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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

17
Out17

Pompeia, um "cheirinho" da Roma Antiga

Carolina

Nápoles foi a penúltima paragem do cruzeiro que fiz em Julho (lembram-se? aquele sobre o qual eu disse que ia escrever mundos e fundos e ainda não escrevi nem metade do que queria e já estamos quase no fim do ano?). No entanto é uma cidade sobre o qual eu vos posso contar pouco ou nada. Porquê? Porque tal como já tinha escrito num outro post, um cruzeiro implica escolhas: e as horas que tínhamos em Nápoles eram reduzidas e as visitas guiadas em questão não eram brilhantes na oferta que proporcionavam. Podíamos ir a Pompeia e ao Vesúvio, mas não sobrava tempo para uma visita a Nápoles; o mesmo acontecia com Capri - era sair do nosso barco, entrar noutro para ir a Capri e voltar rapidinho, sem tempos para atrasos ou desvios - e apesar de eu querer muito conhecer esse sítio, a visita era tida como extenuante e o meu pai poderia não a conseguir fazer; a outra opção era ficar pela cidade, mas não conseguíamos ver mais nada nas redondezas e, segundo a maioria, Nápoles não é uma cidade tão bonita como outros ex-libris italianos (embora seja das maiores cidades de Itália). 

A nossa decisão acabou por recair sobre Pompeia, que fica a cerca de meia hora de carro do porto de Nápoles. Não queríamos ir ao Vesúvio e, se quiséssemos, também não poderíamos ir: devido à quantidade elevada de incêndios que existiam na altura, as visitas de turistas estavam interditas. Isto fez com que o nosso grupo fosse enorme, uma vez que se juntaram as visitas de Pompeia com aquelas que iam também ao vulcão, o que não ajudou particularmente. Pompeia é gigante, muito ainda está por escavar e descobrir, mas a quantidade de visitantes é proporcional ao seu tamanho: são aos milhares e milhares de cada vez. É muito fácil perdermo-nos do grupo enquanto tiramos uma foto ou quando desaceleramos para termos mais cuidado a andar num sítio qualquer, por isso toda a atenção é pouca.

A nossa visita durou umas três horas - o que só dá para ver uma ínfima parte do local - mas, mesmo assim, foi bastante dura. Estava um calor abrasador (talvez o mais intenso de toda a viagem) e o facto de sermos um grupo de 50 pessoas, de estarmos rodeados de outro grupos (inclusivamente de outros barcos, com placas e números iguais aos nossos), algumas ruas serem muito estreitas, sem sombras, com degraus enormes e o chão completamente desnivelado não ajudaram.

Começámos por entrar numa oficina de camafeus, que existia à entrada das ruínas. É um negócio típico daquela zona e é apenas uma forma de nos arrancar ainda mais euros do bolso. Há, de facto, peças incríveis - mas também muito caras. Como típicos italianos dão descontos, regateiam os preços, mas eu resisti à tentação de trazer algo para casa - até porque quanto mais pequenas são as peças, mais caras se tornam, porque o nível de trabalho e de pormenor são maiores. Logo à entrada vimos um artesão a fazê-los, como podem ver na foto abaixo.

 

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Artesão a esculpir o camafeu

 

Para quem não conhece, uma breve contextualização: Pompeia era uma cidade do império Romano que, no ano 79, foi totalmente destruída devido a uma erupção do Vesúvio. Só no século XVIII é que se descobriu a cidade soterrada e começaram as primeiras escavações que, até agora, resultaram no que está à vista de todos: um conjunto enorme de ruínas, objetos, vestígios e corpos desse tempo, que se mantiveram intactos e conservados no meio da lava e das poeiras. 

A nossa guia era muito simpática e energéca, mas eu tento sempre pôr um filtro em quase tudo o que ela (e os outros) dizia. Ela contava-nos o que é que se faziam naqueles espaços, muito detalhadamente, e eu pergunto-me sempre se de facto as coisas eram mesmo assim. De qualquer das formas, tudo o que aqui escrevo foi o resultado daquilo que ela nos disse. Para começar, ela adiantou-nos que para ver bem Pompeia eram necessários dois dias - nós vimos o que pudemos em três horas. Abaixo podem ver o campo onde os lutadores/gladiadores treinavam - os pilares e algumas paredes estavam em bom estado de conservação.

 

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Praça de treinos

 

Uma das coisas comuns em ruínas romanas eram os banhos. Também em Pompeia se via bem o espaço dedicado à limpeza e relaxamento das pessoas, inclusivamente com aquilo que ela chamou de "balneários". Estas zonas estavam cobertas de mármores que, já não me recordo bem quando, foram pilhadas e utilizadas em palácios.

 

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Atrás de mim estão "os cacifos", que serviam para guardas as roupas

 

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Banhos romanos

 

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O teto e uma janela - onde existia vidro, algo raro para a época - também na zona dos balneários

 

Não sei como é que funcionam as visitas sem guia, mas eu não aconselho. É provavelmente oferecido um mapa, mas aquilo é tão grande - aliás, é uma cidade, basta dizer isso - que é muito fácil perdermo-nos e tudo parecer igual (que é). É necessário estar com alguém que conhece para nos despertar a atenção para alguns pormenores muito interessantes e nos fazer ver certas coisas que, a olho nu, seriam só mais um conjunto de pedras.

 

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Uma das ruas de Pompeia

 

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 Aqui conseguem ver-se as marcas deixadas no chão pelos carros de mercadorias que andavam nas ruas principais de Pompeia, que mostram o grande movimento que havia nas principais ruas da cidade

 

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Não resisti a tirar uma foto estilo Beatles, versão pedras-de-Pompeia em vez de passadeira-em-Liverpool

 

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Uma padaria, onde se percebem claramente para que servem todas estruturas: à esquerda, o forno; no centro, uma mó, para fazer farinha, que era geralmente movimentada por burros, que andavam ali às voltas

 

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Uma casa de banho pública - e sim, aqueles calhaus são sanitas

 

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 Numa das ruas, onde uma arcada permaneceu intacta

 

Existe também a possibilidade de visitar o interior de uma ou outra casa. Um desses espaços - diria eu, o mais "polémico" - é o bordel. Segundo o que nos disseram, Pompeia era uma cidade onde se faziam inúmeras trocas comerciais, por isso ia lá gente de todo o mundo, que não falava latim. O bordel era um sítio popular entre os negociantes de outros países e as prostitutas comunicavam com eles através de imagens que estavam pintadas nas paredes, sobre as posições que cada um queria assumir - pinturas essas que ainda podem ser vistas. Dá também para ver os quartos, com camas de pedra que deviam ser deveras confortáveis, e também o quarto de banho, onde elas se lavavam. O caminho para o bordel estava indicado nas ruas com pénis esculpidos no chão ou nas paredes. Os símbolos fálicos eram muito comuns na altura e eram tidos como amuletos da sorte e de fertilidade - mas, pelos vistos, neste caso específico, diziam mesmo respeito aos caminhos para fazer os homens mais felizes ;)

Outro dos locais que se pode visitar é a Casa da Pequena Fonte - um espaço que teria dois andares, onde se incluía o tal terraço com a fonte (muito bonito, cheio de desenhos tanto nas paredes como no chão, feitos através de pequenos mosaicos - um pouco à semelhança do que se vê em Conímbriga). A estrutura da casa não é muito percetível, mas com a explicação da guia consegue-se imaginar bem onde seriam os quartos, a sala ou a casa de banho. 

