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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

08
Mai17

Os ajustes da vida, as dificuldades e um pedido de desculpa

Carolina

Se por um lado é verdade que quem corre por gosto não cansa, por outro é inevitável que qualquer alma - em algum momento, mesmo que faça aquilo que ama - fique cansada. Chego à conclusão que a resposta "um conjunto de factores" é sempre a correta para qualquer tipo de questão, e aqui não foge da regra: o meu cansaço deve-se a muitas coisas, todas elas tendo que ver com desgastes de alma, que me tiram o sono, devolvem-me lágrimas, me agitam os dias e me apertam o estômago. Nada de grave - é ao estilo dos cortes de papel: são cortes pequenos na imensidão do nosso corpo, mas doem como se todas as nossas células estivessem lá depositadas.

Eu não tenho escrito tanto porque durmo; porque em vez de estar sozinha a escrever no quarto, prefiro estar na sala na companhia dos meus pais; porque quero aproveitar esta fase bebé do meu cão e pegar nele ao colo tanto quanto possível; e, ultimamente, porque os olhos me doem ao fim de muitas horas em frente ao computador (a idade não perdoa, meus amigos). Mas escrever menos não quer dizer que tenha deixado de gostar de o fazer ou que a paixão tenha diminuído - é simplesmente uma consequência (momentânea) das circunstâncias da vida.

Até porque, além do mais, agora escrever é aquilo que eu faço na vida. É estranho escrever isto, sabem? Há dias em que acordo e não acredito que o meu dia é passado a escrever textos - porque a miúda de nono ano que disse que não precisava dos testes psicotécnicos porque sabia que o seu futuro era a informática ainda está muito presente e eu ainda não percebi muito bem como consegui fintar esse destino, escolher outro pelo caminho e - o mais notável de tudo - concretiza-lo. 

O meu dia é passado entre a página branca do word, entre as paginas dos outros (entre revisões e sugestões para textos que não são meus) e, acima de tudo, entre as centenas de textos mentais que tenho na cabeça, já delineados e pensados, a maioria para escrever aqui. E eu adoro escrever, mas isto cansa. Porque para além de eu, neste momento, viver basicamente para o trabalho, a minha cabeça está sempre a trabalhar (que é como quem diz, escrever). É um processo irracional e muito enraizado em mim: os textos que aqui vêem são fruto do meu dia-a-dia, das peripécias, das minhas dores, das minhas alegrias e conquistas. E mal eu sinto que há um tópico, começo a explora-lo - tanto em termos de escrita "mental" como em explorações pelo meu próprio ser. Por outras palavras, penso muito. Passo a vida a auto-analisar-me, a auto-descobrir-me e isso cansa - embora eu não saiba ser de outra forma (nem queira).

Já há muitos meses que tenho deixado emails por responder e que a minha interação tem sido menor - e eu peço desculpa por isso. Fui-me um bocado abaixo das canetas. Houve uma altura em que o trabalho estava de tal forma intenso que eu escrevia desalmadamente para o blog durante o fim-de-semana - o que, de segunda a segunda, dava um total de dezenas (sem exagero) de textos escritos. Aceitar a diferença custa e eu penso muitas vezes "porquê que na altura conseguia manter este ritmo e agora não? Porquê que estou a falhar?". As circunstâncias mudam e, lá está, "por um conjunto de fatores". 

O que vale é que os cães ladram e a caravana passa e eu sei que tudo isto tende a ir ao sítio. Eu, pelo menos, estou a esforçar-me para que assim seja. Até lá, desculpem a ausência, a falta de respostas e, por vezes, a falta de retribuição. Acreditem que não faço por mal.

04
Mai17

Olá fotos com boa qualidade no instagram!

Carolina

Cometi dois erros quando, há cerca de dois anos, comprei uma nova máquina de fotografar: primeiro devia ter comprado uma que tivesse o ecrã móvel, uma vez que tiro muitas auto-fotos e às vezes gosto de ser meia artística; segundo foi o facto de esta não ter wi-fi, o que me obrigava - até agora - a ter de estar num computador para ver e partilhar as fotos que tirava.

