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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

31
Jul16

Uma noite mágica na livraria Lello (e a aposta em todo um verão épico)

Carolina

Acho que este verão bateu em mim o facto de este ser o meu último período de férias grandes. Em Setembro começo a trabalhar e inicio oficialmente o meu período de vida adulta, com dias de férias contados e todo o drama que é trabalhar. Ao meu lado só vejo pessoas ainda a acabar a licenciatura, a seguir para mestrado, a tirar um gap year ou a ir fazer voluntariado no estrangeiro e eu aqui, prestes a perder a liberdade que tive até agora mas que até aqui não tinha dado grande importância.

Por isso fiz um compromisso comigo própria em aproveitar este verão da melhor forma que conseguir, apostando todas as fichas nestes meses de calor e respondendo "sim" a coisas a que normalmente diria não ou arranjaria uma desculpa para me esquivar. É para ir a um concerto antes de seguir para Estocolmo e dormir só uma hora? Bora. É para entrar num castelo com encenações assustadoras a meio da noite mesmo sendo medricas para xuxu? Bora. É para ir para a Régua? Bora.

E foi neste espírito de "bora, não há nada a perder e este é o teu último verão a sério" que também enviei email para a Lello, candidatando-me para ser voluntária no evento do lançamento do novo livro do Harry Potter. Estava na Rússia, a pagar net a preço de ouro, e passei por um post no facebook que dizia que eles estavam a aceitar candidaturas para voluntários nesse dia. Escrevi uma coisa muito rápida e simples e, para minha surpresa, poucos dias depois recebi um email a dizer que fui selecionada.

Não me vou debruçar aqui sobre o trabalho de "voluntariado" que fizemos nem discutir essa questão tão sensível (fica para breve). Eu estou numa de me meter em coisas que me ocupem tempo, que me tirem de casa e me façam conhecer pessoas novas - e foi isso que fiz, independentemente do que ia (ou não) receber, do trabalho que ia ter e ia fazer. O que me importava era ir, fazer parte. E assim foi.

Durante dois dias esfalfei-me. Carimbei, ensaquei e alarmei centenas de livros (sim, aquela preciosidade passou-me pelas mãos dois dias antes do lançamento oficial - e confesso, dei uma olhadela antes do tempo). Carreguei com eles escadas a cima, uma vez e outra. Levei com centenas deles em cima, que caíram em cima de mim estilo dominó quando retiramos uma caixa que não devia ter saído do sítio. Fiz de porteira durante horas a fio, andei pelas filas a dizer a mesma coisa cerca de quarenta e duas mil vezes e dei por mim a ter uma fila de pessoas só para falar comigo para me fazerem perguntas a que já tinha respondido cerca de cinquenta e oito mil vezes essa noite. Nunca falei com tanta gente na vida. Sei que para a grande maioria das pessoas o evento foi um flop (basta ver as publicações e comentários na página do evento no facebook) e isso também foi perceptível para nós, que tentamos proporcionar a melhor experiência possível mas não conseguimos fazer milagres. Ainda assim, penso que enquanto voluntários foi uma experiência brutal.

Já depois da meia noite, enquanto carimbava talões e entregava o tão esperado livro, via na cara das pessoas a emoção total. As músicas da banda sonora do Harry Potter estavam a passar na loja e, honestamente, houve um momento em que me arrepiei - quando entregávamos o livro, parecia que estávamos a passar a tocha olímpica ou algo de uma importância incrível, tal a comoção das pessoas que estavam à nossa frente. Foi incrível e valeu todas as horas de trabalho duro que todos nós, voluntários, passamos ali. Penso que é algo que nunca esquecerei.

Outra coisa incrível foi a interação com as pessoas - não só as centenas com quem falei na porta ou nas filas, enquanto distribuía comida, inquéritos ou simplesmente respondendo a questões - mas também com os outros voluntários. Senti a mesma coisa no barco: estamos num sítio onde ninguém nos conhece e podemos fazer reset em nós próprios, sem ter de gerir as expectativas dos outros ou de quem já espera e pensa certas coisas de nós. No fundo, perante pessoas e todo um mundo novo, podemos ser quem quisermos, reinventarmo-nos e "escolhermos" que pessoa somos e quem queremos ser, sem nada que nos prenda a tudo o resto. E essa sensação é espetacular. Posso ser a Carolina incrivelmente simpática que acho que normalmente não sou; posso ser a Carolina que está sempre a sorrir que não sou de certeza no dia-a-dia; posso ser uma versão light de mim, porque sei que aqueles tempos vão ser ligeiros e felizes e que os problemas só vêm depois, e aí já posso ser quem sou habitualmente. 