Um detalhe importante: havia canalização em algumas ruas! Há coisas inacreditáveis na civilização romana e ainda se conseguem ver os canos de água que passavam nas ruas, em direção às casas.

 

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Uma das pinturas presentes nas paredes do bordel

 

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Um dos quartos do bordel

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Na Casa da Pequena Fonte

 

Uma das zonas mais movimentadas de Pompeia é a praça central - uma coisa enorme, cheia de pilares, que dá para perceber a imponência daquilo que foi a cidade. É lá que está também um dos sítios que tem sempre mais gente: o local onde estão os corpos "petrificados". Na verdade, só um dos exemplares que lá está é que é real - todos os outros (e serão uns cinco, ao todo - onde se inclui um cão, um velho e uma criança) são réplicas das "carcaças" que foram encontradas nas ruínas. Não é nada que impressione, não há sangue ou algo semelhante a vivo ali, até porque se não olharmos com atenção nem percebemos bem do que se trata - a única coisa que pode chocar são as posições em que os corpos se encontram, claramente em forma de sofrimento. É muito difícil sequer de imaginar o que é ver uma quantidade imensa de lava a vir na nossa direção e sabermos que a morte é a única saída.

 

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Na praça central

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A praça central (se bem me recordo, a estátua não é da Roma Antiga)

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O cão petrificado

 

Perguntam-me várias vezes se a ida a Pompeia vale a pena. Eu digo o seguinte: depende. Depende dos gostos de cada um, no interesse em história antiga. A visita a esta cidade é um injeção de conhecimentos (ou supostos conhecimentos, lá está) sobre a forma de vida da Roma Antiga e é de facto incrível ver tudo o que tinham para a época. Nós achamo-nos muito evoluídos, mas por vezes esquecemo-nos que já naquela época eles tinham sistemas de canalização e outras "tecnologias" que nos deixam de queixo caído. Mas se a visita não for bem feita, se não tiverem alguém que de facto perceba do assunto ou conheça Pompeia ou se simplesmente não se interessam por estes temas, talvez não valha a pena. As opiniões dividem-se mas, pessoalmente, gostei. Tive pena que o nosso grupo fosse tão grande e estivesse tanto calor - penso que fora dos meses da época alta a visita seja incomparavelmente mais agradável, por isso tentem ter isso em conta se estão a ponderar uma ida lá.

Quando voltamos a Nápoles, e apesar de ainda faltarem um par de horas para sairmos do porto, fomos para o barco. Olhando de fora, eu sei que isto parece um desperdício: estar numa cidade e não aproveitar para a visitar. Eu própria penso assim - e dou o litro sempre que viajo - mas, também por isso, chego a um ponto em que estou toda rota. Aqui já estava com mais de uma semana de cruzeiro no lombo, cheia de horários trocados e duros, assim como muitos quilómetros nas pernas - e o calor matou-me, não podia com um gato pelo rabo. Aproveitei para dormir uma sesta, fazer a mala (que tinham de ser entregues antes do jantar - só as vimos no dia seguinte, quando saímos do barco) e preparar-me para o dia seguinte, onde faríamos uma paragem hiper-rápida e resumida em Roma.

 

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 À saída, uma das escavações ainda a decorrer

16
Out17

Pedrogão Grande all over again? (E sobre quando agradecer não chega)

Carolina

Este ano o meu campismo de família foi em Oleiros. Na altura era minha intenção escrever sobre o assunto, contar como foi, como correu, como era o sítio... mas, tal como tantos outros assuntos, ficou por dissecar. Mas há algo essencial neste nosso último acampamento - para além das peripécias e do convívio: os fogos.

Estivemos para não ir. No dia anterior à nossa partida, Oleiros estava todo a arder e nós não nos queríamos meter na boca do lobo. Fiz muitas pesquisas, passei a vida no site da proteção civil a ver a situação, o número de homens no terreno, as estradas cortadas, os quilómetros que separavam o parque de campismo do epicentro do fogo. Depois de muito ponderarmos, fomos. 

Pelo caminho passamos por Pedrogão Grande, na estrada paralela àquela onde morreram tantas pessoas. Só mais tarde, relaxados no parque de campismo, é que falamos sobre o assunto, mas enquanto nos fazíamos à estrada, todos pensamos o mesmo: "ainda bem que não vamos passar pela EN236". Foi curioso termos todos partilhado, individualmente, este sentimento. Nem era pelo medo que nos acontecesse o mesmo a nós - era improvável que no espaço de um mês acontecesse a mesma tragédia, no mesmo local - mas sim pelo espírito que, inevitavelmente, está colado àquela estrada. As vidas que roubou. O desespero com que ficou marcado. A tragédia que estará escrita na história. Naqueles largos minutos em que atravessamos Pedrogão, que em vez de verde estava negro (não só na alma), enquanto os pelos se eriçavam na pele perante uma nuvem de fumo tal que parecia uma montanha escura, nenhum de nós disse nada: mas todos pensamos o mesmo.

Quanto chegamos ao parque de campismo, estávamos sozinhos: foi o meu irmão, que já lá estava desde a noite anterior, que nos recebeu e que tinha a chave do portão. Desde de manhã que o parque estava "abandonado". Estranhamos, rímo-nos, gozamos com a situação - e só mais tarde, já quando estava a cair o dia e elas apareceram (ainda fardadas), é que percebemos porquê. As raparigas que tomavam conta do parque eram também bombeiras voluntárias - e passaram o dia inteiro a trabalhar nos incêndios que nos rodeavam. 

