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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

25
Set17

Sim, os meus cães são mais famosos que eu nas redes sociais

Carolina

Eu tenho mais fotos dos meus cães do que aquilo que seria considerado "normal". Passo muito tempo com eles e acaba por ser uma boa desculpa para treinar a fotografia, dar uso às objetivas e dar uns disparos. Mas acabo por ter centenas e centenas de fotos deles que depois não sei muito bem que fim dar ou como organizar. Não as vou imprimir - embora os adore, acho que não faz sentido ter o quarto cheio de molduras com fotografias deles -, não as vou mandar para ninguém e também não tenho grandes descrições para os arquivos como "Molly no cruzeiro ao Adriático", "Calvin no Natal de 2016" ou "Cães nas férias de verão". No fundo, não tenho grande hipótese senão dividir isto por meses e enfiar para lá as fotos que tenho (mais as milhares que tenho desorganizadas no telemóvel...).

E há uns meses, enquanto divagava pelo instagram, encontrei uma página que era uma espécie de best of de fotografias que outros utilizadores postavam dos seus bracos (raça da Molly e do Calvin). Comecei a embrenhar-me nesse mundo, a pôr likes em tudo quanto era cão fofo e, a certa altura, o meu feed tinha mais cães que pessoas. Confesso que não me importo muito, mas achei aquilo um bocado confuso e dada a quantidade absurda de fotos que tenho dos meus cães, perguntei-me: "porque não?". E assim nasceu o instagram da Molly e do Calvin.

É lógico que não coloco lá todaaas as fotos que tenho deles, mas sempre ajuda a dar alguma utilidade às fotos, em vez de ficarem somente guardadas no meu computador, a apanhar pó e sem ver a luz do dia. Na verdade – e sei que estou a puxar a brasa à minha sardinha em todos os sentidos – há fotos bem giras, fofas e de-vez-em-quando-meio-artísticas que acho que vale a pena partilhar.

Por isso, se gostarem de cães, já sabem – sigam-nos em @mollyandcalvin. Se não gostam e acham ridículo o facto dos meus cães terem um instagram em nome próprio (onde inclusivamente falam na primeira pessoa), os meus parabéns: são pessoas realmente sãs e com juízo. Felizmente que não é o meu caso :p

 

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24
Set17

O que penso sobre a casa dos youtubers e os vídeos dos seus moradores

Carolina

Eu acho que é impossível que quem tenha filhos, primos, sobrinhos ou irmãos com idades compreendidas entre os seis e os 14 anos nunca tenha ouvido falar do Wuant, do Windoh, do Ovelha Nigga, do Gato Galático ou, de uma forma geral, da casa dos youtubers. Eu aqui em casa - creio que como todos os adultos - recebi um tratamento de choque: berros, asneiras e muitas gargalhadas um tanto ao quanto irritantes vindos das colunas de computadores alheios. Entretanto a exposição mediática desses youtubers, em grande parte devido à casa onde passaram a viver, já fizeram o trabalho de os mostrar ao público em geral. Ou seja, suspeito que, de uma maneira ou de outra, já devem ter ouvido falar sobre eles.

Aliás: provavelmente já ouviram dizer mal deles, que é o que mais se faz por aí. Somos todos peritos a criticar, mas a fazer... nem por isso. Porque apesar de eu não achar graça ao conteúdo deles - e sim, falo com conhecimento de causa, porque tenho ouvido demasiadas vezes "COMO É QUE'É MEUS PUTOS, DAQUI É WINDOHHH" e coisas que tais, para poder escrever este post - sou capaz de apreciar o trabalho que está por detrás de toda aquela palhaçada ou "trollagem", como eles gostam de chamar.

Para mim há, naqueles vídeos, um conflito de valores. Primeiro os que estão à vista de todos, os preocupantes: que é fácil ter uma vida desafogada, que se compram facilmente sapatilhas de mil euros e carros de alta cilindrada, que é fácil sair de casa dos pais para ir viver com os amigos numa "mansão", que se podem ter ações inconsequentes sem pensar nos resultados finais (exemplo: pôr super cola na cara de alguém sem antes ter pesquisado como se tirava o produto da pele) e que é prudente deixar de se investir na formação para viver de um canal do youtube sem ter um plano B. E depois os valores subjacentes, esses sim com importância: que é o trabalho que lhes proporciona aquela vida, aquela fama, todas estas oportunidades. O problema é que o que está à vista de todos acaba por ser, para quem vê (crianças maioritariamente), o principal, porque não há maturidade suficiente para se perceber os valores implícitos. Para os putos, aquilo é o trabalho mais fixe de sempre! O meu sobrinho mais velho, por exemplo, queria ser experimentador de colchões (eu sei, eu sei...). Agora? Quer ser youtuber. Porquê? Primeiro porque acha que lhe vai dar tanto trabalho como andar a saltar para os sítios onde as pessoas dormem - erro crasso! -, segundo porque acha que mal crie um canal lhe vai logo sair um Audi XPTO na rifa. Nem ele nem a maioria sabem o trabalho e as horas que aqueles miúdos passam entre filmagens e edições - e também não fazem noção do tempo (os anos!) que eles passaram a fazer vídeos sem likes, comentários ou putos a berrarem-lhes à porta.

