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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

30
Set13

Não me arrependo

Carolina

Hoje, depois de sair da última aula, um trajado abordou-me, perguntando-me se eu, por acaso, não queria fazer parte da praxe - suponho eu que foi por não ter reconhecido a minha cara no meio do rebanho e por ontem terem saído as colocações na segunda fase: podia ser, então, uma aluna nova. Ele era um dos que fez a apresentação, que nos falou das cadeiras e do curso, precisamente antes dos "doutores" terem entrado por lá dentro. Apetecia-me perguntar-lhe se já não chegava, se aquela primeira impressão tão boa que me deixaram não tinha sido suficiente, mas deixei-me disso. Disse-lhe apenas que não e segui caminho.

Mas isso trouxe-me hoje até aqui. Faz hoje uma semana que começaram as aulas e eu pretendo dar-vos a conhecer o quão satisfeita estou por não me ter metido naquilo (ou, melhor dizendo, por ter conseguido sair daquele anfiteatro diabólico). Podia mentir e dizer que é tudo um mar de rosas: não é. A praxe, na minha opinião, tem 90% de actividades ridículas e inúteis, mas tem a enorme vantagem de se ficar a conhecer pessoas. É essa a minha maior dificuldade nestes primeiros tempos: o pessoal já se conhece, já há dezenas de grupos formados, e falar com alguém acaba por ser mais difícil. Já conheço gente - vou somando rapazes à lista e, raparigas, nem uma (que raio se passa aqui?!) - mas acho que falta sempre algo. Aquela sensação de secundário, em que conhecemos os nomes de todos e toda a gente nos é familiar, é a peça que falta e que ainda não me habituei na totalidade, mas lá chegaremos.

De qualquer das formas, o saldo é positivo e eu dou graças por não ter ido à praxe. Sei disso quando os vejo todos alinhadinhos à porta, logo às oito da matina; quando os vejo a chegar atrasados às aulas; quando me apercebo que, no furo que tivemos, lá foram eles como carneirinhos "desfrutar da folga". Nunca teria pachorra. E não me arrependi nem por um segundo. 

29
Set13

Votar ou não votar, eis a questão

Carolina

Na União Soviética votava-se. Diziam eles que aquilo era uma democracia, porque de facto os populares podiam escolher aquele com quem mais se identificavam. Esta é a ilusão 1, a premissa que nos dá a noção de que aquilo poderia ser, de facto, perfeito. Mas por detrás disto, estão duas grandes verdades:

 

  1. A maioria dos candidatos eram escolhidos pelo partido - regiam-se por aqueles ideais pelo que o país já estava a ser dirigido e não havia, por isso, grande volta a dar.
  2. Havia votos, sim. Havia pessoas a votar, que remédio. Mas a votação era à mão no ar e, se alguém mais ousado pensasse sequer em votar em quem não devia, estava eternamente marcado.

 

Contei-vos isto para demonstrar a ilusão que é a democracia. Eu gosto, a sério que sim: eu gosto de poder escrever aqui as minhas opiniões, gosto de poder dizer mal do Passos Coelho, embora não o faça frequentemente, gosto de termos (alguma) liberdade de escolha, gosto de poder ir votar e dar a minha opinião. Mas, para mim, a democracia, também como o comunismo, adivinha-se uma utopia, principalmente numa altura em que o dinheiro começa a escassear. E, para mim, é tudo a mesma merda. Eu olho para os cartazes dos candidatos à minha região e penso que são montes de caca mas com embrulhos diferentes: todos à espera de uma oportunidade para ganharem às nossas custas.

Se calhar a culpa é minha, que deixei de acreditar nas pessoas, naqueles sorrisos sonsos, naquele suposto olhar de sinceridade dos políticos e das suas mulheres que aparecem em cada cartaz. Se calhar sou eu que já perdi a esperança que isto vá ao sítio. Podia votar em branco, podia votar no Mickey Mouse, mas acho que não. O meu protesto não é só contra a falta de identificação para com os candidatos, mas também por todo este sistema de merda - e, para isso, mais vale não ir lá.

Confesso que a decisão de ir/não ir ainda não está 100% decidida. Só aí uns 98%. Se fosse votar, votaria por um partido e não por uma pessoa, porque mal conheço os seus nomes; não me dei sequer ao trabalho de ler os panfletos cheios de palha e as tretas do costume - fazem-me lembrar aqueles flyers das associações de estudantes, que diziam sempre que iam implementar uma rádio escolar e outras coisas que tais e a única coisa que faziam até ao fim do ano era uma festa de "arromba". Eu quero votar no dia em que souber que o meu voto vai fazer a diferença, em que vou acreditar nele a apoia-lo, porque me identifico com algo ou alguém que me poderá representar; eu vou votar quando houver escolhas válidas. Provavelmente, irei votar quando tiver um medo terrível que mais um palhaço - ainda maior do que os outros - esteja em perfeita iminência de subir ao poder. Hoje não é o dia.

