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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

31
Dez17

Em 2017 eu...

Carolina

- voltei a aprender a tocar piano;

- conheci o Jamie Cullum!

- juntei um novo cão à minha matilha;

- fui a Itália (Veneza, Nápoles, Pompeia, Roma), à Croácia (Dubrovnik), ao Montenegro (Kotor), a Malta, a Sicília (Siracusa), à Alemanha (Munique), a Espanha (Madrid) e a Inglaterra (Bristol);

- vibrei pela primeira vez com a Eurovisão e obriguei o meu irmão emigrante a votar no Salvador;

- voltei a ir ao Primavera Sound;

- falei com a Teresa Guilherme ao telemóvel;

- fui pela primeira vez a um arraial minhoto;

- fiz a minha primeira viagem de trabalho;

- fiz dois escape games (e saí de ambos!);

- vi duas vezes o Jamie Cullum ao vivo e fui ver o Salvador à Casa da Música, o que me encheu a alma e o coração;

- passei aquela que foi a única semana sossegada do meu ano no Algarve, na minha praia;

- gastei quatro cadernos em notas;

- acampei no Gerês e em Oleiros;

- passeei por Vila Nova de Cerveira, Marvão, Estremoz, Vila Viçosa e Lisboa;

- fui ao Web Summit;

- comecei a usar um hidratante diário para a cara, porque a idade não perdoa;

- não fui ver o Robert Pattinson - e arrependi-me um bocadinho;

- acabei de ver Game of Thrones, comecei a ver This is Us e The Good Doctor e voltei para a Anatomia de Grey;

- voltei para o ginásio;

- deixei as agendas e criei o meu próprio bullet journal;

- fui à feira do livro mas não comprei nada;

- usei pela primeira vez chapéu;

- criei um instagram para os meus cães;

- não cortei o cabelo;

- pendurei as minhas andorinhas e as minhas sardinhas na parede, finalmente!!!;

- li mesmo muito pouco;

- fui duas vezes ao estádio do Dragão - numa perdemos, noutra ganhámos;

- retomei o meu hábito de ir à feira todas as semana;

- acho que só fui uma vez ao cinema... (shame, shame);

- fui ao Portugal Fashion.

 

Já disse que voltei a tocar piano, que estive com o Jamie Cullum e que descobri o Salvador, a minha nova panca musical? Sendo assim, acho que temos um resumo perfeito do meu ano :)

 

Espero que a vossa check-list deste ano também tenha sido preenchida de coisas boas e que 2018 vos pisque o olho e que rompa com todas as vossas expectativas. Vemo-nos para o ano, sim? Boas entradas!

 

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30
Dez17

Um balanço do meu 2017

Carolina

2017 foi um ano estranho. Vendo de uma perspetiva global, foi um ano bom - com saúde (a minha prioridade, sempre!), cheio de viagens, com momentos marcantes que vou relembrar durante a minha vida toda; mas olhando para o pormenor, para o sumo dos meus dias, foi um ano sofrido a nível interior - passei o tempo a tentar remediar as minhas próprias falhas, a tentar aprender com as chapadas da vida, a tentar encontrar um meio termo entre as ações dos outros e as minhas, querendo sempre ser coerente ao máximo e nem sempre conseguindo. Vivi com a alma desassossegada. 

Acho que quase tudo o que fiz - e o que não fiz - teve como ponto central o trabalho. Percebi porque é que o trabalho de chama trabalho e não outra coisa qualquer; continuo - de longe! - a preferir isto à faculdade, mas a minha fase de paixão pelo mundo laboral ficou no início de 2017. Tive de tomar uma série de decisões e abarquei com algumas dos outros que me abalaram os alicerces e me fizeram pensar "ah, então era disto que os adultos falavam". Sinto que fui posta à prova, e não tenho a certeza se passei nos testes - e isso também mexeu comigo, porque se eu não sou boa a trabalhar, sou boa a fazer o quê? E à medida que o ano foi passando eu fui ficando com cada vez mais coisas para fazer e fui também percebendo que a minha vida não podia ser só isso - eu não me sentia recompensada o suficiente, a nenhum nível, para poder centrar tudo à volta daquilo que fazia no meu emprego. Por isso arranjei aquele que foi o outro highlight do meu ano: o piano.

