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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

19
Nov17

Desabafos de uma autodidata

Carolina

Desde muito miúda que me lembro que um dos elogios que a minha irmã mais me tecia era de eu ser autodidata. Não me recordo sobre o quê que ela se referia na altura, mas a verdade é que com o passar os anos essa foi uma característica que de facto eu fui apurando e gostando mais e mais em mim. E, acima de tudo, penso que ela é movida por uma outra característica: eu detesto pedir ajuda. Posso estar perdida numa vila qualquer, posso não encontrar o fermento no supermercado, posso não saber de onde veio uma t-shirt que encontrei numa loja e que quero num tamanho acima: mas antes de pedir ajuda utilizo todos os recursos à minha disposição para tentar encontrar as minhas respostas.

E eu percebo que nem toda a gente seja como eu. Penso que também já nasci numa geração onde é fácil encontrar as respostas à maioria das nossas dúvidas - saco do telemóvel, vou ao google e encontro o que procuro; ou vou ao maps, ao Youtube, ao TripAdvisor ou o que quer que seja. Vivemos numa era em que só é inculto quem quer, porque quase todos temos acesso a esta cena incrível que é a internet. Ainda assim, desculpo as pessoas mais velhas, que não nasceram com um telemóvel no bolso e com a certeza de que aquilo não serve só para fazer chamadas, mas sim que todo o mundo cabe ali dentro. Mas a preguiça é algo que eu tenho mais dificuldade em aceitar - e acho que muitas das "dificuldades" que muita gente tem não passam disso mesmo. Porque é mais fácil perguntar a quem sabe.

Mas como é que eu sei dar uns toques em html e css? Como é que eu sei trabalhar em photoshop, premiere e lightroom? Olhando para os programas, tentando, errando, pesquisando, querendo fazer sempre mais que o básico. São raras as vezes em que trabalho nestas ferramentas e que não faça uma pausa para ir ao youtube e pesquisar qualquer coisa que comece com "how to...". Porque é assim que hoje em dia se faz: não é em livros, não é em enciclopédias, não é com CD's que vêm em revistas especializadas. As coisas evoluem tão rápido que não dá sequer tempo para escrevermos e lermos sobre elas. É fazer e aprender; e aprender mais depois disso.

Por isso aflige-me que as pessoas tenham medo de clicar, de fazer asneiras, não tendo sempre em mente que nos programas quase tudo é reversível; aflige-me que estejam sempre a perguntar se "é aqui?" sem ler aquilo que está escrito, sem tentarem fazer um raciocínio lógico; aflige-me que o seu primeiro recurso aquando de qualquer dúvida é chamar o nome de alguém que acham ser entendido em vez de o fazerem pelos seus próprios meios; e aflige-me que me digam "um dia destes tens de me ensinar a trabalhar com este programa".

Porque a verdade é esta: as coisas aparecem feitas, eu na prática sei funcionar com os programas, mas não sei ensinar ninguém a trabalhar com o que quer que seja para além do básico. Eu aprendo à medida que trabalho: eu faço asneiras, volto atrás, tento de novo; eu pesquiso depois de não conseguir, tento, não consigo, pesquiso de novo, tento de novo; às vezes decoro os truques, outras vezes tenho de procurar de novo aquilo que outrora já soube; não tenho manuais, não tenho coisas escritas. Aquilo que eu tenho é prática, são horas de trabalho, é a capacidade de não desistir aos primeiros erros nem com a frustração. É capacidade de pesquisa, de encontrar respostas. Porque eu ajudo, mas não sou o Google: e muito menos um manual de instruções.

Se querem fazer, é porque acham que conseguem. E se eu consegui aprender, os outros também podem. Por isso mexam-se. Os tempos mudam - tentem mudar também.

17
Nov17

Os meus arrumos são mais bonitos que os teus

Carolina

Sou uma mulher de blogs. Desde muito nova que adoro o conceito e já conto com mais de uma dúzia deles no cartório - foram tantos que eu nem sequer me lembro de alguns deles. Recordo-me que um dos primeiros foi precisamente sobre o Sims (que falei no outro post), aqui no sapo, ainda os blogs estavam a nascer - perdi-lhe o rasto porque na altura desisti, por achar a plataforma pouco intuitiva. Tive outros pelo caminho, inclusivamente noutras plataformas, mas só lhes comecei a prestar mesmo atenção a partir de 2009, altura em que também comecei a escrever.

Este é, sem dúvida, o mais importante de todos: é o fio da minha vida. Já me acompanha desde 2011, passa por muitas fases, e é aquele em que eu dispenso sempre mais energia e atenção. Já tive outros blogs de escrita propriamente dita, mas por falta de interesse (da minha parte ou do público) ou por falta de tempo e vontade para escrever acabavam por morrer. Os blogs que tenho agora - para além dos relacionados com o Twilight, que ainda não morreram, mas não são alimentados por mim a não ser que haja algo de excecional - são o que chamo "blogs de arquivo": um com receitas, que infelizmente não tenho atualizado muito porque não me tenho dedicado como gostaria à cozinha/doçaria; outro com citações de livros, que é atualizado quando tenho coisas para lá pôr (o que só acontece quando leio com abundância, o que não tem sido o caso); e por fim a razão deste post, o meu blog dos arrumos, onde ponho tudo e mais alguma coisa. Podiam perfeitamente ser blogs privados, porque não têm vertente comercial: não há uma constância nas publicações, não são posts necessariamente bem apresentados - que por vezes até têm erros por serem escritos do pé para a mão - não há nenhuma publicitação nas redes sociais e afins. Mas nunca vi nenhuma razão para os esconder: se eu guardo coisas é porque as acho úteis e, se são úteis para mim, também podem ser úteis para mais alguém.

