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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

24
Abr17

Depilação a laser 5#

Carolina

O verão aproxima-se perigosamente e eu estava a deixar arrastar a situação da depilação a laser há demasiado tempo. Não sabia o que havia de fazer nem para onde havia de ir. Um dia destes fartei-me de tanta procrastinação e marquei para a Clínica do Pêlo, que tem um centro perto de minha casa, e no próprio dia fui lá fazer a consulta gratuita.

E, apesar de ter esperado um bocadinho, gostei muito. Da simpatia, da explicação toda que fizeram sobre o sistema que utilizam (mesmo sabendo que eu já tinha feito) e, acima de tudo, da sinceridade - não há nada que eu valorize mais do que isto quanto me estão a prestar um serviço. A técnica, mesmo sabendo que podia perder ali uma potencial cliente, foi sincera e disse-me que o mais certo era que o pêlo que eu tinha, nas zonas em questão, era provável que nunca mais desaparecesse. E se por um lado é chato ouvirmos que um problema de que nos queremos ver livres não tem solução, por outro é óptimo sabermos ao que vamos e não estarmos a insistir sem resultados ou a criar expectativas infundadas.

O ponto da situação é o seguinte: eu queria fazer perna inteira, virilhas e abdómen - tudo isto é para manutenção, já tinha feito laser em todas as zonas (menos as virilhas, onde sempre fiz luz pulsada, mas que resultou muito bem e só faço manutenção uma a duas vezes por ano e preferi agora fazer a laser, para ser tudo no mesmo sítio). Como disse no último post, os resultados na meia-perna foram muito bons; na parte de cima já não se pode dizer a mesma coisa, assim como na barriga. O problema é que, como também já me tinham dito, ambas estas zonas são "hormonais", pelo é muito mais difícil erradicar o pêlo nestas zonas. O meu pêlo já é muito fino, mas como é escuro e em quantidade, ainda se nota bastante (ou, pelo menos para mim, mais do que eu queria).

No momento da consulta tive que decidir o que ia fazer. Já tinha a informação de que isto pode nunca desaparecer, mas custava-me muito estar a retroceder anos de trabalho (e muito dinheiro e dor) e voltar à gilete e à cera - e a ter de me preocupar constantemente com depilações, de fazer as contas para quando ia de férias e todos esses dramas que a grande maioria das mulheres conhecem. Tinha medo de voltar à estaca zero e, sinceramente, já nem me lembro de viver nesses termos. Por isso decidi fazer na mesma o laser - os efeitos, mesmo que não sejam para sempre, são muito mais duradouros do que qualquer outro método e eu prefiro passar três ou quatro meses sem pensar no assunto e pagar mais do que ter de ir de quinze em quinze dias à depilação, conforme tinha de ir há uns anos atrás.

Para minha surpresa fiz o tratamento logo a seguir à consulta, mal dei o meu OK, e foi super rápido. Não posso falar de resultados, porque foi há poucos dias, mas não é essa a questão central deste post: acho que a sinceridade, aqui, foi o suficiente para me conquistarem (a par dos preços que praticam que, ainda que mais caros que a depilação tradicional, são muito mais amigos da bolsa do que noutros locais). Fiquei fã da Clínica do Pêlo e não tenho dúvidas de que vou voltar (para o bem e para o mal...). 

Obrigada a todas que, nos últimos posts sobre o assunto e por email me deram sugestões e dicas sobre este assunto! Eu prometo continuar a partilhar a experiência.

23
Abr17

O problema de sempre

Carolina

Chateia-me escrever este post, porque sinto que me estou a repetir. Ainda que por outras palavras, já o escrevi: e de cada vez que o escrevo, é quase o admitir de mais uma derrota. Mas há coisas na vida que são tão constantes como a nossa sombra - nunca desaparecem e nunca saem da nossa beira e esta é uma delas: a péssima relação que tenho com o meu corpo.

No que a isto diz respeito, vivo constantemente numa relação precária e instável: e tem pouco que ver com os números da balança ou até daquilo que se reflete no espelho. O problema é mesmo aquilo que o meu cérebro processa quando vê a imagem do meu corpo refletida, que depende não do meu peso, mas do meu estado de humor, da quantidade de exercício que fiz nos últimos tempos e daquilo que eu comi. Consigo perceber, racionalmente, que não tenho o corpo que queria; mas também sei que há muitos momentos em que me acho gorda e sei que não o estou. Simplesmente não estou como quero ou como me desejo.