Este último pormenor era particularmente chato porque fazia com que, em alguns casos, eu pedisse a quem me tirasse fotos para o fazer com a máquina (para ter qualidade) e com o telemóvel, para poder partilhar e mandar para a família. No cruzeiro, por exemplo, adotei a política "uma foto por dia num país diferente" e eram sempre tiradas com o smartphone; só quando cá cheguei é que consegui ver as fotos boas. Já tinha tentado contornar a situação ao ligar o cartão de memória ao meu tablet, através de uma peça exterior, mas nem por sombras aquilo funcionou. Até que um dia vi, num grupo que tenho de fotografia, que alguém estava a vender um cartão com wi-fi - coisa que eu nem sabia existir.

Fui procurar, vi preços e alternativas, ponderei comprar pela net aquele que me pareceu melhor, mas dado o entusiasmo desta descoberta, corri para a Fnac mais próxima para ver o que tinham. Deste tipo de cartões só tinham um modelo, de 16 Gb: o FlashAir, da Toshiba - custava cerca de 35 euros (o que, dada a capacidade de armazenamento e a tecnologia associada, não me pareceu caro) e eu trouxe-o para casa, para experimentar.

Estava mesmo cheia de esperança, já a imaginar as próximas férias com fotos de alta qualidade e essas coisas e... aquilo não funcionava. No fundo, introduz-se o cartão, liga-se a máquina e ele começa logo a emitir um sinal (estilo router, aparece nos dispositivos móveis na zona do wi-fi); depois instala-se uma aplicação no smartphone ou no tablet, ele associa a conta que criam na altura ao cartão de memória e sempre que a máquina é ligada em simultâneo com a aplicação, as fotos podem ser vistas (e transferidas, se assim entendermos). As instruções são claras e chega-se a bom porto com facilidade. Mas eu encontrava o sinal e ele ia logo abaixo, o que não me dava sequer tempo de ligar a aplicação.

Fiquei furiosa, todas as minhas expectativas defraudadas, e fui a correr para fóruns de fotografia para ver se alguém tinha tido um problema semelhante. E, claro, eu não era a única neste mundo. Tentei várias soluções dadas pelas pessoas e nada. Até que encontrei um comentário, que passava despercebido e foi ignorado no meio da discussão, que tinha a solução: era preciso ligar o ecrã da máquina para o cartão funcionar. Penso que só acontece nas Nikon (a minha é a D3200), mas o que a máquina faz, para poupar bateria, é cortar o fornecimento de energia ao cartão sempre que não o estamos a utilizar - ou seja, mesmo que a máquina esteja ligada, o wi-fi do cartão não liga porque, na prática, este não está "ligado". O que se tem de fazer é ligar o modo de visualização no ecrã e aí tudo funciona na perfeição.

Nos últimos tempos, com o novo cão, tenho-me fartado de utilizar isto e estou hiper contente com o produto. Já falei com várias pessoas e ninguém sabia da existência destas pequenas maravilhas, por isso não pude deixar de partilhar, embora saiba que apenas um nicho de quem me lê é que poderá interessar-se por isto (embora seja uma tecnologia usável por toda a gente, porque normalmente qualquer pessoa tem uma máquina fotográfica, mesmo que compacta). Deixo também aqui o link do site onde vi a explicação e a diferença de uns cartões para os outros, caso queiram explorar o assunto mais a fundo.

 

01
Mai17

Um ovinho da Páscoa por dia, nem sabes o bem que te fazia

Carolina

Apesar de me auto-intitular uma lontra, não sou pessoa de comer muito nem tenho daquelas pancas ao estilo "devorar uma barra de chocolate por dia". Há coisas de que gosto muito, mas no geral sou muito esquisita e não há nada que me faça mais feliz do que a comidinha da mamã, pois só ela é que sabe aquilo que gosto. Nunca escondi aqui a minha predileção por doces - e, acima de tudo, por os fazer - mas hoje em dia estou mais numa de "petiscar", porque enjoo rapidamente tudo o que são doces. Como mais do que devia e gostaria, é verdade, mas reduzi bastante e agora preciso é de saciar as vontades de açúcar que às vezes me dão.

