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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

03
Dez16

Sobre a publicidade em blogs alheios (e neste em particular)

Carolina

Há dias escrevi um post onde já se vislumbrava um pouquinho sobre os meus pensamentos sobre a publicidade em blogs, mas na altura não era esse o tema principal. Hoje é. É um assunto que eu sinto necessidade de falar, porque sinceramente tenho ideia de que se mente e finge muito por essa blogosfera fora - e se há coisa que eu quero ser é sincera e genuína, tanto para convosco como comigo própria.

A verdade é que eu já não me acredito em nada do que leio em blogs alheios, porque acho sempre que têm o dedo de marcas por detrás. Percebo que as empresas tenham visto nos blogs a oportunidade de promoverem melhor os seus produtos nesta plataforma, mas creio que quem fica a perder no meio disto tudo são muitas vezes os próprios bloggers, que ficam totalmente descredibilizados perante o olhar dos outros (principalmente os que fazem disto vida e cujas despesas são pagas com posts e parcerias comerciais). A culpa é nossa (aka bloggers), que nos deixamos corromper e aliciar por ofertas ou dinheiro em troca da nossa escrita e da confiança que demorou anos a conquistar - mas enfim, o dinheiro tem essa capacidade.

E não me perguntem como, mas eu topo à distância os posts que são patrocinados. Leio as duas primeiras linhas desse tipo de publicações e percebo logo que me estão a tentar impingir qualquer coisa - e acho que quem os escreve não se apercebe disso, tentando escrever exatamente da mesma forma e no mesmo estilo, com todas as graçolas e comparações... mas há algo que ali que foge do seu controlo e que eu deteto, não sei bem como. E é triste ver que os leitores estão a começar a ficar desgastados deste modelo, a afastar-se dos blogs à custa disto: porque a confiança se quebra, porque aquela pessoa que líamos para rir um bocado só nos quer impingir produtos à força e porque aqueles conselhos espetaculares que dava há uns anos agora têm todos notas por detrás. Entro muitas vezes nas caixas de comentários desses posts e vejo coisas como "já não escreves um post como antigamente há semanas", "nos últimos sete dias não publicaste nada que não fosse patrocinado". E sabem que mais? É a triste verdade. Quando, finalmente, essas pessoas escrevem alguma coisa que lhes sai da alma, os comentários também são sempre os mesmos: "ufa, afinal ainda existe aquela pessoa que eu lia há x anos!". 

E eu sinto necessidade de escrever sobre isto porque ando há vários meses a empurrar parcerias de publicidade com a barriga, sem saber o que fazer. Por um lado é bom para mim: é sinónimo de notoriedade, de que as coisas estão no caminho certo, embora eu nunca tenha tido nos planos (nem tenho!) fazer disto vida. Por outro, e sendo também eu leitora e estando farta de publicidade enganosa em tudo quanto é blog, fico de pé atrás. Porque, sinceramente, eu não estou aqui para enganar ninguém e tudo o que eu conquistei nos últimos 7 anos se deveu ao meu esforço, autenticidade e sinceridade para com quem me lê. Falo muitas vezes aqui de produtos mas nunca, em ocasião alguma, foram publicidades encapotadas ou coisas oferecidas pelas marcas; a rubrica "review da semana" seria, por exemplo, ideal para este tipo de coisas, mas tudo o que está lá saiu do meu próprio bolso e experiência, nada mais que isso.

Este blog tem diferentes objetivos: o primeiro é libertar-me dos meus fantasmas, fazer-me ficar mais leve e desabafar quando a alma está pesada; o segundo é treinar a escrita, escrever todos os dias, mesmo naqueles em que a "desinspiração" bate à porta e é preciso contraria-la; o terceiro é conquistar um público, perceber o que gosta e não gosta, para mais tarde - quando escrever um livro - saber o que esperar; o quarto é a interação com as pessoas, que está patente em todos os outros pontos e que se torna essencial a partir do momento em que já temos alguns leitores (hoje em dia é impensável para mim escrever num diário, porque não tenho ninguém a responder-me). E só depois de tudo isto é que vem a publicidade, o dinheiro e os produtos. No fundo, vem no fim de todas as minhas prioridades, porque este blog é muito mais do que qualquer coisa que me possam dar em troca e assume, hoje em dia, uma importância na minha vida difícil de qualificar. Nunca este espaço será mais publicidade que posts vindos do fundo da minha alma, nunca será politicamente correto, nunca dirá só bem. O Entre Parêntesis sou eu. Porque no meio dos meus muitos defeitos e algumas qualidades, destaco a autenticidade: e no dia em que isso acabar, o blog morreu. 