Se calhar estão a ler este texto de sobrolho levantado e pensar "esta miúda está mesmo a defender aqueles energúmenos?". Pois, eu sou assim, tento sempre ver o outro lado da moeda - e acho que, como em tudo na vida, isto não é uma questão linear. A única coisa que defendo nestes vídeos - e que absolutamente ninguém pode negar - é que aquilo dá trabalho. Lá por eles se estarem a divertir e a fazer asneiras de forma consecutiva, não quer dizer que depois não passem horas em frente ao computador para fazer aquilo resultar e passar os vídeos para algo "comestível" e visualizável, com todos aqueles pózinhos de perlimpimpim que aparentemente fazem daqueles canais um sucesso. As pessoas "normais" não sabem as horas de edição que estão por detrás daquilo - como não sabem o trabalho que dá escrever diariamente para um blog. São coisas camufladas como hobbies, como algo ligeiro para quem as faz, mas para além de já ser o trabalho para algumas pessoas em Portugal (caso deles), requer muitas horas de dedicação e empenho.

Mas isto não quer dizer que eu apoie aquilo que eles fazem e muito menos os valores que eles lá transmitem. No outro dia o meu queixo bateu no chão quando ouvi o Windoh, num vídeo filmado no seu quarto de hotel no Brasil, a dizer: "este quarto está mesmo muito desarrumado, tenho de chamar a senhora para o vir limpar". Mexeu-me com as entranhas. Elas já estavam remexidas ao ver o estado caótico daquele quarto, com lixo espalhado pelo chão, misturado com roupas sujas e lavadas - roupa interior incluída -, mas quando me apercebo que ele ia chamar uma criada para o limpar, toda eu fiquei revoltada. E preocupada. Porque percebo que é daqui que vêm algumas das mentalidades dos meus sobrinhos e de tantos outros miúdos. Coisas que já deviam ter ficado no século passado e que estão a ser alimentadas por miúdos com uma noção de respeito e educação muito diferente da minha. E isto sim, é alarmante. Mais do que os berros, mais do que as asneiras, mais do que as expressões horríveis como "bem poddddddre". Aquilo com que devíamos estar preocupados são os valores ali transmitidos que, infelizmente, ultrapassam os do trabalho e da dedicação. 

 

Foto: Visão

19
Set17

Há mesmo tempo para tudo?

Carolina

Lembro-me de há uns bons anos ler um post num blog de alguém que se queixava de falta de tempo. Eu ainda estudava - provavelmente ainda no secundário - e sei que pensei "pfff, ou isto é falta de organização ou falta de vontade; se fosse eu a querer mesmo fazer algo até roubava umas horas de sono se fosse preciso!". E a verdade é que, na grande maioria dos casos, isso continua a ser verdade: na minha opinião, muitos dos que se queixam de falta de tempo ou são mal organizados ou preguiçosos. Curiosamente, aqueles que aparentemente têm menos falta de tempo são os que mais fazem!

Acho que muitas vezes estas questões são até uma bola de neve: alguém que faz muito pouco, tende a fazer muito pouco. Alguém que faz muito, tem tendência a querer fazer ainda mais. E eu sei-o porque sou o perfeito exemplo disso: nas minhas terríveis fases letárgicas, o problema agrava-se com o tempo porque me vou sentindo gradualmente inútil, cansada e desmotivada; quando estou espevitada para a vida, preencho a agenda, deito-me feliz e contente, faço trinta por uma linha e ainda quero fazer mais no dia seguinte.

Mas há dias em que realmente falta tempo? Há. Principalmente para pessoas como eu, que têm uma terrível tendência para deixar alguns trabalhos para a última e, quando chega à deadline, têm todos os segundinhos preenchidos e estão prestes a ter um esgotamento nervoso. Mas essa falta de tempo é algo constante? De todo. Porque a questão "falta de tempo" baseia-se em dois conceitos básicos: organização e prioridades.

Dei por mim a pensar naquilo que há uns anos tinha dito a mim mesma sobre essa pessoa que se queixava que as 24 horas do dia não eram suficientes para si e concluí que talvez tenha sido um bocadinho dura (como sou muitas vezes, bem sei). Porque, de facto, eu acho que há tempo para tudo: mas antes disso é preciso fazer uma análise a toda a nossa vida, aos nossos gostos, às nossas prioridades, aos nossos hábitos e saúde - e há fases em que não conseguimos fazer essa leitura de nós próprios, porque já estamos demasiado enterrados em nós mesmos. Hoje sei que há coisas que, embora gostemos de fazer, acabam por cair por terra - porque há outras coisas de que gostamos mais (aka prioridades). Agora dificilmente diria que "se fosse eu, até roubava umas horas de sono se fosse preciso!", porque eu preciso mesmo muito de dormir. Gosto de dormir, de me deitar cedo e acordar com as galinhas, de forma a aproveitar o dia e não andar a rastejar pelos cantos durante o dia. A minha vida mudou - na altura em que pensei isto deitava-me facilmente às duas da manhã, acordava às 7:30h e dormia um par de horas durante a tarde -, assim como tudo o resto.