E, nos último tempos, a solução tem sido sempre a mesma: uns ovos/amêndoas de chocolate da Chocolataria Equador, que são um pedaço de paraíso na terra. A minha irmã, por ocasião da Páscoa, ofereceu-me um patinho de porcelana (ao estilo Bordalo Pinheiro) dessa chocolataria, que trazia meia-dúzia destes ovos - de chocolate preto, de leite e branco. Eu estou longe de ser louca por chocolate, passo anos sem tocar numa única tablete, mas naquela altura apeteceu-me experimentar a prenda dela e... bom, não é preciso tecer grandes comentários. No fundo, são amêndoas inteiras envoltas em chocolate (em forma de ovo) - mas este é mesmo muito bom, ou não viesse de umas das melhores chocolatarias da cidade. Infelizmente eu não gosto de chocolate preto, por isso só comi os ovinhos de chocolate de leite e branco e, ao contrário do normal, apeteceu-me mais.

Por mero acaso, passado uns dias, passei na Rua das Flores e decidi parar na loja que eles lá têm em busca de mais ovinhos. Fiquei de coração partido, pois só tinham naqueles saquinhos de seis, dentro dos patos de porcelana e eu queria a granel (quer dizer, eu gosto de patos, mas não ao ponto de ficar com a casa cheia deles...). Dois dias depois, quando fui à padaria do El Corte Inglés, dei de caras com um corner da Equador e, guess what... havia uns frascos enormes com os ovos! Vi-me obrigada a parar, comprar e desembolsar, porque não é todos os dias que se descobrem chocolates que se gostem tanto.

Eu nem sequer costumo gostar muito da mistura de chocolate com amêndoa, mas sinto que aqui as coisas estão num estado muito mais puro e por isso sabem muito melhor (ao contrário daquelas de saco, vendidas massivamente na Páscoa). Ao contrário do que se possa pensar, isto não aumenta a minha lontrisse-aguda - acho que até ajuda a evita-la. Sempre que me dá a fome de algo doce, como um ovinho (e são pequenos) e fico consolada para o resto do dia - e como enjoo sempre que exagero, não caio na tentação de comer mais do que um, por isso isto até pode ser considerado terapêutico (ahahah).

Como sou amiga e gosto de ver toda a gente feliz, deixo aqui a sugestão. Não sei se ainda encontram estes ovinhos este ano, uma vez que se deve tratar de um especial Páscoa, mas vale a pena tentar. Ou então façam uma nota mental para não se esquecerem, na próxima semana santa, de dar um salto às lojas Equador. Isso ou façam uma petição do género "A Páscoa é quando um homem quiser e exigimos ovinhos durante o ano inteiro". Se assim for, contem comigo. Eu assino.

 

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30
Abr17

Dramas de quem tem uma mente "velha" num corpo novo

Carolina

Eu costumo dizer que tenho um espírito velho a morar num corpo de miúda nova, mas a verdade é que muitas das coisas que na generalidade se associam aos "velhos" são muitas vezes valores morais, éticos e costumes mais antigos, que deixaram de se aplicar e que eu - ao contrário da maioria - ainda dou valor. Acho que isto advém muito por eu ter pais mais velhos do que a maioria das pessoas da minha geração e por sempre me ter rodeado por pessoas com bastante mais idade que eu.

Eu percebo que as coisas mudem - e ainda bem, senão as mulheres ainda não votavam, os pretos e os brancos ainda iam em lugares diferentes no autocarro, a televisão ainda só tinha um canal e coisas que tais - mas há certas coisas que, para mim, tinham razão de ser e se deviam manter. Toda a gente tem uma série de valores que acha essenciais e pelos quais guia a sua vida e eu acho que me guio por coisas "antigas" (mas que, na minhas perspectiva, não deixam de ser valiosas e atuais).

