e "catchy", a história é engraçada embora o início seja triste, ainda que indispensável para a narrativa fazer sentido - só peca, na minha opinião, por ser muito previsível. As personagens são muito doces - talvez demais, aos olhos do mundo real - e muito fáceis de empatizar. Para além do mais proporciona-nos uma viagem por Florença e os seus pontos mais emblemáticos, fazendo com que eu tivesse ficado com ainda mais vontade de visitar Itália de uma ponta à outra.
Vou ficar de olho nesta autora e esperar por mais.

 

(lido em inglês)

01
Jan17

Os livros de 2016 e as expectativas para 2017

Carolina

2016 foi um ano estupendo mas, como não há nada perfeito nesta vida, temos mesmo de falar de um assunto sensível: os livros. No meu "reading challenge" tinha colocado uma meta de 20 livros e falhei por 3, algo que já não acontecia há alguns anos. Isto não tem nada que ver com "corridas" ou algo parecido, mas este tipo de metas ajudam-me a ler quando não estou tão incentivada; por outro lado, e apesar de não o fazer por obrigação, ler é quase um trabalho de casa - só lendo é que consigo escrever melhor, aprender mais.

Para além de ter falhado em termos de números, confesso que a qualidade do que li também não foi por aí além. Dos 17 livros que li, 11 foram em inglês - foi uma estreia, até aqui nunca tinha lido livros inteiros numa língua estrangeira e, como se percebe, virei fã; no entanto, confesso que o português me fez falta. Por outro lado a grande maioria deles foram livros Young Adult (YA) que, como também já se percebeu, é o meu guilty pleasure. De alguma forma sinto que a minha adolescência foi tão pacífica que adoro viver na pele dos outros sem ter todas aquelas consequências e ideias parvas que não tive na altura - nem queria ter, prefiro mesmo ler. É também uma forma de escape: é assumidamente literatura ligeira e eu posso arcar perfeitamente com esse "fardo", porque a leio precisamente para relaxar e me distanciar um pouco da minha nova vida de adulta. 

Acho que essa é mesmo a razão de não ter conseguido ler muito: em 2016 passou-se demasiada coisa na minha vida e eu estava concentrada em absorver tudo e a tentar desfrutar ao máximo. Foram muitas mudanças de rotina, entre exames - estágio - férias - trabalho e muitas coisas ficaram pelo caminho, porque eventualmente temos de definir as nossas prioridades. Ler é uma prioridade para mim, mas no meio de livros que não me cativaram e tanto mundo para explorar, a leitura ficou um pouco para trás - e é algo que quero muito reatar neste novo ano. Sem dúvida que os livros YA vão continuar a fazer parte da ementa, porque também me ajudam a ter vontade de ler, mas vou ver se consigo enveredar algumas vezes por obras mais sérias, de que também já sinto falta. Para não ficar à quem das expectativas, pus 15 livros como o objetivo deste ano - mas secretamente gostava obviamente de ler mais; de qualquer das formas, assim é mais seguro.

Sobre 2016 deixo aquela infografia giríssima que o Goodreads faz anualmente, acrescentando que o meu livro favorito do ano passado foi "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert". Os prémios de maior desilusão vão para a J. K. Rowling com o "Fantastic Beast and Where to Find Them" e o guião do "Harry Potter and the Cursed Child", o pior livro que li vai para o português Tiago Rebelo com "Romance em Amesterdão" e, terminando numa nota positiva, a descoberta do ano vai para Natasha Boyd, de quem gostei muito dentro do estilo YA.

Que 2017 traga muitos livros, muitas letras e muitas surpresas!

 

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12
Dez16

Chávena de letras - "Remember When"

Carolina

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Ler romances Young Adult (YA) é como voltar a casa. Pelo menos nesta fase da minha vida é algo que me dá realmente prazer em ler e que tenho facilidade em devorar. Já tinha esta trilogia pousada na minha estante há algum tempo, depois de a ter comprado após ler umas críticas positivas no Goodreads e achei que era altura de lhe pegar. 

