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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

31
Mai15

A minha verdade sobre a Nutella

Carolina

Sinto que devo começar este post com uma frase polémica: eu não gosto de Nutella.

É esta a dura realidade: eu não gosto daquilo. Acho enjoativo, acho que não sabe a chocolate, acho demasiado doce. Sou incapaz de perceber toda a loucura à volta daquele creme, mas esta moda é de tal forma abrangente que até eu me deixo influenciar. Penso: "caraças, Carolina! Então és tão gulosa, gostas tanto de tudo que tenha açúcar em doses indesejáveis e não gostas daquilo? Algo de errado se deve passar contigo". Penso isto de cada vez que como qualquer coisa com Nutella e percebo que não gosto. Mas as pessoas dizem tão bem, aliciam-me tanto que... torno a experimentar - e, claro, torno a ficar enjoada e juro nunca mais voltar a comer. É uma espécie de ciclo vicioso tremendamente irritante porque, para além de me deixar enjoada, ainda me dá calorias extra que não me sabem como deviam.

A Nutella tem, portanto, um poder qualquer de me fazer esquecer as evidências. Ainda ontem, no Serralves em Festa, fomos à barraquinha dos crepes para engordar um bocadinho. Pedi, para mim, um crepe com doce de amora. Mas depois, quando chamaram o meu número, lá disse à menina "por acaso não dá para trocar por Nutella?". Pronto, saiu-me. Eu via toda a gente a comer crepes com Nutella, com ar de que estava a comer a 8ª maravilha do mundo e, também influenciada pelas amigas que estavam comigo, acabei por alterar o meu pedido.

É claro que, dez minutos depois, estava arrependida para a vida e a jurar nunca mais fazer igual. No que toca à Nutella, há toda uma aprendizagem lenta e complexa. Já sei que não gosto daquilo no pão, já sei que não gosto de farturas recheadas e agora só falta ultrapassar a fase dos crepes. Eu não gosto de crepes com Nutella. Eu não gosto de crepes com Nutella. Eu não gosto de crepes com Nutella.

A ver se é desta que entra e eu páro de engordar em vão. Eu não gosto de crepes com Nutella. Ou de Nutella. De todo.

30
Mai15

Vou comprar uma polaroid

Carolina

É um desejo antigo, mesmo desde os tempos de criança. Lembro-me de pegar numa polaroid que tinha aqui por casa e desejar com todas as forças que, se carregasse no botão, saísse uma foto. Nunca chegou a acontecer, mas o bichinho ficou lá. 

Eu ainda fui batendo na mesma tecla ao longo dos anos, enquanto as máquinas digitais tinham o seu boom épico - toda a gente me dizia que era para esquecer, que já não se faziam coisas dessas, que as folhas eram caríssimas, que já não fazia sentido fazer-se isso com toda a progressão digital. E eu engoli, que remédio.

Até que, há pouco mais de um ano (acho) houve uma invasão de polaroids com as Instax Mini 8, da Fuji, com imensas cores, super giras e fofinhas. Foi amor à primeira vista, como devem ter imaginado - só não me apaixonei pelo preço e, por causa disso, não trouxe nenhuma para casa. Ainda participei em todos os passatempos que encontrei mas, com a minha típica falta de sorte, não ganhei absolutamente nada.

A questão aqui é que, no início deste ano, prometi a mim mesma que este verão ia ser para mais tarde recordar. Quero mesmo, mesmo, mesmo aproveita-lo ao máximo. Depois de, no ano passado, ter passado o meu tempo entre hospitais e problemas (que, meio ano depois, culminaram com a morte da minha avó), decidi que tinha de aproveitar ao máximo os meses sem faculdade e com bom tempo à mistura. Tentar fazer um esforço para socializar, sair um bocadinho, não estar sempre metida no quarto naquelas mini-depressões de verão que me costumam dar; ir a concertos, passear e, enfim, divertir-me. E, para registar isso tudo, quero algo especial. E há lá algo melhor que a polaroid para captar os melhores momentos do verão? (Eu cá acho que a polaroid foi inventada mesmo para esse efeito - é quase impossível que uma ideia destas tenha sido inventada no inverno, triste e frio).