Outra coisa que aprendi nos últimos anos é que não vou chegar, nunca, a ter esse corpo: mesmo que me apaixonasse subitamente pelo exercício físico, por saladas, super alimentos e coisas que tais. Porque o corpo que desejamos nunca é o corpo que temos. De qualquer das formas, a questão nem se põem: eu não consigo gostar de ir ao ginásio, de fazer exercício. E eu juro que já tentei! Passei uma fase mais estável aqui há uns anos, mas desde que o meu ginásio fechou, nunca mais consegui estabilizar; o outro onde andei era longe de casa, em dias de trânsito demorava meia hora a lá chegar e a situação tornou-se incomportável. Com este, fiz uma escolha errada: preferi escolher um mais perto do trabalho, com um horário de aulas que inicialmente me parecia apetecível, mas que acaba por não funcionar com o tipo de trabalho que tenho e a pouca força de vontade que me move. Para além de que comecei com o pé esquerdo, com umas aulas de PT que continuo a preferir nem sequer me lembrar. Infelizmente trata-se de um ginásio com fidelização e o meu dinheiro continua a voar sem eu lá pôr os pés há meses e sem encontrar grande solução à vista ou vontade de voltar.

O que é estúpido, porque quando estamos descontentes com uma coisa o mais lógico é lutarmos para contornar essa situação. O problema - no meio de tantos outros - é eu detestar o ginásio quase tanto como detesto os defeitos do corpo que me carrega a alma. É eu ter vergonha de ser aquela que se atrapalha sempre a fazer tudo, é eu ter vergonha de não conseguir pegar num peso mais alto enquanto toda a turma pega naquilo com o mindinho, é eu ter medo de cair do step (como já caí), é eu não gostar que olhem para mim nem mesmo quando é para me corrigirem posições corporais, é eu ter vergonha de ser a primeira a desistir de um exercício porque já não aguento mais. O problema são muitos pequenos problemas, que são autênticas bolas de neve.

E não adianta dizerem que nos ginásios cada um olha por si, e que não faz mal em ser trapalhona e fraquinha e tudo mais: porque eu posso ser neurótica, mas sinto-me sempre observada. E, enquanto observada, mais fraca. Fragilizada. Sinto-me no meu pior, ali. Mas também não vale a pena afirmarem que eu estou óptima, porque eu sei que não estou - e, acima de tudo, sinto que não estou.

Aos meses que ando nisto, a tentar desfazer os nós deste novelo que me consome a alma e que anda com a minha auto-estima de arrasto pelo chão: ao ponto de querer que chegue o bom tempo, mas não ter a mínima vontade de pôr dentro de um vestido ou de um fato de banho. Sinto que já disse demasiadas vezes "é agora", sem nunca conseguir avançar significativamente: e por isso é que este post é o admitir de mais um falhanço. Tenho vergonha. Mas pior do que ter vergonha, é olhar para o baralho de cartas que disponho à minha frente e não ver grandes jogadas para onde me mover e ganhar o jogo. É pensar: "ou tens uma injeção de força de vontade para saíres daqui ou deixas-te ficar" - e não quereres nem uma, nem outra. É a escolha entre o conforto do comodismo e da infelicidade ou da motivação, das dores, dos possíveis dias maus, dos metros longe da zona de conforto e dos potenciais resultados. É escolher sempre por um caminho que nunca vai saber bem: ou pelo fim ou pelo meio para atingir o fim. 

22
Abr17

Hoje a família cresceu

Carolina

Este acrescento à família já estava a ser pensado há muito e planeado em concreto há cerca de um mês - mas preferi não falar até o ter em casa, porque havia muitos "mas" e "se's" que precisavam de ser ultrapassados. E, acima de tudo, haviam medos que se relacionavam maioritariamente com a reação do outros cães aos mais recente membro (em particular a Molly, que conviverá mais com ele, e o Tomé, que não gosta de invasões no seu território).