De qualquer das formas, ressuscitei de forma mais intensa um desses blogs aqui há uns tempos. Já aqui tinha falado dele, porque sempre achei que, dos três, podia ser o que tinha mais interesse para o público - mas acabei por nunca investir tempo nele. Comecei por lhe chamar "aquele baú", no sentido em que era um baú virtual onde arrumava todas as coisas que não têm sítio; mas esse nome não puxava por mim, não me dava grandes opções de imagem, e desde aí que nunca mais alimentei o blog, apesar de sempre ter gostado da ideia original. Há uns tempos tive um vipe que não me saía da cabeça e pus as mãos na massa: remodelei toda a imagem do estaminé, mudei-lhe o nome e comecei a organizar toda a tralha que tinha aqui no computador para a ir colocando lá, de forma ordenada.

Porque esta é a vantagem dos blogs de arquivo: com as tags, eu consigo organizar (e encontrar) tudo com muito mais facilidade do que estando apenas numa pasta algures no meu computador. Eu tenho aqui centenas de imagens, de sites, de vídeos, de ferramentas e links que nunca pego ou sequer abro - muitos porque nem me lembro da sua existência! Estão em pastas alheias, escondidas, cheias de teias de aranha, porque de facto não têm grande utilidade prática... muitas delas contém apenas coisas giras, que outrora me inspiraram, que me alegraram o dia, que eu achei que podiam fazer sentido no futuro, mas que, naquele estado, nunca iriam servir para nada. 

Quem me segue através dos Blogs do Sapo já se tem apercebido, mas quem só vê os posts por email ou através do facebook desconhece que nasceu o "Ideias nos Arrumos" e eu acho que, pelo menos uma vez, devem ir lá espreitar. Tenho aqui coisas no computador suficientes para meio ano de publicações diárias e é isso que tenho tentado fazer: posts todos os dias. Mas descansem, o Arrumos é a antítese do Entre Parêntesis: é light, tem poucos textos, vive de imagens e traz, quase todos os dias, algo de inspirador. Diria mesmo que é para um público bem diferente deste que por aqui anda. Mas no fundo, tem tanto de mim como este blog, mas numa versão muito mais ligeira e superficial, onde só se apanham praticamente coisas boas.

Não tenciono criar um facebook para ele nem vou fazer muitas vezes isto (publicita-lo no meu blog principal) por isso, se gostarem da ideia e o quiserem acompanhar, sugiro que subscrevam as suas publicações por email, que o leiam através de um feed rss ou que simplesmente percam um minuto e meio do vosso dia e vão lá dar um passeio. Acho que é capaz de valer a pena: e digo isto porque, apesar de ser eu a "criadora", acho que era um blog que eu gostaria de visitar se fosse de outro alguém.

 

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15
Nov17

As impressoras são a ralé dos hardwares

Carolina

Há algumas coisas que detesto nesta vida. Para além daquelas coisas básicas que toda a gente sabe e que também detesta (médicos, cobras venenosas, agulhas, trânsito e etc.) há um leque de outras coisas muito irritantes nesta vida. Como empresas de telecomunicações (quem nunca protestou e quem nunca se sentiu roubado por uma?) ou, no meu caso, impressoras. Eu tenho um caso sério de ódio por impressoras porque elas pensam que são gente. E, pior que gente, são gentinha de nariz empinado, com mania que têm uma personalidade forte, quando na verdade são só parvas. 

No mundo informático há tantas outras coisas de que não sou propriamente fã - começamos, de uma forma geral, com os macintosh e podemos acabar com o magnífico iTunes, óptimo para arrancarmos todos os cabelos enquanto tentamos fazer algo de útil com ele. Mas em termos de hardware as impressoras ganham num abrir e piscar de olhos. Elas recusam-se a operar quando têm um (um!) dos tinteiros vazios; elas não desligam quando estão empancadas numa "operação em curso" mesmo que cliquemos em todos os botões ao mesmo tempo de forma a despoletar uma overdose de cliques; elas têm botões para digitalizar e mandar faxes mas nunca funcionam - para tais funções serem ativadas tem de ser através do software do computador; quando vamos ao software, ele diz-nos que a impressora está desligada quando nós podemos jurar pela nossa mãezinha que ainda há trinta segundos a filha da mãe imprimiu uma página de teste; depois de o status passar a ligado, ela acha que ainda não está na hora de trabalhar, colocando-se misteriosamente "em espera"; quando por fim ela decide digitalizar o que quer que seja, demora 5 minutos em cada página, qual caracol lento e enraivecido por se ter levantado cedo da cama; quando é para mudar de tinteiros fazem birra - uma pessoa põe um e elas não detetam, torna a tirar para tornar a colocar e nada... só passados 15 minutos é que elas fazem "plim", como quem diz "na na na na na naaaa, estava só a brincar!". Enfim. É de ir à loucura.