A primeira coisa a assinalar é que a edição é muito fraquinha. Parece um simples documento word impresso com a primeira fonte que apareceu, sem qualquer tipo de desenho, destaque de capítulos ou qualquer outro floreado ao nível da edição que a torne mais rica. A capa também não tem nada que ver com o livro (talvez tenha sido a primeira imagem que apareceu no google?), por isso a obra ganhava muito em ter este aspeto mais trabalhado. Porque de facto merece.

Esta é uma história fácil de ler, com muito humor e algo que é raro encontrar em personagens neste tipo de livros: auto-crítica. Os adolescentes são muitas vezes retratados como simplesmente impulsivos e quase "sem cérebro", regendo-se simplesmente pelas emoções e pelas hormonas. A minha experiência não foi assim e calculo que nem todas assim sejam, pelo que é bom ver que há autores que se aproximem dessa visão mais realista (na minha opinião) daquilo que é ser jovem. A personagem masculina, como de costume, é perto de irresistível, por isso também não há nada que lhe possa apontar.

Há muita coisa que é possível desenvolver nos próximos dois livros, por isso já estou no encalço do segundo volume desta história que quebrou com a minha "depressão literária".

20
Nov16

Sim, eu gosto da Cristina Ferreira

Carolina

Não percebo o ódio crónico que muitas pessoas têm pela Cristina Ferreira. Se antes argumentavam dizendo que era "uma peixeira" ou tinha uma "voz esganiçada", hoje ficam aparvalhados com o seu sucesso e isso, só por si, já é uma boa razão para não gostarem dela.

Eu cá digo-vos uma coisa: eu admiro-a profundamente e olho para ela como uma inspiração. Ela é a materialização de um dos valores principais da minha vida: o trabalho. É a prova de que, trabalhando, se consegue atingir tudo, mesmo apanhando pedras pelo caminho - que as há, em qualquer dos trilhos que escolhamos para as nossas vidas. 

E isto não quer dizer que a adore, que veja o Você na TV, que leia o seu blog, que goste dos looks dela, que compre a revista. Pelo contrário: não gosto muitas vezes da roupa que escolhe, a veia histérica dela irrita-me um bocadinho, a revista que gere e dá o nome tem sempre uma componente sexual implícita que não me chama a atenção. Mas isso não quer dizer que não reconheça o trabalho árduo que ela tem e o do percurso magnífico que tem traçado nos últimos anos, como nunca nenhuma figura pública tinha feito em Portugal. 

Acho-a uma mulher inteligente, admirável, verdadeira, genuína e com olho para o negócio. E para além de ter conseguido tudo o que temos visto, há ainda outros pormenores interessantes que não são tão focados mas igualmente importantes. A forma exímia como gere a sua vida privada, por exemplo - nunca lhe vimos a mãe, o pai, o filho, a casa ou o local onde vive. Para alguém que tem os holofotes sempre em cima de si, isto é algo absolutamente heroico e de louvar. E eu percebo. Acho que quem tem sempre pessoas a olhar para si deve mesmo precisar de ter um refúgio onde não pairem olhos desconhecidos.

A gestão que ela tem feito de tudo isto, a forma como vai libertando novidades consecutivas, é por um lado inteligente e por outro arriscado. Cheguei a um ponto em que já não a podia ver à frente, ela era quase omnipresente: nas revistas, nos livros, na televisão, nos anúncios, na rádio, nos blogs, no facebook, no instagram. Achei que esta presença tão forte iria acabar por enjoar o público, tal como me enjoou a mim. Aparentemente, enganei-me. Ela continua aí, de vento em popa, a lançar coisas sempre com o fator "novidade" e "inusitado" associados. E, perante as evidências, só tenho de me render e aplaudir.

Ontem ela lançou o seu livro aqui no Porto, cidade que bem sabe receber. Mais um golpe inteligente. É claro que, tendo em conta todo o secretismo em que ela envolveu a sua vida pessoal, qualquer pessoa que simpatize com ela tem curiosidade (ou cusquice) e esperança de saber um pouco mais das suas raízes e da sua esfera privada. Eu confesso que folheei o livro no dia em que ele foi para as bancas e pareceu-me ser um simples livro de crónicas ou memórias, com uma escrita que aparenta ser mesmo ser dela (comparada com a do seu blog), que não é de todo má.

