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[Entre Parêntesis]

Tudo o que não digo em voz alta e mais umas tantas coisas.

25
Ago16

Okay, numa coisa mudei

Carolina

Se não tivesse mudado, não tinha organizado um campismo de família com cerca de 33 pessoas envolvidas e 13 tendas à mistura. Durante três dias.

E não me metia num carro no dia seguinte para acampar com amigas até, literalmente, ao meu último dia de férias (e da minha minha vida como atualmente a conheço). 

 

(uns chamam-lhe mudança - outros podem chamar-lhe inicio de loucura...)

24
Ago16

"Mudaste."

Carolina

"Mudaste" é capaz de ser das palavras que mais ouvi este verão. Subitamente, toda a gente me decidiu dizer que mudei, que cresci. E eu, num instinto de defesa antigo, digo que não, que estou igual.

Associo sempre essa forma do pretérito perfeito do indicativo do verbo mudar a algo pejorativo. Talvez seja um preconceito vindo de todas os dramas que vi e li, em que um romance incrível acaba com essa palavra pequenina mas tão impactante como um punhal dirigido ao peito. "Mudaste", como quem diz: "já não és aquilo que eras, já não és a pessoa que conheci, já não és a pessoa de quem um dia gostei". Porque nos livros e nos filmes é sempre uma palavra dita tristemente, com sabor a fim - e soa-me estranho que mo digam levemente, como quem fala do tempo. Não o consigo levar como uma coisa positiva, ainda que me sorriam pelo meio - sinto sempre um julgamento implícito, nem que seja um "mudaste para melhor, e ainda bem, porque antes eras impossível".

Há uns tempos disseram-me, alegremente: "cresceste tanto, Carolina!". E eu, com toda esta história do "mudaste" e toda a sua conotação, só pensei "mas antes eu era assim tão criança?". Percebi na hora que era um elogio, mas aquela frase pequenina caiu-me de forma imprevisível. Porque, não sabendo se na realidade mudei ou não, o que sei é que há muito tempo que estou satisfeita com a pessoa que sou - sempre gostei de mim, com todos os meus defeitos e manias. Mas, aparentemente, o mesmo não se passava com todos os outros há minha volta, se essa mudança é tão notada e ainda por cima há a necessidade de a afirmar em alta voz.

20
Ago16

History repeats itself

Carolina

E aqui estou eu, numa noite de Agosto, a ouvir Jamie Cullum. Deitada numa cama que ainda é a mesma, outra vez com um portátil no regaço, mas com mais seis anos em cima do lombo. Num quarto diferente, mas igualmente sozinha - literalmente e em espírito, sentindo-me melhor do que nunca em relação a essa solidão crónica que me acompanha desde sempre (e que nessa altura me consumia seriamente).

Desta vez tenho cortinas no quarto, mas faltam-me as bolachas madrilenas que na altura me adoçavam a boca. Ainda assim, mesmo sem hoje ter bolachas ao lado, sinto a vida bem mais doce do que há seis anos atrás. 

Não me perguntem porquê que me lembro tão bem daquele fim de tarde de 2010 em que descobri o Jamie Cullum e em que ouvi a "If I Rulled the World" pela noite dentro. Nunca duvidem quando digo que tenho na minha memória os mais ínfimos pormenores de coisas aparentemente insignificantes - ainda que, neste caso, esse dia tenha pouco de insignificante; descobri aí a minha paixão musical, a maior de todas, que creio que vai durar até ao fim dos meus dias.

Hoje, que o (meu) Jamie faz anos, ouço-o com o mesmo arrepio na espinha com que ouvi há seis anos pela primeira vez. O mundo inteiro pode ter mudado; eu posso ter mudado. Mas esta paixão continua igual.

 

 

15
Ago16

O que seria de uma viagem sem um pouquinho de aventura?

Carolina

Há uma semana atrás estava a voltar da Régua. Fui no meu antigo carro, uma vez que éramos três pessoas, mas sempre com medo do que dali poderia vir. Desde que tenho o smart que ele está mais parado e há um ano já me tinha deixado apeada na Avenida da Boavista, quando sobreaqueceu e ameaçou derreter-me o motor do carro. Sem me alongar muito, basta dizer o esperado: aconteceu outra vez.