E das duas uma: ou eu tenho muita pontaria nas impressoras que escolho ou então elas são todas assim. Porque esta não é a primeira que eu tenho - é pra'i a quarta! E são todas assim, "espíritos livres", como lhe chamaria alguém mais educado e apaziguador. Eu, só assim ao de leve, acho que são umas cabrinhas, vá. 

Há uns tempos tive de ir comprar uma para a empresa onde trabalho. Sabendo que os maus humores deste dispositivo iam sobrar para mim, cortei o mal pela raiz: aquilo não digitaliza, não envia faxes, não tem cores, não tem A3 nem A5 nem todos esses tamanhos desinteressantes, não tem ecrã, não tem teclado, não tem NADA. Só imprime, a preto e branco, e bem rapidinho - as folhas saem que nem pãezinhos quentes. Sei que depois disto o sindicato das impressoras - que de certeza que ainda é mais insuportável que o dos professores - se vai unir contra mim e a filha da mãe vai deixar de trabalhar, à custa de uma greve provocada por insultos àquela classe operária. Mas aoCabrinhas.

 

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13
Nov17

Uma infância a jogar Sims (e muitas saudades...)

Carolina

Não sei se alguma vez falei aqui da minha paixão assolapada por Sims quando era criança - o que é estranho porque, de facto, este jogo foi uma parte quase que essencial da minha infância. Só para perceberem, aquilo era importante o suficiente para eu gastar a minha mesada e todas as minhas poupanças: logo eu, que sempre fui forreta, não gastava nem eu cêntimo em qualquer outra coisa. Mas se saía uma extensão eu estava na fnac a compra-la e a desembolsar o que quer que fosse, perante o olhar surpreendido dos meus pais.

Os Sims são a única razão pela qual eu me contenho a criticar as horas que os meus sobrinhos passam com os eletrónicos - porque eu passava o dia inteiro a jogar aquilo, excluindo refeições e idas à casa de banho. Era uma loucura que nem eu sei como é que os meus pais toleravam - mas foi uma época (anos!) mesmo feliz e, diria até, bastante partilhada. As coisas não eram como são agora: não havia possibilidade de entrarmos nos jogos uns dos outros, mas eu lembro-me de jogar com os meus primos ou de ligar à minha prima a dizer que a minha família tinha tido um bebé, que o pai tinha morrido num fogo (sim, estas coisas aconteciam - e nós fazíamos de propósito) ou que tinha descoberto uma funcionalidade qualquer nova.

Ainda hoje são os jogos que eu guardo - tenho-os todos comigo, mesmo estando em crer que já não funcionariam com os sistemas operativos atuais. Passei muitas horas da minha vida a jogar o Sims 1 e, quando veio o Sims 2, a diferença foi brutal. Aliás, foi representativa da época: as coisas nos videojogos evoluíram tanto num espaço de tempo tão curto que o jogo quase nem parecia o mesmo. Eu criava tantas coisas, tinha tantas expansões, que dei cabo do meu computador e tive de o equipar com aquilo que, à altura, era uma super placa gráfica: por isso, agora que penso, também eu fui uma gamer nos meus tempos áureos (ah ah ah).

Eu era obstinada com aquilo. Chegava ao ponto de ter documentos com todas as famílias que tinha, com a informação sobre os agregados familiares, o que cada um fazia, a planta da casa, entre outras coisas - por isso, como veem, a minha "panca organizacional" não é de agora. Isto afetou-me de tal forma que eu considerei seriamente ir para decoração de interiores: porque mais do que fazer aqueles bonecos viver, eu adorava decorar as casas, os espaços, os negócios... era a minha perdição. E sim, eu era batoteira: como adorava comprar tudo do bom e do melhor, "criava" dinheiro e assim podia decorar as casas conforme queria. Mas tudo dependia da filosofia de cada família: algumas, "as honestas", lutavam para conseguir aquilo que tinham - mas eu perdia a paciência, porque elas ganhavam um salário muito baixo, eu nunca mais tinha dinheiro para comprar as coisas essenciais e desistia com facilidade. Mas, fora isso, posso dizer com bastante orgulho que passaram por mim muitas e muitas gerações de Sims.