Hoje, depois de quase três horas de carro, já o tínhamos nos braços e ficamos, como sempre, enamorados. Ainda é muito pequenino, dorme muito, mas já se nota o espírito brincalhão e reguila que lhe corre nas veias. A Molly já o acolheu e está sempre preocupada com o estado daquele que deve pensar que é o seu novo rebento - mas está estranha e eu estou preocupada com o facto de ela sentir que a atenção que eu lhe dava passou para ele (que não é verdade, hoje tentei sempre estar ao lado dela, mas nesta fase inicial é praticamente inevitável ter os dois olhos e pelo menos uma mão em cima do outro). A minha relação com esta cadela é qualquer coisa de especial e um dos meus medos era precisamente que a minha relação com ela mudasse pela introdução de um novo elemento: mas enfim, vamos indo e vamos vendo. Acho que, neste momento, ela está numa relação de amor-ódio com o cão (sim, é menino): por um lado, trata dele como se fosse sua mãe e já o protege dos outros cães; por outro, nota-se o ciúme e tem medo que ele ocupe o seu lugar (por exemplo com a comida, que hoje ia valendo uma mordidela ao pequenote).

O bebé ainda não tem um nome 100% definido (deve ser Charlie) e neste momento é o alvo de todos os olhares e preocupações aqui em casa. A introdução com os outros cães está a ser feita aos pouquinhos e assim terá de ser no futuro próximo, acima de tudo com muita paciência. Todas as outras "lutas territoriais" vão sendo ajustadas ao longo do tempo, esperemos que sem danos para nenhuma das partes. Nesta fase uma pessoa fica sempre com o coração nas mãos e todos os cuidados são poucos.

Nestes momentos o coração cresce e parece ter sempre espaço para mais um, não diminuindo o amor que se tem pelos outros - e essa capacidade que nós temos é mesmo incrível. Deixo as fotos do primeiro dia de "casa" do caçula da família.

 

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19
Abr17

Review da semana #19

Carolina

Suporte para telemóvel ou #CoisasSupostamenteInúteisQueComproNoEbay, parte 1

 

Há uns meses decidi encomendar um suporte para telemóvel, daqueles para pôr em cima da secretária. Há quem tenha a mania de andar a circular por aquele corredor terrível do Lidl à procura de coisas um tanto ao quanto inúteis para comprar (sim, mãe, estou a olhar para ti - e sim, também sei que estou a ser injusta, porque até há lá coisas fixes e tu até nem tens comprado muita coisa, mas isso fica para as nossas discussões domésticas); eu tenho a mania de andar a percorrer o ebay à procura de coisas giras, baratas e com utilidades duvidosas. Mas depois surpreendo-me e essa é a melhor parte de todas (e, já agora, o facto de receber coisas pelo correio - adoro receber encomendas!).

No meio das minhas expedições "ebayianas" devo ter dado de caras com este suporte para telemóvel e encomendei um para mim, para ter no escritório. E a verdade é que fiquei fã! Quando estou a trabalhar tenho sempre vários jornais abertos à minha volta, mais o bloco de notas, mais a agenda, mais o estojo e as canetas, a par do copo de café e a carteira e... enfim. Resumo: o telemóvel ficava sempre perdido naquele caos todo e sempre que precisava dele quase que tinha de pedir para me ligar.

Agora não. Fica ali em pé, mesmo ao meu ladinho. Para além de agora ter um sítio fixo para o pôr e de já não ter de fazer autênticas expedições na minha própria secretária, vejo com muito mais facilidade todas as notificações que me caem no telemóvel (que, como pessoa pouco popular que sou, se resumem praticamente a coisas o género "Cebolas já estão prontas para ser colhidas", do Star Chef - sim, porque eu continuo a jogar!).

A verdade é que passado pouco tempo encomendei um para o meu chefe e vi-me obrigada a mandar vir mais um para mim, para ter em casa. Dei por mim a trabalhar no meu quarto e a sentir falta de ter um sítio fixo para o telemóvel, mesmo ali à mão de semear. Virei fã. 

Podem mandar vir do ebay aqui. Chega relativamente rápido, vem super bem acondicionado e, no meu caso, tornou-se o meu melhor amigo contra expedições-demoradas-e-inúteis-numa-secretária-inundada-de-papéis.