Estavam perto de 40º no Douro Vinhateiro e o caminho que decidimos fazer, por Mesão Frio até à auto-estrada, ainda tem uns bons quilómetros de nacional. A casa onde estávamos já ficava bem alta e, antes de irmos, decidimos passar pelo centro da Régua para comprar os rebuçados que tanta gente gosta - o que implicava descer e depois tornar a subir. Assim fizemos. Eu estive sempre de olhos postos na rodinha que assinala a temperatura, já com um feeling do que podia acontecer, porque aquelas subidas são íngremes e eu via-me obrigada a puxar pelo carro. A temperatura subia um pouquinho e depois voltava ao normal, andava nisto, até que de repente saltou para o extremo do vermelho e o carro perdeu a potencia toda e eu tive um dejá-vu daquela tarde na Boavista. A diferença é que neste caso estava na nacional, em cima de duas curvas e sem sítio para encostar.

Coisas importantes a saber: eu não tinha telemóvel; a amiga que estava comigo tinha bateria mas menos de 1 euro para gastar e o outro amigo que também estava no carro tinha 8% de bateria. Uma gestão difícil, portanto. Não vale a pena entrar em grandes pormenores do que aconteceu: com o meu irmão a seguir-me de guia e "calmador espíritual", abri o capôt, tentei descobrir o sítio onde se coloca a água (não descobri...) e passado algum tempo (já depois de triângulo posto e colete vestido) seguimos para uma bomba de gasolina ali pertinho. 

Depois de pedir ajuda aos senhores que lá estavam e de ouvir as centenas de bitaites e experiências que tinham para me contar, e como o carro já tinha voltado ao normal, fiz uma segunda tentativa. Durou pouco mais de um quilómetro, onde o carro voltou a aquecer e eu desisti e tive de chamar o reboque. É verdade: 21 anos, 3 de carta, a 100kms de casa, fui rebocada pela primeira vez. 

Mas o que importa aqui não é o facto de ter sido rebocada, mas sim a forma como encarei tudo isto. Sejamos sinceros: um carro avariar é sempre uma situação chata e stressante, principalmente se não percebemos nada do assunto e estamos no meio de uma nacional onde a visibilidade e a probabilidade de acidente é muito maior. Confesso que nos momentos iniciais tive medo, acima de tudo pelo sítio péssimo onde estávamos, mas depois passou. E quis levar aquilo da forma mais relaxada que pude, sem stresses de maior, e aproveitar a experiência que espero não ter de repetir muito mais vezes na vida. No fundo, eu sabia como não queria encarar a situação: não queria berros, não queria choros ou desespero porque a situação não era digna de uma reação de fim de linha. Tenho andado a trabalhar muito nesta minha parte mais emocional, racionalizando-a; vejo os outros a fazer cenas por coisas mínimas e penso: "eu não quero ser assim". E não fui.

Estava com amigos, a rir-me meia em pânico porque não sabia como ia saltar abaixo do reboque e com aquela adrenalina de quem já é crescidinha e soube tomar conta da situação. O reboque saiu primeiro, ainda esperamos vinte minutos pelo táxi, e depois lá seguimos por aquelas estradas em "S" com um taxista louco ao volante - tão louco que, apesar do avanço do reboque, ainda o conseguimos ultrapassar em plena auto-estrada.

No fim de contas, a GoPro da minha irmã ainda serviu para documentar o sucedido e deixar uma recordação para a história. Rebocada e feliz. É isto a vida.

 

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14
Ago16

Riga, a pequena Paris e os edifícios de arte nova [Letónia]

Carolina

Riga foi a última cidade que visitamos neste cruzeiro (com exceção de Estocolmo, onde saímos do barco, mas onde já tínhamos estado). Não sei se é por ser a última ou por, de uma forma geral, já estarmos todos cansados, esta é a cidade que menos lembranças tenho. Por outro lado, não escrevi sobre nem sobre ela nem sobre Tallinn no meu diário de bordo no telemóvel - já estava com preguiça e queria aproveitar tudo o que o barco me tinha para oferecer, pelo que me deitava tardíssimo e sem qualquer vontade de pôr a escrita em dia. Hoje vejo que, para escrever textos como estes, essas lembranças frescas fazem muito jeito e tornam-nos muito mais reais, ajudando-nos a reviver tudo o que passamos.