Não sei precisar quando deixei de jogar, mas foi algo muito gradual e acho que por culpa de duas coisas: a primeira foi a falta de tempo - com o passar dos anos vêm as responsabilidades, os trabalhos de casa e outros interesses, por isso acabei por ir jogando menos e menos; a segunda foi o facto de ter comprado o Sims 3 e ter ficado cansada. E porquê? Porque eu sou uma miúda do Sims 1, dos bonecos irrealistas, das coisas simples, das casas só com meia dúzia de cores, das mobílias feias, das músicas só com piano. E a passagem para o 2 foi de facto brutal e necessária, foi todo um mundo diferente, mas o 3 já tem tanta, tanta, tanta coisa que eu já não sabia para onde me virar. A verdade é que aquilo cada vez mais se assemelha à vida real, e a complexidade do jogo aumentou de forma brutal e, a meu ver, desproporcional. Quando eu comecei a jogar, as personagens só tinham fome, sono, higiene, conforto, um objetivo de vida e pouco mais; no 3 eles já tinham traços de personalidade vincados, já ficavam rabugentos e a bater nas coisas caso eu não fizesse aquilo que eles queriam ou até tinham vontade própria. Ao clicar no frigorífico, em vez de ter "fazer jantar", tenho dez opções diferentes (incluindo vinte outras com refeições, que tenho de escolher, mas antes preciso de comprar os ingredientes). E ao clicar na cama, em vez de "dormir", eles podem fazer outras dez coisas diferentes - e, se bem me lembro, já nenhuma diz "triqui-triqui", como originalmente, onde a dita ação só podia ser feita numa cama cor-de-rosa, com uma cabeceira em forma de coração e com níveis de pirosice mesmo muito duvidosos.

Curiosamente, jogar Sims é das coisas que recordo com muita, muita saudade. E sinto aquela coisa típica de velha ao pensar "aquele primeiro jogo é que era bom". Eu tenho consciência que os gráficos eram trágicos, mas tenho na memória tantas coisas guardadas que é difícil ultrapassar. Lembro-me bem de passar a ter animais de estimação, de haver discotecas e restaurantes no bairro... e de no 2 poder abrir o meu próprio negócio (eu matava os meus sims com esgotamentos graças a eles... ups), de ir para a faculdade (alugava um quarto numa residencial, atafulhava-o de coisas e fazia a minha criatura passar o tempo quase todo lá para ter A's a tudo... eu sei, era terrível), de passar a ser possível ter apartamentos ou de, finalmente!, passar a haver estações do ano - com chuva, sol, folhas no chão ou trovoada. 

Normalmente há qualquer coisa que me despoleta lembranças ou saudades e, depois desses momentos, venho aqui escrever para aliviar a alma. Mas hoje não. Do nada, abri o YouTube e decidi ouvir as músicas do Sims 1 - aquelas que ouvíamos enquanto construíamos a casa ou andávamos na cidade. QUase odas elas ao piano e todas com um sabor tão característico a infância... Passaram-se não sei quantos anos, mas aqueles sons continuam a viver dentro de mim e eu reconheceria-os até noutro planeta. Esta é a prova de que a vida passa, mas há coisas que ficam: porque, passado todo este tempo, eu sinto que poderia falar ou escrever sobre isto durante mais duas horas sem nunca me cansar, enquanto debitava detalhes e memórias que teimam em não desaparecer.

 

(E depois deste post, tudo o que me apetece é instalar o jogo e fazer uma direta a criar casas e vidas, ignorando o facto de ser adulta e de amanhã ter um dia de trabalho pela frente. Não posso ser pequenina outra vez? Por favooooor?).

 

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11
Nov17

Web Summit: o rescaldo final

Carolina

Acho que antes de começar este post devo fazer um disclaimer: em primeiro lugar, eu não paguei para ir ao WebSummit - como sou menor de 23 (ou 25? anos), o bilhete foi-me oferecido devido a uma promoção que na compra de dois bilhetes normais dava outro para um "entrepreneur"; em segundo lugar, fui lá como mera adepta das novas tecnologias e do conhecimento geral - há poucas coisas sobre as quais não goste de aprender e dada a vasta quantidade de talks disponíveis, achei que seria interessante e que enriqueceria a minha bagagem; em terceiro lugar, nunca esteve nos meus planos conhecer startups, (porque não ia investir nem escrever sobre elas) nem pessoas - o que, depois de lá ter estado, acho que é o core deste evento.

 

"O problema não és tu, sou eu". Acho que esta frase, tão comummente usada para terminar relações pelos quatro cantos do mundo, se aplica na perfeição no que diz respeito à minha visão da Web Summit. Acho que ficou patente no meu primeiro texto sobre o evento que eu não estava a adorar e a verdade é que, quando saí, não passei a gostar mais do que no primeiro dia. Não fui feita para viver em ambientes caóticos, cheios de gente, com barulhos e estímulos vindos de todos os lados. Mas era expectável que um evento com mais de 50 mil pessoas, metidas em cinco pavilhões, fosse assim: eu é que fui naive ao ponto de não me lembrar disso.

Acho que vale a pena ir quem, de facto, estiver interessado em conhecer parceiros de negócio. Mas é muito importante saber-se concretamente aquilo que se quer e ao que se vai, porque a oferta é tanta que, se não segmentarmos bem a coisa, o mais provável é passarmos o tempo entre vai-e-vem's. Eram imensos os balcões de startups, sobre tudo e mais alguma coisa, em que cada micro-empresa só tinha prá'i um metro quadrado para ter as suas coisas, o que tornava aquelas zonas sempre em sítios super caóticos. Para além disso, havia os stands das grandes empresas, que devem pagar balúrdios para lá estar. Eu sou sincera: não percebo muito bem o que é que muitas entidades estão lá a fazer, de um ponto de vista prático. Acho que a ideia é só estar presente no evento, marcar um X, gastar um dinheirão e depois voltarem de novo para as suas vidas.