Decidi não comprar uma nova e procurar em sites de vendas alguma pechincha. Encontrei. Por uma polaroid amarela - uma cor que me invadiu o coração desde o ano passado - vou pagar menos quarenta euros do que pagaria numa loja normal. Para a semana já a devo ter nas mãos. Depois logo verei se esta foi, ou não, a melhor compra do verão! Ansiosa por experimentar!

 

instax2.png

 

Foto daqui

26
Mai15

Como vivi o Fora da Caixa (ou como fui muito feliz)

Carolina

Aquilo que escrevi no post abaixo foi a parte factual do programa - o que aconteceu e deixou de acontecer. Mas a verdade é que houve toda uma gestão emocional que teve muito mais impacto que o programa em si, todo um espírito que todos desenvolvemos sem nos apercebermos que tornou tudo único e mágico. Só no fim é que nos caiu a ficha. Bac. Acabou. Wow. 

Aconteceu uma coisa tão simples que é complicada: conhecemo-nos. E, estranhamente, resultamos juntos, até gostamos de "nós" como um grupo. As personalidades e as circustâncias da vida fizeram - como fazem sempre, em todos os meios - que se criassem grupos, distâncias, ódiozinhos de estimação, embirrações pessoais que acabam por ditar separações para a "vida", muitas vezes completamente infundadas. Coisas tão simples como grupos formados na praxe, grupos das pessoas que fumam e portanto se juntam no exterior, grupos das pessoas que almoçam na sala de convívio... enfim, todo um conjunto de razões que fazem com que se juntem uns e se separem outros. 

Apesar de estarmos todos divididos por equipas, tivemos de nos juntar várias vezes e fazer a ponte entre umas funções e outras. Todos fomos obrigados a contribuir e interagir de alguma forma - eu, então, nem se fala. Tive de deixar os preconceitos de lado e meter-me no carro com pessoas com quem não tinha trocado mais de meia-dúzia de palavras durante ano e meio de faculdade; tive de falar com todos, de explicar aquilo que queria, de me chatear quando achava que era preciso, de os organizar quando era necessário. Eu tive mesmo de sair da caixa.

E, sinceramente, é esse o sentimento que fica. Mais do que ter orgulho em ter conseguido realizar um programa fantástico - digo-o, sem pudores, que acho que foi dos melhores que CC já viu -, tenho orgulho em tudo o que fiz, em todos os esforços e, acima de tudo, de ter mostrado mais de mim. Consegui, finalmente, mostrar quem sou. Que não quero ser só mais uma. Que não sou só a chata, a que não vai aos jantares de curso ou à queima, que é anti-praxe, que é sossegada e não faz mal a uma mosca. Que há mais para além dessa Carolina sisuda que todos achavam que conheciam e por quem já não nutriam esperanças. Arrisco-me a dizer que as expectativas, quando me ofereci para realizadora, eram mesmo muito baixas. E, no meio disto tudo, acabei por surpreender os outros e, muito mais importante!, a mim mesma.

No dia seguinte ao programa inundamos o facebook com a nossa foto de turma, com textos bonitos de homenagem e já de saudade. Fiquei... assoberbada. Sem palavras, mesmo. Ainda nem sequer respondi a alguns dos comentários que me deixaram, quase com medo de não ser verdade. Não fiz nada disto para palavras de agradecimento - nem sequer tinha noção que as pessoas se aperceberam de que eu tinha dado (mais do que) o litro para que tudo isto corresse como correu. Fiz porque estava gostar, porque era a primeira coisa neste curso que era realmente desafiante e onde senti que me podia fazer realizada (porque já percebi que o trabalho é das coisas que me deixa mesmo completa e feliz). Chegar ao fim e ter toda uma maré de elogios, até de pessoas que antes não deviam acreditar nem gostar minimamente de mim, foi algo que me comoveu até aos ossos.

Chego ao fim e vejo mais do que os meros colegas que antes tinha. Vejo-os como pessoas, com qualidades e defeitos, que conheço melhor, para além de preconceitos de treta. Fomos uma equipa e eu tenho tanto orgulho nisso! Foram dias realmente felizes para mim, apesar de todo o nervosismo. Não tenho dúvidas que o programa foi um ponto de viragem na minha vida universitária e foi mais uma barreira que ultrapassei, a nível pessoal, no que ao relacionamento das pessoas diz respeito. Tenho o coração cheio. Obrigada é a única palavra que me parece plausível neste momento. Fui mesmo muito feliz.

