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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

26
Jun17

Harry Potter: 20 anos a espalhar magia

Carolina

Mentia se dissesse que foi o Harry Potter que me iniciou na leitura - esse galardão vai para o Triângulo Jota, que me ensinou a gostar de ler. Também não estaria a ser correta se afirmasse que essa série foi o maior amor literário da minha vida: nunca, nada nem ninguém, vai alguma vez destronar aquilo que o Twilight representou para mim. Mas a verdade é que essa saga teve muito que ver com a fase da vida em que eu estava, porque a apanhei no início e vivi quase de uma ponta à outra com os sentimentos à flor da pele.

Mas quando, algures em 2010 - já os livros estavam cá fora, assim como metade dos filmes -, li o Harry Potter, soube que era para a vida, um amor diferente. Não é uma história de amor para corações eternamente românticos, não é um policial que se devore e se esqueça no dia seguinte. É uma lição de vida sobre a diferença, sobre a coragem, sobre a amizade, sobre a força, sobre a união mas também sobre a solidão. E, acima de tudo, sobre a magia - e o poder da imaginação. O Harry Potter mora em nós a partir do momento em que o conhecemos, os corredores de Hogwarts passam a ser os nossos corredores, a Hermione e o Ron os nossos confidentes. 

Para mim, todos os livros que tenham a capacidade de tele-transportar os seus leitores para outros mundos merecem ser lidos - sejam maus ou bons aos olhos da crítica. Já o escrevi aqui e repito quantas vezes forem necessárias: qualquer obra que inicie alguém na literatura já fez o seu papel; aquele livro passou a valer a pena, mesmo que seja uma desgraça. E, mesmo que o Harry Potter não tivesse tantas - tantas! - outras qualidades, teve a capacidade de mostrar a milhões de crianças, jovens e adultos que temos todos a possibilidade de viver num mundo paralelo, com ou sem magia, durante muito ou pouco tempo: basta abrir um livro. 

Acho que não há maior prova disso do que aquilo que se viu hoje nas redes sociais. Ao invés de uma desgraça, de um vídeo parvo e viral ou de discussões políticas, o meu feed encheu-se de magia, de saudade, de agradecimentos profundos; de óculos arredondados, de raios na testa e de trechos inesquecíveis. A minha geração - a "inculta", a "geração à rasca", "aqueles que estão a deixar o papel morrer" - parou, pensou, partilhou e escreveu massivamente sobre uma saga que toldou os seus tempos, que lançou um dos seus maiores ídolos e inspirações. Sei que a maioria das pessoas que leu estes livros se sente agradecido à J. K. Rowling por aquelas horas passadas a ler, num mundo tão mágico e tão especial como é Hogwarts, como é a Londres dos Muggles ou Privet Drive. 

Faz hoje 20 anos que foi publicado o Harry Potter e a Pedra Filosofal. Só há uns sete é que eu entrei, tal e qual na plataforma 9 3/4, neste mundo - mas a entrada foi tão rápida e tão drástica que sei que, por muito que faça, nunca mais vou de lá sair. Harry Potter, para mim, são momentos muito especiais (como o da foto em baixo, o ano passado, na livraria Lello); é Natal, é conforto, é um porto seguro. É o sinónimo de que a magia acontece, dentro e fora de páginas. E representou um dos grandes alentos que me fez ler mais e, acima de tudo, tentar escrever ainda melhor. Saber que alguém que aqui viveu teve a capacidade e a inspiração para construiu todo este mundo, torna tudo muito mais real, quase como se a possibilidade de isto acontecer a algum de nós - ou a mim - possa estar ao virar da esquina. E por isso, para além de tudo o resto, a J. K. deu-me - e dá-me - também esperança. Porque a magia acontece. E tal como nos provou o Harry Potter... ela sozinha não basta, mas com força de vontade... até o impossível se consegue.

 

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24
Jun17

Adeus bolas de berlim, arranjei um novo amor

Carolina

Tenho um fígado preguiçoso e uma vesícula ainda pior. Tenho crises recorrentes de enjoos, tonturas e de um cansaço extremo sem por vezes perceber o porquê - noutras, já relaciono com coisas que como, porque percebo que fico mal depois de as comer. Pimentos, alho e ovos - principalmente estes últimos - são os meus piores inimigos. É quando estou em plenas crises que agradeço profundamente o facto de não beber álcool. Se fico assim sem o meu corpo ver uma gota que seja, imagine-se se andasse por aí na "vida loka"!