Algumas das marcas que me contactaram têm produtos que eu gosto, que se calhar até já tenho, uso e sobre os quais nunca escrevi. Outras nem por isso. Nenhuma delas teve resposta até agora, porque tenho andado a refletir sobre o assunto, e venho aqui anunciar as minhas conclusões, porque só assim acho justo para convosco (embora mau do ponto de vista comercial mas, como disse, essa é a parte menos importante): posso garantir que, como de costume, tudo o que lerem neste blog é sincero, desde as opiniões positivas às negativas. Este é um espaço meu, onde partilho aquilo que acho que vale a pena ser partilhado (ou criticado), e será sempre assim, até ao último dia - porque no dia em que não for, ficará desvirtuado e é preferível parar. Não quero e não vou viver disto - tenho muitos planos para mim e vários passam pela escrita, mas de livros -, por isso só aceitarei mostrar as coisas que de facto gostar e caberá às marcas terem confiança suficiente nos seus produtos para os colocarem à mercê de alguém que vai ser sincera (ou ficar calada, que também é uma opção). Todos os (poucos) posts feitos neste blog com a parceria de alguma marca serão devidamente identificados, sendo que as mesmas serão sempre avisadas que aquilo que aqui é escrito é sincero, independentemente se isso é bom ou mau para a reputação delas - e sim, isto vai fazer com que os potenciais convites sejam ainda menos do que os que são atualmente, mas só assim consigo dormir descansada com a minha consciência.

Desculpem o post longo, mas este era um esclarecimento que tinha de fazer se queria dar este passo aqui no estaminé. Obrigada pela paciência!

03
Dez16

E adormecer que é bom... nada

Carolina

Ando cansada, com os horários todos trocados. Agora tenho uma vida de "velha": deito-me cedo e acordo cedo e, muito sinceramente, é assim que gosto. Deixei a minha veia de notívaga nos tempos do secundário e agora prefiro usufruir de um dia cheio do que dormir até às 11 da manhã. 

Isto foi uma rotina que me obriguei a ter desde o início deste ano, quando comecei a estagiar. Percebi rapidamente que estar muitas horas seguidas em frente ao computador me desgastavam imenso e que precisava de dormir mais para compensar o cansaço mental; comecei a deitar-me gradualmente mais cedo até perceber que já não precisava de dormir durante a tarde para conseguir estar bem acordada e desperta. Atualmente mantenho a mesma tática - apesar de já estar habituada a estar muitas horas em frente ao PC, adoro deitar-me cedo e acordar naturalmente pouco depois do sol nascer - aliás, acordar sozinha às horas que preciso é o meu "sonho". Ainda para mais agora tenho o ginásio, que tento frequentar antes de ir trabalhar, o que me obriga a madrugar ainda mais que o costume, por isso as noitadas são impensáveis se não quero andar aí aos caídos.

Mas a semana passada apanhei um susto que me alterou todo o esquema e, desde aí, durmo menos e ando cansada, porque este corpo não é de pouco sustento ao nível das horas de sono. Passava pouco mais da uma da manhã e eu estava sozinha em casa (coisa raríssima), já deitadinha confortavelmente na minha cama, quando o alarme toca. Eu não tenho medo de estar sozinha, quer de dia quer de noite, mas também não sou pessoa de reagir: pelo contrário fico um bocadinho petrificada enquanto o meu cérebro gira a 300 à hora em busca de alternativas e soluções. E foi isso que aconteceu: passei de um sentimento de relaxamento total para um estado de alerta absoluto, como se me tivessem injetado gelo pelas veias. 

Fiz os procedimentos normais, mas sem nunca perceber se de facto estava a ser assaltada. Calcei umas botas, alarmei de novo a casa e sentei-me na cama, à espera de ter uma ideia genial sobre o que fazer... quando o alarme toca de novo. E aí não foi só o alarme que tocou mas também todas as sirenes de pânico no meu corpo, que me devem ter injetado uma quantidade absurda de adrenalina pelas veias. Chamei a polícia. Tornei a sentar-me à espera que eles chegassem - e pensava, pensava, pensava, enquanto ouvia o silêncio e tentava detetar quaisquer sinais de anormalidade. Estava tudo normal a não ser o meu batimento cardíaco, as minhas pernas e as minhas mãos, que tremiam qual estado gravíssimo de hipotermia. Racionalmente eu sabia que devia estar tudo bem: não havia sinais exteriores de que algo estivesse mal, mas o meu corpo não me deixava relaxar. 