 

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18
Abr17

O fim da paz nas estradas portuguesas

Carolina

Eu sei que esta época de férias é diabólica para os pais, que por sua vez acaba por ser diabólica para os avós (que eventualmente têm que ficar com os netos) ou até para os tios (que, quando é preciso, tomam o lugar dos avós). Eu agora não me posso queixar, porque este ano houve uma série de fatores que fizeram com que os meus sobrinhos não fossem lá parar a casa on a daily basis - e, de qualquer das formas, eu agora trabalho, portanto já não passaria o dia com as crianças de um lado para o outro.

Mas como trabalhadora que sou, sofro o drama diário de quem vai e vem para o trabalho todos os dias, inevitavelmente naquela hora terrível chamada "hora de ponta" - que é incrivelmente adensada por todas as crianças que vão para a escola com os pais. E nisto, desculpem-me os progenitores desesperados por não saberem onde deixar as crianças, mães que meteram férias e já estão por esta hora a arrancar cabelos, avós que já perderam a paciência há vinte anos atrás ou tias que simplesmente não nasceram para isso (sim, estou aqui a rever-me...) mas, para quem trabalha, estas duas semaninhas (e todas as outras que ainda hão de vir no verão) são assim o paraíso na terra. Não há filas, não há confusão, é sempre abrir até estacionar. Uma pequena maravilha.

Mas pronto, acho que hoje é oficialmente o fim da paz. Adeus estradas desimpedidas, adeus ruas de escolas sem trinta carros estacionados em segunda e terceira fila, adeus aos cinco minutinhos extra na cama! You will be missed! 

17
Abr17

Dog Lady

Carolina

Ando outra vez em fase de limpezas no computador e no telemóvel. Já há meses que andava a receber notificações, tanto no telemóvel como no computador, de que tinha a iCloud a arrebentar pelas costuras e decidi começar a gravar tudo, a selecionar, a apagar e a arquivar. Ainda não acabei, mas isso não interessa para o caso. Mas sabem o quê que me ocupa o espaço todo que tenho no telemóvel e que revela bem aquilo que sou? Fotos dos meus cães.

Comigo, sozinhos, em passeio, em casa, deitados, sentados, a fazer palhaçadas ou truques, a dormir ou a correr. Cães, cães everywhere. Principalmente a Molly, que eu apelido (justamente) de minha sombra. Ela de cadela de caça passou para cadela de casa e já não sabe viver sem calor humano - e, desculpem, acho que gosta do meu em particular. <3 

Acho que já aqui disse que as análises às nossas redes sociais (e galerias de imagens) dizem muito sobre nós e as minhas são um raio-x perfeito da minha vida, porque não têm pessoas - a não ser, em casos raros, os meus pais. Tenho fotos minhas, dos meus livros, de paisagens, dos já falados canídeos e até de outros animais que vejo na rua: mas fotografias com outras pessoas não chegam a representar 5% da minha galeria.

Isto não é uma coisa nova para mim - não sou pessoa de pessoas, apesar de sentir que isto se tem agravado nos últimos meses. Depois de sair do trabalho prefiro fechar-me na minha bolha - também apelidada de casa - e só há dias é que percebi que há meses não punha (por exemplo) os pés num shopping, quando olhei à minha volta e já havia imensas lojas novas, diferentes e renovadas. E aí fiquei preocupada, porque apesar de nunca ter companhia para quase nada, nunca me privei de fazer o que quer que fosse: e agora prefiro ficar em casa. E eu sei que isto é mau, sei que isto faz parte de um buraco que estou a cavar e que depois vou ter dificuldade em sair... mas a questão da solidão continua a ser uma coisa central na minha vida e por muito que eu escreva, pense e repense, não consigo modificar. 

Mas enfim, no meio disto tudo, ainda há os cães, que têm vindo a colmatar a falta de pessoas na minha vida. E isto, lido por alguém hiper social, deve soar ridículo (e a mim, que sempre tive cães, também me é estranho porque só agora está a acontecer): mas eles têm sido uma companhia constante e essencial nos últimos meses. Nos dias maus, antes de qualquer outra coisa, são eles quem me arrancam o meu primeiro sorriso. Aquele amor incondicional e aquela presença constante têm-me enchido o coração de amor nesta fase que, sinceramente, tem doído a passar. É o facto da Molly vir dormir para o chão, ao meu lado, enquanto eu estou deitada no sofá; é pôr a pata por cima da minha mão quando me deito ao seu lado; é colocar o focinho no meio das minhas pernas enquanto tomo o pequeno almoço; é dar-me uma (e só uma) lambidela quando a vou cobrir antes de me ir deitar. É reconfortante e tão importante nos últimos tempos...