O piano não surgiu por acaso. Foi mesmo como disse acima: eu estava a ficar desesperada, dava por mim a falar de trabalho a toda a hora e pensava para os meus botões em como me estava a tornar numa pessoa cada vez mais desinteressante. Pensei num ponto de fuga, em tudo aquilo que podia fazer que me desse prazer e me abstraísse do mundo, e surgiu o piano. Pesquisei escolas no Google, escolhi a que me pareceu melhor e atirei-me de cabeça. E foi o melhor movimento do meu ano, porque tem todos os ingredientes que eu precisava para me equilibrar: desconcentra-me dos problemas da vida, relaxa-me, abstrai-me. Pôs-me a ouvir música clássica de novo, a conviver com pessoas novas duas vezes por semana e mostrou-me que eu consigo ser boa noutra coisa qualquer para além da escrita ou por detrás de um software de computador.

No tópico viagens, não há como não destacar o cruzeiro no Mediterrâneo e Adriático e a passagem por Munique - a primeira pela beleza e o poder histórico de tudo o que vi e a segunda por ter sentido que me atiraram aos lobos e eu sobrevivi. 

Chorei mais do que queria - mas acho que, pela primeira vez na vida, o fiz mais acompanhada do que sozinha. Eu sabia que as minhas dores já tinham sido dores de alguém... eram dores de crescimento. De desentendimento, de incompreensão, de inconformidade com as normas estabelecidas, de revolta. De alguma solidão também, essa lapa que nunca na vida se vai descolar de mim - não por ter perdido algumas pessoas neste ano (que perdi) mas por sentir que carrego sozinha certos valores morais e de ética, de forma de vida e de forma de estar, que poucos partilham. 

É difícil definir um ano quando a nossa vida é pautada por um certo equilíbrio, muito regulado. Eu tenho medo dos picos de euforia, porque sei que depois vêm os picos de tristeza; sei que quanto maior é a amplitude que damos à linha da nossa vida, maiores são os riscos de cairmos em vales de que não conseguimos sair. Por isso eu vivo sempre neste equilíbrio um bocado precário mas muito racional, querendo estar sempre acima da linha média - com uma vida completa e feliz - mas nunca abusando de sentimentos altamente felizes ou horrivelmente deprimentes. Há anos da nossa vida que sobressaem, tanto num todo como no pormenor; há outros que são só mais uns, igualmente importantes porque fazem parte da construção de quem nós somos. 2017 cai na segunda categoria.

E se o ano passado foi um ano de alegrias, de viagens e de um alimento brutal para a alma, este foi um ano de aprendizagem e crescimento brutais, algo que - quando é feito a sério, com as turras e os pontapés da vida - nunca é muito agradável no momento, mas que nos prepara melhor para o futuro. Sou uma mulher mais sábia que em 2016, porque sinto que este ano que agora se fina foi altamente centrado em mim, numa descoberta um tanto ao quanto dolorosa, mas necessária, de mim própria e da realidade que me rodeia. Espero que em 2018 possa aproveitar essa bagagem para ir em frente e passar à ação; investir em mim própria e nos meus projetos. E agir, em vez de só pensar. Que venha ele.

 

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27
Dez17

O pós projeto de Natal: e agora o que faço da minha vida?

Carolina

Sabem aquela sensação de quando acabam de ler um livro que adoraram ou quando terminam a última temporada de uma série que gostaram muito? Um feeling quase de abandono, de não saber o que havemos de fazer à vida depois daquilo, de quase nos sentirmos "orfãos" de alguma coisa? É isso que eu sinto neste momento depois de ter acabado o meu projeto de Natal. Perdida, quase com horas a mais. Eu estava exausta, mas movida por um objetivo. Agora estou só exausta.