Isto é o que acontece, aliás, com a maioria das pessoas. Percebe-se perfeitamente que muita gente está lá para fazer parte daquilo - basta ver a quantidade de pessoas que andava a fazer diretos enquanto passeava pela feira ou simplesmente esperavam que as filas da segurança andassem. Eu, como pessoa que fui lá para conhecer o evento mas principalmente para ver as talks, digo sinceramente que preferia ter ficado em casa. Foi giro conhecer, foi giro ter um badge com o meu nome e uma pulseirinha para o evento mais falado do ano, mas quando percebi que todas as talks a que fui - ou que queria ter ido - estavam no facebook, com uma qualidade de áudio e de imagem dez vezes melhor do que eu presenciei, arrependi-me um pouco das horas e do cansaço que ali dispensei. Acho que podemos comparar isto a um jogo de futebol: se quiserem sentir a adrenalina e a emoção, vão ao estádio; se querem ver tudo na mesma (ou ainda melhor) e estarem confortáveis, com opção de puxar para trás, parar para ir à casa de banho ou pôr o som mais baixo, enquanto estão sentados no sofá com uma mantinha nas pernas, ficam em casa. Isto sem esquecer a parte monetária: poupam umas boas coroas se decidirem ver as coisas à distância.

É difícil arrependermo-nos de coisas que queríamos mesmo fazer. Eu estava entusiasmada para ir, queria muito ouvir certas coisas, e por isso não estou triste por ter metido uma semana de férias para ir para a capital. Olhando para trás, confesso que não aprendi grande coisa: para além das talks serem muito superficiais, muitas vezes saíam dos tópicos iniciais - e nunca dava para fazer uma "pescadinha de rabo na boca" porque o tempo era tão pouco que nunca dava para fechar o ciclo ou tirar grandes conclusões. Outra das coisas que esperava e não aconteceu foi sentir-me inspirada: estava confiante de que ia ouvir histórias de empreendedores, de negócios ou histórias de vida que me inspirassem a fazer mais, mas nunca aconteceu. Ouvi muitas pessoas a falar, algumas muito interessantes, mas nunca me caiu o queixo de espanto - pelo contrário, estive mesmo para passar pelas brasas em algumas (sabem aqueles momentos em que os vossos olhos estão a fechar e vocês dizem expressamente ao vosso cérebro que isso não pode acontecer?). 

E porquê que nessas conferências, eu que eu já não ouvia nada, não me ia embora para outras que mais me interessassem? 1) Porque só para sair de um palco podia demorar dez minutos, tal era a quantidade de pessoas que estavam em pé atrás das cadeiras e que formavam uma barreira difícil de transpor; 2) porque contando o tempo que demorava a sair de um palco e chegar a outro, a conferência que me interessava já estaria a acabar; 3) porque por vezes somos obrigados a fazer escolhas chatas - e se eu queria estar numa talk, naquele palco, que não era imediatamente a seguir mas apenas 20 minutos depois, mais valia aguentar e esperar. Isto fez com que sacrificasse muito do que queria ouvir e ver - no primeiro dia não me apercebi disto, tentei andar sempre de um lado para o outro, qual barata tonta, mas não há hipótese senão fazer escolhas e sacrificar outras se não queremos acabar o dia com as pernas em gelatina e a cabeça em água. 

Para pessoas como eu que vão para lá para conhecer, para aprender e centrar-se em talks, aconselho a que fiquem em casa. No final do dia, depois de ouvir dez ou doze conferências, estava arrasada e sentia que tudo aquilo que tinha ouvido tinha caído em saco roto: e olhando à minha volta, com toda a gente a mexer nos telemóveis, penso que não era a única. O evento é giro em teoria, mas na prática - e a menos que sejamos supersónicos - não conseguimos disfrutar nem de metade.

Reafirmo o que disse no início: acredito que estes sejam dias de ouro para startups, investidores e entendidos. Para pessoas "normais", e julgando por tudo aquilo que vi (pessoas sempre na conversa ou nos telemóveis, sempre imensa gente nos espaços comuns e de come e bebes) tenho as minhas sérias dúvidas. Acho que é fixe fazer parte do Web Summit, é incrível as massas que aquilo aquilo movimenta, o dinheiro que traz ao país, o movimento que leva para a cidade, o investimento que atrai, os conhecimentos que proporciona: e é por isso que tanta gente vai. Eu também fui, vou guardar a minha credencial na caixa das recordações e relembrar estes três dias com graça. Mas uma coisa é certa: não volto.

09
Nov17

Finalmente vou ter um bullet journal apresentável!

Carolina

Tenho jeito para muitas coisas nesta vida, mas artes não é uma delas. Ambas as minhas sobrinhas, que têm oito e dez anos, desenham muito melhor que eu, que tenho vinte e dois. Sempre foi uma causa perdida: nunca tive jeito, nunca tive capacidade para desenhar as coisas de forma proporcional, nunca tive a mão precisa ou detalhada. Apesar disso, nunca foi algo que me incomodasse: preciso pouco das artes na minha vida. E, quando preciso, encontro soluções, que é precisamente aquilo que vos vou contar abaixo.