Não sei explicar, mas estou em crer que isto só consolida a minha posição enquanto anti-social em crescimento. Há pessoas que, olhando para mim, já me dizem "não me digas que vais ser uma cat lady!". Não, acho que não vou. De qualquer das formas, também já não preciso: ser, com 22 anos, uma dog lady, já me parece mau o suficiente.

 

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15
Abr17

"Só faz falta quem cá está"

Carolina

Mentimos todos os dias. Não quer dizer que sejam mentiras grandes ou que seja por mal. Às vezes é simplesmente mais prático. O clássico é a resposta "está tudo bem". A verdade é que quem nos conhece não precisa de perguntar esse tipo de coisas: simplesmente sabe. Quem nos pergunta, no meio da rua, "'tá tudo?" são pessoas que nós já não vemos há uma série de anos, colegas de trabalho com quem só almoçamos na mesma mesa enquanto se esvazia a marmita ou, no geral... o resto das pessoas. E ninguém diz "não, não estou bem": porque não há tempo, porque não há abertura ou proximidade para isso. Eu acho que o "está tudo bem" já quase se tornou numa expressão idiomática, de tanto ser dita e tão pouco verdadeira.

Mas não é a única. Eu adoro expressões, ditados e esse tipo de coisas e todos os valores subliminares que têm por detrás. Ainda há pouco lia um comentário que dizia "deixa lá, só importa quem cá está!" e só consegui pensar que aquilo soava a uma gigante mentira, por um lado com um tom motivacional e por outro com um toque profundamente magoado e chateado. Refleti seriamente nas vezes em que ouvi isto - e aquelas em que eu própria o disse - e percebi que é uma daquelas expressões que só sai quando há uma ferida por sarar. 

Se "só importa quem cá está" não haveria desgostos de amor profundos, não haveria lutos que duram uma vida, não haveria as dores de alma que existem devido a zangas, desencontros e mal entendidos. Nós somos feitos de todos os contactos que fazemos ao longo da vida - porque, como diz um dos meus filmes favoritos de sempre, "our fingertips don't fade from the life we touch". E há pouco, quando li o tal "só importa quem cá está", quase que ouvi uma vozinha irritada a dizer "somos melhores sem eles, não precisamos deles para nada, não fazem cá falta, eles que vão, que continuem as vidinhas miseráveis deles enquanto nós aqui continuamos a sambar na cara das inimigas - magoadas, doídas, doridas, mas sempre em cima, que mostrar que eles fazem falta só por cima do nosso cadáver!".

Mas a verdade é esta: as pessoas fazem-nos falta. E se dizemos que "só importa quem cá está", é porque ainda mais falta fazem. É porque ainda dói, é porque a ferida ainda não sarou. E normalmente só é uma expressão que usamos quando as pessoas saem pelo próprio pé, quando há um "abandono", quando existe um fim causado por alguém - o que, na verdade, ainda pode custar mais do que uma perda involuntária (como a morte).

Acho que já toda a gente esteve nesta situação - em que perdeu alguém de quem gostava mas, para não dar mais importância ao assunto, disse para si mesmo que "só importa quem cá está". Eu já o fiz, tantas e tantas vezes. Aliás, diria que vivo quase sobre essa máxima: há várias pessoas que considerava valiosas e que saíram da minha vida tão rápido como entraram, às vezes sem um acenar de adeus. E dói. Eu, nesse aspeto, sou uma pessoa muito dorida (e pouco disponível para aceitar mais pessoas só pensando na eventualidade delas depois irem embora). Mas o "mais engraçado" no meio disto tudo é que, no caso em específico em que surgiu este comentário, eu faço parte dos que já lá não estão. Estou do outro lado da barricada. Ou seja, pondo-me no meu devido lugar, a interpretação correta e literal é "já não fazes falta". Mas a mim, quem lá está, faz-me falta. Eu tenho saudades. "Saí" por questões práticas da vida, porque o meu dia-a-dia assim o ditou, mas não quer dizer que tenha deixado de gostar das pessoas lá envolvidas.