Mas vamos falar de ovos: acho que são poucas as pessoas que não gostam de comer uma bolinha de Berlim que seja. Então para abrir a época balnear, tirar a foto de praxe e saborear pela primeira vez no ano aquele açúcar todo... bom, é difícil de descrever por palavras (ainda bem que temos paladar, não é?). Eu, lontra, não sou obviamente excepção. Não como esta iguaria no resto do ano porque sei que não sabe igual; há comidas que só sabem bem - e só compensam comer, porque uma bola de Berlim é a maior bomba calórica de sempre - em certos sítios, em certas alturas. Para mim, comprar uma bola de Berlim no Lidl em pleno mês de Janeiro é ultrajante - por isso aguardo sempre pela altura e local certo para ingerir tal dose de gordices.

O problema é: só gosto de bolas de berlim com creme. E de que é feito o creme? Ovos. E o que fazem os ovos? Quase me matam. Já no último ano as bolas de berlim me tinham caído mal e eu fiquei desconsolada para o resto do verão; este ano, embora soubesse que nada no meu corpo tinha melhorado, voltei a tentar. Não correu muito bem. Voltei a não comer mais bolinhas - a minha consciência agradece - e, achava eu, que o meu verão ia tornar a ser desconsolado.

Até ao dia em que a minha mãe parou a vendedora para comprar o seu doce e eu decidi pedir uma bolacha americana, mal sabendo que abria uma caixa de pandora. "Quer normal, de alfarroba, canela, côco ou batata doce?". E eu, que no que toca a doçaria não me faço de rogada, atirei-me para a de côco. E foi o fim.

Aquilo é inacreditavelmente bom, sabe aqueles coquinhos que eu comia em miúda e que agora tenho preguiça de fazer. Sabe a Bounty em modo crocante. Foi uma paixão que despertou em mim, depois de um desgosto de amor vindo de uma relação que já durava há tantos anos, entre mim e as bolas de berlim, que claramente não tinha pernas para andar. Bem dizem os entendidos que a melhor solução para curar um coração partido - ou, neste caso, um palato despedaçado - é arranjar outro amor. Vou já dar outra trinca na minha bolacha.

23
Jun17

Chávena de letras - "A educação de Eleanor"

Carolina

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 Sinopse e primeiras páginas aqui.

 

É injusto julgar um livro por um final que nos desiludiu quando, até aí, achamos o livro fenomenal. E, na verdade, eu nem sequer fiquei desiludida com o fim: sabia que era algo que ia ter de acontecer, percebi que a bolha em que vivia Eleanor ia ter de rebentar… mas o início do livro é tão genial que tive pena que acabasse.

Eleanor é uma verdadeira anti-social em todos os sentidos da palavra. Não se trata só de não se dar com os outros, mas sim de um total desconhecimento das convenções sociais que todos nós já interiorizamos e já nem questionamos. O livro é por ela narrado e por isso temos acesso aos seus pensamentos que são extremamente racionais, o que os torna hilariantes (mesmo não sendo “intenção” de Eleonor – e sendo, obviamente, o objectivo da autora, que o faz de forma exímia). Como ela não percebe as coisas, questiona-as, como uma criança; vê-as de forma simples, sem floreados, e expõem-nas de forma crua, mostrando o ridículo de muitas da convenções que nós próprios criamos.

“Estava num restaurante de fast food pela primeira vez na minha vida adulta (…). Inexplicável e incompreensivelmente, o restaurante estava a rebentar pelas costuras. Custava-me a perceber porque motivo os humanos estariam dispostos a fazer fila em frente de um balcão para comprar comida processada, que depois levavam para a uma mesa que nem sequer estava posta e comiam directamente do papel de embrulho. E a seguir, apesar de terem pagado, os próprios clientes são responsáveis por levantar os restos. Muito estranho.”

Outras situações semelhantes: estranhar o facto de um empregado de bar lhe colocar a garrafa da bebida que pediu e um copo com gelo em cima da mesa, em vez de lhe servir directamente (“esse não é o seu trabalho?”) ou questionar o porquê das pessoas chegarem atrasadas a um festa ou levarem presentes quando o anfitrião anunciou uma hora ou disse expressamente para não levarem nada. É uma visão inocente e hilariante da vida.

Para além disso, há, inicialmente, uma relação explícita de causa-efeito nas acções de Eleanor, ainda mais berrantes pela escolha cuidada das palavras usadas pela autora. Dão à personagem um ar geek e extremamente racional, com imensa graça, mas revelador de muito o que é Eleanor.

“Fiz as minhas abluções e instalei-me com um livro sobre ananases. Era surpreendentemente interessante. Gosto de ler sobre uma ampla variedade de temas por muitas razões, uma das quais é ampliar o meu vocabulário para ajudar a resolver palavras-cruzadas.”

Chamar a este livro um romance é um erro crasso. Ele fala, sim, da auto-descoberta de alguém – nas suas fases mais vivas e mais negras – com o apoio de algo que a personagem principal, até aí, desconhecia: um amigo. É uma viagem pela vida complicada de Eleanor, pelos seus fantasmas, mas que tem pouco de negro pela forma incrível como é contada.