De qualquer das formas, e apesar de ter sentido que não vivi Riga como queria, acho que não havia muito para mostrar. Para piorar, a nossa guia, apesar de muito querida e simpática, não era muito expansiva e não tinha intercomunicador para falar connosco, o que limita muito a visita. Tínhamos de estar sempre junto dela se queríamos ouvir o que quer que fosse e qualquer paragem rápida para fotos implicava que depois tivéssemos de correr para apanhar o grupo.  Eu estava também com imenso peso na mochila e cada vez mais cansada a cada quilómetro que passava, pelo que até poucas fotos tirei. 

É das cidades que penso revisitar, não por ter adorado, mas por achar que ficou muito por viver e ver. 

 

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Acima de tudo, aquilo que há para ver em Riga são os fabulosos edifícios de arte nova. São muitos, mesmo muitos e têm fachadas incríveis. São normalmente edifícios altos e imponentes, em ruas relativamente estreitas mas muito bonitas. Infelizmente, tanto esta como várias das cidades que visitamos têm imensos fios elétricos espalhados pelos céus, pelo que a maioria das fotografias ficam estragadas.  

Mais uma vez, a guia partilhou connosco um pouco da história da Letónia, também muito ligada à União Soviética. Todas estas capitais que, nos anos 90, viraram independentes, têm estátuas em celebração da liberdade e da independência e Riga não é exceção. A nossa guia disse-nos algo muito curioso e que me deixou a pensar: em 40 anos de vida, ela já passou por três unidades monetárias. Primeiro a que se usava na União Soviética, depois - aquando da independência da Letónia - a moeda própria desse país e agora o Euro. É incrível como em tão pouco tempo aconteceu tanta coisa. Esta viagem serviu para ver que aquilo que li e estudei muitas vezes em historia e que me pareceu uma realidade tão distante é, na verdade, algo ainda muito próximo - tão próximo que os vestígios dessas coisas "antigas" estão ainda por todo lado.

 

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Riga é agora conhecida pela "pequena Paris", pois tem muitos recantos amorosos e esplanadas muito acolhedoras e, lá está, parisienses.

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 Uma das histórias mais giras que nos foi contada na visita foi sobre o gato que está acima de um dos edifícios de uma das praças centrais. O dono dessa casa tinha uma desavença com os donos do edifício em frente e decidiu pôr um gato no telhado, com a cauda levantada e o rabo virado para a fachada dos vizinhos. Entretanto o gato já foi virado ao contrário, mas a história e a simbologia continuam lá e o gato ganhou semelhante importância que é agora um dos símbolos de Riga.

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Da parte da tarde, como já tinha acontecido em Tallinn, decidimos dar uma volta sozinhos e descobrimos outra parte da cidade, mais verde e ampla, sem estar coberta de edifícios. Tinha um rio, onde andavam pequenos barcos a motor e outros a remo, num ambiente muito bonito e descontraído. Antes de voltar para o barco ainda deu tempo para pararmos num café, bebermos algo e comermos um gelado.

 

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13
Ago16

Chávena de letras - "O Livro dos Baltimore"

Carolina

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Depois de ter devorado "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert" de Joël Dicker e de este ter ido diretamente para o primeiro lugar do meu top de livros de 2016, não pude deixar de ler o mais recente livro do autor. Estava com esperança de que fosse tão bom como o primeiro que li e não podia deixar que uma preciosidade dessas me passasse ao lado.
A verdade é que este "Livro dos Baltimore" não me conquistou como o Caso de Harry Quebert. Achei a história mais massadora e pesada, para além de que o factor mistério estava mais dissimulado e não puxa tanto pelo leitor. Uma das coisas que adorei no primeiro livro que li deste autor suíço foram as passagens exímias que fazia entre flashbacks e o presente e não consegui sentir o mesmo neste livro; por vezes ficava confusa e tinha de voltar para trás para conseguir construir uma timeline mental da história.
Não quer isto dizer que não tenha gostado e que a leitura não tenha valido a pena. Gostei e acho que vale a leitura das suas quase 600 páginas. Ainda assim, ao lado d'"A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert", não se consegue destacar. Continuarei atenta a Joël Dicker e serei certamente uma leitora fiel dos próximo livros que lançar.