Nós estávamos seguros, o parque tinha um plano de evacuação e tínhamos o rio a dois minutos a pé, assim como a vila a uma curta distância de carro, mas na primeira manhã acordamos com o coração nas mãos - e a pele a gelar. É seguro dizer que passamos, provavelmente, o maior frio das nossas vidas - vi as minhas tias de lábios roxos, a tremer como varas verdes e com os dentes a ranger por todo o lado; tentávamos aquecer-nos como podíamos, entre banhos quentes, muitos sacos-cama (os que tínhamos), ligar a luz que usamos à noite para aquecer as mãos. De dia estiveram 30 graus, à noite penso que os termómetros chegaram aos três. E ninguém - ninguém! - conseguiu dormir perante aquele gelo. Essa manhã foi a única em que sentimos o fumo e as faúlhas - e penso que foram os incêndios, a par de um fenómeno meteorológico qualquer - que provocaram aquele frio. A nuvem era tão alta, tão espessa, tão grande que o sol simplesmente não passava: eram dez da manhã e continuava o mesmo gelo que estava às sete, porque o sol simplesmente não chegava até nós.

Depois de passado este episódio, as raparigas foram-nos sempre mantendo ao correntes do estado dos incêndios (na altura eram três e, ao todo, contavam com cerca de 1500 homens). Sempre que íamos à vila passávamos por dezenas de carros de bombeiros, vindos claramente de todos os pontos do país, e interiormente só queríamos que aquilo passasse. Não queríamos que a história de Pedrogão Grande se repetisse. Até as pessoas mais velhas (normalmente sempre a dizer aos mais novos para largar os telemóveis) estavam sempre a confirmar nos sites de fogos se as coisas já tinham aliviado. Foi um aperto. Vivemos em áreas urbanas, felizmente não sabemos o que é o desespero de quem está prestes a perder tudo, mas estar ali ao lado dá-nos outra dimensão daquele fenómeno aterrador.

Quando soube que a rapariga que nos atendia era bombeira, disse-lhe: "obrigada pelo seu serviço". Ela ficou a olhar para mim, muito confusa, porque este não é claramente um costume português. Mas o que fazer perante aquela situação, de alguém que está à nossa frente e disponibiliza o seu tempo, saúde e eventualmente vida para salvar os outros? Só me ocorreu agradecer, mesmo sabendo que um "obrigado" não é o suficiente para explicar o que estes homens e mulheres fazem pelas vidas dos outros.

 

("Não queríamos que a história de Pedrogão Grande se repetisse", escrevi eu. À altura deste post, já onze mortos confirmados - não só numa região, mas em vários pontos do país. Revolta é a palavra certa).

13
Out17

Quando ter o cabelo longo é um ato de rebeldia

Carolina

Eu sinto que sempre tive o cabelo curto. Não é verdade. Quando criei este blog ainda o tinha todo despenteado e rebelde quase até meio das costas - mas, quando algures no final de 2011, o decidi cortar, senti que de alguma forma tinha controlo sobre a minha vida. Tal como milhões de mulheres, também eu detestava a ideia de ir cortar o cabelo - sempre "só para aparar as pontas" - com o eterno medo da perspetiva de sair de lá com menos três dedos de crina. Mas no momento em que eu pedi à cabeleireira para cortar não dois dedos mas sim dois palmos de cabelo, foi uma sensação de liberdade, independência e rebeldia incríveis. Essa mudança mudou-me - e eu gostei tanto, tanto que repeti-a vezes sem conta.

Hoje olho para trás e percebo que de todas as vezes que cortei o cabelo tinha a esperança secreta de me sentir como me senti naquele dia de 2011, altura em que passava uma das piores fase da minha vida até agora. Mas nunca foi igual: acabou-se o efeito surpresa, acabou-se o choque das pessoas por todo o lado onde passava, acabou-se a novidade - que deu lugar ao hábito. De tal forma que as pessoas, quando me vêem com o cabelo comprido conforme estou atualmente, ficam a olhar para mim, espantadas: "estás com o cabelo enorme!", dizem. 

Para mim, eu só passei a ser mesmo "eu" quando tive cabelo curto - porque falei tanto sobre o assunto, gostei tanto da mudança, que acabou por fazer parte de mim. É um estado de espírito, quase uma forma de estar na vida (que, curiosamente, acaba por não ter muito que ver com a vida que levo, mas enfim), uma imagem de marca. 

Mas a verdade é que nos últimos anos cortei tantas vezes o cabelo - de todas as vezes curto, mas quase sempre de formas diferentes - que me cansei um bocadinho: e, confesso, chegava a um ponto em que não gostava de me ver. E isto é estúpido, mas eu sentia uma espécie de batalha interior: eu queria gostar daquele cabelo, achava que era o que combinava comigo, mas quando olhava para o espelho achava que não estava bem, que tornava a minha cara mais redonda e gorda e, nesses momentos, pensava para comigo "tão cedo não volto a corta-lo". Depois acabava por ceder, até porque deixei de ter paciência para cuidar e secar cabelos cumpridos. Mas o bichinho estava lá.

E se há coisa que eu tenho é boa memória. Eu não me esqueço. E durante este ano, de todas as vezes em que o cabelo me fazia comichão nas costas ou me ia para a frente dos olhos e eu, por instinto, pensava "tenho de ir ao cabeleireiro", o meu outro lado tentava apaziguar essas ganas de ir à tesoura e lembrar-me de tudo aquilo que tinha sentido pouco depois de cortar o cabelo das últimas vezes. E os meses foram passando. E passou um ano desde a última vez que cortei o cabelo. Abaixo, na foto, podem ver as diferenças: do lado esquerdo, o estado da minha "crina" no dia 13 de Outubro de 2016; à direita, o seu estado nos dias de hoje (e sim, a repetição do cenário e da roupa foi propositado).

 

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É natural que, um ano depois, as pontas já estejam todas espigadas e o cabelo menos saudável. Tenho feito o meu melhor, mas a vantagem dos cabelos curtos também é essa: parecem sempre mais saudáveis, mais cuidados (ou, pelo menos, na maioria dos casos). E está a acontecer algo que já há muitos anos não me acontecia: estou com o cabelo enorme e a precisar verdadeiramente de ser cortado. A questão é: quanto é que corto? 

Tenho-o deixado crescer por objetivos vários: primeiro porque queria fazer tranças no verão (não fiz), segundo porque queria te-lo longo para poder fazer uns penteados em algumas festas que sabia que ia ter agora no final do ano (também não fiz) e, finalmente, porque tenho gostado da sensação de o ter longo. É estranho já não ser a única rapariga de cabelo curto na sala, é estranho não ter um corte definido, é estranho já não estar a pensar o próximo, é estranho este "desleixe" que tenho vindo a criticar nos últimos anos mas que me tem sabido bem. Acho que o vou deixar assim até me voltar a apetecer "ser eu" outra vez. No fundo, ter o cabelo cumprido é uma ação tão radical como aquela que eu fiz em 2011. E, às vezes, radical é bom.