 

Deixo-vos o making of (versão alargada), o vídeo que mais adoro à face da terra e que já vi umas cinquenta vezes. Podem ver parte do processo de montagem do cenário, dos ensaios, das conversas, da régie, do programa de um outro ângulo e, claro, do fim... Voltava a fazer tudo do início.

 

 

25
Mai15

Fora da caixa - como foi

Carolina

Por um lado tenho uma torrente de palavras prontas a sair sobre o que aconteceu quinta-feira - muitas mesmo! Por outro, estou apertadíssima (e isto é um eufemismo) para entregar um trabalho até segunda, o que me está a dificultar muito a vida - tanto em termos de escrita, como de capacidade de resposta para conseguir deitar mãos a todas as pessoas que falaram (ou me adereçaram) durante estes três dias. E a verdade é que ainda estou nas nuvens e não consegui pousar o pé no chão também por isso - ainda não tive tempo de processar a informação, de chorar de saudade e porque aconteceu, de olhar para trás e perceber o que esteve bem e menos bem, de agradecer a toda a gente. Acho que só segunda é que me vai cair a ficha. 

Entretanto, e porque estou em abstinência de escrita há demasiado tempo, decidi ir compondo este post (que, muito provavelmente, vai sair gigante) à medida que faço intervalos do livro que tenho de ler para o trabalho - que são um tanto ao quanto frequentes uma vez que as letras pequeninas cansam-me, o inglês exige-me mais concentração que o normal e o sono começa a invadir-me sem pedir licença.

Sei que os leitores normais não gostam de publicações grandes, mas esta vai valer a pena. Acho importante começar a contar tudo, tim-tim por tim-tim, não desde quinta-feira mas sim desde quarta. Ora então.

 

QUARTA-FEIRA

Fim da montagem do cenário e ensaio geral

No dia anterior o cenário já tinha sido montado de acordo com aquilo que tínhamos imaginado - para isso, quase toda a turma veio carregada de caixas e fita-cola, no meio de comboios, metro e autocarro. Da primeira vez que entrei no estúdio e estava tudo a montar, desfazer e colar caixas, ia-me dando um colapso tal o nível excessivamente elevado de desarrumação, lixo e desorganização em que aquilo se encontrava. Achei que, mal um professor olhasse para aquilo, nos iam expulsar dali. Mas não. Na quarta ainda foram precisas mais algumas caixas (o que perfez uma conta total de 117 caixas) para que tudo ficasse como desejávamos e essa parte ficou rapidamente concluída - a ideia era formar uma parede de caixas, algumas abertas com coisas em tons de vermelho dentro. Funcionou bem.

O passo seguinte era o ensaio geral. Falei com os apresentadores para perceber o guião que tinham preparado, falei com os operadores de câmara para lhes dar a entender aquilo que eu queria que eles fizessem e aquilo que lhes poderia pedir desde a regie. E o ensaio foi... um desastre. Acho que saímos todos de cabeça baixa, a tentar desvalorizar o que se tinha passado e dizendo uns aos outros que "não tinha sido assim tão mau". Mas foi. Não mau, mas péssimo! A comunicação entre a regie e o estúdio estava a ser uma desgraça, a comunicação entre a minha assistente de realização com os apresentadores também, a gestão das câmaras também estava longe de ser brilhante. Depois de nos porem fora do estúdio, as pessoas nucleares juntaram-se numa reunião que durou até às 20h de modo a prevenir algumas das coisas que tinham acontecido nessa tarde. 

Posso dizer-vos, hoje, que a reunião deus os seus frutos e que, sem essa ela, as coisas tinham corrido muito mal. Mas isso não fez com que a memória daquele ensaio suavizasse. 