A polícia veio, foi-se embora, eu deitei-me em total estado de vigia e o alarme toca outra vez. Desligo. E finalmente quando estou a conseguir relaxar, ainda sentada e com as luzes todas ligadas, o filho da mãe toca outra vez. Depois não tornou a tocar, mas tive um chorrilho de mensagens e telefonemas que não me deixaram dormir.

E desde esse dia que não consegui dormir decentemente. Quando adormeço até corre bem, mas o problema é mesmo chegar aí: agora não me apetece deitar com as galinhas, não quero estar na cama à espera que o sono chegue, naquele estado em que há uma semana fui arrancada tão violentamente. O meu cérebro uniu o sono àquele sentimento de susto que vivi naquela noite, de tal forma que eu agora não tenho vontade de ir dormir, por muito sono e cansaço que tenha. Estou a ver-me grega com isto e o meu sono, as minhas olheiras, os meus tiros ao ginásio e as minhas sestas durante a tarde são a prova disso.

 

P.S.: No final era tudo falso alarme, descansem. Eu também gostava de descansar se esta história me saísse da cabeça.

01
Dez16

Habemus árvore de Natal!

Carolina

1 de Dezembro, a suposta data "oficial" para decorar a casa com motivos natalícios. Eu sempre me opus veemente a isto, sou a personificação do ditado "o Natal é quando um homem quiser" (neste caso em modo mulher, mas vocês percebem) e mal cheira a Novembro começo logo a chatear a minha mãe para montarmos a árvore de Natal - e ela diz-me sempre que não, que a árvore se monta no primeiro dia de Dezembro e blablabla. Sim, meus amigos, toda a minha vida tem sido uma batalha - desde que me lembro de existir que choramingo todos os fins-de-semana de Novembro para montarmos a bendita árvore mas, quando o consigo, são só uns miseráveis dias antes do primeiro dia do último mês do ano.

Mas este ano foi diferente. Para minha surpresa foi a minha mãe a perguntar-me se queria montar a árvore, ainda faltava mais de uma semana para o dito dia "oficial" de montagens. Caiu-me o queixo e acedi de imediato, que não é todos os dias que me fazem uma oferta destas. Por acaso, e contra todas as expectativas, não montamos a árvore nesse dia: primeiro porque estava cheia de trabalho e segundo porque decidimos, finalmente, comprar uma árvore nova. Já há uns três anos que eu e a minha mãe discutíamos isto e que adiávamos devido aos preços ridículos das árvores de Natal. Mas este ano vi uma linda na Área e não consegui adiar mais: perdi a cabeça e o amor ao dinheiro, abri os cordões à bolsa e comprei uma nova, linda, com uns "meros" três metros de altura.

A outra já era alta e bonita, mas os dezasseis anos de uso já a estavam a deixar "depenada" - algo normal em árvores artificiais, mas que me desgostava a cada ano que passava. Eu adoro a árvore de Natal e a própria festividade em si - embora comece a perceber porquê que os mais velhos não gostem. Acho que por esta época ser festejada em família acaba por trazer memórias tristes, dos tempos e das pessoas que já passaram; eu própria já sinto isso e trago a reboque algumas memórias mais tristes de Natais menos felizes, mas quero contrariar-me ao máximo. Manter o espírito natalício em alta e, ainda para mais, ter uma árvore de Natal nova ajudou imenso.

E, para comemorar o "feito", filmei a montagem da dita. Não ficou tudo, até porque algumas coisas foram postas à posteriori, mas acho que dá para perceber a ideia. Uma árvore de três metros implica um escadote - e, pior, subir praticamente ao último degrau. Fiquei feliz por não ter vertigens (e ainda deu para fazer um treininho de pernas, ali no sobe e desce). No fim acho que ficou linda. Nós colocamo-la no centro do nosso jardim interior, fazendo com que seja visível em praticamente todas as divisões da casa - o que é giro por um lado mas que, por outro, não lhe dá aquela ar "acolhedor" durante o dia, pois está num sítio super iluminado. Acho sempre as árvores mais bonitas nas lojas, onde não há luz direta e natural, fazendo com que tudo fique com um aspeto mais "cozy" - mas isto é o que temos e, apesar de dia perder um pouco a piada, de noite fica lindo, lindo, lindo. 