É lógico que, não tendo um décimo da antissociabilidade de Eleanor, me relacionei com esta obra; com a personagem, com o vocabulário dela, com a sua visão “quadrada” de muitas coisas. E é muito giro ver a evolução da personagem, vê-la “arredondar-se”. Confesso que achei o livro um pouco enfadonho nas primeira páginas, mas depressa descobri que tinha uma pequena pérola em mãos. A forma como a história é contada e a escrita de Gail Honeyman merecem estas cinco estrelas, independentemente do fim. Gostei mesmo muito.

22
Jun17

Um S. João na praia

Carolina

Desde que me conheço e que me mudei para a casa onde estou atualmente que festejo o São João. Para além do Natal, sempre foi a minha altura favorita do ano e quando os meus irmãos viviam cá em casa eram festas de 50, 60 ou 70 pessoas - para além dos familiares, vinham os amigos e os amigos dos amigos; fazia-se aqui uma festa a sério. Decorávamos a casa a rigor com grinaldas, manjericos, enfeites de papel e luzinhas de várias cores, montávamos vários grelhadores para as carnes e para as sardinhas e púnhamos uma quantidade infindável de cerveja dentro de um barril que, uma semana antes, já estava dentro da piscina para a madeira inchar.

Era uma festa muito animada, com muita música, em que o álcool e os amigos do meu irmão enchiam a casa inteira. Mesmo as crianças - da qual eu fazia parte - eram tantas que enchiam os quartos, os viravam do avesso e a circulação se fazia de forma difícil ainda que a casa seja grande. Quando tocava a meia-noite, enquanto no Porto todos olhavam para o céu, nós olhávamos para baixo - mais propriamente para a piscina para onde nós íamos atirar. E depois por lá ficávamos, ríamo-nos por os nossos pais não se estarem a aperceber daquilo que estávamos a fazer e tentávamos não estar em silêncio - coisa que não é fácil quando se anda aos saltos para dentro de água. Para nós, ver os corpos sair dentro da água  - que à noite parece negra  - e ter a sensação de que, cá fora, estavam a "fumegar" já era tradição - assim como era tradição eu ligar para todos a meio da tarde e lembrar para trazerem os fatos de banho para festejarmos a noite mais curta do ano.

Mas as tradições acabam, assim como as crianças crescem e os irmãos saem de casa. E nos últimos anos, fazer o S. João era - para mim - uma tristeza, porque ainda me lembro dos tempos de casa cheia. Os miúdos passaram a graúdos, já não andam necessariamente com os pais e já não ficam assim tão felizes por ser a noite mais curta do ano (menos noite, menos diversão, não é verdade?); o meu irmão emigrou e raramente está cá, os outros nem sempre comparecem por terem outros compromissos; os amigos vão para casa de outros amigos - e eu, que não tenho praticamente nenhuns e quase nunca os trouxe a minha casa, também não alimento essa prática. Por isso, nos últimos anos, a festa foi ficando vazia, só com os habituais e os fortes, que não arredam pé.

Mas pior que ter um São João vazio, achava eu, era não fazer São João. E isso aconteceu há dois anos, à custa da meteorologia que nos deu chuva em vez do sol e do bom tempo típico dessa altura do ano. Abortamos os planos e ficamos em casa, como num dia normal - só mais triste que o resto dos dias (mais tarde, quando o temporal abrandou, eu ainda fui sair mas a festa já não era a mesma). E eu diria que nesse ano, ainda que não tenha sido de propósito, se abriu um precedente perigoso: o de não se festejar o S. João.

Perigoso porque este ano decidimos repetir - e não foi pelo tempo. Vivemos sempre condicionados com o dia 23 de Junho, queríamos sempre estar cá e fazer um arraial - e fazíamos, melhor ou pior, adoentados ou em perfeita saúde, comigo tendo ou não exame nos dias seguintes. Mas este ano viemos de férias. Ao longo dos últimos anos têm caído tantas tradições como o número de pessoas que cá vem e a boa disposição que cá se vive, por isso deixamos cair a derradeira: este ano, aqui em casa, não há festa. E é estranho como isso me deixa triste mas, ao mesmo tempo, muitíssimo aliviada. Hoje não penso em doces, grinaldas, carregar mesas ou limpar cadeiras. Hoje vou para a praia e isso também é bom.

20
Jun17

Nem os insetos se safam do preconceito

Carolina

Há umas semanas fui ao Senhor de Matosinhos. Enquanto passeávamos para trás e para a frente, a minha mãe avistou uma senhora que estava a vender grilos - estavam num aquário aberto, cheio de folhagens, ramos e raminhos. Mas eles eram tantos, tantos, tantos que mesmo no meio de tanta vegetação se viam sem qualquer esforço. A minha mãe, que já estava filada num destes bicharocos há meses - a vizinha tem um que canta sem parar, por isso ela decidiu que também gostava de ter um cantor lá em casa - decidiu comprar um grilo para ter lá em casa.