E ao ler aquilo pensei em todas as vezes que me senti abandonada por pessoas. E em como elas também podem ter razões práticas da vida para terem feito o que fizeram, para terem saído da minha vida conforme saíram. Mas a verdade é, que no fim de contas, as nossas dores são sempre as que doem mais: mesmo relativizando, mesmo quando nos colocamos nos calcanhares alheios. E um adeus é sempre um adeus. E toda a gente sabe como as despedidas são uma valente merda.

14
Abr17

Lembram-se da prensadora de flores?

Carolina

Escrevi há cerca de cinco meses um post sobre uma prensadora de flores que a minha mãe tinha aqui por casa. Eu adoro flores secas e costumava espalha-la pelos meus livros e cadernos, mas aquela ideia conquistou-me de tal forma que ao longo dos últimos tempos tenho vindo a alimentar a prensadora com mais pétalas e flores. Como houve várias pessoas que gostaram, na altura, do post e me pediram para partilhar o resultado final, cá está ele.

Comecei com uma orquídea. Depois percebi que, como tinha deixado o estigma e o estilete (sim, eu fui rever isto aos apontamentos de ciências naturais - que saudades!), que eram "gordos" e tinham muita matéria viva lá dentro, a flor não tinha ficado muito bem prensada e tinha ganho uma espécie de bolor. Tornei a tentar, depois de ter feito uma "mini-operação" à flor de forma a que ela ficasse praticamente só com as pétalas e o pé. O resultado foi muito melhor.

Mais tarde pus lá umas das minhas flores favoritas: frésias. Percebi que têm pétalas extremamente finas e que são muito suculentas, porque me mancharam o papel todo e ficaram todas coladas. E sim: continuam com um cheiro absolutamente divinal, mesmo prensadas. Por fim, experimentei noutra flor que não sei o nome mas cujo resultado ficou muito, muito giro - as pétalas parecem pintadas à mão!

Agora tenho de decidir o que vou fazer com tanta flor seca. A solução mais óbvia é um quadro, mas eu não sou a pessoa mais dada a manualidades desse género. Acho que vou ter de esperar pelas férias para ter tempo (e paciência) para tratar disto.

 

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13
Abr17

Habemus férias para 2017!

Carolina

Durante muitos anos - e pelas mais variadas razões - as minhas férias limitaram-se a passar pelo Algarve. Não é que eu me queixe, o Algarve é a minha segunda casa e é praticamente um passe direto para dias felizes, mas eu, que adoro viajar, também sentia falta de passear pelo mundo. O ano passado, depois de muito pensar, ponderar e pesquisar, conseguimos marcar um cruzeiro nos países nórdicos, que já há muito ilustravam os meus sonhos graças aos thrillers passados nestes locais. Eu partilhei aqui toda a viagem assim como todos os detalhes sobre o cruzeiro e disse-o, sem meias palavras, que aquela tinha sido a viagem da minha vida. Hoje olho para trás e vejo aquelas fotografias (e sim, abro-as muitas vezes) com uma saudade imensa. Repetia TUDO.

Sinceramente, este ano não contava voltar repetir a proeza de ir de férias. Falava-se de umas coisas, uma viagem aos Estados Unidos já estava há muito em cima da mesa, mas por esta razão ou por outra decidimos tornar a adiar. Solução? Outro cruzeiro. Depois da experiência tão boa do ano passado, já contávamos repetir - só achava que não seria pelo segundo ano consecutivo. Mas eu não me importo - se for tão bom como o outro, estou muito longe de sequer dizer um "ai". 

Este ano a condição era passar por Itália. Nunca lá fui e toda a gente diz que é um autêntico crime ainda não ter lá posto os pés. A outra condição? Termos lugar no barco. Já nem falo da confusão do ano passado - a questão é que os cruzeiros chegam a ser marcados com um ano de antecedência e a escolha, desta vez, já não era muita. É quase caso para dizer que não fomos nós que escolhemos o cruzeiro, foi mais o cruzeiro que nos escolheu a nós. É claro que era do nosso agrado, que coincidia com as datas que eu precisava (isto vida de trabalhadora é outra coisa...), mas a verdade é que também não havia grande escolha dentro de todos os parâmetros que precisávamos.