Deixo o tal vídeo e umas fotos. 

P.S.: Já só faltam 23 dias!!!

 

 

 

 

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28
Nov16

O sonho que era passado e virou futuro

Carolina

A têxtil é quase uma mãe para mim. Viu-me crescer, fez-me crescer, ajudou-me a crescer. Desde que me conheço que percorria aqueles corredores compridos e alcatifados e fazia corridas imaginárias contra alguém, enquanto me sentava numa cadeira com rodinhas e deslizava por lá fora a uma velocidade que me parecia alucinante. Passeava-me por aquele piso verde sujo, por entre a fumarada típica de uma fábrica têxtil e de todo aquele barulho muitas vezes ensurdecedor que se fazia sentir nos armazéns e ia acenando aos funcionários que sabia pelo nome. Clicava nos botões das máquinas de embalar, arquivava as faturas por ordem alfabética, tingia as minhas missangas de madeira nos laboratórios, cortava as minhas amostras para fazer sacas e lanchava no refeitório um daqueles pastéis cheios de açúcar e porcarias, que pagava com os trocos que levava na minha carteirinha.

Nessa altura a crise começava a invadir o setor mas eu não o sentia: continuava feliz e contente naqueles corredores, fazendo a minha vidinha atarefada, por entre os tempos da escola e dos trabalhos de casa. Ouvia as discussões, as preocupações, os dramas, as reclamações, mas aquele universo fumarento nunca deixou de ser o meu paraíso. Quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande, e embora tenha passado por curtas (e loucas) fases onde a minha resposta era "professora de música" e "cabeleireira", dizia sempre o mesmo: quero vir para as fábricas. Até que um dia cresci e, por entre os tempos da escola e dos trabalhos de casa, já não dava para encaixar a minha pequenina vida de "industrial".

E crescer implicou perceber as coisas: ouvir todos os dias na televisão que empresas do ramo que me viu crescer fechavam, ver milhares de pessoas no olho da rua porque o trabalho fugiu para o outro lado do mundo, escutar as reflexões amarguradas do meu pai à mesa enquanto refletia naquilo que sempre foi a vida dele. E, no fim, ver deixar ir esse edifício que me viu crescer: esses corredores, os escritórios, o laboratório. Porque também nós não saímos impunes do fatalismo da têxtil. Eu, tal como a maior parte do país, fiz o funeral à área que me viu crescer e pousei o sonho na prateleira - para me poupar a dores, mais perdas e a um futuro sem futuro. Mas nunca deixei de sonhar.

Hoje a têxtil renasce aos pouquinhos, os números levantam de trimestre a trimestre. Eu (ainda) me encontro do outro lado da barricada: não a estou fazer crescer mas estou a fazer saber que ela está a crescer. Nos últimos meses tenho falado todos os dias com pessoas do setor, tenho dado e lido notícias sobre o que se melhor se faz em Portugal - e aquela flor que nasceu comigo e que tinha morrido há uns anos, embora eu a continuasse a regar, agora renasce. 

Há dias visitei uma fábrica que não conhecia e tenho a plena noção de que os meus olhos não olham para tudo aquilo como a maioria dos outros olhos. Naqueles carreirinhos de costureiras, que das suas mãos fazem nascer camisolas, casacos, vestidos e calças, eu só conseguia ver beleza. Em todo este processo que transforma pequenos tufinhos de algodão em fio, e do fio malha, e da malha roupa... eu só consigo ver magia.

Não sei explicar isto. Suspeito que seja o que um físico sente em relação à teoria da relatividade, que um pianista sente quando ouve Bach, que um arqueologista sente quando descobre um túmulo novo, que um investigador sente quando vê ao microscópio aquela partícula ínfima que não estava lá antes de ele pôr na plaquinha uma mistura qualquer. É um fascínio que cada um sente na sua área em específico mas que, aos outros, parece algo completamente irrelevante e incompreensível. Talvez seja um amor específico; o destino, o meu destino. Ou um sonho. Mas não há dúvidas que, depois de tudo isto, não há outro sítio onde eu deva estar. E aquilo que há uns anos achava ser passado, hoje tenho quase a certeza que vai ser o meu futuro. Estou em casa.