Estou numa fase de reajustamento. Durante um ano dediquei-me inteiramente ao trabalho e, apesar dos primeiros meses terem sido realmente preenchidos e sem tempo para dramas - para além de estarem recheados de novidades -, os restantes não foram assim tão bons. E eu senti que agora tinha de me dedicar a mim. Inscrevi-me nas aulas de piano, troquei de ginásio, montei a minha própria agenda, fiz um plano de posts aqui para o blog. E agora ando aos apalpões, a ver o que resulta ou não para mim, o tempo que sobra - e, acima de tudo, o que fazer com ele. Ou seja: organizando-me. E apercebo-me que, para além de ter deixado de fazer algumas coisas de que gostava - por gostar mais de outras -, há também atividades que são substituíveis.

Neste momento, por exemplo, estou empenhada em terminar a série Game of Thrones. Durante o dia não tenho muito tempo, por isso, regra geral, vejo um episódio antes de ir dormir. Isto rouba-me, para além de cerca de meia hora de sono, o meu período de leitura. E sim, há demasiado tempo que eu não leio um livro: e isso entristece-me, é uma coisa que eu quero retomar, mas percebo que só quando terminar a minha maratona de GoT é que vou voltar a ter este hábito. São duas atividades que ocupam o mesmo espaço na minha vida - o lazer e a hora pré-sono. E eu, para usufruir de uma, tenho de abdicar de outra. É claro que podia ver a série e depois ler um par de páginas - mas a concentração já não é a mesma e o tempo que roubo ao sono continua a contar. Lá está: as famosas prioridades.

Acho que ser adulto é isto, este paradoxo estranho: perceber que temos tempo para tudo mas que esse "tudo" é relativo. Porque, na realidade, não é tudo. Não é "o tudo" que cabia na nossa vida quando andávamos no básico e tínhamos meia hora de recreio, três meses de férias e três dias de gazeta no Carnaval. Quando crescemos, o "tudo" é aquilo que é essencial e um bocadinho mais para além disso. O "tudo" são as escolhas que fazemos mas que, na maioria dos casos, completa um leque suficientemente grande para ser capaz de nos satisfazer, de nos cansar e fazer felizes. Porque continuo a achar que todas aquelas pessoas que se queixam cronicamente de falta de tempo, se tivessem três meses de férias, continuariam a queixar-se do mesmo. Porque é crónico. Tal como o tempo, que é igual para todos - só resta saber vive-lo (e preenche-lo) da melhor forma.

17
Set17

Um regresso maravilhoso

Carolina

O ano ainda não acabou, mas eu quase me arrisco a dizer que a decisão de voltar ao piano foi das melhores que tomei em 2017. Parece ser daquelas raras situações em que uma pessoa tinha saudades mas só nota quando se reencontra com algo. Estas duas semanas foram de um reencontro bonito. O redescobrir de algo que gosto muito e que, acima de tudo, me relaxa e ajuda a focar só na música, deixando os problemas fora do piano (esta era uma vertente que, quando eu tinha dez anos, não conseguia apreciar, mas que agora valorizo imenso).

Dou por mim a sentar-me ao piano mal tenho quinze minutos livres - mesmo com sono, mesmo com dores de cabeça, mesmo com lágrimas a rolarem-me pela cara abaixo. Tem sido o sítio perfeito para canalizar as más energias e transforma-las em algo bonito: o que, nestas semanas, tem sido particularmente útil.

Como já tinha a formação base não comecei mesmo do principio e a professora deu-me uma peça mais avançada do que à partida eu achava conseguir ter pronta até ao fim do mês. Mas à medida que os problemas e as dúvidas foram aparecendo, eu fui perguntando, relembrando coisas que já tinha esquecido há dez anos atrás, e a evolução acabou por ser muito rápida. Em duas semanas consegui ter a peça pronta - e fiquei tão, tão feliz e orgulhosa! É de facto uma sensação especial começar do zero, com uma música e uma pauta que nos são estranhas, e elas depois acabarem por fazer parte de nós, entranharem-se de tal forma que os nossos dedos já as tocam praticamente sozinhos.

Talvez por estar a rever muitas coisas que não me lembrava, sinto que estou a andar muito rápido. É provável que isto abrande nos próximos tempos, até porque nem sempre terei tempo para treinar duas vezes por dia, tal como tenho feito - mas tem-me dado um gozo imenso sentir que melhoro a olhos vistos de cada vez que toco, ver-me a ultrapassar as dificuldades, os "nós" e os erros sistemáticos que às vezes criamos quando estamos a aprender a tocar algo. É motivador perceber que as diferenças são significativas quando o treino é regular e intenso - o que me faz sempre querer tocar mais. Às vezes penso "ok, esta é a última vez e depois vou embora"; mas essa tentativa não correu bem, errei ali e acolá, por isso repito, dizendo para mim mesma "mas é mesmo a última vez!". E depois torno a errar. E a repetir. E a errar. Até aquilo sair bem ou, no mínimo, até me sentir satisfeita com a evolução.

Acho que conspirou a meu favor: o timing que escolhi para voltar - estou numa fase em que preciso urgentemente de algo que me motive e me faça descarregar as más energias -, a escola que encontrei para me reencontrar com o piano, a professora que rege essa escola e os seus métodos de estudo, o facto da minha sobrinha não utilizar o piano dela e poder eu usufruir desse privilégio. Neste aspeto, estas duas semanas foram maravilhosas e mal posso esperar para me sentir mais à vontade para tocar as músicas que gosto, que ouço e que canto a altos berros no carro - e poder presentear os outros com elas.