E então vamos ao que interessa: para onde vou afinal? Começo em Veneza, depois Dubrovnik, Kotor (no Montenegro), La Valletta (em Malta), Sicília, Nápoles e termino em Roma. De Itália ainda fica muito por ver mas diria que numa só viagem "matar" quatro cidades do mapa já não é nada mau! Evitar a Grécia e as suas ilhas não é tarefa fácil neste tipo de cruzeiros (não me olhem de lado, eu não tenho nada contra os gregos - aliás, quero muito ir passear por estas ilhas um dia destes - mas não fazem parte do roteiro de sonho dos meus pais), por isso ficamos com um cheirinho da Croácia, do Montenegro e de Malta para compensar.

A vantagem deste cruzeiro em relação ao outro? É que, relativamente às cidades onde aportamos, não vou com grandes expectativas (tirando, provavelmente, Veneza); o outro cruzeiro tinha nomes muito pesados como Estocolmo e São Petersburgo e eu não aguentava com tanta emoção. Neste, Itália é essencial e seria um sítio onde viajaria em breve, de certeza; mas se calhar os outros sítios nunca visitaria se não fosse numa coisa destas (com excepção da Croácia, que sempre ouvi dizer que é maravilhosa). Vou por isso de espírito completamente aberto, pronta para riscar mais uns países da minha lista e ser totalmente surpreendida; já vi algumas fotos e algo me diz que me vou surpreender. A desvantagem? É que já tenho aquela que apelidei de "viagem da minha vida" no lombo e uma experiência de cruzeiro, por isso as comparações vão ser inevitáveis.

De qualquer das formas, estou em crer que vai ser maravilhoso e estou ansiosa para que o momento chegue. Nesta fase mais down que tenho passado, o pensamento de que vou tornar a viajar e a andar de barco (acho que a maioria das pessoas não gosta, mas eu adorei!) acalenta-me a alma. Para além disso, é a expectativa de voltar aos meus diários de bordo. Mal marcamos a viagem, posso jurar que foi a primeira coisa em que pensei: "vou poder escrever sobre a viagem, tal como fiz da outra vez". Gosto muito de escrever sobre todos os assuntos, mas os diários de bordo ocupam um lugar muito importante no meu coração - e, acima de tudo, acho que é das coisas que faço sinceramente bem. Releio muitas vezes aquilo que escrevi sobre as minhas viagens anteriores e sinto-me a viajar de novo, ainda que em pensamento.

Enfim, mal posso esperar! Para viajar, para ver, para navegar, para tirar fotos, para viver - e, claro, para escrever e partilhar tudo convosco. Julho, vem rápido!

 

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12
Abr17

Sobre os vampiros de meia tigela da blogosfera

Carolina

Se há coisa constante neste blog é a minha sinceridade. Sempre. A questão é que escolho criteriosamente o que digo. E hoje apetece-me dizer uma verdade (que eu já conheço há muito) e que acredito que seja partilhada por muitos dos meus vizinhos do aqui do charco: para mim, estar nos destaques, é esperar que pequenos haters me invadam a casa.

Não me interpretem mal, eu adoro o Sapo, adoro a ideia dos destaques e vou todos os dias lá ver o que se passa de novo - e claro que gosto que alguém ache que aquilo que eu escrevo é bom o suficiente para ser destacado e ser mostrado ao mundo - mas sempre que me apercebo que estou nos destaques vou ler o dito post 30 vezes para corrigir eventuais erros e ver se aquilo não ofende a religião, terra, clube ou crença de ninguém. Mas, ainda assim, o pessoal consegue sempre cair-me em cima. Não sei se o resto das pessoas sente a mesma coisa mas, para mim, sempre que recebo um e-mail a dizer que tenho um comentário é um momento feliz: os comentários são a melhor interação que se pode ter ao nível dos blogs e eu adoro quando os recebo. Mas nestes dias de destaques, sempre que recebo um e-mail (que normalmente começa por "Anónimo deixou um comentário ao post...." - quase sempre anónimos, porque será?!), já estou de pé atrás e sobrolho levantado à espera do pior. Pode ser a coisa mais insignificante de sempre, mas as pessoas não perdem a oportunidade de apontar o dedo; pode ser claramente a falha de uma letra ou um erro de semântica que se entenda perfeitamente, mas tudo é razão para deixar um comentário. Mas não é um comentário qualquer: é dos bons, maldosos como se quer, com aquela pinta de malícia típica de quem é incapaz de dar a cara. Corrigir não está mal, explicar porque está mal também não me apoquenta: tiram-me é do sério pessoas más!