Apesar da confusão e dos milhares de pessoas, do trabalho quase abusivo e de alguma ingratidão que possamos ter sentido, acho que é uma noite que nunca esquecerei e que sei que não poderia ter vivido de outra forma (porque não iria lá apenas como "espectadora" normal). Foi mágico, tal e qual como o (nosso) Harry Potter.

 

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28
Jul16

Helsínquia e Porvoo, a simplicidade e as casinhas de madeira [Finlândia]

Carolina

Finlândia foi, de todos os sítios que visitei, o que menos gostei. É sem dúvida aquele que é mais pobre em monumentos e percursos turísticos e, talvez por isso, foi onde parámos menos horas. Foi a primeira paragem do cruzeiro e, tal como em todos os outros destinos, optamos por ir numa excursão. Foi uma opção que fizemos os três, eu e os meus pais, por acharmos que o tempo em cada cidade era demasiado curto para andarmos a deambular e à procura dos sítios a ver em cada capital; assim íamos diretos à questão, de uma forma mais rápida e prática, aprendendo sempre pelo caminho algumas coisas sobre o sítio em que estávamos. Não é a forma que mais gosto de passear, não há uma liberdade tão grande, mas não me arrependo de o ter feito e aconselho a todos os outros que façam o mesmo - não foi o caso da Finlândia, mas outras excursões ocupavam só a parte da manhã, pelo que podíamos ficar nas cidades da parte da tarde para podermos explorar os caminhos que quiséssemos, com os nossos timings e vontades próprias.

 

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A nossa primeira paragem em Helsínquia foi numa igreja luterana, a Temppeliaukio Church. Era bonita, certamente diferente do normal, mas nada que nos fizesse cair o queixo, até porque não tinha um trabalho incrível ou luxuoso como eu acabaria por ver nas cidades que visitamos a seguir.

 

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Temppeliaukio Church

 

A melhor parte começou a seguir, quando seguimos para a pequena cidade de Porvoo, a uma hora da capital finlandesa. Esta é das tais coisas que não se visita se não se for numa excursão e, no caso da Finlândia, posso dizer que salvou a viagem e foi de facto a única coisa que me deixou memórias significativas e boas deste país. 

O almoço foi numa quinta típica onde se serviam almoços a excursões como a nossa, já nos arredores de Porvoo. Era servido num sítio giro, claramente antigo, à luz das velas, mas a comida era péssima: uma espécie de rolo de carne de sabe-se-lá-o-quê, superrrrrr picante. Tivemos o azar de calhar na mesa com duas chinesas (acho), mãe e filha, que não trocaram nem uma palavra connosco - eram completamente fechadas com o mundo, não falavam com mais ninguém para além dos restantes membros da família (o marido e mais um filho, que ficaram noutra mesa), e até o olhar eram incapazes de pousar em nós. A comida já era má, mas o clima do almoço foi o pior que vivemos em todo o cruzeiro.

 

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A quinta onde almoçamos, em Porvoo

 

A parte melhor viria a seguir, com a visita ao centro da vila em si: Porvoo é uma cidade medieval muito pequenina, com casas coloridas em madeiras e lojas super mimosas. É algo muito turístico, mas por ser tão pequenino não deixa de perder a graça e de continuar a parecer algo muito único e típico. É pitoresca e bonita, quase como uma casa de bonecas, com um par de violinistas na praça principal e todas as casas em tons coloridos mas pastel, sempre com pequenos adornos amorosos nas paredes, portas e montras. A decoração das lojas era muito cuidada, os produtos vendidos tinham sempre o seu quê de diferente e tive de resistir à tentação para não trazer uns quantos pratos e almofadas para casa. O pormenor fazia a diferença. Para além disso, a vila tinha um rio onde andavam pessoas de gaivota ou mesmo barquinhos a motor, uma vez que havia casas junto à água com o seu próprio "porto" e existe a possibilidade de chegar a Helsínquia através do leito de água.  