 

QUINTA-FEIRA

Mais um ensaio e dia do programa

A minha quinta-feira não começou quando acordei de manhã, estremunhada pelo despertador. Começou mesmo à meia-noite, quando comecei a sentir náuseas depois de ter comido qualquer coisinha. Estava a trabalhar, a ler o guião dos apresentadores e a correlacionar com o meu alinhamento quando me comecei a sentir assim - era exponencial, à medida que os minutos passavam eu ia ficando pior. Achei que era o cansaço extremo, fui-me deitar. 

Quando fechei os olhos senti-os estilo globo, em roda livre, girando livremente. Eu estava a enjoar mesmo de olhos fechados, sentia que tudo rodava à minha volta. Respirei fundo, deixei-me ficar até não aguentar mais. Tive de me levantar, com imensa dificuldade - mal me sentava (e, quando o fazia, estava provavelmente muito torta) e andar era só de lado. Só consegui parar na sanita e vomitar tudo o que tinha comido desde há umas horas atrás. 

Sentia-me péssima; roguei pragas a tudo, estava preocupadíssima com o facto de durante o dia não fazer aquilo com que me tinha comprometido. Não me conseguia levantar do chão e continuei a vomitar até me sentir melhor. Consegui ir até à cozinha fazer um chá, mas piorei entretanto e, com um medo enorme de desmaiar, chamei a minha mãe para me ajudar. Quando ela me trouxe o chá, bebi quatro colheres e virei o barco outra vez. Com quatro colheres de chá no estômago. Importa dizer que eu sou daquelas pessoas que tem imensa dificuldade em vomitar, que faço tudo ao meu alcance para não o fazer. Ter aqueles impulsos terríveis do estômago e não ter nada para deitar cá para fora só me deixava mais cansada. Ia adormecendo na casa de banho, mas a minha mãe convenceu-me a ir para a cama. Deitei-me de lado (eu nunca, nunca durmo de lado) e com a cabeça alta e, passado algum tempo, consegui dormir. Acordei exatamente na mesma posição, com o corpo estilo gelatina e uma falta de força incrível. Fui comendo aos poucos, para testar o estômago. Não sei como cheguei à faculdade - suponho que estava lívida como um fantasma, sem forças para nada e com umas olheiras até ao chão. Estava com um medo terrível de sucumbir na hora H. 

Felizmente, tudo melhorou ao longo da manhã. Tivemos tempo para mais um ensaio e, muito graças à reunião do dia anterior, tudo correu melhor. Na minha cara iam-se vendo as melhorias do panorama geral. Trazia rebuçados no bolso e uma termos com chá quente, bem doce, para me aguentar - e foi com isto que me alimentei nessa manhã. 

O pessoal estava organizado - eu mandava na régie (cheguei a mandar calar subtilmente os meus professores), a minha assistente de realização mandava no estúdio. Atrás da regie, no green room (com cadeiras, sofás e comida - muita comida!) estavam todas as outras pessoas da equipa, com um nervoso pouco miudinho, a fazer muita força para que tudo corresse bem. Para além do streaming (que queríamos fazer no youtube mas que, por falta de equipamento, não conseguimos - mas ficamos a tentar, literalmente, até ao último segundo) estava tudo pronto. Ah, esperem, não tudo. A um minuto do programa começar... faltava-nos o primeiro convidado.

É claro que já tínhamos notado isto há meia hora atrás. Pânico total, pessoas que achavam que iam desmaiar. Começamos a preparar tudo para termos só dois convidados e fazer uma mudança no alinhamento. De frisar que os apresentadores não tinham teleponto nem auricular, por isso o contacto com eles era feito apenas através da minha assistente de realização. E era 12h. E o programa tinha de ir para o ar. E o primeiro convidado que devia estar em estúdio... nem sequer tinha chegado. 

Temos filmagens da régie e as nossas caras eram de profunda tensão. Era o nosso primeiro programa, éramos (e somos) todos verdes nisto... e estávamos a mudar o alinhamento e a tomar decisões cruciais enquanto o programa decorria (e no tempo das reportagens, que era quando podia tirar os olhos das câmaras). Roguei pragas a tudo o que podia mas nunca perdi o foco - ainda hoje (porque não tive tempo) não sei aquilo que os convidados disseram; também não faço ideia do que se passou fora da régie nessa hora e nem sequer prestei atenção ao que se passava com os meus colegas. Era só eu e o ecrã. Só olhei umas duas vezes pela janela - uma delas foi quando me disseram que o convidado (que devia ter entrado em primeiro e acabou por entrar em último) tinha chegado. Só via pessoas a saltar e a festejar e... foi um alívio. Tudo mudou a partir daí.