Eu não fui ao lançamento, que não sou dessas coisas e enchentes é coisa que me aflige, mas fica aqui descrita a minha admiração pública por esta miúda que conquistou Portugal. Não sei se vou ler o livro mas posso garantir que não tenho vergonha se o fizer, pois encaro-o como um conjunto de histórias de alguém que admiro e que é uma inspiração para alcançar sempre mais.

15
Nov16

Nós, os fãs insaciáveis

Carolina

Eu acho que nós, fãs acérrimos de alguma coisa, somos quase como uns viciados em droga - chegamos a um ponto em que, se nos derem mais um bocadinho só para matar as saudades, e mesmo que saibamos que não nos vai fazer bem, consumimos porque é mais forte que nós. 

É isso que sinto em relação ao Twilight e ao Harry Potter. É claro que eu sei que nada vai ser como dantes, que nada vai ter o mesmo sabor, que nada bate aqueles anos completamente aéreos que vivi. Também sei que a idade é diferente, assim como a minha maturidade e forma de olhar as coisas - opá, cresci, essa coisa inevitável da vida. Mas mesmo sabendo de tudo isto, não consigo deixar de voltar a estes dois mundos que, numa altura em que sentia que o mundo real não me percebia - ou, aliás, me rejeitava - me receberam de braços abertos, sem "porquês" ou contestações. 

Abro os livros para lhes sentir o cheiro e ver as suas páginas tocadas e amareladas. Revejo os filmes, penso coisas como "esta cena é mesmo muito parva" e páro tudo nos segundos precisamente antes das minhas cenas favoritas. Digo em voz baixinha as falas todas que sei de cor, canto as músicas e elogio pela milionésima vez as bandas sonoras. E depois, no fim, ignoro o nó na garganta que teima em ficar, não importa os anos que passem. 

E depois, de vez em quando e no meio desta nostalgia, tanto a Stephenie como a J.K. Rowling lembram-se de lançar mais uma coisas para o mercado e fazer dourar a pílula para todos aqueles que, como eu, têm esta doença incurável de se apaixonarem por livros e filmes. E eu sei, racionalmente, que isto são truques de marketing para rechear aquelas contas que já estão a rebentar pelas costuras; sei que cresci e que por ter crescido as coisas já não soam tão bem, tão mágicas, tão especiais; sei que vou chegar ao fim dos filmes, dos livros ou o que quer que seja e que aquele bichinho que achávamos que íamos amainar por termos "alimentado" continua ali, voraz como sempre, e a gritar aos teus ouvidos que "não é a mesma coisa, não é isto que eu quero, não era assim que isto devia saber!". Lá está, quase como uma droga que nunca nos sacia, que nunca sabe bem o suficiente - e da qual queremos sempre, sempre mais e de que saímos sempre, sempre insatisfeitos.

É por isto que li aquela reedição do Twilight com as personagens trocadas, que comprei os outros livros da J.K., que tenho todos os DVD's e outras 21 mil tralhas. E mesmo sabendo que nunca é suficiente, também é por isso que em breve vou ter o novo livro da Stephanie na estante e que estarei sentada num cinema a ver o "Fantastic Beasts And Where to Find Them" - que, até aqui, tinha dito veemente que não ia ver porque, na realidade, ainda não me tinha despertado interesse. Mas hoje dei por mim a ver a premiere do filme, em direto e em livestream, tal como nos bons velhos tempos - e veio tudo de volta a mim, incluindo aquela vontade incrível de desfrutar, nem que seja por um pequeno segundo, destes mundos.

É simplesmente mais forte que eu. No fundo, acho que não passa de uma simples utopia humana: queremos voltar sempre aos sítios onde fomos felizes - mesmo que esses sítios sejam meros cenários imaginados por alguém, com personagens tão ricas e tão boas que, na verdade, nunca poderiam ser reais.