 

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12
Out17

Ir ao ginásio é uma autêntica montanha-russa

Carolina

Eu admiro profundamente quem vai ao ginásio e gosta. Porque ter a força de vontade de ir ao ginásio de forma regular já é algo louvável, mas gostar de lá ir é todo um outro nível. E sim, fala-vos a voz da inveja. Porque embora eu não tenha grande vontade de ir ao ginásio, lá vou aparecendo... mas gostar de lá ir é algo que eu queria mesmo ser capaz. Queria tanto, tanto, tanto sair de lá e dizer "uf, mal posso esperar por cá vir amanhã!". Mas não é isso que acontece.

Não é possível explicar os meus sentimentos em relação a este espaço de uma forma sucinta. Numa só hora eu passo por uma série de estados emocionais, que não fazem de mim uma bipolar mas sim algo parecido com uma tripolar, quadripolar ou, até talvez, pentapolar. Quando entro, apesar de ter pouca vontade, vou esperançosa; quando começa a aula e eu percebo que até consigo fazer os exercícios e estou cheia de energia, sobe em mim todo um entusiasmo exagerado e durante vinte e dois segundos passam pela minha cabeça coisas utópicas como "é este ano que eu vou ficar em forma!" ou "isto está a correr mesmo muito bem"; depois as minhas pernas começam a tremer como varas verdes e eu começo a vacilar, a sentir que não sou capaz, e na escala emocional eu já estou num seis em dez, algo pouco positivo; entretanto chega aquele exercício que já repetimos quatro vezes, que tem vindo a aumentar de dificuldade, e eu já não consigo mesmo mais e sou obrigada a parar - e eu detesto parar, mostrar parte fraca - e a escala emocional começa a subir por ali acima e eu só quero chorar por não conseguir; a cinco minutos do fim, quando o professor diz "só faltam mais duas séries!", todo entusiasmado enquanto eu já escorro suor pelas orelhas e estou mais vermelha que um tomate maduro, só quero atirar-me para o chão como uma criança birrenta e perguntar "porquê que o tempo não passa? como é que eu me meti nisto? porquê que eu voltei a fazer esta aula?!"; só quando saio do ginásio, ainda com as hormonas e as emoções aos saltos, é que penso "ao menos já posso comer mais um bocadinho" e a coisa ameniza. 

Sei que o que me dá força para continuar é, de facto, a ideia de poder comer e não me sentir balofa - e ter um gym buddy, a minha tia, que me dá força para ir a estas aulas do demónio, que eu só faria uma vez na vida se alguém não me convencesse a voltar. Para além de que eu tenho uma característica que detesto - e que até me assusta - bastante: se me olhar ao espelho depois de ir ao ginásio, acho que a imagem que vejo é muito mais simpática do que num dia que não vá ou, pior, em que tenha feito não sei quantas asneiras alimentares ao longo do dia. E eu sei que isto é psicológico, porque as diferenças não são imediatas, e porque eu sou relativamente estável a todos os níveis: peso (mais do que queria), flacidez (claramente demasiada) e forma física (de uma fora geral: lontra).

Mas enfim, fico sinceramente orgulhosa de mim por, apesar desta autêntica montanha russa de sentimentos, continuar a ir. Acho que ainda não tinha dado a boa nova sobre o meu retorno (ou, pelo menos, tentativa) à vida saudável - que, para além do ginásio, inclui até marmitas ao lanche, a minha maçã cozida, proteínas sem hidratos ao jantar e essas coisas todas -, e estou a empenhar-me seriamente para fazer disto a rotina e não a excepção. Lembro-me perfeitamente de que o ano em que me senti melhor, a todos os níveis (tanto físico como psicológico), foi quando fazia exercício e tinha mão na minha alimentação, por isso estou a fazer um esforço para voltar - tendo em conta que a minha tentativa o ano passado, no ginásio perto do trabalho, foi um flop mais do que gigante (ao ponto de eu até ter vergonha de o mencionar ou sequer de o lembrar...).

Entretanto, ter o bullet journal também tem sido um incentivo: uma das minhas métricas é a contabilidade das idas ao ginásio, por isso é giro (e bom) monitorizar quando lá vou. É fácil perceber quando me baldei (e recriminar-me por isso) ou então ver semanas onde me empenhei (e ficar feliz). Acho que para quem é como eu, é uma boa dica para não faltarem. E pronto, vamos ver até quando dura a boa vontade e a vida de lontra não vem ao de cima. Se isto sobreviver ao Natal, sou uma mulher feliz.

10
Out17

Há um equilíbrio possível entre o turismo e as gentes da cidade?

Carolina

O meu facebook está inundado com uma notícia sobre um alfarrabista portuense que foi despejado do local onde estava há quase duas décadas, na Rua das Flores, aqui no Porto. A razão? O prédio foi vendido e querem pô-lo fora para fazer render o peixe. Para quem não conhece, a Rua das Flores é atualmente uma das mais movimentadas da cidade, cheia de lojas, restaurantes, bares e tasquinhas - a maioria vocacionadas para turistas, como é óbvio. É uma rua pedonal que, como quase todas as ruas, estava deserta há pouco mais de cinco anos. Hoje em dia desenvolveu-se de tal forma que, por vezes, não se consegue andar normalmente sem atropelarmos meio mundo e a calcarmos outro meio.

Há duas posições que quero deixar aqui claras: a primeira é a minha "admiração" perante um feed de facebook tão culto e intelectual. Eu não conheço o alfarrabista em questão, mas aparentemente toda a gente o conhece - ou, pelo menos, finge que conhece (esse e muitos outros...)! A verdade é que eu, que adoro livros, raramente entro em lojas deste género - não sei bem explicar porquê, mas sinto que há um maior sentimento de pertença por parte dos donos e por isso sinto-me um pouco "vigiada", não sei explicar. Por outro lado também sinto que está tudo mais apertado, é mais difícil encontrar o que quer que seja, por isso desisto com facilidade de encontrar algo que me agrade. Ou seja, surpreende-me que eu, que gosto de ler, não conheça estes sítios mas metade do facebook sim. Mas ainda bem, é sinal de que somos todos muito cultos e que queremos que a cidade continue super intelectual (cof cof cof).

A segunda questão que quero deixar evidente é que, como é óbvio, não apoio este tipo de atos. Tenho muita, muita pena que o comércio local esteja a desaparecer e a dar a vez a lojas de souvernirs, Nut's e coisas do género - porque eram essas lojas que também faziam do Porto, o Porto e o seu desaparecimento é também o esquecimento de uma identidade muito própria e muito nossa, com a qual me identifico quando digo que sou "uma mulher do norte". Mas a hipocrisia que se vive nas redes sociais é coisa para me irritar. Porque a verdade é esta: se o alfarrabista em questão fosse um sucesso, se vendesse imensos livros, não tinha de sair, porque provavelmente conseguiria pagar a renda pedida pelos novos donos - ainda que seja provavelmente absurda, dado os preços impossíveis que se praticam hoje em dia na cidade.