13
Ago16

Cadê os biquínis normais?

Carolina

Todos os anos há uma praga qualquer que assola as lojas e que arruína uma peça qualquer de roupa, ao ponto de se ter de andar à lupa à procura de algo usável e decente. O ano passado foram as botas: feias, horríveis, grosseiras. Falei disso aqui.

Este ano a praga foi para os biquínis. Onde andam os biquínis normais, giros, bonitos mas simples? Onde é que se arranja uma roupa de banho sem ter trinta fivelas em sítios estranhos, buracos a meio da barriga, cuecas enormes ou subidas até ao pescoço, ou coisas a fingir que são cuecas, de tão reduzidas que são? Onde está a normalidade, o bom senso, a vontade de ficar sem marcas?

Eu ando há procura de um biquini novo há meses - os meus estão velhos, manchados e eu ando sem vontade de os usar. A culpa não é só deles, claramente - é minha, de não me gostar de ver com eles e provavelmente qualquer outro biquini. Mas enfim - queria um novo e não encontro nada que goste: para além de ser tudo estranhíssimo, os preços são muitas vezes exorbitantes. Percebo esta nova vaga de marcas nacionais que invadiu a praça, com todos esses novos conceitos e um espírito diferente e único. Mas a minha questão é: isto resulta mesmo? Ou a vontade de ser diferente é tanta que anda toda a gente a cair no ridículo para ganhar o troféu de mais diferente? É que até eu, que até sou muito despreocupada com as marcas no corpo (ao contrário da maioria das mulheres que conheço), acho um exagero. E, mais do que isso, acho verdadeiramente feio. Já para não falar de que é preciso um manual de instruções para vestir algumas daquelas peças.

A parte boa disto tudo é que acho que não vai durar muito. Isto é como a Desigual: houve uma febre inicial, toda a gente adorava e dava uma moeda de ouro por aquilo, e depois, sem aviso prévio, todos se fartaram e a marca morreu em Portugal. Acho que daqui a um par de anos todos estes biquinis e espécies-de-fato-de-banho não vão sair da gaveta, porque já ninguém vai gostar deles. Até porque, nessa altura, a praga da moda já invadiu outra peça qualquer e o mar voltará a acalmar no que a roupa de banho diz respeito. Até lá, é continuar a vasculhar nas profundezas da internet à procura de coisas usáveis e giras. Deixo-vos, no entanto, com um best-of das milhentas coisas horríveis/que-não-cabem-na-cabeça-de-ninguém que encontrei nas minhas buscas.  

 

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Da Bohemian Swimwear, ou como dizermos "discretamente" que somos adeptas de bondage

 

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Da Bohemian Swimwear

 

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Da Nyos

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Da Papua 

 

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Da Papua 

 

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Da Paraíba, ou como usar uma coleira em forma de biquini

 

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 Da Nyos

12
Ago16

Tallinn, uma feira medieval em ponto grande e permanente [Tallinn, Estonia]

Carolina

Tallinn era talvez a capital que visitei em que não levava qualquer bagagem de expectativas. Não conhecia, não tinha pesquisado, não tinha ouvido falar. Foi uma completa surpresa - e das boas. 

 

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Escrevi no post sobre a Finlândia que a primeira coisa que lá vimos foi o Song Festival Ground, uma espécie de parque com um grande palco em forma de concha onde, de 5 em 5 anos, há um festival de danças típicas. Mea culpa. Esse local não fica em Helsínquia mas sim em Tallinn e só hoje é que dei pelo meu erro. Como já tinha dito, achei o local tão desprovido de interesse que nem tirei fotografias - e as fotos, organizadas por ordem cronológica, têm sido o meu guia para estes posts, daí o erro. Continuo no entanto a dizer que esta primeira paragem foi um pequeno choque, porque pensei "se venho numa visita guiada e me perdem tempo a mostrar isto, até tenho medo do que vem a seguir". Mas a verdade é que coisas bem melhores estavam por vir. 

A nossa segunda paragem foi no complexo olímpico, construído para os jogos olímpicos de 1980. Nessa altura a Estónia estava anexada à União Soviética e, segundo a nossa guia, este foi um período crucial para o país, pois representou a entrada de muitos estrangeiros. O contacto com outras culturas e mentalidades permitiu aos estonianos perceber que havia um mundo para além daquele em que eram obrigados a viver e foi quase o início da separação da Estonia da URSS. 