Eu adorava tudo naquele programa. O design, o intervalo, os créditos, as reportagens... aquele genérico! Naquela altura não havia nada que me deixasse menos contente, que olhasse e pensasse "podia ter feito melhor" (se calhar, quando agora vir o programa na íntegra, já não vou achar o mesmo). Quando cheguei ao fim nem quis acreditar - por um lado feliz, com uma sensação de missão cumprida como nunca tinha sentido antes e, por outro, triste por perceber que tinha acabado. Saltamos de alegria, na régie e no estúdio. Houve abraços apertados, apertos de mão sentidos e muitos festejos. Todos ficamos felizes com o resultado final.

Em forma de comemoração, fizemos um lanche almoçarado, com direito a bolo feito pela minha tia e decorado por mim (que, diga-se, ficou lindinho e para lá de delicioso!) e muita comida que toda a gente trouxe de casa. Foi um bom convívio, óptimo para encher o meu estômago que estava demasiado vazio e reduzido a uma ervilha há horas demais. Seguiu-se a destruição do cenário, com as nossas 117 caixas a seguirem para uma instituição - acho que um bocadinho de nós morreu quando desfizemos aquilo que nos tinha dado tanto trabalho. Foi a plena sensação de fim... que tinha mesmo acabado.

À noite fomos (quase) todos jantar e descontrair e no dia seguinte estávamos tão lamechas que ninguém nos podia aturar. Quero partilhar isso aqui, mas num outro post, com o devido destaque. Foi um par de dias de uma alegria imensa, não cabia em mim de tão contente que estava. Quero deixar essa sensação registada aqui, para a vida, de forma a lembrar-me de que estas coisas e estes momentos inesperados acontecem mesmo. Ainda estou a ressacar de felicidade.

 

Para já, fiquem com o programa e deixem o vosso feedback!

 

 

22
Mai15

O pouco que ainda consigo dizer sobre o que aconteceu

Carolina

Sei que fui chata como um raio; sei que me devem ter chamado nomes, não só nas vossas cabeças, mas também nos corredores daquela faculdade. Mas também sei que valeu a pena.
Deixamos de ser a turma dois. Deixamos os grupos de lado, as diferenças num saco e as embirrações pessoais de fora. Fomos uma equipa onde, melhor ou pior, todos sabíamos bem onde era o nosso lugar. Trabalhei como nunca, passei mais horas naquele pólo do que alguma vez esperaria; irritei-me, gritei pelo meio (desculpem!), stressei quanto baste, mas também me diverti como (quase) nunca. Agora, depois de ter passado aquela hora crítica, olho para trás e percebo que foram os três meses mais felizes desta minha vida académica.
Tenho dito por aí que era um milagre lançarmos este programa para o ar. Perdoem-me a correção, mas não foi um milagre. Foi magia.

Obrigada.

Texto escrito no meu facebook pessoal

[amanhã temos resumo completo - agora é hora de repor as horas de sono em falta]

20
Mai15

Está na hora de saltar da caixa!

Carolina

fdc.jpg

 

Têm sido dias, no mínimo, loucos. Tão loucos que não tenho tempo para vos contar, terá de ficar para depois. O importante aqui é que... é já amanhã (quinta-feira). Este trabalho todo, este drama, este esforço e todo este entusiasmo... vão para o ar amanhã.

Tanto pode correr lindamente como ser um desgraça. Tudo o que posso dizer é que, para todos os efeitos - e tendo em conta o pouquíssimo apoio que tivemos, a todos os níveis - o que vai acontecer amanhã é um milagre. Um daqueles que faz com que fique com a alma e o orgulho cheios, por pior que tudo aquilo corra.

Torçam por mim, vou precisar.

 

VEJAM AQUI, AO 12H!

18
Mai15

Chávena de letras - "Dentro do Segredo"

Carolina

 Adoro tudo o que sejam segredos, coisas escondidas e inacessíveis à maioria do comum dos mortais; nisto incluem-se receitas secretas e deliciosas, associações secretas como a maçonaria e países fechados ao mundo, como a Coreia do Norte.