E eu pus-me a pensar: "o quê que um grilo tem diferente de uma barata?". Calma, eu sei que são animais diferentes e com as suas especificidades, mas no fundo são insetos mais ao menos do mesmo tamanho, pretos, feios e inofensivos - e no entanto as baratas são odiaras por meio mundo e os grilos, coitadinhos, fofinhos, cantam e encantam outro meio. Não é estranho?

Vejam-se as joaninhas. Uma cai no nosso braço e nós chamamos todas as crianças da área para lhes mostrarmos o bichinho e começamos a cantar o "Joaninha voa, voa, que o teu pai foi pra' Lisboa"; se for uma aranha que, num movimento altamente arriscado de voo na sua teia a pairar o nosso braço... cai o carmo e a trindade. E os pirilampos, tão queridos com a sua luzinha? São feios que dói, parecem umas mini minhocas com o rabo aceso, mas nós deliramos de cada vez que vemos um. E isto, do ponto de vista racional, é estranho. No fundo, funcionamos tal e qual as crianças: só gostamos de brinquedos coloridos, barulhentos e cheios de luzinhas.

18
Jun17

Quando as tragédias batem na porta ao lado

Carolina

Não sei o que distingue os momentos que nos ficam a memória e aqueles que se esvaem como que água por entre os dedos, mas gostava muito de saber. Às vezes penso "quero lembrar-me disto até ao resto dos meus dias" e, no dia seguinte, já nem sei do que se trata; em tantas outra coisas normais, do dia a dia, a memória não pára de trabalhar e lembro-me dos pormenores mais insignificantes que possam existir. E depois há certos momentos que passam e que eu sei imediatamente que, bons ou maus, me vão ficar registados para sempre.

Lembro-me de um dia estar a ir para qualquer lado com o meu pai e passar em frente ao Hospital de São João, onde há um corrupio de ambulâncias constantes, onde o estacionamento é caótico e se vêem pessoas por todo o lado. Na altura, o meu pai disse-me que não gostava de passar ali. Lá íamos nós, na nossa vida, provavelmente a caminho de um restaurante ou simplesmente a passear; e ali, a meia dúzia de metros, estavam pessoas no mais puro dos sofrimentos - quer físico quer emocional, ora por serem elas próprias a estar na cama ou os que desesperam na sala de espera. Quando ele me disse isto eu soube que era uma das coisas que eu, mesmo que quisesse, não ia esquecer. Por ser tão real, tão duro, tão inevitável; por não podermos fazer nada para o alterar. Um dia somos nós, outro dia são os outros. E não podemos deixar de aproveitar os nossos momentos bons por outros, que não conhecemos, estarem a viver momentos maus - porque assim viveríamos numa infelicidade cíclica e viciosa que não tornaria o mundo melhor.

Agora, enquanto estou estendida numa espreguiçadeira a apanhar sol e a escrever isto, sei que está um país de luto e uma cidade devastada pelas chamas e por uma das maiores tragédias que todos já testemunhamos em Portugal. Ainda ontem, enquanto vinha para o Algarve, parei em Leiria para comer algo, mal sabendo que o pior estava por acontecer por aqueles lados. Mais uma vez passamos ao lado do mal, do inferno, do desespero e da infelicidade enquanto caminhávamos para algo de bom - tal e qual no hospital. E hoje, aqui deitada enquanto muitos lutam contra as chamas, outros perderam casas e familiares e 62 (até ao momento) perderam a vida, só me resta esperar o melhor. Vejo posts de lamento e consternação no facebook e penso "mais um", porque para nada servem as palavras quando o sofrimento mora ao lado e nada podemos fazer para o diminuir. Mas tal como todas essas pessoas, também eu sinto necessidade de dedicar uma palavra de pesar; ainda que ninguém leia, ainda que seja só mais um no meio de tantos outros que nem sonham o sofrimento que se deve estar a viver naquela terra. Ainda que sejam só palavras que não devolvem terra, casas ou vida e que, ao contrário do que quem lá está, venham de quem está hoje de bem com a vida.

Porque ela é mesmo assim. Umas vezes toca aos outros, outras vezes toca-nos a nós. E tudo o que podemos fazer - não estando no local, não conhecendo ninguém e estando só a ver de longe, ainda com a preocupação de quem se sente - é esperar o melhor e rezar que a vida seja branda até nas horas mais difíceis.