Em relação a isto, um exemplo que posso dar tem que ver com a hora a que se telefona às pessoas. Eu sempre cresci a ouvir dizer que não se ligava a ninguém a partir das 22h - é lógico que não é algo matemático, pode ser um bocadinho antes, um bocadinho depois - mas é uma referência e tem sentido, porque é a hora em que a maioria das pessoas arruma as botas, já está com o pijama vestido e com a manta por cima a ver televisão ou a ler um livro na cama. 

Tira-me do sério, por exemplo, que me peçam para fazer um telefonema de trabalho durante o fim-de-semana - não por eu ter de trabalhar nos meus dias de "folga" (porque trabalho sem problemas, é algo que faço com frequência), mas por ter de incomodar as pessoas naquilo que, de uma forma geral, é o seu horário de descanso. Da mesma forma que evito fazer chamadas de trabalho depois das 18h - acho que é a hora do "senso comum" de final de trabalho e, do meu ponto de vista, todos temos o direito de descansar sem sermos permanentemente incomodados por pessoas com horários de trabalho antagónicos aos nossos.

Aqui em casa este assunto passa a vida a ser discutido, porque a minha mãe - para me ajudar a fazer bem o meu trabalho - pressiona-me para eu ligar às pessoas que tenho de chatear ou entrevistar. E como eu detesto falar ao telemóvel e isso me causa um stress tremendo, ela acha que eu digo que "não são horas de ligar às pessoas" para me esquivar do ato de telefonar. Mas não é. Cresci com o meu pai a mandar bugiar as pessoas que lhe ligavam à hora de almoço, uma hora que aqui em casa sempre foi sagrada, e apenas levo esses ensinamentos para a vida. E sim, fico preocupada quando recebo uma chamada às 23h de alguém que só quer saber se há uma aula no dia seguinte ou algum assunto frívolo semelhante.

Eu sei perfeitamente que, com os telemóveis, as pessoas acham que podem ligar a tudo e a todos a qualquer hora do dia, com a desculpa de que "quem não quer ser incomodado desliga o telemóvel". Eu acho que as coisas não funcionam assim. Acho que a sociedade está a perder os seus valores de referência, que só as vontades individuais importam e que só nos focamos cada vez mais no nosso umbigo e que esse respeito tácito pelo espaço dos outros, que antes se sentia e vivia, se perde cada vez mais. E eu tenho pena de ser rotulada como uma mente "velha" só por causa disto.

27
Abr17

Os irmãos não se medem às metades

Carolina

Apesar de eu me achar uma pessoa minimamente interessante, com gostos bastante diversos e com alguma cultura geral, não tenho muita facilidade em falar com os outros num primeiro contacto. Aliás, púnhamos isto em pratos limpos: eu acho que não tenho jeito para lidar com pessoas o que, numa profissão como a minha, pode ser um bocado complicado. Mas normalmente há uma série de tópicos em que eu me sinto extremamente à vontade, que são aqueles que eu ataco quando preciso de encetar uma conversa com alguém ou que preciso de usar quando há um silêncio constrangedor. Falo de viagens, de animais, de fotografia e, acima de tudo, da família. Às vezes pode ser um tópico sensível, mas normalmente é algo que as pessoas falam com alguma tranquilidade.

Eu falo logo dos meus irmãos, porque a nossa diferença de idades é sempre um tópico engraçado, que as pessoas gostam de saber mais e onde acaba por fluir o diálogo. E o fluxo natural da conversa é a outra pessoa contar-me se também tem irmãos. E muitas vezes dizem-me "eu também tenho dois meios irmãos". E eu aí apanho um safanão, acordo para a vida e respondo "ah, pois, os meus irmãos também são meios irmãos...".