 

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27
Nov16

Índia na minha mira

Carolina

Acho que só este ano, depois do cruzeiro, é que percebi o quão gratificante é que para mim é viajar. 2016 foi um ano de crescimento brutal, em todos os sentidos, e sinto que aqueles oito dias no Báltico fizeram parte desta evolução, tão e simplesmente porque me apercebi de como tudo aquilo me fazia feliz. 2016 foi, de facto, o ano em que aprendi a ser feliz - uma aprendizagem que veio já desde o ano anterior mas que estou segura de que se consolidou até hoje.

Aliado às viagens tenho a fotografia, que ganha um peso cada vez maior na minha vida, ainda que bem devagarinho e sem se dar muito conta. Há dias via as minhas fotos de Istambul, onde fui há quatro anos, e pensei na quantidade de coisas lindas que vi e das "photo opportunities" que desperdicei. As fotografias que tenho dessa altura são tão más, tão más que dá vontade de chorar. E eu não quero, nunca mais!, que tal aconteça. Viajo para conhecer, viajo para ser feliz, mas hoje em dia também viajo para captar - e partilhar - as melhores imagens possíveis. É com muito orgulho que tenho algumas, tiradas no cruzeiro, que adoro de paixão e que considero francamente boas (se calhar, daqui a uns anos, vou detesta-las como detesto as da Turquia - a evolução tem destas coisas).

Neste momento todo o dinheiro que poupo é para viajar. Para acampar ou ficar num hotel de 5 estrelas, para o Gerês ou para a Austrália, para ir de avião ou barco, para andar com roupa chique ou biquini. Viajar com uma câmara na mão é tudo o que quero - e eu sei que tenho muito tempo para o fazer, mas sinto que o mundo é demasiado grande para eu esperar. Há muita coisa que está na minha agenda, algumas bem mais fáceis e acessíveis que outras, todas por razões diferentes. Uma delas, que tem vindo a ganhar cada vez mais dimensão, é ir à Índia. 

Isto é curioso porque, há dois anos para cá, eu não queria pôr um pé naquela terra. Ainda hoje não me atraem todas aquelas razões espirituais e o embate cultural - aliás, é mesmo das coisas que me afugenta - mas não estou a conseguir resistir àquelas cores, àqueles sítios, àquelas pessoas. Nunca iria sozinha e acho que dificilmente faria esta viagem sem um mentor, mas desde que fiz o curso de fotografia e conheci o meu professor, sinto que surgiu a oportunidade perfeita. Ele faz viagens guiadas, com um grande enfoque na fotografia, e isto tem tudo para ser a viagem perfeita. A viagem de uma vida.

Custa-me deixar passar as oportunidades, sempre com medo de confiar na vida e de deixar para o ano seguinte, nunca sabendo se tal vai de facto acontecer. Deixei este ano e, infelizmente, em 2017 também deverá ser uma oportunidade que me vai passar por entre os dedos. Primeiro porque são duas semanas, sendo que agora sou uma adulta e tenho dias de férias contados e segundo porque o pé de meia ainda não está assim tão recheado para me atirar de cabeça à "terra de Vasco da Gama".

Vou contentar-me com projetos mais pequenos e, esperemos, com um bombom no próximo verão. Mas a Índia não está esquecida, até porque a minha máquina fotográfica não me deixa esquecer. Preciso de captar aquela cor. E não demorará assim tanto como isso.

25
Nov16

Querido Pai Natal...

Carolina

Um mês para o Natal, whoooow! Adoro esta época do ano, já sabem como é especial para mim. Já tenho a minha árvore pronta a decorar, assim como 90% das prendas compradas e estou ansiosa por ter aquele cheirinho a canela espalhado pela sala e aquele nervoso miudinho de ter casa cheia, assim como as caras dos meus amigos e irmãos quando abrem as prendas. 

Vou poupar-vos ao paleio que tenho todos os anos sobre a troca de presentes - já sabem que adoro trocar prendas e por isso é que já quase há um mês que ando a tratar de comprar tudo para a minha família, porque são coisas que vêm dos quatro cantos do mundo. Adoro pensar em coisas especiais e giras para cada um deles, e tal exige tempo. Mas sei que nem todas as pessoas são assim - pelo contrário, há sempre aquela tendência de deixar tudo para a última da hora. Para além disso há aquela ideia instalada em relação a mim de que sou super difícil para arranjar prendas. Eu não acho, até penso que sou fácil de agradar e nada esquisita neste tipo de coisas. O simbolismo, para mim, é o mais importante - e não me lembro de não gostar de uma prenda de Natal que me tenham dado.