13
Jun17

Livros e animais: por uma causa solidária

Carolina

Já há algum tempo que deixei totalmente de seguir no facebook páginas relacionadas com instituições animais, veterinários, associações de salvamento, acolhimento e etc. Isto porque me sinto perfeitamente incapaz de ajudar - não posso adotar mais bichos e sinto-me pessimamente em ajudar umas instituições e não ajudar outras (embora, nas recolhas de comida nos hipermercados e assim dê sempre alguma coisa). Depois vejo aqueles vídeos de salvamento, fotos de animais completamente maltratados, mal nutridos, vítimas de agressão e, em alguns casos, cheguei a ficar com o dia estragado, a chorar baba e ranho por causa daquilo. Por isso decidi não ver mais nada dessas coisas, salvaguardando-me, e tentando sempre ajudar como posso.

Proporcionarei a todos os animais que viverem comigo a melhor vida que lhes puder dar - e sei que são todos muito felizes aqui em casa - mas fora da minha zona de ação sinto-me um pouco com as mãos atadas. Mas, podendo ajudar, melhor. E chegou-me ao email um leilão solidário, onde vários autores portugueses quiseram contribuir, que reverte a favor da Associação Animais de Rua. Ou seja: ao comprarem (ou, para já, licitarem) um livro que estará autografado, ainda ajudam uma instituição ligada à causa animal. É a ligação de dois mundos perfeitos, não é?

No meio da lista de mais de cem livros encontram-se autores como Afonso Cruz, Mário de Carvalho, José Luís Peixoto, Richard Zimler e Miguel Esteves Cardoso. As licitações ainda não estão assim tão altas, muitas delas abaixo do preço de compra dos livros em livrarias, sendo que aqui ainda têm o toque especial do autógrafo! É aproveitar para juntar o útil ao agradável =)

Podem ver todos os livros e licitar aqui, no facebook da Animais de Rua.

12
Jun17

E assim foi mais um Primavera

Carolina

Dizem que nunca devemos voltar ao sítio onde fomos felizes - e talvez isso tenha alguma razão de ser, porque o termo de comparação é sempre alto e difícil de superar. Mas eu voltei: dois anos depois, lá fui eu para três dias de Primavera Sound. Em 2015 foi mágico por tudo: pela fase maravilhosa que eu estava a viver, por ter estado ali juntinho dos artistas e da ação em pleno fosso, por conhecer imensa gente que por lá andava e sentir uma mística incrível durante todo aquele tempo. E depois do ano passado ter ficado tristíssima por não ter ido - dizia mal da minha vida de cada vez que via uma foto nas redes sociais - prometi a mim mesma que não voltava a falhar e corri o risco de voltar. E voltei. E a verdade é que o tempo não anda para trás e as condições nunca são as mesmas - e, por isso, não foi igual. Nunca poderia ter sido. Mas, dentro dos possíveis, foi bom. 

Foram três dias que passaram a correr. Para mim, foi em crescendo - cada dia melhor que o anterior, em todos os aspetos. Confesso que na quinta-feira vim para casa a pensar que não voltava a comprar bilhetes para o festival - a música da noite era pesada, estava ali com amigos e não queria fazer a "desfeita" de ir embora cedo quase por capricho (ou, por outras palavras, por não gostar da música) mas, acima de tudo, foi a droga que me fez chatear a sério. Eu sentia o cheiro a erva por todo o lado, toda eu tinha aquele odor pestilento empestado na roupa e no cabelo, já estava com os olhos espelhados de tanto fumo e tanto canábis e, no meio de tudo aquilo, levantou-se a questão de eu não beber, nem fumar nem o diabo a quatro. Tenho, em rascunho, um texto escrito em cima do acontecimento - e muito a quente - sobre o assunto, que ainda vou pensar se publico. Esta é uma questão sobre a qual eu deixei de falar com as outras pessoas; sei que não vou mudar o mundo e sabia perfeitamente ao que ia. Mas se eu quase não posso questionar os outros por se drogarem, como é que os outros ousam sequer questionar-me pelo facto de eu não o fazer ou querer beber uma água, num sítio onde - pelos vistos - só fica bem beber álcool? É algo que me tira do sério e, por um triz, me estragou o dia. (De qualquer das formas, vale a pena anotar de que este acaba por ser um festival descontraído, onde é raro ver pessoas a cair de bêbadas ou em estados completamente fora de si - pelo menos até horas razoáveis da noite, daí a presença de tantas crianças). Mas os dias seguintes foram mais calmos e melhores, até porque me mentalizei de que paguei o bilhete e, como tal, estava de consciência tranquila sobre as horas a que entrava ou saía do festival e de tudo o que lá consumia (e sim, bebi água). Era uma escolha minha. E assim foi.