É incrível como as ondas de cansaço que nos invadem depois de relaxarmos de algo que nos stressou e moveu durante meses. No dia 25, depois de a 24 ter passado o dia todo na cozinha e me ter deitado às 4 da manhã, após ter posto a mesa, almoçado e brincado um pouco com o meu sobrinho, decidi "ir ver televisão para a sala". Adormeci por quatro horas. Nessa noite dormi bem, na seguinte também. E continuo a acordar cansada, enquanto sinto os meus trapézios a ficarem mais macios a cada dia que passa - embora nunca fiquem normais, porque as minhas contraturas já têm ali morada fixa. 

Os prazo que eu tinha eram demasiado curtos para um projeto tão ambicioso. Este é um dos exemplo que cabe bem numa coisa que eu digo muito, o "trabalho ingrato". Eu sei que as pessoas têm alguma noção do trabalho que me deu ver todos os vídeos, organiza-los e seleciona-los. Mas eu cresci com a máxima de que só há uma forma de fazer as coisas - bem - e não sei trabalhar de outra forma. Por isso eu fui buscar transições e sons para acompanhar (que tinham de bater certinho com a imagem), as músicas ideais para colocar como fundo (que, em certas batidas, tinham de coincidir com certas imagens), fiz uma introdução completamente desnecessária mas hilariante, que me demorou mais que todos os vídeos juntos, e outros pormenores assim do género que ninguém nota quando o resultado final é harmonioso - e que, aliás, pelo contrário, só se nota quando não estão lá. Isto levou-me muito tempo, obrigou-me a fazer noitadas - coisa que já não fazia há muitos anos -, a gerir o stress e conciliar com o trabalho, o que não foi mesmo nada fácil. Mas, caraças, o resultado valeu mais do que a pena! Não só os vídeos em si, mas também o feedback e as reações despoletadas nos outros - onde se incluíram lágrimas e tantas, tantas gargalhadas, que valem pelo mundo.

Uma das poucas coisas que me leva racionalmente a equacionar ter filhos - porque, como muitos sabem, não é algo que eu alguma vez tenha tido nos meus planos, embora nunca tenha excluído uma possível mudança de opinião ou de estado de espírito, ainda que ache improvável - é a perspectiva de dar continuidade à família, de dar aos outros aquilo que eles me deram a mim: pessoas com sangue do meu sangue, que partilham comigo não só laços de amizade, como laços de vida. Ter uma família grande é das maiores alegrias da minha vida e eu gostava de ser coerente e proporcionar esse crescimento, de dar frutos, de fazer com que os meus filhos sentissem o que sinto quando estou envolta dos meus. 

Sou sempre pessimista e um bocado céptica em relação a tudo, por isso, ao longo deste processo, nunca pensei que os vídeos fizessem tanto sucesso. Como hoje em dia todos temos uma concentração de peixes e o Natal é uma época de convívio e não para estar a olhar para um ecrã, sempre esperei que o pessoal visse, gostasse, mas que fosse deitando o olho enquanto punha o dente numa rabanada ou dava duas de conversa com a pessoa do lado. Mas não. Parou tudo para ver, toda a gente se riu imenso e no fim agradeceu e deu os parabéns - e eu fiquei consoladíssima. Primeiro porque tinha as expectativas baixas e segundo porque consegui proporcionar a toda a gente um momento diferente, de nostalgia, de saudade e ao mesmo tempo de alegria, bem representativo da união de família que se vive e sempre se viveu ao longo destes anos.

Foi um momento feliz - nem sei se foi mais para mim ou para os outros - e pronto, agora eu estou de ressaca, a recuperar do cansaço, da barriga e do coração cheio. Preciso de voltar aos dias normais - passei demasiadas horas sentada, ganhei quilos que não devia - mas isto deu para perceber que eu preciso disto para (sobre)viver. Preciso de coisas que me movam, bem além do trabalho. São este tipo de coisas o combustível da minha vida, que me dão forças para além do cansaço para avançar. É raro serem tão recompensadoras como esta foi, mas é nestes dias que percebo que eu sou pessoa de fazer e não de ver passar os outros. E até ao fim do ano, para além do trabalho, só quero descanso. Depois disso, vou pegar na pá e passar para outra obra. 