 

P.S.1: Escusam de me atirar pedras de que quem não vai votar não pode ir para manifestações (que eu não vou) nem pode reclamar - eu reclamo na mesma, porque tenho tanto direito de opinião como os outros.

P.S.2: A decisão de não ir votar baseia-se também no sítio onde vivo onde, em geral, sou muito pouco participativa - limito-me a viver aqui e pouco mais, toda a minha vida é feita fora desta cidade. Se votasse no Porto, por exemplo, a história seria diferente e eu já teria ido, muito provavelmente, às urnas. 

28
Set13

Refazer parte do roupeiro

Carolina

Toda a gente sabe que eu sou a maior friorenta de que se tem memória. Em pleno inverno, sou menina para andar com três pares de meias, duas camisolas básicas, mais uma de malha, mais um casaco e um cachecol, meias-calça por debaixo das próprias calças e outras loucuras do género. Por muito que tente, não o consigo evitar: começo a tiritar de frio e o inverno é uma altura de desconforto constante para mim, sempre que me encontro fora de casa. Se fosse uma escolha, preferia hibernar nesta época, ou em frente à lareira ou dentro dos lençóis da minha cama. É aí que me sinto melhor.

Mas como sou uma pessoa (minimamente) normal e não me fecho em casa por sensivelmente seis meses, tenho mesmo de me enchouriçar. E isso faz com que a minha roupa de inverno fique gasta até ao tutano. Chego ao fim da estação com os básicos rotos e descolorados, as malhas todas cheias de borboto e as botas baratas a ficar rotas. Tenho aguentado esta situação nos últimos dois anos: os básicos escondo-os por baixo dos que estão melhores, as malhas demasiados usadas uso-as maioritariamente em casa. Mas deste ano não pode passar. Aproveitei em Bruxelas para comprar já algumas malhas quentes, porque vou ter de fazer uma mini-revolução no meu guarda-roupa: só metade é que deve ficar; um quarto vai para dar, outro deve ir mesmo direto para o lixo, tal é o mau estado em que está. E isto aplica-se em tudo: camisolas, calças, calçado, meias... tudo!

E verdade seja dita que a minha vontade de fazer compras - e, principalmente, gastar dinheiro - não é grande, mas vou ter de arranjar inspiração algures para refazer os meus outfits desta estação. E é bom que comece em breve, porque a chuva tem caído bem e o frio vem atrás. Odeio o Inverno.

28
Set13

3 dias na "capital da Europa"

Carolina

Bruxelas, apesar de ser uma cidade grande, não tem assim tanto que ver - principalmente se forem pessoas como eu que dispensam passar dias metidas em museus sabe-se lá do quê, coisa em que eles são peritos: é o museu da cerveja, deste e daquele, da arte urbana, da arte sabe-se lá do quê.

Eles têm duas imagens de marca: os chocolates e a fonte do menino a fazer xixi (algo que não passa de uma estátua com trinta centímetros e sem nada de bonito em particular, mas enfim). A cidade interessou-me mais pelo seu lado político, pela importância que tem, pelas pessoas que a frequentam; não seria um sítio onde gostasse particularmente de viver, principalmente por causa do tempo (que normalmente é frio e chuvoso - nós tivemos imensa sorte, porque apanhamos sol), mas se se quiser ter um cargo importante e bem remunerado, é lá o sítio certo.

O centro da cidade tem uma dúzia de edíficios muito trabalhados e bonitos que merecem ser vistos (Grand-Place de Bruxelas), assim como umas galerias líndissimas, com lojas para lá de caras mas muito fofinhas e deliciosas (Les Galeries Saint Hubert). Foi lá que passei o meu primeiro dia, seguido de um jantar de moules (a especialidade da maioria dos restaurantes de lá - mexilhões) que foi uma porcaria (se eles comessem moules feitas pela minha mãe iam ao céu e voltavam, ficavam a saber o que é bom). A manhã do segundo dia foi o melhor da viagem: fomos a um sítio que não está muito nos roteiros de turismo, uma espécie de feira da vandoma mas que se realiza todos os dias (Place du Jeu de Balle). Havia de tudo: móveis, roupa, bijuteria, calçado, malas, talheres, todo o tipo de pratas, espelhos, quadros, tapetes, peças de decoração feitos em todo o tipo de materiais... enfim, maravilhoso. Eu trouxe uma série de garfos para pôr em prática umas ideias que já tinha em mente há algum tempo e uns postais antigos, mas ainda trouxemos também uma máscara venesiana, um saleiro em prata, umas colheres, um pousa-garrafas e um leque. Tralhas giras, basicamente. Almoçamos na praça principal (deixem-me frisar que paguei quatro euros por uma coca-cola: é uma cidade cara) e depois fomos comprar uns chocolates para oferecer, mais os souvernirs do costume. Mais tarde fomos a uma rua espécie Santa Catarina mas em ponto gigante, com imensas lojas acessíveis - comprei três peças de roupa, ou porque eram quentes (sim, lá faz frio, e eles têm consciência que precisam de malhas e roupa que aqueça, não é como aqui que temos todos a mania que no inverno se pode usar t-shirts) ou porque estavam com super saldos - não podia exagerar na quantidade de compras que a minha mala era um tanto ao quanto minúscula. 