Mas não vende. Porque nós queremos as lojas lá, porque são bonitas, porque fazem parte da nossa identidade, mas não as apoiamos, não compramos lá coisas - e eu contra mim falo, como se leu acima. Porque nós somos práticos e preferimos mandar vir os livros da net, onde muitas vezes podemos ler o primeiro capítulo do livro que nos interessa sem estarmos a ocupar o corredor de uma loja e ter a obra em mãos em dois dias úteis sem termos levantado o rabo da cadeira. Porque nós adoramos as lojas de ferragens ali na zona de Ceuta, mas quando precisamos de uns parafusos vamos ao Leroy Merlin, onde até aproveitamos para comprar o tapete da casa de banho que fazia falta. Porque nós achamos imensa graça aos joelheiros na baixa do Porto, mas quando precisamos de um anel para oferecer às nossas mães vamos ao NorteShopping porque há mais variedade. Porque nós gostamos imenso daquele tasco na Rua dos Caldeireiros, mas arranjar estacionamento lá é uma loucura e por isso preferimos ir ao Madureira's que oferece o bilhete do parque lá ao lado. Porque nós simpatizamos com a senhora da frutaria ali ao pé do trabalho, mas esta semana o Continente está com 15% na secção de fruta fresca por isso temos de ir aproveitar. Porque aquelas lojas de artigos em segunda mão na Rua do Almada também têm boas pechinchas... mas para quê comprar um armário que ainda vamos ter de lixar, limpar, pintar e envernizar quando podemos comprar um no IKEA pelo mesmo preço? 

É muito fácil criticar o estado, o governo e as políticas quando somos incapazes de olhar para o nosso próprio umbigo. As coisas não acontecem por acaso e a evolução que estamos a assistir não aconteceu só graças aos estrangeiros, mas também por nossa causa. As gerações mudaram, as necessidades e os hábitos são outros. Nas redes sociais e nos blogs pede-se mudança, uma política que proteja os habitantes das cidades - e, meus amigos, eu compreendo e concordo! Principalmente quando demoro meia hora a percorrer um quilómetro de carro na baixa, só porque a afluência de turistas a passar nas passadeiras é de tal forma que não dá folga para os veículos circularem. Mas não se pode ter tudo. E eu acho que, neste caso em particular, não há um equilíbrio - havemos de ter passado por ele no meio de todo este processo, mas há muito que a balança se desequilibrou. Porque isto é um ciclo vicioso difícil de quebrar: o turismo gera emprego, algo que nós precisamos de como pão para a boca; o crescimento do emprego faz dinamizar a economia, que por si só atrai investimento e por aí fora. E o dinheiro, como quase sempre, está primeiro que as pessoas. É "apenas" o mal estar de alguns, enquanto muitos outros esfregam a barriga de contentes. E enquanto forem mais os que estão contentes do que aqueles que são despejados, que são obrigados a ir viver nos suburbios ou os que não conseguem dinheiro para uma renda, as coisas vão continuar assim. 

Eu amo a minha cidade e adoro vê-la dinamizada - já disse aqui várias vezes que me lembro de ver o Porto morto, deserto e de ficar triste ao ver aquele cenário. Mas sabem: mesmo aí, as coisas estavam prestes a fechar. Porque nessa altura, nem nós comprávamos no comércio de rua, nem os turistas - porque eles simplesmente não existiam. E por isso é ainda mais difícil comparar esses tempos com os atuais, decidir o que é melhor para nós enquanto habitantes.

O ideal era ter o melhor de dois mundos: sermos o melhor destino Europeu, mas impedir grandes franchisings de vir para cá ganhar dinheiro; aumentarmos a qualidade de vida, mas não sermos confrontados com rendas e preços impraticáveis dentro da nossa própria cidade; mantermos vivo o tradicional, mas preferindo usufruir das novas tecnologias e do conforto. Mas, para já, os milagres ainda não existem. E uma coisa é certa: todo este problema não se vai resolver enquanto olharmos para ele com olhos hipócritas, como todos nós não estivessemos também a usufruir ou a contribuir - um bocadinho que seja! - para este fenómeno.

09
Out17

A questão: como acabar com o molenguice durante a tarde?

Carolina

Sou uma pessoa muito mais dinâmica e produtiva de manhã do que de tarde. Juro: a diferença é abismal. De manhã sou capaz de fazer tudo, às vezes nem me lembro de comer, trabalho desde que me sento no escritório até à hora de almoço. À tarde é todo um drama: fico cansada, tenho sono, a minha produtividade cai a pique.

Tenho a sorte de ter um horário muito liberal e por isso, apercebendo-me disto, comecei a ir trabalhar mais cedo, de forma a fazer mais coisas no período da manhã do que de tarde. Mas eu olho para todas as pessoas normais à minha volta e não me parece que sejam todos assim. O que será que eu faço mal para ter tanto sono durante a tarde? Será que é o facto de vir almoçar a casa que me quebra a rotina de trabalho e me faz facilmente arrastar para o sofá e me dar a preguiça? Será que já é mesmo o meu metabolismo que está habituado a descansar à tarde? Só quando estou em pleno stress e a mil a hora é que isto não acontece - caso contrário, se o meu cérebro se aperceber que tem tempo para fazer as tarefas, vai-se arrastando e levando-me com ele.

E a questão é ainda mais grave se acrescentarmos o facto de eu até dormir bastante. É verdade que acordo cedo, mas também me deito cedo: normalmente, antes das 23h já estou na cama. Porque para além de sentir que não sou produtiva à tarde, durante a noite a coisa também não melhora e tenho cada vez mais tendência para me deitar cedo e descansar.

Sinto que, a este nível, já passei por várias fases. Lembro-me que durante o secundário estudava muito bem de noite, deitava-me às tantas da manhã para estudar e no dia seguinte recuperava à tarde, mas sempre de uma forma equilibrada e sempre produtiva o suficiente para ter bons resultados. Já tive outras alturas em que estudar de manhã era missão impossível e que só de tarde é que conseguia mesmo abrir a pestana. E agora é isto.

Consigo ajustar o meu tempo e a minha energia ao trabalho que tenho – ainda que, na prática, faça horários um bocado estranhos – mas chateia-me muito não conseguir ser produtiva durante a tarde, altura em que toda a gente está a trabalhar, responde a emails e torna todo o processo muito mais fácil para também eu trabalhar de forma eficaz. Para os mais preocupados com a saúde: sim, já fiz análises e está tudo nos conformes. Por isso a questão põe-se: como é que se contorna este cansaço do demónio, como é que se regula os nossos tempos com os “normais” e se tem energia o dia todo? Estou aberta a dicas! Obrigada!