24
Dez17

Feliz Natal, queridos leitores

Carolina

Hoje, em conversa aqui na cozinha, enquanto eu e a minha mãe andávamos de um lado para o outro, quais baratas-tontas para dar conta do recado, falava-se do espírito natalício. E eu dei conta que, de facto, o espírito natalício vai para além de montar a árvore de Natal, de comprar os presentes, de juntar a família. O Natal para mim é acordar demasiado cedo com o barulho dos tachos na cozinha, é pegar na tigela da minha bisavó - só usada uma vez por ano - para fazer os bolinhos de bolina, é perguntar a opinião sobre se está doce ou salgado, é chatear-me porque as opiniões não coincidem e dizer "olha, então para o ano fazes tu!!!", é lavar uma pilha de loiça e é cair para o lado no sofá depois de estar duas horas em frente ao fogão, enquanto vejo a minha mãe também a tirar uma merecida sesta perto de mim. 

No fundo, Natal é partilha, em todos os sentidos: até a partilha dos hábitos e tradições, perceber o valor daquela tigela onde durante tantos anos se fizeram aqueles bolos e aquela receita que a nossa mãe nos ensinou - e que a avó dela tinha ensinado à sua mãe, que por sua vez ensinou à minha. Natal é trabalho, mas se não fosse, pelos menos para mim, não era Natal. Este ano essa máxima foi levada a um expoente não tão agradável - não foi só o dia e a véspera de Natal que foram trabalhosos, mas sim o mês todo.

Fui engolida por Dezembro e a minha noção de tempo psicológico está um bocadinho dividida: por um lado, olho para trás e parece que passou tudo à velocidade da luz; por outro, enquanto vivia as coisas e ouvia o meu tic-tac cerebral a dizer-me que as coisas tinham que ficar feitas e que todos os dias os prazos apertavam cada vez mais, o tempo não parecia andar ao mesmo ritmo que eu, não me acompanhando o passo. "O lume brando é sempre o melhor tempero", dizem, e eu acho que o mesmo se aplica à vida: saboreamos muito melhor as coisas e damos-lhe muito mais paladar no final se tudo for feito lentamente. É assim que gosto de viver Dezembro e a época natalícia - e foi precisamente o oposto do que fiz, porque às vezes não temos escolha.

Mas é dos pequenos momentos que retiramos as melhores coisas, por isso há que os aproveitar. O meu projeto natalício ficou concluído e estou ansiosamente à espera para ver as reações da minha família a todos aqueles momentos que reuni. As rabanadas estão prontas, a aletria também, e os mais de três quilos de bolinhos de bolina que preparei estão à espera que eu termine este post para serem fritos. As prendas estão todas embrulhadas, com a certeza que depositei nelas todo o carinho, pensamento e atenção possível dada a época. E a minha peça de Natal no piano foi concluída com sucesso, ainda que longe da perfeição, mas no meio do caos destes dias não há como não ficar orgulhosa, senão do resultado final, pelo menos da minha preciosa gestão de tempo.

A minha mensagem natalícia é por isso acompanhada da minha pequena "performance", que serve para marcar também um dos maiores presentes que eu recebi este ano: o meu retorno ao piano. Desejo-vos então um óptimo Natal, com tudo o que desejam, para além de tudo o que é essencial: o quentinho da família, o sossego de uma boa saúde e a esperança de tantos Natais que ainda estão por vir. 

 

Feliz Natal!

 

 

22
Dez17

Uma loja de porta aberta 1#

Carolina

The Feeting Room, onde a moda se saboreia lentamente

 

No início eram os sapatos. Depois o caminho do lifestyle começou a falar mais alto e apareceram as roupas, as revistas, as esculturas, as pinturas e o estacionário: tudo o que um cliente precisa para se vestir, de cima a baixo, e ainda levar na bagagem algumas experiências, cultura ou até o estômago quente forrado com um café.