A última paragem foi mesmo o parlamento europeu, na manhã do dia em que voltamos a Portugal. A parte que se pode visitar não é paga e consiste numa exposição desdes os primórdios da União Europeia - eu gostei muito, apesar da UE me dizer muito pouco. Adorei o facto de ser muito contextualizado e se basear em centenas de fotos. Não há guias, mas sim uns aparelhos electronicos que carregamos connosco e que nos dão todas as informações necessárias sobre aquela foto, aquela maquete ou o que quer que seja. Surpreendeu-me pela positiva e acho que esta experiência ainda me poderá ser útil, tendo em conta que estou na área das letras (já agora, foi muito bom estar ali a olhar para as imagens e para as suas histórias e pensar "ah ah, já sabia disto, benditas sejam aquelas aulas de história!").

Apesar de ter sido uma visita de médico, acho que foi o suficiente para ver o essencial. Muito mais tempo e acabaria por ficar entediada, tendo em conta que não é uma cidade fascinante, com uma vida fora do normal. É giro para ver, ter uma noção global, mas nada do outro mundo. Ficam as fotos.

 

Numa das catedrais principais lá do sítio.

 

Um dos edifícios da praça principal.

 

O menino que faz xixi. Uma pessoa para tirar uma foto quase que é atropelada e trucidada pela multidão. Um perigo. 

 

Uma das muitas montras de chocolate.

 

A comer moules num dos sítios mais típicos de lá, e que eles dizer ser o melhor. Se aquilo é o melhor, não quero imaginar o que será o pior. Um desconsolo.

 

No mercado diário que vos falei (sim, estava frio).

 

No restaurante na Grand-Place, onde se pagava 30 cêntimos para ir ao quarto de banho. Um show.

 

Na viagem de vinda, onde apanhamos bastante turbulência. Já mais para o fim, ficamos entre duas camadas de nuvens, pelo que deu para tirar fotos lindíssimas. Esta já foi tirada numa fase mais escura, porque antes disso estava tão derreada com a paisagem que nem me lembrei de pegar na máquina. Esta é uma das coisas que adoro ver quando estou no avião. 

 

A minha foto favorita de toda a viagem, que ontem aqui postei. Se há cliques certeiros, este foi um deles. Por detrás de mim está o palácio real.

25
Set13

O karma é f*dido

Carolina

Desculpem a expressão acima, mas é mesmo verdade. Quase que engoli um sapo quando me apercebi que vou ter uma disciplina que aborda, só e praticamente, gramática (e coisas que tais: dizem que não é tão mau como parece, mas mesmo assim...). Estou feita ao bife. Já se adivinha a minha pedra no sapato.

24
Set13

Tenho de começar a mexer-me

Carolina

A coisinha mais maravilhosa em ter acabado o secundário é o facto de já não ter educação física. Se me pedissem, eu voltava já para a minha escolinha, com os professores que tanto adoro, naquelas divisões onde criei raízes e com as pessoas que adoro... mas ia custar-me os olhos da cara ter de ir correr à volta do campo ou fingir que sei jogar futebol. Voltar àqueles balneários teria a sua piada (a quantidade de discussões e guerras que ali se deram é perfeitamente memorável), mas fazer a aula era uma tortura. Acho foi das primeiras coisas que celebrei mal acabei o 12º: acabou aquela tortura!

Mas a verdade é que, se não quiser ficar uma bola, vou ter de tirar o rabinho da cadeira e fazer qualquer coisa pela vida - nem sequer tenho a desculpa do horário, que me concede um dia livre mais duas tardes para fazer o que bem quiser da vida. Por isso tenho de pensar bem no que vou fazer. Não sei se volte para a natação ou experimente outra coisa qualquer. Fazer surf continua a ser algo que me apetece, mas acho que não tenho força de vontade e à vontade para ir para uma escola aprender; para além disso, no inverno o mar é gelado e é algo que se pode considerar minimamente perigoso, portanto acho que ainda não vai ser desta. Alguém tem sugestões porreiras para alguém que não gosta particularmente de fazer desporto nem tenha muito jeito? Vocês não levantam o bufunfo das cadeiras ou fazem alguma coisa gira para se manter em forma?

24
Set13

Falta de tecido ou estupidez natural por parte dos estilistas?

Carolina

Irrita-me um bocadinho eu ir a uma loja à procura de camisolas e 80% das peças que encontro me ficarem a meio do tronco. Qual é a parte que não percebem, hun?

 

1. Há pessoas que não têm corpo para aquilo.

2. Há pessoas que não gostam daquilo.

3. Há pessoas que têm frio neste mundo.

4. Há pessoas que querem comprar roupa e não podem porque os modelos parecem ser feitos para tamanho de criança.

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