Porque a verdade é que eu nunca me lembro disso a não ser que esteja a falar especificamente no assunto ou, como acontece recorrentemente neste tipo de casos, me lembrem que essa coisa dos "meios irmãos" existe. Porque, sinceramente, eu tenho uma teoria: toda a gente que enfatiza que tem "meios irmãos" é porque não os sente realmente como irmãos. Há mesmo quem diferencie os "100% irmãos" e os outros e eu acho isso terrível. Acima de tudo porque não percebo como é que isso é possível. Nenhum dos meus irmãos é "totalmente meu irmão" e eu nunca os senti menos irmãos por não termos ADN's mais semelhantes. 

Eles são, para mim, as melhores prendas da minha vida, os meus segundos pais, a minha inspiração, a minha companhia. Não concordo sempre com eles, às vezes chateio-me, mas acima de tudo, hoje em dia, tenho saudades de os ter sempre por perto e do mimo e do colo que me davam há uns anos atrás. Tenho a sorte de ter uns irmãos incríveis, que são também eles pessoas incríveis - e acredito que, como tudo nesta vida, existem maus irmãos e pessoas não tão boas. Mas a verdade é que isso depende de muita coisa (da educação, do ambiente, da personalidade), mas pouco da carga genética que carregam nas veias.

Da mesma forma que há boas e más pessoas, deve haver bons e maus irmãos - se calhar há irmãos que até podemos querer esquecer (embora eu tenha dificuldade em sequer pensar nisso). Mas esses não contam. Porque a palavra irmão, tal como a palavra "mãe" e "pai", representa muitooo mais do que aquilo que vai no dicionário. Naquelas cinco letras cabe o mundo - mas não cabem metades. Porque os irmãos medem-se por inteiro. 

 

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24
Abr17

Depilação a laser 5#

Carolina

O verão aproxima-se perigosamente e eu estava a deixar arrastar a situação da depilação a laser há demasiado tempo. Não sabia o que havia de fazer nem para onde havia de ir. Um dia destes fartei-me de tanta procrastinação e marquei para a Clínica do Pêlo, que tem um centro perto de minha casa, e no próprio dia fui lá fazer a consulta gratuita.

E, apesar de ter esperado um bocadinho, gostei muito. Da simpatia, da explicação toda que fizeram sobre o sistema que utilizam (mesmo sabendo que eu já tinha feito) e, acima de tudo, da sinceridade - não há nada que eu valorize mais do que isto quanto me estão a prestar um serviço. A técnica, mesmo sabendo que podia perder ali uma potencial cliente, foi sincera e disse-me que o mais certo era que o pêlo que eu tinha, nas zonas em questão, era provável que nunca mais desaparecesse. E se por um lado é chato ouvirmos que um problema de que nos queremos ver livres não tem solução, por outro é óptimo sabermos ao que vamos e não estarmos a insistir sem resultados ou a criar expectativas infundadas.

O ponto da situação é o seguinte: eu queria fazer perna inteira, virilhas e abdómen - tudo isto é para manutenção, já tinha feito laser em todas as zonas (menos as virilhas, onde sempre fiz luz pulsada, mas que resultou muito bem e só faço manutenção uma a duas vezes por ano e preferi agora fazer a laser, para ser tudo no mesmo sítio). Como disse no último post, os resultados na meia-perna foram muito bons; na parte de cima já não se pode dizer a mesma coisa, assim como na barriga. O problema é que, como também já me tinham dito, ambas estas zonas são "hormonais", pelo é muito mais difícil erradicar o pêlo nestas zonas. O meu pêlo já é muito fino, mas como é escuro e em quantidade, ainda se nota bastante (ou, pelo menos para mim, mais do que eu queria).