O papel do The Feeting Room é mesmo esse: ser tudo um pouco e reinventar o conceito de retalho. “A inovação não está só no produto mas também no modelo de negócio”, diz Guilherme Oliveira que, em conjunto com Edgar Ferreira, forma a dupla que fundou e gere o projecto.

“Percebemos que havia uma lacuna nas marcas portuguesas: existem muitos produtores de qualidade que não chegam sequer ao mercado português ou não estavam disseminados”, explica Guilherme que quis, com o seu sócio, “criar uma plataforma não só de venda mas também de promoção das marcas”. O The Feeting Room vê-se por isso como uma incubadora e curadora de projetos, com quem desenvolve eventos, ajuda na comunicação e, acima de tudo, proporciona a oportunidade de estar em dois sítios premium: no Largo dos Lóios, Porto, e no Chiado, em Lisboa.

São muitas as marcas diferenciadoras que recheiam ambos os espaços, capazes de satisfazer os gostos de uma ampla plateia de clientes. A ideia baseia-se na co-criação de valor: “há um co-branding positivo entre todas, que se entreajudam a vender muito mais. Não se canibalizam – potenciam-se”, afirma Guilherme.

Uma boa relação qualidade-preço, a intemporalidade e qualidade das peças e a história dos projetos são pontos essenciais para figurar nestes espaços: “no retalho tradicional, o sumo e a identidade da marca acabava por se perder no processo dos intermediários e aqui não”, afirma Edgar, explicando que os funcionários têm formação sobre as marcas de forma a manter vivo o seu ADN. Por isso é que “tu cá, tu lá” é, provavelmente, a forma certa de descrever a relação do The Feeting Room com os seus parceiros, deixando também para trás a relação de distância do comércio tradicional: “temos um contacto direto com eles, damos um feedback de rentabilidade, de coolness e de feeting”, revela Edgar Ferreira.

Apesar do frenesim da moda, do movimento constante nas ruas e da procura incessante de novas marcas e novidades, no The Feeting Room as coisas querem-se slow: quer seja pelos momentos no The Coffe Room – um spinoff da própria loja portuense, que tem no seu piso superior um espaço de café onde os clientes podem desfrutar do espaço, enquanto conversam ou lêem uma revista –, quer pela filosofia inerte às roupas que vendem (onde o slow fashion já tomou lugar) ou até pela organização do espaço, feita de forma espaçosa e ordenada, sem apertos ou o caos instalado. Tudo sem pressas, enquanto se respira e absorve moda, enquanto o mundo continua a correr lá fora.

 

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21
Dez17

Uma loja de porta aberta (ou "o tipo de artigos que gosto mesmo de escrever", ou ainda "o início de uma nova rubrica")

Carolina

Uma das coisas que mais gosto de ler são revistas ou artigos recheados de sugestões e produtos. Adoro conhecer novos gadgets, marcas novas, roupas giras, ideias inovadoras – não meramente os seus preços, como aparece nas revistas de moda, mas o que está por detrás de tudo aquilo. Há quase sempre boas histórias e boas justificações escondidas atrás das boas ideias, de bons produtos, de bons projetos e de bons espaços e conhece-las é um dos meus maiores hobbies.

Acho que a única forma de ser feliz no jornalismo era a fazer isto: dar a conhecer projetos, start-ups, empresas e ideias inspiradoras, fazendo inspirar os outros. É um modelo que me atrai e, se também gostam, aconselho vivamente a que comprem o Observador Lifestyle – que para além de estar graficamente incrível e de ser feita por aquele que é, para mim, o melhor jornal online deste país, foi quem me deu a ideia para este texto, que não é bem um texto, mas o início de uma rubrica.