 

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Porvoo

 

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Porvoo

 

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Porvoo

 

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Porvoo

 

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Pormenores de Porvoo

 

De volta a Helsínquia, passamos pela catedral principal e demos uma volta de autocarro nas principais ruas da cidade. Vimos muitas pequenas docas e braços de mar, com as saunas e as pessoas a saltarem alternadamente entre elas e a água, o que foi giro.

 

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Catedral de Helsínquia

 

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Catedral de Helsínquia

 

 

Em suma, Helsínquia até pode ser (de uma forma geral) uma cidade gira, mas sem grandes destaques para ver e sem qualquer "wow factor" que nos faça ficar de queixo caído e ficar com ela marcada para a vida. Penso que, visitando a capital finlandesa, é para aproveitar a cidade e perceber o seu estilo, mais do que fazer um roteiro pelos seus highlights, que na verdade não existem. Calculo também que, como Porvoo, existam tantas outras vilazinhas que valham a pena uma visita - e aí sim, pode residir o verdadeiro interesse na Finlândia.

Cheguei ao fim um bocadinho desgostosa; gostei, mas esperava mais. 

26
Jul16

O país das pessoas que não são frias e a Veneza do Norte [Estolmo, Suécia]

Carolina

Relativamente a Estocolmo, o que posso dizer é que seria - de todas as cidades que visitei - aquela que sem dúvida escolheria para viver. Já há vários anos que queria visitar a capital sueca, muito por culpa dos thrillers nórdicos que tenho vindo a ler ao longo dos últimos anos (em particular a saga Millenium, confesso). Aqui por casa não havia grande ânimo para conhecer esta cidade, mas acho que para todos - até para mim, que já esperava o melhor - se revelou a mais bela das surpresas. 

 

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Passei em Estocolmo uma tarde e noite, depois de termos saído de Portugal; depois ainda tive uma manhã antes de entrar no barco e outra manhã antes de voltar para casa, uma vez que só tínhamos vôo a meio da tarde. Foram porções de tempo relativamente curtas mas que acabaram por ser suficientes para ver o essencial da cidade e fazer aquilo que mais gosto: perder-me pelas ruas e ver até onde elas me levam.

A primeira impressão que tive foi: esta é a minha cidade, tem a minha filosofia. As coisas são limpas, não se vêm grandes luxos e, acima de tudo, apesar de movimentada, é uma cidade silenciosa. Desde o avião, nos arredores do aeroporto (que fica a cerca de 40 kms da cidade de Estocolmo), só se via floresta (maioritariamente pinheiros), vários lagos e meia dúzia de casas pintalgando a paisagem. Sabem aquelas passagens dos filmes captados com drones, em sítios que transpiram calma e uma beleza natural? Senti que estava dentro de um deles. Neste aspeto senti que estava (no que imagino ser, porque nunca lá fui) na Escócia. Por outro lado, é uma cidade conhecida por ser a Veneza do norte, com imensos braços de mar, pontes e vistas de cortar a respiração.

 

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Os braços de mar

 

O centro da cidade já não é tão verde, mas é um autêntico mimo cheio de tesourinhos por descobrir. Aquilo que me parece é que na Suécia as coisas são pensadas, são cuidadas, não é só mais uma coisa no meio de milhões. E isso refere-se no cuidado que eles têm com outros, no civismo, na economia do país (nota-se que não há grandes luxos a nível público, que não se compra o tijolo mais caro para ajudar o amigo) e também nos pormenores. As lojas dessa tal zona antiga da cidade (Gamla Stan) são simplesmente deliciosas e até os souvenirs parecem ser muito mais cuidados e bonitos que o normal (e encontrei uma loja dedicada a livros fantásticos - imaginem a minha alegria quando vi uma montra inteiramente dedicada ao Harry Potter). Os cafés e os restaurantes têm toques afrancesados ou italianos, e também são de uma beleza espetacular.