Ainda assim, e como isto já é um clássico, já todos me andam a perguntar quando é que lanço a minha lista de presentes de Natal. Eu sou uma sortuda e, hoje digo-o, sou feliz. Não preciso de nada. Mas gosto de receber prendas e de ser surpreendida, porque sou humana e no fundo todos gostamos de ser mimados. Como tal, deixo uma lista de coisas que gostava de receber. Se não tiverem tempo, dinheiro ou pachorra, também aceito meias - desde que sejam fofas e quentes, podem ficar descansados que não me vou insurgir contra esse clássico de Natal. E uso-as de certezinha.

 

Ah! Lanço isto na Black Friday porque há, de facto, descontos de bradar aos céus. Se quiserem aproveitar, muitas das lojas que menciono abaixo estão com preços super apetecíveis e simpáticos. Pus asterisco nas lojas que estão com promoções nestes produtos.

 

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1. Livro "O Labirinto dos Espíritos", do Carlos Ruiz Záfon. Deve ser um dos bestsellers desta época, por isso não é difícil encontrar. Também quero o "Eragon", que ando para ler a séculos - se quiserem dar uma ajudinha oferecendo-me, ficarei feliz.

2. As sapatilhas da HushPuppies de que falei aqui. O tempo passa e elas continua alojadinhas no meu coração.

3. *Brincos com pérolas. Estes são da Stone by Stone e são diferentes, mais descontraídos (aqui), mas também aceito aquela pérola clássica, para completar os looks mais sérios que agora uso com mais frequência.

4. *Anéis de prata da Stone by Stone. São a minha perdição, uso-os a todos, não marcam os dedos e são super em conta. Estes dois andam debaixo do meu olho há séculos e quero muito tê-los nos dedos. O meu tamanho é normalmente o mais pequeno de todos, tenho o dedo fininho. Aqui e aqui.

5. Roupa de desporto, em particular tops. Ando a precisar de motivação para ir ao ginásio e roupa nova e gira ajuda sempre. Esta é da sport-zone.

6. *Estojo. Ando sempre a trocar o estojo de uma mala para outra, por isso tenho a tendência para me esquecer. Queria um mais giro e compostinho e este da Bimba & Lola afigura-se uma boa opção. No entanto, pode ser outro qualquer - como já disse, não sou esquisita.

7. *Uma mala mais pequenina, não completamente formal e não completamente casual. Também não tem de ser da Bimba Y Lola, esta é só uma ideia. Aqui.

8. Por fim, esta lightbox que eu ando a namorar desde que a vi em Estocolmo. Já a vi em muitos sítios online à venda (como aqui), mas em loja só vi na Área. 

 

Fora da lista: livros, livros, livros (posso sempre trocar, respirem de alívio), pijamas, robes e mantas (preciso de uma gira para o escritório). Acho que está tudo - e já dei aqui uma ajuda valente. Queridos manos, não têm de quê 

23
Nov16

Review da semana 12#

Carolina

Nail Corrector Pen

 

Eu sou tão boa a pintar as unhas como a programar em javascript. Eu sei que nunca que viram a programar em javascript (agradeçam aos deuses!), mas eu dou-vos uma ideia: sou péssima. Por isso já estão a perceber o meu nível de perícia no que diz respeito à manicura.

Embora tente ir arranjar as mãos uma vez a cada dois meses (ou coisa assim parecida) para tirar peles e essas coisas todas, todas as outras vezes sou eu que pinto as unhas em casa. Podia não pintar, é um facto, mas a probabilidade de roer as ditas quando estão "limpas" é muito maior e este é um hábito que eu tenho feito um esforço enorme para deixar. Posto isto, e embora o meu jeito seja quase nulo, ponho em prática todos os meus dotes artísticos e muito amor de cada vez que saco dos vernizes.