Já foram várias as pessoas que me pediram para mostrar algumas coisas que eu escrevo no âmbito do meu trabalho. Eu nunca mostrei (com uma exceção, se a memória não me falha) não por ter vergonha ou por não querer que vejam, mas por achar que muito daquilo que escrevo e faço não tem interesse para um público “comum”; para além disso, a maioria dos caracteres que saem das minhas mãos são notícias breves e internacionais que já leram em tantos outros sites, que em nada denotam a minha capacidade ou estilo de escrita.

Mas ao folhear essa revista do Observador lembrei-me que há uma rubrica do jornal onde trabalho, que está sempre a meu cargo, que talvez alguns de vós possam gostar de ler. Por ser um bocadinho ao estilo daquilo que falava acima – dar a conhecer projetos bonitos – é talvez o meu espaço preferido no jornal, onde posso ser mais “eu” enquanto escrevo, trazendo sempre conteúdos exclusivos, porque vou sempre conhecer os sítios e falar com os seus proprietários. Trata-se de um espaço onde eu dou a conhecer lojas diferentes – maioritariamente localizadas no Porto -, contando a sua história e um bocadinho do que se pode encontrar lá. Assim matam um bocadinho e a curiosidade e eu tenho a hipótese de ter algum feedback, coisa que normalmente não obtenho com facilidade. Parece-vos bem? Em breve mostro o primeiro texto.

(Até lá, vão comprar a revista do Observador antes que esgote.)

 

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20
Dez17

Review da semana 23#

Carolina

Os cheirinhos da Muji

Só os meus pais sabem – e a minha mãe em particular, porque era ela o alvo da fúria – o quanto eu detesto ambientadores, também conhecidos por “cheirinhos”. Eu sou extremamente sensível ao nível do olfato, deteto coisas à distância, e custa-me muito sentir o ar poluído com um aroma qualquer. Até porque eu acho que o sinto mais do que a maioria das pessoas e é quase doloroso.

Às vezes basta entrar em carros alheios para ficar agoniada com aqueles cheirinhos demoníacos que vêm daquelas “árvores” penduradas no retrovisor. E perfumarias? São o meu pior pesadelo. E por isso eu dispenso qualquer tipo de ambientador, velas intensas, incensos e coisas do género. Foi uma batalha cá em casa, porque a minha mãe adorava (e ainda adora) espalhar essas coisas pelos espaços e eu andava sempre atrás dela a apagar as velas, tirar os cheirinhos das tomadas e coisas assim do género.

Mas quando estive em Lisboa há um mês atrás entrei na Muji e cheirou-me a mentol. E há uma coisa que devem saber sobre mim: eu adoro tudo o cheire a mentol, cidreira e menta. Adoro chás, adoro chicletes, adoro perfumes (embora não use, porque não consigo)… tudo! E aquele aroma era tão fresco, tão real, tão disperso mas ao mesmo tempo tão intenso… era absolutamente incrível.

Dito isto, acho que já deu para perceber que quebrei uma das minhas regras de ouro: comprei um cheirinho. Aliás, dois: um de menta e outro de mentol. São daqueles líquidos, que se dissolvem em água e que com uma vela por baixo vão purificando o ar. Há umas máquinas que fazem o mesmo efeito, libertando vapor de água  – inclusivamente na Muji – mas são demasiado caras comparado com algo que tem exatamente o mesmo efeito.

Já os experimentei e tenho a dizer que são divinais. Já adorava as canetas de Muji, agora acrescentei mais um item à lista. Estou a fazer figas para que, dentro em breve, abram uma loja no Porto.

 

19
Dez17

A praga dos jantares de Natal (ou a desilusão com os britânicos)

Carolina

No último fim-de-semana estive duas noites em Inglaterra, onde fui buscar um dos meus sobrinhos para vir passar o Natal connosco. Já lá tinha ido uma vez em Novembro, mas nunca tão perto do Natal, o que me permitiu chegar a uma conclusão: se acham que marcar uma mesa em Portugal por esta altura do ano é um filme, nem vos passa o que acontece em Inglaterra. Eles são maluquinhos por jantares de grupo natalícios!