 

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08
Out17

Toda eu dedicada à bricolage (ou como consegui pendurar as sardinhas Bordallo Pinheiro)

Carolina

Hoje estou mesmo muito contente porque sinto que consegui fazer algo útil do meu dia. A falta de posts aqui no blog não tem sido por acaso: esta semana foi caótica, daquelas em que não há mesmo tempo para nada que não seja obrigatório ou que já esteja nos planos, por isso cheguei ao feriado e caí para o lado. Atentem a isto que vos vou dizer: nessa noite, dormi 11 horas! On-ze! Acho que os meus pais estiveram prestes a entrar no meu quarto só para ver se eu respirava... e nessa tarde ainda dormi um par de horas e tem sido mais ao menos assim até hoje, em que consegui "desvetalizar-me" (um verbo acabado de inventar por mim, cujo significado é "deixar de ser um vegetal").

Uma das dezenas de projetos que queria concretizar até ao Natal era conseguir tirar as minhas sardinhas Bordallo Pinheiro das caixas. Já aqui falei sobre o meu amor por loiças, sobre as sardinhas da Bordallo e da dificuldade que tinha em lhes dar uso e penso que também mencionei a minha paixão por andorinhas. No fundo, é a confirmação que precisavam de que eu sou mesmo uma velha de espírito: adoro de loiças e, ainda por cima, gosto de as mostrar ao mundo. (Mas calma, ainda não cheguei ao ponto dos cães de loiça, descansem).

Mas vamos ao que interessa: desde que as sardinhas da Bordallo Pinheiro viram a luz do dia que eu as adorei. Entre as que comprei e que me foram oferecendo, colecionei quatro - e só parei porque as tinha guardadas nas caixas originais, no fundo da prateleira, com medo que se partissem, e por isso achei que não valia a pena estar a comprar mais até ter uma solução. Isto porque não as conseguia pendurar de maneira segura e bonita - elas são meio desconchavadas e a própria Vista Alegre, que as comercializa, não tem nenhuma solução viável/vendível para as apresentar. 

Passaram anos. Já as tive expostas numa prateleira, mas elas bambaleavam tanto que eu sabia que era uma questão de tempo até virarem cacos. Guardei-as. Mais anos passaram. Até esta semana. Já tinha andado a pesquisar soluções para este problema e não encontrei nada - apenas uma breve menção num blog, que na caixa de comentários também falava sobre a dificuldade em as pendurar - mas expus a questão aqui em casa e pus mãos à obra, até porque já tinha uma ideia construída na minha cabeça. Já que estava numa de bricolage, ia fazer a coisa bem feita e em dose dupla: para além das sardinhas, também penduraria as andorinhas, que estavam tão abandonadas como os outros animais de loiça. 

Comprei duas molduras médias, com alguma profundidade, assim como um pouco de papel de parede para forrar cada um dos fundos das molduras. Posso adiantar já que tudo o que usei foi comprado no Leroy Merlin, incluindo a cola para o papel de parede - que, neste caso, era para madeiras, uma vez que a tela é de uma espécie de pladur. 

Depois de "forrados" os fundos, vinha o busílis da questão: pendurar as sardinhas. A minha ideia inicial é que elas ficassem "deitadas", na horizontal, mas depressa percebi que isso seria impossível. O sítio onde está o buraco é feito para que elas se (des)equilibrem de pé - e dar a volta ao centro gravitacional das peças dar-me-ia demasiado trabalho (ou seja, mais uns anos à espera), por isso decidi seguir pela via simples: aceitar que era assim e seguir caminho. Encontrei umas ferramentas de pendurar objetos no Leroy, que nunca tinha visto antes, e que me resolveram o problema: são fáceis de colocar, não furavam demasiado a tela (não queria ter pregos do outro lado a riscar-me a parede) e eram perfeitas para o encaixe (ver na foto abaixo).

 

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O resultado final ficou, na minha opinião, incrível. Escolhi um papel de parede em tons de cinzento, que parece traves de madeira, onde a intenção era combinar com os tons vermelhos, brancos e pretos da maioria das minhas sardinhas. 

 

 

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Depois das sardinhas respirei de alívio: com as andorinha seria muito mais fácil. Ou não! Todas elas eram diferentes, compradas em locais distintos, por isso também não consegui pendura-las a todas da mesma forma: umas desequilibravam-se, outras precisavam de mais suporte, umas tinham arame, outras tinham um buraquinho minúsculo. Tive de dar asas à imaginação e, numa só tela, usei três soluções, como podem ver abaixo: primeiro a alternativa que usei nas sardinhas, segundo um preguinho com um cabeça mais alta para segurar no arame e terceiro um pionés. 

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Neste caso, escolhi um fundo azul e branco, para dar a ideia de céu - mas não ser algo demasiado óbvio, com nuvens e derivados. Adoro. Acho que ainda consigo gostar mais deste resultado final do que o das sardinhas - e eu achava sinceramente que isso ia ser impossível! O detalhe do pássaro cor-de-laranja é coisa para arrebatar o meu coração. (Obrigada mãe <3)

 

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Sei que a maioria das pessoas se está a borrifae sobre estes problemas de 15º mundo de como-pendurar-sardinhas-da-Bordallo-Pinheiro, mas eu andei tanto tempo atrás de uma solução que não podia deixar de partilhar. E, para além do mais, qualquer um dos meus projetos de bricolage é digno de um post: são tão raros que têm de ser mencionados! E isto ficou tão, tão giro que eu ainda me babo de orgulho de cada vez que olho para as fotografias. Ah, e já sabem: podem começar a mandar vir mais sardinhas, que agora já não têm de ficar a morar dentro da caixa ad eternum!

06
Out17

O meu jardim zoológico de sonho já é quase uma realidade

Carolina

Passo a vida a dizer aos meus pais, em tom de brincadeira, que um dia (“quando for grande”) vou ter um burro, uma cabra, um porco e uma alpaca. De vez em quando lembro-me de juntar um outro animal à lista – acho que a girafa já fez parte, assim como uma vaca – mas este é o núcleo duro do meu “futuro” grupo animal.

Que dizer…? Tenho uma panca. Gosto muito de animais e como sempre achei que ia viver sozinha quando fosse mais velha, sem marido e sem filhos, começou-se a afigurar uma boa ideia ter uns animais de companhia para além dos cães e dos gatos (sim, porque para além daqueles bichos ainda quero um daqueles gatos sem pêlo que toda a gente detesta e eu adoro).