 

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Pormenores de Estocolmo 

 

A noite dura até bem mais tarde do que em Portugal e estar nessa parte antiga da cidade, a meia luz, no meio daqueles edifícios altos, de tons quentes e ruas estreitas, faz com que pareça que estamos num filme do Woody Allen, com aquele tom amarelado que faz com que as coisas pareçam muito mais acolhedoras. Se já estava a gostar da cidade de dia, quando a vi anoitecer apaixonei-me totalmente.

 

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Gamla Stan

 

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Gamla Stan e montra do Harry Potter

 

O respeito e o civismo respiram-se na cidade - e o único momento em que não senti isto foi quando passamos por uma série de bares, quando o relógio já batia perto da meia noite, e se viam os típicos jovens já regados e menos civilizados do ali tinha visto até então. Naquela zona as ruas ficaram mais sujas, como ficam em todo o lado, mas este choque não foi o suficiente para acabar com o estado embevecido em que me encontrava naquele momento, em relação àquela cidade. Vêem-se muita pessoas estranhas, com roupas fora do normal e cabelos alternativos; vêem-se muitos gays na rua, sem medo de esconder o que quer que seja e sem medo dos poucos que ficam a olhar para trás. Há uma aceitação e respeito generalizado que nunca vi em nenhum outro país (nem mesmo em Portugal, que penso que nesse sentido até é evoluído) e isso fez-me gostar ainda mais da cidade.

Não sei onde se foi buscar o preconceito de que as pessoas da Suécia são frias, porque tudo o que senti foi simpatia. Todas as pessoas com quem falei - tanto nas ruas (para pedir informações), como nos hotéis, aeroporto ou estações de caminhos de ferro - foram de uma simpatia generalizada e de um esforço notável para se fazerem entender (num inglês, de uma forma geral, excelente). Achei-as com um espírito leve e feliz, ao contrário da maioria dos países que visitei a seguir. 

A verdade é que acho que o tempo que apanhei nos três dias que lá estive ajudou. Os dois primeiros foram com temperaturas amenas, onde era fácil passear; no último estava um calor abrasador e um sol fortíssimo, por isso a cidade estava viva e as pessoas saíram todas à rua e espalharam-se pelos jardins e esplanadas disponíveis da cidade. É, por isso, difícil imaginar Estocolmo coberto de neve ou com chuva a cair a potes (assim como é difícil imaginar aqueles crimes horrendos que leio nos livros, numa cidade tão calma e luminosa como a que conheci) - e acredito que nessas alturas (tal como nós), as pessoas fiquem mais tristes e cabisbaixas, mas não é algo generalizado como imaginei. Até aqui, quando achava que um pessoa era fria, dizia sempre "parece sueca" - mas descobri que estava errada. 

Estocolmo aqueceu-me o coração e encheu-me as medidas. Não era aquilo que eu esperava - era melhor. Já estou ansiosa por voltar e dedicar mais tempo não só à cidade como ao país, talvez para fazer uma visita guiada pelos sítios dos livros que li e que continuam a despertar um bichinho em mim.

 

 

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 No próximo post falo-vos da Finlândia.

25
Jul16

Uma semana nos países nórdicos

Carolina

Já estou de volta daquela que foi, provavelmente (e até agora), a viagem da minha vida. O prenúncio de toda aquela confusão antes da viagem acabou por não se verificar e todos os momentos estiveram, quase sempre, perto de ser perfeitos. Acho que alguns foram mesmo. Abrir a janela do quarto e ver água a correr atrás de nós, as gaivotas a passarem ao largo e milhares de ilhotas verdes a passarem diante dos nossos olhos, é só a melhor sensação de todos os tempos. 

Se não gostam de viajar e/ou não têm interesse nos países nórdicos, talvez seja melhor voltarem a este blog só daqui a uma semana. Farei um post por cada um dos países onde passei e sobre as minhas impressões sobre o cruzeiro, assim como o que fiz, deixei de fazer e o que gostaria de ter feito.