O complexo em si não tem nada que ver - as construções, apesar de serem melhores que as que vi na Rússia, continuam a ser feias - mas está situado mesmo ao largo do mar Báltico, pelo que é um bom sítio para tirar fotografias. O dia que passamos em Tallinn foi sem dúvida o mais frio deste cruzeiro e eu dei graças por ter comprado um hoodie em Estocolmo, que me manteve quente enquanto aqueles ventos gelados do Norte me fustigavam.

  

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No complexo olímpico de Tallinn

 

A partir daqui foi só melhorar. Parámos na Alexander Nevsky Cathedral, que é muito ao estilo da Church of Resurrection on the Spilled Blood, que visitei em São Petersburgo. É mais sóbria, com menos cor, mas igualmente lindíssima. Esta, à semelhança de muitas das igrejas na Estónia, é um igreja luterana, pelo que as mulheres locais têm sempre de entrar com a cabeça coberta - não exigem o mesmo às turistas. Achei particularmente curioso que os serviços normais da igreja decorressem enquanto os turistas entravam e saíam: quando lá fui, estavam a velar um morto, mesmo no meio do frenesim de entras-e-sais que se vivia na igreja.

  

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 Alexander Nevsky Cathedral

 

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 Alexander Nevsky Cathedral

 

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Alexander Nevsky Cathedral

 

Depois fomos dar um passeio pela a parte velha de Tallinn. Passamos pela St. Mary Cathedral, que tem no seu interior enormes e incríveis brasões - infelizmente não consegui entender a história que a nossa guia contou relativamente a eles, mas tirei-lhes fotos porque me lembraram imenso o Harry Potter, Hogwarts e os brasões das diferentes casas. Na verdade, Tallinn (assim como o Porto) podia perfeitamente ter inspirado a J.K.Rowling em muitos aspetos - eu passei a vida a pensar que muitas das coisas tinham ares Harry-Potterianos.

 

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St. Mary Cathedral

 

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Brasões no interior da St. Mary Cathedral

 

 

Pelo caminho passamos por vários sítios com paisagens panorâmicas incríveis da cidade, onde havia sempre pessoas a tocar música ou a vender amêndoas caramelizadas - e claro, imensas lojas de souvenirs. 

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Num dos miradouros de Tallinn

 

 

 A excursão só durava a parte da manhã, pelo que depois tínhamos a hipótese de voltar ao barco ou de ficar pela cidade durante mais um par de horas. Como qualquer minuto numa cidade estrangeira é valioso, eu e a minha mãe optamos por ficar. Apesar de tudo, penso que esta foi a nossa visita guiada mais "limitada", pelo que poder andar sozinhas a descobrir todas as ruelazinhas da cidade velha foi uma grande mais valia. Esta parte da cidade é simplesmente um mimo: as casas parecem tiradas de um conto de princesas, em construções que não sei descrever mas que nos levam a cabeça para mundos encantados. Por outro lado, muitas das pessoas locais e das lojas têm inspirações claramente medievais - tanto nas roupas que vestiam, como no estilo das lojas ou a grafia dos letreiros. Talvez por ter esta junção de dois "mundos" de que tanto gosto, Tallinn revelou-se a maior surpresa desta viagem e ganhou o título da cidade mais "mimosa". Apaixonei-me por todas aquelas vielas.

 

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Praça central da parte velha de Tallinn

 

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Loja na parte velha de Tallinn 

 

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 À saída da parte velha de Tallinn

 

Em consonância com a cidade, as lojinhas também eram muitos giras. As paredes normalmente estavam "forradas" com as malhas de lã, super quentes e fofas, mas também tinham muitos souvenirs giros e diferentes do normal. Foi de Tallinn que trouxe a maioria das recordações desta viagem, porque acima de tudo achei que marcavam pela diferença. Trouxe umas palmilhas forradas a lã, já a pensar no frio que passo sempre no Inverno; a minha mãe ofereceu-me um caderno feito à mão e com um ar super antigo, que me lembrou imenso o Harry Potter e me conquistou no primeiro segundo em que lhe pus a vista em cima; por fim trouxe dois postais também feitos à mão, com papel reciclado e uns desenhos à moda antiga, muito diferentes daqueles que se vende aos milhares, todos iguais e que recebo através do Postcrossing.