Não estou a gozar quando digo que achei mesmo que não ia conseguir jantar. Éramos quatro e fomos entrando em todos os restaurantes que vimos à procura de mesa. Um. Dois. Três. Quatro. Nada. “Fully booked, I’m sorry”. Estava tudo a abarrotar pelas costuras e eu a ver que iamos acabar no Domino’s para ir buscar uma pizza e comer no hotel. Por sorte, acabamos por entrar num restaurante italiano que tinha uma mesinha onde nos conseguimos encaixar, engolindo algo o mais rapidamente possível, para fugir daquele barulho infernal mal pudemos.

Porque para além de cheios de gente e cheios de barulho, os restaurantes estão cheios visualmente. Eles vestem-se a rigor! E não falo só daqueles corninhos de renas que nós pomos por brincadeira ou daqueles óculos com uns pais-natal: são mesmo fatiotas, de alto a baixo, com direitinho a sapatinho de vela vermelho e tudo. Fatos de Pai Natal, tuxedos pintados nataliciamente, camisolas de malha com desenhos de pinheirinhos, flocos e bonecos de neve, gingerbreads, bengalinhas e tudo o que mais têm direito... Isto para não falar das coroas de papel que toda a gente usa, por saírem sempre em forma de brinde nos típicos crackers - que, para quem não conhece, são uns “rebuçados” feitos em papel com uns brindes lá dentro, que fazem “crack” quando se abrem. Enfim, uma festa!

Isto para não falar dos bêbados. O meu quarto de hotel ficava no sexto andar e às tantas da manhã eu ainda ouvia gritos, risos e garrafas a cair no chão - cujos vestígios, partidos em mil pedacinhos, ainda se notavam bem na manhã seguinte. Já me tinha apercebido disto, mas a cultura de cair-para-o-lado-de-tanto-beber ainda está mais implementada lá do que cá, o que é absolutamente decrépito. No restaurante onde ficamos, um rapaz caiu para o lado em cima da mesa e um dos amigos puxou-o de tal forma que ele varreu os pratos e os copos cheios de cerveja para o chão, qual cenário de filme. A melhor parte? Deixaram-no ficar ali, caído, enquanto foram fazer qualquer coisa - nem um ficou lá! - e, quando voltaram, passaram por cima dos vidros, da cerveja e das pizzas como se um tapete de pétalas de rosa se tratasse.

E eu adoro Inglaterra, sempre disse que se um dia tivesse de emigrar era para lá que iria e, confesso, durante alguns anos o meu homem idílico era um rapaz com british accent - lembram-se daquela velha máxima "don't worry if you're single, God is saving you for a British boy"? - mas, de cada vez que lá ponho os pés, sinto-me mais distante daquele estilo de vida. Adoro as cidades (isto que vos conto foi em Bristol, a sul de Londres) mas a forma de estar de quem lá vive não coincide com a minha - ou, pelo menos, com aquilo que pensava dos ingleses. Talvez fosse uma ideia irrealista. Talvez seja eu que estou mais intransigente a cada dia que passa. Ou então talvez seja apenas a época natalícia a dar com toda a gente em doida. Tudo é relativo: até a praga dos jantares de Natal, para os quais nunca mais vou olhar da mesma forma depois desta experiência. Aqui em Portugal somos uns autênticos meninos.

16
Dez17

A Maria Vaidosa Magazine é uma lufada de ar fresco

Carolina

Um dos meus posts mais comentados e vistos do ano foi aquele em que falava da casa dos Youtubers. O post não era abonatório mas ao menos tentava pôr água na fervura – coisa que alguns dos comentadores até nem achou muita graça. Mas enfim, a verdade é que há mais youtubers em Portugal do que aqueles que vivem todos juntos e fazem parvoíces – e eu acompanho alguns fielmente.

Uma das pessoas que sigo com atenção e que, diria, me iniciou nisto do Youtube – porque até há uns três anos atrás eu só usava este site para ouvir músicas e nem sabia para que servia o botão “subscrever” – foi a Maria Vaidosa. Consigo dizer exatamente o dia em que a comecei a seguir, porque veio na sequência de um post da Maçã de Eva (que sigo há vários anos), que falava dela como uma promessa nacional.