Sinto que o tempo está a correr à minha frente e tenho de me apressar para que todas as memórias saiam o mais frescas possível. Hoje foi dia de fazer a seleção das 1600 fotografias que tirei nesta semana e, para já, já consegui livrar-me de 900; amanhã será dia de ir aos meus rascunhos e transformar os muitos apontamentos que fiz das viagens em textos corridos e associa-los às muítissimas fotos boas que tenho - o problema vai ser mesmo escolher. 

Amanhã falo-vos de Estocolmo, na Suécia - a capital que há mais anos queria conhecer. Me esperem.

 

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15
Jul16

Sobre os guilty pleasures desta vida, uma amizade incondicional e um autógrafo

Carolina

Há duas coisas importantes a saber sobre mim. A primeira é que tenho um punhado de amigos, poucos, mas verdadeiros; sim, eu sou aquela pessoa que distingue os outros categorias: "desconhecidos", "conhecidos" e "amigos" - na verdade, devia haver uma categoria qualquer entre os "conhecidos" e os "amigos", que não sei bem o nome, mas em que caem várias pessoas que me rodeiam. Ainda assim, amigos, tenho poucos - e, surpreendentemente, com alguns deles não tive mais do que uma dúzia de vezes na vida.

A outra coisa que têm a saber é que o meu guilty pleasure do último par de meses tem sido ver a "Massa Fresca", a última série de tarde lançada pela TVI. Podem rir-se à vontade, dizer que é para meninos e que é a Floribella 2. Não quero saber. É uma série levezinha, com personagens super engraçadas e dois atores principais que adoro - principalmente a Mafalda Marafusta, que faz de Maria, e que é das atrizes mais expressivas que tenho visto nos últimos anos a passar na televisão. 

Agora que já sabem estas duas coisas sobre mim, é só junta-las. Resumindo: uma grande amiga (sim, uma dessas com quem só estive uma meia-dúzia de vezes) cruzou-se duas vezes com a Mafalda Marafusta, aquando dos jogos do Euro. Da primeira vez, disso-mo e eu confessei-lhe que adorava a série e a Mafalda - e ela, como provavelmente vai acontecer convosco, gozou-me por (com 21 anos) estar a ver o chamou "um remake da Floribella". Da segunda vez que a viu, sem uma folha para lhe pedir um autógrafo, sacou de um lenço de papel e pediu-lhe um autógrafo - algo que só sei agora, que acabo de receber uma carta com um lencinho rabiscado lá dentro, até porque a sacana andou uma semana a esconder isto de mim!

E vocês dizem: "oh, que grande coisa... já pedi imensas vezes autógrafos para os meus amigos!" Pois, mas têm de ter em conta o facto de tanto eu como ela sermos as pessoas mais envergonhadas deste mundo no que diz respeito a autógrafos. Sabem aquela dor aguda que nos dá quando batemos com o dedo mindinho do pé numa esquina? Pronto, nós temos uma dor semelhante a essa só de pensar em pedir um autógrafo. Eu, para além disso, fico a suar como se tivesse corrido a maratona. Por isso, sim, pedir um autógrafo é, para nós, uma prova de amizade incondicional. 

Não é que eu alguma vez tenha tido dúvidas. Mas agora com um autógrafo da "Maria" está tudo oficializado. Obrigada 

 

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14
Jul16

Sobre o fim de uma embirração pessoal

Carolina

Acho que há certos momentos da nossa vida em que temos de ceder, deixar o orgulho de parte e poder admitir que, porventura, estávamos errados. Ou então superar simplesmente coisas em que temos razão mas que não passam de atos únicos, irrefletidos e que não têm necessáriamente de rotular para sempre a vida de uma pessoa. Talvez essa evolução se chame crescer, não sei. 

Hoje anuncio, para regozijo de muitos, o fim de uma embirração pessoal de há muitos anos e que tanta gente batalhou. Tem dois nomes, é dado como o melhor jogador do mundo e chama-se Cristiano Ronaldo. E não, não foi pelas lágrimas que ele verteu nesta última final; tratou-se sim de uma "desembirração" gradual já ao longo dos últimos, talvez, dois anos. Como disse, as razões que evocava para não simpatizar com ele continuam lá, mas acho que está na hora de serem ultrapassadas e de ver para além disso. Escrevo isto depois de ver um vídeo que me apareceu no facebook com ele a cumprimentar fãs em todo e qualquer lado, a consola-los - alguns doentes e com incapacidades físicas visíveis - e o meu coraçãozinho de gelo derreteu. Achei que era uma boa altura para pôr um ponto final nisto e anuncia-lo definitivamente ao mundo.