Estou neste mundo há demasiado tempo para ainda não me ter resignado a este fenómeno, eu sei. Mas não me consigo habituar. Eu sei que existem pessoas más, mas penso sempre que aquele estilo que aparece nas novelas é um tanto ao quanto exagerado (planos, aliados, facadas nas costas dos aliados, veneno não sei onde - esse tipo de coisas). Se calhar existem mesmo, mas também não importam, porque estes pequenos atos também contam. É aquele gostinho "bom" de meter veneno numa caixa de comentários e esperar a resposta irada e magoada de quem naquele blog escreve, em busca de mais sangue e mais dentadinhas saborosas, qual vampiro sedento de mais uma vida - ou, pelo menos, de estragar o dia de mais uma vida alheia.

Como continuo a ser sincera, aqui vai disto: só dez por cento dos comentários é que me atingem tal como o seu criador queria. Diria que dentro desses dez, 99,9% são apagados e não têm resposta, porque daqui não levam nada (eu mal respondo a quem gosta de mim e merece o meu tempo, quanto mais a vampirinhos de meia tigela!).

Eu não estou a escrever um livro, um jornal ou uma revista - escrevo num blog, que pretende ser uma coisa descontraída, nos meus tempos livres. No entanto a vida evoluiu desde que o criei, o tempo livre não é tanto, a vontade de estar no computador fora das horas de expediente é cada vez menor e eu cá continuo. Porquê? Primeiro porque adoro este espaço e (apesar de tudo) continuo a adorar a blogosfera; segundo porque tenho gente que me segue e eu não consigo não corresponder às expectativas (e porque me sinto feliz e honrada e "gostada" por ter alguém que perde tempo ao ler os meus desabafos); e terceiro porque adoro escrever, é aquilo que me faz feliz. Mas há fases - esta é uma delas - em que eu tenho de me contrariar para escrever; que quero dormir e, ao invés disso, volto para a frente do computador - onde passei todo o dia - só para "matar o bicho" e não deixar os meus seguidores pendurados.

Eu não escrevo para ser famosa, para ter publicidade, para ganhar dinheiro. Escrevo por tudo menos por isso. Os meus posts raramente tocam em assuntos polémicos (agora, por exemplo, ando cheia de vontade de falar sobre isto das viagens de finalistas e em como tudo isto me deixa cheia de vergonha da minha própria geração, mas até isso evito), não têm click-baits, não representam uma vida cor-de-rosa e cheia de flores e coisas lindas. Ou seja: eu não estou aqui para vender nada a ninguém. Simplesmente escrevo, porque gosto, quero e há quem goste de me ler.

Também escrevo enquanto profissão: e aí sim, tenho total atenção aos erros e gralhas, por pequenos que sejam. Mas aqui - e embora faça tudo o melhor possível, dentro do tempo e vontade que tenho - sempre me permito descontrair mais. Não sinto a necessidade nem a responsabilidade de ter tudo perfeito, porque embora escrever seja uma das coisas que mais gosto nesta vida, também erro (e tenho muito, muito para aprender) - e sei que quem quer perceber, percebe. E sei que quem acha que um erro é grave, avisa, de forma educada. Porque todos erramos.

Isto para dizer que não tenho pachorra para vampirinhos da treta e que embora eu leve este espaço muito a sério, não vão ser meia dúzia de chatos (e nazis da gramática, gente má e de mal com a vida) que me vai tirar o prazer ou descontração de escrever aqui. Porque xe eu dexidir escrever tudo kom "x" e "k", também posso. Porquê? Porque o blog continua a ser meu. Com a minha sinceridade, os meus erros, as minhas manias, o meu estilo próprio. Ou seja: meu.

E, já agora, porque eu sempre preferi aqueles vampirinhos vegetarianos. Sangue não é a minha cena.

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