Confesso: o meu primeiro pensamento quando a vi foi “quem é que ela pensa que é?”. Ela é tão extrovertida, tão apalhaçada (num bom sentido - e era-o mais naquela altura do que agora), tão espalhafatosa - quase como sentíssemos que nos ocupa o quarto e a mente toda - que eu achei aquilo irritante e quase ultrajante. Mas ficou-me o bichinho e a verdade é que, apesar desta primeira impressão, eu voltava sempre ao canal dela para ver mais - ainda que o assunto maquilhagem não me puxe e o lado da moda, embora seja algo de que goste muito, também não me leve a ver vídeos.

Passaram-se uns dois anos e eu sinto que já faço parte da vida dela. (É estranho este sentimento, não é?). Já lhe “conheço” o namorado, os cães, as partes de sua casa - e pelo caminho fui gostando de a conhecer, embora de facto nunca tenha falado com ela na vida. E fiquei mesmo orgulhosa quando ela lançou o seu mais recente projeto, a Maria Vaidosa Magazine, tornando-se assim na única youtuber portuguesa com uma revista homónima, que é quase uma extensão do seu canal para o papel, com conteúdos e estilos muito semelhantes.

Eu nunca fui compradora de revistas de beleza e de moda, por várias razões que vou passar a enumerar: 1) são normalmente caras; 2) têm pouco conteúdo e o que têm é muitas vezes irrelevante; 3) ter pouco conteúdo não quer dizer que tenham poucas páginas - quer dizer, sim, que a maioria da revista se resume a anúncios publicitários; 4) não cai no meu leque de interesses saber qual a cor da moda, o novo rímel da marca X ou ver sessões fotográficas com roupas que eu não tenho dinheiro para comprar. Mas, dado que a revista era dela, decidi experimentar - e a verdade é que saí surpreendida pela positiva.

A revista é trimestral e só por isso é que lhe “perdoo” o preço: quase cinco euros. Mas diria que esta é das poucas desvantagens. Acima de tudo, aquilo que tenho de realçar é que quase todas as páginas são de conteúdo e não de publicidade - e só isso é um fator altamente diferenciador para todas as revistas do mercado. Depois, gostei da proximidade com que ela escreve, dirigindo-se diretamente ao leitor, de forma descontraída e despreocupada, tal como faz nos vídeos. A seleção de conteúdo também é interessante - não tem aqueles testes tipo “saiba se o seu namorado a está a trair com a sua melhor amiga” ou páginas de teor sexual tipo “os casais contam-nos as suas experiências em casas de swing”, porque felizmente também não é esse o target da publicação - e inclui entrevistas, tutoriais e pequenos destaques tipo produtos a comprar, livros ou filmes para ver. Há ainda mais dois pormenores, para mim, interessantes: naquelas seleções tipo “o amarelo é que está a dar”, onde se apresentam não sei quantos artigos daquele estilo, a maioria deles é de lojas comuns e a preços acessíveis, o que me parece importante; sinto que a revista vive muito de pessoas, de fotos bonitas (e realistas, não tanto daquelas sessões conceptuais) e de histórias de pessoas que, na perspetiva da Mafalda, valem a pena conhecer.

Acima de tudo, aquilo que mais gosto aqui é a ideia de que os sonhos e os projetos em grande podem ser uma realidade. Mais do que gostar da revista em si, gosto da força de vontade da Mafalda, que espero que inspire os mais novos a trabalhar e a lutar por aquilo que realmente gostam – em vez de acharem que se ganha dinheiro a atirar canetas de varandas ou a comprar cobras gigantes para ter em casa. A, mim, pelo menos, inspira-me muito - ao ponto de ter ficado um bocadinho “invejosa” por este seu feito. Um dia espero poder fazer um igual - não em forma de revista mas, esperemos, em forma de livro.

 

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