Já tinha dito que tomei a decisão de fazer um bullet journal e deixar as agendas para trás. A experiência tem corrido muito bem, tenho-me vindo a ajustar consoante aquilo que descubro que gosto e não gosto, que uso e não uso, que preciso ou não preciso. Mas perante todo os vídeos e imagens que vi para aprender como é que o bullet journal funcionava, só me apoquentava uma coisa: o meu bloco era horrível. A minha caligrafia não ajuda, é um facto, mas tudo o resto também era mau - eu bem que tentava escrever o nome do mês de uma forma bonitinha, fazer um quadrado com os cantos a 90º ou uma espécie de grinalda num título... mas não resultava. Já utilizava todos os truques que tinha visto no YouTube (autocolantes, washi tape), mas faltava aquele toque de bullet journal. E encontrei.

Comprei uma espécie de moldes (como aqueles que tínhamos em criança) que têm todas aquelas formas típicas de bullet journal e mais qualquer coisa. Desde as típicas setas, aos quadrados e retângulos, passando pelas caixas de título, há logos de redes sociais, números, corações, símbolos meteorológicos, balões de fala... enfim, toda uma panóplia de coisas, muitas que nunca virei a usar. Ao todo são 12 "folhas" com inúmeros desenhos que comprei no ebay por pouco menos de quatro euros. 

Acho que para quem é como eu - um desastre nas manualidades, mas que quer ter um caderno bonito e apresentável - está é uma boa ideia. Fica a dica. Para comprar, aqui.

 

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08
Nov17

Um ano, um álbum de fotografias

Carolina

Mais uma das muitas coisas que fazem de mim uma alma velha é o facto de gostar de ver fotografias - e não falo de fotografias no computador. Gosto de álbuns, pesados, com descrições feitas à mão; gosto daquelas mini-mikas para as fotos, de as tirar para passar de mão em mão em vez de estarmos todos colados a um ecrã.

Acho que a passagem do analógico para o digital foi tão rápida que nem deu para nos adaptarmos. Abandonamos completamente os álbuns, mas abandalhamos completamente na fotos digitais: tiramos 41 fotos da mesma coisa, arrumamo-las em pastas incatalogadas, atiramos com tudo e mais alguma coisa lá para dentro e ainda temos a vaga esperança de que um dia, desesperados à procura daquela foto do dia Y e do evento X, ainda encontremos alguma coisa de útil.

Já aqui falei que desde há algum tempo para cá que ando a trabalhar na organização das minhas fotos - que pratico a limpeza geral das fotos, que só deixo ficar uma das 41 fotos que tirei à mesma pessoa, que ponho nomes em todas elas, que ponho as pastas direitas e com o menor conteúdo possível - e agora o próximo passo vai ser fazer álbuns anuais. Não estou a pensar fazer álbuns de anos que já passaram, mas sim daqui para a frente. Um best of de 2017, por exemplo, onde albergo aniversários, eventos de família, datas especiais, férias, passeios ou simplesmente selfies bonitas tiradas nesse ano. 

Mas não seriam álbuns clássicos: para além de não serem fáceis de encontrar, os que há são feios e pouco personalizáveis. Para além disso, imprimir fotografias fica caro, por isso acho a solução dos álbuns digitais muito melhor. Já fiz vários: uns para oferecer às minhas tias em datas de aniversário marcantes (no fundo, álbuns de vida) e outros dois com fotos dos cruzeiros que fiz. Tudo é personalizável: o número de páginas, o número de fotos que ponho em cada página, a disposição com que ficam, o tamanho de cada uma das fotos, o tipo de letra para as legendas (e cor, tamanho, etc.) e até escolher alguns bonecos ou designs para adornar o álbum. As escolhas são infinitas - o que também torna o processo mais moroso. Porque, tal como tudo o que envolve o trabalho pós-fotográfico, é trabalhoso e demorado: é preciso escolher as fotos, trata-las previamente caso seja necessário, dividi-las por páginas (ainda que seja mentalmente) e definir uma linha lógica (quer seja temporal ou de importância, por exemplo) para imaginarmos o resultado final do álbum. Ou seja: não é pêra doce, mas compensa!

O que eu faço é aproveitar as promoções que encontro no Sapo Voucher, que tem um protocolo com a DreamBooks: para quem não conhece, o primeiro é um site de promoções de artigos vários, o segundo é uma loja/plataforma de álbuns digitais (e não só - também tem telas, calendários, canecas e etc., tudo personalizável e tudo coisas que dão boas prendas). Os modelos de álbuns disponíveis vão mudando, mas o preço compensa sempre: eu gosto de livros verticais, por exemplo, e muitas vezes aparecem alguns. Os dois álbuns que tenho de cruzeiros foram comprados assim e são diferentes: um mais leve e com páginas mais finas e outro, premium, mais pesado e páginas mais encorpadas (quase parece um daqueles livros de crianças). Escolhi consoante a oferta que tinha na altura e nunca me arrependi - e se não têm nada que vos agrade naquele momento, o que sugiro é que vão vendo nas semanas seguintes, porque as ofertas vão mudando.