Fui sempre cedo - de forma a apanhar os primeiros concertos da tarde, que começavam às 17h - e voltei, no máximo, à uma da manhã. Ficaram muitos concertos por ouvir, é um facto, mas a verdade é que muitos deles não eram a minha onda. Este ano o cartaz era mais pesado, mais eletrónico e eu não sou propriamente fã de "barulho". Isso fez com que se acentuasse uma característica que eu acho que já era visível antes: o Primavera muda, literalmente, do dia para a noite. E eu adoro o festival de dia - da descontração, do sol, da calma, da música alternativa mas descontraída, de estar sentada na relva enquanto ouço algo que aprecio - e não gosto assim tanto à noite, onde já está tudo de pé, numa envolvência mais normal de "festival" e onde as drogas começam a ganhar terreno, o álcool começa a fazer efeito e, acima de tudo, onde a música é muito mais violenta. 

Por falar em música, confesso que só conhecia Bon Iver. Comprei o bilhete muito antes de sair o cartaz e a verdade é que fui à descoberta. Ouvi algumas coisas antes de ir, só para ter uma ideia, e o padrão manteve-se: tarde muito fixe, noite nem sempre. A assinalar: Cigarrettes after sex, Rodrigo Leão&Scott Mathew, Whitney, Frst Breath After Comma, Sampha, Nuria Graham e, para mim, o melhor concerto (principalmente ao nível dos cabeças de cartaz) Metronomy. E perguntam vocês: e então Bon Iver? Não gostei. Não sou fã acérrima, conheço algumas músicas e às vezes ouço-as enquanto escrevo e trabalho - mas aquilo que aconteceu no concerto, ou pelo menos em grande parte dele, não era aquilo que eu conhecia dele: uma voz incrível, músicas calmas e bonitas. Foi uma cena algo conceptual, onde a voz dele estava irreconhecível e totalmente alterada e onde ele estava tipo DJ, com os seus phones nos ouvidos, quase a viver aquilo só para si próprio. Nem sequer percebi se o concerto tinha uma linha, uma história qualquer, mas para mim acabou por ser entediante. Para além do mais, era um concerto óptimo para ver sentado, porque aquilo não era dançável - mas, como muitos estavam de pé, todos o outros se levantaram e acabou por ser uma multidão de cabeças. Para quem acompanha os trabalhos recentes dele e gosta da sua veia mais eletrónica, acredito que não tenha saído desiludido - mas não foi, de todo, o meu caso.

Há muitas queixas, este ano, em relação à organização e eu também tenho algumas, mas não vos vou maçar com as coisas más. O festival tem crescido mas, infelizmente, não tem sabido muito bem acompanhar esse crescimento e, em alguns "pormaiores", isso notava-se. Só a título de exemplo posso dizer-vos que estive duas horas para ter a minha coroa de flores. Sim, leram bem, duas horas. E porquê que fiquei? Bom, já estava na fila e não me apetecia desistir a meio do caminho; o pensamento era sempre aquele de "isto vai andar" e, no fim, o ponteiro pequenino já tinha dado duas voltas certas.

Para mim, o melhor do Primavera é mesmo ter uma desculpa para sair de casa, ir ao Parque da Cidade (sítio que nunca frequento), estar com amigos e ouvir boa música de fundo. A verdade é que acaba por ser muito mais para além da música - e há muita gente que critica isso ("é só hipsters, nem sequer conhecem as músicas, é só para ver e serem vistos"), mas a verdade é que o Primavera é especial por tudo o resto que o caracteriza - as coroas de flores, a irreverência nas roupas, a presença de famílias, as mochilas com toalhas de pic-nic, a gigante praça da alimentação. Porque música todos têm, é isso que o diferencia. E, como está mesmo aqui à mão de semear, é uma óptima razão para sair de casa, descontrair e conviver - o que, convenhamos, é algo que faço muito pouco.

Este ano teve uma particularidade interessante: para a TVI, eu parecia ter mel. Na segunda noite, já estava meia KO e pronta para ir para a cama quando vejo o Pedro Teixeira - que, para quem não sabe, sempre foi a minha celebrity crush - perto de mim. Mando mensagem a uma amiga a dizer uma parvoíce qualquer sobre ele e, ainda não tinha eu acabado de a enviar, quando o vejo a vir na nossa direção de microfone em punho para nos fazer umas perguntas. Como não respondi aquilo que claramente era suposto ("O concerto do Bon Iver era aquilo que esperavas?", "Não..."), achei que a entrevista não ia passar - mas enganei-me, porque aproveitaram um bocadinho e tive, vá, uns cinco segundos de fama. Mas no dia seguinte, enquanto esperava pela minha coroa de flores, uma jornalista veio ter comigo, em pleno direto, para fazer umas perguntas sobre o festival. Logo depois recebi uma mensagem a dizer que tinha aparecido na "tebê" - o que tem sempre graça e foi motivo de galhofa até ao último minuto de festival.