Para já, e porque é mesmo um orgulho imenso para mim ter conseguido trabalhar uma peça que, ainda que não seja difícil, é desafiante, mostro aquilo que treinei nestes quinze dias. Ainda não está perfeito, há detalhes a polir. Mas já estou feliz com este resultado.

 

 

15
Set17

A questão: agenda ou bullet journal?

Carolina

Todos os santos anos passo por isto e acho que todos os santos anos também escrevo sobre o assunto: agendas. É surpreendente como é que ainda tenho matéria sobre isto, mas aparentemente as questões relativamente a isto não só se repetem como se complicam ao longo dos anos. Nunca sei que agenda escolher, nunca encontro aquela que quero, é sempre um drama.

Este ano fiz uma coisa rara: comprei uma por impulso. Ou seja, não fiz uma das coisas que faço melhor nesta vida – pensar. E como não pensei, fiz asneira. Comprei uma agenda diária (erro!), com argolas (erro!) na Rosa Com Canela, muito gira, cheia de ananases na capa, como quem diz “vais sentir como se fosse verão todo o ano!” (a única coisa boa no meio disto tudo, ainda que seja mentira). Nunca tinha tido uma agenda diária mas, depois de no ano passado ter comprado uma com vista semanal e me deparar com uma sufocante falta de espaço para escrever, este ano tive a brilhante ideia de comprar uma que tivesse uma página para cada dia da semana. Mas passada apenas uma semana de (muito pouca) utilização, percebi que não aguento este método de organização: não consigo ver a minha semana como um todo, tenho de andar com as páginas para trás e para a frente para ver o que tenho para fazer, não é nada prático. Por outro lado, as argolas – coisa que eu já sabia detestar mas, por qualquer razão, decidi ignorar – são gigantes, as folhas nem circulam com facilidade e a agenda é relativamente pesada. Resumindo e concluindo: um autêntico flop!

Para piorar as coisas, no dia em que comprei essa agenda, trouxe também para casa – com o intuito de utilizar no trabalho – um planeador mensal (ou pelo menos assim achei e a menina me disse, porque na realidade não cabe um mês inteiro naquelas divisórias, é mais concebido para um planeamento semanal). E a verdade é que fiquei rendida e as coisas estão muito confusas: uso aquilo para o trabalho (um jornal sem uma agenda não é um jornal) mas depois utilizo outras folhas para organizar a minha vida, porque fiquei muito fã de ter toda a minha semana ali escarrapachada.

Desvantagem: não posso andar com aquilo de um lado para o outro – são folhas A4, não dá jeito – e, mesmo que andasse, passado um dia dentro da minha carteira do demónio já só sobrariam vestígios da antiga folha.

Ou seja: nenhuma das soluções é brilhante. Podia comprar a agenda semanal, desistir da diária, transforma-la num bloco de notas (mais um…) e no final do ano comprar uma agenda de 2018, como as pessoas crescidas, uma vez que já não tenho necessidade de organizar a minha vida por anos lectivos (adeus anos terríficos da faculdade!).

Mas – e porque há sempre um “mas” – lembrei-me de, no ano passado, uma menina me ter falado aqui no blog sobre o Bullet Journal e estou a considerar seriamente essa hipótese. Fui pesquisar e, apesar de ser realista o suficiente para perceber que nunca vou ter um caderno tão bonitinho como aqueles que se vêm no tumblr, acho que até pode ser uma boa opção, feita à nossa medida ou sem limite de espaço.

Porque a verdade é que, no último ano, não dei muito uso à agenda – mas senti muito a sua falta. Quando, no ano passado, escrevi sobre este assunto, alguém me perguntou como é que eu mantinha a agenda “viva” – e eu, que sou uma imbecil, não respondi (e peço desde já desculpa a todos os comentários que não respondi desde então, sei que é uma falha minha). Acho que como muitas das coisas de hoje em dia, é aprender a criar essa necessidade, criar o hábito e a rotina. No meu caso é muito importante não só porque me surgem coisas muito dispersas para fazer ao longo da semana, assim como gosto de apontar ideias para textos aqui no blog mas, acima de tudo, para me definir metas e objectivos para o dia-a-dia. Se eu não fizer coisas, penso de mais. E se eu pensar demais, deprimo. Por isso preciso de fazer, fazer e fazer. Nos últimos tempos desleixei-me muito nesses aspeto e estou a colher os frutos: entrei num ciclo vicioso de preguiça e letargia do qual não estou a conseguir sair. E a agenda, nesse aspeto, ajuda muito: porque eu detesto falhar e não corresponder aos meus compromissos (mesmo que sejam comigo mesma), por isso, quando vejo que não fiz algo a que me propus, fico chateada e acabo por me obrigar a fazer.

E é isto. Há por aqui alguém que faça o bullet journal e que possa dar bitaites sobre o assunto? Ou é mesmo melhor jogar pelo seguro e ir para a típica agenda semanal ou outra solução clássica – excluindo o telemóvel? Eu sei que é mais tecnológico e amigo do ambiente, mas faz-me falta riscar as tarefas, pôr um “check” ou sentir o poder e o peso – acima de tudo simbólico - da agenda passados os tais 365 dias do ano.