Do pouco que li de José Luís Peixoto antes deste livro, foi-me fácil perceber que não é um tipo de escrita que aprecie. Mas depois de ver uma entrevista na televisão sobre as várias viagens que já fez a este país, percebi que este era um livro obrigatório na minha estante - e que, provavelmente, a escrita seria diferente do seu registo normal.
Não me enganei. É um livro magnífico. Com uma escrita deliciosa, com tudo o que precisa, nos tempos certos. É poética mas também pragmática; concisa e extensa; bem descritiva quando tem de ser. JLP conta-nos o que viu, mas deixa de lado muito do preconceito criado à volta deste país e de quem lá vive - reafirma muitas coisas, mas mostra-nos tantas outras, novas para a grande maioria das pessoas.
É, no fundo, uma descrição de uma viagem, que serve também de viagem filosófica e de agradecimento pela vida que temos. De tudo o que temos por garantido. De tudo o que nos aprece mais corriqueiro nesta vida mas que, para quem está naquele lado do mundo, não é tão normal quanto isso.
Para todos os curiosos, viajantes ou simplesmente para quem quer conhecer o desconhecido sem sair do sítio. Muito bom.

17
Mai15

Diários de uma realizadora wannabe 3#

Carolina

O QUE ESTÁ DENTRO DA TARTARUGA?

A primeira reportagem que fizemos foi em Famalicão - para quem não conhece, posso dizer-vos que fica a cerca de meia hora de carro do Porto, através da auto-estrada. Foi essa a primeira vez que pegámos numa tartaruga - o nome carinhoso que damos à grande mochila onde transportamos o material de filmagem. 

Eu fiquei logo encantada - aliás, tirei uma foto com ela que adoro e que tenho como perfil de várias redes sociais. Mal eu sabia que aquela seria a primeira de muitas vezes que viria a carrega-la às costas. Podia dizer a típica frase de "teve piada da primeira vez, mas depois já nem por isso", mas estaria a mentir com todos os dentinhos que tenho na boca. Porque apesar do peso dá-me um gozo imenso carrega-la, ir filmar e montar os equipamentos todos. 

Como era algo que nunca tinha visto e que gosto tanto, quero partilha-la convosco. Aqui vai disto:

DSC_0817_descricao.JPG

 

Para além destes materiais, também utilizamos o tripé para fixar a câmara (o objeto mais corriqueiro no meio desta panóplia toda) e a perche, que evita que a jornalista tenha de pegar no micro com a mão e, por isso, exista muito mais liberdade de movimentos. Também na tartaruga guardamos o cabo que liga a máquina ao microfone que está na perche, que se pode ver na imagem de baixo.

 

DSC_0704_desc.JPG

 

Tenho a tartaruga aqui comigo, pronta a entregar amanhã. É, provavelmente, a última vez que trago uma para casa. Já tenho saudades. Sempre gostei de tartarugas.

 

tartaruga.JPG

17
Mai15

Miúda de 95 35#

Carolina

O jogo de casa da avó

 

Quando era pequena passava um dia por semana em casa dos meus avós. Era a minha avó que ficava comigo e com quem eu brincava. Apesar de não ter grandes recordações disso, há coisas que me lembro com um carinho imenso - principalmente agora, que ela já cá não está. Olhando para trás, e apesar da diferença de idades brutal que havia entre nós, ela tinha imensa paciência para mim. Lia-me histórias, mostrava-me as flores e, acima de tudo, dava-me uma liberdade imensa de descobrir aquela casa cheia de esconderijos giros.

Suponho que deva ter sido numa dessas expedições que descobri o brinquedo mais simples de sempre - e, talvez por isso, o meu preferido. Consistia em conseguir meter todas as bolinhas dentro de uma "baleia", que estavam dentro de água - para isso tinha de se clicar num botão, que injetava ar e fazia com que as bolinhas de mexessem - e umas entrassem para a baleia e outras saíssem. No fundo, um jogo de paciência.