 

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 Souvenirs

 

12
Ago16

Acho que devia atualizar o meu currículo

Carolina

Estou neste momento a organizar o segundo campismo anual da minha família (se bem se lembram, falei do primeiro aqui). Nestas coisas, o que custa é começar - e depois de no ano passado termos sobrevivido e as coisas terem corrido tão bem, este ano não é preciso um esforço tão grande para levar as coisas avante.

Ainda assim, são 30 pessoas. E provavelmente um cão. E mais de dez tendas. Com um aniversário pelo meio. Como um extra, na loucura, decidi propor que acrescentássemos mais um dia ao campismo: de sexta a domingo, em vez de ser só no fim-de-semana. Neste parque há possibilidade de marcação, pelo que preciso de saber ao certo as pessoas, as tendas, os carros e etc. (o ano passado fomos à maluca, sem saber se tínhamos ou não lugar e a ver quem é que encaixava na tenda de quem). 

Tenho para mim que há organizações de eventos menos complexas que esta. Acho que o meu campismo anual de família merecia um lugar de destaque no meu currículo.

10
Ago16

A cidade dos palácios mais bonitos do mundo e dos contrastes [São Petersburgo, Rússia]

Carolina

Estou de volta com o meu diário de bordo! Depois de uma pausa para eu e vocês recuperarmos energias, trago-vos o maior texto desta viagem - que, como não poderia deixar de ser, se dedica à Rússia. Este é mais do que um texto sobre os monumentos da cidade, mas também da forma como vi um país que ainda vive (e impinge aos outros) uma grande repressão, o que sem dúvida tornou esta paragem muito mais interessante. O texto é grande por ter todas essas minhas reflexões e por termos estado dois dias na cidade, o que deu para ver e explorar mais São Petersburgo do que qualquer outra das cidades onde parámos.

 

São Petersburgo era, provavelmente, a cidade que mais curiosidade tinha para ver, muito pela mística que a Rússia ainda hoje tem. Acho que quando me perguntam qual foi a minha cidade favorita neste cruzeiro, todos esperam que eu diga que foi esta cidade - e não foi, acima de tudo porque eu gosto de cidades coerentes. São Petersburgo não é coerente - é lindo e riquíssimo de um lado, e horrível e paupérrimo de outro. E não é preciso andar muito para se verem tais contrastes. 

Para além disso, uma cidade também é feita de pessoas. E a visão geral que todos temos dos russos correspondeu (pelo menos para mim) à realidade: são pessoas chateadas com o mundo, mal humoradas, mal encaradas e muito pouco simpáticas. 

 

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 Rio Neva

 

 

Poderia dizer que ainda há pela Rússia muitos resquícios da União Soviética, mas a verdade é que são muito mais que resquícios: é uma presença muito pesada, que vive não só nos edifícios da cidade, como na cultura e nas pessoas de uma forma geral. Os prédios (os que não são palácios e se encontram fora do centro da cidade) são horríveis, estilo bairros sociais sem qualquer tipo de manutenção; são edifícios sem acabamentos ou pinturas, só cimento, pelo que estão literalmente comidos pelo tempo. São todos iguais: do mesmo estilo, com as mesmas janelas, as mesmas portas. As montras não têm cor e são muito pouco trabalhadas, com um chamamento muito rudimentar, penso que por aquela economia ainda não estar habituada a ter um mercado concorrencial em vez de ser tudo planificado. Os passeios, em muitos sítios, são muito maiores do que o normal (acima do padrão aqui em Portugal) e dão a sensação de estarem sempre vazios: as poucas pessoas que lá andam são tão cabisbaixas e tristes, com um semblante sempre tão carregado, que todo este cenário me lembrou os vários textos que já li sobre a Coreia do Norte. Em reflexões posteriores, dei por mim a pensar que praticamente não vi crianças e jovens.