 

(circulem na galeria para ver alguns exemplo de bullet journals)

 

06
Set17

Há dias

Carolina

Há dias em que gostava de ser igual a todos os outros, em que queria despir esta pele de diferença que sinto que vesti desde que me conheço. Há dias em que queria seguir a carneirada e não ter opinião própria, não ter personalidade, não ter de me impor perante os outros.

Há dias em que gostava de gostar de crianças, em que me apetecia já ter meia-dúzia de namorados na lista, que queria ter planos para casar e ter filhos – em vez de todos os dias perceber, cada vez mais, que não consigo estar com crianças durante muito tempo e que não há nenhum casamento ou relação que veja que me encha as medidas e eu diga “é isto que quero para mim”.

Há dias em que eu queria saber fingir que adoro shots de tequila, em que gostava de ter um grupo de amigos sólido, passar a gostar de dançar em frente a uma pequena multidão e de drum&base a altos berros – em vez de optar e não gostar de beber álcool, de ficar sozinha em noites que me apetece ir sair ou de não conseguir esquecer o trauma que tenho desde as aulas de dança que tive no básico.

Há dias em que preferia adorar falar ao telemóvel, ter paleio para os mais e menos simpáticos, de dizer que sou jornalista com toda a pujança e força de vontade – mas continuo a rever as minhas conversas internamente antes de clicar no botão verde e a torcer para que a pessoa do lado de lá da linha esteja a ter um bom dia e não decida descarregar as suas frustrações para cima de mim.

Há dias em que queria deixar de ter medo de fazer tudo e arriscar, de deixar de ser uma control freak, de escrever tudo na agenda, de relembrar tudo para escrever neste blog, de deixar de ser chata, mandona, nariz empinado, de deixar o espírito de liderança na gaveta, de me deixar ir e fazer o que os outros mandam sem sequer pestanejar.

Há dias em que eu gostava de deixar de ser anti-droga, anti-erva, anti-marijuana ou lá o que lhe queiram chamar, deixar de ser anti-praxe, deixar de ser defensora dos gays, dos bis e dos desiguais.

Há dias em que me sinto na Lua, numa realidade e com uma forma de vida completamente fora do normal, que ninguém entende. E há dias em que eu gostava muito de vir à terra, nem que fosse por uns momentos, porque na Lua está-se bem, a vida é boa, a vista é bonita e o silêncio apaziguador – mas há dias que, de tão sozinha, até o próprio silêncio se torna ensurdecedor.

05
Set17

Movida, ou travada, a medos

Carolina

Quando era pequena caía muito e, a partir de uma certa idade, passei a precaver-me e a olhar sempre para o chão. Tenho muito cuidado por onde ando e com os caminhos que faço, para tentar ao máximo evitar cair, porque tenho medo de me magoar (como tantas vezes fiz em miúda). E isto aplica-se na vida real mas também metafóricamente. Eu tenho medo, muito medo de tudo e coíbo-me de fazer (precisamente) quase tudo por causa disso. Sou a miúda menos arriscada história: e quando o faço, é de coração nas mãos, sempre com todas (e mais algumas) consequências em mente. E não, nunca são positivas.

Tenho medo de fazer, tenho medo de arriscar, tenho medo de me arrepender, tenho medo de me candidatar, tenho medo de ligar, tenho medo de falar, tenho medo de mandar mensagem, tenho medo de gastar dinheiro indevidamente, tenho medo de me queimar, tenho medo não me integrar, tenho medo de fazer figura de parva, tenho medo de não saber sair das situações, tenho medo de não gostar, tenho medo que não gostem de mim, tenho medo de falhar, tenho medo de desiludir, tenho medo de não ser bem sucedida, tenho medo de não ser lembrada, tenho medo de médicos, tenho medo de ratos, tenho medo que os meus morram, tenho medo de morrer. E só eu sei como cada vez tenho mais medo de não estar a viver.

Só há muito pouco tempo é que me apercebi disto, deste medo generalizado. Sim, há muitos anos que olho para o chão quando ando na rua e sim, desde sempre que me lembro de ser muito ponderada e precavida em todas as decisões que tomo na minha vida. Mas só quando olhei de cima e para o discurso que tinha no meu dia a dia, quando falava de assuntos corriqueiros e as minhas frases começavam sempre por "sim, mas eu tenho medo de..." é que percebi a dimensão do medo na minha vida. 

Eu tenho uma vontade gigante de fazer pelo menos uma coisa boa - e grande - na minha vida. Gostava que as minhas futuras empresas fossem um sucesso ou gostava de escrever um livro bom e que vendesse aqui em Portugal. Sempre achei que a minha vida profissional seria melhor que todas as outras dimensões da minha vida, e pensei que era isso que me movia. Mas apercebo-me que talvez não. Em vez de me mover, talvez eu esteja constantemente a ser travada por algo ainda mais central na minha vida: estes medos encastelados que parecem não ter fim. 