É claro que, apesar dos meus esforços heroicos, fico sempre com cerca de meio centímetro pintado à volta de cada unha. No fundo, pinto quase tanto da unha como do dedo, mas vamos fingir que é tudo uma ilusão de óptica. Por isso, para dar os retoques "finais", encontrei a ferramenta ideal. No início molho um cotonete na acetona para tirar o excesso (pouquito, como imaginam) mas depois, nas zonas mais próximas da unha, utilizo o Nail Corrector Pen da Kiko. No fundo, tal como o nome diz, não passa de uma "caneta" de filtro, que lá dentro tem um removedor de verniz. Para além da ponta que já vem enfiada, a caneta tem mais três de substituição - é claro que, nas minhas mãos, para isto durar devia trazer pelo menos meia dúzia, mas tenho de me ajeitar com as quatro. Eu pinto tão mal as unhas que, logo na primeira utilização, sujo aquilo tudo e a ponta já fica quase imprópria para consumo, mas deixando secar, ainda dá para umas utilizações valentes. Acho que, para pessoas "normais", uma só caneta já deve dar para uns bons tempos.

E pronto, é este o meu "segredo" para unhas minimamente arranjadas e apresentáveis. É claro que não há milagres, nunca ficam perfeitas, mas pelo menos dá-se o jeitinho. A caneta custa 5,90 euros e está à venda nas lojas Kiko.

 

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22
Nov16

Momentos de mesa de cabeceira

Carolina

O momento em que em deito é, normalmente, um momento de reflexão do meu dia. Passo fases em que estou extremamente cansada e caio direta para um sono profundo, mas agora estou outra vez numa época em que, quando me deito, demoro um bocadinho a adormecer e penso em tudo um pouco. Como correu o meu dia, o que devia ter feito e não fiz, o que devia ter respondido naquela determinada discussão, o que vou comer no dia seguinte (sim, eu adoro comer)... de tudo um pouco. É aqui neste limbo entre o sono e o acordada que também escrevo mentalmente muitos dos meus textos e que tenho algumas ideias para temas para o blog.

Confesso que, antigamente, isto de estar na cama a pensar na vida me acontecia mais vezes, agora nem tanto. Ainda assim, quando acontece, tenho em muitas ocasiões a capacidade de me lembrar das coisas no dia seguinte. No entanto, quando acho que o meu texto imaginário está a fluir particularmente bem, lá tenho eu que sair daquele estado meio hipnótico, ligar a luz, abrir a cabeceira, pegar em papel e caneta e começar a escrever, para não ter o risco de ficar sem aquela tirada brilhante.

A minha irmã, sabendo disso, ofereceu-me há uns tempos um bloco de notas intitulado "Momentos de mesa de cabeceira", com muitas páginas com desenhos super giros e fofos, com espaço para escrevermos e desenharmos o que nos vai na alma antes de adormecermos ou logo depois de acordarmos. Só há um par de dias é que lhe dei uso, depois de sentir mesmo a necessidade de escrever um pedaço de texto que tinha na cabeça, mas não deixo de achar a ideia absolutamente genial. Acredito que não seja só eu que tenho boas ideias naquela fase pré-sono, por isso este livrinho preenche de facto uma necessidade, ainda que da forma mais querida que já vi (podia ser só um bloco branco e feio, mas é muito mais especial que isso).

Quando no outro dia o abri para escrever, lembrei-me que podia ser giro partilhar convosco, uma vez que muitas das pessoas que me lêem também escrevem. E já que o Natal está aí à porta, talvez seja um ideia gira. A minha irmã comprou-mo numa loja na Rua de Cedofeita mas, segundo as minhas pesquisas, penso que também existe na Fnac.

 

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21
Nov16

Eu, o frio e a minha luta anual com as roupas de inverno

Carolina

Eu sei que esta conversa já é velha e perdoem-me se for repetitiva... mas é que todos os Invernos eu dou de caras com peças ridículas e confesso que fico ofendida por as outras pessoas - comuns mortais de pele, osso e músculo como eu - não terem o frio que eu tenho.

Andava eu a passear na loja online da H&M e os meus olhos bateram nesta camisola (ver foto) que, por sinal, é super gira. Eu adoro camisolas com os ombros à mostra, tenho algumas em modo verão - onde de facto está calor para se ter os ombros nus! - mas, no Inverno...? Então nós temos frio nos braços, na barriga, no peito e os ombros andam ao léu? É que ainda por cima aquela zona do pescoço é das mais sensíveis e qualquer corrente de ar que ali passe é sempre equivalente a um frio polar. 

Eu sei, eu sei, eu sei... quem está na moda não tem frio. Mas eu continuo a não perceber porquê que se vendem tantas t-shirts no inverno como no verão, como é que as calças e muitas malhas não são mais quentes, como é que muita gente só anda aí com uma camada de roupa que muitas vezes não passa de uma camisa fininha e horrorosamente fria. As lojas, da estação quente para a estação fria, só ficam mais guarnecidas de casacos e de algumas - poucas - malhas quentes; de resto, o espólio mantém-se o mesmo, o que me choca um bocadinho.