Por outro lado, a segurança continua apertada. Logo ao passar na imigração temos um vislumbre do que era a URSS antes de cair o muro. Entramos num cubículo com espelhos a toda a volta, entregamos o nosso passaporte, cartão do barco e bilhete da excursão e ficamos assim durante um par de minutos, sem qualquer troca de palavras. Os senhores que lá trabalham olham para nós com ar ameaçador, com os olhos entre o nosso passaporte, nós e o computador que têm à frente e, quando se dão por satisfeitos, carimbam-nos o passaporte e atiram-no sem dizer o que quer que seja. É giro ignorar o barulho de fundo e concentrarmo-nos no som dos carimbos a bater nos passaportes, algo que imagino ser super característico nos períodos ditatoriais. E na Rússia o poder do carimbo ainda está vivo e isso sente-se na forma como eles nos tratam, como quem diz "tenho o poder de te deixar entrar na palma das minhas mãos".

Para além disso, a vigia é constante. A nossa guia não nos perdia de vista e passava a vida a contar-nos (eu já quase sabia contar em russo!). Nos palácios, por cada sala que se podia visitar (e, acreditem, eram muitas!), estava uma mulher a olhar para nós e a certificar-se que cumpríamos as regras: normalmente tínhamos sempre de usar "pantufas" nos pés e não podíamos levar kispos e mochilas connosco. Noutros não podíamos mexer nos telemóveis ou tirar fotografias. As regras eram variadas e havia sempre alguém disposto a faze-las cumprir.

Mais uma vez, eu e os meus pais optamos por fazer uma excursão: neste caso não tínhamos mesmo outra hipótese, porque não pedimos visto para andar livremente. Visitar a Rússia em cruzeiros tem essa enorme vantagem: comprando visitas guiadas, não temos de ter visto, pelo que é muito mais fácil entrar no país. Por isso, neste destino, a grande parte dos passageiros do barco saíram em excursões.

A nossa primeira paragem foi o palácio Peterhof, a uma hora de São Petersburgo. É um palácio lindo, gigante, difícil de transpor em palavras. É conhecido pelas suas inúmeras fontes e esguichos de água, usados pelo Peter, The Great para fazer partidas aos seus convidados e vê-los todos molhados sempre que este decidia organizar uma festa ou um banquete. Infelizmente não era possível tirar fotos no interior do palácio, por isso só posso mostrar-vos o exterior. Posso, no entanto, dizer-vos que há ouro por todo o lado e um bom gosto inegável por parte dos czars que lá viviam. Cada cidade tem as suas coisas maravilhosas, mas é difícil não relativizarmos: Serralves, ao lado deste palácio, é um autêntico canteiro. A quantidade de fontes, os jardins, as estátuas talhadas a ouro, para não falar do interior do palácio, com interiores incríveis e cheias de histórias para contar. A Rússia, goste-se ou não, tem uma história interessantíssima, e também por isto ter uma guia (ainda que com um sotaque cerradíssimo) tornou a visita ainda mais valiosa.

 

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Nos jardins do Peterhof

 

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Nos jardins do Peterhof

 

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Peterhof

 

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Peterhof

 

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 Algumas das fontes do Peterhof

 

Depois almoçamos num restaurante enorme, na rua principal de São Petersburgo. A comida não era boa, mas conseguia-se comer (o mesmo não se pode dizer do dia seguinte). Destaque para o vodka e o caviar, servido desde o início da refeição, e para o gelado de baunilha, oferecido no fim. Nos dois dias que lá comemos, foi a única coisa que se aproveitou (não posso confirmar a qualidade do vodka, mas o meu pai disse que era bom).

A parte da tarde do primeiro dia foi, para mim, a pior parte desta visita à Rússia. Visitamos o maior museu do mundo, o Hermitage. Eu não sou fã de museus de arte - dou todo o crédito do mundo a quem faz aquele tipo de obras, dignas de deuses muitas vezes, mas sou incapaz de gostar de passar horas a olhar para telas ou esculturas. O cansaço que já sentia na altura e as milhares de pessoas que estavam lá dentro - e a consequente falta de oxigénio - não ajudaram à festa, pelo que foi a parte que menos desfrutei na Rússia.  Para além disso, este museu é tão grande que na hora e meia que lá estivemos não deu para ver absolutamente nada; foi só mesmo para picar o passe e dizer "eu estive no Hermitage!". Segundo a nossa guia, se parássemos dez minutos para apreciar cada peça, precisávamos de mais de mais de três anos (sem paragens) para visitar o museu. Não é definitivamente para mim. No espólio do museu encontram-se dois quadros de Leonardo DaVinci, uma coleção gigante de Remembrant e os ovos de Febargé, que não vimos.