Quando acedi a fazer um inquérito de satisfação sobre o festival, perguntaram-me que palavra usaria para o descrever. Sou uma rapariga de palavras e, das muitas que me surgiram, escolhi "especial". Porque este é, de facto, um festival diferente dos restantes. Tinha tudo para não o ser - por causa da música eletrónica em demasia, por me sentir tão "normal" ali no meio que até me sinto "anormal" - mas acaba por ser mesmo o meu festival preferido. E, apesar da neura de quinta-feira e de todas as razões que tenho para não ir, acho que não resisto a voltar.

 

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E, como remate final... (o meu olhar embevecido fala por si #shameonme)

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08
Jun17

Review da semana #20

Carolina

A review da semana costuma sair à quarta-feira mas, com a falta de tempo, não consegui escrever. Vamos, por isso, fingir que ainda estamos a meio da semana e que este post é publicado no dia certo.

 

Porto Exit Games / Escape Games

 

Eu já queria fazer isto há muito, muito tempo! Mas a falta de oportunidade, conjugada com a preguiça de combinar com as pessoas e todas as logísticas que envolvem juntar grupos, gastar dinheiro e coisas que tais... fui sempre deixando para depois. Mas há coisa de um mês uma das minhas primas decidiu lançar o desafio à família e, finalmente, lá fui eu fazer um escape game!

Cá no Porto há vários, mas nós decidimo-nos pelo Porto Exit Games - em primeiro lugar porque é a mais conhecida, em segundo porque tem versões alargadas para grupos maiores. A adesão da família foi maior do que o esperado - dos que foram, nunca ninguém tinha feito, alguns já tinham ouvido falar e outros iam completamente às cegas. No total fomos 16, por isso tivemos de nos dividir por duas salas e tiramos à sorte quem ficava em qual. O primeiro grupo ficou na Porto Wine Sabotag" (com dificuldade de 60%) e o segundo (onde eu me incluía) ficou no "The Sacrifice" (com uma dificuldade de 80%). Quando me saiu o papelzinho com um 2 - ou seja, indicando que ia para a segunda sala - fiquei logo com o rabinho entre as pernas; não gosto nada de coisas que metem muito suspense ou terror e, pela descrição que eu tinha lido, esta sala era baseada nisso. Aliás, não fui só eu que, quando nos trancaram naquela sala praticamente às escuras, fiquei um bocado apreensiva. Mas correu tudo hiper bem!

Sobre a sala mais fácil não posso dizer muito, porque não sei - neste caso, o segredo está literalmente na alma do negócio e eles têm de confiar na boa fé das pessoas para não estragarem toda a piada e os enigmas do jogo. Nesse aspeto, é um negócio volátil e arriscado - mas eu acho que as pessoas se divertem tanto que tentam não matar a sua essência. Mas enfim, na minha família toda a gente se portou muito bem e não contou nada às pessoas do outro grupo - embora nos apetecesse muito falar sobre as charadas, os enigmas e tudo o que passamos naquela hora (que voou!!), nunca abrimos o bico, até porque um dia destes queremos trocar de salas e ver quem sai mais depressa.

Sobre a sala que eu fiz, posso dizer que adorei. Como éramos oito fizemos a versão extended, que eu depreendo que seja mais longa e difícil ainda, mas a verdade é que conseguimos sair a 14 segundos do fim!!! (Ai a adrenalina!!) Os outros conseguiram sair com um quarto de hora de avanço, mas a sala deles também era mais fácil. A organização aconselha a que se comece precisamente pelo nível mais baixo mas, no nosso caso, como éramos um grupo grande, tivemos de dividir. A senhora que nos recebeu e guiou durante todo o jogo foi muito simpática e divertida e confessou-nos, no fim, que achava que nós não íamos sair - porque a verdade é que para se conseguir sair é preciso desvendar um número de charadas muito elevado, não é mesmo fácil. Quando eu achava que já estavávamos no fim, pumba, mais uma nova surpresa - era sempre assim, parecia que nunca mais acabava!

Apesar do tema ser sombrio e de haver uns barulhos um bocado sinistros, assim como alguns objetos mais creepy, não há que ter dramas em fazer esta sala. Não mete medo nem há nada muito assustador, vive-se perfeitamente. E se vos estiver a dar um fanico têm sempre o botão de pânico, que abre a porta imediatamente. 

Os desafios são de todos os tipos: sensoriais, lógicos, de equipa... enfim, é óptimo para dinâmica de grupo e passa-se uma hora num abrir e piscar de olhos! Eu adorei e voltava a repetir sem dizer um "ai" e gostava mesmo muito de, num futuro próximo, fazer as outras duas salas - a mais fácil e a mais difícil, que dizem que é mesmo tramada. Aconselho vivamente a que experimentem esses escape rooms pelo país fora!