Sei que aquele jogo não foi originalmente comprado para mim, mas acabei por ser eu a traze-lo para casa para recordação. Enquanto fazia as mudanças de um quarto para o outro, dei de caras com ele e bateu a saudade. Já não funciona (estraguei-o com a curiosidade de perceber como funcionava, daí a fita-cola) mas ainda não o consegui deitar fora. As coisas mais simples são as melhores.

 

IMG_20150322_171319.jpg

15
Mai15

Diários de uma realizadora wannabe 2#

Carolina

PORQUÊ SER REALIZADORA?

 

Esta coisa dos programas de televisão já tem barbas na história do meu curso. Desde o primeiro ano que ouvimos falar da confusão que é, do stress que causa, da mobilização total por parte dos alunos, do esquecimento das outras cadeiras em detrimento de todo este trabalho. Há um ano atrás eu achava, mesmo!, que isto era impossível; que levantar um programa de raiz era demasiada areia para a nossa camioneta. Mas estava enganada. 

De todas as mil e uma histórias que ouvimos sobre os dramas do ano passado, lembro-me de dizerem que a definição de cargos foi sempre complicada, nunca havia pleno acordo em quem iria exercer o quê. Por isso, e apesar de ter dito desde cedo que gostava de ter um cargo na produção ou realização, decidi desde logo que não me ia chatear muito com isso e muito menos dar luta caso alguém estivesse interessado. Na minha ingenuidade (rara, por acaso) achei sinceramente que toda a gente iria querer esse tipo de cargos.

Até que, no momento da verdade, ninguém levantou a mão. "Quem quer ser da realização?". Ninguém, aparentemente. Até que uma colega levantou o braço. E depois silêncio outra vez. Perante isto, achei que oferecer-me para a equipa era uma boa ideia, por ser aquilo que queria originalmente. Daí até se definir que seria a realizadora foi um instante.

Apesar de ter ficado toda contente - não o nego - a reação à minha volta não foi assim tão unânime. Não sei porquê, mas toda a gente assumiu (e achou) que eu ia para a frente das câmaras, apresentar o programa. Quando deixei cair por terra as expectativas das pessoas e fui desfazendo a ideia de que poderia ser a próxima Judite de Sousa deste país, as pessoas não ficaram contentes. "Mas és tão gira", "falas tão bem", "tens tanto à vontade", "assim não tem piada nenhuma", "não percebo, tens uma dicção e uma aparência óptimas". Para minha surpresa, até colegas de turma punham em cima da mesa a hipótese de ser eu a apresentar - o que, por um lado, me espantou imenso e por outro me deixou feliz (por depositarem em mim tamanha confiança).

Mas enfim, na minha cabeça tal nunca esteve no horizonte. O que eu gosto realmente é de ver as coisas de cima, de ter um papel abrangente, de organizar tudo e fazer crescer as ideias tanto na minha cabeça como na realidade, com o enorme desafio de que estas duas coisas coincidam o mais possível. Acho que tenho jeito para liderar embora, quando quero, seja um osso duro de roer e perca as estribeiras quando percebo que a responsabilidade, o empenho e a dedicação não são aquelas que eu espero. Essa tem sido a gestão mais complicada - lidar com as pessoas, os diferentes feitios e características (onde se incluem, por exemplo, a irresponsabilidade e a preguiça aguda, coisas que me tiram do sério). 

Tem sido um trabalho duro, mas muito gratificante. Quase como uma flor, onde plantamos a semente e depois de regar muito, matar os parasitas e tratar da terra, começamos a ver crescer, linda e vigorosa. Neste momento a estrutura do programa está pronta, assim como a maioria dos conteúdos. Finalmente, a uma semana de tudo acontecer, o programa está a ganhar forma. E é mágico percebermos que tivemos um papel preponderante para isso acontecer.

Continuo a entender todos os familiares e amigos que ficaram desiludidos por não estar à frente da câmara, mas acho mesmo que esse não seria o meu papel. Para os consolar, digo-lhes sempre para pensarem e verem para além do óbvio: no dia 21, não vejam só os apresentadores e os convidados, mas atentem também aos pormenores mais técnicos. De cada vez que uma câmara mudar, pensem: "foi a Carolina que decidiu mudar". Vão perceber que estou muito mais perto de tudo aquilo que se passa no ecrã do que antes pensavam. 

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