 

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Da Vinci, no Hermitage

 

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Corredor no Hermitage, uma cópia fiel de um que existe no Vaticano e onde é contada em imagens a história da Bíblia Sagrada

 

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Uma sala do Hermitage

 

O segundo dia começou muito cedo - às 7.15h locais (5.15h de Portugal) já estávamos a arrancar para o Catherine's Palace, onde tem o tão famoso quarto de âmbar. Fomos muito cedo para sermos dos primeiros a entrar no palácio, o que facilitou imenso a visita e a tornou muito mais proveitosa. Estes sítios recebem milhares de pessoas por dia e chega-se a um ponto em que a multidão é tanta que já não conseguimos ver um palmo de espaço livre em frente dos nossos olhos. O palácio é do mais luxuoso que possam imaginar, com ouro por todo o lado e os pormenores mais pequenos e perfeitos que já vi. O quarto de âmbar, no meio de tudo aquilo, nem me deslumbrou muito. Para além do palácio em si, o que adorei mais foram os jardins, não tão luxuosos e trabalhados como o do Peterhof, mas com uma beleza natural e genuína que adorei. Na altura em que os visitamos estavam fechados para visitas a público em geral, pelo que pude tirar fotos à vontade. As histórias envolvendo o Peter, The Great e a Catherine, The Greatest são imensas e a cada canto há uma para contar; a nossa guia sabia imenso, o que tornou tudo muito mais real e fascinante, com direito a algumas gargalhadas pelo meio, dada a excentricidade desses czars.

 

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À entrada do palácio, onde uma banda tocava, cantava e dançava

 

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Fachada do palácio

 

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Dentro do palácio (reparem no ouro e na enorme pintura no teto)

 

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Uma pequeníssima parte dos jardins

 

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Uma casa de chá dentro do palácio, onde ouvimos um mini-concerto à capella

 

 Da parte da tarde andamos pela cidade de autocarro a fazer vários photo-stops, vendo por fora mais locais emblemáticos ou com vistas privilegiadas da cidade. Parámos na Saint Isaac Cathedral, nas margens do rio Neva e, claro, a Church of Resurrection on the Spilled Blood, que para mim é de todos os edifícios, o mais bonito que vi. Fizemos também uma breve visita ao forte da cidade, que tem no seu interior a Peter and Paul's Cathedral, onde estão os túmulos dos mais importantes czars da Rússia.

 

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Church of Resurrection on the Spilled Blood

 

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Church of Resurrection on the Spilled Blood

 

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Nas margens do Rio Neva

 

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Nas margens do Rio Neva (e com um vento incrível)

 

 O fim da viagem foi uma paragem para compras. Nas outras tours isso significa ter carta verde para, durante um determinado período de tempo, andarmos sozinhos para comprar souvernirs numa zona da cidade: na Rússia, e como está tudo controlado, deixaram-nos numa loja enorme e disseram "comprem". Não havia muito para além de matrioskas, imitações dos ovos de Fabergé, peças em âmbar, artigos em pele e canecas e t-shirts com a cara do Putin. 

 

Esta foi sem dúvida a paragem mais cansativa de todo o cruzeiro, principalmente porque foram dois dias a andar muito e a acordar muito cedo. No entanto, posso garantir que vale muito a pena, não só pela beleza incrível dos edifícios como pelo choque de culturas - é quase uma viagem na história, ainda dá para sentir o cheiro da União Soviética no ar. Um conselho para futuros visitantes: as visitas guiadas, apesar de terem sempre rédea curta, parecem-me sem dúvida a melhor opção. Primeiro porque podem conhecer um pouco da história dos czars e as suas mil e uma peripécias e segundo porque a cidade é enorme e os principais monumentos estão longe do centro, sendo quase impraticável andar de um lado para o outro sozinho, ainda por cima num país onde as pessoas pouco falam inglês e não se prestam a grandes ajudas.

 

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 Uma série de pormenores captados ao longo dos dois dias na Rússia

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