02
Set17

De volta aos teclados (e não é do computador)

Carolina

Devia ter uns oito anos quando comecei a aprender piano. A minha mãe tinha-se inscrito na escola de música, levou-me por arrasto e eu, por acaso, até tinha jeito para a coisa. Mas, passado relativamente pouco tempo, quis desistir. Não tenho a meu favor a perseverança: não me lembro de nenhuma atividade onde quisesse ficar durante mais do que meia dúzia de meses (também não andei em muitas, só me lembro da ginástica - onde não durei nada, uma vez que era, e sou, uma absoluta desgraça - e da natação, atividade que repeti ao longo dos anos e de que ainda hoje gosto muito). Mas, por outro lado, tenho uma série de desculpas muito convincentes: a melhor de todas é que o meu professor adormecia nas minhas aulas.

Isto tem graça quando eu conto e até pode ser visto como um elogio ("ui, tocavas tão bem que até o adormecias!") mas era uma situação muito embaraçosa para mim, que acabava a partitura e não sabia o que fazer a seguir. Ir para aquelas aulas significava estar numa posição desconfortável, porque já sabia o que ia acontecer e ficava a pensar "continuo a tocar? páro? acordo-o? saio da sala?". Enfim, era chato. E eu fiquei muito desmotivada com tudo aquilo e quis desistir. Nunca deixei de gostar de tocar, mas não me apetecia continuar com aquilo - e quando temos oito anos não temos maturidade suficiente para perceber que é aquele professor que nos desmotiva, que gostamos mesmo daquela atividade e que queremos dar a volta. Se em adultos já é difícil contornar situações em que estamos assim, em crianças é quase impossível. Por isso, mesmo contra a vontade dos meus pais (o meu pai sempre me disse que quando eu fosse crescida e estivesse na faculdade todos os meus colegas iam adorar ouvir-me ah ah ah), deixei de tocar piano. Tinha algum jeito e aptidão para aquilo, para além do meu amor já existente pela música, que não só se manteve como aumentou com o passar dos anos. Já tocava peças com algum grau de dificuldade e safa-me realmente bem. Mas a partir do momento em que se estagna, que não há ninguém a puxar por nós (mesmo que a dormir...) ou a exigir algo mais, é difícil evoluir. E eu parei de tocar por completo.

Ao longo destes anos voltei a sentar-me algumas vezes em frente do piano, mas nunca durava muito. Deixei de saber ler fluentemente as partituras e o meu piano, mesmo antigo, está todo desafinado e com muitas falhas ao longo do teclado. E sempre teve uma grande desvantagem, que sempre me coibiu de tocar muito: está na sala, no centro da casa, e toda a gente o ouve. Isto é bom quando queremos "dar espetáculo", mas péssimo quando queremos treinar. Como tenho sempre a casa cheia de gente, nunca conseguia tocar sozinha - e é muito chato estarmos a praticar, enganarmo-nos, chatearmo-nos (só quem nunca tocou piano é que não sabe como são aqueles ataquinhos de raiva em que batemos contra todas as teclas de uma só vez) e estar o mundo todo a ouvir. Já o era quando tocava e continuava a ser naquelas poucas vezes em que decidia tentar tocar de novo, tentando interpretar algumas das minhas músicas favoritas do momento. Tinha sempre gente a espreitar, a dizer "uau, afinal ainda dás uns toques!" ou a bater palminhas no final de uma interpretação intragável. E, por isso, desistia sempre.

Mas nos últimos tempos a música tem atingido uma dimensão tal na minha vida e anda-me tanto a apetecer fazer algo diferente (para além de trabalhar) que decidi ir procurar uma escola de música para voltar a aprender. Neste momento já conheço melhor o meu emprego, os meus horários, as pessoas com quem trabalho e a fase da adaptação e de agitação já passou - e eu sinto mesmo que precisava de fazer algo diferente, de conhecer outras pessoas, de ter a cabeça noutro lado, de me motivar de alguma forma. E lembrei-me do piano. 

Fui hoje fazer uma aula experimental, gostei imenso do espaço, da professora e dos métodos e estou muito ansiosa para voltar a tocar. Já há algum tempo que não me apetecia tanto fazer alguma coisa! São incríveis as mudanças que acontecem em dez anos: ainda vi coisas em papel, mas agora aprende-se com tablets, que ajudam a ler as partituras e que dão a música de fundo, podendo ajustar-se o ritmo, treinar só uma mão e tudo mais. Para além disso, como ouro sobre azul, a minha sobrinha tem um piano eletrónico - que não usa -, daqueles que dá para pôr phones e só nós ouvirmos as asneiras que damos ou aquilo que estamos a tocar. Ou seja,o meu problema de ter a casa toda a ouvir os meus treinos tem finalmente um fim à vista! E no futuro, se vir que estou mesmo empenhada, pondero comprar um.

Até lá, é ir experimentando. Sinto que a partir do momento em que a escrita passou de hobbie a trabalho, "perdi" o maior entretenimento da minha vida - e desde que o trabalho começou a entrar nos eixos e que eu tenho tempo livre que me sinto muito perdida e cada vez mais desmotivada com tudo à minha volta. Estava mesmo a precisar de algo que me desse vontade de sair de casa e fazer algo diferente. Estou muito esperançosa e muito feliz por ter decidido arriscar! Espero que valha o esforço!