Depois de comprarem o voucher têm 30 dias para fazer a vossa encomenda. Se, tal como eu, deixarem passar este tempo, podem sempre comprar uma extensão do prazo na DreamBooks. Eu acho que os resultados ficam incríveis e que dá uma prenda espetacular (nomeadamente de Natal, já podem apontar a ideia!), mas acredito que não seja para a paciência de toda a gente. Mas para quem gosta de fotografias, de rever momentos e de os ter na palma da mão... é uma óptima solução. Eu espero mesmo conseguir levar esta ideia dos álbuns anuais avante e fazer algo de útil com as centenas de fotos que aqui tenho amontoadas virtualmente.

 

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P.S. Ninguém me pagou para escrever este post e mencionar estes sites. Mas se me quiseres oferecer álbuns à borla, be my guests. :p

07
Nov17

As minhas primeiras impressões sobre o Web Summit

Carolina

Pois é: estou em Lisboa, para a cimeira tecnológica mais popular do universo. Depois de no ano passado ter ficado com alguma pena de não ter vindo, desta vez pude vir e estava com as expectativas em alta. A minha ideia era explorar o Web Summit ao máximo, mas também tirar o maior partido do meu tempo na cidade. Para já, fiz mais a segunda parte. Porque relativamente à primeira, tenho três palavras para vos dizer: UM. CAOS. COMPLETO!

Cheguei ontem à hora do almoço e fui fazer o registo, até porque tinha uma entrada para a Opening Night - onde acabei por não ir. Há uma constatação mais que óbvia: a organização é uma desgraça e podia ser muito melhor com pequenas coisas como cartazes ou pessoas informadas; formam-se filas que ninguém sabe bem para o que são e só se sabe que o nosso sítio não é ali dez minutos depois, as pessoas do evento não sabem dizer onde são os palcos ou zonas específicas do evento, o som durante as talks era muitas vezes miserável e os atrasos inaceitáveis quando se tratam de apresentações de 20 minutos que encadeiam umas nas outras. Para além disso, um detalhe que a mim me chateia e me entristece é ver centenas de voluntários em funções que deviam ser claramente pagas, como a registar pessoas ou a carregar os sofás para cima dos palco de cada vez que mudam os painéis.

De uma forma geral, como já se puderam aperceber, não fiquei muito impressionada. Gostava de dizer que todas estas desvantagens compensam com a qualidade das talks e das empresas presentes, mas o caos é tanto que nem sempre é fácil fazer uma avaliação isenta das coisas. Acho que depende também muito das pessoas: a mim as multidões stressam-me, deixam-me nervosa. Não estou sozinha no Summit mas ando, maioritariamente, sem companhia - não tenho a quem me agarrar, conversar ou descomprimir, por isso a minha vontade, como boa anti-social-desesperada-no-meio-de-70-mil-pessoas-a-tentar-fazer-networking, é aninhar-me a um cantinho e esperar que o barulho passe. Mas não passa. E eu vim para aqui por vontade própria e preciso de arranjar outra forma de lidar com os problemas sem ser em posição fetal. Por isso mentalizei-me de uma coisa: "estás sempre livre de sair". E foi assim que o dia correu - comigo stressada e a balançar esse estado de nervos com pensamentos apaziguadores como "não te preocupes que tens o oceanário aqui ao lado caso queiras silêncio". Aguentei-me histoicamente.

Como não vim para aqui em trabalho, mas sim como uma pessoa interessada em tudo o que é novas tecnologias, estava mais virada para as talks - podia dar uma volta nas startups e nos stands, mas não era a isso que pretendia dedicar o meu tempo. Preparei o meu horário, com bastantes mais coisas do que podia ver na realidade, e daquilo que vi e passeei já tirei algumas conclusões: 1) gosto muito mais de apresentações de uma só pessoa do que conversas moderadas por jornalistas - sinto que as primeiras já estão preparadas para agarrar o público, enquanto que os debates acabam por não ser tão pensados e por isso potencialmente menos interessantes; 2) o Altice Arena é, sem dúvida, o melhor local para as conferências porque têm o número de lugares sentados ideal, assim como condições de som e imagem; 3) a zona de comes e bebes é aparentemente grande, mas fica completamente lotada em horas de ponta - de tal forma que eu saí do recinto e fui ao Continente buscar uma baguete; 4) as melhores conferências são, às vezes, aquelas que não esperamos, por isso vale a pena dar uma hipótese.

Pontos a realçar de hoje: gostei muito do José Neves, da Farfetch, sobre o qual tantas vezes já escrevi; vi o Triple H no Altice Arena - não se pode dizer que tenha sido um sonho de infância, mas quase... tive muitos throwbacks com os tempos em que gostava de ver wrestling; duas das apresentações de que gostei e que não estavam nos meus planos eram com uma senhora do hotel Hilton (que falou da aplicação inovadora que têm) e o brand guy da Shell - fiquei muito bem impressionada, pela positiva. Ainda assim, uma das melhores coisinhas de hoje foi ter chegado ao hotel, tirado as sapatilhas e pôr os pés para o ar. O Web Summit pode ser fixe, mas não deixa de ser uma feira (lembrei-me bem dos meus dias em Munique)... e as feiras cansam pr'a carago. 