No momento da consulta tive que decidir o que ia fazer. Já tinha a informação de que isto pode nunca desaparecer, mas custava-me muito estar a retroceder anos de trabalho (e muito dinheiro e dor) e voltar à gilete e à cera - e a ter de me preocupar constantemente com depilações, de fazer as contas para quando ia de férias e todos esses dramas que a grande maioria das mulheres conhecem. Tinha medo de voltar à estaca zero e, sinceramente, já nem me lembro de viver nesses termos. Por isso decidi fazer na mesma o laser - os efeitos, mesmo que não sejam para sempre, são muito mais duradouros do que qualquer outro método e eu prefiro passar três ou quatro meses sem pensar no assunto e pagar mais do que ter de ir de quinze em quinze dias à depilação, conforme tinha de ir há uns anos atrás.

Para minha surpresa fiz o tratamento logo a seguir à consulta, mal dei o meu OK, e foi super rápido. Não posso falar de resultados, porque foi há poucos dias, mas não é essa a questão central deste post: acho que a sinceridade, aqui, foi o suficiente para me conquistarem (a par dos preços que praticam que, ainda que mais caros que a depilação tradicional, são muito mais amigos da bolsa do que noutros locais). Fiquei fã da Clínica do Pêlo e não tenho dúvidas de que vou voltar (para o bem e para o mal...). 

Obrigada a todas que, nos últimos posts sobre o assunto e por email me deram sugestões e dicas sobre este assunto! Eu prometo continuar a partilhar a experiência.

23
Abr17

O problema de sempre

Carolina

Chateia-me escrever este post, porque sinto que me estou a repetir. Ainda que por outras palavras, já o escrevi: e de cada vez que o escrevo, é quase o admitir de mais uma derrota. Mas há coisas na vida que são tão constantes como a nossa sombra - nunca desaparecem e nunca saem da nossa beira e esta é uma delas: a péssima relação que tenho com o meu corpo.

No que a isto diz respeito, vivo constantemente numa relação precária e instável: e tem pouco que ver com os números da balança ou até daquilo que se reflete no espelho. O problema é mesmo aquilo que o meu cérebro processa quando vê a imagem do meu corpo refletida, que depende não do meu peso, mas do meu estado de humor, da quantidade de exercício que fiz nos últimos tempos e daquilo que eu comi. Consigo perceber, racionalmente, que não tenho o corpo que queria; mas também sei que há muitos momentos em que me acho gorda e sei que não o estou. Simplesmente não estou como quero ou como me desejo.

Outra coisa que aprendi nos últimos anos é que não vou chegar, nunca, a ter esse corpo: mesmo que me apaixonasse subitamente pelo exercício físico, por saladas, super alimentos e coisas que tais. Porque o corpo que desejamos nunca é o corpo que temos. De qualquer das formas, a questão nem se põem: eu não consigo gostar de ir ao ginásio, de fazer exercício. E eu juro que já tentei! Passei uma fase mais estável aqui há uns anos, mas desde que o meu ginásio fechou, nunca mais consegui estabilizar; o outro onde andei era longe de casa, em dias de trânsito demorava meia hora a lá chegar e a situação tornou-se incomportável. Com este, fiz uma escolha errada: preferi escolher um mais perto do trabalho, com um horário de aulas que inicialmente me parecia apetecível, mas que acaba por não funcionar com o tipo de trabalho que tenho e a pouca força de vontade que me move. Para além de que comecei com o pé esquerdo, com umas aulas de PT que continuo a preferir nem sequer me lembrar. Infelizmente trata-se de um ginásio com fidelização e o meu dinheiro continua a voar sem eu lá pôr os pés há meses e sem encontrar grande solução à vista ou vontade de voltar.

O que é estúpido, porque quando estamos descontentes com uma coisa o mais lógico é lutarmos para contornar essa situação. O problema - no meio de tantos outros - é eu detestar o ginásio quase tanto como detesto os defeitos do corpo que me carrega a alma. É eu ter vergonha de ser aquela que se atrapalha sempre a fazer tudo, é eu ter vergonha de não conseguir pegar num peso mais alto enquanto toda a turma pega naquilo com o mindinho, é eu ter medo de cair do step (como já caí), é eu não gostar que olhem para mim nem mesmo quando é para me corrigirem posições corporais, é eu ter vergonha de ser a primeira a desistir de um exercício porque já não aguento mais. O problema são muitos pequenos problemas, que são autênticas bolas de neve.