Tudo começou com o porquinho: há anos que adoro aqueles porquinhos-anões, que dormem em casa e que agem quase como cães domésticos (lembram-se deste instagram que um dia mostrei aqui?). Depois foi o burrinho – adoro burros, são dos meus animais preferidos e sinto-me sempre mal por se chamarem “burros” quando, na verdade, disso têm pouco. Sempre adorei cabras e o facto de serem todas espevitadas e irreverentes; já a alpaca… nem me lembro bem como surgiu, mas foi uma paixão à primeira vista.

Os meus pais passam a vida a revirar os olhos, dizendo que vou tornar esta casa num jardim zoológico. Eu rio-me com a perspectiva, embora saiba que não se vai tornar realidade (ok, talvez o burro...) – tenho pouco tempo para cuidar dos animais e conviver com eles, eles dão trabalho e encargos e eu sei que se um dia tivesse uma cabra ou um porco, nunca mais comeria este tipo de carnes, o que não é algo que (para já) esteja nos meus planos.

Mas, apesar de tudo, esta é uma conversa recorrente aqui em casa. Basta ver um burro na televisão para ficar toda derretida, quase que a pedir um burrinho como prenda de Natal, e isto tem originado uma série de prendas curiosas por parte da minha família. A primeira foi um “porco”, precisamente na quadra natalícia. “É uma coisa que queres muito!”, diziam-me. Abro, curiosa, o presente disforme e sai-me de lá um porco de peluche. “Não passas a vida a dizer que queres um porco como prenda?!”, responderam perante o meu olhar confuso.

Depois, como se um porco não fosse suficiente, ainda me deram outro. E, por fim, como não podia deixar de ser… um burro. Ou seja: o meu zoológico está quase a tornar-se realidade, mas em versão peluche. Por isso, se um dia virem algures no meu quarto animais fofos e peludos, não se assustem: primeiro porque não são reais, segundo porque eu sei que já não tenho idade para brincar com estas coisas. Percebam que é só o começo da minha quintinha, patrocinado pela minha família, sempre atenta aos meus pedidos-animais.

29
Set17

Blogs do Ano: vamos lá pôr a boca no trombone

Carolina

Confesso que esperei ansiosamente pelas nomeações dos blogs do ano. E porquê, perguntais vós? Para me rir um bocadinho! Porque, avaliando pela edição do ano passado, quase punha o mindinho no fogo apostando que nesta edição ia virar o disco e tocar o mesmo. E não é que não me enganei?! O "best of" da blogosfera está todo lá... pena é esse mesmo "best of" não ter modificado de um ano para o outro. Pelo meio há ainda umas boas pérolas, quase para disfarçar que este é um concurso decente. Ora vejamos.

Precisamos primeiro de esmiuçar o conceito de blog. Um blog é uma página de facebook? Um blog é um sítio virtual com um domínio próprio - e bem estabelecido, que nunca teve como sufixo "sapo" ou "blogspot" à partida - e com não sei quantas pessoas envolvidas por detrás, incluindo programadores e gestores de conteúdo para fazer a coisa acontecer? O conceito é de facto abrangente mas, para mim, um blog é (era?) um sinónimo de autenticidade - um espaço para quem não tem espaço na opinião pública mas que, ainda assim, se quer fazer ouvir ou mostrar algo sobre assuntos do seu interesse. Para mim é impensável que alguém que não o próprio dono do blog lá escreva ou o gira; para mim, um blog é algo com uma estrutura relativamente simples, sem grandes floreados e ramificações, porque - lá está - parte de alguém sem grandes condições para fazer tudo isso e que só quer carimbar o seu nome em algo. A meu ver, há diferenças entre um blog e um site - um sendo muito mais complexo que o anterior. E nem vale a pena mencionar o facebook - acho que já sabem o que eu acho.

É por isso necessário perguntarmo-nos o quê que a Bumba na Fofinha está a fazer na categoria de "Entretenimento" quando, na verdade, ela não tem um blog: tem uma página no facebook, onde publica vídeos - bem engraçados, mas isso já não é para aqui chamado - que por acaso também estão no YouTube. (Engraçado, ia jurar que há uma categoria precisamente sobre vídeos de entretenimento... mas devo ter visto mal). 

Depois chamam-se ao caso todos os "blogs" de figuras públicas. Cláudio Ramos, Júlia Pinheiro (a sério que o "Júlia" é o um blog? ah ah ah), Ana Rita Clara, Leonor Poeiras, Pedro Teixeira, Raquel Strada ou Jéssica Athayde são alguns dos nomes que me surgem. Penso que já aqui escrevi sobre esta questão, sobre a necessidade de todas as figuras públicas agora terem um espaço e chamarem-lhe de "blog" e como acho isso ridículo - e estou pacientemente à espera que tal passe de moda. Isto para mim não são blogs por várias razões, muitas das quais já enumerei acima: primeiro porque são assinados por alguém que já tem exposição e espaço na opinião pública; segundo porque são raros (existentes?) aqueles que são genuínos, totalmente geridos pelos supostos autores; terceiro porque já têm todo um trabalho de agência envolvido, tanto na parte de produção de conteúdos, como de gestão de redes sociais, que têm só um propósito: vender, fazer publicidade e parcerias. A parte do "genuíno" e da "partilha de ideias" é posta num saco e mandada ao fundo do rio com pedregulhos bem grandes. Quase tudo o que fazem é vender-nos coisas: se não são produtos, são muitas vezes estilos de vida que não podemos alcançar. Ou seja: há toda uma máquina por detrás de todos estes "blogs" que, para mim, lhes tira logo esse estatuto. E ainda podemos ir mais longe: muitos destes sites são "apadrinhados" pela TVI - entidade que, coincidentemente, promove o concurso...

Depois há um par de questões que me apoquentam. A primeira chama-se "Nêspera no cu". Até gosto do conteúdo, mas primeiro o facto de estar inserido na categoria "Vlog Entretenimento" (ah, afinal sempre existe!) irrita-me um bocadinho, tendo em conta que aquilo não é bem um vlog - é só um podcast com umas figurinhas dos intervenientes a mexerem a boca de forma muito pouco natural. Para além disso, tendo em conta que o concurso é anual, parece-me lógico que se nomeiem (e premeiem) canais/blogs que estiveram ativos nesse mesmo período - o que não é o caso da Nêspera. Dei-me ao trabalho de ir ver e o último vídeo publicado neste canal foi no dia 25 de Maio do ano passado. Ou seja, temo que exista aqui um erro e os senhores do júri se tenham confundido um pouco, trazendo do ano passado um candidato esquecido. Uma chatice. A segunda questão também se insere no capítulo "porquê que este site está nesta categoria?", onde temos a La Dolce Rita - uma das minhas favoritas, toda a gente sabe - que está incluída nos "Vlogs de Lifestyle". Ora bem, se for um "lifestyle" para pessoas como eu, lontras, que gostam é de comer, de fazer bolos e aprender sobre como fazer doçaria conventual... até concordo. Fora isso, acho só um bocadinho descabido. Mas enfim, eu percebo: não há dinheiro para tudo, e não se pode criar uma categoria para culinária, porque o troféu ainda fica caro e a vida está difícil.