 

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30
Ago17

Siracusa e os vestígios do Império Grego [Sicília]

Carolina

Tive uma pena enorme de só ter ficado um dia na Sicília. Acho que trocava facilmente os dois dias que tive em Malta ou em Dubrovnik por esta ilha italiana onde quero, definitivamente, voltar. Há uma coisa muito importante nos cruzeiros e que é preciso ter em conta: é preciso tomar decisões, prescindir de ver algumas coisas para poder visitar outras. Não há tempo para tudo. Em sítios pequenos e com pontos de interesse próximos, é mais fácil de resolver: mas eu sinto que podia correr a Sicília de uma ponta à outra sem me cansar e, por isso, tivemos mesmo de decidir onde queríamos ir, o sítio que achávamos que valia mais a pena. (O mesmo aconteceu em Nápoles - conto noutro texto).

Aqui tínhamos uma ajuda: os meus pais conhecem bem a Sicília e sabiam bem aquilo que me queriam mostrar primeiro. Nós aportamos em Catânia, mas decidimos ir numa tour até Siracusa. Ao todo, tínhamos umas oito horas na ilha e elas tinham de ser bem usadas - e se era para ir para longe, mais valia ir numa tour, porque assim tínhamos garantias de que o barco não partia sem nós. Não havia hipóteses de ir, por exemplo, até Palermo, a capital - só para terem uma noção, apesar de ser uma ilha e fazer parte de Itália, a Sicília é cerca de 80 vezes maior que Malta! Se era para sair de Catânia (que, relativamente a outras cidades, é mais pobre em monumentos) havia duas hipóteses: ou ir para norte, para Taormina, ou ir para sul, para Siracusa. Nós escolhemos a segunda opção, a terra de Arquimedes - um sítio que os meus pais tinham adorado, maioritariamente pelas ruínas gregas, que ficava a cerca de uma hora de carro do sítio onde estava o barco.

O meu pai sempre me disse que se eu queria ver resquícios da civilização grega não era à Grécia que tinha de ir, mas à Sicília. E, embora não saiba o estado de conservação das coisas na Grécia, há de facto muito resquícios deste império para ver nesta ilha - os mais populares estão em Siracusa e em Taorimina. Como já tem vindo a ser recorrente nestes meus textos (e na história), muitas das ruínas foram devastadas por terramotos - em particular no século XVII, segundo o nosso guia. Ainda assim, estão em óptimo estado de conservação por isso, para quem gosta de história, aconselho vivamente a visita!

A chegada a Catânia correu logo bem. Quando fui tomar o pequeno almoço olhei pela janela e algo que me pareceu familiar. Olhei melhor e percebi que o que via, uma escultura na parede, só podia ter uma assinatura: Vhils. Uma das paredes do porto, gigante, tinha o olhar de um velho, num tipo de arte que não tem outro autor senão o nosso português. Fiquei logo super contente por ter algo nosso num sítio que eu já sentia que ia gostar muito.

 

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A obra é feita em oito silos de cereais e é a maior que Vhils já fez.

 

Tudo nesta viagem correu bem. O nosso grupo era pequeno, o que facilitou imenso a dinâmica e os passeios - devíamos ser uns 16 - e o guia era absolutamente espetacular. Culto, cheio de graça e tipicamente italiano - tudo o que um guia pode ter de bom! Durante a viagem viemos sempre à conversa com um rapaz porto-riquenho, com cerca de trinta anos, que viveu uns meses em Portugal e que era apaixonado pelo nosso país, história e cultura - e sabia mais sobre o nosso passado do que a grande maioria das pessoas da sua idade. Fiquei impressionada!

A nossa primeira paragem em Siracusa foi no Parque Arqueológico de Neapólis, onde se pode ver o teatro grego e o anfiteatro romano, assim como a Orelha de Dionísio e outras grutas muito interessantes. As fotos abaixo dizem respeito ao teatro grego - aqui só se encenavam peças e não havia microfones para ninguém: tudo estava estudado para a acústica ser perfeita. Não se percebe muito bem, mas estavam a decorrer trabalhos no centro do teatro, porque todos os anos se faz lá uma peça, aproveitando as estruturas originais. A forma, as portas, as bancadas e os subterrâneos do teatro são perfeitamente percetíveis - aguentaram não só a passagem do tempo mas também as explorações e a retirada de materiais (enormes pedras) no século XVI, que serviram para fortificar a cidade.

 

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No teatro grego, do século V a.C.

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No teatro grego

 

Nas fotos abaixo pode ver-se o anfiteatro romano onde, aqui sim, ocorriam lutas entre homens e animais. Este está em muito pior estado de conservação - as ervas tomaram conta do sítio - mas mesmo assim, de um dos lados, as bancadas são percetíveis e os subterrâneos (de onde os animais saíam e onde eram mantidos durante dias sem comida, para terem fome quando fossem lutar) também.

 

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No anfiteatro romano, que data de II d.C  e é o maior na Sicília

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Anfiteatro romano

 

Outra das coisas incríveis neste parque é a Orelha de Dionísio - uma gruta artificial, com 23 metros de altura, feita provavelmente à custa de muito trabalho escravo e que serviria originalmente para armazenar água. Foi-lhe dado este nome pela sua forma e porque tem uma acústica incrível - falando normalmente dentro da gruta, parece que estamos a cantar uma ópera, devido ao eco que se reproduz de forma altíssima. Diz-se que Dionísio punha lá os seus prisioneiros, saía da gruta e ficava cá fora a ouvir aquilo que eles diziam/gritavam - algo que, por razões físicas que não sei explicar, já não acontece hoje, mas o efeito sonoro dentro da gruta e o seu enorme impacto visual já valem a visita.