Eu não entendo, mas juro que gostava - chego a esta época do ano e ando sempre à cata dos camisolões mais quentes e fofos, só quase para ficar com os olhos e o nariz de fora para não enregelar. Todos os anos travo esta luta contra o frio e contra todas estas lojas que ainda vivem num espírito quente (mesmo que esteja a nevar lá fora!) - e todos os anos perco.

Por falar nisso, até já levei uma mantinha para o trabalho, que no outro dia estava prestes a entrar em hipotermia. Imaginem-me no computador, no escritório, com uma mantinha pelas costas. Eu sei, sou uma velhota em espírito. E ainda querem que use camisolas descascadas como esta?!

 

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20
Nov16

Sim, eu gosto da Cristina Ferreira

Carolina

Não percebo o ódio crónico que muitas pessoas têm pela Cristina Ferreira. Se antes argumentavam dizendo que era "uma peixeira" ou tinha uma "voz esganiçada", hoje ficam aparvalhados com o seu sucesso e isso, só por si, já é uma boa razão para não gostarem dela.

Eu cá digo-vos uma coisa: eu admiro-a profundamente e olho para ela como uma inspiração. Ela é a materialização de um dos valores principais da minha vida: o trabalho. É a prova de que, trabalhando, se consegue atingir tudo, mesmo apanhando pedras pelo caminho - que as há, em qualquer dos trilhos que escolhamos para as nossas vidas. 

E isto não quer dizer que a adore, que veja o Você na TV, que leia o seu blog, que goste dos looks dela, que compre a revista. Pelo contrário: não gosto muitas vezes da roupa que escolhe, a veia histérica dela irrita-me um bocadinho, a revista que gere e dá o nome tem sempre uma componente sexual implícita que não me chama a atenção. Mas isso não quer dizer que não reconheça o trabalho árduo que ela tem e o do percurso magnífico que tem traçado nos últimos anos, como nunca nenhuma figura pública tinha feito em Portugal. 

Acho-a uma mulher inteligente, admirável, verdadeira, genuína e com olho para o negócio. E para além de ter conseguido tudo o que temos visto, há ainda outros pormenores interessantes que não são tão focados mas igualmente importantes. A forma exímia como gere a sua vida privada, por exemplo - nunca lhe vimos a mãe, o pai, o filho, a casa ou o local onde vive. Para alguém que tem os holofotes sempre em cima de si, isto é algo absolutamente heroico e de louvar. E eu percebo. Acho que quem tem sempre pessoas a olhar para si deve mesmo precisar de ter um refúgio onde não pairem olhos desconhecidos.

A gestão que ela tem feito de tudo isto, a forma como vai libertando novidades consecutivas, é por um lado inteligente e por outro arriscado. Cheguei a um ponto em que já não a podia ver à frente, ela era quase omnipresente: nas revistas, nos livros, na televisão, nos anúncios, na rádio, nos blogs, no facebook, no instagram. Achei que esta presença tão forte iria acabar por enjoar o público, tal como me enjoou a mim. Aparentemente, enganei-me. Ela continua aí, de vento em popa, a lançar coisas sempre com o fator "novidade" e "inusitado" associados. E, perante as evidências, só tenho de me render e aplaudir.

Ontem ela lançou o seu livro aqui no Porto, cidade que bem sabe receber. Mais um golpe inteligente. É claro que, tendo em conta todo o secretismo em que ela envolveu a sua vida pessoal, qualquer pessoa que simpatize com ela tem curiosidade (ou cusquice) e esperança de saber um pouco mais das suas raízes e da sua esfera privada. Eu confesso que folheei o livro no dia em que ele foi para as bancas e pareceu-me ser um simples livro de crónicas ou memórias, com uma escrita que aparenta ser mesmo ser dela (comparada com a do seu blog), que não é de todo má.

Eu não fui ao lançamento, que não sou dessas coisas e enchentes é coisa que me aflige, mas fica aqui descrita a minha admiração pública por esta miúda que conquistou Portugal. Não sei se vou ler o livro mas posso garantir que não tenho vergonha se o fizer, pois encaro-o como um conjunto de histórias de alguém que admiro e que é uma inspiração para alcançar sempre mais.

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