Mas enfim, isto tudo são "pormenores", que apenas distraem da questão global de tudo isto. Para mim, era lógico e expectável que os concorrentes iriam ser em todo semelhantes aos do ano passado. Porquê? Porque estamos em Portugal, uma país pequeno, onde não emergem propriamente blogs populares todas as semanas. Aqueles que eram líderes o ano passado, continuam a sê-lo agora. E por isso, a continuar neste formato, os mesmos blogs e as mesmas pessoas vão continuar a arrumar troféus nas suas prateleiras - ainda por cima quando o voto final é feito pelo público, o que vai fazer com que os mais lidos sejam também os mais votados. A continuar assim, mais vale fazerem o concurso de cinco em cinco anos, na esperança de que algo mude no panorama da blogosfera nacional. 

Eu sei que a maioria das pessoas acha que existe uma correlação entre o sucesso de um blog e a sua qualidade - ou seja, se um blog é bem sucedido é porque é bom naquilo que faz. Mas eu não concordo, ainda para mais com a quantidade de sites de figuras públicas aqui envolvidos, com autênticas máquinas de publicidade por detrás deles. Aliás, desconfio até que a maioria das coisas lá escritas tenham sequer um dedo dos supostos envolvidos, mas enfim, essa é toda uma outra luta. Hoje em dia, o sucesso de um blog depende muito da gestão das redes sociais, da publicidade, do passa a palavra - e pouco da informação que realmente lá é veiculada. Mas neste sentido, o que eu acho que era bom - eventualmente até se mantendo este formato de "líderes dos blogs" (porque é isso que este concurso é) - era mostrar ao mundo blogs mais pequenos, com muito menos exposição, muito menos contaminação por marcas/publicidade/mentiras, muito mais genuínos e reais (e não, não estou a puxar a brasa à minha sardinha, porque não quero nem preciso de ter milhares de pessoas a lerem-me, a criticarem-me e a mandarem-me postas de pescada de cada vez que troco um "a" por um "o"). Mas enfim, como isso não vende, arruma-se a ideia para debaixo do tapete e organiza-se, ao invés, uma gala de arromba com pseudo-figuras-públicas - algo que dá pano para mangas nas revistas, sites e redes sociais, rendendo mais cliques, dando mais dinheiro de publicidade e, no fim de toda esta cadeia, enchendo os cofres de alguém. Nada a que já não estejamos habituados, portanto.

Como nota final, resta-me contar-vos que a minha mãe me perguntou porquê que não me inscrevi neste concurso. A resposta é simples e divida em três partes: a primeira é porque não tenho exposição mediática para ganhar o que quer que seja deste género. A segunda é porque escrevo posts destes, porque ponho a boca no trombone, porque digo as verdades que ninguém quer dizer e isso não é propriamente bem-vindo nestes meios. E a terceira é porque eu, de facto, tenho um blog: genuíno, pobrezinho às vezes, nem sempre com conteúdo e muito menos com conteúdo interessante - e, claramente, não é de blogs que trata este concurso.

26
Set17

Dizendo adeus ao melhor verniz do século

Carolina

Sabes que estás a fazer um post demasiado tarde quando o produto que ias elogiar já foi retirado do mercado. Eu sei que não tenho desculpa e quase devia ser açoitada por isto - fiz-vos perder, provavelmente, o melhor verniz da história dos vernizes. Mas isto levanta uma questão muito pertinente: porquê que no mundo dos cosméticos e de materiais de beleza, os melhores produtos e muitas vezes os mais vendidos são descontinuados? Não faz sentido! Não é que eu perceba do assunto - pouco utilizo produtos de maquilhagem e derivados - mas estou a começar a perceber que é uma prática comum.

O produto sobre o qual eu há meses vos queria falar era a dupla de vernizes "Shine&Color" da Flormar - que, segundo eles, dava um toque de gel às unhas sem precisarem de ir à luz ultra-violeta. Experimentei-o por acaso numa ida à manicura e aquilo durou-me tanto tempo, de forma tão espetacular e heroica, que voltei lá de propósito comprar o verniz. E há cerca de duas semanas, quando lá fui, pedi para levar outra cor... quando me disseram que praticamente já não tinham, porque a linha tinha sido descontinuada. Como assim?! Como é que se acaba com o melhor verniz do mercado? Disseram-me que era por ser realmente tão bom: os outros produtos deixavam de se escoar e por isso acabava-se com estes, que eram quase "canibais" de toda a marca. Não sei se a explicação é verdade, mas faz de facto algum sentido... mas não deixa de ser uma pena.

O último caso que me lembro assim do género, ainda mais berrante - e soube isto através das notícias - foi a da paleta da Urban Decay, a Naked Smoky, que era das mais vendidas da marca. No artigo que li, a explicação era semelhante à que me foi dada no cabeleireiro: diz um representante da Urban Decay que "Estamos sempre à procura de maneiras para que os nossos produtos fiquem melhores. Cada vez que criamos um novo produto, partimos de um ponto de vista novo e procuramos ser tecnologicamente inovadores. Lamentavelmente, por vezes, isto significa que temos de deixar de fabricar produtos que todos gostam, para lançar produtos que gostem ainda mais". Ou seja: tretas. Ninguém deixa de vender um dos seus best-sellers a menos que tenha uma boa razão para o fazer. 

Por isso, minhas boas amigas, serve este post para pedir desculpas e para, se quiserem, ainda tentarem encontrar estes produtos numa loja perto de vós. Para vos dar o exemplo, posso dizer-vos que pintei as unhas numa terça-feira e que só no domingo da semana seguinte (doze dias depois) é que ele escamou um pouquinho - e eu não sou minimamente cuidadosa com as mãos, passo a vida a lavar coisas e a roer as peles e etc. Não diria que tinha um toque tipo gel, mas era magífico - mantinha o brilho e, quando se tira, não mancha minimamente as unhas como os de outras marcas mais baratas. Era de facto um achado... Se virem uma destas preciosidades à venda ou souberem de notícias, gritem: eu estou disponível para fazer um stock que dure, pelo menos, para o próximo par de anos!

 

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