 

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Orelha de Dionísio

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No interior da Orelha de Dionísio

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Nos caminhos do parque arqueológico

 

Depois partimos para Ortigia, no centro de Siracusa - mais precisamente à Praça Duomo, onde tivemos algum tempo livre, que voou sem darmos conta. Deu para comermos um gelado (o calor era, uma vez mais, abrasador), entramos numa igreja mais pequena, a Chiesa di Santa Lucia alla badia, que tem uma das pinturas mais famosas de Caravaggio, o Il seppellimento di Santa Lucia, e demos uma voltinha pelas vielas, cheia de lojas giras, com detalhes e souvenirs que arrebataram o meu coração. Por falta de tempo não entramos na Catedral, muito bonita por fora, também dedicada a Santa Luzia. 

 

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Praça Duomo

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Chiesa di Santa Lucia alla badia

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Fachada da Catedral

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Detalhes

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Nas ruelas de Ortigia

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O nosso guia

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Catedral

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Também havia coches por lá

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Mais vielas

 

Esta foi a única visita que fizemos que incluía almoço - aprendemos o ano passado que, se pudéssemos evitar fazer refeições nas excursões, o faríamos. Ainda hoje não sei, por exemplo, aquilo que comi na Finlândia - mas sei que não voltava a repetir, uma vez que nem a comida nem o sítio eram grande coisa. Fui um bocadinho receosa para este almoço mas, como tudo nesta visita, foi tudo bom: ficamos numa mesa só os três, com vista para o mar, num restaurante muito simpático chamado La Terrazza Sul Mare, que fica no topo do Grand Hotel Ortigia, bem no centro de Siracusa. Comemos uma massa com tomate e camarão e um filete de robalo, ambos bem feitos e apaladados, o que deu para desenjoar das comidas do barco. 

 

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As águas cristalinas da Sicília

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O Vulcão Etna, sempre a fumegar

 

A Sicília é, sem dúvida nenhuma, um dos sítios onde quero muito voltar, alugar um carro e correr de uma ponta à outra. Pareceu-me ter tudo aquilo que gosto: águas lindas, história e um aspeto pitoresco, com aquelas típicas ruelas italianas que tanto vemos nos filmes. Correspondeu a todas as minhas expectativas, a tudo aquilo que tinha ouvido: até o facto dos sicilianos serem uns loucos a conduzir (o nosso guia atirava-se para o meio da estrada para os obrigar a parar e nós podermos atravessar em segurança, era de rir!). Descobri ainda que a Sicília tem um dialeto próprio que contém muitas palavras iguais ao português - mais uma razão para lá irmos. Acho que ninguém se vai arrepender!

29
Ago17

Meu querido mês de Agosto

Carolina

Este Agosto foi estranho e muito atípico para mim que, pela primeira vez na vida, tive de fazer alguma coisa durante um mês onde sempre tive férias. Foi estranho, confuso, mas bom, até porque percebi as maravilhas de trabalhar enquanto tudo está de férias.

Trabalhar em Agosto é não apanhar trânsito na comum hora de ponta, mesmo nas piores estradas; é ter lugar à porta do prédio onde trabalhas e ainda escolher qual a melhor sombra; é não receber vinte emails por hora, mas receber de volta muitas mensagens com o assunto “Férias / Vacations / Vacances”; é teres silêncio no escritório porque está tudo de férias; é ter metade das coisas para fazer e deixar a vida correr.

Mas trabalhar em Agosto, principalmente quando tens 22 anos e os teus amigos ainda estudam, é ver o pessoal todo de papo para o ar enquanto tu tens de ir para o escritório; é ter muito sono quando vamos tomar café a um dia da semana e começar a olhar para o relógio quando batem as 23h; é ver as agendas deles vazias, prontas para umas férias improvisadas, e tu teres de fazer contas à vida; é acordar para ir trabalhar, ver os instastories, e perceber que a maioria das pessoas que segues está, àquela mesma hora, a sair do Lick ou do Bliss, algures em Vilamoura. Mas tudo isto só seria mau se eu fizesse muitas destas coisas nos meus tempos de estudante – e não fazia.

Tudo o que queria fazer este mês, fiz – com mais ou menos stress, adiantando mais ou menos trabalho, a correr ou devagarinho, com mais ou menos tempo do que queria… fiz tudo. Provei o sabor a férias enquanto trabalhava, num mês de Agosto sossegado – e descobri que a cidade é maravilhosa de se viver nestes meses onde todos se retiram para outros pontos do país e do mundo.

Ontem, quando cheguei ao trabalho, já não tinha os lugares de estacionamento todos só para mim e soube que, apesar de Agosto ainda não ter chegado ao fim no calendário, já se finou. Acabou a calma, começa a vida, a agitação, a correria do costume. E a mim está a custar-me a acordar desta calmia, desta desorganização organizada, deste arrastar bom, deste misto de trabalho com cheiro a férias – ainda que mais dos outros do que minhas.

Meu querido mês de Agosto… não sabia o quanto eras bom. Até para o ano.

 

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(Gerês, Agosto 2017)

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