06
Jun17

Que mundo estranho este [sobre os pseudo-famosos desta vida]

Carolina

Há dois fins-de-semana deu-me na realgana ir ao Summer Market Stylista, que acontecia no Estoril. Já tinha pensado ir, não por uma questão de compras, mas para conhecer novas lojas - algo que me é útil também por questões de trabalho. Mas entre o vai-não-vai, o fim-de-semana que passa a correr e dá tanto jeito para se fazer tudo o que não se fez ao longo da semana e uma preguiça do demónio que se apodera sobre nós... no sábado acabei por andar a arrumar umas tralhas e dar metade do roupeiro e no domingo tencionava jiboiar por aí (mais especificamente no meu sofá, sejamos sinceros). 

Mas mudei de ideias, levantei o rabo e já era quase domingo quando comprei os bilhetes de comboio para baixo - e lá fui eu, às nove da matina, no intercidades para Lisboa. Estive com o pessoal do costume e, à tarde, lá fomos à feirinha. Tivemos algum azar, porque a chuva decidiu dar de si e em alguns momentos foi mais do que uma "molha tolos" - aliás, no final, foi mais "molha todos", porque saí de lá encharcadinha. Não esperava que a feira fosse tão grande, que tivesse tantas marcas e espaço (embora achasse as barracas em si um bocado apertadas). Não comprei nada, fui só ver e fazer "sourcing", para depois espreitar as marcas que posso potencialmente "atacar" no futuro.

Mas não era sobre isso que vinha falar aqui. Como alguns de vós devem saber, aquele evento é organizado por uma blogger conhecida da praça e, naturalmente, há muitos outros que por lá andam - ora a expor, ora a visitar. Eu vi muitos e, talvez porque sou do Porto e não estou habituada a ver famosos (ou, neste caso, pseudo-famosos - não sei bem qual é a linha que separa uma coisa de outra), fez-me pensar muito sobre o assunto. Vi bloggers e vloggers e, naquele voyerismo um bocado estúpido mas praticamente impossível de evitar, pus-me a ver as diferenças entre as fotos e a realidade e a partilhar as minhas conclusões. E depois pensei: eu sei o nome dos filhos desta, o nome dos cães daquela, lembro-me de quando esta casou, "olha esta teve uma filha há pouco tempo, está em óptima forma", "ah, mas não sabia que o namorado dela fumava", "será que o marido dela veio para ajudar?". No fundo, estava dentro daquelas vidas sem estar, na realidade, dentro delas. E isso foi estranho.

Nós estamos habituados a estar a par da vida dos famosos - que são, normalmente, pessoas da televisão, do cinema ou da música, que se expõem devido a uma profissão artística (em alguns casos) que escolheram. Mas estas pessoas - lá está, "pseudo-famosas" - escolheram expor-se, estar naquela situação. E talvez a mim me faça mais confusão porque eu acho que deve ser horrível ser famoso, ter os media em cima de nós e ter toda a gente a exigir-nos simpatia constante - mas por outro lado também percebo que faz parte de algumas profissões, que umas coisas não são independentes de outras e que temos de as aceitar se queremos levar avante certos projetos. Tenho pensado muito nisso até por causa do Salvador Sobral - a minha crush do momento, não sei se já deu para entender. Percebe-se que ele quer fazer música, que quer sucesso - mas que lida muito mal com todas as suas implicações, selfies e explorações dos media.

E transito isso para mim própria, porque acho que seria igual. O meu derradeiro sonho é escrever - e embora um escritor não tenha de ter metade da exposição de um ator ou de um cantor, nos dias de hoje tem de se saber mostrar para a máquina funcionar (porque ser só o menino dos olhos da crítica não basta - e, a meu ver, até vale pouco). E isso assusta-me - assim como me assusta este blog, que apesar de eu gostar que seja lido, comentado e partilhado, também gosto que seja tímido, sem grandes alvoroços. Assusta-me a fama, que hoje em dia aparece tão depressa como desaparece, por razões que às vezes nem sequer controlamos.  

Enquanto via ali alguns dos blogger e vloggers que sigo, pensei nisto tudo. Pensei que, tal como eu sabia o nome dos cães de uma rapariga que por lá passava, vocês também podem saber o nome dos meus - assim como quantos irmãos eu tenho, as cidades que visito e o tipo de trabalho que faço. Simplesmente, como não sou conhecida, não tenho de me confrontar com esse tipo de situações. Ainda assim, na viagem para casa, vim sempre a divagar em como estou e não estou dentro da vida daquelas pessoas, que gosto mas não sei quem são, que sinto que conheço mas nunca vi. No fundo, em como este mundo que vivemos é estranho.

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