04
Nov16

Book tag - um livro para cada dia da semana

Carolina

O Capitão Fantástico passou-me uma book tag e, mesmo eu só fazendo estas coisas muito de vez em quando, acho que é bom para desenjoar - e se mete livros, melhor ainda! Fica abaixo a lista de um livro para dia da semana! (E obrigada Capitão!)

 

Domingo - Um livro que não queres que termine ou não querias que terminasse. 

"O Sentido do Fim", de Julian Barnes. Já o li há vários anos e continuo a acha-lo um dos meus livros preferidos; perguntem-me "porquê?" e eu não saberei responder. Já na altura não sabia, mas hoje ainda sei menos, porque já não me lembro do enredo e, por isso, planeio relê-lo brevemente, a ver se me torno a apaixonar. Ainda assim, recomendo-o sempre e a ideia que fiquei dele foi de uma adoração total e sei bem que, na altura, não o queria acabar.

 

O Sentido do Fim.jpg

 

Segunda-Feira - Um livro que tens preguiça de começar.

"A Guerra dos Tronos", de George R. R. Martin. Eu cometi o erro grave de começar a ver a série antes de ler os livros. Já os tinha aqui em fila de espera há muito tempo, muito antes de ver a série, mas um dia deu-me na realgana, comecei a ver os episódios e pus os livros de parte. Hoje arrependo-me e acho que fiquei a perder com isso, continuando a querer lê-los, mas já sabendo a linha da história torna-se mais complicado ter força de vontade para o fazer.

 

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Terça-Feira - Um livro que leste por obrigação

"Felizmente Há Luar", de Luís de Sttau Monteiro. Pode dizer-se que já comecei a ler vários livros por obrigação, mas foram poucos aqueles que acabei, como é o caso deste. Nunca o leria numa ocasião normal e não gostei do livro, o que vale é que era uma leitura breve e ligeira (ao contrário d"Os Maias" ou o "Memorial do Convento", ambos obrigatórios e que ficaram a meio... shame on me).

 

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Quarta-Feira - Um livro que deixaste pela metade ou estás a ler no momento

"Toda a Luz que Não Podemos Ver", de Anthony Doerr. Estava super animada por ler este livro, li bastantes críticas antes de o comprar, mas quando o comecei a ler fiquei entediada. Uma prova de que só lemos aquilo que queremos é que quando voltei ao Goodreads para reler as críticas, só me apareceram coisas más, que coincidiam com a minha opinião sobre o pouco que li desta obra. Acho que, em relação a ele, vou mesmo ficar por aqui e desistir.

 

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 Quinta-Feira - Um livro "de quinta", que não recomendas

"Eu, o Earl e a tal miúda", de Jesse Andrews. Foi dos piores livros que li nos últimos anos e escrevi (como sempre) um review sobre isso, que podem encontrar na minha rubrica "Chávena de Letras". Tudo o que posso dizer é: fujam!

 

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Sexta-Feira - Um livro que queres que chegue logo (lançamento ou compra)

Qualquer um do Joel Dicker ou da Gayle Forman. Neste momento não tenho nenhum livro pelo qual espero ansiosamente, mas há sempre um conjunto de autores que têm a minha compra garantida mal deitem qualquer coisa para as estantes das livrarias. Esses são só dois deles.

 

Sábado - Um livro que quiseste recomeçar assim que terminou

"A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert", de Joël Dicker. Este foi o livro que me fez apaixonar pelo autor suíço e que eu adorei de paixão. Não sou pessoa de reler livros - até hoje, nunca reli nenhum na íntegra, só partes. Quando e se reler, não será certamente logo após ter finalizado a leitura, uma vez que preciso quase de um período de "desintoxicação" depois de ler qualquer livro. Ainda assim, se o fizesse, tenho a certeza que este seria um bom exemplo.

 

verdadesobre.jpg

 

Infelizmente, neste momento, não sou leitora habitual de muitos blogs, pelo que deixo a tag aberta a quem a quiser fazer (é gira, por isso aproveitem). 

28
Out16

Chávena de letras: "Onde estás, Audrey?"