E não adianta dizerem que nos ginásios cada um olha por si, e que não faz mal em ser trapalhona e fraquinha e tudo mais: porque eu posso ser neurótica, mas sinto-me sempre observada. E, enquanto observada, mais fraca. Fragilizada. Sinto-me no meu pior, ali. Mas também não vale a pena afirmarem que eu estou óptima, porque eu sei que não estou - e, acima de tudo, sinto que não estou.

Aos meses que ando nisto, a tentar desfazer os nós deste novelo que me consome a alma e que anda com a minha auto-estima de arrasto pelo chão: ao ponto de querer que chegue o bom tempo, mas não ter a mínima vontade de pôr dentro de um vestido ou de um fato de banho. Sinto que já disse demasiadas vezes "é agora", sem nunca conseguir avançar significativamente: e por isso é que este post é o admitir de mais um falhanço. Tenho vergonha. Mas pior do que ter vergonha, é olhar para o baralho de cartas que disponho à minha frente e não ver grandes jogadas para onde me mover e ganhar o jogo. É pensar: "ou tens uma injeção de força de vontade para saíres daqui ou deixas-te ficar" - e não quereres nem uma, nem outra. É a escolha entre o conforto do comodismo e da infelicidade ou da motivação, das dores, dos possíveis dias maus, dos metros longe da zona de conforto e dos potenciais resultados. É escolher sempre por um caminho que nunca vai saber bem: ou pelo fim ou pelo meio para atingir o fim. 

22
Abr17

Hoje a família cresceu

Carolina

Este acrescento à família já estava a ser pensado há muito e planeado em concreto há cerca de um mês - mas preferi não falar até o ter em casa, porque havia muitos "mas" e "se's" que precisavam de ser ultrapassados. E, acima de tudo, haviam medos que se relacionavam maioritariamente com a reação do outros cães aos mais recente membro (em particular a Molly, que conviverá mais com ele, e o Tomé, que não gosta de invasões no seu território).

Hoje, depois de quase três horas de carro, já o tínhamos nos braços e ficamos, como sempre, enamorados. Ainda é muito pequenino, dorme muito, mas já se nota o espírito brincalhão e reguila que lhe corre nas veias. A Molly já o acolheu e está sempre preocupada com o estado daquele que deve pensar que é o seu novo rebento - mas está estranha e eu estou preocupada com o facto de ela sentir que a atenção que eu lhe dava passou para ele (que não é verdade, hoje tentei sempre estar ao lado dela, mas nesta fase inicial é praticamente inevitável ter os dois olhos e pelo menos uma mão em cima do outro). A minha relação com esta cadela é qualquer coisa de especial e um dos meus medos era precisamente que a minha relação com ela mudasse pela introdução de um novo elemento: mas enfim, vamos indo e vamos vendo. Acho que, neste momento, ela está numa relação de amor-ódio com o cão (sim, é menino): por um lado, trata dele como se fosse sua mãe e já o protege dos outros cães; por outro, nota-se o ciúme e tem medo que ele ocupe o seu lugar (por exemplo com a comida, que hoje ia valendo uma mordidela ao pequenote).

O bebé ainda não tem um nome 100% definido (deve ser Charlie) e neste momento é o alvo de todos os olhares e preocupações aqui em casa. A introdução com os outros cães está a ser feita aos pouquinhos e assim terá de ser no futuro próximo, acima de tudo com muita paciência. Todas as outras "lutas territoriais" vão sendo ajustadas ao longo do tempo, esperemos que sem danos para nenhuma das partes. Nesta fase uma pessoa fica sempre com o coração nas mãos e todos os cuidados são poucos.

Nestes momentos o coração cresce e parece ter sempre espaço para mais um, não diminuindo o amor que se tem pelos outros - e essa capacidade que nós temos é mesmo incrível. Deixo as fotos do primeiro dia de "casa" do caçula da família.