Vemo-nos amanhã, com as expectativas reajustadas e com um novo embate da realidade. Em caso de desespero, já sei: tenho sempre o oceanário ali ao lado. No final dos três dias faço um balanço que, tal como este post, não deixará de ser menos caótico que o próprio Web Summit.

 

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06
Nov17

Tenho uma confissão a fazer

Carolina

Acho que está na altura de abordar um tema fraturante da sociedade. É melhor ir direita ao assunto e não estar aqui com falinhas mansas: eu não gosto do boomerang. Pronto, já disse, é a verdade! Acho aquela aplicação uma chatice, fico farta de ver trinta vezes as mesmas coisas quando não têm piada ou assunto. Achei que tinha potencial quando saiu, mas rapidamente me apercebi que as pessoas generalizaram a sua utilização de tal forma que uma pessoa até foge quando vê um instastory com aquilo.

O boomerang só é giro quando há duas posições bem marcadas que contrastam entre si: quando as sobrancelhas sobem e baixam, quando a máquina fotográfica dá um flash, quando os olhos e a boca abrem e fecham. Percebem o conceito? A ideia não é mexerem o smartphone no meio da rua, como se fosse um filme rasca com shaky camera; o objetivo não passa por fazer um zoom literal nas coisas (que é como quem diz andar com o telemóvel para a frente e para trás); não é suposto apanhar as pessoas desprevenidas quando estão simplesmente a falar e a imagem se torna num conjunto de movimentos indecifráveis - e repetitivos - dos lábios.

O pior disto tudo é que há claramente fanáticos do boomerang, que utilizam a ferramenta para tudooo o que captam com a câmara. Mas as coisas ainda pioram se atentarmos ao facto de que publicam tudo isso nas instastories e no instagram, poluindo todo o nosso feed. Porque há coisas que têm piada e a verdade é que o boomerang foi criado com um propósito (que até faz sentido) - mas as repetições são tantas e passam tão rápido que é impossível ver o que quer que seja de forma decente. Por isso não passa mesmo de uma coisa com graça mas sem qualquer utilidade prática.

Hoje em dia os likes é que importam; o sucesso, a beleza e as capacidade de uma pessoa medem-se pela sua popularidade nas redes sociais e por isso quase nos sentimos olhados de lado quando admitimos não gostar de algumas destas coisas da moda. Mas, meus amigos, está na hora de quebrar o tabu e de dizer não às utilizações-estúpidas-e-desregradas-do-boomerang. Juntos somos mais fortes e sobreviveremos às 256 repetições que nos obrigam a ver diariamente em redes sociais alheias. Há que ter fé.

05
Nov17

O meu organizador de anéis

Carolina

Este blog não é para desarrumados ou desorganizados. Tenho uma leve noção da quantidade de coisas que aqui publico relacionadas com formas de arrumar e organizar objetos (reais ou virtuais) e, por isso, peço desculpa se isto for uma autêntica seca para a maioria das pessoas. Acho que se houvesse um blog só a falar sobre formas de organizar tralhas eu seria a primeira subscritora: estou sempre à procura de formas mais eficazes de ter tudo arrumado, ocupando o menor espaço possível, e por isso é que às vezes posso abusar do assunto aqui. Muitas vezes são soluções que eu nunca antes tinha encontrado e que acho que podem ser úteis a outras pessoas - por isso, se já estiverem em overdose de posts-sobre-arrumações, peço desculpa em avanço.

Hoje, mais uma vez, trago um achado do ebay. Uma das minhas gavetas mais caóticas é a das bijuterias/adornos. Tenho lá os óculos de sol e os relógios e depois todas as coisas mais pequenas como colares, pulseiras, brincos e anéis. Quem me conhece sabe que os anéis são, de longe, a minha peça favorita para usar no dia-a-dia - tenho muitos (demasiados, confesso) mas vou sempre alternando e formando novos conjuntos. Normalmente, com a pressa, deixo-os em cima de um prato que tenho junto à porta de saída (mesmo prontos a pegar, pôr no dedo e sair) e passado uma semana está tudo lá ao molhe, já não consigo distinguir os anéis um do outros e acabo por pegar sempre nos que estão em cima (e, por isso, usar sempre os mesmos).

Fui à procura de soluções e encontrei a mais óbvia: um arrumador de anéis, daqueles que se vêem nas lojas ou nas feiras de artesanato, mas muito mais barato do que aquilo que é costume. Custou-me três euros, e o toque em cima é muito semelhante ao veludo - a parte de baixo é que é claramente fraca e barata, feita de cartão, daí o preço tão em conta. Mas se for para o manter dentro de uma gaveta, para além de servir perfeitamente, ainda faz um brilharete - e ajuda imenso a dar um ar arrumado à gaveta do demónio. 

Deixo a foto abaixo. Para comprar basta clicar aqui.

 

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