Carolina

onde-estás-audrey.png

 Nunca tinha lido nada de Sophie Kinsella, mas fiquei surpreendida quando pesquisei o seu nome e vi boas classificações para livros que eram aparentemente leves e divertidos. 

Comprei este, acabadinho de chegar às livrarias, por causa da capa; achei-lhe piada, vi a sinopse, vi as classificações no Goodreads e, estando num bloqueio de leitura, atirei-me de cabeça.
Não posso falar em relação aos outros, mas este está longe de ser um livro extraordinário. É simples, talvez demasiado simples; há uma situação traumática que nunca é bem explicada ou contextualizada, sendo que tudo se desenvolve a partir daí. As personagens podem ter graça, mas são pouco sustentadas e senti alguma falta de background em todas elas.
No entanto, é um livro de leitura extremamente fácil e rápida, que consegue bem-dispor com alguma facilidade apesar do problema grave que é retratado. Considerei este um livro mediano, mas não fiquei fã da autora.

 

P.S.: Se houver interessados, estou a vender o livro - é dos tais que prefiro "passar", porque não quero ter em casa. 

25
Out16

Preciso de encontrar "o tal" - e sim, estou a falar de um livro

Carolina

Achavam que eu estava só desconsolada na comida? Nã... o problema vai para além disso e abrange outra das coisas que mais amo (até porque comer também está claramente no meu top 3 das melhores coisas da vida). Estou a falar das leituras. Pelo menos uma vez por ano dá-me isto e 2016 estava a correr-me muito bem até o fim de Julho. Depois disso as férias começaram a ser demasiado entusiasmantes e cansativas para pegar num livro, a seguir comecei a trabalhar e fiquei assoberbada com o volume de trabalho que tive e o cansaço com que ficava ao fim de todos os dias... e os livros foram ficando na estante, sendo que também nenhum "gritava" particularmente por mim nem me entusiasmava o suficiente para quebrar este ciclo.

Pode dizer-se que na primeira metade do ano li 15 livros, o que é uma média excelente e que adorava poder continuar - mas já tirei o cavalinho da chuva, porque já percebi que agora vai ser difícil continuar com esse tipo de ritmo. No entanto também é verdade que muito poucos desses livros tinham algum conteúdo de grande relevância ou valor: dediquei-me especialmente aos romancezinhos adolescentes que por aqui tinha, principalmente em inglês, e devorei-os até não ter nem mais uma página por onde divagar. Entretanto apaixonei-me pelo Joel Dicker, mas o homem também ainda não escreveu muito, pelo que foi sol de pouca dura.

Entretanto a minha vida está a acalmar e as rotinas estão a estabilizar, pelo que já arranjo forças para pegar num livro antes de dormir em vez de cair direta em cima da almofada. Quem olhar para a barra lateral deste blog, ali para as zonas de leituras, pensará: "uau, tão erudita, a ler vários livros ao mesmo tempo!". Mas não. No fundo, são tentativas falhadas de um regresso à leitura que não está, de forma alguma, a ser fácil. Não são livros maus, simplesmente não são os livros certos. Preciso de "meter a primeira" com algum livro que me prenda mesmo e sei que, a partir daí, já sigo na "estrada" em velocidade de cruzeiro e a ler quase tudo o que tenho por aqui - incluindo todos aqueles livros que tenho posto em stand-by por não me prenderem o suficiente para me manter acordada mais vinte minutos todas as noites.

Em desespero de causa comprei mais um daqueles livrinhos fáceis e com histórinhas de cordel para engatar na leitura - e está a funcionar. Espero ser o suficiente para me fazer chegar à meta dos 20 livros que me auto-propus a ler este ano; caso contrário, bem que fico pelos 15 livros por tempo indeterminado. Ainda assim, estou desconsolada e preciso de um livro que me encha as medidas. Hoje em dia há tanto, tanto, tanto livro que seria lógico que fosse mais fácil encontrar algo de que gostássemos, por haver mais oferta; mas todas aquelas prateleiras das livrarias parecem transformar-se em autênticos palheiros, onde os livros bons são agulhas que agora são cada vez mais difíceis de encontrar. 

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