 

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19
Abr17

Review da semana #19

Carolina

Suporte para telemóvel ou #CoisasSupostamenteInúteisQueComproNoEbay, parte 1

 

Há uns meses decidi encomendar um suporte para telemóvel, daqueles para pôr em cima da secretária. Há quem tenha a mania de andar a circular por aquele corredor terrível do Lidl à procura de coisas um tanto ao quanto inúteis para comprar (sim, mãe, estou a olhar para ti - e sim, também sei que estou a ser injusta, porque até há lá coisas fixes e tu até nem tens comprado muita coisa, mas isso fica para as nossas discussões domésticas); eu tenho a mania de andar a percorrer o ebay à procura de coisas giras, baratas e com utilidades duvidosas. Mas depois surpreendo-me e essa é a melhor parte de todas (e, já agora, o facto de receber coisas pelo correio - adoro receber encomendas!).

No meio das minhas expedições "ebayianas" devo ter dado de caras com este suporte para telemóvel e encomendei um para mim, para ter no escritório. E a verdade é que fiquei fã! Quando estou a trabalhar tenho sempre vários jornais abertos à minha volta, mais o bloco de notas, mais a agenda, mais o estojo e as canetas, a par do copo de café e a carteira e... enfim. Resumo: o telemóvel ficava sempre perdido naquele caos todo e sempre que precisava dele quase que tinha de pedir para me ligar.

Agora não. Fica ali em pé, mesmo ao meu ladinho. Para além de agora ter um sítio fixo para o pôr e de já não ter de fazer autênticas expedições na minha própria secretária, vejo com muito mais facilidade todas as notificações que me caem no telemóvel (que, como pessoa pouco popular que sou, se resumem praticamente a coisas o género "Cebolas já estão prontas para ser colhidas", do Star Chef - sim, porque eu continuo a jogar!).

A verdade é que passado pouco tempo encomendei um para o meu chefe e vi-me obrigada a mandar vir mais um para mim, para ter em casa. Dei por mim a trabalhar no meu quarto e a sentir falta de ter um sítio fixo para o telemóvel, mesmo ali à mão de semear. Virei fã. 

Podem mandar vir do ebay aqui. Chega relativamente rápido, vem super bem acondicionado e, no meu caso, tornou-se o meu melhor amigo contra expedições-demoradas-e-inúteis-numa-secretária-inundada-de-papéis.

 

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18
Abr17

O fim da paz nas estradas portuguesas

Carolina

Eu sei que esta época de férias é diabólica para os pais, que por sua vez acaba por ser diabólica para os avós (que eventualmente têm que ficar com os netos) ou até para os tios (que, quando é preciso, tomam o lugar dos avós). Eu agora não me posso queixar, porque este ano houve uma série de fatores que fizeram com que os meus sobrinhos não fossem lá parar a casa on a daily basis - e, de qualquer das formas, eu agora trabalho, portanto já não passaria o dia com as crianças de um lado para o outro.

Mas como trabalhadora que sou, sofro o drama diário de quem vai e vem para o trabalho todos os dias, inevitavelmente naquela hora terrível chamada "hora de ponta" - que é incrivelmente adensada por todas as crianças que vão para a escola com os pais. E nisto, desculpem-me os progenitores desesperados por não saberem onde deixar as crianças, mães que meteram férias e já estão por esta hora a arrancar cabelos, avós que já perderam a paciência há vinte anos atrás ou tias que simplesmente não nasceram para isso (sim, estou aqui a rever-me...) mas, para quem trabalha, estas duas semaninhas (e todas as outras que ainda hão de vir no verão) são assim o paraíso na terra. Não há filas, não há confusão, é sempre abrir até estacionar. Uma pequena maravilha.

Mas pronto, acho que hoje é oficialmente o fim da paz. Adeus estradas desimpedidas, adeus ruas de escolas sem trinta carros estacionados em segunda e terceira fila, adeus aos cinco minutinhos extra na cama! You will be missed! 

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