Isto não implica que eu passe a simpatizar mais com o Real Madrid do que com o Barcelona; não quer dizer que eu ache correto que se continue a fazer dele o herói e indispensável da seleção, quando neste euro se provou que - embora ele tenha lutado muito - os outros não lhe ficaram nada atrás e se tenha de defender o menino de ouro quando ele faz qualquer coisa mal ou não jogue assim tão bem, quando os outros jogadores não têm o mesmo tratamento. Mas quer dizer que posso elogiar um golo ou uma ação dele sem que me lancem olhares do tipo "ai é??? mas não és tu que o detestas?!" e que possa verter uma lagrimita quando ele sai de campo a chorar baba e ranho ou quando se emociona quando levanta mais uma bota de ouro.

Continuo a dizer que temos todo o direito de simpatizar ou não com determinadas pessoas - quer tenhamos ou não razões para isso. Há primeiras impressões que marcam, determinadas ações que não nos passam ao lado e que rotulam imediatamente determinadas pessoas. Mas acho que também temos o direito de mudar as nossas opiniões e posições, agir de acordo com a nossa consciência e a nossa própria evolução. Continuo a ter um punhado cheio de embirrações pessoais, mas hoje uma caiu oficialmente por terra. (Estejam descansadinhos que ainda tenho muito com que me entreter com todos os outros que sobram.)

 

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12
Jul16

Eu, mais uma viagem e as peripécias do costume

Carolina

Ontem ao fim da tarde ligaram-nos da agência de viagens onde marcamos o cruzeiro dizendo que este estava em overbooking e que, na prática, nós estávamos fora do barco. A única solução era por-nos a todos no mesmo quarto o que, para nós, estava fora de questão, pelo que eram umas férias de verão canceladas (e pagas) a cinco dias de acontecerem. O dinheiro iria se-nos devolvido, é claro, mas os danos "morais" seriam sempre irrecuperáveis - as expectativas de umas boas férias, como eu nunca tinha feito na vida; para além disso já havia o tempo e o dinheiro que tínhamos investido em roupas formais (alguns jantares do barco assim o exigem) e noutras coisas típicas de viagens.

Fomos diretos para a agência de viagens, onde nos disseram que nunca tinham visto uma situação de overbooking num barco, mas que a situação estava fora do controlo deles e que não havia muito a fazer, a não ser mais um forcing à Royal Caribbean para reverter a situação. Eu fui para lá quase de arma em riste, pronta para matar alguém e furiosa com o facto de, a menos de uma semana, nos estragarem as férias de um ano, mas tornou-se evidente que não havia nada a fazer; achei que o "forcing" era algo que lhes competia fazer, mas o barco não crescia nem os quartos aumentavam de número, pelo que a situação era irremediável.

Fiquei chateada, irritada e a achar que ia ter uma paragem de digestão, mas assim que as coisas acalmaram caí em mim. As viagens comigo são uma aventura (e muitas vezes, uma desgraça) e esta já estava a começar mal ainda mesmo de ter começado. Achei que era melhor assim e menos uma semana de tensão na minha vida. Fiz planos, já me estava a ver a ir aos três dias do Marés Vivas e a não ter de marcar cafés em cima do joelho. Dei por mim a relaxar e a pensar em como uma viagem de cruzeiro complexifica tudo numa viagem e no stress que as últimas semanas têm sido: andar atrás de roupa formal, ter de planificar todas as vestimentas para me certificar de que não me esqueço de nada, comprar malas, comprar sapatilhas; preparar posts aqui no blog, enviar postais antes de seguir, gravar músicas para a viagem. Um sem fim de coisas que eu não tinha reparado no stress que me andavam a causar - e que, ontem à noite, caíram por terra e me proporcionaram uma noite mais descansada.

Hoje de manhã acordo com uma mensagem do meu pai de que afinal a viagem já estava outra vez de pé e que já temos quartos. E eu acredito que não percebam o que vou dizer, mas a verdade é que não fiquei feliz. Nem sequer é pelo drama dos preparativos que está de volta, mas sim por prever demasiado drama a caminho e por, acima de tudo, sentir que estou a contornar o destino. Não sei se puseram outros fora do barco em vez de nós; não sei se houve cancelamentos de última hora que nos permitisse isto (embora ontem nos tivessem dado quase 100% de certezas que, para nós, esta viagem não se iria concretizar); sei é que o barco não cresceu e eu não gosto muito de segundas alternativas e já sentia que esta viagem não devia acontecer.

Vou só ali tomar um calmante e já volto.

11
Jul16

Espera... não foi um sonho?

Carolina

A alegria de quando se ganha algo no futebol é tão grande, tão imensa, explode tanto no peito que às vezes não parece verdade. Uma pessoa deita-se, dorme - se conseguir dormir - e quando acorda quase tem de se beliscar para saber que é verdade.

Eu abri a pestana, vi o cachecol depositado ao calhas em cima da cama depois de ter ido para a rua com ele ao pescoço e percebi que sim, que foi tudo real. 

Lamento sinceramente a todas as pessoas que se acham superiores e intelectuais e se recusam a ver e vibrar com os 22 jogadores atrás de uma bola. Porque, meus amigos, não sabem o que perdem. Creio que hoje Portugal acordou com um ânimo, uma alegria e uma força que não via há muitos anos - e isso não tem preço.

11
Jul16

Nação valente!

Carolina

Muitos se questionam o porquê de se gastar tanto dinheiro no futebol, de tanta gente gostar de ver 22 "cães a um osso". E a resposta está aqui: está na união, na movimentação de massas incrível que eu acho que só o futebol é capaz de mover. E isto serve para quem não gosta de futebol, para quem não sabe o que é um off-side, para quem não gosta o Ronaldo ou não sabia que o José Fontes sequer existia. Porque, quando se fala de uma nação ou uma cidade, há um elo de ligação que supera tudo o resto e que faz todas as célulazinha do nosso corpo vibrar.

Até eu, que desisti da seleção em 2004 (quase como um desgosto de amor épico), vibrei. E, meus amigos, acreditem ou não: até chorei quando o Ronaldo chorou. Porque não há manias ou embirrações que sobrevivam a injustiças e às evidências: foi uma injustiça alguém que se dedicou uma vida inteira ao futebol não poder contribuir para a sua equipa ganhar. Senti que era este ano e depois da fase de grupos achei que era sempre a andar; ainda ontem afirmei e reafirmei aos mais cépticos que íamos ganhar. E ganhamos. E até eu fui para a rua de cachecol ao peito, embebido em mofo, que já há 12 anos que não via a luz do dia!

Não precisamos de jogar bonito (que não jogamos). Também não precisamos de jogar bem (que também não aconteceu). Valeu-nos a garra, a sinceridade e a humildade, que para mim foram sem dúvida os ingredientes desta vitória épica. Não gostei particularmente dos jogos de Portugal em campo, mas adorei o jogo que fizemos no "exterior": não precisamos de bocas para ganhar, de mandar indiretas bem diretas para os nossos oponentes, de jogar sujo fora de campo. Foi limpinho, foi à rasca, mas foi merecido. Esta foi pelo Euro 2004 e por toda a festa que há 12 anos já devia ter sido nossa.

Ganhamos, car*lho! 

 

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08
Jul16

Dicas, anyone?

Carolina

Daqui a uma semana parto para a Suécia para, no dia seguinte, entrar no cruzeiro que me vai levar à Finlândia, Rússia, Estónia e Letónia. Nos últimos quatro países o tempo é reduzido e vamos em excursões turísticas, mas em Estocolmo aceitam-se dicas de sítios para visitar, coisas para ver e fazer.

Se alguém tiver alguma experiência em cruzeiros e tiver dicas para dar, recebo-as de braços abertos. Só de pensar na mala que tenho para fazer, até me dá naúseas - qualquer coisa que facilite, ou me dê uma ideia concreta do que dali vem é mais que bem-vinda! 

 

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  90. N
  91. D

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